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sábado, 19 de março de 2011

TV BLOGO - JAMES HINCHCLIFFE IMITA KIMI

Durante o Pole Position de hoje, o Celso Miranda destacou os bons resultados do canadense James Hinchcliffe na pré-temporada da Fórmula Indy. Me lembrei na hora deste divertido vídeo, feito em 2007, em que ele imita Kimi Raikkonen numa hipotética coletiva de imprensa com o finlandês. Quem já viu uma de verdade há de convir que ficou muito parecido. Um figura imitando outro figura. Confira!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

WEBBER FICA. KIMI SE FOI?

Fui um dos que esfregavam as mãos em animada antecipação ao imaginar a possibilidade de ver Kimi Raikkonen correndo ao lado de Sebastian Vettel na Red Bull em 2011. Como muitos, sou admirador da velocidade pura do finlandês e o via como uma ótima opção para a equipe no lugar de Mark Webber. Mas é preciso reconhecer que o australiano está fazendo a temporada da sua vida e a confirmação de sua renovação com a equipe hoje, bola cantada faz tempo, é absolutamente natural. Para mim, um dos pontos altos da temporada foi seu ritmo de corrida infernal imposto no primeiro stint da corrida de Barcelona, matando qualquer esperança de Vettel ali mesmo. Como o próprio Dietrich Mateschitz disse antes do início da temporada, “não faz o menor sentido especularmos sobre Kimi se Webber fizer um bom trabalho na pista”. E ele está na liderança do Mundial!

E, verdade seja dita, Raikkonen nunca disse que queria voltar para a Fórmula 1. Neste final de semana o finlandês esteve na Áustria, fazendo uma demonstração com seu carro de rali na tradicional prova de motocross de Erzberg. E deixou claro numa entrevista ao jornal Kleine Zeitung que seu interesse no seu novo ofício é total. “O negócio agora é aprender. E meu passado na Fórmula 1 não me ajuda em nada. O passado é o que é: já passou. E eu não sinto falta dele”, falou.


Pelo jeito, o desejo meu e de outros fãs jamais se realizará. A confirmação de Webber por mais um ano na Red Bull deixou a hipótese de uma volta de Kimi à categoria cada vez mais improvável. Uma pena para os fãs da categoria, mas é bom ver o finlandês feliz e à vontade no ambiente do rali. Não nos espantemos se ele crescer rapidamente no WRC, lutando em breve pelas primeiras posições.


E você, acha que a história de Kimi na F-1 acabou mesmo ou vê que a categoria ainda é um capítulo em aberto na sua carreira?

(Foto Red Bull)

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

OS DEZ PILOTOS DA DÉCADA

Falta pouco mais de um dia para terminar a primeira década do novo milênio, uma boa hora para fazer (mais uma) daquelas listas tradicionais da época, aqui com os melhores pilotos da Fórmula 1 no período. Critérios, como sempre, subjetivos, mas tentei me ater ao que fizeram os pilotos exclusivamente entre os anos de 2000 e 2009, sem levar em conta o que tinha atingido antes ou o que ainda alcançarão no futuro. Confira e comente!

1 – Michael Schumacher
Uma barbada: cinco títulos, um vice-campeonato e uma aposentadoria que não resistiu ao fogo pela competição. Quem diria que ele poderá ainda alcançar uma colocação entre os melhores da próxima década?

2 – Fernando Alonso
Desde os tempos da Fórmula 3000 escuto seus próprios rivais de pista o colocarem sempre como um piloto fora-de-série. Um bicampeonato mundial parece pouco para seu enorme potencial, mas o tropeço na McLaren apontou que a falta de mimo pode ser sua kryptonita.

3 – Lewis Hamilton
A Fórmula 1 é repleta de estréias contundentes, mas poucas foram tão estelares como a de Lewis Hamilton. Não se tornou o mais jovem campeão do mundo por acaso e deve ser também um dos nomes da década que se aproxima.

4 – Kimi Räikkönen
Entrou mudo e está saindo calado da Fórmula 1, mas brilhou com naturalidade na Sauber, na McLaren e na Ferrari. Campeão do mundo, rei de Spa-Francorchamps e dono de uma sinceridade desconcertante numa década marcada pelo politicamente correto.

5 – Jenson Button
Pode não ser o mais talentoso, o mais brilhante ou o mais carismático dos pilotos. Mas dêem um carro vencedor nas suas mãos que Jenson Button ganha uma força extra para extrair o máximo do equipamento. Como fez em 2004 e, notadamente, neste ano.

6 – Rubens Barrichello
Foram quase 200 GPs disputados na década, mas daquelas vitórias memoráveis, só lembraremos de duas dezenas, no máximo. Muitas delas de Rubens Barrichello (ALE-2000, ING-2003, EUR-2009), um piloto capaz de nos fazer levantar do sofá quando é o seu dia.

7 – Felipe Massa
A velocidade do brasileiro era óbvia desde o começo, mas sua capacidade ficou clara na Ferrari, quando passou a colecionar vitórias. O título só não veio por uma nuvem paulistana dois minutos apressada, mas o melhor de Felipe Massa, tudo indica, ainda está por vir.

8 – Juan Pablo Montoya
Uma pena que o genioso superou o gênio, mas Juan Pablo Montoya trouxe um colorido especial para os primeiros anos da década, com uma pilotagem aguerrida nas pistas e um latente sangue latino fora delas.

9 – Sebastian Vettel
Em apenas duas temporadas e meia na Fórmula 1, o alemãozinho levou duas equipes às suas primeiras vitórias e já tem um vice-campeonato no bolso. Tem tudo para ser o grande nome da próxima década, mas já deixou a sua marca nessa.

10 – David Coulthard
Talvez seria melhor se a lista tivesse apenas nove nomes, mas o escocês garantiu o décimo posto por duas ótimas temporadas em 2000 e 2001 e por sua longevidade na categoria, superando por um tiquinho de nada nomes como Ralf Schumacher, Jarno Trulli, Giancarlo Fisichella, Nick Heidfeld e Robert Kubica – que merecem pelo menos uma citação.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

BLÖDE SAISON

Seria essa a tradução de “Silly Season” em alemão. E o idioma de Goethe foi escolhido porque todos os indícios apontam para uma dupla de pilotos completamente germânica para a Mercedes GP em 2010. E ela está aí, na foto acima. Nico Rosberg está certo, todo mundo sabe. Mas a inesperada vaga aberta pela saída de Jenson Button abriu novas perspectivas. Algumas que parecem um sonho, outras mais reais.

Nick Heidfeld é
quem está mesmo mais perto da vaga. Recebeu elogios públicos de Norbert Haug em Interlagos e é, dos pilotos disponíveis no mercado, a melhor opção do ponto de vista pragmático dos alemães: barato, experiente, vai somar pontos com regularidade e ajudar nos ajustes do carro ao longo do final de semana. Se Rosberg é a aposta para o sucesso, Heidfeld cairia como uma luva no papel de segundo violino, dando o suporte necessário para o solista. A negociação com seu empresário está em curso, mas há outros nomes na pauta, como é praxe na Fórmula 1.

O
de Michael Schumacher seria inevitavelmente ventilado numa situação como essa, e foi o que aconteceu hoje na Europa, em diversos meios. As assessorias do piloto e da Mercedes desmentiram. “É natural que isso aconteça enquanto houverem cockpits vagos. Mas algumas especulações são sonhos que jamais se tornarão realidade”, foi o que disse o pessoal de Stuttgart.

Mas
minha bem-informada colega Karin Sturm informa que gente ligada a Willi Webber admite a existência de uma, ainda, sondagem. Dinheiro não seria problema, pois as duas partes estão cientes do retorno publicitário que a associação traria. As semanas seguintes ao anúncio da volta que não aconteceu, no meio do ano, mostraram muito bem isso. Mas há uma série de implicações que complicam o “sonho”: Schumacher prolongou seu contrato de conselheiro da Ferrari por mais três anos e os italianos não teriam muitos motivos para fazer um “favor” ao rival e liberá-lo. E sua própria saúde ainda gera dúvidas. No Race of Champions, o alemão não dirigiu todos os modelos disponíveis, possivelmente pelo pescoço ser ainda incapaz de suportar algumas forças. Talvez o sonho não vire realidade por uma questão que vai além da inconsistência da especulação.

Ah!
Ainda tem Ralf Schumacher na foto. Pois é: ele é piloto da Mercedes-Benz na DTM e tem uma ótima relação com Norbert Haug, mas carece tanto do apelo publicitário quanto do talento do irmão. A questão é que Ralf, assim como Jacques Villeneuve, botou na cabeça que quer voltar para a Fórmula 1. Suas chances na Mercedes são zero, mas ele já esteve em Hinwil e mantém conversas para uma eventual vaga na Sauber. Para melhorar suas chances, torce pela escolha de Nick Heidfeld pela equipe prateada.

Quanto
a Kimi Raikkonen, o discurso de Steve Robertson à Autosport indica o que é óbvio: se pagarem o que eles pedem, é só pegá-lo. Mas Norbert Haug nunca foi o maior fã de Raikkonen, ele é tido como um piloto caro de motivação duvidosa. E não se encaixa de jeito nenhum no tipo de marketing que a Mercedes gosta de aplicar, na imagem que a empresa gosta de vender. Difícil imaginar que vão mudar de idéia de uma hora para a outra, só porque Button foi embora.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

KIMI FORA

Então ano sabático será. Um bem polpudo, diga-se de passagem. Os números variam, mas estima-se que Kimi Räikkonen ganharia como multa da Ferrari de sete a dez milhões de euros a mais caso não corra por outra equipe. Não dá para dizer que o dinheiro não pesou na decisão. Na sua negociação com a McLaren, que realmente queria contar com seus serviços, o salário oferecido foi parecido ao número que envolveu Jenson Button (seis milhões), mas seus empresários pediram quase o dobro. Pesaram os pró e os contras, pegaram a calculadora e chegaram à conclusão de que mais valeria a pena ficar em casa sem fazer nada (eventualmente, participações em ralis por pura diversão) do que ganhar o mesmo dinheiro para tentar ser campeão do mundo pela McLaren, encarando uma série de eventos promocionais aborrecidos e um companheiro de equipe forte. Dar-se ao trabalho pra quê?

Se o
seu desejo por suceder na Fórmula 1 fosse tão grande como ele monossilabicamente afirma, a decisão seria outra. Kimi aceitaria o desafio, o corte nos ganhos (nada que atrapalhasse o futuro de quem já ganhou centenas de milhões na carreira) e trabalharia como nunca numa equipe que, todos apostam, terá um carro competitivo em 2010.

Na
verdade, teria feito o mesmo na Ferrari. Mas a impressão que ele deixa (não em mim, irrelevante, mas em seus empregadores) é a de não estar totalmente aplicado na rotina massacrante de uma temporada. Seu ânimo parece variar de acordo com cada pista: em Spa ele chega com fogo nos olhos, em outras parece contar as horas para voltar para casa. Vale lembrar que Kimi foi a aposta de Montezemolo para substituir Michael Schumacher na Ferrari. Apenas dois anos depois de conquistar o título, lhe é mostrada a porta de saída. Motivos os italianos devem ter.

Eu
acho sim que a Fórmula 1 vai perder muito com a presença de Kimi Raikkonen. Talentoso, endiabrado nos seus dias (Fisichella que o diga) e carismático às avessas por viver num planeta à parte, como bem definiu Stefano Domenicali, sem se importar com o politicamente correto e toda aquela baboseira que infelizmente acompanha o ambiente da categoria.

Mas
ele nunca será como seu ídolo James Hunt. Uma propensão para festinhas etílicas e um único título mundial os unem. Mas quem leu a ótima biografia do inglês escrita por Gerald Donaldson sabe que Hunt tinha comprometimento total com a vitória, um verdadeiro obcecado que corria longas distâncias diariamente quando poucos pilotos pensavam no condicionamento físico. E que não conseguiu se manter longe da categoria mesmo depois de parar de correr, se tornando um respeitadíssimo comentarista e um tutor de jovens pilotos, como o compatriota de Kimi, Mika Hakkinen (que o venera). Impossível imaginar Kimi falando ao microfone, quanto mais dando conselhos a alguém.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

ESPECIAL 2009 – IMAGENS OBTUSAS

Na tarefa de reportar tudo o que acontece num final de semana da Fórmula 1, a máquina fotográfica aparece como um instrumento importante para captar o ambiente do paddock. Claro que na correria pela informação, o uso dela costuma ficar em último plano, já que não sou fotógrafo. Mas a brincadeira de captar imagens às vezes rende algo interessante. Confira abaixo alguns momentos do Mundial de 2009 contados pela desfocada lente da minha câmera digital.

AUSTRÁLIA
É quinta-feira e o clima nos boxes ainda é de incerteza e expectativa para a temporada que vai começar. Nos boxes da equipe que faz sua estréia na Fórmula 1, Ross Brawn e o diretor da equipe Ron Meadows ficaram cerca de meia hora repassando uma série de pontos. Podia ser sobre a questão dos difusores, que bombava nos bastidores antes mesmo da primeira sessão oficial do ano. Ou anteviam uma temporada de sucesso, enquanto apreciavam o vencedor BGP001 nos boxes.

MALÁSIA
Foi assim ao longo de toda a semana: por volta das 5 da tarde, um dilúvio caía sobre o circuito de Sepang, deixando o paddock deserto assim que o último incauto encontrasse um abrigo. Poças d’água enormes se formavam em todos os lugares, inclusive na pista, onde bólidos de corrida construídos rente ao chão deveriam rasgar o asfalto. A interrupção do GP da Malásia pela metade foi um fracasso anunciado e explicado por uma ambição por audiência tão grande que quis ignorar o ciclo da natureza.

CHINA
A risada das mocinhas chinesas parece zombar do campeão mundial e de seu colega. Depois do “escândalo da mentira”, foi em Xangai que a McLaren anunciou o afastamento completo de Ron Dennis da equipe de Fórmula 1, a justificativa corporativa escondendo o cadáver da briga política com Max Mosley. O desempenho na pista não ajudava e a temporada prateada se anunciava um desastre. O tempo mostraria que não foi.

BAHREIN
Sábado de classificação e o calor extremo do deserto pede por uma sombra. Mas a ocupação do espaço reservado aos torcedores para o ócio denuncia o que foi a tônica não só daquele final de semana, mas de praticamente toda a temporada. O ano de 2009 foi marcado também pelos enormes vazios nas arquibancadas. Culpa de todas as crises: a econômica, a política e a esportiva.

ESPANHA
A segunda dobradinha da Brawn GP na temporada não teve o componente festivo da abertura do Mundial na Austrália. Depois de superar Jenson Button após uma largada sensacional, Barrichello acabou surpreendido pela mudança na estratégia do companheiro de equipe. Desceu do carro visivelmente contrariado, principalmente pelo fato de seu engenheiro não ter sido avisado dos planos para ter a chance de contra-atacar. O brasileiro precisaria esperar mais algumas corridas para celebrar sua primeira vitória no ano.

MÔNACO
Para quem faz a cobertura da Fórmula 1, o que torna Mônaco especial é a possibilidade de ficar a poucos metros da ação, com visão privilegiada de como os pilotos lidam com um dos traçados mais difíceis do calendário, onde não há margem para erros. Foi o que fiz na quinta-feira, admirando cada vez mais o talento de gente como Kimi Raikkonen, que conquistaria em Monte Carlo o primeiro pódio de um ano difícil, para ele e para a Ferrari.

TURQUIA
Seis vitórias em sete corridas. Jenson Button continuou sua marcha colossal na Turquia, abrindo caminho na primeira volta como se fosse Moisés e a Red Bull de Sebastian Vettel, o mar. Deixei o autódromo de Istambul convencido que o Mundial de 2009 já estava decidido e seria um dos mais chatos de todos os tempos. Tremendo erro de julgamento. Muita coisa ainda estava por vir, na pista e nos bastidores.

INGLATERRA
Nelsinho Piquet interrompeu suas atividades na quinta-feira para um sessão de fotos, que acabaram utilizadas para os menus do novo game oficial da Fórmula 1. Com ou sem capacete, sua expressão era um tanto séria, mesmo nos momentos de pausa. Fruto da pressão por resultados que vinha do seu chefe e de uma cláusula do seu contrato. O clima na equipe era dos piores e a novela que culminaria na decisão de trazer o escândalo de Cingapura à tona já estava em marcha.

ALEMANHA
Foi o final de semana mais frio do ano, com temperaturas invernais em pleno verão europeu. Condições que permitiram o domínio completo da equipe Red Bull, mas com um protagonista inesperado. Não foi Sebastian Vettel, mas Mark Webber quem dominou na Alemanha, fazendo a pole-position e vencendo pela primeira vez na carreira, mesmo após receber uma punição por uma agressiva defesa de posição na largada.

HUNGRIA
Havia uma corrida para ser disputada, mas o clima no domingo em Hungaroring era realmente estranho. Em meio as incertezas quanto a recuperação de Felipe Massa, a única coisa que parecia fazer sentido era mesmo a homenagem do grupo da Ferrari que trabalha em seu carro. O acidente do piloto brasileiro, sério e bizarro ao mesmo tempo, marcou um final de semana e deixou completamente em segundo plano a volta da McLaren e de Lewis Hamilton às vitórias.

EUROPA
Depois de quatro semanas de pausa, a Fórmula 1 viu confirmado o renascimento esportivo de Rubens Barrichello depois de um inverno de incertezas e um início de campeonato com alguns contratempos. Em Valência, o brasileiro fez uma corrida perfeita para superar as duas McLarens quando parou nos boxes, num final de semana em que o companheiro Jenson Button jamais se encontrou. O grito solto na hora de comemorar foi mais que merecido.

BÉLGICA
Quando ocorreu o treino livre de sábado em Spa, quase ninguém sabia que uma investigação oficial sobre o episódio de Cingapura-2008 estava em curso. Mas tanto Flavio Briatore quando Pat Symonds já haviam sido interrogados pelos investigadores da FIA e podiam prever os dias tempestuosos que enfrentariam pela frente. Assim, a foto que eu fiz meramente para ilustrar o trabalho no pitwall da Renault ganhou uma nova cor à luz das evidências. As costas curvas e os braços cruzados são só indícios do turbilhão de pensamentos que deviam ocupar a mente do italiano naquele momento. Sua hora estava chegando.

ITÁLIA
Jaime Alguersuari parece desanimado nos boxes de Monza. Último colocado do grid de largada a sete décimos de segundo do piloto à sua frente, seu companheiro de Toro Rosso Sebastien Buemi, o espanhol foi um exemplo de uma geração de novos nomes que chegaram à Fórmula 1 em 2009 sem trazer nenhum tipo de empolgação ou frescor. Com uma única e gloriosa exceção, que chegaria mais adiante (nos sentidos temporal e espacial).

CINGAPURA
Depois de uma première controversa, o GP de Cingapura fez a segunda corrida noturna da história sem contar com o impacto da novidade. Foi uma das corridas mais aborrecidas do ano, dominada com facilidade por um inspirado Lewis Hamilton. Nem o espetáculo de luzes dos carros e dos moderníssimos prédios do centro nos salvou do marasmo proporcionado pelo traçado de Marina Bay.

JAPÃO
Foi como em uma longa novela na qual os atores principais passam toda a trama se cortejando à distância para, depois de algumas reviravoltas, consumar o casamento no último capítulo. E o último capítulo aconteceu numa sexta-feira chuvosa em Suzuka, quando o espanhol Fernando Alonso foi confirmado como piloto da Ferrari para 2010. E, mesmo com o título da temporada ainda em jogo, a imprensa mundial passou o dia olhando com ansiedade para o ano que vem.

BRASIL
Acontece de vez em quando de um piloto estrear na Fórmula 1 com uma performance arrebatadora. Para pegar exemplos recentes: Nico Rosberg pontuou e fez a melhor volta da prova no Bahrein em 2006. E Lewis Hamilton subiu ao pódio e ultrapassou Fernando Alonso por fora na primeira curva de Melbourne, no ano seguinte. Em Interlagos foi a vez de Kamui Kobayashi, que endureceu o trabalho do campeão mundo Jenson Button e fez uma linda ultrapassagem no final sobre Giancarlo Fisichella. O show continuou em Abu Dhabi, mas pode ter tido um fim abrupto com a saída de cena da Toyota. Tomara que não.

ABU DHABI
E a temporada terminou num autódromo limpo e polido como um novo shopping center, cenário para imagens plásticas como essa de Kimi Raikkonen. Um GP um tanto asséptico e sem brilho, marcado por uma série de despedidas. Muitas anunciadas, como a da BMW. Outras silenciosas, como a da Toyota. E algumas ainda apenas “possíveis”, como a do próprio Raikkonen, prenúncio de um período de muitas incertezas até que o Mundial de 2010 tenha início.

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Para quem ainda não viu, confira as outras partes do Especial sobre o Mundial de 2009:

- Parte 1: Os dez melhores
- Parte 2: Os dez piores

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

CREDENCIAL – GP DO JAPÃO

E aqui está o “Credencial” da antepenúltima etapa do Mundial 2009, falando sobre o caos da classificação, a vitória de Vettel, a situação na briga pelo título e o mercado de pilotos (tudo isso na Parte 1), além de responder às opinões e dúvidas de vocês na parte 2. Encomendem o Sushi e apertem o play (ou baixem os arquivos no link), boa audição!

PARTE 1:

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PARTE 2:

LINK

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

NICO E O MERCADO DE PILOTOS

A coletiva de hoje teve um momento tão divertido quanto significativo. Nico Rosberg e Lewis Hamilton foram perguntados sobre a possibilidade de serem companheiros de equipe na McLaren no ano que vem. O alemão deixou de forma surpreendentemente clara que está adorando a idéia, relembrou como foi bom quando correram na mesma equipe de kart e que gostaria de repetir a dose no futuro. Hamilton baixou a bola, falou que os dois tem uma boa relação, mas que está “satisfeito como as coisas estão na equipe agora” – ou seja, com um Zé ninguém como companheiro de equipe. Nico ouviu, pensou uns cinco segundos e soltou o que todos no paddock sabem. “Não me pareceu muito positivo da parte dele, Lewis não está animado com isso...”


Todos riram, até mesmo Hamilton. Não é de hoje a notícia que seu pai age com firmeza nos bastidores da McLaren para impedir que o atual campeão do mundo tenha um companheiro de equipe forte. Mas a cena da coletiva mostra que Rosberg ainda deseja essa vaga. Embora seu nome tenha sido ligado à Brawn nas últimas semanas (como um pedido da Mercedes-Benz), o alemão quer mesmo se sentar num dos carros prateados. Para pessoas mais próximas, confidenciou ter mais confiança em uma equipe que sempre disputou o título do que em uma que pode estar apenas vivendo um verão feliz.


Como já discutido nesse post, Nico Rosberg é uma das peças-chave do dominó do mercado de pilotos. A união Alonso-Ferrari é que nem casamento em último capítulo de novela, todo mundo já sabe que vai acontecer. Resta saber agora para onde vai o alemão da Williams – e também o que será de Kimi Raikkonen. Ambos candidatos fortes à vaga da McLaren. A declaração pública de interesse de Rosberg mostra que o quadro na Brawn deve continuar incerto por mais tempo – Ross não nasceu ontem e está fazendo com o que o foco fique apenas na disputa pelo título, ciente que tem tempo para decidir sua dupla de pilotos mais para frente. Até porque está satisfeito com a atual.


Hoje, Daniele Morelli, o empresário de Robert Kubica foi visto saindo do hospitality da Renault com sua pasta de negócios na mão. Tudo encaminha para que o polonês defenda a equipe no ano que vem. Mas a equipe sofreu dois duros golpes com o anúncio da saída imediata dos patrocinadores “ING” (o principal) e “Mutua Madrilena”. Ambos sairiam no final do ano de qualquer jeito, o primeiro para deixar a Fórmula 1 e o segundo para seguir Fernando Alonso em Maranello. Mas o anúncio público de condenação do episódio de Cingapura foi outro golpe duro para a imagem de uma equipe cambaleante.


Vale ficar de olho se a Renault vai sobreviver o inverno como equipe de Fórmula 1. Quem passou pela fábrica de Enstone recentemente foi David Richards. E não teria sido para se candidatar ao posto de chefe da equipe. Ele estaria negociando para comprar a vaga e a estrutura do lugar para colocar seu projeto Prodrive-Aston Martin em marcha.


Outra notícia quente de Cingapura diz respeito à equipe Williams. Ao contrário dos sinais dos últimos meses, o time estuda agora renovar seu contrato com a Toyota. Pode ser por uma questão puramente econômica, com a possibilidade de pagar a conta com o cheque-ambulante Kazuki Nakajima. Mas pode ser outro indício de que o futuro da Renault, a fornecedora que a Williams queria, é realmente incerto.


Com tantas dúvidas quanto à existência das equipes ou aos motores que elas vão usar, o mercado de pilotos anda efervescente como nunca esteve numa época tão tardia da temporada. E a tendência é que a maioria das decisões fique bem mais para frente, possivelmente só nos primeiros meses de 2010. Numa pré-temporada com testes limitadíssimos, este quadro vai garantir assunto suficiente para preencher todo o noticiário.