É até óbvia a conclusão de que este 2008 vai ficar guardado como um dos anos mais especiais da minha vida. Concretizar um objetivo é sempre gratificante e foi o que aconteceu fazendo a cobertura de uma das temporadas mais legais da história da Fórmula 1. E vivendo um período de intensa harmonia na vida pessoal, que é algo a que dou muito valor e só tenho a agradecer todos os dias pela esposa, família e amigos que tenho.
Fica registrado aqui meu muito obrigado pela companhia nesta deliciosa jornada chamada vida. Aos leitores do blog (os que comentam, os que só visitam, os que também têm blogs), aos colegas do AutoMotor, da Band, do Lance, da Racing, do Tazio, do meio automobilístico, aos companheiros de corridas virtuais de GPL por todo o planeta, aos meus amigos de toda a vida, a minha querida e amorosa família, a minha companheira que me apoiou e suportou com a força de um Atlas ao longo de todas estas viagens.
Dentre os presentes que Papai Noel poderia me trazer, o mais legal veio de um sujeito que nunca vi na minha vida. Claudio Lessa escreveu esta coluna no site “Direto da Redação” no dia do GP do Brasil de Fórmula 1. Ao invés de comentar a decisão eletrizante que acabara de ocorrer, ele preferiu discorrer sobre a qualidade da transmissão das corridas pelas rádios do grupo Bandeirantes. Foi uma atitude espontânea, um atestado de um trabalho cujo resultado realmente ficou muito bom. Por isso, além de desejar boas festas para todos, encerro o ano reforçando a sugestão do Lessa de acompanhar a F-1 em 2009 por um ângulo diferente, mais informativo e emocionante.
Chegou a hora de recarregar as baterias. Nos vemos no comecinho do ano que vem, até lá!
A música do Talking Heads levadaontem ao arveio à minhacabeçadepois de tantopassadonosúltimosdias lendo o blog do meuamigo Carlos Dufour. Paraencurtar a história: ele é argentino e já morou emvárioslugares do globo (incluindo São Paulo) trabalhando comtecnologia de celulares. Neste 2008, resolveu viver a vida de formaumpoucodiferente. Emjunho, pegou umaviãoem Madri, ondemora, até Istambul. Chegando lá, montou suabicicleta e saiu pedalando rumo ao Oriente!
Nestes sete meses de viagem, Carlos passou por Turquia (na foto acima, ele está na Capadócia), Irã, Índia, Nepal, Camboja, Laos, Tailândia, Malásia e Cingapura, atéresolverque o seuciclopessoalnão estaria completo se não fizesse a sua Argentina natal de bicicleta. É láqueele está agora, emalgumlugar da Patagônia.
A aventura do amigo serve também de mensagem, um monte de mensagens, nestes tempos bicudos. De como é possível rodar o planeta gastando pouco dinheiro, consumindo pouca energia não-renovável e conhecendo de perto lugares, pessoas e realidades tão diferentes. E de como esse olhar tão de perto do mundo torna mais fácil na hora de olharmos para dentro de nós mesmos.
Aproveite esses dias mais tranqüilos e dê uma passada no blog para curtir mais da aventura. Para um espírito de globetrotter como eu, cada página serviu como inspiração para ir atrás dos meus sonhos geográficos. Que ficaram cada vez mais pertos, agora que ficou claro que basta planejamento e disposição para viajar muito gastando pouco. E não há nada melhor na vida do que viajar.
Passamos as últimas semanas discutindo a tempestade econômica que afeta o esporte a motor e, vejam só, acabamos deixando de lado a parte mais legal da coisa, a esportiva. Os testes realizados em dezembro cristalizaram algumas tendências que devem ditar o início da próxima temporada. Uma delas diz respeito ao KERS, que a menos de cem dias da abertura do Mundial 2009 continua dando mais dor-de-cabeça do que a energia extra prevista. Desenvolver um dispositivo confiável até aberto parece cada vez mais difícil.
Mas o que mais me chamou atenção foi a questão dos pneus slicks. Pela configuração aerodinâmica dos carros e pela própria natureza dos compostos, os bólidos estão com excesso de aderência na frente. Com isso, os pneus estão tendo um desgaste excessivo depois de poucas voltas, especialmente os traseiros. E os engenheiros sabem que simplesmente fazer uma nova geometria de suspensão não resolverá a questão.
Ao que parece, lidar com isso vai ficar a cargo dos pilotos. Todos admitem que o comportamento dos carros mudou. Nick Heidfeld foi além. Para ele, o carro em 2009 terá de ser acertado pensando mais no desgaste dos pneus do que na eficiência aerodinâmica, como era o caso neste ano.
Em tempos de corte de custos, vai se dar bem na pista quem souber poupar melhor os pneus na maneira de dosar o pé no acelerador.
Quemnão gostaria de ter essas duas emcasa? A duplabrasileira da Benetton em 1991, Roberto Moreno e Nelson Piquet, reproduzida em escala 1:18 da Minichamps. As miniaturas são do César Pedrini e têm um significado histórico que todo mundo conhece: Moreno daria lugar para um tal Michael Schumacher nas últimas corridas do ano, numa época em que trocas de pilotos no meio da temporada não eram comuns. Piquet se encheria (e, talvez, sentiria o tamanho da encrenca que arrumaram para ele) e sairia da F-1 no final do ano. Triste roteiro humano em torno de uma máquina tão bela.
“(Nothing But) Flowers” é uma músicafeita há vinte anosque, de formairônica, trazia uma letra ecologicamente inversa: o sujeito lamentava o fim dos carros, das estradas, dos estacionamentos, que deram lugar a oásis, campos de flores, florestas. Vale a penarelembrar dela nostemposatuais, de crise da indústria automobilística e de verdadesinconvenientessobre o clima no planeta. Será quenão produzimos carrosdemais? Será que precisamos tanto deles? Fica de prelúdiopara retomarmos amanhãesseassunto, com a incrívelaventura de umgrandeamigomeu.
Ah! E fica a dica para quem não conhece Talking Heads. Uma banda com um som nem sempre fácil de digerir, mas que figura fácil no que de melhor foi produzido nos anos 80.
Não é fácilmedir o tamanho do desafio. Umlivro de 405 páginas, capadura e ediçãoluxuosa, trazendo o que de melhor aconteceu na temporada nas pistas do Brasil e do Mundo. Todo o esforçoempregado, as noitesadentro trabalhadas viram fumaçaquando se vê o resultadofinal. Porque todas as dezedições do AnuárioAutoMotorEsporteemqueeu trabalhei (de 17 que já foram produzidas), a maiorparte delas coordenando uma equipequenão merece nenhumadjetivoabaixo de fabulosa, repetem o que foi esse Mundial da Fórmula 1: as incertezas seguem até a últimavolta, a últimacurva, até a últimamatériacruzar a linha de chegada. Depois, é olharparatrás, correr os dedos pelas páginas e suspirar: ficou sensacional!
O “filho” já está na gráfica e deve ficarpronto nas primeiras semanas de janeiro. O “filho”, na verdade, tem muitospais: todomundoque se dedicou de corpo e alma no fechamento de tantas páginas. É do Luiz Vicente, quepilotacomdestreza e energia a criaçãográfica e montagem de todas as páginas do livro. É do “Comando da Madrugada”, formado por Beto Miranda, Carsten Horst, Geraldo Tite Simões, Miguel Costa Jr. e Tiago Mendonça, a redaçãomaismaluca e apaixonada porvelocidade do planeta. É do Flavio Gomes, Rodrigo França (recém-casado com a Dani, parabéns) e Cassio Cortes, que escreveram e editaram uma porção de páginascom a competência de sempre. É dos Alexandres Grünwald e Kacelnik, do Bruno Vicaria, do Claudio Tigur, do Dinho Leme, de tantosfotógrafos de primeira do Brasil (principalmente) e do mundo, do pessoal das assessorias de tantas categorias, todos colaborando demaispara o produtofinal. É da Daniele Leme e da Fabiana Rossi, que garantem um entrosado bate-bolaentre a alacomercial e a editorial. E, claro, do Reginaldo Leme, quecomandatudocom uma empolgaçãocontagiante e com a sabedoria de quem entende comopoucos neste país de automobilismo. O prêmio recebido pela associação dos cronistas esportivos está aí para mostrar isso.
Nóstodos temos orgulho de criarumprodutoquenãosóornamentamilhares de estantesporaí, mas serve principalmente de consulta, uminstantâneoeterno de umperíododeterminado do esporte, que vai ser folheado e vai ajudar as geraçõesfuturas.
Aos “pais da criança”, meumuitoobrigadoporajudar na materialização do projeto. Assimqueele estiver à venda, o aviso de ondecomprar estará aqui no blog. Não é orgulho de paibesta, maseu garanto quevale a pena!
Tambémnão posso deixar de registraro surgimento de um blogparahomenagear o grande Luiz Pereira Bueno, um dos melhorespilotosquejá surgiram no Brasil. A belainiciativa é do Dú Cardim e do Ronaldo Nazar. Vou aproveitarminha programada “arrumação de fim de ano” na próximasemanaparapescaralgummaterial nas revistas antigas paracontribuircomeles. Luizinho merece!
Nigel Mansell parecia até misturar um pouco de ceticismo à sua alegria no pódio em Kyalami. Afinal, a sua segunda vitória na Fórmula 1 chegava apenas treze dias depois da primeira. Justo, ele, que tinha esperado tanto tempo até quebrar a barreira da vitória. Mas a realidade era mesmo essa. No final da temporada de 1985, o conjunto Williams-Honda começou a sobressair frente aos demais. Ali começou uma era relativamente longa de domínio dos propulsores japoneses.
Ah! Para quem não viveu os anos 80, a mocinha ali no pódio representa com perfeição o estilo das mulheres na época. Põe um Huey Lewis and The News de fundo e a viagem no tempo fica completa...
O Alexandre Carvalho enviou pore-mailtrêspáginas de uma entrevista de José Carlos Pace à revista Veja, publicada menos de duas semanas antes de sua vitória no GP do Brasil de 1975. Confira o material nas imagens abaixo, clicando para ampliá-las. Chama a atenção ele dizer que encontrou na F-1 um clima de camaradagem muito menor do que esperava. Falou também do medo de morrer e das suas chances de vencer uma corrida (que logo se concretizaria). Ótimo presente, Alexandre, obrigado!
Conversei com Lucas Di Grassi, que ainda corre atrás de algum cockpit para 2009 – e deve entrar no novo ano sem nada acertado. Confira o papo aqui, ele falou coisas interessantes sobre os rumos de sua carreira e do próprio automobilismo em tempos de crise. Lucas é um excelente piloto, fez uma grande temporada na GP2 e ainda não desistiu da F-1. Ver Sébastien Buemi passando o funil e ele (ainda) não, é de doer.
Eis um jornalista para se admirar. O calçado em direção a Mister President foi um protesto bizarro, mas justificado para um sujeito que criou uma guerra por motivos fictícios, com o único intuito de encher o bolso das empresas dos caras da sua turma com bilhares de dólares (boa parte deles, também fictícios). No fundo, essa crise começou ali. Quem não se lembra da falência da Enron?
Mas o mais legal de tudo é a semelhança do episódio ocorrido no Iraque com a cena final do ótimo “Austin Powers”. Pena que, na vida real, o objeto não acertou o alvo. Confira!
A Honda não hesitou emdeixar a Spirit e trabalharcom a Williams na temporada de 1984. A equipe de Sir Frank estava mesmo precisando de um motor turbo e os japoneses, de um time vencedor. O casamento, na verdade, começou na última corrida do ano anterior e foi coroado com a vitória de Keke Rosberg no GP dos EUA – Meio-Oeste, disputado em um circuito de rua no centro de Dallas, no qual o calor simplesmente derretia o asfalto. Assim, o finlandês se juntou a Michele Alboreto e Nelson Piquet como os únicos capazes de interromper a hegemonia da dupla da McLaren naquele ano. Na foto acima, Rosberg está em Detroit – outro circuito de rua norte-americano farsesco. Foi a etapa anterior à vitória no Texas.
A Honda voltou à Fórmula 1 uma década e meia depois de sua primeira saída. E como fornecedora de motores da pequena equipe Spirit, com quem mantinha estreita cooperação desde 1981, com um motor para um carro de F-2. A reestréia aconteceu no GP da Inglaterra com o carro acima (embora com uma pintura diferente, predominantemente branca), o Spirit 201C, equipado com o motor RA163E, um V6. Foi uma maneira da marca japonesa de voltar de forma low profile. O melhor resultado foi um sétimo lugar no GP da Holanda, posição que não dava pontos na época. Mas o primeiro passo estava dado e a ascensão dos propulsores japoneses ao topo seria devastadora. Clique para ampliar!
O Natal está chegando e muitagenteaindanão sabe quepresentedar – e, às vezes, nem o quepedirpara o Papai Noel. Pois o blog entra no espírito natalino e sugere algunsbonspresentes. Dos caríssimos ao baratinhos, você vai encontrar alguma coisabacana. Valefrisarquenão tenho nenhuma ligaçãocomercialcom os presentes sugeridos. Sãoapenaslembranças e presentesqueeu compraria paramimmesmo. Confira!
1) Capacete do Heidfeld
O fãclube do alemão Nick Heidfeld colocou no eBay o capaceteque o piloto da BMW Sauber utilizou em algumas das corridasfinais de 2007. Autênticomesmo, vem atécom aquelas sujeirinhas quevão se acumulando ao longo da prova. O leilão termina amanhã e você terá quecolocar a mãofundo no bolso se quiser tê-lo. O preçojá ultrapassa os 1500 Euros.
2) Equipe Honda
Quemnunca sonhou emter uma equipe de Fórmula 1? Agora, você pode atépresentearseuamigosecretocom uma. Vem comcarro de 2009, túnel de vento e supercomputador, tudo novinho emfolha. Acompanha tambémumgênio da estratégia, uma eternapromessa e umpiloto de testesmuitocapaz. Interessado? Escreva para Nick Fry em: Honda Racing F1 Team, Brackley, Northants. NN13 7BD, United Kingdom. E despeça-o logoemseguida!
3) Ingressopara o GP do Brasil 2009
Paranãoterdores de cabeça de últimahora, você pode garantirdesdejá o ingressopara a corrida de Fórmula 1 em Interlagos do anoque vem. A vendajá está funcionando no siteoficial do eventodesdesegunda-feira. Depois do espetáculoinacreditável ocorrido neste ano, você vai perder a próxima?
4) Livro do Tite
A redação do anuárioAutoMotorEsporte ganhou neste anoumreforço de peso – mosca, quando se mede na balança, mas pesado quando se escuta o volume de risadas. Geraldo “Tite” Simões entende de motocomopoucos, tem uma escritadeliciosa e histórias de fazeraté Ron Dennis arrancar os cabelos de tantodarrisada. Nãosó de motosou motociclismo, mas da vivência do autornosboxes da Fórmula 1 (Jacarepaguá, anos 80. Precisadizermais?) e no mundo do rali. Se rir é o melhorremédio, melhorarrumar uma prescriçãomédicaantes de comprar este “O Mundo é uma Roda”.
5) Miniaturas DDR
Hendrik Medrow começou a recriar os bólidos do automobilismo na Alemanha Orientalporpuroprazer. Ficou tãobomque começaram a choverpedidos e a diversãologovirou negócio. Há carros de turismo e tambémdiversos monopostos. Só os preçosnãosãomuitosocialistas. Masvalepelararidade dos modelos retratados. A beleza deles (dos originaisclaro, não da recriação), porém, é bastantediscutível...
6) Porsche RS Spyder
Encerrando a lista, o presentemaislegal de tudo: um vencedor das 24 Horas de Le Mans. Sim, e da edição 2008! Foi comesse Porsche RS Spyder que a equipe holandesa Van Merksteijn venceu a categoria LMP2. Mas a crise apertou e eles resolveram colocar o bólido à venda. E o pacote vem completo, compeças de reposição, ferramentas, computadores de telemetria e poraí vai. Entre neste sitepara os detalhes. E se prepare paradar uma pechinchada, porque o precinho não deve ser camarada.
7) Amor
É umpresentemeiobatido, podem argumentar. Masinfalívelparatrazerfelicidadeemtempos de Natal. E nãocustanada. Bastaumsorriso, umabraço, umbeijo, tudofeitocomsinceridade e vontade. Ligue para um amigo, um parente, mesmo para um desafeto, experimente o efeito devastador de um gesto de afeto. Umpresente, aliás, que deve ser distribuído todos os dias do ano. Não se esqueça disso nunca. E tome, aquivai um pouquinho, prá você!
Na pauta desse blog, discussõessobre a Fórmula 1 emtodos os seusaspectos: histórias do passado, análises do presente, bastidores da cobertura e curiosidades. E muitamúsicaparatemperar essa mistura de razão com a paixãoque o automobilismo desperta.
Repórter de Fórmula 1 do Grupo Bandeirantes de Rádio, do diário Lance e da revista Racing. Apreciador de boa música, viagens e velocidade. Guitarrista amador, corredor de rua e piloto virtual.