quarta-feira, 30 de setembro de 2009

CREDENCIAL – GP DE CINGAPURA

No dia em que o assunto é Fernando Alonso (foto) na Ferrari, voltamos ao passado para comentar sobre a corrida passada. Mas o que aconteceu em Cingapura no último domingo ficou na superfície mesmo. Nos meus comentários e nas respostas às perguntas de vocês, muito sobre o que resta da briga pelo título e o mercado de pilotos, em cima da confirmação de agorapouco.

O programa vem dividido em duas partes: na primeira eu falo sobre a prova, as eleições da FIA e o mercado de pilotos; a segunda é em cima das perguntas de vocês. Boa audição e aguardem uma quinta-feira com reportagens muito especiais!


Parte 1:



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Parte 2:



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terça-feira, 29 de setembro de 2009

ANATA O MUCHU NANO TOKYO!*

Foi mais ou menos isso que deu vontade de gritar quando estava no observatório do “Roppongi Hills”, fazendo a foto de cima. Conheço Tóquio muito menos do que gostaria e gosto muito mais do que jamais pensasse ser possível. Olhando por cima, parece São Paulo, mas a cidade mostra que a diferença se faz nos detalhes. Como a ocupação ordenada de todos os espaços; o motorista de táxi que pára o taxímetro quando perde o caminho; o supermercado lotado e cheio de caixas, mas com fila única para todos eles – e ela anda rapidinho. E tem as coisas icônicas daqui: os letreiros brilhantes e coloridos, as mocinhas de bota e minissaia, os cães pequenos e exageradamente enfeitados, as máquinas automáticas que vendem tudo em todos os lugares, um comércio que funciona 24 horas por dia nos sete dias da semana, uma cozinha saudável e deliciosa, um povo cortês e gestual. Hoje foi dia de curtir isso aqui ao extremo, confira abaixo algumas imagens (clique nelas para ampliar). Voltaremos amanhã com nossa programação normal, já falando da região de Suzuka e certamente adorando conhecer um outro canto desse fascinante Japão.

Sim, este parque fica no coração da cidade

Roppongi Hills noturno

Um país de trens, letreiros e pessoas por toda a parte

Sim, estava absolutamente divino. E os peixes no Japão parecem mais frescos e saborosos que em qualquer outro lugar do planeta.

* - "Sou louco por você, Tóquio!"

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

ESQUINAS, MUROS, GRADES E LUZES

Na corrida inaugural em Cingapura, no ano passado, me lembro dos pilotos comentando a dificuldade de se familiarizar completamente com o traçado, de memorizar os segredos de cada curva e as que vêm depois dela. O problema não residia exatamente no grande número de viragens – 23 ao todomas na falta de pontos de referência.


Na noite da última quinta-feira (tecnicamente era sexta, pois passava da meia-noite), repeti a experiência de Monza e fui fazer uma volta na pista correndo. Especialmente no setor mais distante dos boxes, pode se ter a impressão de viver um moto-contínuo: depois de dobrar uma esquina, os mesmos muros, grades e luzes da reta anterior. Uma iluminação tão forte que ofusca a visão de todo o entorno, tirando qualquer outra referência visual. Claro que o efeito é mais sentido em altas velocidades. Na que eu estava, dava tempo de sobra para se aproximar das grades e estudar a arquitetura dos prédios, como o da prefeitura, o mais clássico e bonito na minha opinião. Mas eles ficavam atrás das grades, dando um ar penitenciário a tudo.


Do ponto de vista atlético (?), foi uma volta difícil. Mesmo adentrando a madrugada, o clima local é de calor intenso e abafado pela umidade. Os personagens do paddock estavam . Boa parte da equipe Brawn fazia uma caminhada estudando os detalhes do traçado. Jenson Button estava acompanhado do pai e baladeiro John e da namorada Jessica, vestindo sua habitual microssaia – devia ser alguma tática para distrair Jock Clear, o engenheiro de Barrichello, que andava atrás sério e compenetrado numa conversa com o manager da equipe Ron Meadows.

Deixei-os para trás na reta maior do circuito e entrei na sucessão de esquinas e retas parecidas. Mesmo a ponte com os arcos brancos, que aparece bonita nas fotos, não é tão encantadora assim ao vivo: pequena, curta e combinando com o ar artificial do resto do circuito. Como em Monza, também fui alcançado por Robert Kubica no final da volta, o polonês acompanhando desta vez por um repórter da Sky italiana.

A atividade esportiva numa pista cujo único atrativo é ser usada depois do pôr-do-sol foi salva pouco antes que eu chegasse á entrada dos boxes, quando os carros antigos que foram usados para o desfile dos pilotos surgiram no sentido contrário da pista, fazendo um ensaio às avessas para o domingo. Ver aquelas jóias motorizadas serviu para lembrar o que eu estava fazendo ali: haveria automobilismo, belos carros zuniriam sob os holofotes num espetáculo de luzes e brilho. Mas com a mesma falta de emoção do desfile com os carrinhos de outrora.

Com ou sem encanto pelo circuito, em Cingapura ou em qualquer lugar, o prêmio maior é mesmo o depois da chegada. O corpo cansado agradece a atenção recebida e a mente absorve todos aqueles hormônios da felicidade, deixando a pronta para mais um dia de trabalho árduo. Correr é muito bom, sempre.


+++


ATENÇÃO: Pessoal, o dia foi corrido demais: buscando adaptação ao fuso japonês, produzindo material para os boletins de hoje, curtindo um pouquinho que seja de Cingapura e preparando todas as malas para viajar ao Japão, com o embarque acontecendo em breve. Assim, o Credencial fica adiado para 3ª feira ou mesmo até para a quarta. Desculpem pelo atraso e tenham certeza que farei o máximo para trazer as informações atualizadas e com a qualidade de sempre. Quem ainda não o fez, coloque suas opiniões/dúvidas no post abaixo.


Valeu!!!

domingo, 27 de setembro de 2009

PERFEIÇÃO

É a melhor descrição para o trabalho de Lewis Hamilton neste final de semana, com uma pole-position com o carro mais pesado que a maioria dos que foram ao Q3 e uma corrida sem erros e num ritmo bom. Corrida importante também na briga pelo título, com Jenson Button superando Rubens Barrichello em uma posição e freando a recuperação gradual que o brasileiro vinha fazendo na tabela. Dois dos principais assuntos para explorarmos no “Credencial” de amanhã, mas foi um final de semana cheio de notícias: campanha política da FIA intensa, mercado de pilotos agitado, a situação da equipe Renault, a chatice da prova, a nossa transmissão na rádio e muito mais. Opine, comente, pergunte, o espaço dos comentários é de vocês!

sábado, 26 de setembro de 2009

HAMILTON FAVORITÍSSIMO

Largando com o KERS e com o carro mais pesado que os quatro competidores que estão atrás no grid (confira os pesos aqui): parece que um drama muito grande tira a vitória de Lewis Hamilton na corrida de amanhã. Mas estamos falando de Cingapura e, sem nenhum tipo de cinismo ou trocadilho com a corrida do ano passado, a chance de acidentes acontecerem não é pequena, o que pode fazer surgir um Safety Car capaz de embaralhar a ordem dos carros de uma vez. O treino de hoje teve ainda uma boa dose de drama, com a troca de câmbio (e o acidente) de Barrichello, com as Red Bull andando bem, com Jenson Button decepcionando e frustrado, com um Fisichella perdido na Ferrari, um Grosjean que deveria ter sido substituído por não estar 100% fisicamente. Enfim, o espaço dos comentários está aí para seus palpites, pitacos e opiniões. Até amanhã!

TV BLOGO – WES MONTGOMERY

Recebi uma porção de sugestões ótimas para nossa coleção de trilhas sonoras “noturnas”. Acabei acatando essa do JcroB, a quem costumo chamar de pai desde que aprendi a falar. Não pelo parentesco, claro, mas porque a dica me levou a descobrir um músico que eu não conhecia ( tinha ouvido falar, mas nunca escutado propriamente) e cujos sons me empolgaram à primeira audição. Para mim, este é o melhor presente que alguém pode receber. Valeu, pai!

A GUERRA CONTINUA

Depois da tempestade… vêm as próximas! O veredicto da semana passada e o conseqüente banimento de um segundo inimigo (quase) público de Max Mosley não colocou fim na extensa e intensa briga pelo poder na categoria. Pelo contrário, deve servir para intensificá-la. Estamos a menos de um mês da eleição da FIA. Há muito em jogo na decisão do dia 23 de outubro.

O clima no paddock sugere que as próximas semanas podem marcar o início de uma série de ataques políticos ou mesmo pessoais entre os dois candidatos ao cargo de presidente da entidade. Sem nenhuma surpresa, o candidato situacionista Jean Todt recebeu essa semana o apoio público de Max Mosley e Bernie Ecclestone. Seu gabinete é composto praticamente pelos mesmos nomes do atual presidente.

Ainda que o discurso do francês seja de reestruturação e compromisso, muita gente acredita que uma eventual gestão sua seria a continuidade da política de confronto praticada por Max Mosley. Como os homens da FOTA. Você leu aqui no blog no início de junho, antes que em qualquer lugar do planeta: o candidato que eles preparam para assumir a FIA é Ari Vatanen. E ontem, de maneira não-aberta, Domenicali reforçou isso com um discurso pedindo uma “mudança de atitude” na categoria.

Quem terá um papel central nos acontecimentos da próxima semana é justamente Flavio Briatore. Na quinta-feira, Bernie Ecclestone fez um discurso dizendo que a “pena foi dura demais” ao italiano, mas o aconselhou a apelar da decisão na FIA, não na justiça comum. Lendo nas entrelinhas como deve ser feito, ele fez um afago público na fera ferida, porque sabe que ela é capaz de causar um estrago ainda maior se tentar vingar sua derrota. Talvez, mirando não em Mosley, mas em seu candidato à sucessão.

De um jeito ou de outro, a impressão que dá é que é cedo demais para comemorar o fim de Flavio Briatore. Por mais que eu ache que a F-1 ganha muito sem ele, qualquer um que leu todos os documentos publicados pela FIA viu que a tanto a investigação dela ou da Renault chegaram à conclusão que Pat Symonds e Nelsinho Piquet sabiam da conspiração e Briatore, possivelmente, também. E o “possível” criminoso foi o que recebeu a pena mais pesada. Um bom advogado – e ele possui dinheiro para pagar os melhores – pode convencer qualquer corte competente para julgar o caso a interferir na decisão.

Não vamos esquecer que esta guerra a portas fechadas é o principal motivo de todos os escândalos que tivemos este ano. Vale uma retrospectiva:
- A maneira indecisa da FIA agir para definir a regra sobre os difusores foi uma maneira de ver o circo pegar fogo e ver se a FOTA rachava. Não rachou. Vitória para a organização.
- O escândalo da mentira serviu para afastar Ron Dennis do esporte, já que Mosley ameaçou excluir a McLaren do Mundial se não recebesse esse “pagamento”. Vitória dele.
- A guerra entre a FIA e a FOTA se intensifica em Mônaco (no iate de Briatore) e chega ao auge em Silverstone, quando as equipes anunciam sua separação da Fórmula 1 (depois de uma reunião na fábrica da Renault). Mosley muda o discurso na seqüência e admite deixar o cargo em outubro. Vitória da FOTA.
- A BMW anuncia no final de julho que está deixando a Fórmula 1, deixando a FOTA sem um parceiro de peso. Vitória de Mosley.
- Escândalo de Cingapura vem à tona (com um “vazamento” de documentos perfeitamente calculado para preparar a opinião pública para o veredicto) e Flavio Briatore acaba banido do esporte. A equipe Renault sai chamuscada, perde patrocinadores em pleno final de semana de corrida e busca tentar se recompor. Vitória (de goleada) de Mosley.

No meio desse destrutivo furacão de intrigas, Rubens Barrichello foi quem fez a melhor análise, no final da entrevista que deu aqui na quinta-feira. “É muita gente querendo ser chefe, brigando pelo mesmo espaço. É um mundo de muita vaidade. A competição pode ser sadia desde que ocorra de forma positiva. Se for preciso passar por uma fase negativa muito grande no meio para chegar a uma positiva no final, fica apelativo”.

No ponto, Rubens.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

TV BLOGO – JIMI HENDRIX


Continuando
nossa série de músicas com a noite como tema, o eterno Jimi Hendrix numa de suas melhores composições, “The Burning of The Midnight Lamp”. E dá-lhe wah-wah!

CHARGE DO TUTA - MONZA

Na correria da viagem da Ásia, deixei acumular umas mensagens e quase perdi a chance de publicar mais uma ótima charge do Tuta, um cardápio baseado na corrida de Monza – e no que aconteceu depois (clique na imagem para ampliar). Uma ótima variedade, sempre com um toque indigesto... Valeu, guri!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

NICO E O MERCADO DE PILOTOS

A coletiva de hoje teve um momento tão divertido quanto significativo. Nico Rosberg e Lewis Hamilton foram perguntados sobre a possibilidade de serem companheiros de equipe na McLaren no ano que vem. O alemão deixou de forma surpreendentemente clara que está adorando a idéia, relembrou como foi bom quando correram na mesma equipe de kart e que gostaria de repetir a dose no futuro. Hamilton baixou a bola, falou que os dois tem uma boa relação, mas que está “satisfeito como as coisas estão na equipe agora” – ou seja, com um ninguém como companheiro de equipe. Nico ouviu, pensou uns cinco segundos e soltou o que todos no paddock sabem. “Não me pareceu muito positivo da parte dele, Lewis não está animado com isso...”


Todos riram, até mesmo Hamilton. Não é de hoje a notícia que seu pai age com firmeza nos bastidores da McLaren para impedir que o atual campeão do mundo tenha um companheiro de equipe forte. Mas a cena da coletiva mostra que Rosberg ainda deseja essa vaga. Embora seu nome tenha sido ligado à Brawn nas últimas semanas (como um pedido da Mercedes-Benz), o alemão quer mesmo se sentar num dos carros prateados. Para pessoas mais próximas, confidenciou ter mais confiança em uma equipe que sempre disputou o título do que em uma que pode estar apenas vivendo um verão feliz.


Como discutido nesse post, Nico Rosberg é uma das peças-chave do dominó do mercado de pilotos. A união Alonso-Ferrari é que nem casamento em último capítulo de novela, todo mundo sabe que vai acontecer. Resta saber agora para onde vai o alemão da Williams – e também o que será de Kimi Raikkonen. Ambos candidatos fortes à vaga da McLaren. A declaração pública de interesse de Rosberg mostra que o quadro na Brawn deve continuar incerto por mais tempo – Ross não nasceu ontem e está fazendo com o que o foco fique apenas na disputa pelo título, ciente que tem tempo para decidir sua dupla de pilotos mais para frente. Até porque está satisfeito com a atual.


Hoje, Daniele Morelli, o empresário de Robert Kubica foi visto saindo do hospitality da Renault com sua pasta de negócios na mão. Tudo encaminha para que o polonês defenda a equipe no ano que vem. Mas a equipe sofreu dois duros golpes com o anúncio da saída imediata dos patrocinadores “ING” (o principal) e “Mutua Madrilena”. Ambos sairiam no final do ano de qualquer jeito, o primeiro para deixar a Fórmula 1 e o segundo para seguir Fernando Alonso em Maranello. Mas o anúncio público de condenação do episódio de Cingapura foi outro golpe duro para a imagem de uma equipe cambaleante.


Vale ficar de olho se a Renault vai sobreviver o inverno como equipe de Fórmula 1. Quem passou pela fábrica de Enstone recentemente foi David Richards. E não teria sido para se candidatar ao posto de chefe da equipe. Ele estaria negociando para comprar a vaga e a estrutura do lugar para colocar seu projeto Prodrive-Aston Martin em marcha.


Outra notícia quente de Cingapura diz respeito à equipe Williams. Ao contrário dos sinais dos últimos meses, o time estuda agora renovar seu contrato com a Toyota. Pode ser por uma questão puramente econômica, com a possibilidade de pagar a conta com o cheque-ambulante Kazuki Nakajima. Mas pode ser outro indício de que o futuro da Renault, a fornecedora que a Williams queria, é realmente incerto.


Com tantas dúvidas quanto à existência das equipes ou aos motores que elas vão usar, o mercado de pilotos anda efervescente como nunca esteve numa época tão tardia da temporada. E a tendência é que a maioria das decisões fique bem mais para frente, possivelmente nos primeiros meses de 2010. Numa pré-temporada com testes limitadíssimos, este quadro vai garantir assunto suficiente para preencher todo o noticiário.