quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

UM ANO MEMORÁVEL

O ano de 2007 começou com frio e paz, numa casinha de madeira em meio à neve da Alta Áustria. Naquele dia, mal poderia imaginar que o período que se seguiria seria tão positivo e – especialmente – repleto de momentos bacanas. Na parte pessoal e na parte profissional, há muito a comemorar. E, no meio deste balanço positivo, fica a memória de ocasiões especiais: o porre e o bolão feito com colegas jornalistas (um da Ucrânia, um da Itália e outro da França) no lançamento do carro da Toyota, em Köln; o troféu ganho pela minha pinscher Pipoca em uma corrida de cachorros; o jantar especial com os colegas Lívio Oricchio e Tatiana Cunha após uma jornada duríssima de trabalho em Barcelona; as gravações madrugada adentro da Rádio GP, com a turma que inclui os grandes Bruno Vicária e Ivan Capelli; os dias passados ao lado da minha Claudinha numa cabana isolada no topo dos Alpes; a criação e o surgimento deste blog – e a descoberta de um grupo de leitores fantástico em um meio interativo; a cobertura do GP da Itália em Monza, um fim-de-semana que a Fórmula 1 se viu em um beco quase sem saída; a cobertura do GP do Brasil em Interlagos ao lado das feras Flavio Gomes e Victor Martins; as corridas de kart com a turma da FIAK; o sábado mais legal que eu já passei em Interlagos, com Panda, Mattar, Saloma, Joaquim, Peralta, Vicária, Garcia e até Henri Pescarolo; a conquista do título - e dos amigos - do GPL Brasil; o apê mais divertido de Floripa, com Evelyn, Terena, Martins e Carsten; a gravação do Linha de Chegada com o mestre Reginaldo Leme e o apoio do Alex Grünwald. Estes e outros instantes e pessoas especiais que marcaram um ano memorável.

E, finalmente, a longa, difícil e prazerosa labuta de se criar um anuário de automobilismo com mais de 400 páginas, o que só é possível quando se coordena uma redação afiada e competente. Tiago Mendonça, Ricardo Ramos (os dois que também ajudaram na criação do cartão acima), Luiz Vicente, Michele Perusso e Carsten Horst são aqueles que possibilitam, no trabalho diário com dedicação e paixão exemplares, a obtenção de um ótimo resultado final para um projeto desta envergadura - sem esquecer o grande número de profissionais de primeira linha ajudando na produção. Um resultado que você vê, a partir do final de janeiro, nas páginas do AutoMotor Esporte.

Dizem que Natal é época de (re-)nascimento, mas uma lição que este ano de 2007 me reforçou foi tentar, de alguma forma, renascer a cada dia, encarando as benesses e as dificuldades da vida com energia renovada e espírito juvenil. Este blog aproveita agora para recarregar suas baterias. E voltará com tudo em nos primeiros dias de 2008, direto da Europa, trazendo ótimas novidades, seguindo seu caminho de crescimento e alimentando esta nossa paixão mútua pelo esporte a motor.

Para todos vocês, o desejo de ótimas festas! E até 2008!

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

PANCADA

Muito bacana a participação intensa e as conclusões que vocês chegaram com a imagem de ontem. As respostas já me suscitaram algumas dúvidas com a foto acima. É a curva Tarzan? Se não for, onde é isso? Em que ano? Treino ou corrida? Quem são os dois conversando ao lado dos destroços? Enquanto eu corro para fechar o anuário, vocês ficam com as feras do Blog do Ico: vocês mesmos!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

UMA IMAGEM…

… vários carros, uma pista. Quem vocês identificam na foto (eu sei)? Que ano (eu sei)? Qual pista (eu não sei). Me ajudem!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

TV BLOGO – JIM CLARK ONBOARD


O pessoal do GPL Brasil encontrou este ótimo e raro vídeo de Jim Clark, com imagens onboard dele pilotando com o Lotus 25 em Oulton Park, em 1963. As imagens ilustram bem seu estilo suave e eficiente de pilotar. Comparam Senna com ele, mas na verdade é Prost quem conduz com estilo parecido. Confira!

FOTO DO DIA – GP DOS EUA OESTE DE 1979

Neste sábado, a repentina morte de Clay Regazzoni completa um ano. Ele entrou a 100 km/h atrás de um caminhão na A1 italiana e se foi. Eu já passei por esta estrada algumas vezes (fui a Monza nos dois últimos de carro, passando exatamente por lá). É um lixo de estrada, para ficar igual a Dutra só faltam os motéis. Fora o Brasil, nunca vi um país gostar tanto de caminhão que nem a Itália.

Bem, a imagem acima mostra o suíço em Long Beach, numa corrida que abandonaria por uma quebra de motor no FW06. Nesta mesma temporada de 1979, em Silverstone (e já com o FW07), ele seria o responsável pela primeira vitória na história da equipe Williams. Seu bom desempenho, porém, não fui suficiente para que conseguisse se manter por lá no ano seguinte, perdendo a vaga para Carlos Reutemann. Em 1980, correndo pela Ensign, Regazzoni sofreria nesta mesma pista de Long Beach o acidente que o deixou paraplégico. Foi o fim da carreira de uma das personalidades mais coloridas que passaram pela Fórmula 1.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

ERREI, ERRAMOS

O título acima é de uma ótima música de Ataulfo Alves (que, aliás, possui uma versão arrasadora feita pelo grande Itamar Assumpção). O refrão dela reproduz quase que ao pé da letra o conteúdo da carta enviada pela McLaren para a FIA na semana passada – e publicada hoje. “Venho ao tribunal da minha consciência / Como réu confesso pedir clemência / O meu erro é bem humano / É um crime que não evitamos / Esse princípio alguém jamais destrói / Errei, erramos”.

Não quero nem entrar no mérito de qual será a atitude da FIA diante desta confissão pública assinada por Martin Whitmarsh. Nos bastidores deste vil negócio, acordos são costurados e a política sempre vem antes, muito antes, do princípio de justiça. Ao que parece, o carro construído pela McLaren em 2008 possui diversos componentes do F2007 da Ferrari. Incluindo aí o uso de CO2 para inflar os pneus – se você não se lembra, este era um dos temas que vieram a público na troca de e-mails entre Pedro de la Rosa e Fernando Alonso. O piloto de testes contou que recebera a informação através da ponte Nigel Stepney-Mike Coughlan e de que era algo que eles deveriam testar e usar. Nas palavras de De la Rosa: “É fácil!”

Vale lembrar que o veredicto aplicado pela FIA em 13 de setembro dizia que a entidade faria uma inspeção técnica no carro da equipe e, que se fossem encontradas evidências do uso de informações vindas da Ferrari, alguma sanção poderia ser imposta. Agora, vem o senhor Whitmarsh confirmar, numa carta, que uma série de elementos dos carros da Ferrari estará no carro do ano que vem. E roga uma “moratória” no desenvolvimento destes componentes como solução para se livrar de uma punição.

É obvio que tais informações técnicas são sempre disseminadas nos bastidores da Fórmula 1 – um lugar onde já foi dito: “nada se cria, tudo se copia”. Devem ter outras equipes já testando o CO2 em seus pneus. Mas a McLaren insistiu em usar estas inovações, mesmo com provas de que conhecia as informações através dos dados entregues por Stepney e também com um veredicto que a coloca contra a parede.

Réu confesso. Pune ou não pune?

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

TV BLOGO – GPL BRASIL: SNETTERTON 65


No último domingo, tivemos a terceira etapa do campeonato 65 do GPL Brasil, na pista inglesa de Snetterton. Com pouquíssimo tempo para treinar (e até para atualizar o blog), tive de me contentar em brigar por posições intermediárias. Nem por isso me abstive da diversão: tive uma ótima briga com o Felipe Gamper, um dos melhores jogadores de GPL do Brasil e até do mundo, e que voltou recentemente à prática do jogo após um longo inverno. A vitória foi do Thiago Lemos, a segunda neste ano.

Já falei isso aqui, mas repito: pilotar estes carrinhos do mod 65 são uma das atividades mais divertidas que eu já fiz. Interessado? Entre no nosso fórum e se informe. Em janeiro, nosso campeonato retorna com força total. E este blog, que segue em ritmo de conta-gotas até o Natal, também. Podem aguardar!

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

MINIATURAS - McLAREN MP4-22

Fernando Alonso voltou ontem à sua velha casa. Depois de amassar o pão e, ainda por cima, comê-lo na McLaren. Seu velho sonho de infância acabou se revelando seu pior pesadelo e sua relação com a turma do palácio de cristal do paddock foi das mais conturbadas. O ano de 2007, ele quer esquecer o mais rápido possível. Assim, fica a raridade desta miniatura, retratando a única temporada do bicampeão com o carro prateado. A peça foi enviada pelo Rafael Duarte – que a comprou na Espanha, vejam só – e foi fabricada pela Minichamps, na escala 1:18.

Acho o espanhol o melhor piloto da atualidade, com sobras. Para mim, perder o título por apenas um ponto nas condições de trabalho que teve foi um feito notável. Condições, diga-se, que foram criadas muito por sua intransigência e seu jeito turrão. Fica a expectativa do que ele poderá fazer na Renault. Para 2008, espera-se um salto na performance da Renault, que teve tempo de sobra para se dedicar ao projeto do novo carro. A equipe técnica, liderada por Pat Symonds, é das mais competentes. Mas é difícil imaginar o time brigando com Ferrari e McLaren – talvez, nem consigam alcançar a BMW.

Se isto ocorrer, não demorará mais que duas corridas para que o espanhol comece a atirar contra o time e busque uma vaga em outro lugar. Assim, apesar do espanhol ter garantias de primeiro piloto na equipe, surge a chance de Nelsinho Piquet, em 2008, pavimentar uma boa temporada de 2009. Sua qualidade como piloto é inquestionável – ninguém vence a F-3 Inglesa e disputa o título da GP2 com Lewis Hamilton só com o sobrenome. Minha única dúvida é se sua personalidade não seja parecida demais com a de Alonso – se ele não vai começar a bater como uma forma meio torta de auto-defesa.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

MINIATURAS – DALLARA IRL 2007

Final de ano é uma época complicadíssima, principalmente agora que chegamos na reta final de fechamento do Anuário AutoMotor Esporte, na sua edição 2007/2008. O volume de trabalho é enorme e o que salva a vida social são almoços e coletivas de final de temporada. Hoje teve uma bem bacana, com Tony Kanaan, que nos atendeu com a simpatia de sempre. Tivemos ótimas conversas, incluindo aí sua visão do desempenho dos jornalistas nas 500 Milhas da Granja Viana e sua participação esporádica em provas da American Le Mans Series, pela Andretti-Green.

No final, Tony sorteou algumas lembranças bem legais, como camisetas, bonés ou kits que incluíam chaveiros, miniaturas em 1:43 e outras coisinhas mais. Mas teve uma que parecia destinada para mim: na hora de sortear a miniatura 1:18 do Dallara que utilizou nesta temporada, o piloto foi direto no papelzinho com o meu nome. Cientes da minha paixão pelas “quatro rodinhas” (com a licença do amigo José António), todos riram. E Tony assinou depois a peça, que assim vai ganhar um lugar ainda mais especial na minha coleção (clique nas imagens para ampliar).

Maravilha, Papai Noel chegou mais cedo neste ano!


domingo, 9 de dezembro de 2007

A MORTE DE RAFAEL SPERAFICO

É uma sensação engraçada a que fica quando eu fico sabendo da morte de algum piloto. Fico chateado, lamento pela família, mas acabo aceitando o ocorrido como uma faceta inerente a este esporte. Por mais que existam indícios de que o risco poderia ter sido minimizado, acredito que a morte sempre vai rondar quem anda freqüentemente disputando posições a quase 300 km/h. É uma questão científica: por mais que se tente evitar o pior, as leis da física são imprevisíveis e quando elas se encontram em um determinado quadro, não há maneiras do corpo humano suportar um coquetel enorme de forças atuando nas mais distintas direções.

Vendo as imagens do acidente que vitimou hoje à tarde o piloto Rafael Sperafico, deu para depreender uma série de situações evitáveis. Em primeiro lugar, sua própria escapada da pista denuncia um toque (traseiro ou lateral) absolutamente desnecessário. E, lendo o depoimento de outros pilotos da categoria, como André Bragantini, a prática deve ser mais ou menos comum em todas as divisões da Stock Car. Se for isso mesmo, faltou por parte da organização do evento disciplinar a disputa. Por manobras bem menos questionáveis do que esta, a DTM entrou neste ano na maior crise.

Além do mais, é preocupante a maneira como a lateral do carro mal resistiu ao impacto. Todos sabemos que aquela parte é comumente a mais frágil dos veículos de competição – a morte do navegador Michael Park no WRC em 2005 foi uma evidência disso. Mesmo assim, a maneira hoje com que o carro do paranaense praticamente “dobrou” no instante da batida pareceu forte demais. Corroborando com isto estão as declarações do piloto Antônio Jorge Neto, indicando que a segurança lateral do carro da Stock Car já era motivo de preocupação há algum tempo.

Aqui vale a pena também pegar um exemplo da DTM: Tom Kristensen sofreu em abril deste ano um acidente de dinâmica muito parecida, mas o carro resistiu bem ao impacto e o piloto “só” ficou algum tempo de molho.

Mesmo assim, acho errado culpar alguém pelo ocorrido em Interlagos hoje. Acho errado olhar um acidente fatal e dizer que faltou isso ou aquilo. O mais importante de tudo é aprender com o que aconteceu para diminuir a chance disto acontecer novamente – e acredito que a Stock Car vai aprender muito com isso, é o que todos esperam.

De qualquer forma, nunca esqueçamos, é simplesmente impossível de se evitar mortes no automobilismo. Robert Kubica saiu praticamente ileso da pancada que deu em Montreal pela segurança extrema de um carro de Fórmula 1 atualmente. Mas, se as forças da física agissem um pouquinho diferente, não haveria dispositivo de segurança que desse jeito. Mortes em acidentes de corrida fazem parte do esporte. Na verdade, a Stock car tem em sua história uma morte realmente estúpida e sem sentido, a do fotógrafo (que nem fotógrafo era) postado em local proibido na hora da largada. A de hoje, definitivamente, não se encaixa neste quadro de absoluta negligência.

À simpática família Sperafico, eu deixo meus sentimentos e desejo-lhes muita força para lidar com a perda do Rafael. Pela larga experiência que possuem no automobilismo, acredito que saberão como poucos a trabalhar esta desagradável situação.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

NANO DA SILVA RAMOS

O Blog do Capelli, como de costume, me lembra de datas importantes, como o aniversário hoje de Hermano da Silva Ramos, o terceiro brasileiro a disputar uma corrida de Fórmula 1. Em 2001, tive uma longa e ótima conversa com ele por telefone, que rendeu no ano seguinte esta coluna do GP Total – além de uma foto autografada com dedicatória e tudo, devidamente exposta na parede do meu apartamento em Viena. Conheça mais sobre Nano!

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MESSIEUR NANÔ

Luis Fernando Ramos

Hermano João da Silva Ramos permanece até hoje, ao lado do já falecido Gino Bianco, como um dos mais desconhecidos dentre os pilotos brasileiros que correram na Fórmula 1. Trata-se de uma tremenda injustiça. Nano (seu apelido de família) vive hoje muito bem à beira-mar, na cidade francesa de Biarritz. E guarda diversas memórias de um dos períodos mais interessantes do automobilismo europeu, os anos 50. Pude constatar isto num delicioso bate-papo por telefone que tivemos no ano passado.

Pode-se argumentar que Nano, como Gino Bianco, eram pilotos europeus de nascimento e por isso não teriam a mesma importância dos outros 25 brasileiros que entrararam na Fórmula 1. Bobagem! Ninguém nunca questionou que Jochen Rindt era austríaco ou que o tenista John McEnroe seja norte-americano, embora ambos tenham nascido na Alemanha. E o Fininho? Depois de tantas alegrias que o showman do tênis brasileiro nos deu em disputas da Copa Davis, com tanto espírito guerreiro, alguém ainda vai implicar com o fato de Fernando Meligeni ter nascido em Buenos Aires?

Pois é. Nano nasceu em Paris no dia 7 de dezembro de 1925, filho de pai brasileiro e mãe francesa. Com dupla nacionalidade, cresceu lá mas veio ao Rio de Janeiro na época da II Guerra Mundial. E foi aqui que passou a se interessar pelo automobilismo. Com pouco mais de vinte anos comprou um carro esporte inglês, o MG, e passou a disputar algumas corridas, mais por diversão do que qualquer outra coisa. “O Carlinhos Guinle, filho do presidente do Automóvel Clube do Brasil, importou 40 carros desta marca na época e todos os rapazes do Rio compraram um. Fizemos corridas na Boa Vista e até mesmo no Flamengo”, relembra.

Já infectado pelo vírus da velocidade, Nano voltou a viver na França e foi logo ver a edição de 1952 das 24 Horas de Le Mans. Se apaixonou pelo Aston Martin DB2 de um competidor e resolveu comprar um para si. Com ele, disputou a prova no ano seguinte, andando entre os primeiros de sua categoria antes de abandonar com uma suspensão quebrada.

Algumas atuações de destaque no automobilismo francês lhe renderam um convite para correr na equipe oficial da Gordini. Foi por ela que Nano disputou sete provas válidas pelo Mundial de F-1: três em 1955 e quatro em 1956. Terminou três e abandonou em quatro, um resultado razoável tendo em vista a precariedade da equipe, uma espécie de Minardi da época. “Os carros quebravam muito porque a Gordini não tinha dinheiro para comprar peças novas. A suspensão sempre dava problemas e às vezes até perdíamos as rodas. Era muito perigoso”, comenta.

Seu melhor momento na categoria foi no GP de Mônaco de 1956, quando chegou em quinto lugar e se tornou o segundo brasileiro a pontuar, depois que Chico Landi ficou em quarto lugar no GP da Argentina do mesmo ano. Na época, a corrida consistia de 100 voltas pelas ruas do principado. Nano fez uma corrida inteligente e concentrada, levando o carro até o final e sendo premiado com dois pontos.

Mas sua maior lembrança do evento foi do treino livre de quinta-feira, iniciado no curioso horário das 5h45 da manhã para que o trânsito estivesse aberto ao público às 10 horas. Os pilotos completaram a primeira volta em um clima de cidade deserta, mas iniciaram a segunda sob os aplausos e incentivo de uma multidão que se juntou nas janelas e sacadas dos prédios. Ainda vestidos com pijama, naturalmente. “Em uma volta, acordamos uma cidade inteira.”

Numa época em que ainda a Fórmula 1 não tinha o status de hoje, a atenção de Nano naturalmente estava voltada para Le Mans, a corrida mais importante da época. Lá, viveu dois momentos marcantes. O primeiro foi em 1955, quando passou pelos boxes segundos depois do acidente fatal com o Mercedes de Pierre Levegh que matou mais de 80 pessoas – a maior tragédia da história do automobilismo. “Era horrível, tinham dois carros e vários corpos queimando. Parecia o fim do mundo! A minha mulher estava lá, nos boxes, e ficou tão abatida que nunca mais foi à uma corrida.”

O segundo foi em 1959, quando foi convidado pela equipe de fábrica da Ferrari para correr com o belo GT 250 de Maranello. Nos treinos antes da corrida, Nano marcou o melhor tempo. Ganhou uma enorme foto na capa do tradicional jornal francês Le Figaro, maior até que o registro do casamento da musa Brigitte Bardot com Jacques Charrier.

“Eu tinha certeza que ia ganhar. Meu carro andava um pouco melhor que os outros da Ferrari. Sabe como é, quando uma equipe tem três carros, sempre tem um com um motorzinho melhor. O Jean Behra ficou furioso por achar que o Tavoni, diretor da Ferrari, deliberadamente não lhe deu o melhor carro. Behra discutiu e acabou dando um soco no italiano. Naturalmente, foi despedido.” O sonho do brasileiro durou apenas quatro horas, quando o câmbio quebrou enquanto andava entre os primeiros colocados.

A última corrida de Nano foi no Brasil, em 1960, quase duas décadas depois de rasgar as ruas do Rio com os carros importados por Carlinhos Guinle. Correndo com um Porsche numa prova para carros esporte na Barra da Tijuca, ficou em segundo lugar.

De vez em quando, Nano passa alguns dias no Brasil visitando um de seus quatro filhos, que trabalha como corretor de imóveis no Rio de Janeiro. É também membro ativo da Associação dos Ex-Pilotos de Grand Prix e comparece com alguma freqüência em homenagens e demonstrações de carros antigos.

Se restava alguma dúvida sobre para qual país bate o coração do piloto de dupla nacionalidade, ela se dissipou com uma simples pergunta: para quem ele torceu na final da Copa do Mundo de futebol em 1998? “Para o Brasil, é claro! Preparei uma feijoada e convidei vários amigos para vibrar com a Seleção”, disse. Teve de amargar a derrota para a França por 3 a 0, como qualquer brasileiro.

O HONDOLA

O grande Jonny’O encontrou estas imagens que explicam claramente porque o Honda RA300, de 1967, tinha o apelido de “Hondola”. A equipe japonesa abandonou o chassi pesadão que haviam produzido e equiparam seu potente motor em um chassi Lola – o mesmo que havia sido utilizado por Jackie Stewart nas 500 Milhas de Indianápolis (à esquerda na foto). Compare os recortes da carenagem na região da suspensão dianteira com os do RA300 (à direita na foto – clique para ampliar). Este carro “híbrido” correspondeu e conseguiu a mais famosa vitória da Honda e também de John Surtees na Fórmula 1, no GP da Itália de 1967.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

MINIATURAS – FERRARI 312T4

Com o título da temporada de 1979 já decidido, Gilles Villeneuve decidiu roubar o show na etapa de encerramento daquele ano, o GP dos Estados Unidos em Watkins Glen. O absurdo começou logo na sexta-feira, quando uma chuva fortíssima caiu no circuito. Poucos pilotos foram à pista, mas o canadense acabou fazendo sua volta 11 segundos (!!! – ou nove, há versões conflitantes) mais rápido que o segundo colocado, seu companheiro de equipe Jody Scheckter. Gilles largou em terceiro, mas dominou a corrida – disputada naquela condição chove-seca-chove-seca –, cruzando a linha de chegada com quase 50 segundos de vantagem sobre René Arnoux, o segundo colocado. A prova também marcou a primeira volta mais rápida de Nelson Piquet na Fórmula 1.

A miniatura acima, a preferida da coleção do Maurício Neves, foi feita pela Exoto (na escala 1:18) exatamente para homenagear esta grande performance do inesquecível canadense. Clique para ampliar e repare nos detalhes.

COPA MAX MOSLEY DE FÓRMULA 1

Aconteceu de novo: a FIA considerou a Renault culpada de ferir o artigo 151c, mas não sofrerá nenhum tipo de punição. Foi exatamente o mesmo veredicto dado, inicialmente, para a McLaren. Volto a insistir na tecla de que esta é uma decisão indigna e equivocada. Um culpado deve ser punido, como aconteceu com a McLaren (mas, inexplicavelmente, não com seus pilotos), ainda que só depois do surgimento de novas provas. Por que com a Renault seria diferente?

Se é para avacalhar, façamos o que já foi feito no futebol brasileiro, como na época da Copa João Havelange: que façam uma temporada normal, para depois decidir o título em apenas uma corrida com os cinco primeiros colocados da F-1, o campeão e o vice da GP2, mais o campeão da F-3000 Euroseries.

Lamentável. Só vai servir para manter esta estória viva por mais tempo. Sinto que ainda veremos os desdobramentos dos casos de espionagem de 2007 ressurgirem, aqui e ali. Como um fogo fátuo.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

MALCOLM NAS CORRIDAS

A temporada 2007 trouxe mais uma história de um ator que se rendeu ao mundo da velocidade. Frankie Muniz, na ativa desde que era uma criancinha, aproveitou o final da série “Malcolm in the Middle” e resolveu tirar dois anos longe das câmeras (com exceção de um ou outro trabalho esporádico) para ver se consegue emplacar uma carreira nas pistas. Muniz pegou gosto pela coisa após correr (e vencer) uma corrida para celebridades em Long Beach. Mas seu desempenho nesta temporada da Fórmula Atlantic foi pífio, andando sempre no pelotão do fundo. De qualquer forma, o garoto de 21 anos segue atrás do sonho de correr um dia na Champ Car. A Nascar certamente não está em seus planos, pelo menos pelo que depreendemos do filme que ilustra este post.

FOTO DO DIA – GP DO MÉXICO DE 1967

Moleza não é uma boa palavra para definir como foi a corrida de Jim Clark no Grande Prêmio do México, prova que encerrou a temporada de 1967. Apesar de ter cruzado a linha de chegada com quase um minuto e meio de vantagem para Jack Brabham, o segundo colocado, o escocês perdeu a embreagem logo na primeira volta, e passou quase a corrida toda mudando as marchas “no ouvido”. Nada que o impedisse de ser o mais rápido na pista o tempo inteiro. A prova marcou também a conquista do título da temporada por Denny Hulme, que cruzou a linha de chegada apenas um segundo atrás de Clark, mas com uma volta de desvantagem e na terceira colocação.

E esse Lotus 49, hein? Que beleza!

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

2007 AWARDS

Já no ar, no GP Total, minha coluna relatando os melhores momentos da temporada, sob a ótica das coberturas que fiz “in loco” neste ano. Leia e comente!

MINIATURAS – HONDA ANOS 60

O Marcos Smirkoff sabe muito bem como eu sou fã da coleção de miniaturas que ele tem. Também não é para menos: olhem só que coisa mais sensacional estes três carros da Honda que correram nos anos 60! À esquerda, a RA272, utilizada por Richie Ginther em 1965. No meio, a RA300 de John Surtess (e o próprio John Surtees), do ano de 1967. À direita, este belíssimo RA301, com o qual Surtees disputou a temporada de 1968. Além da beleza inerente dos carros – para mim, os Honda estão disparados entre os mais bonitos daquela década – reparem no capricho com que o Marcos montou as miniaturas.
O RA272 é da Tamiya (confira abaixo o detalhe do motor, com a carenagem aberta) e os outros dois são da japonesa Ebbro, todos na escala 1:20.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

FOTO DO DIA – GP DA FRANÇA DE 1989

Esta corrida, disputada em Paul Ricard, foi vencida por Alain Prost e também rendeu este belo instantâneo de Riccardo Patrese, que terminou a contenda na terceira colocação. Clique para ampliar.

REFLEXÕES DE SEGUNDA

Caiu. Para quem está na cidade de São Paulo, é impossível passar alheio ao rebaixamento do Corinthians para a segunda divisão do futebol brasileiro. Impossível também se enternecer com o choro do corintiano. Desde a vergonha impetrada no certame de 2005 – quando, após o “escândalo do apito”, a MSI descobriu o quão barato sairia o título e comprou a remarcação de jogos e a arbitragem –, o final da história era óbvio: dívidas e fracasso esportivo.

A prova mais cabal disso veio a seguir. Em 2006, o Internacional de Porto Alegre, campeão de direito do Brasileiro do ano anterior, venceu a Libertadores da América, o Mundial Interclubes e ainda foi vice na Série A. No mesmo ano, o Corinthians foi o sexto colocado no Paulista, perdeu nas oitavas-de-final na Libertadores e na Sul-Americana e ficou em nono no Brasileiro. E neste ano? Nono no paulista, parou no Náutico nas oitavas da Copa do Brasil, ficou na fase preliminar da Copa Sul-Americana e terminou o Brasileiro em 17º lugar – e rebaixado. Precisa falar mais?

Pior do que a segunda divisão é ver um clube atolado em dívidas e uma mera sombra do que um dia já foi. O Corinthians é grande o suficiente para sair dessa, mas talvez não seja o bate-volta que muitos andam prevendo não. O buraco deixado pelos principais responsáveis por este rebaixamento (Dualib, Kia, Duprat, Cury, Berezovsky) é tão grande que até o congresso, de forma vergonhosa e sob pressão da CBF, entrou em campo para tentar barrar a investigação sobre esta obscura parceria com a MSI.

O mais triste é que estes nomes acima se livraram de tudo. Quem paga o pato é o elenco atual e, principalmente, o torcedor. Eles que deveriam ser os primeiros a protestar assim que surgiu a parceria do clube que amam com a máfia russa. Agora é tarde. Caiu. De maneira contundente e incontestável. Se a justiça dos homens não faz o seu trabalho direito, a justiça do esporte o fez ontem.