A turbulentatemporada da Fórmula 1 teve pontosnegativos de sobra. Aqui a minhacompilação do quemais chamou a atenção nesse quesito. Infelizmente, os escândalos estiveram no topo de tudo e sobraram opçõespara uns quinze itens. Espero no anoque vem termais dificuldades para essa seleção.
10 – Adrian Sutilem Cingapura
Já cansei de veressetipo de manobra no Grand Prix Legends, masnão esperava isso na Fórmula 1. Depois de baterrodascom o errático Jaime Alguersuari e rodar, Adrian Sutil resolveu darumcavalo-de-pauparavoltarpara a pista – bem no meio do tráfego. Arrebentou o carro de Nick Heidfeld e o respeitoque os colegas tinham porele. Foi o “MomentoPaul Tracy” do ano. Da década, melhor dizendo.
9 – Coletiva de Lewis Hamilton na Malásia
Com a cara de umfilhoteexpulso da ninhada e a vozhesitante, Lewis Hamilton encarou os jornalistas da Fórmula 1 parapedirdesculpas públicas pelo chamado “escândalo da mentira”. Ummomento constrangedor de tentarexplicar o inexplicável. A mídia inglesa, paraquem a maneira de se comportar de umcampeão do mundo e tãooumaisimportanteque o feito, caiu de pau. Teria sido melhorficarquieto. Michael Schumacher nunca teve queexplicarporque transformou a Rascasse num estacionamento.
8 – Kazuki Nakajima
Se a Williams perdeu o sextolugar no Mundial de Construtores para a BMW Sauber na últimacorrida, a culpa foi de Kazuki Nakajima. Afinal, os 34 pontos e meio conquistados pelaequipeem 2009 vieram do outrolado da garagem, o do alemão Nico Rosberg. Comoumautênticozero à esquerda, o japonês chegou ao fim do anosemterseunome ligado a nenhuma equipe, mesmo o pessoal na finada Toyota havia perdido as esperanças nele. E, o pior, ninguém no ambientesemprecínico da Fórmula 1 perdeu tempo falando mal dele. Vai embora e ninguém vai percebersuaausência.
7 – Giancarlo Fisichella na Ferrari
Claro, Luca Badoer foi a catástrofe do ano: irremediavelmente lento, completamentefora do ritmo e semconfiança no equipamento. Trágico, sim, mas a posterior participação de Giancarlo Fisichella com a equipe de Maranello salvou a imagem do pobre Luca. Afinal, além de limitado, Badoer não disputava uma corrida há mais de dezanos e não teve contatocomum F-1 nesta configuraçãoaerodinâmica e compneus slicks antes da estréiaemValência. Eraumnaufrágio anunciado. Já Fisichella é umpilotomaiscompetente e chegou na Ferrari depois de umresultadoimpressionantecom a Force Índia. Suamissãoeraajudar a Ferrari a se manterem 3° lugarentre as equipes, somando alguns pontinhos. Falhou fragorosamente. Seusonho de pilotarpelaequipe virou umpesadelo – e uma das maioresdecepções da temporada.
6 – Romain Grosjean
Nãoprecisanemlevaremconta a confusãoque a decisão gerou: estava na caraque a chegada de Romain Grosjean na Renault era a troca de seispordemi-douzaine. Foi atépior, pois o desempenho do francês nas provasque disputou lembrou o Nelsinho Piquet do início de 2008: afoito, inseguro, commuitoserros, acidentes e nenhuma produtividade. Além de queimarseunomepara a categoria, as setecorridasque fez serviram paraconfirmarque as apostas de Flavio Briatore, na maioria das vezes, são furadas.
5 – BMW Sauber
Em 2008, a equipe bávaro-suíça abdicou do desenvolvimento de seucarro – e portabela de brigarpelotítulo da temporada – para se concentrar no modelo deste ano. Também foi o timequemais insistiu no uso do KERS, apostando que seria a armasecretaparadominar o ano. Doistiros n’água. O F1.09 foi umcarronatimorto: o dispositivonão funcionou a contento e foi logo descartado, depois do projetotodoter sido feitoemtorno dele. Depois do fracassoesportivo, veio o inesperadoanúncio de que a marca estava deixando a categoriadepois de apenasquatrotemporadascomoequipeprópria. Com o raboentre as pernas.
4 – Heikki Kovalainen
A McLaren começou o anocomum dos piorescarros do grid, mas conseguiu virar o jogo a partir do meio da temporada e venceu duas corridascom Lewis Hamilton. Heikki Kovalainen? Bem, não subiu nenhuma vez ao pódio, umfeitoparticularmenteincrívelemValência, uma pistaondenão há pontos de ultrapassagem, quando largou da segundaposição e terminou emquartolugar. O finlandêsnão é nenhumnovato e teve a partir da Alemanha umequipamento competitivo emmãos. Mesmoassim, terminou com o mesmonúmero de pontosque Felipe Massa, quesó pôde disputarnovecorridas no ano. Umdesastretotal.
3 – FIAversusFOTA
A brigapelopoder na Fórmula 1 neste ano lembrou a de temposremotos, quandosó algumas letras eram diferentes: Fisa versusFoca. E foi o motor de todos os outrosescândalos do ano, tudomanobraspolíticas no complexotabuleiro da categoria, onde o bem-estar da mesmanão preocupou ninguém. O duelosónão ocupa o topo dessa listaporque (infelizmente) aindanão acabou. E a impressãoque fica é que “casualidades de guerra” como Max Mosley e Flavio Briatore farão de tudoparavoltar aos holofotesassimquepossível. Embrulha o estômagosó de imaginar...
2 – Falta de ultrapassagens
Novopacote aerodinâmico, asasmóveis, KERS. As novidades no regulamentotécnico da Fórmula 1 visavam apenasumobjetivo: melhorar as chances de ultrapassagem. Mas as corridas de 2009 foram, com raras exceções, uma procissão de monotoniacomapeloreservadopara os que se interessam ementenderquestões de estratégia. Se os difusoresduplos foram o instrumentopara o fracasso da idéia, a (proposital) indecisão da FIA na hora de esclarecer a regra manchou o início do campeonato e o trabalho de muitagente. Novasidéiaspara 2010, principalmente o fim do reabastecimento, podem causaralgumimpacto no problema. Resta ficarmos na torcidaparaque, desta vez, seja umimpactopositivo.
1 – Cingapura 2008
É mesmomuitograve a conspiração de causarumacidenteparafavorecerumoutropiloto da equipe e conseguirumresultadoque salvasse a pele de todos? É óbvioquesim. A Fórmula 1 já viveu suashistórias de espionagemindustrial e a flutuação de informaçõesque acompanha as transferências de engenheiros é inevitável e maisoumenos aceita. Assimcomopilotosque recebem ordensparacederposição ao companheiro de equipe. Mas naquela noite de setembro os já frágeis alicerces do esporte foram completamente ignorados, assimcomo a segurança do executor, de seuscolegas e também do público. Foi umgolpemuitobaixo, de gentesemescrúpulos e/ouforçamoral. E a motivação vingativacomque a históriaveio à tonamostramesmoque se trata de umconto de desclassificados, aindaque o efeitocolateral do episódio – a saída de Briatore do esporte – tenha sido positivo.
Bem-vindos ao início da temporada européia, que tem nos motorhomes e caminhões das equipes a sua marca registrada. Num sinal claro de crise econômica, a corrida pelo maior palácio do paddock terminou. Todas as equipes estão com o mesmo modelo 2008 (que, no caso de algumas, é de 2007 ou mesmo o de 2006).
A única exceção é a Ferrari. A equipe italiana fez um upgrade na área que era reservada à equipe e patrocinadores, ela agora possui os mesmos três andares do motorhome dos convidados. Virou uma espécie de torres gêmeas à italiana. Que certamente vai virar motivo de alfinetadas da imprensa daquele país caso o upgrade do F60, que é o que interessa, prove ser pouco efetivo.
Confira abaixo os nove modelitos 2009 (clique na imagem para ampliar e, se quiser usar, dê o crédito, por favor). Qual você gosta mais?
Não são poucos os que acham que os pilotos da Fórmula 1 atual são apenas esforçados jogadores de vídeo game. Baseiam seus argumentos comparando-os com a categoria numa era pré-eletrônica, na qual só se contava com um grip mecânico e a arte de equilibrar o instinto de buscar os limites máximos com o de sobrevivência. Hoje, dizem, o carro faz quase tudo sozinho.
Será mesmo? Cliquem na foto acima para ampliar o volante que Nick Heidfeld usa no BMW F1.09. Eu acho impressionante: são mais de duas dezenas de comandos para ele acionar, das mais distintas utilidades. E com as novas regras, o manejar desse instrumento ganhou importância fundamental na busca por vitórias.
Quem ouviu no Tazio a entrevista de Felipe Massa percebeu isso: o brasileiro destacou a necessidade de usar o KERS da maneira mais eficiente possível em todas as voltas. E sinalizou que o acionamento da asa dianteira móvel acontecerá na entrada de curvas de alta velocidade (e a busca no acerto será por um carro que saia de frente ali), com a necessidade de voltar o flap à sua posição original na saída das mesmas.
Ah! Não vamos esquecer que todo esse trabalho de regulagem desses botões e chaves do volante ocorre enquanto os pilotos estão voando baixo na pista, negociando com forças G intensas e com adversários ferozes.
Ano passado foi minha primeira temporada completa de cobertura da Fórmula 1 e, no meio da correria danada do trabalho, uma das minhas preocupações era comparecer à entrevista de Robert Kubica sempre que possível. Com os pilotos cada vez mais treinados a dizer o que devem, mas não necessariamente o que pensam, o polonês se revelou uma feliz exceção. Deu para perceber que ele só media um pouco as palavras ao falar da equipe ou quando pediam uma comparação de sua performance com a de seu companheiro de equipe. No mais, ele não temia se abrir qualquer que fosse o tema. Uma característica que o ajuda a ser o melhor jogador de pôquer do paddock, com um estilo marcado pela agressividade. Palavra de quem já o enfrentou na mesa de feltro, como Rubens Barrichello e Fernando Alonso.
Kubica venceu a enquete da briga interna com Nick Heidfeld por larga margem, somando 80% dos votos. Mas eu acho que na pista a briga vai ser boa. Para mim, o polonês é um piloto melhor que o alemão, de grande talento e cada vez mais maduro. Mas Heidfeld vai estar bem mais forte do que em 2008 com um carro que premia seu estilo suave de pilotagem. Tem boas chances, inclusive, de finalmente quebrar a barreira da vitória. Kubica prevalecerá nessa disputa, mas acho que a vantagem será pequena.
Hoje, uma ótima briga interna – e com um carro aparentemente capaz de brigar pelo título. Por isso, pense bem, vote na enquete e deixe sua opinião nos comentários sobre quem leva essa briga. Nick Heidfeld vai superar as dificuldades do ano passado? Robert Kubica conseguirá exibir ao longo de uma temporada inteira a boa forma que mostrou nas primeiras corridas de 2008? Opine!
Com a confirmação de Sébastien Bourdais (quevocê leu aqui – ouaqui – primeiro) na Toro Rosso, a Fórmula 1 apresenta uma únicamudança na constelação de pilotos, com o suíço Sébastien Buemi assumindo o posto do aposentado David Coulthard. A mudança de Sebastian Vettel da Toro Rosso para a Red Bull pode ser considerada um “remanejamento interno”. O alemão é o únicopilotoque deu certodentro do extensoprograma de jovensvalores promovido pelamarca. E, antes de parar numa equipegrande, recebe a missão de levar a “matriz” a feitosmaiores – como a primeiravitória, quejá conseguiu na “filial”, num ambienteamistoso e longe de qualquerpressão.
Daqui a poucas horas acontece a apresentação do RB5, seucarropara a temporada 2009. Vettel sinalizou que o modelo pode trazer algumas surpresasem uma entrevistapara o jornal “Speedweek” – uma das três publicações que trazem o alemãozinho na capa nesta semana. “Nossocarrosó ficou prontoemjaneiro, masnão acho queisso seja uma desvantagem. O carro é bonito e muitodiferente dos outros. Mas o queconta, no fim, é a velocidade na pista. Se for boa, poderei ficarconfiantepara a temporada”.
Vettel será o responsável pelas primeiras voltas do novomodeloem Jerez. No muro dos boxes, praticamente recuperado do acidente de bicicleta sofrido emdezembro, estará Mark Webber. Na escalada meteórica do alemãozinho, o australiano representa umdegrauimportante. Superá-lo claramente e se estabelecercomolíder da equipe é suatarefa. Mas Webber é umpilotomuitorápido nas classificações – o primeiroparâmetro de comparação a cadafinal de semana. E é tambémumcompanheiro de equipeduro, afeito a jogospsicológicosquando fareja umoponenteveloz. No infernoque Antonio Pizzonia viveu na Jaguarem 2003, Webber foi um dos quemais alimentaram o incêndioque incinerou a passagem do brasileiro na equipe.
A diferençaaqui é a maturidade de Vettel. Apesar de seusapenas 21 anos, deixa a maioria de seuscolegas no chinelo na maneira de encararnãosó o automobilismo, mas os desafios da vidacomoumtodo. Na entrevistadada a outrarevista, a “Red Bulletin”, eis a suaresposta à pergunta ‘o que a Fórmula 1 te deu de voltadepois de tudo o quevocê investiu nesse objetivo’:
- Satisfaçãointerior. Quandoeumanejo o bólido na classificação e percebo quecadacurva foi feita no limite, cruzo a linha de chegada, vejo o tempo e penso ‘cara, essa foi animal’: não há o que compre ummomentocomoesse, é o sentido de toda a coisa. Só a pilotagem consegue mefazermergulharemalgo de formatãoprofundaqueeunão sinto maisnada. Em comparação a isso, o dinheiro, as pessoas famosas, aquelecircotodo: tudo é completamenteirrelevante.
Difícilnãoadmiraressecara. Pode atéserqueele demore umtempopara se ambientar ao clima da Red Bull Racing, completamentediferente do que conheceu na BMW Sauber e na Toro Rosso. Mas a adaptação vai acontecer e, a partir daí, Vettel colocará Webber no bolsocomfacilidade.
(Na foto, o olhar de umimberbepiloto na Fórmula BMW, em 2004)
Na pauta desse blog, discussõessobre a Fórmula 1 emtodos os seusaspectos: histórias do passado, análises do presente, bastidores da cobertura e curiosidades. E muitamúsicaparatemperar essa mistura de razão com a paixãoque o automobilismo desperta.
Repórter de Fórmula 1 do Grupo Bandeirantes de Rádio, do diário Lance e da revista Racing. Apreciador de boa música, viagens e velocidade. Guitarrista amador, corredor de rua e piloto virtual.