No últimodomingo, as rodas do GPL Brasil giraram emumcircuitopoucoounadaconhecido dos fãs de Fórmula 1. Saint-Jovite, aos pés do Mont Tremblant, em Québec, sediou apenas duas corridas da categoria: uma em 1968, vencida por Denny Hulme, e outradoisanosdepois, a do vídeoacima, comtriunfo de Jacky Ickx. É uma pistabastante desafiadora, com muitas mudanças de nível, curvas de todos os tipos, daquelas que fazem piloto e máquina trabalharem bastante.
Ficam as imagens acima como testemunho de uma época diferente, quando Max Mosley era apenas um chefe de equipe iniciante, Bernie Ecclestone gerenciava carreira de pilotos e Luca Di Montezemolo era estudante direito em Roma. Dias melhores, em suma.
Concentração total. É o que mostra o olhar de Jochen Rindt ao contornar a famosa curva Karussel. O velho Nordschleife em Nürburgring exigia isso mesmo na busca por um bom resultado. Foi o que o austríaco conseguiu, terceiro lugar atrás de Jack Brabham e John Surtees. Curiosamente, essas três colocações se repetiram na tabela ao final do campeonato.
Jáque falamos no carro do Wilsinho, valemostraraqui a miniaturaenviadapelo Luiz Iritani do FD01, na escala 1:20 – se eunãomeengano, produzida porelemesmo. Umbelotrabalho, tanto de quem fez a miniaturacomo de quem projetou o carro, comlinhasbem interessantes. Um dia terei o meu modelo – e vou pedir para o Divila assinar!
O André Parazzoli deu a dica num comentário abaixo: cancelaram a corrida de F-1 Históricos em Interlagos. É o que está no site oficial da categoria, onde se alega que o principal patrocinador do evento, a Globo, não conseguirá financiá-lo. O site da organização ainda não oficializou a notícia, imagino que isso deva acontecer hoje.
Uma grande pena. Foi-se para muitos de vocês a chance de ver de perto carros como uma Ferrari 312T ou uma Tyrrell 002, acelerando e brigando por posições. Até mesmo uma exibição de Wilson Fittipaldi com o FD01 estava nos planos! Espero que o contratempo não impeça que a prova aconteça no país num futuro próximo.
Caramba, ontemeu ouvi essa música e me dei contaque há anosnão fazia isso! Paramecertificar de nãocometer a mesmaheresianovamente, coloco elaaquihoje, paradeleite dos amantes de umbom rock and roll. Mesmo sem Keith Moon, um som honesto, decente e com um ótimo astral. Confira!
Pessoal, para animar o sábado de vocês, aqui vai uma grande dica. Preparem a pipoca, diminuam a luz da sala e cliquem neste link para assistir a um sensacional documentário sobre o trio de neozelandeses que tomou a Fórmula 1 de assalto nos anos 60: Bruce McLaren, Denny Hulme e Chris Amon. O vídeo está dividido em sete partes e pode ser visto em tela cheia, com imagens incríveis da época e detalhes de uma história muito bacana, de uma turma que deixou um país no canto do planeta para brilhar no principal campeonato de automobilismo do mundo. Confira e depois comente: qual dos três é o seu “kiwi” favorito?
Não vou serhipócritaaqui e escreverque a música perdeu muitocom a morte de Michael Jackson. Não acho. A partir de “Bad”, e isso foi em 1987, tudo o queele produziu eraissomesmo aos meusouvidos: ruim. E suapresença na mídia se tornou sempreummotivoincontestávelparamudar de canalou de estação. Nãogosto, parece queseutalento desapareceu junto de suamelanina.
Antes disso, porém, via o garotocomoum dos bonsartistas da Motown. Era o guritalentoso dos irmãos Jackson. Que emendou depois uma dupla de discosmuitobons nas mãos de umverdadeirogênio da música. “Off the Wall” e “Thriller” são o quesãoporque o produtor Quincy Jones pegou umcantorcompetente (na época, aindaera) e vestiu-o com uma roupagemsonoraelegante, riquíssima. Umtrabalhodigno de um George Martin, mas na versãodisco/pop norte-americana.
O melhorexemplo disso está na músicaacima. Aproveite que não é um clipe, feche os olhos e atente para a belíssima arquiteturacriadapor seqüenciadores, guitarra, percussão e sopros. Chique demais, funk de fraque!
Penaque o cantor deixou de ladoessecaminhopara se tornarumproduto, com uma etiqueta (“King of Pop”), umpobreserhumano confuso e mal orientado num mar de dinheiro e fama. A música, a boa música, nãoeramaisprioridade e ficou esquecida no passado. Hoje, ao pensar nele, o legadoque quero lembrar é o dessa música: “Don't Stop 'Til You Get Enough”.
Michael Jackson morreu, mas o cadáver político de Max Mosley levantou da tumba. Depois de acordar ontem e ver as manchetes esportivas de todos os diários europeus destacarem sua derrota - ou, no caso dos italianos, a vitória da “Ferrari”(!?!) -, o inglês subiu nas tamancas e exigiu uma retratação, sob a ameaça de repensar seu futuro frente à FIA. Especialmente a fala de Montezemolo para a tevê italiana, celebrando a importância de não ter um “ditador” no comando do esporte irritou Mosley, que também desmentiu a informação de que Michel Boeri assumiria suas funções até outubro. Informação dada pelo próprio Montezemolo.
A paz durou um dia.
No fundo, ficou uma ridícula guerra de egos. Entre Mosley e Montezemolo, não entre FIA e FOTA, que fique claro. Triste que o esporte fique refém de vaidades tão desimportantes. Ridículo, insisto. Melhor seria ter rachado de uma vez.
Um dos nomes por trás da equipe norte-americana da Fórmula 1 é Peter Windsor, que circula pelos paddocks da categoria há mais de três décadas. Seu sonho sempre foi ter sua própria equipe: em 1989, tentou comprar a Brabham mas não conseguiu; em 1993, se juntou a um empresário japonês para criar um time, mas faltou dinheiro. Com a USF1, parece que o sonho vai virar realidade. Nesta conversa que tive com ele, ficou claro que Windsor é um cara muito inteligente, de raciocínio rápido. Capaz de se dar bem numa posição ocupada por pessoas de similares capacidades. Mas confesso que me incomoda a falta de informações mais concretas sobre os planos da equipe: pilotos, patrocínio? Para mim, ele não disse. Resta aguardar qual será o formato e o potencial desse castelo construído "inteiramente com tecnologia norte-americana", como foi destacado.
Os detalhes que surgem em cima do encontro de hoje em Paris dão uma noção clara do tamanho da derrota política sofrida por Max Mosley. O presidente da FIA deixará o cargo em outubro, mas até lá não vai exercer seu poder quando o assunto for Fórmula 1 – nesta área, seu cargo será assumido pelo presidente do senado da entidade, Michel Boeri (detalhe: que também é o presidente do Automóvel Clube de Mônaco, uma das mais importantes federações que se aliaram com a FOTA desde o início). Max está fora.
Mais: a partir de agora, qualquer mudança nos regulamentos técnico e esportivo da categoria passarão em primeiro lugar pelo crivo dos grupos de trabalho da FOTA, depois pela comissão de F-1e finalmente pelo Conselho Mundial. Ou seja: sem a aprovação dos grupos de trabalho, não há nem discussão. Não era justamente isso que Mosley queria impedir, para continuar ditando seus desejos como bem entendesse?
Resta saber o que fazer com o KERS. Nos bastidores, as conversas avançam para que ele deixe de existir – seria mais uma idéia do dirigente indo para o ralo.
A verdade é que, na guerra de advogados, o avvocato acabou prevalecendo sobre o lawyer.
As viagens: serão estes os momentos que virão à memória quando lembrar dela. Encarando, valente, uma tempestade na Eslovênia. Aguardando, paciente, uma fila interminável para a balsa na volta das férias em uma ilha croata. Enfrentando, altiva, a neve e as forças da gravidade, atolada na subida de uma montanha em Salzburg.
Acompanhou-me também pelas andanças na Fórmula 1. Estava em Hungaroring quando Jenson Button comemorou sua primeira vitória; ou em Monza quando Michael Schumacher anunciou que estava deixando as pistas.
Nos últimos anos acusou sinais da idade, necessitando de cuidados regulares. Mesmo assim, só caía adoecida em casa. Quando púnhamos o pé na estrada, sempre se manteve impávida. Atendimento em lugares estranhos, em países diferentes, ela nunca conheceu.
Nesta semana, depois de quase uma década, despedimo-nos de nossa querida Skoda Felicia. Motor de Golf, veloz, robusta, gostosa de conduzir. Que vai agora passar os seus dias finais em outra família, ajudando a traçar as linhas de outras histórias. Long may you run!
Ontem, Max Mosley anunciava numa carta às federaçõesque se via impelido a concorrer à reeleição na FIAdiante da ameaça representada pelaFOTA. Hoje, anunciou quenão concorre, selando a pazentre as duas entidades. Suasaída do comando da FIA representa muitomais do que uma vitória de egospessoais dos senhores Montezemolo e/ou Briatore. Representa o fim de umcaminhoperigosoque Mosley queria impor no regulamentoesportivo da Fórmula 1. De acordocom as primeiras informaçõesque surgem aqui na Europa, o Mundial de 2010 não terá umtetono orçamento e possivelmente o mesmoregulamento de 2009 – se o fim do reabastecimento será mantido, istoaindanão está claro. Emtroca, as equipes se comprometeram a assinarumPacto de Concórdiaaté 2012.
O nomeforteparasuceder Mosley vocêjá leu aqui: Ari Vatanen. Deve vencer, mas não será o único a concorrernão. Michel Boeri, presidente do senado da FIA, aparece também com chances pequenas nesta disputa.
Apesar da temperatura amena que fazia em Silverstone no domingo pela manhã, consegui surfar. A onda, daquelas gigantescas, havaianas, se formou quando Max Mosley deixou o motorhome da FIA, seguido por um guarda-costas. Em torno dos dois, um mar de jornalistas. Enquanto a massa ia andando, o dirigente ia respondendo a uma bateria de perguntas em tom conciliatório – tom que foi mudado hoje, aliás. Na crista da onda, eu acompanhava o ritmo do grupo, o braço esticado ao máximo para captar algumas palavras do inglês. Como toda onda, esta perdeu força após um tempo e se dissipou. À minha frente apareceu Heinz Prüller, com mais de quatro décadas de experiência na Fórmula 1. Que ria: “se tem uma coisa que o Mosley adora é toda essa atenção”.
As conhecidas vaidades e a ânsia de poder do presidente da FIA não nos permitem dar crédito ao seu discurso de “defensor dos interesses da entidade contra a maldosa luta pelo ‘nosso’ poder por parte das montadoras descomprometidas com a F-1”. Ora, afinal esse mesmo senhor simplesmente destruiu há poucos anos o Mundial de Rali e espantou marcas que há muitos anos marcavam presença naquele campeonato – e justamente dentro de um triste sistema de agradar o maior número possível de presidentes de federações para se perpetuar no poder máximo.
É óbvio também que os homens da FOTA têm outros interesses do que apenas encerrar um dos muitos longos reinados de um dirigente que o esporte registra. Mas o quadro atual aponta que a única medida possível para a não divisão da F-1 seria a troca de comando da FIA.
Por coincidência, estava lendo no último final de semana um livro de contos do grande Ítalo Calvino. Um deles, “A decapitação dos chefes”, fala de um país onde a classe dirigente tem prazo de validade: quando ele expira, é feita uma grande festa e suas cabeças são cortadas em praças públicas.
“Só os chefes podem ser decapitados, por isso não se pode querer ser chefe sem querer ao mesmo tempo o corte do machado. (...) Isso é o poder, essa espera. Toda a autoridade de que se usufrui é apenas o prenúncio da lâmina que assobia no ar, e se abate com um corte seco, todos os aplausos são apenas o início daquele aplauso final que acolhe a cabeça rolando pelo oleado do palanque”.
Seja qual for o desfecho dessa intensa e aborrecida disputa, fica a dica de Calvino para prevenir outras: criar um sistema que limite o poder dos futuros presidentes da FIA, da FOM e da própria FOTA. Porque a perpetuação dos mesmos nomes incorre neste sério risco: o desejo de ver uma cabeça rolando, mas que seria cortada à força.
Silverstone 2009: despedida (?), torcida, guerra nos bastidores. Quer entender o domínio da Red Bull? Saber mais detalhes sobre a cisão entre a FIA e a associação das equipes? Aperte o play (ou clique no ícone da corrente para baixar o arquivo) e confira esta edição do Credencial.
O título do post é a expressãoinglêspara “moleza”. Como foi a vitória de Sebastian Vettel hojeem Silverstone. Emcondiçõesfrias no início do verãoeuropeu (16 graus de temperaturaambiente!) e com algumas modificações inspiradas de Adrian Newey, a Red Bull viveu umdia de Brawn GP e sobrou emrelação às concorrentes. Mesmo Mark Webber passou Rubens Barrichello no primeiro pitstop e voou depoisquando teve pistalivre. O brasileiro fez o melhorque pôde com o equipamento da Brawn, foi melhorqueButton o final de semanatodomas saiu comumlucropequeno, muitomenor do que precisava paraimaginar uma recuperaçãosignificativa na tabela a curtoprazo.
O GP foi uma corridachata, mascomosemprecomdestaques interessantes, como a grandeprova de Massa, Nelsinho na frente de Alonso, Hamilton e a McLaren andando muitoatrás. Comente, opine, pergunte: vamos ouvir os personagens do paddock e voltamos depois para mais uma edição do Credencial. Até lá!
Quatro voltas. Essa é a estimativa da diferença entre a primeira parada de Sebastian Vettel (acima, no clique do colega Beto Issa) que pára depois, e Rubens Barrichello, que pára antes – na mesma ou no máximo uma volta mais cedo que Mark Webber. Sinal de vitória fácil amanhã? Não necessariamente. Se for superado na largada, o peso extra vai penalizar bem os seus tempos de volta e Barrichello poderia abrir uma vantagem difícil de ser superada já no primeiro stint. Mas, ficando na frente, tem boas chances de confirmar a pole de hoje. Uma pole que, pela questão do combustível, foi sensacional.
Em cima disso, em quem você apostaria na vitória na corrida? Eu só dou um palpite: não vai ser o Button...
Pos Driver Weight (kg) 1. Sebastian Vettel 666.5 2. Rubens Barrichello 657.5 3. Mark Webber 659.5 4. Jarno Trulli 658.0 5. Kazuki Nakajima 652.5 6. Jenson Button 657.5 7. Nico Rosberg 661.5 8. Timo Glock 660.0 9. Kimi Raikkonen 654.0 10. Fernando Alonso 654.0 11. Felipe Massa 675.0 * 12. Robert Kubica 689.5 * 13. Heikki Kovalainen 695.5 * 14. Nelson Piquet 682.5 * 15. Nick Heidfeld 665.5 * 16. Giancarlo Fisichella 668.0 * 17. Sebastien Bourdais 687.5 * 18. Adrian Sutil 692.0 * 19. Lewis Hamilton 666.0 * 20. Sebastien Buemi 672.5 *
Sessenta e umanos de idade. Silverstone já uma senhoraque, embora tenha passadopor algumas cirurgiasplásticas, possui uma aura e umcharmeirresistível. A tradição do auto-intitulado “Lar do AutomobilismoBritânico” passa e muitopelonome de suascurvas (e uma das retas). Masvocê sabe o que está portrás das alcunhas? Eute ajudo a conferir:
SILVERSTONE – Há explicações controversas. Paraalguns, o nome vem de uma antigapalavra inglesa para “área de floresta”. Outros apontam que a origem está no genitivo de umantigonome, SæwulfouSigewulf.
COPSE – Batizadaemreferência à floresta de Seven Copses, localizada aliperto.
MAGGOTS – Emreferência ao descampado de Maggott, também na região.
BECKETTS – Fica perto das ruínas da capela de Thomas à Beckett – provavelmente, referente a Thomas Becket (comum “T”), arcebispo de Canterbury assassinado porseguidores do rei Henrique II em 1170.
CHAPEL – Tambémali do lado da capela do Beckett.
HANGAR STRAIGHT – Retaemfrente a onde ficavam doisenormeshangares na épocaemque Silverstone era usada comobaseaérea.
STOWE – Originado da famosa “Stowe School”, uma escolaindependente da região fundada em 1923.
CLUB – Batizadaemhomenagem ao RAC Club, uma das sedes do Royal Automobile Club que fica aliperto.
ABBEY – A curva fica próxima à vila de Luffield Abbey.
BROOKLANDS – Emhomenagem ao famosocircuito de Brooklands, sede de antigos GPs da Inglaterra e utilizado pelaúltimavezem 1939.
LUFFIELD – tambémporcausa da vila de Luffield Abbey.
WOODCOTE – porcausa da cidadehomônima em que fica o RAC Club no condado de Surrey.
Na pauta desse blog, discussõessobre a Fórmula 1 emtodos os seusaspectos: histórias do passado, análises do presente, bastidores da cobertura e curiosidades. E muitamúsicaparatemperar essa mistura de razão com a paixãoque o automobilismo desperta.
Repórter de Fórmula 1 do Grupo Bandeirantes de Rádio, do diário Lance e da revista Racing. Apreciador de boa música, viagens e velocidade. Guitarrista amador, corredor de rua e piloto virtual.