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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

OS PARES

Seguindo com nossa análise da forma dos pilotos para esta temporada - lembrando que tudo depende dos carros que cada equipe aprontar - vamos olhar agora para os parceiros dos “ímpares”, que terão como principal tarefa batê-los, para depois tentar superar o resto do grid rumo ao título. A batalha começa contra o outro lado da garagem.

2 - MARK WEBBER
Fez uma temporada muito acima do que se inicialmente esperava em 2010, mas mostrou uma preocupante curva descendente no final do ano, com um erro custoso na Coreia e uma classificação apagada na decisão em Abu Dhabi. Muitos apostam no paddock que este será seu último ano na F-1 e eu me surpreenderia em vê-lo com o mesmo fogo depois da chance desperdiçada no ano passado. Para piorar, a ideia da Pirelli em trazer compostos mais aderentes na frente e com durabilidade menor jogam a favor de Sebastian Vettel.

4 - JENSON BUTTON
Apesar de ser o primeiros dos cinco postulantes ao título a sair fora, Jenson Button deixou uma boa impressão em 2010 - teve a menor taxa de erros entre eles e fez corridas muito sólidas. Mas pagou nas classificações o preço de ter um estilo suave de pilotagem, com o qual não conseguia uma boa temporada para os “pneus de madeira” que a Bridgestone tinha. Pode ser uma surpresa da temporada se conseguir melhores posições no grid. Por outro lado, perde sua melhor arma se a intenção da Pirelli em promover duas paradas por corrida vingar. No esquema de economizar borracha do ano passado, ele era imbatível - vide o longuíssimo stint com pneus moles que promoveu em Abu Dhabi.

6 - FELIPE MASSA
Depois da temporada ruim que teve no ano passado, difícil imaginar que sua curva não vá melhorar em 2011. Em Madonna di Campiglio, estava animado e parecia ter feito uma aposta consigo mesmo para provar que era capaz de voltar a andar na frente. Seu aliado nessa intenção são os pneus Pirelli, que parecem combinar mais com seu estilo de pilotagem. Contra, a presença cada vez mais maior de Fernando Alonso na família Ferrari. A impressão que passa é que o brasileiro está blindado quanto a isso no que tange os bastidores. Agora vem a parte mais difícil, que é dar a resposta na pista. Mesmo que não supere o espanhol no campeonato, deve mirar batê-lo pelo menos em torno de 40% das classificações e das corridas. Para isto, terá de mostrar a garra de 2008, e que ficou escondida no ano passado.

8 - NICO ROSBERG
O principal adversário de Nico Rosberg em 2011 será ele mesmo. Afinal, não deve ser fácil ser o primeiro companheiro de equipe a dar um banho em Michael Schumacher e se ver na posição de não promover isto ou qualquer outro tipo de jogo psicológico, já que o heptacampeão tem o apoio total da equipe. Com um carro mais ajustado a seu bel prazer, Schumacher será neste ano um leão ainda maior a ser executado por Rosberg. Se repetir o que fez no ano passado e, quem sabe, conquistar a primeira vitória neste retorno da equipe Mercedes, dará o salto que falta para assegurar um futuro brilhante na Fórmula 1.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

TV BLOGO - F1 60 ANOS e F1 2010

Arrepiante o vídeo que a FIA exibiu na cerimônia de encerramento da temporada em Mônaco. Com o momento pessoal histórico em que eu apareço na mesma imagem que Mick Jagger, hehehe. Aperte o play e deleite-se! Grande dica do Julio Cezar Kronbauer.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

FÓRMULA 1 2010 - POR JULIANNE CERASOLI*

Foi uma temporada marcante, essa de 2010. Drama, polêmica, comédia e muita disputa dentro das pistas fizeram dela a mais emocionante que eu me lembre desde 1986. Mas esse é um tipo de conclusão pessoal, então tomei a iniciativa de fazer algo que há muito tempo pensava fazer: pedir e trazer a colaboração de outros blogueiros. Escolhi três nomes, optei por pessoas que eu não conheça pessoalmente mas autores de trabalhos que eu admiro muito - todos em blogs mantidos de forma independente. O tema que coloquei à eles foi: F1 2010 - Por que uma temporada histórica? O mais legal é que as respostas vieram com a cara de cada um. Começamos hoje, com o trabalho da Julianne:

BONS ERAM OS TEMPOS DE ALONSO, HAMILTON, VETTEL...
Seis líderes diferentes durante o ano. Uma equipe que, ao mesmo tempo em que consegue fazer 15 das 19 poles possíveis no ano, entra em ebulição por uma simples asa dianteira. Quatro pilotos divididos pelo equivalente a menos de um 2º lugar após 19 etapas. Um piloto 47 pontos atrás, depois de dois péssimos resultados, promete que lutará pelo título – e cumpre. Seja olhando pelo prisma dos números, seja valorizando mais as histórias, 2010 é daquelas temporadas que nos farão, daqui a 20, 30 anos, olhar para os tempos de Vettel, Hamilton, Alonso e companhia com ares de nostalgia.

A pressão
Não coincidentemente, a marca de um campeonato tão apertado foram os erros cometidos sob pressão. Erros de estratégia, de pilotagem, inexplicáveis. Quem diria que veríamos as grandes McLaren e Ferrari serem barradas na primeira parte da classificação na Malásia por pura soberba frente à tempestade? Ou que assistiríamos a um bicampeão mundial queimar a largada, como nem os principiantes fazem hoje em dia?

A lição que fica é que, mesmo que os pontos tenham igual valor em qualquer momento da temporada, um gol aos 45' do 2º tempo faz diferença. E foram Vettel e Alonso, os que deixaram os tropeços para trás antes dos outros e afrontaram os momentos decisivos com precisão cirúrgica, que acabaram levando vantagem.

As atuações
Mas este esteve longe de ser um ano de, quem menos erra, leva. Tivemos performances inacreditáveis. Como Button, duelando décimo a décimo com as bem mais rápidas Ferrari mesmo ostentando a maior asa traseira que Monza já viu. Ou Alonso, resistindo à pressão de um Vettel que havia comandado todos os treinos no calor da noite de Cingapura ou mesmo guiando uma corrida inteira com a embreagem pedindo água na Malásia. E o que dizer das poles de Sebastian, tirando aquele décimo de segundo que enlouquecia Webber?

O mesmo Webber que, ao construir uma vantagem de 22s fazendo durar por 43 voltas os pneus macios para fazer seu pitstop e ainda voltar na frente na Hungria, e vencer com ares de gênio em Mônaco, também deu show. Assim como Hamilton, passando por cima de um erro de estratégia da equipe, fazendo 13 ultrapassagens, por dentro, por fora, de qualquer jeito, para ser segundo na China. E, por que não, o que foi aquela pole quase milagrosa de Hulkenberg, lendo uma Interlagos nem seca, nem molhada, como um veterano?

O difusor, a asa e o jogo descarado
Claro que qualquer temporada que se preze tem suas polêmicas. No campo técnico, tentaram de tudo para desmascarar o domínio da Red Bull, que aparecia de uma hora para a outra nos momentos finais da classificação. Primeiro, acreditava-se que havia um sistema ilegal que regulava a altura de acordo com a quantidade de combustível a bordo. Ninguém provou. Depois, o segredo era a configuração do escapamento, cujos gases eram direcionados ao difusor. Todos copiaram, e não chegaram muito perto.

Por fim, a briga mal resolvida das asas dianteiras. Mesmo que a FIA fosse mais e mais rigorosa nos testes, não conseguia colocar o dedo na ferida. Elas continuaram flexionando, a Red Bul seguiu voando nas curvas de alta, e ninguém sabe como.

Mas nada se comparou ao estardalhaço provocado pelas ordens de equipe da Ferrari. Enquanto tudo acontecia por baixo do pano, sem conversas mais que comprometedoras pelo rádio ou pilotos praticamente estacionando pela pista, a Fórmula 1 convivia bem com uma regra à qual ninguém dava muita atenção. Depois de tanto desgaste, quem sabe não encontrem um meio termo entre os interesses de uns e o faz-de-conta de outros.

Aos números

Sebastian Vettel é o campeão mais jovem da história da F-1, reforçando uma tendência de queda na idade dos que chegam ao título. Ele é o terceiro desde 2005 a bater uma marca que durou 33 anos nas mãos de Emerson Fittipaldi – Alonso venceu com 25 anos; Hamilton estava perto de completar 24 e, hoje, o alemão tem 23.

Mas a conquista é marcada por estatísticas ainda mais interessantes, que mostram o atual equilíbrio da categoria: Vettel jamais havia chegado à liderança do campeonato antes da última etapa da última prova, sendo apenas o terceiro na história a vencer chegando na corrida final em terceiro na tabela, numa temporada que terminou, mesmo com a pontuação mais farta, com apenas 16 pontos de diferença entre o 1º e o 4º colocados.

Continuando a “maldição” do líder do campeonato, desde o GP da Turquia de 2009 o melhor colocado na tabela não vence a prova. E, pelo terceiro ano seguido, o atual campeão do mundo só venceu duas vezes na temporada em que defendia o título e não chegou à última etapa podendo chegar ao bi: foi assim com Raikkonen em 2008, Hamilton em 2009 e Button em 2010.

Por fim, talvez não na quantidade que gostaríamos – e a má impressão de Abu Dhabi ainda é muito forte –, mas, sim, as ultrapassagens voltaram. Em 2010 tivemos a melhor média – 28,8 por prova – desde 1991. Foram 547 no total, contra 244 de 2009. Ainda não é comparável às médias do início dos anos 1980, acima de 40 por GP, mas um alento para quem já viu temporadas com apenas perto de 10 ultrapassagens por etapa há muito pouco tempo, em 2005, e convivia, nos últimos anos, com pouco mais de 14 manobras a cada final de semana.

(*Julianne Cerasoli compartilha suas idéias sobre Fórmula 1 no seu blog Faster F1, com análises inteligentes e ponderadas, sustentadas por números e por uma visão bem realista de como funciona a categoria. Leitura obrigatória para os que querem ir além da notícia)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

ESPECIAL 2010 - OS DEZ MELHORES

Diversos pilotos, alguns em momentos específicos. O melhor de 2010 da minha lista teve acima de tudo uma admiração pelo trabalho individual. Mas o topo da lista ficou reservado à uma festa e uma equipe. Porque um evento tão complexo como a Fórmula 1 é feito de um trabalho em conjunto. Especialmente quando ele mantém o esporte em primeiro plano. Confira abaixo a lista e discorde à vontade nos comentários:

10 - KAMUI KOBAYASHI
As arquibancadas do circuito de Suzuka tremiam a cada manobra. O epicentro do terremoto era o carro branco de número 23 de Kamui Kobayashi. O japonês aproveitou-se de uma estratégia distinta da maioria do grid, fazendo um stint longo com os pneus duros antes de calçar os moles e partir para uma série de ultrapassagens decididas - como já havia feito em Valência quando deixou para trás até mesmo o herói local Fernando Alonso. Embora a segunda parte do trabalho seja a mais espetacular, o fato é que seu ritmo de corrida nestas duas provas com os duros foi o que mais impressionou os técnicos da categoria. Ultrapassar, como ele constatou na entrevista que fizemos em Interlagos, “é o normal”. Em 2011, mesmo sem trazer dinheiro, Kobayashi faz mais uma temporada na Sauber. E terá a chance de continuar impressionando equipes maiores para ambicionar um cockpit de ponta no futuro. Fãs espalhados no mundo inteiro torcerão por isso.

9 - JENSON BUTTON
Ele surpreendeu o stablishment quando decidiu sair da campeã Brawn e levar o número 1 para a McLaren. Era um passeio “na cova do leão”, como Jackie Stewart descreveu a equipe que é berço e lar do excepcional talento de Lewis Hamilton. Mas Jenson Button não deu bola para o que diziam e provou toda sua qualidade com duas vitórias em condições difíceis no início do ano, o suficiente para colocá-lo na liderança do mundial. Depois, foi um dos que sucumbiram com os pneus em treinos classificatórios e arruinou suas possibilidades. Mesmo assim, uma incrível regularidade nas corridas o manteve vivo na briga por muito tempo. Não fosse abalroado por Vettel em Spa, teria chegado à decisão com chances.

8 - KUBICA EM CINGAPURA
“Quem é o próximo, quem é o próximo?” Os engenheiros da Renault não esconderam um riso de admiração quando Robert Kubica entrou no rádio. Numa das pistas mais apertadas do ano, o polonês não desperdiçou o uso dos pneus macios na parte final da corrida (por conta de um furo no pneu, acabou na mesma configuração de Kobayashi em Valência e Suzuka) e foi dobrando quem estivesse pela frente. Um piloto em ponto de ebulição, deixando claro aos rivais que não estava para brincadeiras só pela maneira de atacar. Foi o ponto alto de um grande ano para um piloto que tem tudo para voar alto quando estiver em uma equipe de ponta. É mera questão de tempo para que isso aconteça.

7 - MARK WEBBER

Depois da temporada de 2009, ninguém esperava de Mark Webber nada além do que um papel secundário na Red Bull, ajudando a equipe a somar pontos e angariando vitórias quando Sebastian Vettel tivesse algum problema. Mas o australiano fez a temporada da sua vida e, durante muito tempo, apareceu como o mais forte candidato ao título. Em especial suas performances nos técnicos circuitos de Barcelona e Mônaco foram verdadeiras aulas de ritmo de corrida. O piloto também soube ser matreiro ao capitalizar a seu favor as confusões do comando da equipe na Turquia e na Inglaterra para colocar pressão sobre o companheiro de equipe. Pena que sucumbiu diante da resposta deste no momento decisivo do campeonato, deixando o título escapar com um erro bobo na Coreia e uma classificação ruim na prova decisiva.

6 - POLE DE HÜLKENBERG
Numa temporada completamente dominada por três equipes, foi quase um milagre ver o carro azul e branco da Williams ocupando o primeiro lugar de um grid. Tudo bem que houve a interferência de São Pedro e o imprevisível clima paulistano. Mas Nico Hülkenberg fez um trabalho perfeito quando as condições favoráveis apareceram: pista úmida, asfalto frio, um carro e um estilo pilotagem agressivo com os pneus. Mesmo com o futuro ameaçado, encaixou três voltas perfeitas em sequência e colocou mais de um segundo de vantagem sobre a excelente combinação RB6-Vettel-Chuva. Não salvou seu emprego, mas encerra o ano com boas perspectivas depois de mostrar à equipe que é dono de um talento que o dinheiro não compra.

5 - HAMILTON E O DUTO DE AR
O espírito combativo de Lewis Hamilton ganhou uma arma letal com uma das mais inteligentes criações na história da Fórmula 1. Um canal de vento dentro do monocoque que permitia a asa traseira “estolar” nas retas, fazendo um efeito parecido ao de uma asa móvel, mas sem ferir o regulamento. Especialmente no início do ano, a velocidade maior no final das retas permitiu ao inglês realizar um show de ultrapassagens. Mas mesmo no final do ano, quando os rivais já haviam desenvolvido suas versões da novidade, Hamilton continuou a demonstrar seu instinto e pressionar ao máximo quem tivesse à sua frente, como aconteceu com Robert Kubica em Abu Dhabi. As chances de título sucumbiram diante de erros pontuais seus e, principalmente, pela falta de desenvolvimento do carro da McLaren na reta final. Mas o inglês termina 2010 como o grande artista do ano. Os fãs do esporte agradecem.

4 - ALONSO EM CINGAPURA

O caráter fora-de-série de Fernando Alonso ficou claro em uma série de ocasiões ao longo do ano. Não foram poucas as provas em que ele conseguiu resultados além do que seu carro permitia, simplesmente empregando ao máximo sua qualidade. Em que pese os erros cometidos na primeira parte do campeonato (largada queimada na China, acidente no treino livre em Mônaco que o deixou fora da classificação), esta capacidade cativou de vez a equipe Ferrari. E teve seu ápice em Cingapura. Numa pista travada e ondulada, na medida para toda a eficiência do RB6, o espanhol conquistou no braço a pole position num circuito em que realmente excede. Na corrida mais longa e fisicamente desgastante do ano, não se incomodou um instante com a sombra azul do carro de Sebastian Vettel e conquistou a mais bela de suas vitórias em 2010. Um momento de puro brilho para se contrapor com as polêmicas que volta e meia se envolve.

3 - SEBASTIAN VETTEL
O mundo caiu de pau em cima de Sebastian Vettel ao final daquele domingo chuvoso em Spa-Francorchamps. Sua mal-sucedida ultrapassagem sobre Jenson Button despertou as lembranças do acidente com o companheiro de equipe Mark Webber na Turquia. O “drive-through” e o apelido de “crash kid” que recebeu em consequência disso foram os outros pregos de sua cruz. Moleque, estabanado, imaturo: as etiquetas estavam coladas por todo o corpo. Não devem ter sido dias fáceis, mas o alemão foi buscar uma confiança inabalável dentro de si. A partir de então, marchou impávido sobre o companheiro Mark Webber em todas as provas. E rumo ao título, apenas uma imprevista quebra de motor nas voltas finais da Coreia o impediu de vencer as quatro últimas corridas do ano. Coroado campeão, preferiu sorrir ao invés de esfregar o sucesso nos que o atacaram. Moleques são os outros.

2 - FESTA DOS 60 ANOS
Foi uma chuva de estrelas naquele domingo ensolarado no meio do deserto. John Surtees, Jackie Stewart, Emerson Fittipaldi, Mario Andretti, Jody Scheckter, Keke Rosberg, Damon Hill, todos conduzindo os carros nos quais ganharam títulos mundiais. Mika Hakkinen e Nigel Mansell em modelos campeões dos anos 50. Na platéia? Niki Lauda, Alain Prost, Alan Jones e até mesmo Jack Brabham. Ao final das voltas de exibição (mas que não nos enganemos, a turma ia afundando o pé um pouco mais a cada passagem), todos se encontraram e se confraternizaram numa comunhão de grandes pilotos com grandes máquinas. O sorriso infantil nos rostos cheios de rugas foi a maior prova de que o amor pela velocidade é maior que o tempo. Uma festa à altura da própria Fórmula 1.

1 - RED BULL
De um lado, um panteão de história e com rígida hierarquia chamado Ferrari. Do outro, uma equipe de enorme excelência técnica e com dois campeões mundiais que são o sonho de qualquer patrocinador chamada McLaren. No meio, uma equipe com um orçamento menor e toda enrolada na hora de administrar os anseios individuais de seus pilotos. Mas justamente por isso mais palpável, humana. De sobre-humano na Red Bull, só mesmo o bólido desenhado pelo gênio da prancheta Adrian Newey, praticamente imbatível nas classificações, embora de resistência por vezes imprevisível nas corridas - mesmo assim, o pilar sólido de todo o sucesso alcançado. Mesmo tropeçando diversas vezes no próprio cadarço, a Red Bull resolveu respeitar o bom trabalho de sua dupla de pilotos e não se intrometeu neste duelo interno na reta final, contrariando o senso comum de muitos especialistas e fãs. E foi por ter dois cavalos no páreo decisivo que conseguiu o segundo (e mais suado) título da temporada em Abu Dhabi, deixando os adversários sem saber para qual carro olhar. O ano de 2010 foi o ano do triunfo de uma equipe jovem, que consegue ser eficiente mesmo batendo cabeças. Uma que tem os ingredientes na mão para se firmar como uma das grandes do esporte ao longo dos próximos anos. Se não tiver sido fogo de palha, um dia saberemos que o futuro da F-1 começou aqui.


(Fotos Luis Fernando Ramos)

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

THE FAB FIVE

O novo circuito da Coreia serviu de palco nesta quinta-feira para a tradicional foto reunindo os candidatos ao título. Desta vez eram cinco os pilotos sentados na mureta do pitlane. As incertezas envolvendo uma pista que ainda recebe os últimos retoques e que ninguém conhece deixam todos com uma tensão a mais. Depois da coletiva de imprensa oficial de hoje, cada um buscou mostrar otimismo. Começando pelo líder do Mundial, o autraliano Mark Webber.

“Ninguém tem mais informações que a gente, estamos bem preparados. Somos um grupo de pessoas muito fortes em entender uma nova pista e explorar o máximo dela. Estamos prontos para a briga”, garantiu.

Mas a performance da Red Bull nesta pista é uma incógnita. O primeiro setor da volta na Coreia é composto por três longas retas. Uma combinação que parece ser o calcanhar de Aquiles do RB6 - ou pelo menos uma vantagem a favor de Ferrari e McLaren. Sebastian Vettel buscou minimizar o fato bem a seu estilo brincalhão. “Não é nossa pior pista na temporada, acho que Monza era pior para nós. Estaremos bem nas curvas e nas retas, bem, você pode colocar um macaco ao volante que o resultado será o mesmo”.

A disputa já começa com os treinos livres, a primeira sessão a partir das onze da noite desta quinta-feira em Brasília, dez da manhã de sexta no horário local. Cada piloto traçou sua estratégia para o primeiro dia da batalha. Fernando Alonso vai começar o trabalho com calma. “As condições de aderência no asfalto devem mudar muito de sexta para sábado, por isso esse primeiro dia vai ser mais para conhecer a pista”.

Já Lewis Hamilton da McLaren tem opinião oposta. “A chave é maximizar os treinos livres e mexer no carro o mais rápido possível. Todos tentarão aprender a pista rapidamente para conseguir um bom acerto logo de cara”, apostou.

O certo mesmo é que o final de semana promete muito drama e deve se encerrar com uma corrida que promete emoção. É o que identifica o último dos postulantes ao título, o inglês Jenson Button da McLaren. “É uma pista que vai permitir um bom show com muitas ultrapassagens”, apostou.

Neste momento, em quem você aposta para o título? Por qual motivo?

(Foto Luis Fernando Ramos)

terça-feira, 14 de setembro de 2010

CREDENCIAL – GP DA ITÁLIA

O “Credencial” do fim da temporada européia traz um amplo apanhado da etapa de Monza, trazendo na primeira parte um belo retrato da performance de pilotos e equipes que estão na briga pelo título mais disputado em muitos anos: tanto do que fizeram neste final de semana como do que esperar deles nas etapas que restam. Na segunda parte, a gente abre ainda mais o foco e aborda também uma série de outros assuntos relevantes também nas perguntas de vocês. Aperte o play (ou baixe pelo link) e boa audição!

PARTE 1


PARTE 2


(Foto xpb.cc)

sexta-feira, 23 de julho de 2010

BALANÇO DE MEIA TEMPORADA IV

McLAREN
É injusto afirmar que a McLaren está na ponta do Mundial apenas pelos dramas da Red Bull. Afinal, a idéia do duto de ar veio de Woking e, antes que os outros times a copiassem, seus pilotos construíram resultados importantes. Além do mais, o MP4-25 tem uma boa capacidade de desenvolvimento. E o time não tem errado nas suas escolhas. Não tem o melhor carro, mas é a melhor equipe da primeira metade do ano. Com sobras.


Lewis Hamilton
demorou só um pouquinho para pegar a mão desta nova Fórmula 1, na qual cuidar do desgaste dos pneus e do consumo de combustível é importante. E está mostrando uma maturidade surpreendente ao saber exatamente a hora de atacar e a hora de correr apenas pelo resultado possível. Os pilotos já entenderam que a chave do título é colecionar pódios. E o inglês está fazendo isto melhor que o resto do grid.

Jenson Button
calou todos os céticos em pouco tempo na McLaren. Trabalhou duro para uma adaptação rápida ao time e colheu os frutos disso com duas lindas vitórias em condições confusos, uma área em que costuma brilhar. Chega ao meio do ano em ótima posição para defender seu título. Mas precisa melhorar seu desempenho em classificações com urgência para se manter vivo na briga até o final.

RED BULL

A Fórmula 1 traz alguns exemplos em 60 anos de história de equipes que perdem um título para elas mesmas. É o filme que pode estar sendo exibido neste ano. Adrian Newey conseguiu com o RB6 um carro superior em qualquer tipo de pista. Mas o time já jogou fora um caminhão de pontos por falhas mecânicas e pela má administração dos seus pilotos. Ficou uma situação em que só o título salva.


Sebastian Vettel
continua um piloto velocíssimo, colecionando poles e vencendo eventualmente com autoridade. Mas já passou da hora de mostrar que é capaz de triunfar em situações adversas, conseguindo aquele algo a mais numa corrida com problemas. Não tem culpa nos rachas internos da equipe, mas parece que é o mais afetado por elas.

Mark Webber
está fazendo a temporada de sua vida, andando o tempo todo no mesmo nível do companheiro Vettel – algo que só acontecia de vez em quando no ano passado. E age também com astúcia fora da pista para desestabilizar o alemão. Sabe que pode ser sua última chance de título e a está agarrando com uma determinação que pode fazer a diferença no final. Olho nele!

FERRARI

Ainda não é aquela Ferrari bagunçada dos anos de fila, mas está longe de ser o sinônimo de eficiência dos anos de Jean Todt. Não vejo nada de grave na parte técnica: o carro é mais confiável do grid e não é nenhum drama estar correndo atrás da performance excepcional do modelo da Red Bull. Mas as decisões de comando são mais erradas do que certas (classificação na Malásia, episódio Alonso em Silverstone).


Fernando Alonso
parece uma criança frustrada. Seu sonho de chegar na Ferrari com um título começou com tudo na vitória do Bahrein. Mas o espanhol começou a errar muito depois que a superioridade do conjunto da Red Bull ficou claro. Isso atrapalhou muito suas chances no campeonato. Está pilotando muito bem, mas está sendo mais prejudicado por si mesmo do que pela própria competitividade do carro ou eventuais erros do comando da equipe.

Felipe Massa
não está fazendo uma boa temporada e é o primeiro a reconhecer isto. O problema de falta aderência dos pneus na classificação não é desculpa, mas um fato que está atingindo em graus diferentes muitos pilotos do grid. Quando ele não ocorre, o brasileiro até consegue resultados condizentes com o potencial do carro. Mas precisa urgente de uma grande performance, de preferência uma vitória, para salvar um ano que, até aqui, está sendo para se esquecer.

domingo, 6 de junho de 2010

A RAIVA DE HAMILTON

O punho não se levantou em júbilo pelo primeiro triunfo no ano. As felicitações do engenheiro pelo rádio foram recebidas com frieza. Ao descer do carro, nenhuma vibração com os mecânicos que se amontoavam na grade, apenas um abraço gelado no companheiro de equipe.

Era
óbvio que Lewis Hamilton estava de mal com o mundo ao final do GP da Turquia. Já na última edição do “Credencial” eu apostava que ele via no ataque de Jenson Button na 48ª volta a quebra de um acordo. Não que não concordasse com a disputa com um companheiro de equipe em si. Era mais um caso de ter recebido garantias que ela não aconteceria. O vídeo oficial no site da Fórmula 1 mostra que foi justamente este o caso. A tradução do diálogo via rádio é aproximada:

Engenheiro
: Lewis, we need you to save fuel; both cars doing the same (“Lewis, precisamos que você economize combustível, os dois carros estão na mesma situação”)

Lewis Hamilton: Jenson is closing in on
me guys (“Jenson está chegando perto, gente”)

E: Understood, Lewis (“
Entendido, Lewis”)

LH: If I back
off, is Jenson gonna past me or not? (“Se eu diminuir o ritmo, Jenson vai me passar ou não?”)

E: No, Lewis... No (“
Nem a pau, Juvenal”)

O
vídeo só não explica se Button tinha uma orientação explícita de não atacar o companheiro – como Hamilton teve a de que não seria atacado. Button sabia que tinha de economizar combustível, mas talvez não tenha interpretado isso (ou não quis interpretar) como um sinal para se satisfazer com o segundo lugar. O fato é que, apesar da bonita disputa na pista que não resultou em acidente, a McLaren saiu de Istambul tão dividida quanto a Red Bull.

(Foto McLaren)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

SONS E IMAGENS DA SEXTA

No ano passado, o GP da Turquia foi o primeiro que tirei um tempo para ir à beira da pista e fotografar durante os treinos livres. Hoje, deu gosto constatar que deu para aprender e evoluir bastante desde então. E levei até o gravador. Aperte o play para ouvir o ambiente na freada da curva 12 enquanto você curte as imagens abaixo :

Hamilton entre cores e linhas

O touro do carro de Buemi chegando com velocidade dobrada

Zebra já virou pista faz tempo, demonstra Glock

Liuzzi na freada

Fiquei esperando o Petrov um tempão nessa posição, mas ele não apareceu. Mas a imagem com o Kubica também ficou legal

Massa e a pintura especial da Ferrari

Organização é tudo

Casa Maluca: cadê o fotógrafo?

Todo o brilho de Jenson Button

(Fotos Luis Fernando Ramos)

sexta-feira, 30 de abril de 2010

MINIATURAS – HONDA RA106

Acho que nem John Button, nos seus delírios mais etílicos, apostaria no início do ano que Jenson estaria liderando o Mundial depois de quatro corridas. Mas o inglês está mesmo no topo da tabela, graças a duas vitórias em que soube ler as difíceis condições de pista como ninguém. Triunfos que muito lembraram sua primeira vitória na Fórmula 1, em 2006, no único GP da Hungria chuvoso da história. Eu estava lá e o momento que mais marcou foi o abraço apertado de pai e filho no motorhome da Honda. Gente fina, os Button.

A miniatura acima é uma edição especial da Minichamps, na escala 1:43, e foi enviada pelo César Pedrini.

domingo, 18 de abril de 2010

SOBRE DEUSES E DIABOS


Foi uma corrida em que a dupla da McLaren conseguiu confirmar um favoritismo que se desenhava ao longo do final de semana, mas que sumiu depois de um treino classificatório emocionante. Sem problemas. Jenson Button e Lewis Hamilton fizeram uma dobradinha em condições diabólicas, com o asfalto variando entre seco, úmido e molhado. Um resultado que colocou o atual campeão do mundo na liderança do Mundial de Pilotos e a equipe em primeiro lugar no de Construtores.

Mas o desempenho na prova e a reação de ambos depois dela ilustrou claramente como diferem as personalidades dos pilotos da McLaren. O vencedor Button correu de forma discreta e eficiente. Ele creditou seu sucesso na prova e no Mundial ao trabalho metódico que desenvolve junto com a equipe. E não quis entrar na onda do repórter da teve alemã que perguntou se ele seria um novo “Deus da chuva” depois de sua segunda vitória no ano.

- Eu não diria isso. Só tomamos as decisões certas, como havíamos feito em Melbourne. Há muitas coisas que é preciso acertar para vencer uma corrida. E acho que acertamos tudo aqui: lemos as condições direito, cuidamos dos pneus na hora certa e tivemos um bom ritmo.

Já Lewis Hamilton possui um estilo muito mais radiante, cheio de ultrapassagens e belas manobras. Depois de um erro de julgamento na escolha de pneus no início da prova (feito também por outros sete pilotos, é bom que se diga), ele teve de partir para uma prova de recuperação depois de fazer duas paradas nas seis primeiras voltas. Mesmo com um carro com uma velocidade final de reta muito superior ao resto, por conta do duto de ar que a McLaren introduziu no início do ano, o calibre de suas manobras foi de empolgar. Grandiosas, como sua falta de modéstia.

- Eu adoro correr, adoro o desafio de encontrar os lugares certos para tentar ultrapassar os adversários à minha frente. Tenho agora um carro que me permite fazer isso, então me sinto abençoado. Deus colocou sua mão sobre mim.

Enquanto a McLaren celebra – cada piloto à sua maneira – um sucesso transcendental, os concorrentes precisam lidar com problemas mais mundanos. Como a Ferrari, que experimentou pela primeira vez o fato do compromisso de Fernando Alonso com o sucesso estar, para ele, acima dos interesses da equipe. A manobra sobre Felipe Massa foi bonita em sua execução e absolutamente dentro das regras. Mas seu alto risco poderia ter causado uma batida e um abandono dos dois carros do time. Ou poderia ter outra implicação desastrosa: os mecânicos estavam prontos com os pneus alocados para o carro de Felipe Massa e tiveram de reparar a ordem da troca na correria. Deu certo, mas se o time não atentasse a esse detalhe, os dois carros seriam desclassificados.

Mas não é o caso de demonizar o espanhol. Conversando com outros pilotos depois da corrida, fica claro que todo mundo teria feito o mesmo. Na cabeça deles, a disputa vale em todos os lugares da pista, inclusive ali. E o espanhol, demonstrando tranqüilidade, classificou sua manobra aos jornalistas brasileiros como uma grande frenagem. “Não foi agressivo, foi matemático”.

A polêmica também não elimina a constatação que Massa sofreu mais uma vez para trazer os pneus à temperatura ideal. Não foi o único, os carros da Red Bull também sofreram com isso. Mas Alonso não, e isso é relevante. A Ferrari trabalha em novidades importantes para o carro e Massa torce para que elas consigam reverter de alguma forma o que começa a parecer uma tendência.

Outro destaque importante do final de semana é o da equipe Mercedes. Enquanto Nico Rosberg demonstra uma impressionante regularidade que o coloca na vice-liderança do Mundial, Michael Schumacher amargou um desempenho realmente ruim em condições que, no passado, excedia. Eu sou um dos que imaginavam que o início de campeonato seria mesmo difícil para ele. Mas o problema é que, do Bahrein a Xangai, a tendência aponta para baixo e não para cima. Isto é que mais chama a atenção.

Como também chama atenção a questão do caos aéreo europeu. O cenário aparentemente vai se normalizando, mas ainda há dúvidas quanto ao envio do frete com todo o material das equipes. E o transporte dos funcionários também gera incertezas. Nada muito diferente do mesmo problema que afeta milhões de pessoas e empresas mundo afora. Mas que pode ter reflexos no campeonato. Se o pessoal demorar a chegar em suas respectivas casas e normalizar o cotidiano nos escritórios, as novidades nos carros esperadas para Barcelona podem atrasar até o GP da Turquia. Para a Mercedes, que vem com um carro completamente revisado, seria um desastre.

Eu, que fecho esta nota já na alta madrugada chinesa, inicio amanhã uma viagem ao desconhecido. O vôo de Xangai para Moscou está aparentemente em ordem, mas a extensão até Viena foi cancelada. Assim, coloquem nos comentários as perguntas e opiniões para um “Credencial” que vai ao ar assim que sossegarem os deuses nórdicos que assopram o vulcão islandês impronunciável.

terça-feira, 13 de abril de 2010

O PACIENTE INGLÊS

Jenson Button chega ao Grande Prêmio da China numa posição muito melhor do que todo mundo imaginava. O imaginário coletivo antecia um verdadeiro massacre do atual campeão do mundo na equipe McLaren, onde Lewis Hamilton conseguiu reinar até mesmo sobre um leonino dos brabos como Fernando Alonso. Mas, passadas três corridas, Button tem uma vitória, superou seu companheiro em duas classificações e tem quatro pontos de vantagem na tabela.

Surpreendente, não? Por mais que o triunfo em Melbourne tenha sido anômalo – mais por tomar a decisão na hora certa do que por pura performance –, Button já se sente em casa na McLaren. E ela reconhece nele um nome capaz de levá-la ao título. Acreditar nesse voto de confiança foi a leitura mais inteligente que o piloto fez. Não foi por acaso que Button freqüentou a fábrica de Woking o tanto quanto pôde no inverno. A aceitação mútua acelerou o processo de transição para uma nova equipe e os resultados foram colhidos de bom grado por ambas as partes.

Parece que é só o começo. O estilo de pilotagem suave de Jenson Button é em parte o responsável por este bom início de temporada, já que ele consegue dosar melhor o uso dos pneus que o selvagem showman Hamilton. Em pistas em que o desgaste da borracha é grande, Button tende a se sobressair. Xangai é uma delas, todos se lembram dos pneus no osso de Hamilton em 2007. Vai ser interessante olhar de perto o duelo dos dois neste final de semana. Um duelo no qual Button tem uma ligeira e surpreendente vantagem. Mineiramente conquistada.

(Foto Luis Fernando Ramos)

domingo, 28 de março de 2010

CHUVA DE ESTRELAS

Foram duas chuvas. A primeira, de críticas: depois do GP do Bahrein, a Fórmula 1 se viu inundada por uma precipitada discussão sobre a qualidade das corridas, na qual sobraram acusações até para uma suposta falta de arrojo dos pilotos. A segunda, uma pancada de água mesmo, pouco antes da largada do GP da Austrália e coroando as dificuldades de um final de semana ameno na cidade de Melbourne. O asfalto ensaboado apresentava o desafio. Era a hora de ver quem era homem de verdade.

O
que os críticos se esqueceram é que a Fórmula 1 reúne atualmente uma das melhores gerações de pilotos da sua história. Que tiveram atuações de verdadeiros super-heróis. Existem corridas em que apontar o principal destaque é tarefa fácil. Mas a prova de ontem trouxe seis nomes que justificariam qualquer escolha.

Do lado da antecipação, dois nomes saltaram aos olhos. O vencedor Jenson Button deu um bote decisivo para a vitória ao ser o primeiro piloto a parar para colocar pneus para pista seca, logo na sexta volta. Isso, aliado a um estilo de pilotagem suave que desgastou pouco a borracha, permitiu que o atual campeão do mundo imprimisse um ótimo ritmo rumo à vitória.

Quem
também merece destaque é Sebastian Vettel, que viveu o drama de um problema no carro roubar-lhe um triunfo que parecia certo. Desta vez foi a porca que fixava a roda dianteira esquerda que se soltou. Piloto e equipe hesitaram um pouco na decisão de ir aos boxes para conferir o motivo das vibrações que surgiram e as conseqüências disso foram catastróficas.

Robert Kubica e Felipe Massa impressionaram pela persistência. Ambos largaram muito bem. O polonês resistiu a vários ataques para terminar em segundo, enquanto que o brasileiro não se abalou por eventuais erros e manteve o pé cravado para conseguir mais um pódio - e o melhor início de temporada de sua carreira. Colocações difíceis de imaginar depois de um desempenho relativamente discreto dos dois depois do treino classificatório.

E os
dois voadores do dia foram Fernando Alonso e Lewis Hamilton. O espanhol foi tocado na primeira curva, maior das ironias, pelo vencedor Jenson Button. Caiu para último e se recuperou rapidamente até a quarta colocação, que manteve no final mesmo com os pneus no osso. Lewis Hamilton foi o piloto que mais ultrapassagens fez na pista, mas foi vítima de um erro estratégico do time e de uma manobra estabanada de Mark Webber. Um pódio teria sido muito mais justo.

A
prova ofereceu ainda muito mais, como o impressionante acidente da primeira volta, Rubens Barrichello voltando a pontuar, um carro da Hispania terminando uma prova, uma Virgin ainda sofrendo com o equipamento, uma transmissão de fôlego da nossa equipe da rádio e também a história um antigo super-herói, de nome Michael Schumacher, que sofreu durante 37 voltas com uma kryptonita chamada Jaime Alguersuari. O que houve com o heptacampeão?

Com
uma prova de tirar o fôlego, a Fórmula 1 provou que, na pista e nas condições certas, o espetáculo pode ainda ser inesquecível. Já na expectativa da Malásia e de suas monções, coloque seus comentários e perguntas para a próxima edição do “Credencial”. Mãos à obra!

(Foto Ferrari)