sexta-feira, 31 de outubro de 2008

INTERLAGOS – SEXTA-FEIRA

Quem sintonizou as emissoras do sistema Bandeirantes de rádio desde as primeiras horas da manhã de hoje, ávidos por novidades sobre a decisão da Fórmula 1 em Interlagos, não deve ter se decepcionado. O trabalho da equipe toda ficou caprichado e eu acabei conseguindo trazer ao vivo dois personagens importantes: Stefano Domenicali e Bernie Ecclestone. O chefe, inclusive, contrariou seus princípios e não foi (muito) econômico nas respostas. Sensacional!


Para encerrar um dia exaustivo (estou na pista há 14 horas), sugiro que leiam esta minha coluna do GP Total. Acho que ainda falta acontecer um erro no mundial marcado por eles. O que vocês acham?

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

INTERLAGOS - QUINTA-FEIRA

Há quem diga que na vida tudo funciona em ciclos, e depois de hoje só posso dar razão a estas pessoas. O dia foi, em muitos aspectos, similar à primeira quinta-feira do ano, no GP da Austrália em Melbourne. Ali, tive de aprender todo um novo procedimento de trabalho, para abastecer novos veículos de mídia com uma cobertura da importância da Fórmula 1. Como a prova no Brasil possui uma estrutura completamente diferente, hoje tive contato com uma dinâmica igualmente distinta.

Mais trabalhosa, sim, afinal o volume de informações a trazer para o público é bem maior. Só que muito mais prazerosa também, pois o trabalho é feito em equipe. Hoje foi dia de conhecer ao vivo as pessoas com quem interagi o ano inteiro, via Internet, MSN ou telefone. Dia de lidar com uma nova maneira de fazer rádio, com um novo equipamento e com um grande time para uma grande cobertura. Dia também de relembrar a delícia de se fazer jornal durante um GP do Brasil, discutir pautas diferentes e ter um time que se ajuda o tempo inteiro para trazer uma cobertura feita com paixão.

O blog, coitado, acabou ficando com uma única atualização, esta, e possivelmente será assim nos próximos dias. Mas não há porque se lamentar. Se quiserem atualizações constantes do blog, basta sintonizar as rádios Bandeirantes e Band News FM, ler as páginas do Lance! ou navegar nos bytes do Tazio e do Lancenet. Tudo sobre o final de semana decisivo da Fórmula 1 estará mais lá do que aqui.

Mas vamos trazer aqui uma ou outra coisa mais relevante. E num dia para aprender, a maior lição me foi dada, olha só, por Felipe Massa. Comentei com ele o comentário deixado aqui pelo Ney Faustini (e, desculpa Ney, não lembrei do seu nome na hora de comentar), de que o piloto da Ferrari parecia a mesma pessoa dos tempos do kart.

Sua resposta: “Sempre foi uma preocupação minha manter o mesmo tipo de postura com as pessoas. Não é porque eu sou piloto de corridas que eu sou diferente delas. Eu segui uma profissão e busco ter sucesso nela, assim como outro tem a sua profissão e tenta se realizar. Não há porque se achar diferente”. No mundo de egos inflados da Fórmula 1, é algo do qual vou me lembrar todos os dias em que for para um autódromo. Obrigado, Felipe!

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

TV BLOGO – THE WHO


O Mundial 2008 ainda não acabou, mas não vejo a hora de começar o de 2009. É que os organizadores do GP da Austrália anunciaram quem vai estrelar o show no domingo depois da corrida, aquele para entreter por mais tempo o animado público de Down Under: The Who.

Neste ano, eu perdi o do Kiss. Mas o próximo não vai dar para bobear, concordam?

"OS DIAS DE CARNE COM BATATA ACABARAM"

Hoje deu tempo para ir à Interlagos e recebi o programa oficial do GP do Brasil. E o conselho a seguir não é porque tem uma matéria minha: se você for à pista, compre-o! Neste ano tive acesso à revista de todas as corridas, e nenhuma possui tanta variedade de matérias como esta aqui, abordando aspectos pouco conhecidosmas nem por isso menos importantes – do que cerca um evento de Fórmula 1.


Abaixo, a primeira parte do material escrito por mim. Literalmente, um aperitivo do que você vai encontrar nas páginas do programa. Bom apetite!


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A atmosfera glamourosa da Fórmula 1 não se resume apenas a carros velozes e mulheres bonitas. Ela é garantida em grande parte na mesa. Especialmente nos paddocks europeus, a comida servida nos motorhomes das equipes é refinada como nos melhores restaurantes do mundo. Não poderia ser diferente, afinal é ali, na mesa, que muitos dos negócios milionários da categoria são discutidos e acordos são fechados.


É por isso que as equipes não medem esforços quando o tema é comida. Os números mais impressionantes são do motorhome em conjunto da Red Bull e da Toro Rosso. Além de cuidar da fome dos membros de dois times, os cozinheiros trabalham também para centenas de outras pessoas. Ao lado da Ferrari, ali é o único motorhome aberto para qualquer pessoa do paddock.


No total, são cerca de 4 mil pratos servidos a cada final de semana, quase duas toneladas de alimentos são consumidas. São duas filosofias na hora de escolher o cardápio, como explica um dos chefes de cozinha, Sigfried Thurmer. “Para os convidados, fazemos normalmente pratos da cozinha austríaca. Com a equipe, a busca é deixar ambos os lados – o italiano e o inglêsfelizes, o que nem sempre é fácil. Hoje, por exemplo, tivemos rosbife e um risoto”.


Nas outras equipes, principalmente na Ferrari, os pratos que têm massa como base acabam dominando o cardápio, mas não são a única opção. “Cozinhamos cerca de 50 quilos por dia, além de 7 quilos de carne por refeição. O importante é ter variedade, porque cada um tem um gosto diferente. Os dias de carne com batata acabaram”, decreta o inglês Daniel Bell, um dos quatro responsáveis pela cozinha da Renault.


Nas corridas fora do continente europeu, como a do Brasil, o trabalho nas cozinhas é diferente, que as refeições são feitas exclusivamente para os membros da equipe. “A preparação é mais meticulosa, é preciso muito cuidado para empacotar as coisas em Salzburg, porque vai tudo em containeres. Os ingredientes frescos são comprados no local, o que envolve uma logística mais compliacada, e cozinhamos para a equipe. Mas é gostoso, o ambiente é mais familiar e a gente acaba tendo um contato maior com o esporte porque trabalhamos praticamente dentro dos boxes, o que na Europa acaba não acontecendo”, conta o austríaco Erik Ammer, outro dos chefes da Red Bull.


Nestas provas, a falta de estrutura das cozinhas acaba influenciando também na escolha do cardápio. “Levamos apenas dois chefes, ao invés de quatro, e a comida não é tão glamorosa. É uma questão de estrutura. Na Europa, temos mais energia à disposição. No Brasil, por exemplo, nãopara aquecer tanto o forno e fazer um bolo. Bolos e tortas são coisas difíceis de se fazer por ”, explica o chefe Bell, da Renault. Nas provas fora da Europa, convidados e jornalistas comem em locais oferecidos pela organização – e um bufê extremamente popular é o do Bahrein, com qualidade cinco estrelas.


A principal responsabilidade dos cozinheiros da Fórmula 1, porém, é a de alimentar os pilotos. Para isso, é preciso seguir à risca um cardápio rígido, que pode até influenciar o que o resto da equipe come. “Os fisioterapeutas nos dizem o que cozinhar: pouca gordura, pouco carboidrato – a não ser antes da corrida – e muita proteína. Para ser sincero, se o Fernando quer comer filé grelhado, a equipe também vai comer filé grelhado. A comida não difere muito, talvez apenas os horários em que os pilotos comem, eles têm de ser mais específicos”, explica Daniel Bell.


A dieta rica em proteína é importante para ajudar no fortalecimento dos músculos dos pilotos, especialmente no pescoço e na parte superior do tronco. Apenas no domingo, a escolha do prato recai sobre massa, para que a dose extra de carboidratos garanta a energia necessária para os pilotos agüentarem toda a corrida. Apesar das restrições, os atletas sempre tentam satisfazer também suas vontades pessoais. “Fazemos um planejamento no início do ano sobre o que podemos e o que não podemos ter nas refeições. Eu tento comer o que eu quero, dentro das comidas que são permitidas. Mas, se eu pudesse, comeria mais chocolate do que estou comendo agora”, brinca o espanhol Fernando Alonso.


O que une pilotos, fisioterapeutas, mecânicos e cozinheiros é a alegria da última prova do ano ser no Brasil. Assim, sobra mais tempo para degustar as delícias de um local de aprovação unânime no paddock: as churrascarias. “Os brasileiros celebram a carne de um jeito que nãoigual no mundo, é muito interessante. A facilidade com que os garçons cortam pedaços finos é incrível. E tem aquele bufê de saladas impressionante”, afirma Thurmer, o chefe de cozinha da Red Bull. Para Daniel Bell, da Renault, as paixões são outras. “Uma das coisas que eu amo no Brasil é a mussarela de Búfalo. E caipirinha, claro”.

FIM DE PAPO

Lemyr Martins tinha negado o erro antes, mas a editora deu o braço a torcer. E o colega Pandini recebeu mais um assunto para o seugrande micos do automobilismo brasileiro”.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

UMA ÓTIMA CONVERSA

Segundo dia de Brasil e ainda lutando com um fuso horário confuso desde as corridas asiáticas. Desperto às cinco e meia da manhã e fico adiantando trabalho. Depois, sem muito a fazer, vou para a coletiva da Allianz, patrocinadora da Williams, com uma hora de antecedência. Achei que ficaria um tempão olhando as paredes e fazendo hora, mas acabei batendo um dos papos mais divertidos de toda a temporada.


Foi com o alemão Christian Danner. Como piloto de Fórmula 1, ele nunca me empolgou: correu apenas em equipes pequenas e sempre lutou do meio para o final do pelotão, embora um quarto lugar no GP dos EUA de 1989 com uma Rial (foto acima) devesse figurar como um dos maiores feitos na história da categoria.


Mas Danner ganhou outra dimensão depois de alguns anos morando na Europa e ouvindo seus comentários na transmissão da RTL alemã, observações sempre inteligentes, corretas e diretas. E com um senso de humor afiado, ainda mais para um tedesco. Detalhe: ele não é um grande fã de Michael Schumacher, mas nunca o vi deixar de elogiar o heptacampeão quando cabia, nem de criticá-lo quando era merecido.


Hoje, überpunktlich como convém a um alemão, ele estava aguardando o início da coletiva da qual participaria e me atendeu com simpatia quando pedi uma mini-entrevista para a rádio. Depois, microfone desligado, ficamos cerca de 40 minutos numa conversa animada sobre automobilismo – e bilateral, já que ele me perguntou muito sobre o que eu achava da situação dos pilotos brasileiros, de cada um deles, incluindo os que podem ascender à F-1 vindos da GP2 (fico imaginando se parte do conteúdo da conversa será reproduzida na transmissão da prova no domingo).


Ao contrário do Nico Rosberg falou depois, durante a coletiva (o áudio você pode conferir no Tazio), Danner acha absolutamente improvável que a decisão pelo título envolva algum tipo de contato entre os postulantes à taça. “Massa e Lewis são inteligentes o bastante para saber que uma manobra dessas tiraria completamente o brilho da conquista”, falou.


O alemão disse também que não torce para nenhum dos dois em especial, mas vê Hamilton mais merecedor do que Massa. Disse também ser um grande fã de Lucas di Grassi. “É um ótimo piloto e uma pessoa muito inteligente. O trabalho que ele fez na GP2 neste ano foi incrível. Eu tenho um ótimo contato com o Gerhard (Berger) e disse para ele o que eu penso. ‘Você deveria pegar o Lucas’. Seu engenheiro na GP2 trabalhou comigo no passado e me contou que o retorno dado por ele na hora de acertar o carro é excelente”.


Mas, falando na Toro Rosso, Danner também acha que Bruno Senna seria uma boa opção para a equipe. “Gerhard se dá bem com ele e Giorgio (Ascanelli) é uma ótima pessoa para trabalhar com pilotos jovens, para extrair o máximo deles. E tem Franz Tost, que é uma pessoa dura, mas direta. O tipo do cara que combinaria com o jeito do Bruno trabalhar”.


Novamente contrariando o que Nico disse na coletiva, Danner observou muito bem que o grande número de pilotos alemães na Fórmula 1 é fruto de uma estrutura de automobilismo no país sem igual no mundo. “O kartismo já é forte. Depois há uma séria de categorias pequenas, lideradas pela Fórmula BMW mas há outros campeonatos também. E a F-3 Européia, com a maioria das equipes com base na Alemanha, há anos enterrou a F-3 em outros países, incluindo a Inglaterra. Fora os que já estão na Fórmula 1, vem mais gente por aí. Veja por exemplo o Nico Hülkenberg: colocaram ele na melhor equipe da F-3 e ele foi o campeão. Agora, vai disputar a GP2 pela ART. E tem o Willi Weber como empresário. O trabalho ali é muito sério”, opinou.


Fazendo uma comparação com o passado, Danner disse que na sua época tudo era muito diferente e que só conseguiu chegar na Fórmula 1 graças ao apoio da BMW, segundo ele, a única marca alemã que investia a sério no automobilismo em sua época. “Eu comecei a correr tarde, só com 18 anos. E nunca tinha pilotado um monoposto antes de chegar na Fórmula 2. Fiz umas provas de turismo na Alemanha, corri na Procar e o Dieter Stappert, que faleceu recentemente aliás, me convidou para correr de F-2 na equipe de fábrica. Aceitei na hora.”


Danner contou ainda que disputará o campeonato completo da Speedcar, a “Nascar das Arábias”. “Vai ser uma reunião da turma antiga: Alesi, Morbidelli, Johansson, o Jacques Villeneuve também deve correr. O carro não é lá essas coisas, mas vai ser divertido”, falou, animado.


Mas a empolgação aparece mesmo quando eu toco no assunto GP Masters. “Aquilo era um tesão. Mesmo! Um monoposto rápido prá caramba, mas não rápido demais a ponto de ser brutal. O clima das corridas era ótimo, todo mundo ganhava a mesma coisa para correr e a disputa na pista era muito saudável. Mesmo para quem estava parado muito tempo, bastava acelerar o carro a primeira vez que tudo voltava na hora. É engraçado, um piloto jamais esquece o que aprendeu. Além do mais, o clima fora das pistas era muito bacana. O René Arnoux era um dos caras mais engraçados que eu já vi. É um campeonato que tem que voltar um dia”, suspirou.


Se deixassem, a conversa ia embora por mais tempo. Mas a hora da coletiva tinha chegado. Pena. Mas o papo já valeu a semana. Ano que vem, vou alugar ele mais vezes...