quinta-feira, 31 de julho de 2008

ALALAÔR

Como sempre, o calor aqui na Hungria é insuportável. Nem tanto pela temperatua, que fica em 32, 33 graus. Mas o ar é muito seco e a sensação é insuportável. Menos mau que a organização resolveu dar uma mãozinha, colocando uns vaporizadores acoplados em ventiladores num ponto do paddock. É claro que é lá onde todo mundo se reúne...

APRENDENDO VALÊNCIA


Conversando hoje com Nelsinho Piquet (o áudio está no Tazio), ele deu suas primeiras impressões sobre o circuito de Valência pelo que ouviu falar de colegas da GP2 que andaram lá no último domingo. “É uma pista de verdade”, classificou, sendo “de mentira” na sua classificação os circuitos de rua travados, como Mônaco. O brasileiro também falou que vai aproveitar a pausa da F-1 nas próximas semanas para estudar o traçado por vídeo. Pode começar com este aí de cima, com um carro de Fórmula 3.

ALONSO TIRA SARRO

A renovação de contrato de Heikki Kovalainen com a McLaren foi o assunto do dia aqui em Hungaroring. Com direito a ironia por parte de seu antecessor na equipe. O espanhol Fernando Alonso provocou o finlandês, dizendo que jamais se sujeitaria a fazer o papel de segundo piloto.

- Se ele continuar fazendo tudo que lhe for pedido, vai ficar na McLaren para sempre. Não me lembro de uma corrida em que ele tenha se classificado com menos combustível que Hamilton. Vimos também como ele teve de dar passagem em Hockenheim. Se eu estivesse lá estaria fazendo este papel também. Prefiro chegar em quinto ou sexto com a Renault do que ter de chegar em quarto ou quinto pela McLaren.

Certas feridas demoram para cicatrizar...

TV BLOGO – JETHRO TULL


Acabo de chegar ao autódromo de Hungaroring, agora é tempo de ir correr atrás da informação. Enquanto isso, uma pequena contribuição musical para o final de semana, para ouvir e curtir: Jethro Tull e uma de suas canções mais bonitas, “Budapest”.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

A PISTA QUE NUNCA EXISTIU

Quando começaram as negociações para uma corrida de Fórmula 1 na Hungria, no meio dos anos 80, a idéia inicial era a de criar um traçado urbano numa das áreas mais bonitas de Budapeste. Városliget (literalmentepequena floresta da cidade”) é um belo parque que engloba a imponente Praça dos Heróis, além de um castelo e um lago. O projeto, retratado na imagem ao lado, nunca saiu do papel e a decisão final recaiu sobre as montanhas da vila de Mogyoród, nas cercanias da capital húngara.

Em junho deste ano, uma turma de resolveu editar uma versão desta pista, que nunca existiu de verdade, para brincar no glorioso GPL. O vídeo abaixo mostra uma volta nela. Dá a impressão de ser uma pista onde seria impossível de ultrapassar. Mas Hungaroring também é. Pelo menos, o visual seria muito mais bonito!


O FUTURO DE FISICHELLA

A Superleague anunciou hoje o AS Roma como novo integrante de seu campeonato. O carrinho vai ser gerenciado pela FMS, de propriedade de Giancarlo Fisichella. Eu não tenho a menor dúvida de que ele logo estará sentado no cockpit do bólido acima para disputar algumas corridas. Nem tanto pela grande probabilidade dele ficar desempregado ao final do ano, isso é o de menos. É mais pelo fato dele ser daqueles torcedores roxos e que nunca perderia a chance de fazer o que gosta (pilotar) defendendo as cores do time que ama. O cara é doido pelo Roma! E acha o Falcão o maior craque da história do clube.

O mesmo Falcão que era o capitão do primeiro onze de futebol de botão que eu tive na infância. Outro dia, desenterrei o que sobrou da esquadra de plástico e fui brincar com meu sobrinho. Ele não achou muita graça naquilo. Será que a arte do botonismo morreu com as gerações mais novas?

MINIATURAS – WILLIAMS FW22

Aleluia, irmãos! No último domingo, Ralf Schumacher finalmente marcou seu primeiro pontinho no DTM, com um oitavo lugar em Nürburgring. Poderíamos dar um desconto por ele correr numa equipe semi-oficial e com o carro do ano passado. Mas outros quatro pilotos destes timesindependentes” têm mais pontos que ele. Está certo que a mudança de um monoposto para um carro de turismo nunca é mole, mas eu esperava um pouco mais de Ralf. Um pouquinho, vai.

Para comemorar o feito do alemão, vamos publicar hoje aqui esta miniatura enviada pelo Guilherme Rosa: a Williams FW22, da temporada de 2000, com o qual Ralf Schumacher conseguiu três pódios, na Austrália, Bélgica e Itália. O modelo é da Hot Wheels, na escala 1:24.

terça-feira, 29 de julho de 2008

TV BLOGO – TESTES DO NOVO FÓRMULA 2


O Ricardo Divila conseguiu com exclusividade estas imagens históricas: os primeiros testes com os carros de Fórmula 2 que a FIA vai implementar em 2009 a um custo de 200 mil Euros por ano – a metade do que se gasta numa F-BMW, por exemplo. Estes problemas de instabilidade e dirigibilidade são comuns em novos modelos, mas os engenheiros responsáveis já buscam soluções para eles...

DONINGTON SUBIU NO TELHADO?

A mudança de sede do GP da Inglaterra para a pista de Donington Park a partir de 2010 não será tão fácil como se previa e muita gente no país já começa a duvidar que ela realmente aconteça. Para começar, há uma complicada burocracia a ser vencida. O autódromo fica entre dois municípios, Derbyshire e Leicestershire, e uma permissão para as reformas necessárias não sairia em menos de 18 meses. Além disso, há algumas discordâncias internas no trio que assumiu o controle da pista. Simon Gillet e Lee Gill acham que a prioridade deve ser a Fórmula 1. Mas Paul White, que foi quem mais dinheiro colocou no leasing da pista, planeja antes construir um hotel de luxo e uma sede de um clube nos moldes do BRDC em Silverstone, além de hospitality-centers situados em pontos estratégicos da pista.

TV BLOGO – FIO-TERRA


O Gustavo Coelho, do Blog F1 Grand Prix, deu a dica e colocou no ar o vídeo do choque sofrido pelo mecânico da BMW no teste com o KERS em Jerez. Para mim, fica claro que o sujeito funcionou como uma espécie de fio-terra e canalizou a eletricidade que, de alguma forma, estava circulando pela carenagem do carro.

Sem demagogias, acho boa a idéia da Fórmula 1 buscar uma maneira de recuperar a energia desprendida das freadas para reutilização. Assim, a categoria reforça seu trabalho de laboratório de pesquisas para a indústria automobilística e, quem sabe, encontra uma solução válida para a crise energética. Mas me parece uma sandice implementar este sistema já no ano que vem. Vamos ver o que o povo vai dizer lá na Hungria sobre o assunto.

Valeu, Gustavo!

segunda-feira, 28 de julho de 2008

CIRCUITO DA GÁVEA 1954

Minha coluna de hoje do GP Total relembra uma das edições do Circuito da Gávea, trazendo também o curioso relato de um torcedor alemão que foi ao Rio de Janeiro para torcer por seu ídolo Hans Stuck. Confira e comente!

MINIATURAS – BMW F1.06

Parece que faz muito tempo, mas Robert Kubica vai comemorar na Hungria dois anos como piloto titular na Fórmula 1. Foi na corrida de 2006 em Budapeste que ele assumiu o lugar de Jacques Villeneuve na BMW. “Porque eu sou mais rápido que ele”, foi o que ele respondeu ao jornalista que lhe perguntou os motivos da troca. Duas corridas depois e ele subia ao pódio pela primeira vez, em Monza. O garoto é bom mesmo, ganhou uma corrida e vai longe na Fórmula 1. Mesmo com um carro pouco (e cada vez menos) competitivo, está dando o que falar neste ano. Eu admiro demais o trabalho que ele vem fazendo.

A miniatura que marca a estréia de Kubica é da Minichamps, na escala 1:43. Mais uma contribuição bacana do César Pedrini.

domingo, 27 de julho de 2008

AUSTRO-KAIMANN

Aproveitando a agradável visita de parentes, levei meu sobrinho neste final de semana para conhecer o Museu Técnico de Viena, que traz um apanhado interessante de ciências e de engenharia. E o passeio ficou ainda mais especial quando meus olhos encontraram um legítimo Austro-Kaimann Mark IV, um Fórmula Volkswagen do final dos anos 60. Esses carros antigos de categorias menores embalam os meus sonhos! Um dia...

sexta-feira, 25 de julho de 2008

TV BLOGO – CAN-AM 1967




Essa é uma daquelas jóias que aparecem de vez em quando no You Tube: um resumo da corrida de Elkhart Lake da série Can-Am, em 1967. São dois vídeos, trazendo os McLarens, Lola e o Chaparral numa das pistas mais fantásticas do mundo. Bom divertimento!

A ANTIGA RIVAL

Existem exceções, mas no geral as assessoras de imprensa das equipes de Fórmula 1 costumam ser bonitas, simpáticas e competentes. No caso da francesa Marie Hirth, da Renault, dá para incluir mais um atributo: ela acelera muito. Para saber quais os pilotos da categoria que ela já enfrentou nas pistas, confira esta matéria do Lancenet, que saiu também na edição impressa do Lance! de ontem.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

CENTENÁRIO DO AUTOMOBILISMO NO BRASIL

É isso mesmo: depois de amanhã, a primeira corrida disputada em solo brasileiro completa cem anos de idade. Foi uma prova contra o relógio, com os competidores partindo a cada cinco minutos de dentro do Parque Antárticahoje conhecido como Estádio do Palmeiras, mas que na época pertencia ao Germânia. O traçado, batizado comoCircuito de Itapecerica”, cruzava uma série de ruas conhecidas de São Paulo. E, motivo de orgulho total, passava na esquina de onde eu cresci, na rua Cardoso de Almeida (veja o traçado na imagem abaixo). O vencedor foi Sílvio Álvares Penteado, com um Fiat, completando o trajeto de 75 quilômetros de extensão em 1h30min05s, uma média de 50 km/h – bem mais veloz do que a necessária para fazer o mesmo trajeto hoje em dia em meio ao insano trânsito paulistano, diga-se. Mais detalhes sobre a prova você também no obrigatório Pandini GP, o primeiro a destacar a data.

Vale registrar também a dica dada pelo colega Paulo Peralta: dia 27, domingo de manhã, haverá um passeio em homenagem ao centenário, com partida no mesmo Parque Antarctica às 9 horas e chegada no Pacaembú (Praça Charles Miller), passando antes pelas Avenidas Brasil, Brigadeiro Luiz Antônio e Paulista. Uma turma de primeira que ajudou a escrever uma parte importante da história deste centenário vai estar : Bird Clemente, Jan Balder, Emílio Zambello, Luiz Pereira Bueno, Toni Bianco, Luiz Evandro Águia, José Tôco Martins, Marinho, Crispim, Chico Lameirão, Anísio Campos e Roberto Dal Pont, entre outros. Fica a dica de um passeio bacana para um domingão. Se eu estivesse em São Paulo, não perderia esta de jeito nenhum.

FOTO DO DIA – GP DA HUNGRIA DE 1936

O primeiro Grande Prêmio da Hungria foi disputado há mais de 70 anos. Ou, mais precisamente, em 21 de junho de 1936, solstício de verão. O sinuoso traçado de cinco quilômetros de extensão foi montado no parque Nepliget, em Budapeste. A imagem acima mostra a Auto Union de Hans Stuck em ação (clique para ampliar), mas a briga pela vitória foi entre seu companheiro de equipe Bernd Rosemeyer e o italiano Tazio Nuvolari, da Alfa Romeo. O alemão liderava, mas perdeu rendimento e foi ultrapassado, com Tazio registrando um raro triunfo de uma máquina italiana no período de dominação dos carros prateados. As explicações para os problemas de Rosemeyer naquele dia variam: uns relatos apontam que ele teve um problema de fígado; outros dizem que o esforço com o volante e o câmbio acabou esfolando as mãos do piloto até deixá-las em carne viva na fase final da prova.

Foi a única visita dos carros de Grand Prix à Hungria nesta que é tida como a era dourada do automobilismo.

MINIATURAS – LOTUS 49C

Mais uma jóia enviada pelo César Pedrini. Foi com esta Lotus 49C que Jochen Rindt venceu o GP de Mônaco de 1970 – ganhando a ponta após um erro de Jack Brabham na última curva! Foi o último triunfo de um carro da série Lotus 49 na Fórmula 1. Duas corridas depois, Rindt já faria sua estréia ao volante do Lotus 72, também com vitória.

O modelo é feito pela Quartzo, na escala 1:18 – e se pintar na minha frente um dia, vai ser difícil resistir à tentação de comprá-lo. Clique para ampliar!

quarta-feira, 23 de julho de 2008

TV BLOGO – OS CAMPEÕES DO PASSADO


Para passar o tempo nesta quarta-feira, fica a sugestão de encher os olhos com as imagens do vídeo acima, dez minutos trazendo um pouco dos primeiros campeões da Fórmula 1. Beleza pura.

A CURVA TARZAN EM ZANDVOORT

Depois de tanto falarmos das retas de Hockenheim, que tal falarmos um pouco de curvas? Afinal, elas são o desafio máximo dos circuitos e, justamente por causa disso, costumam ser batizadas, ao contrário das retas. Muitas vezes, as origens destes nomes são divertidas, como é caso da curva do Laranja em Interlagos, onde os inexperientes (ou "laranjas") erravam o ponto ideal de sua tangência.

Outra história curiosa é a da primeira curva de Zandvoort, a da foto acima. Antes da construção da pista, o terreno era ocupado por uma série de hortas privadas. Um dos jardineiros se recusava a vender o seu lote, até que as autoridades propuseram batizar uma das curvas da pista em sua homenagem. O sujeito, um holandês alto e musculoso, aceitou. Desde que utilizassem o apelido pelo qual era conhecido: Tarzan.

terça-feira, 22 de julho de 2008

O AMULETO DE NELSINHO

A sorte de Nelsinho Piquet mudou completamente em Hockenheim. Pelas declarações de Fernando Alonso e Mark Webber, existe uma espécie de loteria com a regra do Safety Car. E quem teve suas dezenas sorteadas no prêmio acumulado da Alemanha foi o piloto do carro de número 6.

Depois da corrida, me lembrei de uma cena ocorrida na quinta-feira que parecia irrelevante. Uma jornalista chinesa entregou a Nelsinho um bichinho de pelúcia verde como presente antecipado de aniversário (o brasileiro completará 23 anos nesta sexta-feira) – algo que acontece com muitos pilotos em muitas corridas, eles tiram foto com o presente para sair na revista ou jornal do país e a vida segue.

No domingo, depois da prova, fui atrás dela para perguntar que bicho era aquele. Na verdade, é um dos cinco mascotes das Olimpíadas de Pequim. Nini usa uma pipa chinesa em formato de andorinha como chapéu. E o pássaro é o símbolo chinês para... sorte!

Imagino que o bonecoacompanhar Nelsinho em todas as corridas a partir de agora.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

FOTOS DO DIA – GPs DA ALEMANHA DE 1986 E 87

Hockenheim também viu dois brasileiros no pódio em outras duas ocasiões. Em 86, eles ocuparam as duas primeiras posições, e o vencedor Piquet ainda fez graça com o tamanho do troféu. Senna, a seu lado, achou engraçado. Eu também. Abaixo, no ano seguinte, os três do pódio acharam graça de outra coisa.

AS RETAS DE HOCKENHEIM

O Luciano Schettini fez uma ótima contribuição, mandando essa foto do estado atual das retas do traçado antigo de Hockenheim. Achei a imagem fortíssima: por um lado, uma cara de cemitério, de túmulo de um circuito histórico. Por outro, a vida brotando nas entranhas do asfalto. Um contraste muito interessante. Clique para ampliar – e obrigado, Luciano!

domingo, 20 de julho de 2008

DRAMATIK PUR

A Fórmula 1 possui uma lógica sólida e aparentemente imperturbável. Mas com 20 bólidos cruzando um traçado com velocidades acima de 300 km/h, basta um pequeno contratempo para introduzir caos, drama e emoção na ordem deste universo. Foi isto que aconteceu no Grande Prêmio da Alemanha. Até a volta 35, era uma das corridas mais chatas da temporada, com Lewis Hamilton caminhando impávido para uma vitória tranqüila.

Foi quando Timo Glock escapou na saída de uma curva após uma quebra da suspensão e bateu forte. Os destroços de sua Toyota se espalharam pela reta dos boxes e o Safety Car foi acionado. E o andamento da corrida sofreu uma reviravolta completa. Onze dos 19 pilotos aproveitaram a neutralização para trocar pneus e reabastecer pela última vez. Os outros oito permaneceram na pista, incluindo o líder Hamilton e também Nick Heidfeld, que parariam novamente. E, atrás deles, Nelsinho Piquet, que tinha acabado de fazer sua única visita aos boxes.

Foi um incrível golpe de sorte do piloto brasileiro, que no dia anterior era a própria imagem da desolação, escondido dentro do motorhome da Renault depois de um desempenho ruim no treino de classificação. Quando Hamilton e Heidfeld foram aos boxes, ele assumiu a liderança da prova, algo que jamais passou pela sua cabeça de manhã, quando chegara ao autódromo.

Nelsinho Piquet só não venceu porque Hamilton, depois do claro erro estratégico da McLaren, não estava disposta a dar sopa para o azar. Com uma determinação impressionante, o inglês aproveitou-se do fato de ter o melhor carro da pista e retomou a liderança a oito voltas do final como se retomasse um direito seu que tivesse sido usurpado.

Mas o segundo lugar foi um prêmio para o trabalho perfeito realizado pelo brasileiro na corrida. Ironia do destino, este foi o primeiro pódio da Renault neste ano, um objetivo que o companheiro Fernando Alonso buscava com tanta intensidade e cuja possibilidade já tinha descartado. E deve servir como uma injeção de autoconfiança para Nelsinho. Em boa hora, porque ela já estava completamente abalada pelas dificuldades que ele vinha enfrentando neste seu ano de estréia na Fórmula 1.

Na briga pelo título da temporada, o brasileiro Felipe Massa conseguiu com o 3° lugar minimizar os danos de um final de semana ruim da Ferrari. Por um lado, ele tem bons motivos para se preocupar com o ótimo momento vivido por Lewis Hamilton, o primeiro piloto a vencer duas corridas seguidas neste ano. Mas o fato de ter feito na Alemanha um trabalho infinitamente melhor que o de Kimi Raikkonen deve ser comemorado. Porque, com o crescimento de Hamilton, a Ferrari deve acelerar a escolha de um dos pilotos para esta disputa. E, no momento, o pêndulo balança firmemente para o lado de Massa.

DE ARREPIAR

A corrida acontece só daqui a pouco, mas o melhor do final de semana até agora aqui em Hockenheim foi, disparado, a demonstração com os BMW M1 Procar. Não só pela presença de Niki Lauda na pista, além de Marc Surer, Christian Danner e outros nomes da velha guarda. Mas pela beleza dos carros e, principalmente, pelo ronco de seus motores. Rouquíssimos, um som delicioso de ouvir.

TV BLOGO – WIR SIND HELDEN


Uma das bandas mais populares da Alemanha hoje em dia faz um som bem anos 80. “Wir sind Helden” (“nós somos heróis”) pode parecer um nome bem arrogante, mas a banda é simpática e competente. E tem uma vocalista de nome estranho que é uma gracinha: Judith Holofernes. No ótimo clipe acima, a música é “Nur ein Wort”.

HONDA 2009 - II




A Honda da Alemanha promoveu um concurso de design entre alunos da Universidade de Pförzheim. A idéia era viajar na maionese e desenhar um carro para algum dos circuitos da temporada. Acima estão os quatro vencedores. O que eu mais gostei foi o camelo aerodinâmico, para usar no GP do Bahrein. Será que a FIA aprova?

HONDA 2009

Há exatos cinco anos, Rubens Barrichello fazia sinal de positivo depois de vencer o GP da Inglaterra, naquela que eu considero sua melhor performance na Fórmula 1. Neste ano, também em Silverstone, ele voltou a andar bem e conseguiu um excelente pódio. De forma não oficial, Ross Brawn confirmou neste final de semana a permanência do brasileiro – e de Jenson Button – na equipe no ano que vem. É um prêmio e um reconhecimento ao bom desempenho dele neste ano e mostra que seu entusiasmo na hora de falar sobre trabalho é autêntico e não retórico. Rubinho disse que não assinou contrato, provavelmente não tenha assinado mesmo, mas acaba se traindo ao comentar com entusiasmo sua expectativa com o carro do ano que vem. A oficialização do acordo é mera formalidade.

Também atrelado a isso: com Red Bull e Honda confirmando suas duplas para 2009, isto só pode significar que já sabem onde Fernando Alonso vai correr no ano que vem. Eu ainda apostaria na combinação Renault-09 e Ferrari-2010. Mas tem gente suspeitando que ele possa parar na BMW, com Kubica na McLaren e Kovalainen de volta para a Renault. Será?

TREM BÃO

Meu iPod tem 5406 músicas guardadas dentro de si. No instante em que tomei o avião em Viena, nas primeiras horas da quarta-feira, retomei o mesmo experimento das outras viagens: colocar todas elas para tocar aleatoriamente e ver a quantidade que eu escutei quando chegar de volta em casa. Como regrinha, só posso ouvi-las quando estiver me locomovendo de um lugar a outro. Ou seja: no autódromo ou onde estou hospedado, o bichinho fica desligado.

Até o momento, estou na música de número 209. É muito. Porque este GP da Alemanha tem sido diferente das etapas anteriores. Aqui, tenho a possibilidade de ser recebido na casa do pai de um amigo (ou, melhor dizendo, o marido alemão de uma amiga brasileira, mas que virou amigo também pela sempre agradável convivência), um abrigo que já tinha utilizado nas coberturas de 2005 e 2006. O pai também é um cara muito bacana, gosta de contar piadas e me chama de “austríaco”. Ele mora a poucos quilômetros do circuito, na pacata cidade de Waghäusel. Pela localização, é um lugar onde vale a pena quebrar a rotina de carros alugados ou vans da organização que passam em portas de hotéis. Meu meio de locomoção, aqui, tem sido o trem.

O grande barato de viajar com as locomotivas é que você acaba deixando de se preocupar com o relógio e com o ritmo frenético do trabalho. Sua medida de tempo passa a ser um sagrado folheto de papel, a planilha de horários dos trens. É ela – e só ela – que vai ordenar suas prioridades. E eu jamais poderia imaginar como isso é bom.

A duração da viagem de Waghäusel até Hockenheim é de sete minutos, são apenas duas paradas. E os maquinistas devem ser todos suíços. Na quinta-feira, calculei mal e cheguei na estação às 8h49, bem a tempo de ver o trem das 8h48 indo embora, chacoalhando feliz em direção ao norte. Aliás, os deslocamentos a pé até as estações de trem são mais longos que o próprio trajeto entre as cidades. Em Waghäusel, demoro 12 minutos da casa até a Bahnhof. E, em Hockenheim, são vinte minutos contadinhos no relógio entre a plataforma e o quartel do corpo de bombeiros – é ali que fica o estacionamento da imprensa, de onde saem as vans para levar-nos à pista que, você leitor do blog já sabe, fica do outro lado da Autobahn.

Todo este ritual, embalado pelas músicas do iPod, tem sido gostoso demais. De manhã cedo, o passeio por Waghäusel é tranqüilizante, um vilarejo residencial cheio de casas onde pulsam vidas silentes. Ver algum morador é um acontecimento, algo que só acontece se eles estiverem tirando ervas-daninhas do jardim. E ainda te cumprimentam com um “Guten Tag”, o semblante levemente curioso em saber o que faz ali aquele sujeito de passo apressado e cara de árabe (sim, o cavanhaque, eu sei).

Mas, eis que hoje, entre o banco que deve ter uns 17 clientes e o campinho de futebol com finas traves pintadas em amarelo e vermelho, surgiu um grupo também andando rapidamente para pegar o trem. Vestiam bonés vermelhos e ostentavam bandeiras da Finlândia. Incrível, era uma turma de quatro jovens que veio diretamente da cidade de Espoo, onde Kimi Raikkonen nasceu, e também se hospedou naquele mar de tranqüilidade. Na casa do pai de um conhecido!

Na outra ponta do percurso, Hockenheim é bem mais agitada, principalmente no final de semana da Fórmula 1. Tem McDonald’s, lojas de celulares, fitness center e kebabs sendo vendidos em janelinhas, sinal inequívoco que você está na Alemanha. Há também um charme irresistível, com ruas estreitas e calçadas na cor bordô. A febre da corrida aparece em cada esquina, no camping lotado, na tabacaria toda decorada com cartazes de edições antigas e também nos taxistas gananciosos.

No final do dia, esgotado pelo trabalho, às vezes tenho de recorrer a um motorista de táxi para não ser deixado para trás pelo maquinista suíço. É uma loteria. Na sexta, peguei um enorme salafrário, que acionou bandeira 4 (!) e ainda deu uma volta gigantesca para chegar na Banhof e faturar uns Euros a mais. Mas ontem, minha chofer foi uma mulher figuríssima, que falava pelos cotovelos da sua paixão em ser taxista, e da glória que sentiu no dia em que teve Fritz Walter em pessoa como passageiro. Fritz Walter, que sensacional!

São experiências aparentemente insignificantes, todas vividas fora do autódromo. Mas que, juntas, fazem deste GP da Alemanha uma cobertura completamente diferente das demais. Variedade é sempre bom para dar um tempero diferente neste ritmo insano, deliciosamente insano, do trabalho. Hoje é domingo, a jornada já está acabando e já fica o gostinho de “quero mais” para a próxima corrida. Vamos ver quantas músicas do iPod ela vai permitir. Em Budapeste, de carro, deve ser bem menos que aqui. E infinitamente menos que na Austrália, uma viagem na qual só o vôo consome quase a bateria toda do aparelho. Haja música!