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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

TREZE, DOZE OU ONZE?

O xadrez político da Fórmula 1 foi bem movimentado nesta terça-feira, um sinal claro de que o relógio dos jogadores vai chegando a um momento decisivo. É hora de um dos lados dar o cheque-mate, ou um acordo selar um empate.

Fazendo uma leitura de tudo o que aconteceu hoje, tudo indica que teremos doze ou mesmo apenas onze equipes disputando o GP do Bahrein – e o resto da temporada. Dos times incertos, a Campos é a mais próxima de confirmar sua presença, mas corre contra o tempo para aprontar dois carros, juntar uma equipe de engenheiros e mecânicos e mesmo um segundo piloto para correr ao lado do praticamente certo – mas ainda não confirmado – Bruno Senna.

Só que
a informação que me chegou hoje não foi boa para esta pretensão. Colin Kolles se encontrou com um representante de Chad Hurley, o dono do You Tube, numa ponte construída por Bernie Ecclestone. Mas as duas partes não chegaram a um acordo. Ao que parece, o conselheiro do bilionário norte-americano vai sugerir que ele invista seu dinheiro em outro lugar que não essa complicada F-1.

Por
outro lado, e do outro lado do Atlântico, o mesmo Hurley aparece como possível salvador da USF1 nessa entrevista de uma fonte anônima publicada na Autosport. O “garganta profunda” acusa Ken Anderson como o responsável pela tímida evolução do projeto, mas aposta no apoio do dono do You Tube e acredita que uma injeção de dinheiro resolveria os problemas. A mesma fonte ainda admite que o trabalho está muito atrasado e que ninguém na fábrica de Charlotte acredita que o time estará pronto para correr no Bahrein.

A
FIA confirmou que conversa com Ken Anderson, mas não revelou o teor da negociação em curso. É que a polêmica carta aberta da Ferrari publicada hoje ganha relevância. O pacto da Concórdia não permite que uma equipe falte a uma corrida. Caso a FIA queira mudar isso para ajudar a USF1 e, eventualmente, a Campos, precisaria da aprovação de todas as outras. Incluindo a Ferrari e os times que estão com ela nessa briga (que permanecem anônimos, mas incluem McLaren, Mercedes, Red Bull e Toro Rosso).

Outra
variante seria a da Stefan GP entrar no lugar da USF1. Aqui também seria necessária a aprovação dos outros timescomo foi no caso da Sauber. Alguém imagina Ferrari e outras acenando positivamente a estes cenários, depois de chamar um time de “vassalo”, um segundo de “escondido” e um outro de “abutre”?

O
ataque ferrarista foi um grito público de “xeque”. Acredito que os times de ponta podem até mudar de postura desde que algumas de suas reivindicações sejam atendidas. É um cabo-de-guerra, e no momento que está puxando mais forte são eles.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

BATENDO CABEÇAS

Faltam apenas três semanas para o início do Mundial 2010 e é incrível olharmos para trás e vermos a revolução ocorrida na Fórmula 1 desde que Sebastian Vettel estourou a champanhe como vencedor da etapa de encerramento do ano passado, em Abu Dhabi. A Bridgestone anunciou que vai deixar o barco, a Toyota virou passado, a Sauber ressucitou, o grid ficou um heptacampeão mundial mais rico e o futuro de alguns participantes do Mundial ainda é nebuloso.

Do que chamamos de “salvação” da equipe Campos, pouco sabemos. O mais relevante do comunicado oficial dos senhores José Ramón Carabante e Colin Kolles é o agradecimento público à ajuda de Bernie Ecclestone para “apoiar nossos esforços e manter nossa equipe viável”. Eu não chamaria de apoio a série de declarações públicas do chefão da Fórmula 1 apostando no fracasso da Campos. Dentro desse contexto, a frase do senhor Carabante parece mais o agradecimento de um condenado a seu executor por atender a pedidos de clemência.

Do outro lado, temos uma USF1 que também foi dada como morta, mas que deixou claro no twitter que não será enterrada viva sem um mínimo de luta. Para o “New York Times”, Ken Anderson afirmou que vai consultar a FIA sobre a possibilidade de entrar no Mundial só a partir do GP da Espanha e soltou a maior pista para o que está acontecendo nos bastidores. “Não faz sentido nos darem uma franquia e tirá-la no primeiro obstáculo que surgir na estrada. E com certeza não é essa mensagem que estamos tendo deles. Eles querem nos ajudar, e não que fechemos as portas”, afirmou.

Vejamos. Na minha opinião, a longa incerteza sobre o futuro destas duas equipes (e, por tabela, da Stefan GP) foi acentuada pela aparente falta de sintonia entre as duas forças do esporte: Bernie Ecclestone e Jean Todt. Há pouco tempo, o presidente da FIA afirmou em diferentes entrevistas – uma para um jornal italiano, outra para uma revista francesa – que todas as equipes poderiam ficar de fora de três corridas, usando o documento conhecido como “Pacto da Concórdia” como base. Era um claro voto de confiança para que as novatas em dificuldades ganhassem mais tempo. No dia seguinte, porém, a mesma FIA soltou um comunicado oficial afirmando que isto não seria possível. Interessante, como se alguém de Londres tivesse ligado para alguém de Paris e explicado que a interpretação do mesmo documento na língua inglesa tem outro significado...

Foi a estaca no peito dos americanos de Charlotte, já que todo mundo sabe que não se faz um carro de corrida só com um bico. Abria-se então a vaga que Ecclestone queria ver para a turma de Zoran Stefanovic. O próximo passo consistia em impedir que a Campos caísse nas mãos do controverso Tony Teixeira. As reuniões se intensificaram e chegaram ao resultado anunciado ontem.

Vamos pensar juntos: quem assumiu a equipe e salvou o negócio foi Carabante que era... o próprio dono do negócio! Curioso não? Se ele tinha o tempo todo essa bala para garantir a saúde financeira da equipe de que era sócio, porque então todo o drama? A verdade é que há algo ou alguém por trás aí.

Fala-se na Volkswagen, mas eu não vejo o menor sentido numa marca daquele tamanho querer investir na F-1 agora. E, caso quisesse, não fariam isso em cima de uma equipe inteiramente nova, cujo desempenho é uma incógnita completa. Não muito longe da sede da Volks, existe um senhor chamado Peter Sauber que está mais do que aberto a propostas para quem queira tocar seu projeto de vida com seriedade. O idioma é o mesmo, o preço é barato e a estrutura é muito melhor. Posso me enganar mas, por tudo isso, eu descartaria essa hipótese.

O que pode ter acontecido é Bernie Ecclestone ter “adiantado a mesada”, também conhecido como “antecipar o pagamento dos direitos de imagem” da equipe. E talvez até ajudado no contato com potenciais patrocinadores. Com a condição de que Teixeira e o homem que foi atrás dele, Adrián Campos, dessem o fora. É a única explicação na qual vejo algum sentido.

Eu também não me preocuparia em demasia com a ausência do nome de Bruno Senna do acordo anunciado ontem. Se a Campos foi “salva”, ele tem contrato com a equipe. Pode-se argumentar que a mudança na estrutura da sociedade tenha eventualmente mudado a validade do acordo piloto-equipe. E que Carabante prefira agora quem pague pela vaga para ajudar a manter o negócio. É possível, mas eu duvido que Bernie assuma o risco da F-1 ficar com a imagem danificada depois que a Campos foi salva, mas o piloto que tinha contrato com ela (e, de quebra, sobrinho de Ayrton Senna) não.

Resta ainda saber quem será a 13ª equipe do grid. A USF1, Anderson deu a dica, aposta todas as suas fichas na boa vontade de Jean Todt. Como presidente da FIA, seria importante para ele a sobrevivência do time, já que um eventual naufrágio significaria que o processo de seleção executado pela entidade foi muito mal feito (sabemos que foi, mas ainda não temos como sustentar isso).

Por um lado, ele está de mãos atadas, já que o Pacto da Concórdia impede que a equipe perca as corridas iniciais da temporada. Em contrapartida, quem daria permissão para a Stefan GP disputar o Mundial de 2010 é a FIA. Se Todt quiser, os sérvios podem ficar de braços cruzados e só estrear no ano seguinte: a abertura de uma das treze vagas existentes só aconteceria oficialmente com a ausência dos americanos no Bahrein.

O que nos resta é assistir de camarote o desenrolar da queda-de-braço desses dois poderosos do esporte a motor. Tenha minhas opiniões e não tenho torcida por ninguém. Mas a história mostra que o Ecclestone sempre costuma ganhar suas disputas com a entidade reguladora do esporte. Os aposentados Jean-Marie Balestre e Max Mosley que o digam.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

UMA PEÇA QUE NÃO SE ENCAIXA

Adrián Campos disse que espera por uma solução para sua equipe para a próxima semana, mas admitiu hoje numa entrevista com a BBC que às vezes não tem o dinheiro para pagar as parcelas que deve à Dallara, e que está tentando solucionar o problema. Há claramente um prazo que está vencendo e ele está correndo contra o tempo, mas o espanhol afirmou que, por contrato, a Dallara não pode vender o projeto do carro de Fórmula 1 para a Stefan GP.

O
que, necessariamente, não seria um problema, que a Stefan GP comprou a estrutura e o projeto do carro da Toyota. Mas é preciso calma para avaliar a estrutura dessa nova equipe. Quase todo o staff técnico que trabalhou com os japoneses no ano passado debandou para outras equipes, até mesmo pela demora do sérvio Zoran Stefanovic em efetuar a compra do espólio. É uma equipe com um carro, aparentemente com algum dinheiro, um diretor-técnico controverso (Mike Coughlan) e . Para alinhar no Bahrein, terão também de fazer um esforço e tanto para montar a infra-estrutura necessária. Se tiverem mesmo tanta bala na agulha, podem conseguir.

O que é difícil de entender até agora é o interesse declarado de Bernie Ecclestone em ver a equipe de Stefanovic na Fórmula 1. Pelo que ele declarou em Madonna di Campiglio (“A F-1 precisa de dez equipes fortes, e ”), seria bom se algumas das equipes novas desaparecessem, mas que ninguém mais aparecesse para ocupar os seus lugares.

Ele
pode também ter seus motivos para se preocupar com a possibilidade de Adrián Campos trazer para a Fórmula 1 uma figura controversa como Tony Teixeira, um homem de negócios que aparenta deixar um rastro de dívidas e insolvências por onde passa. Por outro lado, é um pouco estranho sua confiança cega num desconhecido lobbysta de armamentos da Sérvia, tendo em mente o que aconteceu no paísmenos de duas décadas.

O que está difícil de entender também é sua ânsia em ver naufragar um projeto que traria o sobrenome Senna de volta para a Fórmula 1. O fechamento de uma equipe às vésperas do Mundial inevitavelmente traria alguma luz negativa para a categoria, especialmente trazendo consigo uma perda desse calibre. Para colocar Ralf Schumacher no lugar? Não faz sentido.

Olhando
em retrospecto, tanto em declarações públicas como em notícias que eu recebia nos bastidores, Ecclestone sempre viu a equipe Campos com simpatia, especialmente porque o espanhol lhe procurava para se aconselhar antes da dar seus passos. Em algum momento, a sintonia terminou e o inglês começou a apontar os problemas da equipe. Lembro também que, na época do GP do Brasil, surgiu a notícia de que Bernie tentava costurar nos bastidores uma dupla Senna-Piquet, na Campos. Um mês depois, na coletiva em São Paulo, Adrián colocou um ponto final na história, dizendo que a equipe teria um piloto brasileiro, Bruno Senna. Será que isso tem alguma relação com a mudança de humor de Ecclestone?

Para terminar, há um outro complicador. As informações aqui na Europa dão conta que realmente foi aprovado um item no regulamento que permite às equipes a se ausentarem de três corridas no ano, sem qualquer tipo de punição. Ninguém conhece os detalhes do Pacto da Concórdia, mas será que Adrián Campos, dono de uma vaga que lhe foi outorgada pela FIA, não poderia estender sua busca por investidores até o GP da China, bloqueando assim a entrada da tal Stefan GP, pelo menos no início do ano?

São
muitos pontos mal esclarecidos no sempre nebuloso cenário político da Fórmula 1. Esperamos que ao final dessa história, qualquer que seja, os personagens envolvidos nela nos tragam as respostas.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

CAMPOS META: À VENDA?

Na coletiva da Campos Meta que aconteceu em São Paulo no início de dezembro, Adrián Campos afirmou que pretendia anunciar o companheiro de Bruno Senna “antes do Natal”. passamos do dia de Reis e nada. Até , tudo bem, no momento são muitos os cockpits do grid da Fórmula 1 que carregam apenas um ponto de interrogação.

Mas
recebo hoje a mesma notícia de fontes completamente distintas e sérias, uma no Brasil e outra na Europa: o time passa por sérias dificuldades para conseguir o orçamento necessário para disputar a temporada. Faz tempo que colegas espanhóis me apontam que “a Campos não tem dinheiro”. Na parte inicial de desenvolvimento do carro, o ex-piloto teria investido até mesmo parte de seu patrimônio pessoal para bancar a aventura. Mas faltava ainda encontrar mais apoio para garantir o ano todo.

Tudo
indica que a alternativa de encontrar um grande parceiro em uma empresa brasileira, incluindo a Petrobras, não deu certo. A busca continua, mas a idéia para salvar o time seria de vender parte dele – ou mesmo sua totalidadepara algum investidor. O nome que surge é o de Tony Teixeira (não confundir com o Fernandes da Lotus), dono da defunta A1GP – falta enterrar – e milionário quetempos flerta com a Fórmula 1.

Vale
lembrar que Bernie Ecclestone afirmou, numa entrevista ao “The Timespouco antes do Natal, não acreditar que USF1 e Campos estariam no grid da temporada. Na época, soou exagerado em relação ao time espanhol. Pelo jeito, não era.

A
propósito: o time americano continua uma gigantesca incógnita e a última informação que tive sobre a Sauber é que o time ainda não havia reservado passagens de avião para seus integrantes para o Bahrein. Isso foi antes do Natal e pode não significar muita coisa, mas nunca se sabe.

A
pouco mais de dois meses do início do Mundial, é impressionante como há tanta incerteza rondando muitos de seus participantes.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

HABLA, ADRIÁN

Adrián Campos Suñer se juntou a um clube exclusivíssimo. Ele é um dos poucos pilotos de Fórmula 1 que vieram a ter uma equipe com seu próprio nome. Como fizeram Jack Brabham, Bruce McLaren, Chris Amon, Graham Hill, John Surtees, Emerson e Wilson Fittipaldi, Arturo Merzario, Jackie Stewart, Alain Prost e, ufa, Aguri Suzuki.

Aos 49
anos, o espanhol baixinho e de voz rouca está no Brasil para negociar com potenciais patrocinadores da Campos Meta. E se mostrou um chefe de equipe diferente dos atuais: aberto e franco. “Perguntem-me o que quiser que eu respondo”, provoca. O que vai ser da Renault? “Acho que o (David) Richards vai comprar o time”. Alonso e Massa terão uma convivência pacífica na Ferrari? “Olha, os dois são muito inteligentes e vão trabalhar em primeira linha para ajudar o time. Mas se a competição entre eles apertar, fica difícil prever”.

Campos sabe o que fala. Afinal, foi ele quem descobriu um garotinho bochechudo e de sobrancelhas grossas. “Foi em um evento no Palau de Saint Jordi, em Barcelona. Era a ‘noite dos veteranos’, uma corrida de kart que eu corria com outros nomes do esporte a motor espanhol. Tinha um garoto, campeão de kart, que não competiria. Mas teria uma câmera presa no capacete para nos filmar. E ele passava todo mundo, deixava todo mundo passar e depois passava de volta. Era Fernando”.

O passado de piloto também foi tema das conversas. O espanhol arregalou os olhos quando soube da destruição do autódromo de Jacarepaguá, onde estreou na F-1, no GP do Brasil de 1987. “Que lástima! Era uma pista fantástica, umas das melhores que eu corri”, opinou. Sua participação na prova rendeu uma história divertida. “Acabei desclassificado. Eu largava em 11° (n.R: memória o traiu aqui, ele largou em 16°) e, faltando um minuto para a volta de apresentação, percebi que não tinha colocado os protetores de ouvido. Tirei o capacete, coloquei os protetores, fechei o capacete. No processo, deu a luz verde e dois carros me passaram. Eu os ultrapassei em seguida e larguei do meu lugar mesmo, mas me desclassificaram. Disseram que eu deveria ter deixado todos me passarem e largar em último. Argumentei que era menos perigoso eu recuperar a posição de dois do que deixar mais que dez me ultrapassarem. Me deram razão, tanto que a regra mudou na corrida seguinte”.

Todas as corridas que Adrián Campos disputou na Fórmula 1 (17, em 21 participações) foram pela equipe Minardi. Mas ele não quer traçar um paralelo entre ela e a Meta Campos. “Eu adoro o Giancarlo Minardi. Mas ele ficou anos e anos na categoria sem avançar. E eu espero crescer rapidamente a partir do terceiro ano. O Giancarlo sempre me disse que o problema dele era não falar inglês e não se dar bem com Bernie Ecclestone. Esses problemas eu não tenho”, sorri o espanhol, que o manda-chuva da F-1 como “uma espécie de pai”.

Para alcançar o sucesso, Campos aposta em Bruno Senna, um piloto que o impressionou na GP2. “Não é normal um piloto ser vice-campeão da categoria com apenas quatro anos de experiência, sem ter passado pela escola do kart. Ele tem um talento enorme e acho que atingirá todo seu potencial daqui a dois anos”, opinou.

O companheiro do brasileiro deve ser decididoantes do Natal” e ele cita Pastor Maldonado, Pedro de la Rosa e Vitaly Petrov como candidatos. O nome de Álvaro Parente também surgiu nessa semana na imprensa européia, mas não chegou a ser mencionado por Campos. Mas o mais interessante está na sua no motor Cosworth. O espanhol revelou que as equipes que vão utilizá-lo são contra a idéia do reajuste na potência dos motores pedido pela Renault. “Pelos testes, o Cosworth é mais potente que o Ferrari. Ainda precisa melhorar o torque. Mas, de potência, estamos bem”, adianta.