Eles estão por todos os cantos, sempre promovidos pelas cores verde ou azul, dependendo do gosto do fabricante. Se o Salão do Automóvel de Genebra for realmente um resumo do futuro no mercado de veículos, é melhor você levantar da cadeira agora e ir montar uma tomada na sua garagem. Pelo que eu vi aqui, não dá para escapar dos carros elétricos ou híbridos.
Por enquanto, a tecnologia para isso ainda engatinha. Os carros elétricos realmente viáveis são de uso urbano, exigem pelo menos umas oito horas para recarga da bateria e o alcance raramente passa de 150 quilômetros por carga. A potência também ainda é modesta. Parece mais uma opção para quem se preocupa com a emissão de poluentes. Numa cidade como São Paulo, onde o tráfego intenso realmente elimina a necessidade de andar rápido, seria uma boa. Mais dois anos e alguns modelos inteiramente elétricos vão desembarcar por aí, foi o que eu apurei aqui.
Mas tem uma turma trabalhando firme para aliar esta energia alternativa com performance. Ontem no final do dia, vi esse Mercedes SLS AMG E-Cell acima passar por mim num dos corredores do quase vazio Palácio de Exposições. Parecia um fantasma fluorescente, deslizando pelo tapete sem fazer qualquer ruído. A Nissan mostrou aqui um carro conceito chamado Esflow, com linhas futuristas e umas ideias amalucadas como dois motores elétricos - um sobre cada roda traseira, para otimizar a performance e melhorar a dirigibilidade. Fico imaginando se essa ideia vai crescer a ponto de chegar na Fórmula 1. Já imaginou uma largada com duas dezenas de carro mergulhando rumo à primeira curva e o barulho da torcida suplantando o murmúrio dos pneus rasgando o asfalto - e só isso? Seria bizarro, para dizer o mínimo.
Mas não acredito na viabilidade dos carros elétricos. A vantagem de não poluírem o ambiente é colocada em cheque pelo uso de baterias íon de lítio, um material que possui seus riscos e cujo lixo seria um baita de um abacaxi para resolver caso seja utilizado em escala maciça.Pelo jeito, o caminho seria o dos carros híbridos, com os motores elétricos aliviando o meio ambiente em baixas velocidades e ajudando a diminuir o consumo de combustíveis fósseis, que garantiriam a utilidade do automóvel para longas distâncias e velocidades mais altas. Ainda assim, a questão do lixo das baterias permanece. Espero que a indústria esteja pensando nisso também.
Numa conversa informal, um representante da Honda de Portugal me apontou que o verdadeiro caminho para carros “verdes” seria os motores movidos a hidrogênio. Mas aqui a tecnologia ainda está num nível muito primário. E seria complicado criar toda a infra-estrutura necessário para tornar esta alternativa viável. Vamos ver como a coisa evolui nessa área.
Curiosamente, as atenções do salão de tema altamente ecológico foram roubadas pelos carrões hiperesportivos - beberrões e velozes. Foi difícil não ficar boquiaberto com a maluquice que um grupo de suecos criou no Koenigsegg Agera R. Uma mistura de supermáquina, lego e Speed Racer. Com 1115 cavalos para apenas 1330 quilos, dá para imaginar o potencial desse monstro sobre rodas. Mas aqui também vejo uma tremenda bobagem: para quê gastar tanto dinheiro com um carro desses se você não tem uma pista de corridas no quintal de sua casa?Depois de dois dias de intenso trabalho, fiquei com a sensação de que muitos dos carros expostos lá não passam de enormes brinquedos móveis. Mas recebo com bons olhos a (difícil) busca da indústria por energias alternativas. Qual sua opinião sobre o tema? A discussão está aberta nos comentários!