
Depois da tempestade… vêm as próximas! O veredicto da semana passada e o conseqüente banimento de um segundo inimigo (quase) público de Max Mosley não colocou fim na extensa e intensa briga pelo poder na categoria. Pelo contrário, deve servir para intensificá-la. Estamos a menos de um mês da eleição da FIA. Há muito em jogo na decisão do dia 23 de outubro.
O clima no paddock sugere que as próximas semanas podem marcar o início de uma série de ataques políticos ou mesmo pessoais entre os dois candidatos ao cargo de presidente da entidade. Sem nenhuma surpresa, o candidato situacionista Jean Todt recebeu essa semana o apoio público de Max Mosley e Bernie Ecclestone. Seu gabinete é composto praticamente pelos mesmos nomes do atual presidente.
Ainda que o discurso do francês seja de reestruturação e compromisso, muita gente acredita que uma eventual gestão sua seria a continuidade da política de confronto praticada por Max Mosley. Como os homens da FOTA.
Você leu aqui no blog no início de junho, antes que em qualquer lugar do planeta: o candidato que eles preparam para assumir a FIA é Ari Vatanen. E ontem, de maneira não-aberta, Domenicali reforçou isso com um discurso
pedindo uma “mudança de atitude” na categoria.
Quem terá um papel central nos acontecimentos da próxima semana é justamente Flavio Briatore. Na quinta-feira, Bernie Ecclestone fez um discurso dizendo que a “pena foi dura demais” ao italiano, mas o aconselhou a apelar da decisão na FIA, não na justiça comum. Lendo nas entrelinhas como deve ser feito, ele fez um afago público na fera ferida, porque sabe que ela é capaz de causar um estrago ainda maior se tentar vingar sua derrota. Talvez, mirando não em Mosley, mas em seu candidato à sucessão.
De um jeito ou de outro, a impressão que dá é que é cedo demais para comemorar o fim de Flavio Briatore. Por mais que eu ache que a F-1 ganha muito sem ele, qualquer um que leu todos os documentos publicados pela FIA viu que a tanto a investigação dela ou da Renault chegaram à conclusão que Pat Symonds e Nelsinho Piquet sabiam da conspiração e Briatore, possivelmente, também. E o “possível” criminoso foi o que recebeu a pena mais pesada. Um bom advogado – e ele possui dinheiro para pagar os melhores – pode convencer qualquer corte competente para julgar o caso a interferir na decisão.
Não vamos esquecer que esta guerra a portas fechadas é o principal motivo de todos os escândalos que tivemos este ano. Vale uma retrospectiva:
- A maneira indecisa da FIA agir para definir a regra sobre os difusores foi uma maneira de ver o circo pegar fogo e ver se a FOTA rachava. Não rachou. Vitória para a organização.
- O escândalo da mentira serviu para afastar Ron Dennis do esporte, já que Mosley ameaçou excluir a McLaren do Mundial se não recebesse esse “pagamento”. Vitória dele.
- A guerra entre a FIA e a FOTA se intensifica em Mônaco (no iate de Briatore) e chega ao auge em Silverstone, quando as equipes anunciam sua separação da Fórmula 1 (depois de uma reunião na fábrica da Renault). Mosley muda o discurso na seqüência e admite deixar o cargo em outubro. Vitória da FOTA.
- A BMW anuncia no final de julho que está deixando a Fórmula 1, deixando a FOTA sem um parceiro de peso. Vitória de Mosley.
- Escândalo de Cingapura vem à tona (com um “vazamento” de documentos perfeitamente calculado para preparar a opinião pública para o veredicto) e Flavio Briatore acaba banido do esporte. A equipe Renault sai chamuscada, perde patrocinadores em pleno final de semana de corrida e busca tentar se recompor. Vitória (de goleada) de Mosley.
No meio desse destrutivo furacão de intrigas, Rubens Barrichello foi quem fez a melhor análise, no final da
entrevista que deu aqui na quinta-feira. “É muita gente querendo ser chefe, brigando pelo mesmo espaço. É um mundo de muita vaidade. A competição pode ser sadia desde que ocorra de forma positiva. Se for preciso passar por uma fase negativa muito grande no meio para chegar a uma positiva no final, fica apelativo”.
No ponto, Rubens.