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quarta-feira, 2 de março de 2011

ELECTRIC LADYLAND

Eles estão por todos os cantos, sempre promovidos pelas cores verde ou azul, dependendo do gosto do fabricante. Se o Salão do Automóvel de Genebra for realmente um resumo do futuro no mercado de veículos, é melhor você levantar da cadeira agora e ir montar uma tomada na sua garagem. Pelo que eu vi aqui, não dá para escapar dos carros elétricos ou híbridos.

Por enquanto, a tecnologia para isso ainda engatinha. Os carros elétricos realmente viáveis são de uso urbano, exigem pelo menos umas oito horas para recarga da bateria e o alcance raramente passa de 150 quilômetros por carga. A potência também ainda é modesta. Parece mais uma opção para quem se preocupa com a emissão de poluentes. Numa cidade como São Paulo, onde o tráfego intenso realmente elimina a necessidade de andar rápido, seria uma boa. Mais dois anos e alguns modelos inteiramente elétricos vão desembarcar por aí, foi o que eu apurei aqui.

Mas tem uma turma trabalhando firme para aliar esta energia alternativa com performance. Ontem no final do dia, vi esse Mercedes SLS AMG E-Cell acima passar por mim num dos corredores do quase vazio Palácio de Exposições. Parecia um fantasma fluorescente, deslizando pelo tapete sem fazer qualquer ruído. A Nissan mostrou aqui um carro conceito chamado Esflow, com linhas futuristas e umas ideias amalucadas como dois motores elétricos - um sobre cada roda traseira, para otimizar a performance e melhorar a dirigibilidade. Fico imaginando se essa ideia vai crescer a ponto de chegar na Fórmula 1. Já imaginou uma largada com duas dezenas de carro mergulhando rumo à primeira curva e o barulho da torcida suplantando o murmúrio dos pneus rasgando o asfalto - e só isso? Seria bizarro, para dizer o mínimo.

Mas não acredito na viabilidade dos carros elétricos. A vantagem de não poluírem o ambiente é colocada em cheque pelo uso de baterias íon de lítio, um material que possui seus riscos e cujo lixo seria um baita de um abacaxi para resolver caso seja utilizado em escala maciça.

Pelo jeito, o caminho seria o dos carros híbridos, com os motores elétricos aliviando o meio ambiente em baixas velocidades e ajudando a diminuir o consumo de combustíveis fósseis, que garantiriam a utilidade do automóvel para longas distâncias e velocidades mais altas. Ainda assim, a questão do lixo das baterias permanece. Espero que a indústria esteja pensando nisso também.

Numa conversa informal, um representante da Honda de Portugal me apontou que o verdadeiro caminho para carros “verdes” seria os motores movidos a hidrogênio. Mas aqui a tecnologia ainda está num nível muito primário. E seria complicado criar toda a infra-estrutura necessário para tornar esta alternativa viável. Vamos ver como a coisa evolui nessa área.

Curiosamente, as atenções do salão de tema altamente ecológico foram roubadas pelos carrões hiperesportivos - beberrões e velozes. Foi difícil não ficar boquiaberto com a maluquice que um grupo de suecos criou no Koenigsegg Agera R. Uma mistura de supermáquina, lego e Speed Racer. Com 1115 cavalos para apenas 1330 quilos, dá para imaginar o potencial desse monstro sobre rodas. Mas aqui também vejo uma tremenda bobagem: para quê gastar tanto dinheiro com um carro desses se você não tem uma pista de corridas no quintal de sua casa?

Depois de dois dias de intenso trabalho, fiquei com a sensação de que muitos dos carros expostos lá não passam de enormes brinquedos móveis. Mas recebo com bons olhos a (difícil) busca da indústria por energias alternativas. Qual sua opinião sobre o tema? A discussão está aberta nos comentários!