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segunda-feira, 14 de março de 2011

“SÓ” COM O PÉ EMBAIXO

Falta pouco para o início da temporada. Em dez dias a comunidade da Fórmula 1 estará reunida no agradável paddock do circuito de Albert Park para as entrevistas de uma quinta-feira pré-GP - no final das contas, o legítimo protesto dos desfavorecidos no Bahrein acabou tendo o pouco significativo efeito de colocar a abertura da temporada num lugar que a merece. E um tema recorrente será a questão do uso das asas móveis.

A FIA deve ratificar neste semana de forma oficial aquela regra dos 600 metros delimitados para o uso do dispositivo. Em Melbourne, o trecho liberado será toda a extensão da reta dos boxes, com o ponto que mede se a distância entre competidores é menor que um segundo sendo colocado três (!) curvas antes dela. Na Malásia (reta dos boxes) e na China (reta mais longa, entre curvas 13 e 14), a medição será feita na curva imediatamente anterior à reta.

Nos treinos livres e na classificação, os pilotos poderão usar a asa móvel a bel prazer. O que deixa um certo ar de preocupação em relação à segurança. Na sua participação no “Pole Position” do último sábado, Luiz Razia explicou que a asa móvel só pode ser acionada com o pé embaixo - ou seja, com o curso do acelerador 100% acionado.

Bom, pelo menos nenhum sem noção vai tentar fazer a Mirabeau, em Mônaco, sem o apoio aerodinâmico necessário. Mas o risco persiste. Na busca por décimos de segundo, a turma com certeza vai acionar a asa móvel em trechos como a curva 3 de Barcelona, a 8 de Istambul, a nova Abbey ou a Eau Rouge. E se a lâmina paralela ao solo retirar uma fundamental carga aerodinâmica que mantinha o carro na pista? Justo em pontos de altíssimas velocidades?

Pelo jeito, só saberemos na prática. Torcendo para que ninguém se machuque.

(Foto Williams)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

TV BLOGO - DAN GURNEY EM SPA

Muito interessante, pena que muito curto, este vídeo de Dan Gurney dando umas voltas pelo circuito de Spa-Francorchamps com a mesma Eagle que o levou a triunfar no circuito em 1967. As imagens foram feitas em 2002, numa comemoração dos 35 anos da ocasião. Legal ver a expressão introspectiva do piloto no final, um homem do novo milênio que parece incrédulo ao se encontrar numa cápsula do tempo e ver seu passado de frente. Para completar a viagem, clique aqui para ler o artigo (em inglês) feito na época do vídeo. Vale a pena!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

RUBENS, POR SEUS COLEGAS

Continuindo com a série de materiais da temporada que não saíram do blog, coloco aqui hoje a matéria da RACING de setembro sobre a comemoração dos 300 GPs de Rubens Barrichello. Ao ver a contundente demonstração de respeito e carinho que o paddock da Fórmula 1 deu ao piloto brasileiro em Spa-Francorchamps, o caminho da pauta ficou claríssimo: ouvir as pessoas que já trabalharam com ele para entender os motivos disso. O resultado você lê abaixo:

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Circuito de Spa-Francorchamps, quinta-feira, 26 de agosto de 2010, 18 horas. O vão central do motorhome da Williams está completamente tomado. Pilotos, chefes de equipe, jornalistas e até mesmo Bernie Ecclestone estão com os olhos grudados nos monitores. Mas as lentes de cinegrafistas e fotógrafos focalizam outro ponto: o rosto de Rubens Barrichello, o homenageado.

As imagens do vídeo que a equipe preparou ao brasileiro vão se desenrolando numa ordem que conta a incrível trajetória de um piloto que chegou à incrível marca de 300 GPs disputados na Fórmula 1. Para se ter uma idéia do tamanho do feito, o brasileiro percorreu 73.495 quilômetros ao longo de 18 temporadas. São duas voltas completas pelo planeta Terra. Com um carro de Fórmula 1!

Os principais personagens que o acompanharam neste percurso estão lá, dando depoimentos contundentes: a família, o preparador de kart Magrão (Jamil Correia), Gary Anderson (Jordan), Jackie Stewart, Ross Brawn, Frank Williams. Quando os filhos aparecem desejando que ele fique muito mais tempo na Fórmula 1, Barrichello se emociona. Depois, usa da brincadeira para combater as lágrimas. “Depois de tantos elogios, porque só colocaram elogios no vídeo e deixaram as críticas de fora, posso correr na Fórmula 1 por mais dez anos. Podemos assinar agora, Frank”, pergunta em tom de brincadeira o piloto.

O chefe da Williams assume o microfone e não economiza nos elogios. “Sobre sua recente disputa com Michael (Schumacher, no GP da Hungria), foi a demonstração mais incrível de determinação e coragem que eu vi pelo menos nos últimos dez anos. E você lidou com a situação de forma brilhante”, ressalta Frank. “Quero te desejar em nome da equipe e todos os seus admiradores no paddock um futuro excelente. E agradecer por tudo o que você fez pela Fórmula 1”, completa o chefe de equipe.

Os outros pilotos saúdam efusivamente o brasileiro. Que recebeu de presente da equipe um pôster-gigante com charges retratando momentos de sua carreira. Além de uma bicicleta elétrica. “Pronta para colocarmos o KERS”, brinca o representante da Cosworth.

Um acontecimento como este, quando todo o paddock da Fórmula 1 faz uma pausa no ritmo massacrante de trabalho de um final de semana de corrida para homenagear um piloto, é muito raro de acontecer. Para o experiente jornalista inglês David Tremayne, do jornal “The Independent”, foi um testemunho da grandeza de Rubens Barrichello. “Quase todo mundo estava lá. Quem não foi é porque ainda estava em reunião. Ou Michael Schumacher. E dava para ver na cara de cada um que eles estavam genuinamente felizes por Rubens”, opina.

A felicidade acontecia também pelo fato do brasileiro ser uma das pessoas mais populares do paddock, com seu jeito aberto e brincalhão. E emotivo também. “Algo que eu sempre gostei de Rubens foi este seu lado muito humano, de trazer sua emoção à flor da pele. Ele chora quando está infeliz ou emocionado, ele sorri quando está feliz. É muito bom conviver com pessoas assim, porque o que você vê é exatamente como elas são de verdade”, diz Tremayne.

Mas “ser gente fina” não é nem de longe o principal segredo da carreira de Barrichello. O próprio piloto atesta isso na conversa que teve com os jornalistas brasileiros em Spa-Francorchamps. “A verdadeira razão técnica e mecânica de um piloto na F-1 é o talento. Ele pode ser o cara mais legal do mundo que não fica. Resumindo: as equipes olham para o que é feito na pista. É um mundo onde todos querem o melhor é o que faz um piloto permanecer na pista por tanto tempo é o talento”.

Barrichello continua sua análise destacando a importância de trabalhar constantemente o lado mental para que atingisse esta marca histórica. “É preciso ter lealdade e sorrir para os problemas. Foi dessa forma que sempre melhorei a cada ano. Não por uma questão física ou técnica, mas mental. É com a cabeça que a gente melhora muito. É lidando com os problemas de forma positiva, vendo que mensagem eles nos trazem ao invés de apenas lamentar e chutar tudo. Isso me fez uma pessoa melhor”.

Quando se fala em problemas na carreira de Barrichello, impossível não remeter aos seus anos na Ferrari. Foi na equipe italiana que o brasileiro conquistou a primeira e a maioria das suas vitórias. Mas foi lá também que viveu os momentos mais tensos e controversos, como o famoso episódio do GP da Áustria de 2002, na qual cedeu a vitória a Michael Schumacher a poucos metros da linha de chegada, a pedido da equipe.

Nos últimos anos, o brasileiro fez algumas críticas públicas à política interna que teve de se submeter na Ferrari. O time vê isso com naturalidade. “Faz parte da vida. Às vezes você discorda de coisas, tem uma opinião diferente. Mas se Rubens olhar para seus anos de Ferrari, ele só pode ter uma visão positiva dela. Às vezes ele podia não estar feliz, mas é impossível ter uma vida perfeita 365 dias por ano”, argumenta o assessor de imprensa do time, Luca Colajanni.

O italiano ressalta ainda a importância de Barrichello no período mais bem-sucedido na longa história ferrarista. “Ele era um elemento-chave do ‘Dream Team’ que tínhamos. Me lembro de temporadas como 2002 ou 2004 em que parecíamos invencíveis. De um ponto de vista pessoal e profissional, sempre foi muito fácil trabalhar com Rubens, que entendia perfeitamente a necessidade do contato com a imprensa e sempre se colocou disponível. Quando uma pessoa deixa a família, não significa que ela se torna uma inimiga. Ela permanece amiga e este é o caso com ele”, acrescenta Colajanni.

O atual comandante da Ferrari, Stefano Domenicali, era uma das pessoas mais próximas do brasileiro na sua passagem pelo time e também foi felicitá-lo pela marca histórica. “É um feito incrível. Estou contente de ter trabalhado e vencido com Rubens por tantos anos. Éramos vizinhos no motorhome, a sala dele era do lado do meu escritório. E dividimos momentos bons e momentos difíceis também. É uma satisfação ver como ele se manteve uma grande pessoa e um grande esportista”, reconhece.

A incrível longevidade de Barrichello gera algumas situações curiosas. “Quando fiz minha primeira corrida de kart, ele já estava na Fórmula 1”, se espanta Lucas di Grassi, da equipe Virgin. “É impressionante a vontade e a capacidade do Rubinho de se adaptar e de evoluir, não só como piloto mas como pessoa também, para conseguir manter o foco na categoria por tanto tempo”.

Outra situação rara está no fato do piloto ter sido o ídolo no esporte de um de seus chefes. O austríaco Toto Wolff conheceu Barrichello quando o brasileiro era um dos nomes de ponta na Fórmula Opel e Wolff andava de Fórmula Ford. “Pedi alguns conselhos para ele e me tornei seu fã. E neste ano nossos caminhos se cruzaram depois que me tornei sócio da Williams. Ele tem uma grande parcela de responsabilidade no fato de termos dado um grande passo à frente neste ano. Seu conhecimento técnico não tem preço”, afirma Wolff.

O engenheiro de corridas de Barrichello, o inglês Tony Ross, segue pelo mesmo caminho. “Rubens chegou num momento em que mudamos o fornecedor de motores, com um regulamente instável e diferenças significativas nos pneus, com os dianteiros ficando mais estreitos. Diante disso, sua experiência com isso é mesmo inestimável. Fizemos muitas mudanças importantes baseado só no que ele nos dizia. É o caso de dizer que, sem Rubens, estaríamos sofrendo muito nessa temporada”.

Quem também ressalta a importância do trabalho feito pelo recordista no desenvolvimento de um equipamento é Mark Gallagher, diretor-geral da Cosworth. “Rubens tinha pilotado um Honda em 2008, um Mercedes em 2009 e um Toyota da Williams num evento promocional no Catar. Então ele tinha a experiência de três motores diferentes em apenas 18 meses antes de começar a trabalhar conosco. Ele nos mostrou o que queria. E ele é duro. Se há um problema, ele nos diz imediatamente, às vezes com palavras firmes, dizendo o que tem de ser mudado. Mas é isso o que você precisa para vencer na F-1. É preciso trabalhar duro e foi isso o que ele fez na sua carreira inteira”, ressalta.

Gallagher vai além e compara Barrichello a Ayrton Senna neste aspecto técnico. “Todo mundo se lembra de como Senna ajudou a Honda a desenvolver um grande motor. Com Rubens acontece o mesmo, por sua vasta experiência. Acredito que ele ainda tem a chance de conseguir um bom pódio até o final do ano. E queremos vencer, assim como a Williams. Não haveria pessoa melhor para alcançar isto do que Rubens”.

Um fato citado por todos os entrevistados pela RACING foi a ultrapassagem que o brasileiro executou em Michael Schumacher na prova da Hungria. Tony Ross conta como viveu a manobra sentado no pitwall. “Não pensei no perigo na hora. Só estava concentrado em que ele passasse Michael e, quando isso aconteceu, achei ótimo. Só depois eu pensei: ‘putz, essa passou perto’. Foi uma reação secundária. Quando vi as fotos depois, ficou claro que realmente tinha pouco espaço ali. Mas na hora eu só pensava: ‘passa ele, passa ele’”.

Olhando em retrospecto, Ross admite que ganhou ainda mais admiração por Barrichello pelo episódio. “A manobra é um tremendo reflexo de como é Rubens. Depois de 300 GPs, ele faz uma manobra agressiva e corajosa como aquela. Não tem muitas pessoas que você pode descrever assim depois de 100 corridas, quanto mais depois de 300. Fiquei impressionado”, admite.

O carinho enorme que recebe em sua nova equipe evoca a questão se Rubens Barrichello finalmente encontrou, na Williams, sua verdadeira casa na Fórmula 1. Para o jornalista Tremayne, é mais uma questão do piloto se dar bem com quase todo mundo com quem já trabalhou. “Ele também teve um bom lar na Jordan por um tempo. Jackie Stewart adorava ele. E todos sabem o que aconteceu na sua vivência na Ferrari de Michael Schumacher. Na Honda/Brawn creio que ele tenha se ambientado bem, mas talvez não tanto no ano passado quando Jenson ganhou tantas corridas”, analisa.

Dentre as inúmeras conquistas da carreira de Rubens Barrichello, falta o título mundial da Fórmula 1. Mas será que esse fato não contribuiu decisivamente para esta impressionante longevidade na categoria? Tremayne: “Possivelmente não ganhar o título o manteve faminto. E acho que se ele tivesse ganho e atingido esse sonho, correr na categoria talvez não fosse mais tão importante. Mas Rubens sempre viu que havia outras conquistas para ganhar, em termos de trabalho, e isto o manteve motivado”.

A pergunta que fica depois desta marca histórica é sobre o alcance do piloto na Fórmula 1. O brasileiro, acertado com a Williams para a próxima temporada, não quer nem pensar no assunto. “Tenho a impressão de que a Silvana, minha esposa, olha pra mim e pensa: ‘Ai meu Deus, ele vai correr ainda por muitos anos’. É uma coisa boa. Tenho mesmo muito gás. É um limite que não gostaria de pensar, como não pensei no 257° grande prêmio, nem no 18°. Sou muito honesto comigo mesmo. Tenho certeza de que no dia em que entrar numa curva sem a mesma velocidade, será muito fácil reconhecer que chegou a hora”. Pelo ritmo que ele tem demonstrado nas pistas, com bons resultados, levantando a Williams e superando um companheiro jovem, talentoso e veloz, esta hora vai mesmo demorar a chegar.

(Foto Williams)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

ALERGIA AO TILKE

O traçado do circuito de Austin, no Texas, foi divulgado ontem na Internet. Como reza o procedimento exigido por Bernie Ecclestone, o projeto ficou a cargo do arquiteto alemão Hermann Tilke. E carrega consigo suas marcas registradas: a reta dos boxes precedida por e precedendo uma curva lenta; um trecho bem travado e uma reta muito longa.

Tilke também resolveu temperar a receita com idéias “emprestadas” de outros circuitos. Colocou uma seqüência de curvas de alta velocidade que emula o complexo Becketts/Maggots de Silverstone. E outra para repetir a curva 8 de Istambul, sua criação mais famosa. O resultado é pouco promissor. O arquiteto parece carecer de inspiração e está buscando fontes no trabalho de outros para misturar com o seu. Que nunca foi lá essas coisas.


Outro circuito também está rendendo notícias nos últimos dias. O circuito da Coréia do Sul não ficou pronto a tempo do prazo-limite de 90 dias dado para a inspeção final da FIA. A entidade fez vistas grossas e espera por um milagre para a pista ficar pronta em 24 de outubro. Pelos relatos que escutamos sobre o ritmo das obras, é difícil imaginar que isto aconteça.


É de chorar. Os autódromos construídos por Hermann Tilke são modernos, espaçosos, seguros e... sem graça. O de Abu Dhabi, opulento como a riqueza dos xeques que o construíram, lembra um Shopping Center. Mas o que mais interessa, a qualidade da corrida ali, não correspondeu ao investimento. A prova que encerrou o Mundial do ano passado foi muito chata. E a deste ano, última do calendário, pode decidir o título.


Depois de uma prova como a Spa-Francorchamps, é de se lamentar a política atual de organizar provas em praças estranhas à categoria, a custos astronômicos e com pistas enfadonhas. Pude dar uma volta em ritmo de passeio nesta segunda-feira pelo circuito e o que mais chama a atenção é a maneira como as curvas seguem com naturalidade a topografia do terreno. Sem necessitar de trechos lentos, de uma curva com ângulo agudo a cada quilômetro.


Será que o mala do Tilke não vê isso?

(Coluna publicada na edição de hoje do Lance!)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

EXPLORANDO SPA


Foi um final de semana para conhecer de perto todas as facetas de um dos circuitos mais incríveis do mundo. Spa-Francorchamps sempre fascinou por sua história, iniciada em 1922 e por suas passagens características: o grampo “La Source”, a famosa “Eau Rouge”, a longa “Burnenville”, a insana “Masta”, a traiçoeira “Stavelot”.

Conheci o traçado original através do insubstituível game “Grand Prix Legends” e não foi difícil reconhecer parte dele no trecho que me leva da pista até a vila de Malmedy, onde me hospedo todos os anos. Foi esse trajeto que gravei especialmente para vocês no vídeo acima. Quem conhece o jogo pode comparar as imagens com a versão virtual. Quem não conhece, pode imaginar que loucura era acelerar numa pirambeira dessas com uma baratinha dos anos 60 com o asfalto molhado.

Mas a segunda-feira ainda me reservou uma surpresinha. Voltei ao autódromo para buscar minha câmera fotográfica que havia esquecido na van que nos leva até o estacionamento de imprensa fora do circuito (ê cansaço de fim de domingo). Quando me dirigia para a saída, vi um carro entrando na pista na altura da Blanchimont e resolvi seguí-lo. Com o pisca alerta ligado e em velocidade de cruzeiro, como reza o bom senso e como faziam todos ali, afinal havia trechos bem movimentados.

Mesmo assim foi muito interessante o passeio. A Eau Rouge é mesmo um paredão e, sem impulso, o motor modesto do Fiat Punto alugado pediu uma marcha menor na saída. A Rivage, onde Hamilton escapou no domingo, tem uma mudança de nível bem mais acentuada do que eu imaginava pelas imagens da tevê. E a Pouhon, aquele gancho duplo à esquerda em alta velocidade, é mesmo de prender o fôlego.

Saí da pista por onde havia entrado e deixei o autódromo por uma saída que não conhecia, ali perto da Blanchimont mesmo. Foi aí que percebi que estava novamente no circuito antigo, mas na direção contrária: peguei retas longuíssimas até chegar na Stavelot, fiz ela à esquerda e subi rumo à Masta. Deixa mesmo a Eau Rouge no chinelo. Um ‘S’ traiçoeiro e feito em altíssima velocidade. E com casas na beira da pista prontas para receber o impacto de quem não conseguir negociar o trecho com sucesso.

Arrepia só de imaginar.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

CREDENCIAL – GP DA BÉLGICA

É até irônico que a corrida mais emocionante do campeonato aconteça justamente na região mais bucólica visitada pela F-1. E esta mistura está nesta edição do “Credencial”: o que faz de Spa um lugar especial, os acontecimentos da corrida, a luta pelo título, o mercado de pilotos e de motores para o ano que vem... está tudo comentado, como de costume. Aperte o play (ou baixe os arquivos clicando nos links abaixo) e boa audição!

PARTE 1


PARTE 2



(Foto Luis Fernando Ramos)

domingo, 29 de agosto de 2010

FÉ EM DEUS E PÉ NA TÁBUA

Um circuito divino, um clima diabólico: pela qualidade e dramaticidade das corridas, os GPs da Bélgica costumam ser sempre quase uma experiência religiosa. E ontem não foi diferente. Uma pancada de chuva leve no início e outra mais forte na parte final das 44 voltas disputadas garantiram uma boa dose de problemas para os pilotos da Fórmula 1. Não foi à toa que o vencedor terminou a a prova falando que foi guiado pela mão de Deus quando quase pôs tudo a perder num momento em que escapou da pista.

“Que condições traiçoeiras... incrível! Spa sempre nos traz a corrida mais desafiadora do campeonato. E eu estou no paraíso por tê-la terminado em primeiro”, exultou Lewis Hamilton.

O piloto da McLaren tinha mesmo uma conta em aberto com o circuito. Em 2008, ele cruzou a linha de chegada na frente, mas recebeu uma punição de tempo por ter cortado a chicane numa ultrapassagem e ficou classificado em terceiro. Alívio duplo para o inglês:
“Eu amo as corridas, está no meu sangue. Chegando aqui, fiquei surpreso como éramos competitivos, possivelmente com o melhor carro. Mas foi difícil transformar isso em vitória nessas condições tão instáveis. De qualquer jeito, é um prazer agora poder colocar essa pista na lista dos lugares em que já venci”, falou o piloto, que conquistou sua 14ª vitória na F-1.

E Hamilton tem mesmo razão: no templo de Spa, o jeito foi rezar para sobreviver até o final da prova, não importando a que preço. Mark Webber fez uma péssima largada, caiu pro meio do pelotão mas acertou depois a oração e foi premiado com um segundo lugar importante para suas pretensões no campeonato.


Outros naufragaram num dilúvio de erros. Jenson Button foi vítima involuntário de um erro calamitoso de Sebastian Vettel. O alemão tinha mais velocidade, mas meteu os pés pelas mãos na hora de tentar a ultrapassagem, perdeu o controle do seu carro e rodou, atingindo em cheio a McLaren do atual campeão do mundo.


O calvário de Vettel seguiu com uma punição, um pneu furado e decisões estratégicas equivocadas. Terminou o dia crucificado pelo chefe de Button, Martin Whitmarsh.
“Não foi algo que você espera ver na Fórmula 1, tinha mais cara de categoria de base. Uma punição de Drive-Through foi leve demais”, reclamou o comandante da McLaren.

A Ferrari também afundou com o abandono de Fernando Alonso, que bateu sozinho perto do final depois de ter a prova comprometida logo na primeira volta, quando seu carro serviu de freio para a desgovernada Williams de Rubens Barrichello. A escuderia apostou alto no espanhol em Hockenheim e pagou um certo preço num dia em que foi Massa quem salvou pontos para ela. Jogo de azar é pecado, deveriam saber.


A discussão teológica está lançada: faça seus comentários e perguntas para o “Credencial”, que deve ir ao ar na terça-feira.

sábado, 28 de agosto de 2010

QUATRO ESTAÇÕES NUM SÓ DIA

Pneus para pista seca no molhado, pneus de chuva com o sol brilhando. Benvindos à Spa-Francorchamps, onde ser um bom meteorologista é quase tão importante quanto ser um bom piloto. Ao longo de todo o final de semana, da ampla vista que tenho da sala de imprensa, vi o tempo mudar incontáveis vezes. Nuvens que passam, deixam uma quantidade considerável de água e se vão para dar lugar a um forte facho de luz do verão.

Foi assim durante toda a classificação hoje. Apesar da Red Bull ter conseguido sua 12ª pole position do ano em treze etapas, Mark Webber admite que teve de contar com uma boa dose de sorte para ficar em primeiro.

“Foi um desses dias em que tudo pode dar errado e você fica com a cara de tacho no final. Mas, com exceção de Fernando Alonso, todos os outros pilotos que estão na disputa pelo título tiveram um dia normal”, falou o australiano.

Lewis Hamilton, que larga na corrida de hoje da primeira fila, explicou o drama que os pilotos vivem dentro do cockpit com um asfalto que muda de condições o tempo inteiro:

“É difícil entender o que são os caminhos mais claros e mais escuros. É uma característica do asfalto ou ali está mesmo muito molhado? E só dá para descobrir quando você passa por cima. Estamos andando no fio da navalha aqui”.

Rubens Barrichello conseguiu o 7º lugar do grid, uma posição atrás de Felipe Massa, e prevê muitas alternativas para o GP da Bélgica. Para ele, esta instabilidade do clima deixam o piloto numa posição muito mais importante que o acerto do carro.

“Se a corrida for como na classificação, quando choveu e parou umas três vezes em uma hora, vai ser muito emocionante. Em relação ao acerto do carro, todos estão com uma configuração parecida, com pouca asa. Quando comecei na F-1, a diferença de um acerto de seco para o de chuva era de 20%. Hoje muda 1 ou 2%. Nós aprendemos a andar na chuva com acerto para seco. E os carros também melhoraram muito nesse sentido. Se chover, vai ser bons para uns e ruim para outros. Depende da habilidade de cada um em se segurar nestas condições”, avaliou o brasileiro.

Clima instável, cenário incerto, tudo em aberto. Só uma certeza: vai ser um corridão.

AS PREFERIDAS DO TIO BERGER

É impossível não citar a Eau Rouge quando se fala de Spa-Francorchamps. Mesmo diante do fato da temível curva não apresentar os mesmo desafios do passado, como eu coloquei neste post feita na última edição do GP da Bélgica. Por isso mesmo, acho que vale a pena reproduzir aqui esse depoimento que Gerhard Berger deu ao jornalista austríaco Heinz Prüller sobre as dez curvas mais desafiadoras de sua época. Como reza o dito popular, de uma época onde ainda se amarrava cachorro com lingüiça. Confira:

1 – Eau Rouge (Spa-Francorchamps)
A rainha de todas as curvas. Agora tiraram um pouco de sua pimenta, mas ainda é o grande mito, o Everest da Fórmula 1. Porque o piloto precisa de tudo: coragem e sabedoria. Você precisa se decidir ainda na inclinada descida: ‘farei ela de pé embaixo ou não?’ O cérebro diz não, mas o coração fala sim. Depois da quebra esquerda-direita na base, tem uma subida inclinada. É como se jogar contra uma parede. Você se sente um piloto de caça. Com certeza, a curva mais desafiadora da F-1!

2 – Jochen-Rindt-Kurve (Zeltweg)
Não é por motivos sentimentais – mas uma chicane seria um insulto para Jochen. Uma ondulação na entrada, a inclinação da curva te joga para fora e você está a mais de 200 km/h na saída dela

3 – Bosch-Gösser-Kurve (Zeltweg)
Mais uma curva típica de Österreichring. Você jogar o carro tranqüilamente na entrada da curva e ainda assim ganha velocidade

4 – R-130 (Suzuka)
Eu a coloco acima de outras curvas de Suzuka como a ‘Degner’ ou a ‘Spoon’. Difícil de prever a saída, tem ondulações, o carro fica nervoso... e é rápida, chegamos a uns 260 km/h. Às vezes, a pista acaba na saída...

5 – Parabólica (Estoril)
É como se não terminasse nunca, cheia de ondulações e bem difícil a mais de 250 km/h. (Jacques) Villeneuve apostou uma vez com seus mecânicos que conseguia fazer ela por fora com o pé embaixo. Eles o desaconselharam, mas ele ganhou a aposta...

6 – Copse (Silverstone)
É a primeira curva depois da largada. E tem de ser feita às cegas, porque você não tem como ver a entrada e nem o apex, fica quase pendurado para fora do carro e é brutalmente rápida – quase de pé embaixo a 270 km/h

7 – Lesmos (Monza)
A primeira perna a 220 km/h, a segunda a 240 km/h. Extremamente complicada, porque você anda praticamente sem asa em Monza por causa das retas – e precisa desesperadamente de pressão aerodinâmica para fazer as Lesmos

8 – Casino (Mônaco)
Quem quiser saber de verdade o que é a Fórmula 1 só precisa ficar olhando os carros na saída dela, na parte de fora – mas atrás de uma proteção bem grande! A Massenet é feita à esquerda a 260 km/h, em cima do morro tem estômago sai prá fora, mesmo assim você tem de diminuir a marcha, virar numa fração de segundo mesmo com a ondulação te atrapalhando e descer com a maior velocidade possível para a Mirabeau

9 – Tamburello (Ímola)
Feita de pé embaixo no seco, um pouco mais difícil no molhado. Foi a curva em que morreu Ayrton Senna. Eu também tive uma batida forte por lá. Dissem que uma batida na Tamburello te deixa um segundo mais lento. Então eu deveria ser um piloto absurdamente rápido...

10 – Blanchimont (Spa-Francorchamps)
Curva cega, feita de pé embaixo a mais de 300 km/h – e você passa a centímetros do guard-rail. Na parte interna tem uma zebra muito alta, que exige muito cuidado. Quase tão difícil quanto, as duas últimas curvas de uma volta em Barcelona, feitas a mais de 250 km/h

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

BARRICHELLO, 300 – II

Foi impressionante como a Fórmula 1 em peso reservou um horário na sempre massacrante rotina de um final de semana de corrida para comparecer ao motorhome da Williams na tarde de ontem e reverenciar Rubens Barrichello. Dentro do paddock, o brasileiro goza de imenso respeito e prestígio não só por ser um divertido e amigável colega de trabalho, mas acima de tudo por aliar toda a experiência que sua impressionante marca implica com velocidade e arrojo. Ninguém possui a sensação de estar diante de um veterano decadente que está apenas ocupando o lugar que deveria ser de um jovem talento, como aconteceu com vários de seus contemporâneos.

Mas o que mais me chamou a atenção na bonita homenagem, com direito a charge, bicicleta e um emocionante vídeo, foi olhar para o momento atual do piloto. De como, em pouco mais de dez meses de trabalho em conjunto, ele conseguiu plantar seu nome no coração de uma equipe com tanta tradição e história como a Williams.

O velho Frank era uma das pessoas mais felizes com o evento. Depois de dizer que Rubinho era “tranqüilamente um dos melhores pilotos que passaram em minha equipe”, emendou sua admiração pela recente disputa com Michael Schumacher: “Foi a demonstração mais incrível de determinação e coragem que eu vi pelo menos nos últimos dez anos”. E encerrou agradecendo ao piloto “por tudo o que você fez para a Fórmula 1”. Depois de dezoito temporadas na Fórmula 1, fica a sensação de que o piloto finalmente encontrou a sua casa na categoria.

É interessante ver também outro aspecto desse “Barrichello 300”. As alusões à bandeira brasileira no capacete, carenagem e macacão demonstram como ele valoriza a sua origem – característica comum, aliás, a vasta maioria dos atletas do país em qualquer modalidade. E, depois de uma relação complicada e cheio de conflitos como toda longa relação, a impressão que eu fico é de que ele finalmente está recebendo o respeito e a admiração dos torcedores de seu próprio país. É justamente o melhor presente que ele poderia receber no momento de uma marca tão especial.

(Foto Luis Fernando Ramos)

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

FOTO DO DIA – GP DA BÉLGICA DE 1966


Mais um belo instantâneo do famigerado GP da Bélgica de 1966. Nada de telemetria, transmissão ao vivo, conversa via rádio. A comunicação era feita só pelas plaquinhas na região dos pits. E o pessoal ficava tão perdido que o sujeito achava que Jackie Stewart ainda estava na corrida na segunda volta, sendo que ele foi um dos primeiros a abandonar.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

FOTO DO DIA – GP DA BÉLGICA DE 1966

Jochen Rindt foi um dos sete sobreviventes da primeira volta em Spa-Francorchamps, quando um pé d’água no meio do circuito pegou todo mundo de surpresa. Mais do que isso, fez uma baita corrida, levando o limitado Cooper-Maserati ao segundo lugar, deixando para trás carros bem melhores como a Ferrari de Lorenzo Bandini e a Brabham de “Black Jack”. Condições adversas davam uma rara chance do austríaco mostrar seu excepcional talento num equipamento menos competitivo, e ela costumava agarrá-las com as duas mãos.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

FOTO DO DIA – GP DA BÉLGICA DE 1970

Muito antes de Gilles Villeneuve tornar a Ferrari de número 27 um mito, a equipe italiana correu com estes algarismos. Foi no GP da Bélgica de 1970, quando a numeração ainda variava a cada corrida a bel prazer dos organizadores. Não foi uma boa prova, Jacky Ickx teve um mundão de problemas e terminou apenas em oitavo lugar, com duas voltas de atraso. Mas rendeu este sensacional instantâneo, que fica aqui como ponto de partida de uma série de imagens que colocarei ao longo das próximas semanas para celebrar o que, para mim, é o melhor GP da temporada européia da F-1. Clique para ampliar!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

FOTO DO DIA – GP DA BÉLGICA DE 1968

A primeira das quatro vitórias de Bruce McLaren na Fórmula 1 dá uma dimensão do seu talento. O neo-zelandês venceu o GP dos EUA de 1959 aos 22 anos e 104 dias de idade, numa época em que a experiência contava muito na Fórmula 1. Um recorde que perdurou por mais de 40 anos, até ser batido por Fernando Alonso no GP da Hungria de 2003 – esta, uma marca de vida curta, já superada por Sebastian Vettel na vitória de Monza em 2008.

Mas foi o último de seus triunfos o que deve ter lhe dado mais satisfação. No desafiador traçado antigo de Spa-Francorchamps, Bruce consolidou o triunfo em cima dos infortúnios de outros líderes, assumindo a liderança na última volta quando Jackie Stewart ficou sem gasolina (o pessoal que joga o GPL já viveu isso). Foi a primeira vitória da McLaren na Fórmula 1, numa corrida que trouxe outros feitos históricos: a primeira vez que um carro foi equipado com aerofólios e o recorde de participações na categoria para Jack Brabham, com cem provas disputadas.


A morte de Bruce McLaren, num acidente em Goodwood durante um teste com um modelo de Can-Am, completa 40 anos hoje. Entrem no site da equipe e curtam as justas homenagens feitas ao fundador de um time que entrou para a história.

domingo, 11 de abril de 2010

FOTO DO DIA – GP DA BÉLGICA DE 1966

A edição da revista “Racing” deste mês traz uma matéria especial que eu fiz sobre a história da equipe Eagle na Fórmula 1, trazendo um interessante contraponto com a natimorta USF1. Para fazer o material, tive o prazer de bater um ótimo papo por telefone com um dos meus grandes ídolos no automobilismo. Dan Gurney, que vai completar 79 anos de idade na próxima terça-feira, esbanjou uma simpatia enorme. Vez por outra não se lembrava do ano de um acontecimento ou de um nome, mas no geral estava sempre bem disposto a recordar alguma boa história do passado.

Como essa acontecida em Spa-Francorchamps, em 1966. Foi a famosa corrida em que o grid inteiro foi surpreendido por uma cortina de chuva na curva Burnenville no meio da primeira volta, todos equipados com pneus slicks. Muitos rodaram ali mesmo, Jackie Stewart foi um deles, no acidente que lhe abriu os olhos para os baixíssimos níveis de segurança da época. Gurney lembra que passou pela confusão incógnito, tirando tanto o pé que foi ultrapassado até pelo “camera car” pilotado por Phil Hill, que colhia imagens para o filme “Grand Prix”.

Mas o mais incrível aconteceu no meio da prova, quando ele teve de encontrar um lugar seguro para estacionar sua Eagle no meio da pista para um pit stop diferente. “É uma dessas coisas que acontece. Normalmente eu tomava muita água antes das corridas, o que era fundamental num dia quente. Mas naquele dia estava frio e chuvoso. Então eu tive de parar para tirar um pouco daquela água”. Perguntei se não foi possível fazer dentro do cockpit. Ele riu. “Não, eu juro que eu tentei, mas não consegui. Então, para evitar que eu explodisse internamente, eu parei na pista e resolvi o problema”.


No ano seguinte, sem nenhum contratempo fisiológico, Gurney comemoraria em Spa a única vitória da Eagle em uma corrida de F-1 válida pelo Mundial.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

CREDENCIAL – GP DA BÉLGICA

Sem muitas delongas, nosso papo habitual a cada corrida, dividido em duas partes. Na primeira, tudo sobre o GP da Bélgica, a briga pelo título e informações sobre a chamada “Silly Season”. Na segunda, a polêmica de Cingapura e os comentários e perguntas de vocês – foram 57, um recorde. Obrigado por isso!

Parte 1:

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Parte 2:

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domingo, 30 de agosto de 2009

SOBRE FERRARI E NELSINHO

O GP da Bélgica foi uma grande corrida que acabou gerando um grande problema para a Ferrari. Se há um mês a equipe tinha tudo encaminhado para correr com Fernando Alonso e Felipe Massa no ano que vem, agora parece contar com um excesso de candidatos para as duas vagas disponíveis. Além dos dois citados, Michael Schumacher ficou animado com a idéia de voltar; Kimi Raikkonen ganhou motivação e mostrou suas qualidades com a vitória de hoje; e Giancarlo Fisichella ganhou o apoio incondicional da imprensa italiana para assumir a vaga do quixotesco Luca Badoer para correr em Monza. A tarefa de resolver essa complicada equação está a cargo de Stefano Domenicali, que vai começar os cálculos de acordo com as notícias que vierem dos Estados Unidos sobre o prazo de recuperação de Massa.


Quanto ao caso Nelsinho-Renault-Cingapura, o fato de uma investigação estar em curso deixa claro uma coisa: não há mais lugar para o brasileiro na categoria. Ninguém confirma, mas não há muitas dúvidas que a denúncia partiu da parte do ex-piloto. Se optou por enfrentar um homem influente como Flavio Briatore nessa esfera, é porque esta batendo em retirada e queimando a terra que deixou para trás. Mas, dentro da idéia de prejudicar o dirigente italiano, suas chances são boas. O caso abre a chance para Max Mosley derrubar mais um desafeto. Depois de enxotar Ron Dennis da F-1, fazer o mesmo com Briatore seria um desfecho dos seus sonhos para deixar a presidência da FIA. A briga vai ser feia, podem aguardar.


A corrida de hoje trouxe também outros assuntos para explorarmos no Credencial: o caso de amor de Kimi com Spa, a força da Force Índia, os acidentes na largada, os problemas e a ultrapassagem de cinema de Rubens Barrichello, o quadro da briga pelo título. Como de costume, o espaço é de vocês: comentários e perguntas terão lugar no programa que deve ir ao ar no início da noite de amanhã. Até lá!

sábado, 29 de agosto de 2009

OS DEUSES DEVEM ESTAR LOUCOS

Uma Force India na pole position, os veteranos fazendo um trabalho excelente, os favoritos derrapando. O grid de largada para o Grande Prêmio da Bélgica faz antever a grande prova da temporada de 2009. E é muito interessante observar os pesos sinalizando as estratégias de cada piloto (confira aqui). Pensando na briga pelo título, achei inteligente a Brawn colocar Barrichello leve no Q3, minimiza a chance de dar alguma zebra na sempre complicada largada de Spa. A coisa está tão imprevisível que dá para projetar vários vencedores: algum dos quatro primeiros do grid, Raikkonen se fizer uma boa largada e mesmo a dupla da Red Bull, que tem um ótimo ritmo de corrida.

Mas vou jogar o abacaxi na mão de vocês: quem vai vencer o GP da Bélgica? Comente e aposte aqui, e não perca nossa transmissão amanhã, a partir das 8 da manhã. Até lá!

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A LENDA DESNUDA

Ela é a curva mais famosa da Fórmula 1, um sinônimo de desafio e coragem. A Eau Rouge já foi palco de acidentes espetaculares e também da fatalidade com Stefan Bellof, em 1985 com um protótipo. Hoje, fui ao pé da curva para fazer a foto acima, testemunhar o paredão que forma a segunda perna do trecho.


Depois captei, com a assistência da colega Vanessa Ruiz, o som dos carros passando por ali (confira abaixo). O barulho não mente: todos a fazem de pé embaixo. Até mesmo Luca Badoer. “Estava preocupado com a Eau Rouge, mas já fazia de pé embaixo na segunda passagem. Ficou muito fácil com o Fórmula 1 de hoje”, falou.


Por mais que gostemos de mitos, a verdade é essa: com o aumento da aderência aerodinâmica e o advento dos motores V8, a Eau Rouge não é mais uma curva temerária. Claro que um erro ali causa uma bela pancada, mas os pilotos da F-1 poderiam fazê-la 100 vezes num mesmo dia sem maiores preocupações.


Toda lenda, um dia, envelhece.


quarta-feira, 26 de agosto de 2009

FOTO DO DIA – GP DA BÉLGICA DE 1962

Mônaco tem um cenário imutável e inconfundível. Monza, o ar eletrizado pelos torcedores e pelas árvores do parque que filtram os raios solares. Mas o circuito que eu mais gosto nessas andanças atrás da Fórmula 1 é o de Spa-Francorchamps. Pela tradição de das corridas (na imagem, Jim Clark rumo à vitória em 62), a beleza da floresta, o charme das vilas cujos nomes batizam as curvas do circuito, o clima imprevisível, o traçado que é sinônimo de velocidade, as cervejas belgas, a casa alugada e dividida com os colegas, sede de jantares divertidos e muita risada.


É daquelas corridas que a gente marca com uma caneta vermelha no calendário. Legal que finalmente chegou. Amanhã a gente volta, direto do mais longo e belo circuito da temporada, até lá!