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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

POSTAIS DE VALÊNCIA - DIA 1

Foi um dia que começou antes mesmo de clarear e está encerrando agora muito depois que o sol - que afinal, apareceu - se foi. Foi um dia de encontrar velhos amigos, carros novos, de voltar a ouvir o barulhinho bom do motor de um Fórmula 1 e de conversar bastante para ver e entender os rumos que a categoria está tomando na temporada que está nascendo. Os tempos estão aqui. E tem bastante coisa apurada para irmos degustando aos poucos nos próximos dias. E vale terminar com alguns instantâneos, acompanhadas do ronco das máquinas. Aperte o play e clique nas imagens para ampliar!


O novo carro da Mercedes... quer dizer...

Agora sim!

Fazendo biquinho ou mandando beijinho?

Sam Michael se misturou aos jornalistas para bisbilhotar os carros dos outros

"Papai me empresta o carro" pedia Buemi enquanto Alguersuari se divertia na pista

Gary Paffett andou pela McLaren, com o carro de 2010

O RB7 de Sebastian Vettel começou o ano na frente

Fernando Alonso ficou satisfeito com o dia da Ferrari

Nico Rosberg ficou pelo caminho

Alguma equipe esqueceu de fazer a "faxina de final de ano" nos caminhões

(Fotos Luis Fernando Ramos)

APERTANDO BOTÕES

O resultado do primeiro dia de testes em Valência não serviu para tirar nenhuma conclusão quanto a competitividade dos carros. A discrepância entre os tempos registrados foi anormal e as equipes se concentraram apenas em acumular informações sobre o carro novo, algo comum num primeiro dia.

O que ficou claro é que os pilotos terão muito trabalho dentro do cockpit. Com a volta do KERS e a introdução da asa traseira móvel, são muitos os botões a serem operados durante a pilotagem. Para o alemão Sebastian Vettel, uma tendência perigosa.

- É como no trânsito normal, é sempre importante manter os olhos na estrada. Não é o ideal termos muitas coisas que nos ocupe no volante. Mas temos tempo para nos habituar com isso até o início da temporada - afirmou.

Rubens Barrichello também experimentou a asa traseira móvel e reconhece que será preciso atenção redobrada na hora da pilotagem.

- A primeira impressão é que eu estava pilotando o carro do Speed Racer. Você aperta o botão e parece um turbo de tanto que a velocidade aumenta. Isso vai se tornar natural, mas é um trabalho extra. Não dá para falar em perigo ainda, mas é algo com o qual precisamos tomar cuidado nas primeiras corridas.

Fernando Alonso concorda que será um ano de dificuldades maiores para os pilotos. Mas destaca o espírito competitivo deles e acredita que a habilidade do manejo dos botões pode ser decisiva.

- Não é muito fácil e você acaba perdendo concentração quanto a linha ideal e isso afeta a performance. Mas também é algo que pode dar vantagem aos pilotos que se adaptam melhor a isto. Então o desafio é se adaptar melhor a isso que os outros pilotos - afirmou o espanhol.

Dificuldades à parte, Michael Schumacher tem uma posição firme: o KERS e a asa móvel são novidades positivas para a Fórmula 1.

- É um passo na direção certa. As novas regras vão ajudar a termos mais ultrapassagens. Não significa que basta apertar o botão que você vai passar. Mas pelo menos as novidades ajudam a você ficar em posição de tentar uma ultrapassagem o que, com os carros atuais, era algo muito difícil - destacou o piloto da Mercedes.

(Foto Luis Fernando Ramos)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

OS ÍMPARES

A partir do final dessa semana vamos conhecer os carros desta temporada e, como sempre, eles serão decisivos para apontar as chances de cada piloto em 2011. Mas se for uma temporada equilibrada como a do ano passado, o fator psicológico será tão decisivo quanto. Então vale uma pequena análise da forma com que os nomes das principais equipes começam o ano. Hoje com os ímpares delas e, amanhã, com seus companheiros, os pares.

1 - SEBASTIAN VETTEL
Parece óbvio dizer que o atual campeão é o que começa o ano com mais força que o resto, mas no caso de Vettel sua forma aponta isto. Depois de cometer alguns erros desastrosos, com os quais até o seu cachorro devia olhá-lo com desconfiança, o alemão encontrou forças para ressurgir e, eventualmente, triunfar no último campeonato. A maneira com que superou Mark Webber nos últimos seis GPs da temporada é uma prova irrefutável disso. Seu desempenho perfeito nas quatro provas finais também. O título vai ajudá-lo a ganhar ainda mais autoconfiança. Carros fora, para mim é o favorito deste ano.

3 - LEWIS HAMILTON
Teve uma variação de forma interessante em 2010. Começou o ano errático e vendo o companheiro Jenson Button ganhar corridas, mas soube virar o jogo e em muitos momentos lembrou o melhor Hamilton que foi campeão em 2008. Mas cometeu um erro muito bobo em Monza e, depois, sucumbiu na escorregada da McLaren no desenvolvimento do carro. Seu espírito de luta incansável é sua melhor arma e a expectativa é que a experiência adquirida o faça dosar melhor isso para não passar da conta e se prejudicar.

5 - FERNANDO ALONSO

Apesar de italianos e espanhóis terem comprado a história de que foi a Ferrari quem perdeu o título pela derrapada estratégica em Abu Dhabi, a verdade é que o espanhol jogou fora pontos importantes com alguns erros, como os de China e Mônaco. Em seu primeiro ano de Ferrari, ele pareceu disposto a ganhar o título “na marra”, repetindo o comportamento da sua passagem pela McLaren em 2007. Mas terminou a temporada numa clara ascendente e pelo menos o ano serviu para conquistar os membros-chave da Ferrari. Se for um pouco mais calmo agora, tem tudo para ser o principal adversário de Vettel numa guerra psicológica.

7 - MICHAEL SCHUMACHER
A velha raposa das pistas penou no seu retorno na Fórmula 1 e sofreu para acompanhar o ritmo do talentoso Nico Rosberg na maior parte do tempo. Mas terminou o ano mostrando uma curva ascendente e tem bons motivos para começar 2011 com ânimo renovado. O comportamento dos pneus Pirelli parece solucionar o problema de quem sofreu com a falta de aderência na dianteira em 2010. E a ideia dos italianos em criar compostos que gastam mais rápido deve jogar a seu favor. Assim como o excesso de botões para controlar no volante, algo em que sempre se destacou. Não acho que vá ganhar algo neste ano mas, como bem frisou Alonso, também não tem nada a perder. Um dos únicos nas equipes de ponta nesta situação, aliás.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O POLARIZADOR

Interessante o ranking feito por uma empresa de marketing sobre a presença de esportistas espanhóis na Internet em 2010. Num ano em que a seleção de futebol sagrou-se campeã mundial pela primeira vez, não é de surpreender que as três primeiras colocações sejam ocupadas por membros dela. Depois aparecem Rafael Nadal, em quarto lugar, e Fernando Alonso em quinto. Os “outros esportes” aparecem ainda representados por Jorge Lorenzo (Moto GP, sétimo) e os jogadores da NBA Pau Gasol (nono) e Ricky Rubio (décimo lugar).

Esmiuçando os dados da pesquisa (clique na imagem para ampliar), dá para chegar a interessantes conclusões quanto a Fernando Alonso. Nas mídias sociais, das quais ele não participa diretamente, ele leva um banho de quem o faz. No facebook, o líder é Fernando Torres, cuja página de fãs é (bem) administrada por uma empresa especializada. No twitter, o líder é o craque do Barcelona Andrés Iniesta, que volta e meia coloca suas impressões depois de uma das muitas vitórias do seu time.

Onde Alonso dá a volta por cima é nas “menções em notícias, blogs e fóruns”, onde ele tem um retorno quatro vezes maior que o segundo colocado, Iker Casillas. Isto confirma um fenômeno que pude observar nas minhas visitas à Espanha nos últimos anos: a capacidade polarizadora do piloto.

O torcedor espanhol ama ou odeia Fernando Alonso, mas não consegue ficar indiferente a ele. Para muitos ele é o herói infalível, para outros um arrogante incorrigível. Um exemplo caro disso está no vídeo abaixo, quando os participantes de um programa esportivo discutem o incidente do piloto com fotógrafos na cidade de Porto Santo, em Portugal. Repare como as opiniões se dividem. É assim também em fóruns de discussões.

(Vale um parênteses: achei este tipo de chantagem de Alonso um absurdo, por mais inconvenientes que os Paparazzi sejam - e são mesmo. Por conta dessa atitude ou não, o fato é que a visita à ilha acabou em um incidente mal explicado envolvendo sua esposa. Ela, pelo menos, foi mais ponderada ao separar o lugar das pessoas que incomodam nesta nota oficial em seu site)



O mais interessante é que o piloto não se incomoda nenhum um pouco com o papel de polêmico. Mesmo nas coletivas de Fórmula 1 que envolveram o tema de Hockenheim no ano passado, ele nem franzia a sobrancelha quando lhe perguntavam sobre os méritos de uma vitória “de bandeja”. Nada surpreendente para alguém que nunca se incomodou com o valor do triunfo de Cingapura-2008, mesmo depois de que a armação da qual supostamente não sabia veio à tona.

É algo na linha do “falem bem ou falem mal, mas falem de mim”.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O PIRATA DE MARANELLO

O cavanhaque cuidadosamente cultivado lembra o do personagem Jack Sparrow da série de filmes “Piratas do Caribe”. E foi como um ator bem preparado que Fernando Alonso se apresentou na entrevista aos jornalistas presentes em Madonna di Campiglio: o discurso estava inteiramente afinado com o do chefe Stefano Domenicali. Em diminuir o impacto no moral da equipe da derrota na final do ano passado e também em apostar num Felipe Massa mais forte em 2011.

- O vejo bem, extremamente motivado. Nossa relação sempre foi muito boa, bem melhor do que muita gente pensa. Sabemos que ele está entre os favoritos ao título e, se a Ferrari tiver um carro bom, vai estar na briga - apontou o espanhol.

Mas Alonso é um típico “macho-alfa” e este seu lado aflora quando avalia seu papel dentro da Ferrari após um bom ano de estréia, em que pese a perda do título:

- Sou um dos líderes do time. Talvez não “o” líder, mas definitivamente um deles - disse.

Ao avaliar os outros adversários, Alonso cuidadosamente aponta Michael Schumacher como o mais temível. É a sua maneira de alfinetar os jovens e bem mais competitivos Sebastian Vettel e Lewis Hamilton.

- Ele não tem nada mais para provar e com certeza não desaprendeu como se pilota. É o nome que mais me dá medo - afirmou, esforçando-se para incorporar uma expressão merecedora de um Oscar, mas ainda com um ar canastrão.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

TV BLOGO - F1 60 ANOS e F1 2010

Arrepiante o vídeo que a FIA exibiu na cerimônia de encerramento da temporada em Mônaco. Com o momento pessoal histórico em que eu apareço na mesma imagem que Mick Jagger, hehehe. Aperte o play e deleite-se! Grande dica do Julio Cezar Kronbauer.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

FÓRMULA 1 2010 - POR PAULO A. TEIXEIRA*

Uma das coisas da qual mais me orgulho desse blog é a audiência e a participação maciça de internautas portugueses. Quando comecei a brincadeira, nem passou pela minha cabeça que poderia estar falando também aos "irmãos da língua". O primeiro a me chamar atenção disso foi o Paulo "Speeder 76" fazendo uma citação ao meu trabalho no seu blog. Nada mais natural do que chamá-lo para encerrar a série de convidados a falar da temporada - algo que ele faz muito bem, apontando o lado humano dos titãs das pistas. Ao Paulo, ao Mike e a Julianne, fica público o agradecimento que já fiz por e-mail. E o desejo de um até breve aqui no blog.

O ANO DOS TITÃS

Em 1984, eu tinha oito anos, quando se estreou no cinema o filme “2010 – O Ano Em Que Faremos Contacto”, uma sequela do filme “2001, Odisseia no Espaço”, realizada por Stanley Kubrick. Ambos os filmes tinham como base argumentos escritos por um dos mitos da ficção cientifica: Arthur C. Clark. Sendo criança, fiquei fascinado pelo filme, e nessa minha imaginação, sempre pensei que esse seria o mundo quando o verdadeiro 2010 chegasse.

Pois bem, agora estamos em 2010, e ao contrário do que se passou no filme, Júpiter ainda não virou outro sol, ainda não fazemos naves espaciais tripuladas para lá e agora existe tecnologia não pensada na altura, como portáteis, LCD’s, Ipad’s, Ipod’s e todos os gadgets tecnológicos que pouca gente poderia ter imaginado. E a Guerra Fria, bem como a União Soviética, acabaram há bastante tempo. Mas esta temporada viu a estreia do primeiro piloto russo de sempre na categoria máxima do automobilismo mundial…

Nesses anos 80 vivamos em pleno a era Turbo, com pilotos memoráveis: Alain Prost, Niki Lauda, Nigel Mansell, Nelson Piquet, Ayrton Senna… todos eles eram ultra-competitivos e acabaram por ser campeões do mundo. Os historiadores do automobilismo afirmam que essa foi mais uma “idade do ouro” da formula 1, depois dos anos 70, com as aerodinâmica, das asas e da liberdade total para experimentar. Pensava-se que esses tempos já estariam longe quando vivemos o domínio de Michael Schumacher no inicio da década, no seu Ferrari. Mas depois da sua retirada viu-se o desflorar de uma nova “idade do ouro”, com excelentes pilotos como Kimi Raikonnen e Fernando Alonso, mas também com as suas polémicas, controvérsias e politicas.

Voltando um pouco à analogia espacial, diria que este foi um ano onde se produziu uma rara conjugação de planetas. Foi como se o planeta Terra se tivesse alinhado com o Sol, a Lua, Marte, Vénus e Saturno, uma daqueles alinhamentos raros, quase únicos na nossa existência. Não era todos os dias que sabíamos à partida da existência de quatro equipas muito fortes, e um mínimo de seis candidatos ao título. Ainda mais, com um novo sistema de pontos que fazia com que o vencedor voltasse a ser valorizado. Em teoria, seria bastante mais beneficiado do que o segundo classificado, e quem entrasse no “top ten” ganharia pontos, pela primeira vez na história da Formula 1. E para finalizar, como se fosse a cereja em cima do bolo, tínhamos o regresso do piloto mais bem sucedido do mundo, Michael Schumacher, à competição, bem como o regresso de dois nomes famosos: Lotus e Mercedes.

Em suma, este era o “sonho molhado” de Bernie Ecclestone: as expectativas eram muitas. Foram cumpridas? Em boa parte, sim. Foi uma temporada disputada até ao fim. Até a três provas do final, na Coreia do Sul, tivemos cinco candidatos ao título, e na última prova, em Abu Dhabi tínhamos três candidatos e um “joker”, absolutamente inédito nos sessenta anos da história da Formula 1. Esta competição nos pontos compensou, por exemplo, a crónica falta de ultrapassagens, ou pelo menos, a facilidade de ultrapassagens que gostaríamos de ver, bem como o facto de termos um monopólio tilkeano de novos circuitos, que muitos dos fãs apontam como a causa da falta de ultrapassagens. Na realidade, isso vai um pouco mais além…

Ao contrário de muitos, gosto de ver o “factor humano” na equação. A agressividade de Lewis Hamilton, que lhe custou pontos e o título em duas provas seguidas – Spa-Francochamps e Monza – e que lhe custaram o título, ou a “salganhada” de Sebastien Vettel na Turquia e o acidente de Mark Webber em Valencia, podem ter sido erros que custaram caro, mas foi devido a esses erros que isto chegou onde chegou. Muitos querem ver pilotos certinhos e sem erros, mas acho que essas pessoas ficaram mal habituadas aos “anos Schumacher”… e sim, o veterano alemão também cometeu os seus erros, para além dos velhos truques que nos habituou ao longo da sua carreira.

E claro, das muitas frases que marcaram o ano automobilístico, não posso deixar de destacar uma: “this is ridiculous”. Não podendo deixar de lado a polémica alemã por parte da Ferrari, ficamos com a ideia de que a Ferrari pode fazer o que quiser dos regulamentos, pois a Ferrari tem um lugar especial no coração da FIA, ainda mais com Jean Todt, ex-director desportivo da Scuderia, na presidência. Mas para além da polémica, o que vimos foi a ideia de que o todo vale mais do que a soma das partes. E que ali, os pilotos são meros assalariados da marca de Maranello. Portanto, Felipe Massa, mais do que ter cedido o comando para o piloto das Astúrias, demonstrou a si mesmo, quem ainda tinha dúvidas, que não tem estofo para ser campeão. Sim, acham que contrataram Fernando Alonso pelos seus bonitos olhos e queixo ibérico?

Claro, muita gente deve ter ficado feliz por não ver a Ferrari ser campeã do mundo, com o bónus de ver o Fernando “paz e amor” Alonso ter explodido quando reclamou com Vitaly Petrov de que não o deixou passar. Espero que tenha tido a mesma atitude com Stefano Domenicalli, o homem que o colocou Alonso demasiado cedo nas boxes e não conseguiu descortinar o facto de Petrov e Nico Rosberg terem parado antes, quando da entrada do Safety Car, nas voltas iniciais. Mas são estes factores humanos que tornam o automobilismo maravilhoso.

Agora, temos 2011 pela frente. Só veremos as novas máquinas a andar em Fevereiro, antes de começarem o campeonato mais longo de sempre, com vinte corridas, e em principio, não haverão mudanças nas equipas da frente. Em teoria, a próxima temporada bem pode ser uma extensão desta última, provavelmente com mais alguns novos elementos. Se assim for, os fãs agradecem.

(*Paulo Alexandre Teixeira, o "Speeder 76", tem um fôlego incansável para escrever ótimas análises de diversas manifestações de automobilismo, sempre reservando espaço para a memória do esporte também. Seu Continental Circus faz jus ao nome e leva ao picadeiro um espetáculo completo, colorido e de qualidade, que nos faz querer voltar a cada dia)

terça-feira, 23 de novembro de 2010

FÓRMULA 1 2010 - POR JULIANNE CERASOLI*

Foi uma temporada marcante, essa de 2010. Drama, polêmica, comédia e muita disputa dentro das pistas fizeram dela a mais emocionante que eu me lembre desde 1986. Mas esse é um tipo de conclusão pessoal, então tomei a iniciativa de fazer algo que há muito tempo pensava fazer: pedir e trazer a colaboração de outros blogueiros. Escolhi três nomes, optei por pessoas que eu não conheça pessoalmente mas autores de trabalhos que eu admiro muito - todos em blogs mantidos de forma independente. O tema que coloquei à eles foi: F1 2010 - Por que uma temporada histórica? O mais legal é que as respostas vieram com a cara de cada um. Começamos hoje, com o trabalho da Julianne:

BONS ERAM OS TEMPOS DE ALONSO, HAMILTON, VETTEL...
Seis líderes diferentes durante o ano. Uma equipe que, ao mesmo tempo em que consegue fazer 15 das 19 poles possíveis no ano, entra em ebulição por uma simples asa dianteira. Quatro pilotos divididos pelo equivalente a menos de um 2º lugar após 19 etapas. Um piloto 47 pontos atrás, depois de dois péssimos resultados, promete que lutará pelo título – e cumpre. Seja olhando pelo prisma dos números, seja valorizando mais as histórias, 2010 é daquelas temporadas que nos farão, daqui a 20, 30 anos, olhar para os tempos de Vettel, Hamilton, Alonso e companhia com ares de nostalgia.

A pressão
Não coincidentemente, a marca de um campeonato tão apertado foram os erros cometidos sob pressão. Erros de estratégia, de pilotagem, inexplicáveis. Quem diria que veríamos as grandes McLaren e Ferrari serem barradas na primeira parte da classificação na Malásia por pura soberba frente à tempestade? Ou que assistiríamos a um bicampeão mundial queimar a largada, como nem os principiantes fazem hoje em dia?

A lição que fica é que, mesmo que os pontos tenham igual valor em qualquer momento da temporada, um gol aos 45' do 2º tempo faz diferença. E foram Vettel e Alonso, os que deixaram os tropeços para trás antes dos outros e afrontaram os momentos decisivos com precisão cirúrgica, que acabaram levando vantagem.

As atuações
Mas este esteve longe de ser um ano de, quem menos erra, leva. Tivemos performances inacreditáveis. Como Button, duelando décimo a décimo com as bem mais rápidas Ferrari mesmo ostentando a maior asa traseira que Monza já viu. Ou Alonso, resistindo à pressão de um Vettel que havia comandado todos os treinos no calor da noite de Cingapura ou mesmo guiando uma corrida inteira com a embreagem pedindo água na Malásia. E o que dizer das poles de Sebastian, tirando aquele décimo de segundo que enlouquecia Webber?

O mesmo Webber que, ao construir uma vantagem de 22s fazendo durar por 43 voltas os pneus macios para fazer seu pitstop e ainda voltar na frente na Hungria, e vencer com ares de gênio em Mônaco, também deu show. Assim como Hamilton, passando por cima de um erro de estratégia da equipe, fazendo 13 ultrapassagens, por dentro, por fora, de qualquer jeito, para ser segundo na China. E, por que não, o que foi aquela pole quase milagrosa de Hulkenberg, lendo uma Interlagos nem seca, nem molhada, como um veterano?

O difusor, a asa e o jogo descarado
Claro que qualquer temporada que se preze tem suas polêmicas. No campo técnico, tentaram de tudo para desmascarar o domínio da Red Bull, que aparecia de uma hora para a outra nos momentos finais da classificação. Primeiro, acreditava-se que havia um sistema ilegal que regulava a altura de acordo com a quantidade de combustível a bordo. Ninguém provou. Depois, o segredo era a configuração do escapamento, cujos gases eram direcionados ao difusor. Todos copiaram, e não chegaram muito perto.

Por fim, a briga mal resolvida das asas dianteiras. Mesmo que a FIA fosse mais e mais rigorosa nos testes, não conseguia colocar o dedo na ferida. Elas continuaram flexionando, a Red Bul seguiu voando nas curvas de alta, e ninguém sabe como.

Mas nada se comparou ao estardalhaço provocado pelas ordens de equipe da Ferrari. Enquanto tudo acontecia por baixo do pano, sem conversas mais que comprometedoras pelo rádio ou pilotos praticamente estacionando pela pista, a Fórmula 1 convivia bem com uma regra à qual ninguém dava muita atenção. Depois de tanto desgaste, quem sabe não encontrem um meio termo entre os interesses de uns e o faz-de-conta de outros.

Aos números

Sebastian Vettel é o campeão mais jovem da história da F-1, reforçando uma tendência de queda na idade dos que chegam ao título. Ele é o terceiro desde 2005 a bater uma marca que durou 33 anos nas mãos de Emerson Fittipaldi – Alonso venceu com 25 anos; Hamilton estava perto de completar 24 e, hoje, o alemão tem 23.

Mas a conquista é marcada por estatísticas ainda mais interessantes, que mostram o atual equilíbrio da categoria: Vettel jamais havia chegado à liderança do campeonato antes da última etapa da última prova, sendo apenas o terceiro na história a vencer chegando na corrida final em terceiro na tabela, numa temporada que terminou, mesmo com a pontuação mais farta, com apenas 16 pontos de diferença entre o 1º e o 4º colocados.

Continuando a “maldição” do líder do campeonato, desde o GP da Turquia de 2009 o melhor colocado na tabela não vence a prova. E, pelo terceiro ano seguido, o atual campeão do mundo só venceu duas vezes na temporada em que defendia o título e não chegou à última etapa podendo chegar ao bi: foi assim com Raikkonen em 2008, Hamilton em 2009 e Button em 2010.

Por fim, talvez não na quantidade que gostaríamos – e a má impressão de Abu Dhabi ainda é muito forte –, mas, sim, as ultrapassagens voltaram. Em 2010 tivemos a melhor média – 28,8 por prova – desde 1991. Foram 547 no total, contra 244 de 2009. Ainda não é comparável às médias do início dos anos 1980, acima de 40 por GP, mas um alento para quem já viu temporadas com apenas perto de 10 ultrapassagens por etapa há muito pouco tempo, em 2005, e convivia, nos últimos anos, com pouco mais de 14 manobras a cada final de semana.

(*Julianne Cerasoli compartilha suas idéias sobre Fórmula 1 no seu blog Faster F1, com análises inteligentes e ponderadas, sustentadas por números e por uma visão bem realista de como funciona a categoria. Leitura obrigatória para os que querem ir além da notícia)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

ESPECIAL 2010 - OS DEZ MELHORES

Diversos pilotos, alguns em momentos específicos. O melhor de 2010 da minha lista teve acima de tudo uma admiração pelo trabalho individual. Mas o topo da lista ficou reservado à uma festa e uma equipe. Porque um evento tão complexo como a Fórmula 1 é feito de um trabalho em conjunto. Especialmente quando ele mantém o esporte em primeiro plano. Confira abaixo a lista e discorde à vontade nos comentários:

10 - KAMUI KOBAYASHI
As arquibancadas do circuito de Suzuka tremiam a cada manobra. O epicentro do terremoto era o carro branco de número 23 de Kamui Kobayashi. O japonês aproveitou-se de uma estratégia distinta da maioria do grid, fazendo um stint longo com os pneus duros antes de calçar os moles e partir para uma série de ultrapassagens decididas - como já havia feito em Valência quando deixou para trás até mesmo o herói local Fernando Alonso. Embora a segunda parte do trabalho seja a mais espetacular, o fato é que seu ritmo de corrida nestas duas provas com os duros foi o que mais impressionou os técnicos da categoria. Ultrapassar, como ele constatou na entrevista que fizemos em Interlagos, “é o normal”. Em 2011, mesmo sem trazer dinheiro, Kobayashi faz mais uma temporada na Sauber. E terá a chance de continuar impressionando equipes maiores para ambicionar um cockpit de ponta no futuro. Fãs espalhados no mundo inteiro torcerão por isso.

9 - JENSON BUTTON
Ele surpreendeu o stablishment quando decidiu sair da campeã Brawn e levar o número 1 para a McLaren. Era um passeio “na cova do leão”, como Jackie Stewart descreveu a equipe que é berço e lar do excepcional talento de Lewis Hamilton. Mas Jenson Button não deu bola para o que diziam e provou toda sua qualidade com duas vitórias em condições difíceis no início do ano, o suficiente para colocá-lo na liderança do mundial. Depois, foi um dos que sucumbiram com os pneus em treinos classificatórios e arruinou suas possibilidades. Mesmo assim, uma incrível regularidade nas corridas o manteve vivo na briga por muito tempo. Não fosse abalroado por Vettel em Spa, teria chegado à decisão com chances.

8 - KUBICA EM CINGAPURA
“Quem é o próximo, quem é o próximo?” Os engenheiros da Renault não esconderam um riso de admiração quando Robert Kubica entrou no rádio. Numa das pistas mais apertadas do ano, o polonês não desperdiçou o uso dos pneus macios na parte final da corrida (por conta de um furo no pneu, acabou na mesma configuração de Kobayashi em Valência e Suzuka) e foi dobrando quem estivesse pela frente. Um piloto em ponto de ebulição, deixando claro aos rivais que não estava para brincadeiras só pela maneira de atacar. Foi o ponto alto de um grande ano para um piloto que tem tudo para voar alto quando estiver em uma equipe de ponta. É mera questão de tempo para que isso aconteça.

7 - MARK WEBBER

Depois da temporada de 2009, ninguém esperava de Mark Webber nada além do que um papel secundário na Red Bull, ajudando a equipe a somar pontos e angariando vitórias quando Sebastian Vettel tivesse algum problema. Mas o australiano fez a temporada da sua vida e, durante muito tempo, apareceu como o mais forte candidato ao título. Em especial suas performances nos técnicos circuitos de Barcelona e Mônaco foram verdadeiras aulas de ritmo de corrida. O piloto também soube ser matreiro ao capitalizar a seu favor as confusões do comando da equipe na Turquia e na Inglaterra para colocar pressão sobre o companheiro de equipe. Pena que sucumbiu diante da resposta deste no momento decisivo do campeonato, deixando o título escapar com um erro bobo na Coreia e uma classificação ruim na prova decisiva.

6 - POLE DE HÜLKENBERG
Numa temporada completamente dominada por três equipes, foi quase um milagre ver o carro azul e branco da Williams ocupando o primeiro lugar de um grid. Tudo bem que houve a interferência de São Pedro e o imprevisível clima paulistano. Mas Nico Hülkenberg fez um trabalho perfeito quando as condições favoráveis apareceram: pista úmida, asfalto frio, um carro e um estilo pilotagem agressivo com os pneus. Mesmo com o futuro ameaçado, encaixou três voltas perfeitas em sequência e colocou mais de um segundo de vantagem sobre a excelente combinação RB6-Vettel-Chuva. Não salvou seu emprego, mas encerra o ano com boas perspectivas depois de mostrar à equipe que é dono de um talento que o dinheiro não compra.

5 - HAMILTON E O DUTO DE AR
O espírito combativo de Lewis Hamilton ganhou uma arma letal com uma das mais inteligentes criações na história da Fórmula 1. Um canal de vento dentro do monocoque que permitia a asa traseira “estolar” nas retas, fazendo um efeito parecido ao de uma asa móvel, mas sem ferir o regulamento. Especialmente no início do ano, a velocidade maior no final das retas permitiu ao inglês realizar um show de ultrapassagens. Mas mesmo no final do ano, quando os rivais já haviam desenvolvido suas versões da novidade, Hamilton continuou a demonstrar seu instinto e pressionar ao máximo quem tivesse à sua frente, como aconteceu com Robert Kubica em Abu Dhabi. As chances de título sucumbiram diante de erros pontuais seus e, principalmente, pela falta de desenvolvimento do carro da McLaren na reta final. Mas o inglês termina 2010 como o grande artista do ano. Os fãs do esporte agradecem.

4 - ALONSO EM CINGAPURA

O caráter fora-de-série de Fernando Alonso ficou claro em uma série de ocasiões ao longo do ano. Não foram poucas as provas em que ele conseguiu resultados além do que seu carro permitia, simplesmente empregando ao máximo sua qualidade. Em que pese os erros cometidos na primeira parte do campeonato (largada queimada na China, acidente no treino livre em Mônaco que o deixou fora da classificação), esta capacidade cativou de vez a equipe Ferrari. E teve seu ápice em Cingapura. Numa pista travada e ondulada, na medida para toda a eficiência do RB6, o espanhol conquistou no braço a pole position num circuito em que realmente excede. Na corrida mais longa e fisicamente desgastante do ano, não se incomodou um instante com a sombra azul do carro de Sebastian Vettel e conquistou a mais bela de suas vitórias em 2010. Um momento de puro brilho para se contrapor com as polêmicas que volta e meia se envolve.

3 - SEBASTIAN VETTEL
O mundo caiu de pau em cima de Sebastian Vettel ao final daquele domingo chuvoso em Spa-Francorchamps. Sua mal-sucedida ultrapassagem sobre Jenson Button despertou as lembranças do acidente com o companheiro de equipe Mark Webber na Turquia. O “drive-through” e o apelido de “crash kid” que recebeu em consequência disso foram os outros pregos de sua cruz. Moleque, estabanado, imaturo: as etiquetas estavam coladas por todo o corpo. Não devem ter sido dias fáceis, mas o alemão foi buscar uma confiança inabalável dentro de si. A partir de então, marchou impávido sobre o companheiro Mark Webber em todas as provas. E rumo ao título, apenas uma imprevista quebra de motor nas voltas finais da Coreia o impediu de vencer as quatro últimas corridas do ano. Coroado campeão, preferiu sorrir ao invés de esfregar o sucesso nos que o atacaram. Moleques são os outros.

2 - FESTA DOS 60 ANOS
Foi uma chuva de estrelas naquele domingo ensolarado no meio do deserto. John Surtees, Jackie Stewart, Emerson Fittipaldi, Mario Andretti, Jody Scheckter, Keke Rosberg, Damon Hill, todos conduzindo os carros nos quais ganharam títulos mundiais. Mika Hakkinen e Nigel Mansell em modelos campeões dos anos 50. Na platéia? Niki Lauda, Alain Prost, Alan Jones e até mesmo Jack Brabham. Ao final das voltas de exibição (mas que não nos enganemos, a turma ia afundando o pé um pouco mais a cada passagem), todos se encontraram e se confraternizaram numa comunhão de grandes pilotos com grandes máquinas. O sorriso infantil nos rostos cheios de rugas foi a maior prova de que o amor pela velocidade é maior que o tempo. Uma festa à altura da própria Fórmula 1.

1 - RED BULL
De um lado, um panteão de história e com rígida hierarquia chamado Ferrari. Do outro, uma equipe de enorme excelência técnica e com dois campeões mundiais que são o sonho de qualquer patrocinador chamada McLaren. No meio, uma equipe com um orçamento menor e toda enrolada na hora de administrar os anseios individuais de seus pilotos. Mas justamente por isso mais palpável, humana. De sobre-humano na Red Bull, só mesmo o bólido desenhado pelo gênio da prancheta Adrian Newey, praticamente imbatível nas classificações, embora de resistência por vezes imprevisível nas corridas - mesmo assim, o pilar sólido de todo o sucesso alcançado. Mesmo tropeçando diversas vezes no próprio cadarço, a Red Bull resolveu respeitar o bom trabalho de sua dupla de pilotos e não se intrometeu neste duelo interno na reta final, contrariando o senso comum de muitos especialistas e fãs. E foi por ter dois cavalos no páreo decisivo que conseguiu o segundo (e mais suado) título da temporada em Abu Dhabi, deixando os adversários sem saber para qual carro olhar. O ano de 2010 foi o ano do triunfo de uma equipe jovem, que consegue ser eficiente mesmo batendo cabeças. Uma que tem os ingredientes na mão para se firmar como uma das grandes do esporte ao longo dos próximos anos. Se não tiver sido fogo de palha, um dia saberemos que o futuro da F-1 começou aqui.


(Fotos Luis Fernando Ramos)

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

ESPECIAL 2010 - OS DEZ PIORES

Foi um dos melhores anos na história da Fórmula 1, mas ainda assim a temporada trouxe seus pontos negativos. Seja num momento específico ou no panorama geral de um piloto, equipe ou corrida. Como sempre, uma lista pessoal e despretensiosa. Para ler e discordar à vontade. Amanhã a gente volta com a lista dos dez melhores de 2010.

10 - A FOTO DOS CAMPEÕES

O trabalho de Jean Todt na presidência da FIA não é uma unanimidade, mas sem dúvida está sendo bem melhor visto na Fórmula 1 que o de seu antecessor, principalmente por sua postura discreta. Ainda assim, ele conseguiu marcar um belo gol contra ao levar a namorada Michelle Yeoh para a foto oficial dos 60 anos da F-1, ao lado de todos os campeões mundiais ainda vivos. Qual a justificativa? Estaria ela representando os ausentes Nelson Piquet e Kimi Raikkonen???

9 - O VÔO DO CANGURU
Todo mundo prendeu a respiração naqueles segundos. Na tentativa de recuperar terreno e fazer sua nova estratégia funcionar, Mark Webber foi para cima de Heikki Kovalainen como um touro desgovernado - e acabou surpreendido pelo fato da Lotus ter uma zona de freada bem mais longa que a sua. Um mal-entendido que poderia ter terminado mal, mas acabou representando apenas mais algumas milhas para o programa de vôos do australiano no cockpit de um carro de corrida.

8 - O MAU PERDEDOR
Ver um título mundial que parecia ganho escapar pelas mãos deve ser mesmo algo frustrante, especialmente se a derrota veio fundamentalmente por um erro estratégico da equipe. Mas Fernando Alonso perdeu pontos até mesmo com seus seguidores mais fanáticos ao sair reclamando do russo Vitaly Petrov em Abu Dhabi. Deveria era parabenizá-lo por não cometer nenhum erro num momento de pressão para o futuro de sua carreira. O “chega-prá-lá” que o espanhol levou foi uma bela resposta. Um grande piloto mostra sua estatura também no momento da derrota.

7 - BUEMI NA CHINA
Foi até cômico: na freada após uma das retas mais longas da temporada, a suspensão da Toro Rosso do suíço Sebastian Buemi simplesmente cedeu e as rodas saíram voando. Um baita de um susto sem maiores consequências para o piloto e para quem estava na beira da pista. Divertido mesmo foi ver Buemi virando o volante para tentar amenizar o impacto da batida.

6 - HISPÂNIA
Está certo que sobreviver até o final do ano era o único objetivo e isso a equipe Hispânia conseguiu. Mas a custo de algumas bizarrices. O carrossel imprevisível de pilotos até que foi pouco diante de um carro sem atualizações e que usou o mesmo pacote aerodinâmico em pistas tão opostas como Mônaco e Monza. Sorte que seus pilotos saíram ilesos de situações ingratas, como a quebra da suspensão em uma curva de alta velocidade em Spa-Francorchamps. O time fica na história desde já como um dos piores que já passaram pela categoria.

5 - CHOQUE DE TOUROS
O time campeão meteu algumas vezes os pés pelas mãos e envenenou completamente o ambiente entre seus dois pilotos. Na Turquia, acossados na corrida por uma valente McLaren, o comando passou a Vettel a informação de que Mark precisaria economizar combustível o que ele poderia ultrapassá-lo, enquanto o engenheiro do australiano falou o contrário e orientou seu piloto a se defender. Uma confusão dos boxes que resultou num desastre na pista. Pior foi na Inglaterra, quando a asa do alemão quebrou e Horner orientou que o modelo que estava no carro de Webber fosse transferido. Era uma questão de centésimos de segundo, mas algo que fatalmente causaria um mal estar interno. Esperto, Webber capitalizou em cima do incidente e jogou a opinião pública contra o time e seu companheiro. Foi o suficiente para lhe garantir tratamento igual até o final do ano, mas não para receber a ajuda de Vettel na reta final, algo que tanto ambicionava.

4 - FELIPE MASSA
O brasileiro sempre alternou numa temporada corridas brilhantes com atuações mais contidas, mas o brilhantismo ficou de lado em 2010. Com exceção do GP da Alemanha, ele jamais se colocou em posição de vencer - mesmo com um carro capaz disso em algumas ocasiões. Com problemas de aquecimento de pneus, classificou-se quase sempre em posições discretas. Pior, viu seu novo companheiro tomar as rédeas da equipe e liderá-la na disputa pelo título, o que parece ter encerrado sua motivação. Ele reconhece a temporada ruim, o que é um ótimo começo. Mas vai precisar de um 2011 radicalmente diferente, dentro e fora das pistas, para que não tenha sua vaga especulada via imprensa semana sim, semana não. Afinal, são dois anos de contrato pela frente.


3 - GP DO BAHREIN
Foi uma odisséia do sono. Em meio às expectativas de uma temporada sensacional, a prova de abertura foi uma das mais chatas para se assistir. Em especial, o novo trecho do circuito que os organizadores agregaram não funcionou - era apenas uma série de curvas muito lentas que só prolongaram a agonia. A coisa foi tão feia que a imprensa mundial até iniciou uma discussão sobre a qualidade das corridas e do regulamento. Felizmente, o tempo provou que era uma discussão precipitada.

2 - “THAT WAS HORRIBLE”
Pelas desproporcionais expectativas criadas, a temporada de Michael Schumacher já começou comprometida. Mas ninguém esperava que o vareio que ele tomou de um companheiro de equipe jovem e eficiente durasse quase o ano todo. Foi inevitável que seu desempenho em 2010 colocasse uma série de interrogações sobre sua história. E o ponto alto disso foi a manobra que fez sobre Rubens Barrichello em Hungaroring, quando ultrapassou de longe os limites do bom senso numa defesa de posição. Faltou pouco para uma batida feia demais. Aquilo foi horrível. Pelo menos ele pediu desculpas. Duas semanas depois. Por SMS.

1 - FERRARI EM HOCKENHEIM
Tudo bem que a Ferrari queira fazer prevalecer seus interesses. Mas a farsa que promoveram em Hockenheim foi exagerada. O chororô de Fernando Alonso pelo rádio rendeu uma ordem de equipe explícita que lhe rendeu a vitória e, ao time, a antipatia da maioria dos torcedores - afinal, o campeonato mal passara da metade. Passaram por cima do regulamento com a habitual arrogância, mas receberam uma multa pequena por isto. No final das contas, o episódio não surtiu o efeito desejado. Apenas serviu para matar a motivação de Felipe Massa. Dali para frente, o brasileiro só foi tirar pontos dos adversários de Alonso em Monza. Um tiro no pé involuntário que, na prática, acabou mais atrapalhando do que ajudando a campanha do espanhol.

sábado, 13 de novembro de 2010

MAIS DRAMA NO ÚLTIMO CAPÍTULO?

Normalmente quem faz a festa depois de um treino classificatório da Fórmula 1 é o pole position. Mas ontem, no circuito de Yas Marina, quem saiu com um largo sorriso nos lábios foi o terceiro colocado no grid. Fernando Alonso vai para a prova de hoje com os carros de dois candidatos ao título à sua frente, a Red Bull do pole Sebastian Vettel e a McLaren do inglês Lewis Hamilton. Mas seu principal perseguidor na tabela, o australiano Mark Webber, andou mal e larga apenas um quinto. É uma constelação que, caso se repita ao final da corrida, garante o tricampeonato ao espanhol da Ferrari.

- Espero uma corrida chata, sem nenhuma troca de posições, daquelas que as pessoas dormem na frente da televisão. Não ter as duas Red Bull à minha frente foi muito importante, porque as coisas dependeriam apenas deles neste caso. Agora, a responsabilidade volta a ser nossa - festejou Alonso.

Curiosamente, o grid de largada acabou invertendo a discussão que permeou a semana toda em relação ao jogo de equipe da Red Bull. Agora, é Vettel quem tem as melhores chances. E ele precisa da ajuda de Mark Webber para tentar empurrar Alonso abaixo da quarta posição. Mas o alemão não quis comentar o assunto:

- Temos de nos concentrar cada um no nosso trabalho, é o que sabemos fazer. De certa maneira, é um final de semana normal, mesmo que a prova amanhã possa ser histórica para mim, Mark, Fernando ou Lewis. Vai ser uma longa corrida.

Webber, o grande perdedor do sábado, já falou em tom de auto-avaliação:

- Tive um grande ano. Se perder o título não foi apenas por ter ido mal hoje. Alonso também se classificou mal algumas vezes. Espero que ainda possa ter uma corrida incrível amanhã e colocar uma cereja neste bolo. No geral, foi um ano em que o positivo superou o negativo - analisou.

Se o grid aponta um caminho tranquilo de Alonso até o título, o quadro para a corrida mostra que muita coisa pode acontecer. O fato é que as equipes estão equilibradas e muitos pilotos teoricamente coadjuvantes podem ter um papel fundamental nessa decisão. A McLaren está forte no Bahrein e Jenson Button dispõe de um carro para ganhar uma eventual briga com Alonso, especialmente por ter uma excelente velocidade de reta.

Mesmo alguém como Robert Kubica, que sai em 11º mas pode optar por iniciar a prova com os compostos mais resistentes, aparece com alguma chance de se intrometer entre os primeiros com uma estratégia diferente. O desgaste da borracha, aliás, será o principal ponto a se observar: os compostos macios perdem rendimento rapidamente e, pelo que pude apurar, todo mundo tem um plano B na gaveta para a eventual necessidade de fazer duas paradas, o que poderia embaralhar bastante essa briga.

Embora tudo esteja convergindo a favor de Fernando Alonso, encerro o dia com a impressão de que ainda teremos muitos dramas amanhã. Convido a todos a acompanhar a decisão de um dos Mundiais mais emocionantes de todos os tempos a partir das 10h20 (horário de Brasília) no grupo Bandeirantes de rádio.

(Foto Ferrari)

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

MORA NA FILOSOFIA

Mark Webber e Sebastian Vettel estão muito próximos. Basta colocar os dados de telemetria de um sobre os do outro. Nesta curva um leva vantagem, o outro está mais veloz em outra mas, no final de uma volta rápida, escassos centésimos de segundo estão os separando. Uma nuance de tempo e espaço.

Mas os dois pilotos da Red Bull não são amigos - em que pese a foto produzida após o acidente entre ambos no GP da Turquia, quando um olha o outro sorridente, com os braços abertos e a palma da mão virada para cima, como quem aceita que contratempos acontecem. A verdade é que o paradoxo de um esporte que é, ao mesmo tempo, individual e de equipe os torna inimigos mortais. Melhor perder o título para qualquer um que não seja o seu companheiro.

Para o bem desse mesmo esporte, o time permitiu que seus pilotos lutassem entre si o tempo todo. O problema é que a corrida deste final de semana em Abu Dhabi pode ser a arena em que dois touros caiam mortos depois de um duelo de chifres, com um toureiro espanhol surgindo triunfante, sem precisar arrastar sua capa vermelha no chão cheio de areia.

Christian Horner, o chefe da Red Bull, já disse que deixará nas mãos de Vettel a decisão de eventualmente ceder a posição para Webber ser campeão, caso uma boa colocação de Alonso no desenrolar da prova elimine suas chances. Pode parecer ousado, mas Horner sabe que o alemão sabe da importância do título de pilotos para a marca. No final, talvez mesmo na última volta, os dois touros podem se unir para exterminar as chances de Fernando Alonso.

Na Ferrari, o mundo animal é outro. Como numa matilha de cães, Alonso chegou e clamou para si o direito de liderá-la. A Felipe Massa, vencido numa briga travada nas pistas e nos bastidores, restou o direito de aceitar a ordem das coisas, ainda que saísse rosnando da luta que definiu isso, no GP da Alemanha.

Mais que um título, o que estará em jogo em Abu Dhabi é uma filosofia: a do time que trabalha em torno de um cachorro-alfa contra aquele que deixa a briga comer solta. De um lado ou de outro, não há espaço para amizades.

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Alonso deixou Interlagos bradando estar “100% confiante” no título. Não convenceu a alguns preocupados jornalistas espanhóis que anteviam um possível jogo de equipe. O piloto os confortou. “Eles não fizeram dobradinha em provas seguidas nenhuma vez neste ano. Não será agora”.

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Já na Red Bull, Webber não escondeu que não entende, mas aceita, a filosofia da equipe em deixar Vettel vivo na briga ao invés de colocar todas as fichas nele. Talvez, a chance de perder o título o preocupe tanto quanto a possibilidade de ganhá-lo no final de mão beijada. Para sua imagem, ficaria mais feio do que uma inversão de posições feita antes.

(Coluna publicada na edição de quinta-feira do Diário Lance! Foto: montagem da Internet sobre original da Red Bull)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

OS QUATRO CAVALEIROS

Dezoito corridas realizadas, chegamos nesta última com o ineditismo de termos quatro pilotos com chances matemáticas de ser campeão. Confira abaixo umas linhas sobre o ano de cada um deles, opine na enquete ao lado e, porque não, justifique seu voto nos comentários.

FERNANDO ALONSO - 246 pontos
Polêmico, egoísta, político. E diabolicamente rápido. Os predicados de Fernando Alonso em muito lembram os do multi-campeão Michael Schumacher em seus anos de Ferrari. Não é à toa que ele não precisou mais que meia temporada para atrair para si todos os esforços da equipe. Dentro da pista, aproveitou os problemas de Felipe Massa com a temperamental borracha dos pneus Bridgestone de 2010 para o superar com certa tranquilidade nas classificações. E não hesitou em deixar claro seu desejo de liderar o time quando surgiam as oportunidades nas corridas. A arriscada ultrapassagem na entrada dos boxes na China foi apenas o prenúncio do que estava por vir. Na prova da Alemanha, quando Massa deixou claro que lutaria pela vitória, Alonso pressionou a equipe pelo rádio para que uma ordem de equipe fosse dada. Desejo atendido, ele correspondeu depois enfileirando uma série de ótimos resultados. O triunfo em Cingapura, superando as Red Bull com um carro bem inferior, foi um bom exemplo da sua determinação neste ano.

MARK WEBBER - 238 pontos
A fisionomia de Mark Webber lembra um pouco a do Super-Homem e o australiano teve seus dias de homem de aço neste campeonato. O piloto que até então era tido como um “leão de treino” revelou sua identidade secreta com uma consistência em corridas que o deixou durante muito tempo como o mais bem colocado na disputa pelo título. Depois de um início de ano um tanto claudicante, Webber foi o grande nome da chamada “temporada européia”. Em Barcelona e em Mônaco, respondeu às tentativas de aproximação de Sebastian Vettel com um ritmo de corrida alucinante. Nas pistas de Silverstone e Hungaroring, capitalizou como nunca em cima dos erros do alemão. O australiano mostrou também sabedoria ao capitalizar na mídia a imagem de um Dom Quixote que luta errante contra o queridinho da Red Bull. Ganhou com isso a simpatia de muitos torcedores, mas o fato é que, com exceção de Silverstone, lutou sempre com as mesmas armas de Vettel.

SEBASTIAN VETTEL - 231 pontos
Banho de sal grosso, alfazema, linha de passe. Sebastian Vettel bem que poderia apelar para táticas pouco ortodoxas para se livrar da zica que o assombrou em 2010. O alemão cometeu seus erros, é verdade. Os acidentes com o companheiro Mark Webber na Turquia e com a McLaren de Jenson Button em Spa-Francorchamps lhe renderam o incômodo apelido de “Crash Kid”. Mas a verdade é que a maioria dos pontos desperdiçados pelo “garoto-enxaqueca” da Fórmula 1 foram por problemas que fogem a seu controle: uma vela que falhou no motor do Bahrein, um cubo da roda que não se prendeu na Austrália, um motor estourado quando liderava a prova da Coreia. Ainda assim, Vettel deixou sua marca: quase metade das pole-positions do ano foram suas, mais uma vez comprovando que é um dos melhores do grid em termos de velocidade pura. E suas vitórias foram conquistadas de maneira incontestável, o triunfo de um piloto que dominou as ações o tempo todo ao longo do final de semana.

LEWIS HAMILTON - 222 pontos
A McLaren trouxe uma das grandes inovações tecnológicas da temporada: um duto de ar que garantia uma melhor velocidade final de reta sem atrapalhar a estabilidade do carro nas curvas. Uma idéia brilhante e complexa, que exigia dos pilotos que tapassem um orifício no cockpit - com as pernas ou as mãos, dependendo da equipe - para que ela funcionasse. Ninguém soube aproveitar melhor a novidade do que Lewis Hamilton. Com um carro não tão eficiente em classificações, o piloto aproveitava para ir ganhando posições nas corridas aliando seu estilo naturalmente agressivo com a vantagem que o dispositivo lhe permitia. O resultado foi um show de ultrapassagens que se tornou uma das boas coisas da temporada. Pena para ele que suas chances no campeonato acabaram prejudicadas por algumas ocasiões onde a agressividade foi mal aplicada, resultando em abandonos por acidentes como em Monza e Cingapura. Ainda assim, tudo parece parte do processo de amadurecimento de um piloto que ainda perambula entre o genial e o genioso.

(Fotos Luis Fernando Ramos)

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

MATCH POINT

Fernando Alonso chegou relaxado e sorridente ao paddock de Interlagos no início da tarde de ontem. Deixou claro que não sente nenhum peso no fato de poder sair do circuito paulistano no domingo como tricampeão do mundo. Conversou longamente com seu engenheiro de corrida, o italiano Andrea Stella, já estudando estratégias diante de um cenário incerto quanto ao clima paulistano.

Acima de tudo, o espanhol estava genuinamente feliz por estar no palco onde conquistou seus dois títulos mundiais. Foi o que ele revelou na conversa que tive com ele:

- Sempre é especial vir aqui. Cada vez que chego no aeroporto, no hotel ou aqui no paddock, me recordo daqueles momentos da conquista de um título. É algo que carregarei comigo sempre - admitiu.

Mas o discurso de Alonso sobre a possibilidade de ser campeão aqui no domingo é claro: o importante é minimizar a possibilidade para jogar toda a pressão para os pilotos que precisam correr atrás dos pontos.

- Talvez a chance de vencer aqui pareça maior do que realmente é porque estamos vindo de um resultado como o da Coreia, quando venci e os dois Red Bull abandonaram. Se invertêssemos essa corrida com a do Japão, quando eles fizeram uma dobradinha, todo mundo falaria que meus onze pontos de vantagem não significariam nada. A verdade é que eles seguem como favoritos - avaliou.

Se o piloto não quer pensar na chance de comemorar o tri em Interlagos, as tevês espanholas já se preparam para isso. São quatro emissoras que detém os direitos de transmissão e todas já foram para Interlagos ontem para preparar matérias especiais.

Na Espanha, a transmissão da corrida começa uma hora antes da largada, mas neste domingo ela terá início com duas horas de antecedência. E os satélites já estão reservados para funcionar horas depois da corrida, no caso de Alonso confirmar o título.

(Foto Ferrari)

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A CONTA DE ALONSO

A questão dos motores vai acompanhar Fernando Alonso como uma sombra nas próximas duas corridas. O espanhol estreou sua última unidade “zero” em Monza e, no momento, tem apenas dois motores que fizeram duas corridas - todas as outras unidades que tem à disposição estão com três provas percorridas - e relativamente perto do limite de sua vida útil.

Conversando com gente que entende do assunto, deu para descobrir qual a filosofia do uso destas unidades. Em Interlagos, Alonso vai usar o mais rodado dos motores que fizeram duas corridas. A altitude de São Paulo atua como aliada, já que a menor pressão atmosférica causa um desgaste menor na unidade.

Já em Abu Dhabi, a unidade com menor quilometragem entra em jogo, já que o stress a que os motores são submetidos é maior ali. Além de estar no nível do mar, a baixa umidade afeta muito o funcionamento de todas as partes móveis, como pistão e afins. Normalmente, poupando os motores ao máximo, cada um deles faria essa prova a mais sem problemas. Mas é o momento de decisão de um campeonato e não dá muito para poupar giros e ver os adversários conquistarem melhores resultados. É uma equação complicada e a tensão vai aumentar com esse fator de incerteza na durabilidade, especialmente em Abu Dhabi.

Para se ter uma idéia, o motor de Vettel explodiu na Coreia com 1600 quilômetros, mesmo com vida útil estimada em 2500. E não vai faltar gente zicando as unidades de Alonso. “A gente torce para que ele também tenha uma quebra. Não é possível que todo o azar do mundo fique reservado para nós” disse Helmut Marko à rádio Ö3 depois da prova na Coreia.

(Foto Luis Fernando Ramos)

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

CREDENCIAL - GP DA CORÉIA

Fernando Alonso passou gargalhando sobre os infortúnios da Red Bull para assumir a liderança do Mundial na hora decisiva. Mas vai ser o suficiente para garantir o tricampeoonato? Este é um dos temas abordados nesta edição do Credencial, levando em conta a situação dos motores do espanhol e as chances da Red Bull ser superior nas duas provas que restam. Mas a conversa não se restringiu apenas aos caminhos que levam ao título: caos, chuva e escuridão na Coreia, numa pista do Hermann Tilke que agradou. Temas inusitados e, como sempre, bem discutidos. Aperte o play (ou baixe pelo link) e boa audição!

PARTE 1



PARTE 2



(Foto Luis Fernando Ramos)