terça-feira, 30 de setembro de 2008

TV BLOGO – HERBIE HANCOCK


Foi há mais ou menos dez anos que fiz minha única visita até agora a Nova York. Viajando sozinho, parecia um jeca deslumbrado pelas ruas, o olhar mirando os prédios enormes e o walkman (sim, de fita cassete) no último volume. Eis que, ao atravessar distraído uma enorme avenida, dou de cara com um transeunte que vinha na direção contrária. Pedi desculpas, Herbie Hancock sorriu e respondeu “sem problemas”, achando graça da minha cara de bobo quando o reconheci.


Daqui a pouquinho, vou reencontrá-lo numa apresentação no Konzerthaus de Viena. Cheguei hoje de manhã e estou cansado demais de tanto avião, então não há melhor maneira de relaxar do que com um som tão bom como o do vídeo acima, uma versão de “Norwegian Wood” dos Beatles. Conhecia? É sensacional!

FOTO DO DIA – GP DO JAPÃO DE 1977

A Fórmula 1 estreou em Fuji debaixo de chuva em 1976, mas teve uma corrida ensolarada no ano seguinte. Se isto se repetisse nessa reestréia da pista no calendário, Felipe Massa agradeceria. Com uma desvantagem importante para descontar, tudo o que o brasileiro não precisa agora é de uma corrida caótica e no molhado.

Durante essa semana, vou trazer para vocês uma série de belas imagens da prova japonesa de 1977, que teve acidentes (um com fatalidades), curiosidades – e um vencedor: James Hunt, na foto acima, com o McLaren M26. Era a corrida de encerramento de uma temporada que já tinha definido o campeão, Niki Lauda. O austríaco estava de saída para a Brabham e nem disputou a prova. O clima era tão de fim de festa que, ao final das 73 voltas, Hunt e o segundo colocado Carlos Reutemann nem subiram ao pódio: foram correndo pegar o avião. Apenas Patrick Depailler, terceiro, esteve na cerimônia.

Outros tempos, definitivamente. Amanhã tem mais dessa prova, não percam!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

EU DUVIDO. MAS É PLAUSÍVEL...

O que o blogueiro “Mini Car Models” escreveu nos comentários de um post abaixo eu reproduzo aqui:


Com relação à corrida, parece um plano perfeito elaborado após o fracasso na classificação. Carro que se adaptou às pistas, largada com pneusmaciospara não ter que usar mais, primeiro a parar nos boxes, a batida de Nelsinho sozinho (sem nenhuma pressão de adversários), pedido de desculpas ao vivo pelo rádio de Nelsinho para os mecânicos com uma calma intrigante ainda dentro do carro (será que depois de bater um F-1 o primeiro pensamento não é sair do carro?) e a vitória. Partindo dessa equipe, pode-se esperar de tudo. Como disse o Massa o Alonso se beneficiou da batida”...bem, pode haver um outro beneficiado....Se Nelsinho “trabalhou bempara a equipe, pode ter garantido a sua permanência nela. Isso seria decidido no dia 30 de Setembro, mas para não dar muito na cara, isso deve ser adiado.”


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Hospício nele? De jeito nenhum, a teoria foi discutida à exaustão na sala de imprensa de Cingapura ontem à noite. Vamos pensar com calma: Alonso sabia que tinha um carro bom para obter um bom resultado, mas deixou o circuito no sábado com o 15° lugar no grid de largada por um problema com a bomba de combustível na classificação. O que fazer?


Numa pista de rua onde ultrapassar é muito difícil (se não concorda, conte quantas voltas Lewis Hamilton perdeu atrás de David Coulthard), a escolha óbvia seria fazer uma parada apenas, com uma primeira parte a mais longa possível, para tentar ganhar posições quando a pista estivesse livre e o carro, mais leve. Na coletiva, Alonso confirmou esta visão, mas destacou que havia uma preocupação quanto ao desgaste dos pneus extra-macios no carro da Renault. A equipe achava que não conseguiria fazer um stint muito longo com eles.


A opção foi a de fazer então um início de prova com estes pneus e o carro muito leve. Largando tão atrás no grid, seria uma estupidez sem tamanho. Por mais que Alonso ganhasse algum terreno na largada ou mesmo nas primeiras voltas (o que acabou acontecendo), ele voltaria em último lugar assim que fizesse a sua parada (o que acabou acontecendo, também) e estaria condenado a perder todo o tempo do mundo atrás de carros como os de Force India e Honda. Era um tiro no .


A única chance da estratégia funcionar seria se houvesse uma neutralização do Safety Car na hora certa. E a Renault poderia calcular mais ou menos em qual hora seria. Para quem não sabe, os engenheiros das equipes são capazes de prever em qual volta os dez primeiros do grid farão os seus primeiros pit-stops. Para isso, pegam os tempos deles no Q1 e no Q2 e comparam com o obtido no Q3, observando também se a volta em questão foi limpa ou se houve algum erro de pilotagem que possa ter custado alguns décimos de segundo.


A maior parte desta turma pararia entre as voltas 14 e 16. Assim, a Renault colocou Alonso para passar na volta 12. Em caso de acidente em uma das duas passagens seguintes, o espanhol pularia para primeiro lugar. Até tudo bem, arriscaram e se deram bem. Todos os dias, alguém aposta mil dólares num único número na roleta, esse número sai e o cara ganha uma grana preta.


Mas o acidente ter acontecido justamente com o companheiro de equipe, num final de semana em que sua sobrevivência no time foi constantemente colocada em questão, é algo a se pensar. No caos depois da prova, não consegui falar com Nelsinho porque estava no ar pela rádio quando ele correu para falar com o pessoal brasileiro que circulava pelo paddock. Mas conversei com estes jornalistas e ouvi a entrevista. Nelsinho pareceu sincero quanto às incertezas de seu futuro e não deu o menor sinal de ter participado de alguma peça de teatro. Para quem conviveu com ele a temporada inteira, o tom era o mesmo de um dos muitos domingos difíceis que ele teve até agora. Exatamente o mesmo.


É por isso que ainda acredito que tudo citado pelo estimado leitor não passe de uma tremenda coincidência. Como o acidente com Timo Glock em Hockenheim, ocorrido no segundo certo para jogar o mesmo Nelsinho para o segundo lugar no GP da Alemanha. Mas, nesse meio da Fórmula 1, não ponho a minha mão no fogo por ninguém. Se a Renault realmente arquitetou esse cenário mirabolante, acho que seria o caso de parabenizá-la. O que é falho, neste caso, é este regulamente estúpido que a FIA inventou em 2008 para os períodos de Safety Car. Regulamentos existem para ser explorados, sempre foi assim.

PARLA STEFANO

Como o desfile da mangueira vai ser o assunto da segunda-feira, ofereço como combustível para discussão os melhores momentos da coletiva de ontem com o chefe da Ferrari Stefano Domenicali, em italiano. Stefano é um cara muito bacana, mas que não está tendo um ano de estréia fácil no comando do time. Mas se mantém centrado e realista e o papo teve passagens muito interessantes, confira!

Por qual motivo Felipe Massa recebeu a luz verde antes do reabastecimento terminar? Foi uma falha no sistema eletrônico?

- Não havia nenhum componente eletrônico. Naquele contexto de muito tráfego no pitlane, o sistema é acionado manualmente justamente para evitar que o automático solte o piloto no momento errado. É como se fosse o pirulito, digamos assim. Mas liberaram o carro quando o carro não deveria ser liberado.

Não seria o caso da Ferrari voltar a utilizar o tradicional pirulito, como a equipe fez nas paradas seguintes ao problema com Felipe?

- Já demonstramos que o nosso sistema é mais eficaz, mas repito que, aqui, o sistema estava sendo usado manualmente. Depois, voltamos ao pirulito nas paradas seguintes para dar tranqüilidade à equipe. Foi uma opção psicológica.

Então foi um erro humano. Qual a análise que se pode fazer disso?

- A análise mostra que, do ponto de vista emotivo, existem situações em que a equipe tem de ficar mais tranqüila. Provavelmente, uma das forças desta equipe é a paixão, mas pode haver situações em que esta mesma paixão, típica da nossa gente, leve a situações difíceis de gerir. Mas se olharmos o que aconteceu este ano, os problemas que tivemos ocorreram por motivos diferentes deste, honestamente.

Qual o balanço do GP de Cingapura para a Ferrari?

- A corrida aqui foi péssima, porque tínhamos um carro muito competitivo. Basta ver nosso ritmo na primeira parte da corrida, que era perfeito. Depois, tivemos o problema no pitstop que arruinou a corrida de Felipe de uma maneira lamentável. Certamente foi um domingo para esquecer e para olhar em frente, sabendo o pacote que temos à disposição. Depois desta desilusão, vamos encarar as próximas três corridas com o objetivo de mostrar que somos capazes de alcançar o que queremos. Estamos convencidos disso.

E qual será a maneira de encarar as provas que restam?

- A Ferrari vai continuar acelerando fundo. Não podemos cometer mais nenhum erro e sinto muito por Felipe, que estava fazendo uma corrida extraordinária. Mas erros humanos fazem parte do nosso meio, temos de aceitar e reagir como uma equipe.

Como Felipe reagiu ao que aconteceu?

- Felipe estava obviamente decepcionado, mas uma característica sua é entender o espírito da nossa equipe. Imediatamente ele abraçou o rapaz que fez o erro e incentivou a todos, porque ganhamos e perdemos juntos. Erros acontecem, o importar é seguir com humildade e o desejo de fazer melhor da próxima vez.

Kimi Raikkonen abandonou mais uma vez. Ele está se tornando uma preocupação?

- Kimi fez a melhor volta da corrida e sua prova obviamente ganhou um novo contorno depois que ele teve de fazer fila nos boxes durante o Safety Car. Quando bateu, se você visse os tempos de volta que ele estava fazendo, saberia que seu trabalho era recuperar a distância para Hamilton para tentar atacá-lo no final. Neste ponto, Kimi fez uma corrida fantástica até o momento do acidente.

Mas, com isso, a Ferrari sai daqui perdendo a liderança do Mundial de Construtores.

- É uma observação justa. Desde a França, quase em todas as corridas nós fomos ao final só com um carro. Assim, nosso adversário encurtou a distância e aqui nos ultrapassou. Mas temos três corridas e vamos ver o que acontece ao final.

domingo, 28 de setembro de 2008

TV BLOGO – TOM JOBIM E CHICO BUARQUE


A tranqüilidade demonstrada por Felipe Massa no final do pitlane enquanto sua equipe tentava resolver o famoso problema tem uma explicação: ele cantarolou este samba para relaxar. Chico e Tom, bom demais para se preocupar com o que seja.


Até amanhã!

ADOLESCÊNCIA

Sete e meia da manhã, o sol já brilha no céu de Cingapura e eu continuo na sala de imprensa, deserta, e com trabalho que precisa ser adiantado.

Tenho de admitir: fazer isto aqui é legal prá caramba!

MANGUEIRA NA AVENIDA

Deixa eu contribuir para entendermos o problema do pitstop com o que apurei aqui em Cingapura.


Desde as últimas corridas do ano passado, a Ferrari utiliza um sistema automático de luzes nas paradas dos boxes:

1 – Quando o bocal da mangueira é encaixado na entrada do tanque, uma luz vermelha se acende para indicar que o reabastecimento foi iniciado.

2 – Quando a bomba de combustível vai jogando os últimos litros, a luz passa a ser amarela, para avisar ao piloto que ele deve ser preparado.

3 – Assim que o bocal é retirado da entrada do tanque, a luz fica verde e o piloto pode voltar à pista.


Na corrida de ontem, a Ferrari reverteu para o sistema manual apenas naquele momento, por se tratar de uma parada com muitos carros entrando nos boxes. Assim, haveria um mecânico para acionar a luz verde assim que o reabastecimento terminasse e o caminho estivesse livre. O responsável errou apertando o botão antes da hora e causando o problema que arruinou a corrida de Massa. A equipe preferiu preservar o profissional e não divulgou o seu nome.


Nas paradas seguintes, a equipe optou por fazer uso do tradicional lollipop. Segundo Stefano Domenicali, foi “um truque psicológico para tranqüilizar a equipe e os pilotos”. Quem operou o objeto foi o mesmo sujeito que errou na hora de apertar o botão. O autor da cagada.


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De tudo o que aconteceu, fico com o divertido comentário do meu amigo André Leal:


Mas esse é o país da piada pronta mesmo! Depois que some a vara da Fabiana Murer, agora é o Felipe Massa que sai com a mangueira engatada. E ficam dizendo que o problema é que faltou o pirulito!”


Pois é, as falhas esportivas do Brasil neste ano andam um tanto fálicas...

VAI CHOVER EM CINGAPURA?

Nuvens escuras tomam contam do céu de Cingapura a uma hora e meia da largada. Meteorologia local prevê a possibilidade de chuva para o período noturno. No momento, a temperatura é de 29 graus (34 no asfalto) e a umidade relativa do ar é de 70%. Em breve, saberemos se a água vai cair e com qual intensidade...

sábado, 27 de setembro de 2008

TV BLOGO – CLIFF BURTON


Às 4:55 da matina, um fiapo de gente, encerro o expediente com mais uma homenagem a um grande que se foi. Hoje, completam-se 22 anos da trágica morte do baixista Cliff Burton, do Metallica. Que finalmente deve ter parado de se revirar na tumba depois do lançamento do último disco da banda. Acima, a definitiva “Master of Puppets”, com ele na ativa. Aumente o som que vale a pena!

O BRILHO DE MASSA

Quem ouviu a entrevista de Felipe Massa no Tazio não pôde deixar de notar o brasileiro reflexivo e modesto ao reconhecer que não era um bom piloto de rua, mas que parece ter evoluído neste quesito. Se ele próprio está revendo os conceitos sobre si mesmo, quem ainda dúvida das suas chances de levar o título deveria fazer o mesmo. Em que pese a quantidade de combustível no Q3, o que a gente só vai saber amanhã, o piloto mais constante ao longo de todas as sessões aqui em Cingapura foi Felipe Massa. E são os próprios pilotos os primeiros a admitir que esta pista é das mais complicadas.

ADEUS, PAUL

Paul Newman nos deixa celebrado como um grande ator, mas o que ele gostava mesmo era de acelerar. Como homenagem de minha parte, fica aqui uma coluna que escrevi sobre isso no GP Total em janeiro de 2005. Muita gente na sala de imprensa aqui em Cingapura também lamenta o fato.

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ACELERA, PAUL!

14/01/05


Janeiro não está sendo um mês fácil. Não bastassem as mortes no Rali Dakar, assunto abordado pelo Tite na sua última coluna, há também o extermínio iminente do autódromo de Jacarepaguá. Da maneira com que tudo está sendo feito, cheira a uma suja manobra política servindo aos interesses de meia-dúzia de empresários, que vão encher os bolsos de dinheiro com a construção de um Centro Olímpico. Provavelmente, a obra vai virar um enorme elefante branco assim que o Pan-Americano de 2007 terminar.

Mas duas notícias serviram para me encher de alegria neste período em que quase nãocorridas: a volta às pistas, ainda não oficialmente confirmadas, de Emerson Fittipaldi e Nelson Piquet. Os dois campeões da Fórmula 1 brasileiros vivos, em uma tacada , sofreram uma recaída, abatidos pelo imbatível vírus da velocidade. E querem, como é comum nestes casos, acelerar em terrenos inexplorados: Piquet com um caminhão da Fórmula Truck e Emerson Fittipaldi com um protótipo das 24 Horas de Daytona. na Flórida, sua segunda casa, “Emmo” fez um teste com o carro que será guiado pelo sobrinho Christian na prova. Saiu com uma coceirinha na mão e mil dúvidas na cabeça. Eu aposto que ele vai correr.

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Vai correr porque Emerson é um tarado por corridas, como um senhor de 79 anos que, na mesma sessão de testes em Daytona, viu o motor de seu protótipo ser consumido pelas chamas e desceu do bólido com a frieza de um veterano vencedor. a idade lhe garantiria o interesse da mídia, mas o piloto em questão é também um dos atores mais conhecidos do planeta: Paul Newman. Um sujeito que nada em fama e dinheiro, mas emprega tudo isso na filantropia e nas corridas. Poderia ficar em sua mansão, descansando e curtindo a família. Mas o maldito vírus fala mais alto.

A paixão de Paul Newman pelas corridas começou – adivinhem – no cinema. O filme “500 Milhas” (título no Brasil para “Winning”), lançado em 1969, o colocou no papel de um piloto que interrompe sua lua-de-mel para voltar às pistas e enfrentar a ascensão de seu rival. Curiosamente, a atriz que faz sua esposa na película é sua companheira também na vida real, Joanne Woodward. O adversário é interpretado por Robert Wagner, conhecido pelos mais velhos pelo papel de Jonathan Hart na açucarada sérieCasal 20”, e pelos mais novos como o “Número 2” no impagável primeiro episódio de “Austin Powers”. O filme traz também ótimas tomadas dos grandes circuitos norte-americanos, como Indianápolis e Elkhart Lake. “Winning” seria uma espécie de “Grand Prix”, mas com o automobilismo da terra do Tio Sam como pano de fundo. Inexplicavelmente, é considerado hoje em dia um filme menor sobre esse esporte.

Muita gente pode pensar que Paul Newman é apenas uma celebridade multimilionária que tem nas corridas o seu hobby. Isto é um grande erro. Ao contrário de gente como o ator Rowan Atkinson, o jogador de futebol americano Joe Montana, o ator Humberto Martins ou o fotógrafo J. R. Duran, entre outros, Newman encarou o desejo de correr com absoluto profissionalismo. Em 1972, aos 47 anos, se preparou e disputou o campeonato do SCCA (Sports Club Car of America). “Havia um revendedor de carros Datsun a sete minutos da minha casa. Ele também tinha uma equipe que competia no SCCA, bem-organizada e sofisticada. Foi assim que eu comecei, com um Datsun de 4 cilindros, e fui tratando de subir na carreira. Não havia sentido começar a correr se não fosse para levar a sério e foi o que eu fiz. Mudei minha agenda para ficar livre de março a outubro. Passei a trabalhar com cinema durante o inverno.”

E foi assim durante os dez anos seguintes. O comprometimento rendeu frutos e ele faturou o título do SCCA por duas vezes, em 1976 e 1979. É mais ou menos como se Rubens Barrichello se sagrasse bicampeão brasileiro de golfe amador. Também em 79, Newman conseguiu um excelente segundo lugar nas 24 Horas de Le Mans (primeiro em sua classe), correndo ao lado do compatriota Dick Barbour (o dono da equipe) e do alemão Rolf Stommelen. Foi uma edição marcada por um verdadeiro dilúvio, o que enobrece mais as qualidades do piloto-ator. Curiosamente, ele não se acha um bom piloto em circuitos mistos, apesar de ter algumas vitórias neles.

“Acho que o melhor a dizer sobre mim é que sou muito suave. Eu sou melhor em circuitos de alta velocidade do que nos mistos. Não tenho o arrojo necessário para os mistos”, avalia. Há quem discorde, como Rob Dyson, que correu ao lado de Newman na época do SCCA e venceu Le Mans tempos depois. “Esse é um cara que poderia ter chegado no topo do automobilismo se não tivesse começado tão tarde”.

Em 1982, Paul Newman achou que era a hora de parar com as corridas. Foi convencido por Mario Andretti a se juntar a Carl Haas e montar uma equipe na Fórmula Indy. Um detalhe pouco conhecido: Newman e Haas se enfrentaram diversas vezes em corridas de Can-Am dos anos 70 e, pelo menos durante uns três anos, se odiavam tanto que não falavam um com o outro. Hoje são grandes parceiros. “Quem iria recusar o convite de ser dono de uma equipe quando Mario Andretti se oferece para ser seu piloto? Estava mesmo pensando em me aposentar das pistas e chefiar um time era a alternativa perfeita”, relembra o ator.

Não demorou muito para a Newman/Haas se estabelecer como uma das melhores equipes da categoria, uma posição que mantém até hoje. Desde então, o galã de Hollywood compareceu a todas as corridas da CART. Até mesmo em 2003, quando uma das provas coincidiu com a cerimônia de entrega do Oscar, na qual era um dos indicados ao prêmio de ator coadjuvante por sua atuação emEstrada da Perdição”.

Deste período, uma de suas melhores lembranças é a de quando empregou o inglês Nigel Mansell. “Vê-lo dirigindo era incrível. Eu sinto em relação a ele o que alguns atores sentem em relação a Lawrence Olivier. Aquele ano de 1993 foi uma de nossas melhores temporadas. Nigel era uma estrela. Eu vivia dizendo que ele deveria fazer filmes também”, elogia. “Nosso primeiro teste foi em um desses circuitos ovais e ele chegou resmungando que viver nos Estados Unidos não valia a pena e que podiam demolir todos os ovais. Quinze minutos depois, ele havia baixado o recorde da pista em dois décimos. O cara era uma figura!”

Seu amor pela CART, categoria hoje conhecida com OWRS, é enorme. No ano passado, o sócio Carl Haas flertou seriamente com a idéia de debandar para a rival IRL. Quem bateu o foi Newman. “Tenho de admitir que Paul e tivemos alguns problemas. Não acho que preciso dizer a ninguém que o Paul é extremamente leal à Champ Car, provavelmente mais do que eu. Mas resolvemos os nossos problemas e iremos seguir como sempre com a Newman-Haas”, conta Carl.

Mesmo atuando como dono de equipe, Paul Newman participa de algumas corridas de vez em quando. E não alivia. Sofreu um acidente a mais de 270 km/h uma semana antes de completar 75 anos. E conseguiu sua maior vitória em 1995, aos 70, quando participou do quarteto vencedor das 24 Horas de Daytona na categoria GTS-1 (3° no geral). É a paixão pelas pistas, que parece ser mais forte até mesmo que a paixão pela esposa Joanne Woodward. “Com certeza ela não fica muito feliz quando eu corro. Mas no final ela acaba apoiando. De qualquer jeito, porque eu me aposentaria? Sei que eu sou velho, mas ainda consigo entrar e sair de um carro. Enquanto isso for possível, vou continuar correndo. Que mais eu poderia fazer?” É, essa paixão a gente entende bem, Paul. Continue acelerando, então!

Luis Fernando Ramos