sexta-feira, 11 de março de 2011

TV BLOGO - AI YAZAKI

Hoje não deu para pensar muito sobre Fórmula 1 diante das imagens de um terremoto de proporções inacreditáveis no Japão. Tragédias naturais acontecem em vários cantos do planeta mas, por gostar muito de lá e ter feito uma viagem mais do que especial no ano passado, fiquei especialmente prá baixo depois de ver o noticiário. Fica a torcida para que o país e seu povo se recuperem rapidamente desse golpe. E essa canção de uma japonesa que abraçou o Brasil em memória das vítimas. Amanhã retomamos nossa programação normal.

quinta-feira, 10 de março de 2011

FOTO DO DIA - LE MANS 55

Falei ontem sobre a Mercedes 300 SLR que tinha um flap funcionando como freio e o Renato Breder garimpou essa pérola: Juan Manuel Fangio com o dispositivo em ação na caça ao Jaguar de Mike Hawthorn, pouco antes da tragédia que aconteceria na reta dos boxes. Os carros, o grande público, o visual do circuito... belíssima foto, clique para ampliar!

TV BLOGO - YES

As blusas coloridas, testeiras e munhequeiras denunciam que estamos nos anos 80 (Restart who?). Mas música boa é atemporal e a turma do Yes nos incita a dar um chega prá lá na mentalidade imbecil que já imperava naqueles tempos. Para ouvir em alto volume e lendo a letra. Aperte o play e... see it through!

HOLD ON
Justice to the left of you

Justice to the right
Speak when you are spoken to
Don't pretend you're right
This life's not for living
It's for fighting and for war
No matter what the truth is
Hold on to what is yours

Jigsaw puzzle traitors
Set to spill the beans
Constitution screw up
Shattering the dreams
Blood flows in the desert
Dark citadels burning too
Watch! Look over your shoulder
This one is strictly for you

Hold on - Hold on
Wait maybe the answer's
Looking for you

Hold on - Hold on
Wait! Take you time
Think it through
Yes! I can make it through

Hold on - Hold on
Sunshine shine on through
Hold on - Hold on
Sunshine shine on you

See it through

Talk the simple smile
Such platonic eye
How they drown in incomplete capacity
Strangest of them all
When the feeling calls
How we drown in stylistic audacity
Charge the common ground
Round and round and round
We living in gravity

Shake - We shake so hard
How we laugh so loud
When we reach
We believe in eternity

I believe in eternity

Hold on - Hold on
Wait - Take your time Sunshine shine on through
See it through
Hold on - Hold on
Wait - Maybe a chance Sunshine shine on through
Is looking for you Sunshine shine on you

Hold on - Hold on
Hold on - Hold on

Sunshine - Shine on shine on you
Sunshine - Shine on through
Sunshine - Shine on shine on through
Sunshine - Shine on you

Sunshine - Shine on - Shine on you Hold on - Hold on
Sunshine - Shine on through Wait - Take your time
See it through
Sunshine - Shine on - Shine on through Hold on - Hold on
Sunshine - Shine on you Wait - Maybe the answer's looking for you

AS MONTADORAS ESTÃO VOLTANDO

A competição entre fabricantes para desenvolver e promover os seus carros é algo que está no DNA do automobilismo. Foi o que fizeram marcas distintas no início do século passado, colocando alguns malucos ao volante em verdadeiros testes que eram mais de resistência do que de coragem, como a corrida Pequim-Paris de 1907.

Cem anos depois e a maioria das marcas envolvidas no esporte debandou correndo no final de 2008, quando se viram afetadas por uma grande crise mundial. BMW, Toyota e Honda na Fórmula 1, Subaru e Suzuki no Mundial de Rali são alguns exemplos. Hoje, o mercado se estabilizou e o discurso dos executivos que eu ouvi no Salão do Automóvel em Genebra voltou a ser otimista, projetando vendas e lucros recordes.

O efeito disso já está sendo sentido no esporte. A Volkswagen vai anunciar ainda neste mês que voltará ao Mundial de Rali em 2013, se juntando à Citroën e Ford na disputa com sua própria equipe de fábrica - e não através da marca Skoda, como poderíamos imaginar. Uma novidade que deve agitar uma categoria que anda um pouco minguada. Dentre os nomes cotados para liderar o time está o do vencedor da última edição do Rali Dacar, o qatari Nasser Al-Attiyah. Carlos Sainz deve ganhar um cargo importante na direção do time. A marca também considera a possibilidade de entrar na Fórmula 1, também em 2013, como fornecedora de motores.

Na semana passada, a Red Bull anunciou um acordo de patrocínio com outra marca, a Infiniti, uma divisão de carros de luxo da japonesa Nissan. Por enquanto, não é uma parceria tecnológica. Mas os dirigentes do time não se cansaram de elogiar a estrutura de pesquisa e desenvolvimento dos japoneses. E destacaram a volta de uma marca do país para a F-1 depois da debandada geral das empresas de lá em 2008.

O bom destes sinais iniciais é que cada marca tende a copiar o que a outra está fazendo. Se algumas estão voltando ao esporte, a tendência é serem seguidas. Ainda que façam como a Infiniti e entrem apenas como patrocinadores, é uma presença mais do que importante em tempos de vacas magras nos orçamentos dos times em geral. Tomara que esta tendência se confirme.

(Foto reprodução Internet - coluna publicada hoje no Diário Lance!)

quarta-feira, 9 de março de 2011

LIUZZI COMPLETA A TURMA DE 2011

Finalmente o grid da Fórmula 1 em 2011 está completo. Com o anúncio do italiano Vitantonio Liuzzi para a segunda vaga da equipe Hispânia, estão definidos os 24 pilotos que estarão no GP da Austrália. Ilustrando um quadro de mudanças no cenário da Fórmula 1, um quarto deles não estiveram na abertura do Mundial do ano passado.

Permanece um grupo de grande qualidade, apesar da entrada de vários pilotos que conseguiram a vaga mais pelo aporte financeiro que trouxeram do que exatamente pela técnica. O espetáculo é garantido pela presença de cinco campeões do mundo: Sebastian Vettel, Jenson Button, Lewis Hamilton, Fernando Alonso e Michael Schumacher. Um cenário bem diferente do de 2007, quando só o espanhol havia sido campeão dentre os pilotos do grid.

A média de idade também permanece alta. Dos estreantes deste ano, apenas o mexicano Sérgio Perez, 21, ainda é um “garoto”. Paul di Resta, Jerome d’Ambrosio e Pastor Maldonado já estão na casa dos 25. Sete dos pilotos deste ano já passaram dos 30 anos de idade, com destaque para a experiência de Michael Schumacher (42) e Rubens Barrichello (38).

Destaque também para a menor participação brasileira no grid desde 2007. Como naquela ocasião, apenas Felipe Massa e Rubens Barrichello defenderão as cores do país, que tem ainda dois pilotos entre os “reservas”: Bruno Senna, na Renault; e Luiz Razia, na Lotus. O domínio fica por conta da Alemanha, com seis pilotos entre os titulares, ou 25% do grid.

Na média, uma turma que me agrada bastante, pelas duplas das equipes de ponta e pela presença de pilotos que sempre vale a pena acompanhar, como os “vovôs” Schumacher e Barrichello e promessas em potencial como Nico Rosberg, Adrian Sutil, Paul di Resta e Kamui Kobayashi. Pronto, chegamos a doze nomes interessantes. Bem que eu falei, “na média”. E você, o que achou do grid de 2011?

(Foto Hispânia)

O AVÔ DAS ASAS MÓVEIS


Se pensarmos na evolução dos conceitos aerodinâmicos no automobilismo, é curioso ver que o princípio da asa traseira móvel vai de encontro às ideias dos primeiros passos feitos nessa área. Como naqueles enormes aerofólios surgidos no final dos anos 60, com os pilotos mudando sua posição para a freada (mais perpendicular ao solo) e para a reta (mais parelelo).

Mas, no fundo, esse conceito já estava presente mesmo nos anos 50. E meio por acaso. Quando a Mercedes desenvolveu o modelo 300 SLR para as competições em Le Mans, criou um flap que era acionado mecanicamente nas freadas para ajudar a segurar o carro e aliviar o desgaste dos freios a tambor, muito acentuado na prova pelas freadas intensas depois de longas retas.

A ideia gerou mil protestos dos concorrentes, por motivos óbvios: quando um carro da Mercedes freava, quem vinha atrás tinha o campo de visão severamente bloqueado e podia perder o seu próprio ponto de freada. No final das contas, o trágico acidente com Pierre Levegh motivou a retirada da marca na prova de 1955, quando a novidade foi utilizada, e jamais se comprovou se o flap realmente aliviava o desgaste dos freios.

Mas o uso da solução como uma espécie de aerofólio ficou claro na genialidade dos dois principais pilotos da marca. Juan Manuel Fangio e Stirling Moss logo perceberam que poderiam usar o dispositivo em três fases distintas: fechado para as retas; aberto nas freadas; e levemente entreaberto nas saídas de curvas, o que garantia uma melhor estabilidade do carro na reaceleração. Mais asa móvel do que isso, impossível.

(Foto Mercedes)

terça-feira, 8 de março de 2011

TV BLOGO - NINA SIMONE


Parabéns, mulheres! Parabéns donas das vozes mais belas, das sensibilidades mais profundas, da capacidade inesgotável de encantar, hipnotizar e emocionar. Como a Nina ainda menina. Viva!

PACOTE INCOMPLETO

A tempo do início da temporada, a FIA anunciou uma série de ajustes ao regulamento esportivo da Fórmula 1 após uma reunião em Paris do Conselho Mundial. O uso dos jogos de pneus ao longo de um final de semana e um novo procedimento em períodos do Safety Car foram alguns dos temas anunciados. Mas a entidade deixou ainda algumas perguntas sem resposta.

A primeira diz respeito à realização do GP do Bahrein ainda neste ano. A entidade determinou que os organizadores da prova têm até o dia 1º de maio para comunicar se ela pode ser realizada ainda neste ano. Isto significo que os times da categoria disputarão três corridas sem saber se o campeonato terá 19 ou 20 provas no total. E mantem em aberto um possível pesadelo logístico no final da temporada, caso a prova barenita seja encaixada ali. Faltou pulso para tomar uma decisão definitiva antes da ação começar.

Outro ponto que ainda está em aberto é em relação ao regulamento do uso das asas móveis traseiras. No mês passado, surgiu na imprensa um rumor de que a FIA limitaria os 600 metros finais da reta principal de cada circuito para o acionamento do dispositivo, mas o comunicado distribuído ontem nem tocou no assunto. A menos de três semanas do início do campeonato, ninguém sabe ainda como vai funcionar uma das principais novidades da temporada.

Pelo menos, a FIA agiu para ajustar algumas regras para este ano. O uso de um composto de pneu extra em algumas sextas-feiras vai permitir que a Pirelli desenvolva os compostos super-macio e médio, que tanta dor-de-cabeça causaram na pré-temporada. E os times terão direito a um jogo de pneus a mais nas pistas com maior desgaste. Mudanças na regra do Safety Car também visam eliminar polêmicas como a ocorrida no GP da Europa do ano passado, em Valência. Pelo menos aqui, os dirigentes agiram bem.

segunda-feira, 7 de março de 2011

TV BLOGO - CURUMIN

Tem muita coisa boa acontecendo na música brasileira, longe dos latões de lixo da indústria fonográfica e dos holofotes da grande mídia. Um exemplo disso é o trabalho do caríssimo Curumin, o único cara mais fanático do que eu por Stevie Wonder a cruzar o meu caminho. Sua mistura de soul, samba, funk e música eletrônica é bem reconhecida nos Estados Unidos e na Europa. E no meu MP3 também. Esse som do vídeo acima tocou por acaso no ano passado, quando saí para correr em Monza depois de um dia de trabalho. Fiquei a volta inteira repetindo a música, embalado por um ritmo adorável. Aperte o play e confira!

domingo, 6 de março de 2011

TV BLOGO - STEVIE WONDER

Este é um vídeo sem imagens, mas vale pelo registro da melhor versão ao vivo de “Superwoman”. Além da banda afiadíssima, do guitarrista às backing vocals, o número impressiona pelo feeling jazzístico que eles imprimem no final. Stevie Wonder e sua turma transpirando musicalidade. Aperte o play e boa audição!

TV BLOGO - HAMILTON NA CHUVA

Mais um show de Lewis Hamilton em piso molhado. Mas este aqui da época do berço. Vale a pena conferir o óbvio talento do inglês contra kartistas um pouco mais velhos. Grande dica do amigo vienense Markus Von Eichenbaum.

sexta-feira, 4 de março de 2011

TV BLOGO - THUNDERCLAP NEWMAN

Simplesmente o melhor “One Hit Wonder” da história. Com a óbvia assinatura de Pete Townshend, o produtor. Aperte o play e boa audição!

EM ALTA NA EUROPA

Fiquei surpreso ao ver a matéria de capa da edição dessa semana do semanário “MotorSport Aktuell”. Eles, que no ano passado bateram em Felipe Massa sem dó e até ajudaram a espalhar umas histórias sabidamente sem fundamento, apostam agora que o brasileiro se encontra novamente no caminho do sucesso - é o que diz o título do artigo.

O texto destaca aquilo que vem se desenhando nos testes da pré-temporada: uma Ferrari com um carro competitivo e de ótima resistência; e com um Felipe Massa que reencontrou sua confiança por conta disso e por uma boa adaptação sua aos pneus Pirelli. Em diferentes simulações nas últimas semanas, ele mostrou andar no mesmo nível de Fernando Alonso e a equipe está animada com isso.

Eu ainda acho que a Red Bull vai para a última bateria de testes da semana que vem um pouco à frente do resto, mas reconheço que a Ferrari está mais forte neste ano do que esteve no início do ano passado - quando por pouco eles não fizeram com Alonso o piloto campeão.

Muitos vão discordar de mim, mas acho que o time só tem a ganhar se Massa recuperar sua antiga forma e equilibrar o duelo interno. Isso exigiria que Alonso buscasse o máximo de suas reservas e torna a Ferrari ainda mais forte e perigosa no duelo com a atual campeã, que novamente tem um carro fabuloso à disposição.

Se essa tendência de equilíbrio ferrarista se confirmar, vai ser curioso ver se as histórias semanais de substitutos de Massa na equipe vão dar um tempo ou se continuarão a ser plantadas por gente interessada nisso. Vale lembrar que ele tem contrato com o time até o final de 2012.

(Foto Ferrari)

quinta-feira, 3 de março de 2011

RECUPERANDO O INVESTIMENTO

A Red Bull surgiu na Fórmula 1 como uma equipe exótica, o sonho de um milionário empresário do setor de bebidas que pagava todas as contas de uma trupe barulhenta fora das pistas, com o motorhome cheio de modelos e gente famosa, e resultados modestos dentro dela. Nos últimos anos, o foco passou a ser exclusivamente na performance e a bem-realizada mudança resultou em sucesso absoluto no ano passado. Agora, há até espaço no carro para novos patrocinadores. Chegou a hora de Dietrich Mateschitz recuperar um pouco do seu investimento. Hoje o time anunciou um novo acordo com a cerveja Singha. Há dois dias, um anúncio ainda mais significativo: a parceria com a montadora Infiniti. O acordo foi anunciado no Salão do Automóvel em Genebra e eu aproveitei para ouvir o chefe de equipe Christian Horner.

Como foi a preparação da temporada até agora?
No momento é difícil avaliar a real força de nossos adversários. Mas nosso programa de testes foi muito bom até agora: nossos pilotos estão felizes com o carro e estamos aprendendo sobre os novos pneus, o KERS e a nova asa traseira. Mas é difícil avaliar performance. Só na Austrália saberemos onde estamos no grid.

Das mudanças para este ano, qual se mostrou a mais desafiadora para as equipes?
Sem dúvida nenhuma, os pneus. Eles são completamente diferente do que tínhamos. As estratégias serão afetadas e os pilotos terão de pilotar de forma diferente na corrida. Talvez tenhamos que mudar até mesmo a maneira usual de trabalhar nas classificações! Vai ser interessante ver como cada equipe vai operar.

Com o cancelamento do GP do Bahrein, qual é a programação de vocês para as próximas semanas?
No momento estamos correndo para aprontar novidades no carro para o próximo teste em Barcelona. Ganhamos um pouco mais de tempo, algo que deve ter agradado aos outros times também. Em termos de logística, não mudou muita coisa, porque os carros ainda não tinha sido enviados para o Bahrein. No fundo, o cancelamento vai nos permitir uma melhor preparação para chegar numa boa forma na Austrália.

Muitos fãs não se aguentam de ansiedade já que este cancelamento deixou a abertura da temporada ainda mais longe. Dentro do time a sensação é a mesma?
Não, acho que nem falta tanto para o início da temporada. Temos tanto trabalho para fazer até a abertura da temporada que, em termos de ansiedade, não mudou muita coisa para nós.

Quem são os favoritos para Melbourne? Vocês e...
É difícil de dizer, não cabe a nós fazer previsões. Vamos nos concentrar em nossa performance e descobrir onde estamos depois do Q1 no sábado à tarde na Austrália.

O que essa parceria com a Infiniti traz para a Red Bull?
É uma parceria muito boa. Basicamente, nos abre portas a uma tecnologia que não tínhamos antes, tudo através dessa relação com Nissan-Infiniti. O departamento de pesquisa e desenvolvimento deles rivaliza com o de qualquer equipe de longa e bem-sucedida história na Fórmula 1. Não é apenas um acordo de marketing, mas também tecnológico. Estamos em contato com tecnologias que podem fazer parte da categoria num futuro próximo.

Mas o lado comercial também é importante. O orçamento de vocês vai crescer?
Sim, o acordo vai permitir que a Red Bull, a empresa, alivie um pouco do que eles investem no time. A Infiniti é mais uma entre as parcerias que trouxemos para a equipe nos últimos doze meses. Espero tornar a marca mais conhecida através dessa presença na Fórmula 1. E é muito bom ver uma montadora japonesa entrando na categoria, já que não faz muito tempo que Toyota e Honda saíram.

quarta-feira, 2 de março de 2011

ELECTRIC LADYLAND

Eles estão por todos os cantos, sempre promovidos pelas cores verde ou azul, dependendo do gosto do fabricante. Se o Salão do Automóvel de Genebra for realmente um resumo do futuro no mercado de veículos, é melhor você levantar da cadeira agora e ir montar uma tomada na sua garagem. Pelo que eu vi aqui, não dá para escapar dos carros elétricos ou híbridos.

Por enquanto, a tecnologia para isso ainda engatinha. Os carros elétricos realmente viáveis são de uso urbano, exigem pelo menos umas oito horas para recarga da bateria e o alcance raramente passa de 150 quilômetros por carga. A potência também ainda é modesta. Parece mais uma opção para quem se preocupa com a emissão de poluentes. Numa cidade como São Paulo, onde o tráfego intenso realmente elimina a necessidade de andar rápido, seria uma boa. Mais dois anos e alguns modelos inteiramente elétricos vão desembarcar por aí, foi o que eu apurei aqui.

Mas tem uma turma trabalhando firme para aliar esta energia alternativa com performance. Ontem no final do dia, vi esse Mercedes SLS AMG E-Cell acima passar por mim num dos corredores do quase vazio Palácio de Exposições. Parecia um fantasma fluorescente, deslizando pelo tapete sem fazer qualquer ruído. A Nissan mostrou aqui um carro conceito chamado Esflow, com linhas futuristas e umas ideias amalucadas como dois motores elétricos - um sobre cada roda traseira, para otimizar a performance e melhorar a dirigibilidade. Fico imaginando se essa ideia vai crescer a ponto de chegar na Fórmula 1. Já imaginou uma largada com duas dezenas de carro mergulhando rumo à primeira curva e o barulho da torcida suplantando o murmúrio dos pneus rasgando o asfalto - e só isso? Seria bizarro, para dizer o mínimo.

Mas não acredito na viabilidade dos carros elétricos. A vantagem de não poluírem o ambiente é colocada em cheque pelo uso de baterias íon de lítio, um material que possui seus riscos e cujo lixo seria um baita de um abacaxi para resolver caso seja utilizado em escala maciça.

Pelo jeito, o caminho seria o dos carros híbridos, com os motores elétricos aliviando o meio ambiente em baixas velocidades e ajudando a diminuir o consumo de combustíveis fósseis, que garantiriam a utilidade do automóvel para longas distâncias e velocidades mais altas. Ainda assim, a questão do lixo das baterias permanece. Espero que a indústria esteja pensando nisso também.

Numa conversa informal, um representante da Honda de Portugal me apontou que o verdadeiro caminho para carros “verdes” seria os motores movidos a hidrogênio. Mas aqui a tecnologia ainda está num nível muito primário. E seria complicado criar toda a infra-estrutura necessário para tornar esta alternativa viável. Vamos ver como a coisa evolui nessa área.

Curiosamente, as atenções do salão de tema altamente ecológico foram roubadas pelos carrões hiperesportivos - beberrões e velozes. Foi difícil não ficar boquiaberto com a maluquice que um grupo de suecos criou no Koenigsegg Agera R. Uma mistura de supermáquina, lego e Speed Racer. Com 1115 cavalos para apenas 1330 quilos, dá para imaginar o potencial desse monstro sobre rodas. Mas aqui também vejo uma tremenda bobagem: para quê gastar tanto dinheiro com um carro desses se você não tem uma pista de corridas no quintal de sua casa?

Depois de dois dias de intenso trabalho, fiquei com a sensação de que muitos dos carros expostos lá não passam de enormes brinquedos móveis. Mas recebo com bons olhos a (difícil) busca da indústria por energias alternativas. Qual sua opinião sobre o tema? A discussão está aberta nos comentários!

terça-feira, 1 de março de 2011

COMPLEXO DE JAMES BLENGERS

Hoje foi um dia muito bacana, correndo para cima e para baixo pelo Palácio de Exposições de Genebra para fazer algo que nunca tinha feito: cobrir um Salão do Automóvel. Vou falar mais disso aqui nessa semana, já que não consegui parar um segundo. Assim, passei esta terça completamente por fora do noticiário da F-1, a não ser com o que falei com alguns personagens do paddock que estavam no evento e que rendeu material para os próximos dias.

Assim, não fiquei surpreso ao ler agora a entrevista dada por Bernie Ecclestone ao site oficial da Fórmula 1. Fiquei, sim, espantado ao ver a reação que ela teve. Já disse uma vez aqui algo que vale repetir: o que ele fala não é para ser levado a sério. Afinal, seu verdadeiro discurso reside nas entrelinhas. Sempre.

O que Bernie fez ao falar para um site que, notem, é dele foi espertamente marcar posição na sua briga com a FIA de Jean Todt e com a FOTA das equipes pela distribuição dos lucros da Fórmula 1. Ao sugerir o GP do Bahrein em agosto, ele despreza um ponto sagrado dos times: o descanso de seus funcionários e o fechamento das fábricas no período. É como se dissesse, perdoem o vocabulário: “não venham me foder que eu fodo vocês também”.

Mas a grande discussão veio em cima de sua sugestão de molhar os circuitos artificialmente perto do final da prova para garantir mais emoção. Um pensamento na linha da ideia de colocar atalhos nos circuitos que ele disparou há algum tempo. O alvo aqui é a FIA, responsável por criar as regras da disputa. Bernie sente que o efeito de medidas como Kers e asa traseira móvel foi negativo no público em geral. E aproveita para bagunçar ainda mais o cenário. “Se vocês estão avacalhando, quero avacalhar também”, foi seu míssil.

Pelas reações, o diminuto acertou dois alvos.

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(Se você está se perguntando quem diabos é “James Blengers”, corra atrás do disco “Premeditando o Breque”, de 1979. Se não entender mesmo assim, sem problemas: você vai ter em mãos um dos grandes discos já feitos no Brasil, verdadeira pérola da vanguarda paulistana da época.)

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

RED BULL-INFINITI?

Pelos rumores que andam circulando nos bastidores, a Renault deve rebatizar os motores do carro campeão da Red Bull como “Infiniti”, a marca de carros de luxo da Nissan que pertence aos franceses. Para quem não se lembra, é a mesma marca que emprestou seu nome a um dos motores da IRL há cerca de uma década. Nos comentários, o Rangel lembrou que as duas marcas já correram juntas por lá, vide a imagem abaixo.

Depois de conquistar seu espaço no mercado norte-americano, onde as vendas se mantêm mais ou menos estáveis há tempos, a Infiniti quer penetrar agora no mercado europeu. Nada melhor que usar a Fórmula 1 e a equipe campeã (e, de momento, favorita ao título) para isso.

De acordo com esta reportagem no site da BBC, o acordo prevê ainda que a Red Bull não pague mais por seus motores, o que representaria uma economia de oito milhões de Euros (sim, mais do que muitos dos pilotos pagantes do grid). É o tipo de acordo que Ron Dennis chamaria de “win-win situation”, com as duas partes atingindo seus objetivos: a Renault divulgaria a marca de seu desejo na melhor plataforma possível; e a Red Bull ganharia uma boa injeção de dinheiro para o desenvolvimento de seu carro.

Se a notícia se confirmar seria sensacional, com uma grande montadora ampliando a presença de suas marcas no grid. Fica a dica para outras "multimarcas" como a própria Volkswagen, que poderia ter um motor Audi em uma equipe, um Porsche em outro e por aí vai.

O anúncio deve ser feito amanhã no Salão do Automóvel de Genebra. Estou de partida para lá (não por isso, mas para fazer a cobertura do evento em geral) e vou atualizando aqui com tudo o que surgir relativo a isso. Não perca!

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ATUALIZANDO

De acordo com o jornalista Kevin Eason do “The Times”, um que dá para confiar, o acordo que será anunciado amanhã será apenas de patrocínio, não incluindo o nome do motor. Em todo caso, dá para imaginar que a Red Bull ganhe um desconto (até mesmo total) pelos motores da Renault. E mostra que, se são verdadeiros os rumores de que a VW poderia mesmo se associar à Red Bull a partir de 2013, os franceses estão fazendo o máximo para manter o seu cliente. Uma atitude mais que natural diante da competitividade dos carros azuis.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

TV BLOGO - DOCUMENTÁRIO STEVIE WONDER

O famoso site de vídeos tem umas pérolas que nos dão o direito de rebatizá-lo de “Are Youtube kidding me?”. Como esse documentário aqui sobre o genial Stevie Wonder, o melhor que eu já vi na minha vida, feito no final de 1980. Sem narração, apenas um enorme painel de imagem que retrata não só o artista, mas o momento de um país (os Estados Unidos) e os costumes de uma época. É um vídeo longo, de quase uma hora, mas vale a pena você tirar o tempo para observá-lo com atenção, desfrutar de cada detalhe: das parafernálias eletrônicas da época, da boa música, do movimento para transformar o aniversário de Martin Luther King em um feriado, do arrepiante momento em que ele informa o público de seu show de um trágico episódio da música mundial. Enfim, um milhão de imagens que valem mais do que mil palavras. Aperte o play e boa viagem!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

TV BLOGO - LU HORTA

A intrépida Lu Horta ataca novamente com um belo cover, dessa vez dos geniais Talking Heads. Aperte o play e boa audição!