Nesse exato segundo os engenheiros das equipes da Fórmula 1 estão quebrando a cabeça sobre os carros do ano que vem, buscando idéias para evoluir um projeto inicial que deve estar pronto à esta altura. Como de costume, a maior concentração será na parte aerodinâmica. Com o fim do difusor de fundo duplo e dos dutos de ar, a busca é por outras soluções que garantam mais velocidade em reta e melhor aderência aerodinâmica para o carro.
O caminho não tem nada de novo. Nesta imagem sensacional da corrida de Albi de Fórmula 2 em 1967, Jack Brabham montou uma “cápsula” no cockpit do BT23C para diminuir o arrasto. O carro também tinha uma carenagem cobrindo o motor, algo não comum na época, também buscando o mesmo propósito. O gênio inventivo de Brabham e Ron Tauranac era mesmo interessantíssimo.
Os aerofólios eram móveis quando surgiram na Fórmula 1, no final dos anos 60. Os pilotos podiam ajustar o ângulo da asa traseira manualmente no cockpit, mas os resultados foram desastrosos. Jackie Oliver se machucou num treino do GP da França em Rouen, em 68 porque a asa se quebrou. No ano seguinte, no GP da Espanha em Montjuic, as duas Lotus bateram com força no guard-rail pelo mesmo motivo. Restou banir a excentricidade.
Mais de quatro décadas depois, é difícil compreender a intenção dos dirigentes de voltar com a asa traseira móvel, ainda mais com o uso dela sendo determinado pela FIA. Se a besteira vingar, imagine como seria uma corrida em que tenhamos três ou mais carros andando colados e brigando pela vitória nas voltas finais – algo perfeitamente possível se precedido de um período de Safety Car. Todos seriam liberados para ultrapassar, menos quem puxa a fila, o que ocasionaria uma grande confusão. Mas se os dirigentes resolverem não liberar para ninguém, em nome da segurança, sobrariam acusações de privilégios ao piloto que liderasse a prova.
É uma situação pontual que mostra muito bem como a interferência de gente de fora nas disputas não deve ter lugar no automobilismo. Você, leitor, deve ter respondido nos últimos anos uma daquelas enquetes em que ficou claro o interesse dos torcedores em que uma ênfase maior fosse dada à pilotagem. A criação de um artifício técnico para facilitar as ultrapassagens vai inteiramente contra essa filosofia.
Num momento como esse, me vem à mente meu encontro com Jack Brabham no início desse ano no Bahrein. Surdo como um morcego cego, o australiano pagou com a saúde o preço de correr numa época em que, além de pilotar, o piloto tinha de controlar totalmente o uso dos pneus com a visão e o desgaste do motor com a audição. Hoje em dia, a turma conta com uma legião de computadores que analisam tudo e engenheiros competentes para lhes dar a instrução de que mistura de combustível usar em cada ponto da corrida, além das dicas habituais sobre os momentos de acelerar e os de poupar material. É assim e, até aí, sinal dos tempos. Mas agora ainda vão tirar das mãos dos pilotos a destreza, técnica e arrojo na hora de ultrapassar, dando a quem vem atrás uma vantagem artificial e indefensável?
Os idiotas dos dirigentes deveriam entender que ninguém quer uma Fórmula 1 ainda mais complicada, confusa – ainda mais depois de toda a polêmica gerada pelas regras operacionais do Safety Car na última prova. Concordam?
O desejo da Fórmula 1 em voltar aos Estados Unidos é antigo e já faz algum tempo que Bernie Ecclestone procura um lugar para abrigar uma prova no país. Hoje surgiu a notícia de conversas com os responsáveis pelo circuito de Monticello, no estado de Nova York. O que leva à inevitável pergunta: porque não Watkins Glen? A pista também fica por ali, tem uma história de duas décadas na F-1 e seu uso pela F-Indy mostra que o nível de segurança está nos padrões exigidos pela categoria, ou muito perto disso. Numa época de resgate de valores do passado, como a equipe Lotus, a volta para o “The Glen” seria a cereja do bolo para trazer uma identificação importante do evento com um público desacostumado à ele. Fica a sugestão, Mister E!
Na últimasemana, a Ferrari voltou a insistir na idéia de umterceirocarro, com a claraintenção de ver a lenda Valentino Rossi na Fórmula 1. Gostomuitomais da segundaidéia do que da primeira. No passado, eracomumquegrandesnomes do motociclismo tentassem suasorte nas quatrorodas. O exemplomaisfamoso é o de John Surtees. Masnão podemos esquecertambém de Mike Hailwood. Suapassagem na F-1 nosanos 70 é maisconhecida e foi encerrada depois de umacidentefeioem Nürburgring em 1974. Maspoucos se lembram que Mike “The Bike” disputou quase a temporadatoda de 1964. Na fotoacimaele está perseguindo o compatriota Bob Anderson no GP da Holanda em Zandvoort, a bordo da Lotus 25 da equipe de Reg Parnell. Hailwood abandonaria comumproblema no diferencial, mas voltaria à pista holandesa meses depois para triunfar em duas rodas na prova de 500 cilindradas do Tourist Trophy. Versatilidade é isso!
A homenagem aos 60 anos da Fórmula 1 acontece amanhã, no início da manhã, e no domingo, na hora do almoço, com o desfile de grandespilotosemcarrosque fizeram a história da categoria. Há pouco fui vê-los numa tenda montada na áreacomumemfrente à arquibancadaprincipal do Bahrein. E deu para realizar o antigo sonho de ver a Tyrrell 005 de perto, além de outras jóias belíssimas. Confira e aponte sua favorita:Ferrari 375 (1951) Ferrari 500 (1952) Mercedes-Benz W196 (1954) Maserati 250F (1957) Cooper T59 (1960) Lotus 25 (1963) Ferrari 1512 (1964) Lotus 49B (1968) Matra MS80 (1969) Lotus 72 (1972) Tyrrell 005 (1973) McLaren M23 (1974) Ferrari 312 T4 (1979) Williams FW08 (1982) Brabham BT52 (1983) McLaren MP4/4 (1988) Williams FW18 (1996)
O Grande Prêmio do Bahrein vai contar com a presença de todos os campeões mundiais ainda vivos. Será uma festa tremenda e os organizadores estão fazendo de tudo para reunir cada um deles com o carro que pilotaram na campanha do título para voltas de demonstração pelo circuito do Sakhir. Existem ainda três confirmações em aberto, mas posso adiantar que outros dois já recusaram o convite.
Um deles é Kimi Räikkönen, que está concentrado na disputa do Mundial de Rali e deve fazer um teste privado com seu carro WRC cuja data coincide com o evento da Fórmula 1. O outro é o brasileiro Nélson Piquet. Conversei com a organização do evento, que disse não haver uma explicação oficial para sua ausência. Houve um convite, chegaram a um acordo inicial, mas o tricampeão fez mais alguns pedidos e a negociação foi encerrada. O carro reservado a ele, um Brabham BT52B, será pilotado pelo seu companheiro de equipe no Mundial de 1983, o italiano Riccardo Patrese.
Os organizadores convidaram também o argentino Juan Manuel Fangio II, sobrinho do pentacampeão mundial, para pilotar um dos carros que deu o título ao tio. Os organizadores não informaram se Bruno Senna terá oportunidade similar, mas prometeram uma lista definitiva com os participantes da festa para o final desta semana. A presença de Jacques Villeneuve no evento é uma das que estão pendentes, já que o campeão de 1997 ainda aguarda uma definição sobre o futuro da Stefan GP, equipe com a qual negocia para correr neste Mundial.
Estava postando ontem no Twitter as fotos dos carros de Bernie Ecclestone que ficaram expostos ao público no GP do Bahrein e pedi que meus seguidores escolhessem seus três favoritos. O resultado mostrou que a Mercedes-Benz fez muito bem em optar por ter uma equipe própria na Fórmula 1, já que o W125 foi o escolhido. Em segundo lugar, o primeiro carro campeão da categoria usando motor turbo, o belo BT52. Completando o pódio, outra jóia do passado: o Auto Union C-Type. Só para registrar, nenhum dos três que eu votei estiveram entre os eleitos. Meus favoritos eram a Maserati 4CLT, a Ferrari 312 e a McLaren M23.
Poucoantes de embarcar de volta à Europa recebi estebelopresente da amiga Rosely Baccarin: fotosque captam a atmosfera do circuito de Interlagos em 26 de janeiro de 1975, poucoantes da largada do GP do Brasil. Imagensque devem ser ampliadas (clique nelas) para uma comparação de quem, comoeu, esteve em Interlagos no últimodomingo. A quantidade de gente na beira da pista, o calorque deveria estar fazendo e a amplavisãoque o circuito permitia são o quemais chamam a minhaatenção. E paravocê?
Obrigado, Rosely! E quem tiver preciosidades como estas guardadas emcasa, é sóescanear e mandarpore-mailque terei o maiorprazerem publicá-las.
Pessoal, para animar o sábado de vocês, aqui vai uma grande dica. Preparem a pipoca, diminuam a luz da sala e cliquem neste link para assistir a um sensacional documentário sobre o trio de neozelandeses que tomou a Fórmula 1 de assalto nos anos 60: Bruce McLaren, Denny Hulme e Chris Amon. O vídeo está dividido em sete partes e pode ser visto em tela cheia, com imagens incríveis da época e detalhes de uma história muito bacana, de uma turma que deixou um país no canto do planeta para brilhar no principal campeonato de automobilismo do mundo. Confira e depois comente: qual dos três é o seu “kiwi” favorito?
Os númerosexatos divergem, mas as informações dão contaque várias equipesnovas enviaram suasinscriçõespara a FIA visando umlugar no Mundial do anoque vem: algoentre onze e quinze novas candidatas para 2010. Apurando com o maiornúmeropossível de fontes, apresento aqui quinze das possíveis candidatas a estar na F-1 brevemente. Confira e comente!
CHANCES BOAS
CamposMeta 1 – Adrian Campos teria portrás de seuprojetotodo o estofofinanceiro do magnata mexicano Carlos Slim (Sergio Perez, da GP2, a caminho?), uma contabancáriaque Bernie Ecclestone adoraria ver na F-1. Sobre as estruturasoperacionais e técnicas, porém, poucas informações.
Epsilon Euskadi – Possui as instalações necessárias paraconstruirseupróprioFórmula 1, incluindo umtúnel de ventoparacarrosemescala e equipamentoparaproduzirpartesemfibra de carbono. Joan Villadelprat (chefe da equipe) e Sergio Rinland (diretor-técnico) possuem experiência na categoria, sãogente do ramo. Se tiverem segurançafinanceira, possuem boas chances.
Prodrive – Maisumnome de peso. David Richards já trabalhou na Benetton e na BAR, deixando boa impressão e contatos no paddock. O projeto de F-1 envolve também Tony Schulp, ex-diretor da editora Haymarket (“Autosport”) que está ajudando tanto na concepçãoquanto no financiamento do time. A possibilidade de trazer o nome Aston Martin para a categoria é outrotrunfo a seufavor.
USF1 – Favoritíssima a uma das vagas, uma equipeque demonstrou interesse de entrar na F-1 muitoantes da crisepolíticaestourar e das discussõessobretetoorçamentário se acirrarem. A base na Carolina do Norte parece sercapaz de fabricarseuprópriochassi. E a estruturafinanceira parece assegurada.
CHANCESMÉDIAS
Superfund – Contacom Alexander Wurz, umnome respeitado e de bomtrânsito no paddock. Masmuitos acreditam que a candidaturanãopassa de uma inteligentejogada de marketingparapromover a empresa de Christian Baha – que, dizem as más línguas, não honrou inteiramenteseuscompromissosquando foi patrocinador da equipe Minardi.
Lola – Tradicional nome no automobilismo, tem a estruturaparafabricarchassis e contacom a liderança de Mike Gallagher, o homemque levou à Irlanda ao título da A1GP na últimatemporada. Mas o suportefinanceiro do projeto é desconhecido e os indíciossão de que estão longe de ter uma segurançamonetáriapara uma F-1 que custe muitomais do que os propagados 40 milhões de libras.
N. Technology – Equipecombase na Itália e com uma constituição interessante de pessoas, incluindo o ex-chefe da Eurosport e o ex-diretor esportivo da equipe Trident, que corria na GP2. O time criou a Fórmula Máster, masnão tem a força e tradição no automobilismo de uma Prodrive ou Epsilon Euskadi.
CHANCESPEQUENAS
Brabham – a Formtech, empresa alemã que fornece ferramentas e máquinasparamuitostimes da F-1, já causou problemascom a família de Jack Brabham emcima da idéia de ressucitar o timecom o nome do australiano. Franz Hilmer tem o registro da Brabham Grand Prix Ltd. E contacom o ex-diretor técnico da Super Aguri, Mark Preston. Masseuprojetonão deve vingar.
Carlin – Equipe de Fórmula 3 comambições, masqueaindanão se pronunciou se está ounãoentre as candidatas. O silêncioali é total, embora muitas fontes a coloquem entre as inscritas.
iSport – O espírito de paixãoabsolutapelo esporta da equipe de Paul Jackson na GP2 lembra muito o da Williams. Mas a trupe da iSport esbarra no mesmoobstáculo: falta de grana. Se o teto for acima de 40 milhões de libras, nem vai querer uma vaga. Nosúltimos meses, Jackson declarara ementrevistasseuinteresseementrar na disputa, masnão se pronunciou depois de encerrado o prazo de inscrição se realmente a fez.
Litespeed – Pequenaequipe de Fórmula 3 britânicacujomaiortrunfo é contarcom Mike Gascoyne comolíder do projeto e diretortécnico. Trunfodiscutível, jáque o “pitbull” não é das figurasmais queridas na F-1. E na própria F-3, performance e maneira de trabalhar do timelhe renderam o apelido de “Shitespeed”. Nãoprecisafalarmaisnada.
March – Uma candidatura de renome. E só: semdinheiro, semestrutura, semchances.
Manor – Mesmocaso da Carlin: equipe de F-3 interessada, massemrecursos e semnenhumpronunciamento se está mesmo na briga.
RML – Grupo de fanáticosbritânicoscomexperiênciaemcarros de turismo e protótipos. Paixãosónãobasta.
Wirth Research – A empresa de Nick Wirth, ex-dono da equipe Simtek, está envolvida na briga. Masninguém sabe se comocandidataprópriaouapenascomo fornecedora de uma outracandidata – que pode ser a USF1 oumesmo a Lola.
Se no sábadovocê foi apresentado aos modelos da coleçãoparticular de Bernie Ecclestone, hojeeu os convido paraolhar de perto os detalhes dos carros. Semexplicar o que é cadaum deles, e qual o modelo. Issovocês podem fazernoscomentários. Dêumpasso à frente e espie à vontade!
E tenho de agradecer ao Ricardo Divila e reproduziraqui as informações contidas num e-mailqueele recebeu do grande historiador inglês Doug Nye. Este aponta que o Auto Union C Type, o Lancia D50 e o Lancia-Ferrari sãoréplicas. Masque o motor do D50 seria o que caiu ao mar no porto de Mônaco com Alberto Ascari! Além de outras descrições interessantes, Nye diz tambémque o BT44B é o usado por José Carlos Pace na suavitóriaem Interlagos em 1975, assimcomo a 312T2 de Carlos Reutemann também é vencedora do GP do Brasil.
Na pauta desse blog, discussõessobre a Fórmula 1 emtodos os seusaspectos: histórias do passado, análises do presente, bastidores da cobertura e curiosidades. E muitamúsicaparatemperar essa mistura de razão com a paixãoque o automobilismo desperta.
Repórter de Fórmula 1 do Grupo Bandeirantes de Rádio, do diário Lance e da revista Racing. Apreciador de boa música, viagens e velocidade. Guitarrista amador, corredor de rua e piloto virtual.