Bruno Senna tem todos os motivos do mundo para ficar muito satisfeito com seu desempenho no teste de hoje em Jerez. Não adianta acreditarmos na validade da visão fria da folha de tempos e apontar que ele “foi um segundo mais lento que Nick Heidfeld”. Até porque, dentro dessa lógica, Bruno também foi um segundo mais rápido que Vitaly Petrov.Mas ele, o russo, o alemão, a equipe e nós sabemos que estes tempos são pouco relevantes. O que conta neste momento para os times é o trabalho dentro dos boxes e a consistência na hora de provar as mudanças na pista. Afinal, o que nós não sabemos é a configuração de cada carro no momento em que o melhor tempo de cada um foi registrado.
Pelas informações que chegam, a Renault ficou satisfeita com o fato do brasileiro ter ficado a menos de dois décimos de segundo do tempo de Heidfeld com pneus novos. Comparando o volta a volta de cada, o alemão mostrou uma consistência melhor, o que é normal e esperado. Mas o brasileiro agradou bastante na conversa com os engenheiros.
“Estou muito satisfeito com o dia. Peguei rápido o jeito de trabalhar com o KERS e com a asa. Mas o principal era passar bem as informações para a equipe e sinto que consegui isso. Para mim, sempre foi fácil reportar o comportamento de um carro e acho que eles ficaram contentes com o retorno que eu dei. As sensações básicas que eu passei sobre o comportamento dos pneus foram bem de encontro com o que diziam a telemetria e também os outros pilotos da equipe”, analisou ele falando aos jornalistas presentes lá em Jerez.
Ouvindo a gravação que a colega Karin Sturm me enviou, deu para sentir o piloto extremamente tranquilo e animado. Pelo que ela me passou, ele realmente não viu a oportunidade surgida inesperadamente como uma chance de lutar contra Heidfeld pela vaga deixada por Robert Kubica. Eric Boullier já havia deixado claro que o alemão seria o escolhido se não decepcionasse no sábado - e ele foi muito bem. O “duelo” que a gente achava que aconteceria acabou ali.
Inteligente, Bruno aproveitou para também deixar seu cartão de visitas para a equipe. E parece ter conseguido mostrar que tem potencial para se integrar bem e contribuir para o crescimento de uma equipe de grande estrutura. Algo que, orçamento à parte, muita gente duvida que Vitaly Petrov consiga.
No saldo final, o brasileiro deu um passo pequeno, mas importante, no seu projeto de voltar à F-1 como titular. Se o russo for irregular neste ano como foi em 2010 - e se a segurança econômica do time permitir - a Renault deve promover uma mudança no seu segundo cockpit no ano que vem. No papel de piloto reserva, aproveitar as chances que aparecem para mostrar seu potencial é o máximo que Bruno Senna pode fazer. E foi o que fez hoje.
(Foto Renault)






