terça-feira, 31 de julho de 2007

TV BLOGO –TÁ FALANDO COMIGO?

GP da França de 1999, período de Safety Car. Michael Schumacher aproveita para fazer gracinha para a câmera. Figura!

FOTO DO DIA - RALI DA FINLÂNDIA DE 1984

Henri Toivonen, voando baixo com o Lancia Rally 037, um monstro de potência. O finlandês era uma estrela ascendente no Mundial de Rali, sempre comparado a outro novato fenomenal da F-1 da época, Ayrton Senna. Toivonen também teve sua carreira interrompida por um acidente fatal - foi no Rali da Córsega, no dia 2 de maio de 1986, em um acidente que vitimou também o navegador Sergio Cresto.

NO AEROPORTO

Imagine : você está naquela bagunça de um aeroporto, entediado, e escuta o mais improvável anúncio pelo sistema de autofalantes: “meu colega acabou de peidar e deixou a sala, o babaca”! Isto aconteceu em Heathrow, graças a idéia de dois espirituosos ingleses. Vestidos como motoristas, eles iam ao balcão de informações pouco após a chegada de um vôo de algum país do Oriente e entregavam um papel ao locutor com o nome de alguns passageiros. Nomes bem contruídos que, quando pronunciados, geravam frases hilárias. Confira o resultado da brincadeira clicando aqui!

RADIOGRAFIA - LOTUS 49 COSWORTH DFV

Projeto de Colin Chapmam, Maurice Philippe e Cosworth Racing.

Porque este carro é um marco na história da Fórmula 1? Clique para ampliar e comente!

VETTEL NA TORO ROSSO

Bye-bye, Scott! A BMW abriu mão hoje de sua opção pelos serviços de Sebastian Vettel, liberando-o para correr na Toro Rosso e a equipe de Gerhard Berger anunciou sua participação no GP da Hungria, no lugar do “leite e cereal” Scott Speed. A notícia traz outras respostas práticas: Nick Heidfeld renovou com a BMW para 2008, falta anunciarem oficialmente. E a Toro Rosso terá a dupla caipira Séb (Bourdais) e Seb (Vettel) no ano que vem. Rumores que circulam há muito tempo e que serão confirmados em breve.

O alemãozinho despontou para o mundo da Fórmula 1 há cerca de um ano, quando marcou o melhor tempo nos treinos de sexta-feira do GP da Turquia. Morando num país de língua alemã, acabei acompanhando sua carreiramais tempo. Em 2004, Vettel dominou a temporada da Fórmula BMW de forma tão acachapante que começaram a pipocar matérias do tipo “o herdeiro de Schumacher”.

Vendo o resumo das corridas na tevê, fiquei mesmo com a impressão dele estar um patamar acima do resto. Seu companheiro de equipe era o brasileiro Átila Abreu. Fui conversar com ele no final daquele ano e perguntei se o menino era tudo aquilo mesmo. “Ele tem uma grande vantagem, ele é muito leve. Quando for subindo de categoria, esta vantagem vai diminuir”, foi a resposta. Acho que hoje, o Átila reconheceria que errou de julgamento. Em 2005, os dois correram novamente na mesma equipe, na F-3 Européia. O brasileiro se classificou no grid à frente de Vettel uma única vez em 19 etapas.

É cedo demais para dizer se Vettel é um novo Schumacher. Pelo que se comenta, seu conhecimento do lado técnico dos carros e seu retorno ao comportamento do mesmo após um treino ainda é bem limitado. Mas ele é naturalmente rápido, isso é o mais importante. O resto, se ele se dedicar, dá para aprender.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

TV BLOGO – SPEED FAZ MICAGENS

Aderindo a uma moda do You Tube, Scott Speed se juntou a um amigo para dublar a música “Milk & Cereal” – uma idéia original de dois estudantes norte-americanos, que fizeram isso e tiveram sua coreografia copiada por gente do mundo todo. A música é detestável, mas o vídeo é divertido, principalmente pela excentricidade de ver um piloto de Fórmula 1 fazendo micagens. Sua performance no vídeo é igual a das pistas: ruim. Não é por menos que seu emprego na Toro Rosso anda por um fio...

TV BLOGO – GP DA INGLATERRA DE 1975

As voltas iniciais do último GP da Europa, com diversos carros estacionados na mesma curva, não é novidade na Fórmula 1. Confira o que aconteceu no GP da Inglaterra de 1975, prova que marcou a última vitória de Emerson Fittipaldi na categoria.

FOTO DO DIA - TESTE EM FIORANO 1974

O carro com o número 11 era o de Clay Regazzoni, mas é Niki Lauda quem o está pilotando nesta foto, tirada em um lindo fim de tarde no circuito de Fiorano. Clique para ampliar.

ENNSTAL CLASSIC 2007

Foi realizada neste fim-de-semana mais uma edição do Ennstal Classic, o principal encontro de carros históricos da Áustria. O evento é organizado pelo excelente jornalista Helmut Zwickl, membro do fechado “Clube dos 500”, o grupo de profissionais de mídia que cobriram mais de 500 GPs de Fórmula 1 – todos têm um passe permanente, válido pela vida toda, e a maioria vai hoje para os GPs que quer. Quem trabalhou com Clark, Stewart e Gilles Villeneuve não pode mesmo se contentar em entrevistar Alonso ou Räikkönen, monossilábicos e monótonos.

Abaixo, algumas fotos, para se ter noção da excelência do evento. Deleitem-se!

Maria Teresa de Filippis, aos 80 anos de idade, feliz da vida com um Maserati 250F.

O austríaco Franz Wittman, com um Auto Union Type D dos anos 30.
Jochen Mass comanda o Mercedes-Benz W154, máquina de Rudolf Caracciola nas temporadas de 1938/39.

Sob forte chuva, Andreas Zuber, da GP2, comanda o Wolf WR8 da temporada de 1979. Atrás, uma legítima Alfa Romeo 158, a Alfetta, primeiro carro (bi)campeão mundial de Fórmula 1. O piloto parece Sir Stirling Moss, mas não é.

O ARROTO DE CHRISTIAN KLIEN

No GP da Hungria de 2005 entrevistei diversos pilotos para uma matéria especial para a revista Racing sobre a falta de ultrapassagens na Fórmula 1. Aproveitava aqueles ridículos cinco minutinhos que as equipes reservam para que seus pilotos conversem com a mídia e fazia as minhas perguntas. Claro, com as estrelas do espetáculo como Alonso, Schumacher ou Räikkönen nem tive tempo de fazer o questionamento. Do pelotão do meio para trás, porém, o contato era bem mais fácil e cheguei a ter ótimas respostas, especialmente do sempre simpático Takuma Sato.

Com Christian Klien foi mole. Cheguei ao motorhome da Red Bull no horário marcado e ele atendia três jornalistas austríacos, mais ninguém. Sentei-me e coloquei meu gravador na mesa, ligado, para pescar um pouco da conversa dele com os meus colegas. Klien não me conhecia e aproveitou para fazer uma graça grosseira aos seus compatriotas. “ que esse idiota não está entendendo nada, vou dar uma declaração exclusiva”. Pegou meu gravador na mesa, levou-o à boca e deu um sonoro arroto. Dois dos jornalistas riram. O terceiro, com quem eu tinha trocado umas palavras, balbuciou: “Mas... ele fala alemão”. Klien ficou vermelho que nem uma pimenta, desculpou-se e me deu depois uma entrevista bem disciplinada, mal conseguindo me olhar nos olhos.

Mesmo antes do episódio, quando via ou lia entrevistas dele para a mídia austríaca, sempre ficava com a impressão de ser uma pessoa arrogante e infantil. para notar que estas características estão comprometendo completamente sua carreira. Quando ele assinou com a Honda, declarou aos jornais daqui que estava confiante em correr em 2008, no lugar de Rubens Barrichello. “É mostrar que sou mais rápido que ele nos testes”. Pois bem, está certo que Klien mal andou neste ano, mas pelo jeito não impressionou muito a sua equipe. A Honda ainda não extendeu seu contrato de piloto de testes. Mas assinou com os jovens ingleses James Rossiter e Mike Conway.

O austríaco ainda tenta uma vaga na Spyker no ano que vem, mas parece difícil que a equipeabrir mão de Adrian Sutil – e o segundo cockpit estaria reservado para algum piloto pagante. Na Red Bull/Toro Rosso, suas chances são nulas. Quando foi dispensado no ano passado, lhe ofereceram uma vaga na Champ Car, com tudo pago. Mas ele declinou, fazendo a opção de batalhar por um lugar na Fórmula 1 – uma atitude que caiu muito mal para Dietrich Mateschitz. O holandês Robert Doornbos aproveitou e pegou a oferta. Está lutando pelo título com Sébastien Bourdais e fazendo um bonito cartaz para, quem sabe um dia, voltar à categoria principal.

Christian Klien muitas portas se fechando. A fila vai andando e, deste jeito, ele vai acabar tendo de procurar emprego em outras plagas, provavelmente em alguma categoria de turismo. Bem feito. Quem sabe assim ele aprende a não sair por chamando jornalistas de idiotas. Um pouco de humildade e bons modos nunca fez mal à ninguém.

domingo, 29 de julho de 2007

TV BLOGO - THE GREAT GIG IN THE SKY

O dia todo com essa música na cabeça. Em resumo: um ótimo dia. Apreciem!

FOTO DO DIA - FÓRMULA AURORA 1979

Pouca gente sabe, mas a data 15 de abril de 1979 é histórica para o automobilismo brasileiro. Foi neste dia que o inglês Guy Edwards venceu a terceira etapa da temporada de Fórmula Aurora (Aurora F1 Series). Seu carro? Um Fittipaldi F5A (clique para ampliar). Foi a única vitória de um dos F-1 brasileiros construídos pelos irmãos Wilsinho e Emerson Fittipaldi. Com direito à dobradinha, aliás, já que o belga Bernard de Dryver (ótimo nome: Bernard, the driver!) ficou em segundo com o mesmo modelo. A Fórmula Aurora era um campeonato disputado com carros de F-1 não mais utilizados por seus construtores na categoria principal. Os bólidos eram então negociados com terceiros, que os utilizavam para correr nesta série. No Mundial de Fórmula 1, o F5A também foi responsável pelo ponto alto da equipe Fittipaldi: o segundo lugar de Emerson no GP do Brasil de 1978, em Jacarepaguá.

GPL BRASIL EM DAYTONA

No próximo domingo, o GPL BRASIL realiza sua oitava etapa no circuito de Daytona. É o único oval do nosso calendário e, para evitar que a diferença de performance dos carros influa nos resultado (lá, é embaixo o tempo todo), a prova será “especial”, com todos participando exclusivamente com carros Honda. De brincadeira, denominei a etapa de “Copa Rubens Barrichello”. O pessoal adorou e o colega Rica Ramos preparou este cartaz. Genial!

Aos interessados, cabe avisar que infelizmente as vagas para o campeonato estão esgotadas. Você pode entrar em lista de espera e, dependendo da ausência dos inscritos, novas vagas se abrirão em uma ou duas etapascomo na Fórmula 1: está inscrito e não correu, o Bernie vai te pegar). Na próxima temporada, teremos possivelmente duas divisões.

Aos inscritos, um lembrete: hoje tem treino coletivo, às 18 horas. O ponto de encontro é a nossa sala de chat no VROC. Compareçam!

sábado, 28 de julho de 2007

FOTO DO DIA - SENNA TESTA UM SIERRA RS500

Em 1985, Ayrton Senna testou uma série de carros do Mundial de Rali para uma revista européia. Aqui, ele está a bordo de um Ford Sierra RS500 (clique para ampliar). Ele adorou...

ADENDO:
Após as observações feitas pelo Mojo nos comentários e pelas perguntas enviadas pelo Francisco por e-mail, notei algumas incorreções no meu post. O teste foi realizado em novembro de 1986 (e não em 1985 ou 84) e o modelo da foto é um Sierra RS (não o RS500, que foi lançado posteriormente). Obrigado aos dois pelas observações e... “desculpem a nossa falha”! Viva a blogsfera!

UM FÓRMULA NAS RUAS

Imagine só: 500 quilos de peso, 300 cavalos de potência. Este é o Ariel Atom, um carro desenvolvido por uma pequena fábrica inglesa que anda realizando o sonho de muitos fanáticos por velocidade. “Carro”, porque ele têm permissão para andar nas ruas (note a placa pintada no bico). Mas, no fundo, é um Fórmula, que anda muito rápido e tem uma dirigibilidade sem igual. O “Top Gear”, programa de automóveis da BBC, é só elogios para o bólido. E olha que eles costumam ser muito críticos nas avaliações. Confira o vídeo!

sexta-feira, 27 de julho de 2007

FOTO DO DIA - GP DA ESPANHA DE 1970

Jackie Stewart derrapando na água jogada para apagar o incêndio nos carros de Jackie Oliver e Jacky Ickx (este, fora da foto). Clique para ampliar.

PORQUE TANTA HISTERIA?

É impressionante como a decisão da FIA ontem gerou reações exageradas de todas as partes. A McLaren se posando de vítima aliviada, dizendo que “a punição é correspondente ao crime”, ou seja, não houve punição porque nenhum crime foi cometido, o que não é verdade. A Ferrari pintando-se de justiceira e clamando que “a desonestidade na Fórmula 1 está legitimada”. Outra besteira. A desonestidade, a falta de ética e a ausência de espírito olímpico existem no automobilismo desde que a roda foi inventada, disso todos sabem.

Os torcedores em fóruns de discussão do mundo todo, naquela irracionalidade típica que todo torcedor possui – e tem o direito, quase dever, de possuir, afinal é torcedor –, bradam os maiores horrores. “Veredito justo, porque a Ferrari é rainha das falcatruas, teve o que merece” (princípio do ladrão que rouba ladrão...), gritam de um lado. “Salafrários da FIA, é óbvio que a McLaren se beneficiou, melou o campeonato, nunca mais vou assistir à Fórmula 1”, respondem do outro.

Menos, gente! Menos, muito menos...

Sentada a poeira, acalmados os ânimos, vamos pensar juntos: o caso em si é muito mais nebuloso do que o que sabemos. Ron Dennis, Jean Todt e os comissários da FIA têm uma visão global do ocorrido muito maior que mídia e opinião pública. Mas, mesmo assim, apenas os que foram pegos com as mãos sujas têm uma noção exata da extensão do caso. eles. O problema é que Coughlan é o único que certamente estava nesta história, pelo que sabemos. Os outros ainda não admitiram culpa, uns ainda clamam inocência, muitos nomes sequer chegaram ao conhecimento do público.

Qualquer discussão sobre quem fez, quem se beneficiou do dossiê, quem merecia (ou não) ser punido é mera especulação sobre especulações. A imprensa alimenta a história, o consumidor a compra (ah, e como este escândalo ajudou a vender jornal, a aumentar a audiência das corridas na tevê) e o objetivo da mídia é este. De verdade absoluta, ali não tem nada. Tivesse a FIA punido a McLaren, o quadro seria exatamente igual, todos esperneando em cima do que ainda não está claro.

Em primeiro lugar, um caso de espionagem industrialqualquer tipo de espionagem industrial – é muito sério para ser julgado rapidamente, atendendo os interesses de uma competição em andamento. Em segundo lugar, a FIA considerou a McLaren culpada. Mas, contrariando o que está escrito em seu próprio regulamento desportivo, não aplicou punição.

isso basta: uma entidade que faz um julgamento rápido e que não respeita nem suas próprias regras não está agindo em prol da justiça, mas apenas (repito: APENAS) para proteger seus próprios interesses, sejam eles políticos ou comerciais (neste caso, eu os dividiria numa proporção 30-70%).

ENTÃO PORQUE A INCREDULIDADE GERAL E A POLÊMICA EM CIMA DESTE VEREDITO?

Provavelmente, porque é difícil para a opinião pública em geral (quem a forma e quem a consome) entenderou porque dói muito aceitarque um esporte que gere tantas paixões, em sua forma mais popular e apreciada, esteja tão atrelado a estes interesses comerciais e políticos.

Não deveria ser assim. Uma coisa deve ficar sempre clara: há uma diferença fundamental entre automobilismo e os outros esportes. É a única modalidade que foi criada exclusivamente para vender um produto. Futebol, golfe, atletismo, karatê, sinuca, palitinho, truco, são todos jogos – uma velha tradição do animal humano. Mesmo que hoje a maioria destes esportes também esteja presa no dinheiro e na política, a origem deles é meramente lúdica. o automobilismo foi criado para desenvolver, promover e vender carros. Ele surgiu exclusivamente devido a interesses comerciais. Está na sua origem, no seu DNA.

Assim, não vamos levar esta história de espionagem tão ao da letra. Até porque, ao que parece, as investigações continuam na justiça comum (que é onde o caso deveria estar e está sendo conduzido de forma correta, dando tempo para colher todas as informações possíveis). Se o caso manchou o campeonato? Besteira! Volte a este blog daqui a 30 anos e veja como o campeão desta temporada continua sendo reverenciado pelo feito e como todo o “Stepneygate” virou apenas mais um dentre os mil folclores de falcatruas que existiram na história da Fórmula 1. Sempre foi assim, porque haveria de mudar?