segunda-feira, 8 de setembro de 2008

O QUE QUEREMOS, AFINAL?

Está sendo muito bacana ver as reações sobre o incidente-chave da corrida de ontem. Dentro do próprio paddock, e agora vendo na Internet, as discussões são calorosas e os argumentos das duas correntes (pró e contra a punição) parecem irrefutáveis. Confesso que detesto as polêmicas criadas fora das pistas, mas elas têm o lado bom de nos relembrar como o automobilismo desperta tantas paixões nas pessoas.

Bom, exatamente por termos um caso onde qualquer argumento parece válido (um atestado de sua subjetividade), mantenho meu ponto de vista. Eu não puniria Lewis Hamilton. Não vi os dados de telemetria que foram mostrados aos comissários da FIA (e, se visse, provavelmente não entenderia nada) e não tenho a pretensão de julgar qual a intenção por trás das manobras de dois especialistas duelando de forma espetacular em condições impossíveis.

Não é segredo no paddock que o pneu mais duro da Bridgestone oferece a mesma aderência de um tobogã sendo lavado com detergente. Imagine agora pilotar com aquele pneu naquelas condições de pista, molhada e fria. O que eu vi foi um espetáculo tremendo, um duelo de espadachins na corda bamba. Já vi(mos) manobras na Fórmula 1 em que fica óbvia a leviandade de um piloto, mas confesso que não consigo identificar com clareza o mesmo neste caso (e, sendo repetitivo, entendo também os que conseguem).

O que eu acho apenas é que a Fórmula 1 está passando uma mensagem equivocada com a punição a Hamilton. Sou daqueles que perde o fôlego vendo o vídeo das brigas entre Villeneuve e Arnoux em Dijon (acima) ou mesmo entre Massa e Kubica em Fuji. Numa era onde as ultrapassagens só acontecem nos boxes, onde chegaremos se começarem a punir o risco? Vamos colocar 20 carros numa pista de autorama?

20 comentários:

bruno disse...

na briga do massa com o kubica ano passado cada um fez umas tres vezes no minimo o q o hamilton fez ontem e ninguem foi punido. eu queria esses comissarios de fuji em todas as corridas hehee

Ajzas disse...

Ico, é muito sensato e correto o que você diz a respeito da punição contra Hamilton. Aliás, a imprensa especializada em sua maioria, também está questionando essa decisão.
A coisa parece mais ter sido um julgamento arbitrário dos comissários ou sujeira mesmo!
Estamos falando de um esporte que envolve bilhões de dólares e de manobras que atendem a esse nível de interesses. Assim como ocorre no cenário político internacional, às vezes acontecem coisas cuja aparência é uma e a verdade é outra. E essas coisas são geralmente tão bem feitas que nunca iremos conhecer o lado certo.
De qualquer forma, Felipe Massa foi beneficiado e acho que isso não deixa de ser uma recompensa por seu talento, esforços e muitos prejuízos que ele teve por conta de erros da equipe.
Mas, nenhum de nós gostaria que ele tivesse sido punido assim. E, nem tampouco, desejamos vencer um campeonato à custa de injustiças. Não precisamos disso.

Eduardo Gaensly disse...

Ajzas, meu caro.

Quem vai ganhar ou perder um campeonato, será o Massa, e só ele. Não seremos "nós".
Enfim...
Eu achei a punição injusta. Esse tipo de punição pode fazer com que no futuro, os pilotos não arrisquem por medo de serem punidos.
Já fiquei surpreso pelo Hamilton botar pressão no fim da corrida, achava que ele não arriscaria. Ainda bem que estava enganado.
Agora, punindo uma pilotagem exepcional em condições traiçoeiras os comissários estragam os melhores momentos do esporte.
É a mesma bobeira quando no futebol, algum jogador faz uma firula e leva cartão amarelo por "desrespeito ao adversário".

Não há dúvidas que se fosse o Massa que tovesse sido punido, a Rede Globo estaria revoltada, e revoltando à todos com o atentado ao espírito guerreiro e batalhador de um brasileirinho num mundo de tubarões e bla bla bla...

Anônimo disse...

A F1 se afunda em burocracia, regulamentos ambíguos e decisões de comissários que desrespeitam o regulamento. Qualquer incidente dá margem à contestação da atitude dos comissários. Ora é um guincho que recoloca um carro atolado de volta para a corrida, ora é uma punição-multa para um incidente de corrida que não existe no regulamento, ora é uma punição para piloto que devolve a posição ao ultrapassar cortando a chicane. Tudo isso atenta contra a credibilidade da entidade.

Daniel Médici disse...

A F1 viu o preço (prejuízo) do risco com a morte de Ayrton Senna. Por mais chata, por mais decidida nos boxes que eja uma corrida atual, ela é muito mais asistida e muito mais lucrativa, creio eu, que um GP dos anos 70.

Justamente por isso que inibir as ultrapassagens e qualquer outra forma de 'emoção' das corridas não é um efeito colateral, mas uma política deliberada dos dirigentes.

E por isso que concordo com seus argumentos.

Anônimo disse...

Eduardo, o pior é que não é só a Globo, muitos jornalistas que criticam o ufanismo do Galvão e companhia defendem o Massa de forma mais ferrenha que o próprio Galvão.

Obs: O Ico não está entre eles.

Alexandre Ribeiro disse...

Caro ICO:

Parabéns pelo post, concordo plenamente com você.

Diego Camargo - Floripa/SC disse...

Essa foto diz tudo.

Anônimo disse...

Discordo. O problema não foi o cara ser ousado, atravido, ter ultrapassado. O problema foi que ele levou vantagem em ter cortado a chicane! Se ele a tivesse contornado ele não sairia tão próximo do Kimi, simples assim.

Vocês estão confundindo alhos com bugalhos.

Smirkoff disse...

Acho que a decisão não foi arbitrária: há um precedente (Alonso x Klien no GP do Japão de 2005, sétima volta, exatamente a mesma manobra, Alonso teve que devolver a posição na volta seguinte para não tomar um passeio pelo pit).

Não vejo intenção do Hamilton em trapacear ou coisa assim. É a adrenalina da disputa que faz o sujeito aproveitar a chance. Se tivesse se segurado atrás do Raikkonen, teria ultrapassado em Les Combes sem nenhuma polêmica. Afobou-se, a equipe empolgou-se e não o conteve, os comissários estavam especialmente rigorosos (aliás, como sempre deveriam ser), deu nisso. Uma pena por estragar uma disputa bonita e deixar o campeonato com a marca de uma decisão extrapista.

Luiz G disse...

Good point!

O risco é válido e a punição foi dura demais.

O Hamilton pilota sujo, mas tem "balls"...é um caso difícil mesmo.

Anônimo disse...

hamilton cruzou por tras do kimi. se isso não é devolver a posição desculpe, então eu não sei o que é. decisão errada punir. no futebol seria o equivalente ao juiz que apita "perigo de gol". sorte do massa e nossa porque, de vez em quando, deus é brasileiro.

Anônimo disse...

Eu quero uma imagem igual a este post ,não com a do post embaixo.

Olha a diferença !

Jonny'O

Blackbird disse...

Ico, não acho que estejam punindo a agressividade ou a tentativa de ultrapassagem.

Hamilton tentou dar uma de esperto não ao cortar a chicane (apesar de achar que ele tinha espaço pra fazer a curva normalmente) mas ao dar um "X" no Kimi, de maneira, ao meu ver, injusta. Na minha opinião, faltou o "fair play". Para mim foi só uma manobra falsa pra dizer que devolveu a posição...

Porém, talvez a punição tenha sido excessiva. Não poderiam tirar 10 posições dele no próximo grid de largada?

Anônimo disse...

É só ler o regulamento para saber que ele na verdade pegou foi à pena mínima. No caso se ele não tivesse sido punido, teria premiado um ato desonesto e não uma disputa limpa na pista. A escassez de emoção da Fórmula 1 anda afetando a capacidade de julgamento de alguns.

Lauda

Thiago disse...

Quer ver mais ultrapassagens na F-1?? Mude a pontuação para como era, 10,6,4,3,2,1, para o primeiro, segundo e assim sucessivamente. Afinal hoje vc ser primeiro ou segundo não muda nada, vide o q o Massa falou, que pilotou como bundão. Será que se valesse menos pontos a segunda posição, ele pilotaria assim??

Anônimo disse...

Ele pegou a pena mínima e o Massa pegou uma pena de palhaçada em Valência, mostrando que pra beneficiar a Ferrari, até pena nova eles inventam.

Thiago disse...

ah,e bem lembrado pelo leitor. Villeneuve e Arnoux não cortaram nenhuma chicane, certo??

Daniel Nishikawa disse...

Sem misturar as coisas: Estimular as ultrapassagens é muito diferente de permitir que um determinado piloto utilize meios ardilosos para conseguí-la.

Pelo vídeo on-board do carro de Hamilton, percebe-se que ele poderia ter recolhido o carro e feito a chicane, como vários pilotos o fizeram nas várias tentativas de ultrapassagem. Mas isso significaria perder contato com Raikkonen, o que seria desinteressante para Hamilton.

Por fim, utilizando-se do raciocínio "a contrario sensu", método muito utilizado no Direito, observa-se que a punição é efetivamente devida, porquanto a hipotética aceitação da manobra de Hamilton autorizaria todos os pilotos a cortar chicanes para possibilitar a ultrapassem de outro competidor que estivesse próximo, mas não em condições de ultrapassagem. Explica-se:

Supondo que um determinado piloto esteja 1,0 segundo atrás de seu adversário, ele poderia cortar uma chicane, passar a frente dele, devolver a posição a 0,2 segundo e executar a manobra de ultrapassagem. 1,0 segundo não dá condições de ultrapassagem, 0,2 segundo permite a manobra.

Simples assim.

Mario disse...

o que mais gostavamos em senna, a imptuosidade, é o que vem mostrando hamilton. além disso, o jovem intrépido é realmente bom. fosse brasileiro, estariamos boicotando a transmissão pela punição. e os pegas, sem limites, como ficam? não é isso o que esperamos os aficcionados por corridas?