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sábado, 12 de março de 2011

BOTÕES E BORBOLETAS

Quando estive no teste em Valência, me coloquei num ponto acima dos boxes da Ferrari na tentativa de fazer um “Spy Shot” do volante do carro deles, para tentar entender como eles distribuíram toda a “botoneira” que a peça carrega neste ano. Não deu para chegar à uma conclusão clara, até porque eu não consegui acertar o foco (clique nas imagens acima e abaixo para ampliar).

Me chamou a atenção foi um pseudo botão com a letra “K” na parte superior direita. Só que, na foto abaixo dá para ver claramente, não há um botão lá. Parece apenas um adesivo - talvez para iludir as lentes de possíveis bisbilhoteiros como eu.

Complementando a busca, surge uma informação interessante: a Ferrari - e aparentemente, a McLaren - optou por colocar na parte de trás do volante os botões para o acionamento do KERS e também da asa móvel. Uma solução até lógica, já que seus pilotos nem precisariam buscar o botão certo na frente do volante, onde quase não há uma superfície livre.

Vale lembrar que, na parte de trás, já existem quatro borboletas: as duas que mudam as marchas e duas para acionar a embreagem dupla durante as largadas. Ao que tudo indica, outras equipes, inclusive a Red Bull, trabalham para copiar esta solução. Mas não será possível aprontá-la a tempo dos primeiros GPs da temporada. Não é à toa que vimos gente como Sebastian Vettel reclamar bastante do excesso de botões, enquanto Felipe Massa sempre disse que estava tudo bem. Neste quesito, vermelhos e prateados-cromados devem começar o ano com uma pequena vantagem.



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EDIT: O José Inácio Pilar aproveitou para me mandar a foto abaixo, onde aparece um botão na parte traseira do volante da Ferrari, o que ilustra esta informação. O Maurício Nascimento indica esse vídeo onde um engenheiro da Ferrari explica tudo - a partir do minuto 15:22. Há um outro botão similar no lado da empunhadura da mão direita. Parece uma solução bem simples de se copiar, vamos pesquisar em Melbourne quem estará trabalhando desse jeito.

(Fotos Luis Fernando Ramos - reprodução de vídeo da Ferrari)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

BAHREIN: QUEM PERDE E QUEM GANHA

Discussões políticas à parte (elas estão no post abaixo), vale um exercício de ver quem se saiu bem e quem perdeu com o cancelamento do GP do Bahrein e o fato da temporada começar duas semanas mais tarde, na Austrália.

QUEM GANHOU
McLAREN
A pré-temporada era curta demais e, argumentos otimistas à parte, o fato é que a McLaren não esperava tantos problemas iniciais com o MP4-26 e chegaria ao Bahrein com muita lição de casa não feita. Estas duas semanas a mais permitirão que o time as faça, podendo almejar começar o ano em pé de igualdade com Ferrari e Red Bull. Parece pouco tempo, mas quem conhece a capacidade dos engenheiros da F-1, ainda mais dos que dispõem de recursos, sabe o salto que eles podem fazer em quinze dias.

PIRELLI
Se por um lado perdeu com a não realização de um teste sob altas temperaturas - o que estava prevista para o Bahrein - o fato da próxima sessão em Barcelona tornará mais fácil que a fabricante faça (e teste) eventuais revisões na construção do composto médio, que apresentou um comportamento imprevisível demais até aqui.

MERCEDES
Pela performance do W02, talvez dois meses antes da abertura da temporada seria o ideal. Mas o carro deu sinais de melhora nos últimos testes em Barcelona e apresentou um trunfo que pode ser importante no início do ano: a maior velocidade final de reta do grid. Agora, terá tempo para resolver sua principal dor de cabeça, a fragilidade do equipamento.

HISPANIA
Uma equipe que treina pouco e que ainda nem apresentou seu carro e seu segundo para a temporada pode respirar aliviada com o tempo que ganhou para fazer isso e com uma corrida a menos para diminuir seus custos. Na sua arte de sobrevivência, quanto menos atividade, melhor.


QUEM PERDEU
RED BULL
É consenso no paddock que o RB7 é o carro com mais potencial até aqui. Para complicar ainda mais, o modelo tem apresentado uma excelente confiabilidade - e Adrian Newey ainda guarda alguns trunfos na manga quanto ao pacote aerodinâmico. No Bahrein, correria no máximo contra a Ferrari pela vitória. Agora pode ganhar mais companhia na frente.

FERRARI
É um quadro parecido com a da Red Bull. A Ferrari também estava mais pronta que as outras para começar a batalha. Mas há um outro fator importante: o único KERS que não deu nenhum tipo de chabu mais sério nesta pré-temporada foi o dos italianos. Mercedes, Renault, seus clientes e a Williams sofreram (ou ainda sofrem) com suas unidades, mas poderão reverter isso com mais tempo agora.

FELIPE MASSA
A sensação é de que o carro da Ferrari está bem e eu pude testemunhar de perto a animação de Felipe Massa com ele já em Valência. E o brasileiro costuma andar bem no Bahrein, mas não tem um histórico tão bom em Melbourne (embora tenha conseguido um pódio no ano passado). Reverter isso será um desafio maior para o início do ano. Por outro lado, isso não é de todo ruim, já que suplantar eventuais deficiências será um ponto crucial para que Massa tenha uma bom temporada.

PRÍNCIPE SALMAN AL KHALIFA
É relevante o fato de ter sido os organizadores do GP do Bahrein que anunciaram o cancelamento da abertura da temporada prevista para 13 de março. Se a prova não se mover no calendário, o que vai acontecer se o bom senso prevalecer, dificilmente ele vai receber de volta o dinheiro que pagou para Bernie Ecclestone. Claro que ele tem coisas muito mais importantes para resolver, mas o cancelamento foi uma derrota tanto política quanto econômica para o príncipe.

(Foto McLaren)

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

McLAREN MP4-26

Dia corrido hoje como são os dias de viagem. No momento estou no aeroporto de Zurique, onde cheguei num avião lotado de membros da equipe Sauber e com um tranquilo Adrian Sutil que veio no meio do povão da econômica, foi atencioso com os pedidos para fotos e autógrafos e se disse “muito satisfeito” com o teste de ontem com a Force Índia do ano passado.

Sua equipe, aliás, anunciou hoje a renovação dos laços técnicos com a McLaren. E é o time prateado que ocupa as manchetes sobre a categoria hoje com o lançamento do MP4-26. Difícil buscar uma análise detalhada de um modelo que, o time mesmo admite, tem alguns segredos guardados. Soluções diferentes pro escapamento? Veremos.

Mas as entradas de ar laterais em forma de “L” e a outra que fica na carenagem logo em cima do motor mostra que o time resolveu inovar para atender ao “Santo Graal” dos projetistas neste inverno: gerar mais aderência na parte de trás - que ficou comprometida depois da proibição do difusor de fundo duplo.

A solução deles foi canalizar para o parte inferior da asa traseira o maior volume possível de ar. A sofisticação destes caminhos nos faz imaginar o quanto de tempo foi investido no túnel de vento, mesmo com as restrições impostas pela FIA. Nessas horas aparece a vantagem ter uma equipe com grande estrutura para colocar um time trabalhando por muito tempo num carro novo enquanto o resto desenvolvia o da temporada em disputa.

“Inovar” também foi a palavra de ordem na Williams, com uma caixa de câmbio baixa e compacta, e na Renault-Lotus, com os escapadores “para a frente”. O tempo (e os dados dos computadores) vão dizer qual delas chegará mais rapidamente ao mesmo nível do ano passado quanto a pressão aerodinâmica na traseira. Curiosamente, a Red Bull e a Ferrari trouxeram mais uma evolução do que uma revolução na traseira de seus carros em relação aos modelos anteriores. Ainda assim, as duas saíram de Valência até mais satisfeitas do que imaginavam em relação a seus carros novos, que nasceram muito bem.

O ano mal começou e a guerra de engenharia já está no seu ápice. Para quem se interessa por isso, a F-1 é um prato cheio!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

CONTINUIDADE VERSUS REESTRUTURAÇÃO

Na distribuição do “Autosport Awards”, a premiação anual da tradicional revista inglesa de automobilismo, deu para perceber a celebração do momento de duas equipes. Adrian Newey fez questão de chamar ao palco vários nomes importantes de sua equipe para receber o prêmio de “carro de corridas do ano” pelo RB6. Não foi para tentar parecer modesto ao destacar a importância do trabalho em conjunto. Newey pode ser o gênio que tem idéias visionárias ou que sabe entender o que pensa o projetista rival ao observar um detalhe novo do carro deste, mas conseguiu montar um timaço que traduz e refina seus conceitos para o carro. Afinal, se o RB6 correu praticamente sozinho em circuitos que exigem uma boa carga aerodinâmica, muito do crédito vai para o chefe do setor, Peter Prodromou. E o braço-direito de Newey na concepção de novas peças para o desenvolvimento do carro é o chefe de desenho Rob Marshall. Unidos e campeões, este time já trabalha faz tempo no sucessor de um carro que foi dominador.

Na McLaren, o clima também foi de celebrar o próprio trabalho com a merecidíssima conquista do prêmio de inovação pioneira pela criação do conceito de duto de ar. Quem subiu ao palco nem foram os nomes no topo da equipe técnica de woking como Paddy Lowe e Neil Oatley, mas o engenheiro-chefe Tim Goss e o chefe de aerodinâmica Doug McKiernan. Pelas posições, os que mais quebraram a cabeça para fazer o conceito funcionar. Em que pese as dificuldades perto do final da temporada, a McLaren encerra o ano de 2010 com uma ótima performance em Abu Dhabi e, acima de tudo, com o grupo muito unido e motivado para o ano que vem. O chefão Martin Whitmarsh já avisou que o novo modelo está cheio de “idéias inovadoras”.

O que nos leva à Ferrari. Depois da frustração pela perda do título, parte da imprensa italiana e espanhola, e até mesmo políticos (?!?) foram a público clamar por mudanças radicais no organograma da equipe. Em que pese a paixão latina, é preciso entender que a evolução técnica do F10 foi notável ao longo do ano. Seria um erro tremendo mexer nesse time que fez um bom trabalho. Mais inteligente seria reconhecer que parte do fracasso se deve a um ano muito ruim de Felipe Massa e à profusão de erros que Fernando Alonso cometeu na primeira metade do campeonato. Se a estratégia o matou em Abu Dhabi, também lhe deu a vitória em Monza, quando uma chamada aos boxes na hora certa e uma troca de pneus em tempo recorde lhe permitiu voltar à pista na frente de Jenson Button.

No próximo dia 16, Luca di Montezemolo se encontrará com representantes da imprensa e poderá anunciar novidades. Até lá, dois rumores ocuparão as manchetes. Um é a possibilidade dele sair da Ferrari para entrar com os dois pés na vida política. Ambição para isso ele parece ter e, eu já ouvi várias vezes, sua oratória (a maneira de falar, não necessariamente o conteúdo) é de deixar muito chefe de estado com inveja. Não me surpreenderia se isso fosse confirmado.

O outro é que Flavio Briatore ocuparia um posto chave na Ferrari em 2011, possivelmente como substituto de Stefano Domenicali. Duvido que isso aconteça. Não podemos esquecer que o bufo fashion fez um acordo com a FIA em abril deste ano para ser “anistiado”, no qual se comprometeu a não assumir um posto numa equipe de Fórmula 1 até o final de 2012. Ele não poderia simplesmente passar por cima disso.

A não ser que ele assuma o posto do próprio Montezemolo. Com um advogado esperto (e não esqueçamos as inúmeras vitórias que a Ferrari teve nos tribunais da FIA nos últimos anos), eles poderiam argumentar que a Ferrari S.p.A. é uma empresa que fabrica carros e que seu presidente não teria uma atuação direta sobre os assuntos da Scuderia Ferrari, que seria totalmente gerida por Domenicali. Uma balela das boas, mas balelas são as músicas mais ouvidas em salas de julgamento.

Vamos aguardar para saber se a Ferrari vai apostar na continuidade, como suas adversárias deste ano, ou na reestruturação. Se Briatore vier, e com Fernando Alonso na equipe, uma coisa é certa: o 2011 de Felipe Massa acabaria antes mesmo de ter começado.

domingo, 24 de outubro de 2010

DE CORPO FECHADO

A risada vibrante de Fernando Alonso no rádio da Ferrari ao final do GP da Coreia era a de um homem que não podia acreditar na sua própria sorte. Veio após uma vitória que o colocou de volta na liderança do Mundial depois de quase sete meses. Justamente antes de penúltima etapa do ano. Assim, ele vai para Interlagos como o único piloto com chances de ser campeão no GP do Brasil. Justamente o palco das suas últimas conquistas.

Foi um triunfo de sobrevivência. Como se tivesse o corpo fechado, Alonso foi passando incólume pelos problemas de seus adversários na briga pelo título. A primeira vítima das condições dramáticas de um domingo molhado em Yeongam foi justamente Mark Webber, o líder na tabela até então. Um erro de pilotagem bobo num momento em que todos andavam com cautela o fez estampar o muro (e, de quebra, levar junto a Mercedes de Nico Rosberg, que fazia um inspirado início de prova).

A sorte pareceu ter abandonado o espanhol no momento de sua parada nos boxes quando um erro da Ferrari (cuja responsabilidade ele assumiu após o triunfo) na mudança da roda dianteira direita o jogou para o terceiro lugar na prova atrás de Lewis Hamilton. Mas o inglês da McLaren cometeu um raro erro na chuva durante a relargada e Alonso prontamente recuperou o segundo lugar.

Um impecável Sebastian Vettel se mantinha na liderança, cuidando do desgaste dos pneus intermediários e da aproximação do piloto da Ferrari. Mas o destino resolveu sorrir para este quando o motor Renault do carro da Red Bull explodiu sem o menor aviso a onze voltas do final, tirando o alemão da prova e diminuindo drasticamente suas chances no campeonato.

Alonso agradeceu e partiu para sua quarta vitória em sete corridas, consumando uma virada no Mundial iniciada com a polêmica vitória de Hockenheim. Restou reconhecer que, para ter sucesso, é preciso mais do que apenas competência.

- Acho que desde Silverstone temos um carro para ir ao pódio, mas o fator sorte nos fez sofrer. Agora estamos vencendo também por causa disso. Hoje eu era terceiro, uma Red Bull bateu e outra teve o motor estourado. Como eu sempre disso, a sorte se equilibra ao longo de uma temporada.

Apesar do tricampeonato mundial e de um título em seu primeiro ano de Ferrari estar ao alcance da mão, Alonso prefere minimizar suas chances.

- Se todos perdessem o avião para o Brasil seria mais fácil. Mas as Red Bull foram melhores que nós aqui, fazendo a primeira fila no sábado. Se fizerem duas dobradinhas, será um problema para mim - raciocinou.

Do lado da Red Bull, calma. Nem parecia que Sebastian Vettel tinha sido vítima da face mais amarga do automobilismo. Nove voltas o separavam de uma vitória que o deixaria numa condição excelente para o primeiro título de sua carreira. Num instante, o sonho se evaporou numa espessa nuvem de fumaça.

- Não houve o menor aviso. Quando entrei na reta dos boxes, os quatro cilindros de um lado falharam e era questão de segundos que os quatro outros se fossem também. Até ali, estava bastante orgulhoso da corrida que vinha fazendo. Tinha tudo sob controle, mesmo naquelas condições dificílimas.

Apesar da pouca idade, o alemão da Red Bull mostrou personalidade de veterano no que deve ter sido o pior dia da sua carreira esportiva.

- Às vezes é preciso ter sorte também. Muitas vezes nesse ano tivemos altos e baixos e não daria para mudar isso agora. A vida é assim e temos que aceitar isso. Mas sou sempre o último a desistir e a chance de ser campeão existe.

O pesadelo da Red Bull foi completado pelo erro de Mark Webber logo no início da prova.

- Errei, a responsabilidade é toda minha. Mas ainda temos duas corridas pela frente e já estou pensando no Brasil - disse o australiano.

Cabisbaixo, o chefe do time Christian Horner acusou o golpe, mas garantiu que a Red Bull não fará jogo de equipe a favor de Webber, o piloto melhor colocado na tabela.

- Acho que o título será decidido na última curva em Abu Dhabi. Mark é o segundo na tabela, Sebastian o quarto, mas só uma vitória o separa de Alonso. Quantas vezes vimos a maré virar rapidamente neste ano? Não dá para pegar uma bola de cristal e ver o que acontecerá no Brasil e em Abu Dhabi - justificou.

Além da situação da briga pelo título, não faltam assuntos para o “Credencial”: a questão da demora no início (real) da prova, as inúmeras confusões na pista, as impressões de uma pista nova e de um país novo, as perspectivas para Interlagos. Enfim, como sempre, o espaço dos comentários é de vocês!

(Foto Ferrari)

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

FORRÓ DE CABO A RABO

Era poeira subindo/era aquele poeirão/e os cabras não deixavam o Zé aguar o chão/ele chamou um soldado/e o soldado chamou um cabo/e o forró continuou/e foi forró de cabo a rabo”. A letra da música do inesquecível Luiz Gonzaga (feita em parceria com João Silva) trouxe muitos dos elementos desde início de atividade do GP da Coreia: a poeira na pista, os soldados que trabalham duro para aprontar as arquibancadas. É uma F-1 forrozeira no lugar mais improvável.
A situação é curiosa em especial na chicane que antecede a reta, a sujeira impera, uma vez que os pilotos “cortam” levemente a zebra com a parte externa das rodas esquerdas para ganhar velocidade na reta. Foi ali que me postei para fazer imagens do primeiro treino e ilustrar um quadro que não tem como solucionar até domingo.No fundo, acho bacana. Os melhores pilotos do mundo vão enfrentar um desafio a mais e acho que todo mundo vai ganhar com o espetáculo. Pelo menos dá para fazer umas fotos diferentes - a da McLaren, focando nas pedrinhas, ficou especialmente bacana. Clique nas imagens para ampliar!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A NOVA FILOSOFIA DA F-1

A Fórmula 1 vive um clima de decisão a partir da disputa mais intensa por um título nos últimos anos. Mas o futuro da categoria também estará em pauta nos bastidores do GP do Japão, neste final de semana em Suzuka. Depois de acertarem um novo acordo de contenção de custos, os chefes das equipes vão se reunir para discutir sobre o regulamento que deve entrar em vigor em 2013.

A tendência aponta para o uso de um motor turbo de quatro cilindros e a volta do “efeito-solo”. Mas uma decisão final só vai acontecer quando for verificado o impacto das mudanças no orçamento das equipes. Conversei sobre o assunto com exclusividade com o atual presidente da FOTA, a associação das equipes, Martin Whitmarsh. Ele acredita que essa política austera não afeta os valores contidos na raiz da Fórmula 1.

“É vital manter esta ideia de que as equipes estão desenvolvendo suas próprias tecnologias. Mas é preciso ser realista”, aponta o chefe da McLaren. “O desafio dos engenheiros hoje é em cima da eficiência de se tirar o máximo dos componentes do carro em cima das restrições que temos. Enquanto o público identificar que o desafio de se fazer uma tecnologia de ponta dentro desse quadro específico, o DNA da Fórmula 1 permanece intacto”.

Whitmarsh destaca que os custos da categoria explodiram há alguns anos por conta da presença de muitas montadoras na Fórmula 1 e da disputa entre elas. E vê a contenção de custos como a única maneira da categoria sobreviver. “A Fórmula 1 é um esporte muito caro. Nós da McLaren, mesmo estando bem financeiramente, queremos disputar títulos também daqui a cinco, dez anos. E, para isso, precisamos ter uma categoria forte e vibrante. Desde que a McLaren começou, 106 equipes passaram pela categoria e acabaram saindo. É uma estatística impressionante”, afirma.

Segurar os times que estão correndo é a filosofia pregada pelo presidente da FOTA. “Se tivéssemos uma fila de gente querendo entrar na categoria, não seria problema se alguns saíssem. Mas pelo quadro da economia mundial que temos, é preciso mostrar responsabilidade e trabalhar com estas restrições”, prega Whitmarsh.

Curiosamente, uma filosofia que vai um pouco contra as movimentações de Bernie Ecclestone, que parece decidido a voltar a fazer seu show com apenas dez equipes para ser se um fracionamento menor do bolo satisfaz o apetite delas. Mas é preciso dar razão a Whitmarsh: no quadro atual, com carros em branco e uma equipe que faz rodízio de pilotos para conseguir um dinheiro que a mantenha, perder participantes é um luxo do qual a F-1 não pode usufruir.

sábado, 25 de setembro de 2010

FALA WHITMARSH

Confesso que, no início do ano, esperava que fosse na McLaren que estourasse os primeiros conflitos internos dentre as duplas de pilotos das equipes grandes. O tempo mostrou que não foi este o caso: Lewis Hamilton e Jenson Button seguem na briga pelo título sem interferências do comando do time. É o que me explicou Martin Whitmarsh nessa entrevista exclusiva. O engenheiro que fala à vontade nas suas longas respostas, trouxe um retrato claro de como é a convivência de dois campeões mundiais compatriotas numa mesma equipe. O que você acha da filosofia? Leia e opine!

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Luis Fernando Ramos: Como a McLaren está trabalhando nesta reta final do campeonato? Ainda há o que desenvolver no MP4-25?
MARTIN WHITMARSH: Sim, ainda há o que ser desenvolvido. Temos um novo pacote de asa dianteira, novos dutos de freio e componentes aerodinâmicos. Estamos sendo agressivos nisso. Red Bull tem uma nova asa traseira aqui, teremos uma nova na Coréia. Partes importantes do carro continuam sendo desenvolvidas. Este campeonato está sendo épico e temos cinco pilotos separados por menos de uma vitória a cinco corridas do final. O título vai ficar para a equipe que desenvolve mais o carro e faz menos erros. E para o piloto que exibe a melhor forma e erra menos. É simples assim. Se quisermos vencer, somos obrigados a continuar um desenvolvimento agressivo. E é algo normal, para falar verdade. Na maioria dos anos a McLaren está na briga e trabalhando duro até o final. Temos novidades aqui, mais novidades na Coréia e vamos trabalhar para estarmos no topo de nossa performance até Abu Dhabi.

LFR: Christian Horner sinalizou ontem que a principal adversária da Red Bull nesta reta final é a Ferrari. Você concorda?
MW: Eu não sei o que foi dito na Red Bull sobre a Ferrari. O fato é que as três equipes que estão na briga tem seus pilotos separados por uma margem muito pequena. Acho que este equilíbrio vai se manter até o final, vai ser uma disputa ferrenha e isto é ótimo: é por isso que estamos aqui e gostamos desse desafio.


LFR: Mas o fato de vocês manteram aberta a briga entre seus pilotos não pode tirar pontos importantes numa disputa tão acirrada?
MW: Eu reconheço que acabamos prejudicando por isso em algumas ocasiões. Como em 2007. Se tivéssemos aplicado a mais sutil das ordens de equipe a favor de um dos nossos pilotos, seríamos campeões e todo mundo sabe disso. Não é legal perder o campeonato por um ponto. Entretanto, é assim que gostamos de competir. Jenson Button só se juntou à nossa equipe porque sabia que teria chances iguais de lutar com Lewis Hamilton pelo título. Historicamente é como gostamos de conduzir a equipe, é a nossa filosofia.

LFR: Você se impressionou pela maneira com que Jenson Button se adaptou rapidamente à equipe?
MW: Não tanto como as pessoas de fora, mas é preciso dar um crédito ao Jenson. Ele veio como campeão do mundo e depois de muitos anos na mesma organização. E mesmo assim chegou de mente aberta. Ele é uma pessoa muito inteligente e madura. Ele rapidamente encantou a equipe – e acho que duas vitórias no início do ano o ajudaram a ficar mais à vontade.


LFR: Mas não era de se esperar algum conflito entre eles?
MW: Sua relação com Lewis é muito clara, eles têm muito respeito mútuo. São estilos diferentes: Lewis é mais agressivo nas ultrapassagens e Jenson, mais comedido. Mas acho que um está aprendendo com o outro. Eles querem derrotar um ao outro, já se ultrapassaram e até se tocaram na pista. Tiveram azares nas últimas corridas. Para entender melhor: em Spa, Lewis ganhou e Jenson saiu da prova depois de ser atingido por outro piloto. Quando fomos tirar a foto da equipe tive de rir porque Jenson, mesmo tendo de lidar com a decepção de ter sido tirado da prova, disse a Lewis que iria derrotá-lo no final do ano mesmo tendo 35 pontos atrás, tudo feito de forma bem-humorada. Mas Jenson pensa isso mesmo, quer vencer o título desse ano, assim como Lewis, e vão disputar de forma ferrenha para conseguí-lo.

LFR: Você precisa interferir muito para manter essa relação sadia?
MW: Não, nada, eles se viram entre eles. São pessoas com pés-no-chão e se dão bem. Em janeiro, tínhamos dois pilotos ingleses, o que aconteceu mais por acaso do que por planejamento. Então me sentei com ambos e expliquei que, não importa o que acontecesse, eles nunca leriam nos tablóides que há harmonia na McLaren porque isso não é notícia. Os jornais querem publicar é que há conflito interno na equipe. Até tentaram fazer isso no início, mas depois perceberam que eles trabalham bem juntos. Pode até ser que isso mude, se eles chegarem na última corrida em primeiro e segundo com um ponto os separando. Pode dar tudo errado. Eu acho que eles vão brigar de forma dura, mas fazer a coisa certa. Só saberemos isso na última corrida do ano.

(Foto McLaren)

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O DILEMA DE ÍCARO

Com que asa eu vou? Essa é a pergunta que está sendo feita nos boxes da maioria das equipes aqui em Monza. Repare como, em frente aos boxes da McLaren, há dois modelos completamente diferentes para a asa dianteira de Lewis Hamilton. O de trás é o mesmo que ele utilizou na última corrida de Spa. O da frente lembra um modelo antigo da equipe e, provavelmente, é uma opção para a pista de Monza por oferecer menos arrasto aerodinâmico, o que garante mais velocidade de reta – o cálice sagrado neste pista.

Mas a principal questão está na asa traseira. As equipes que possuem o duto de ar – ou seja, todas com exceção da Toro Rosso e das novatas – trouxeram para esta pista um modelo especialmente desenvolvido para Monza, de tamanho reduzido e que produz menos arrasto. Só que a peça não permite o uso do duto de ar, pois ela não consegue estolar o fluxo canalizado pelo “F-Duct” para ganhar a velocidade extra na reta.


Ou seja, a dúvida dos engenheiros é esta: se usarmos a asa normal da temporada (que produz mais arrasto), conseguiremos a mesmo velocidade final de reta do que com a asa especial para Monza, tendo ainda o benefício de um carro mais estável em curvas de alta como a Lesmos, a Ascari e a Parabólica?


As respostas, eles terão nos treinos livres de amanhã, quando utilizarão o carro nas duas configurações. A título de curiosidade, o procedimento vai ser iniciar a sessão com o duto de ar e a asa “normal”, para depois desmontá-lo e usar a asa “especial”. O motivo é o tempo: é mais rápido desmontar do que montar a solução.

domingo, 29 de agosto de 2010

FÉ EM DEUS E PÉ NA TÁBUA

Um circuito divino, um clima diabólico: pela qualidade e dramaticidade das corridas, os GPs da Bélgica costumam ser sempre quase uma experiência religiosa. E ontem não foi diferente. Uma pancada de chuva leve no início e outra mais forte na parte final das 44 voltas disputadas garantiram uma boa dose de problemas para os pilotos da Fórmula 1. Não foi à toa que o vencedor terminou a a prova falando que foi guiado pela mão de Deus quando quase pôs tudo a perder num momento em que escapou da pista.

Que condições traiçoeiras... incrível! Spa sempre nos traz a corrida mais desafiadora do campeonato. E eu estou no paraíso por tê-la terminado em primeiro”, exultou Lewis Hamilton.

O piloto da McLaren tinha mesmo uma conta em aberto com o circuito. Em 2008, ele cruzou a linha de chegada na frente, mas recebeu uma punição de tempo por ter cortado a chicane numa ultrapassagem e ficou classificado em terceiro. Alívio duplo para o inglês:
Eu amo as corridas, está no meu sangue. Chegando aqui, fiquei surpreso como éramos competitivos, possivelmente com o melhor carro. Mas foi difícil transformar isso em vitória nessas condições tão instáveis. De qualquer jeito, é um prazer agora poder colocar essa pista na lista dos lugares em que já venci, falou o piloto, que conquistou sua 14ª vitória na F-1.

E Hamilton tem mesmo razão: no templo de Spa, o jeito foi rezar para sobreviver até o final da prova, não importando a que preço. Mark Webber fez uma péssima largada, caiu pro meio do pelotão mas acertou depois a oração e foi premiado com um segundo lugar importante para suas pretensões no campeonato.


Outros naufragaram num dilúvio de erros. Jenson Button foi vítima involuntário de um erro calamitoso de Sebastian Vettel. O alemão tinha mais velocidade, mas meteu os pés pelas mãos na hora de tentar a ultrapassagem, perdeu o controle do seu carro e rodou, atingindo em cheio a McLaren do atual campeão do mundo.


O calvário de Vettel seguiu com uma punição, um pneu furado e decisões estratégicas equivocadas. Terminou o dia crucificado pelo chefe de Button, Martin Whitmarsh.
Não foi algo que você espera ver na Fórmula 1, tinha mais cara de categoria de base. Uma punição de Drive-Through foi leve demais”, reclamou o comandante da McLaren.

A Ferrari também afundou com o abandono de Fernando Alonso, que bateu sozinho perto do final depois de ter a prova comprometida logo na primeira volta, quando seu carro serviu de freio para a desgovernada Williams de Rubens Barrichello. A escuderia apostou alto no espanhol em Hockenheim e pagou um certo preço num dia em que foi Massa quem salvou pontos para ela. Jogo de azar é pecado, deveriam saber.


A discussão teológica está lançada: faça seus comentários e perguntas para o “Credencial”, que deve ir ao ar na terça-feira.

sábado, 14 de agosto de 2010

PARADOXO PRATEADO

O divórcio do século parece ter tido um óbvio vencedor. Enquanto a McLaren briga por vitórias e títulos, a Mercedes se debate com um carro pouco competitivo e um ídolo menos ainda. O time de Woking posa como uma exigente e caprichosa dama: a bolada que embolsou do ex-marido estaria simbolizada no uso dos eficientes propulsores da marca alemã; o novo e belo amante é representado pela dupla de campeões ingleses, a única dos times de ponta que ainda não apresentou nenhum sinal claro de desgaste; e a felicidade está nas vitórias conquistadas e na chance de lutar por elas e pelo título.

Do outro lado, a equipe oficial da Mercedes cai como uma luva no papel do milionário que perdeu uma fortuna com a separação: o carro pouco competitivo fica como uma mansão decadente e vazia; Michael Schumacher é a nova companheira, uma ex-diva temperamental e, descobriu o milionário agora, pouco afeita a satisfazê-lo; e o fracasso nas pistas simboliza a ruína financeira.

Mas este cenário é pura ilusão.

Ron Dennis já deixou claro seu nervosismo ao mandar seus pilotos “pararem de reclamar” do atual estágio do MP4-25. E é ele a força por trás das desesperadas acusações contra as asas dianteiras de Red Bull e Ferrari, que têm passado a cada final de semana nas vistorias feitas pela FIA. O motivo disso é óbvio: o tempo urge e Dennis não consegue encontrar nenhum sheikh milionário disposto a investir no seu megalômano projeto de criar uma “Ferrari inglesa” com a McLaren Automotive.

E o buraco deixado pelo segmento ameaça a médio prazo o futuro da própria equipe de Fórmula 1. Sem um grande patrono por trás – como uma montadora ou uma bebida com gosto de chiclete que vende como água –, não vai demorar muito para que a McLaren tenha de reajustar para baixo o tamanho de seu orçamento. Será o início do mesmo processo pelo qual passou a Williams – uma grande vencedora do passado, hoje uma equipe esforçada e competente, mas limitada pelos recursos de que dispõe.

A Mercedes, por outro lado, vê um futuro bem mais róseo que o seu presente. Para convencer os diretores da montadora a investir numa equipe própria de F-1 num momento em que todas as outras caíam fora, Norbert Haug teve de aceitar um orçamento enxuto e governado de maneira meticulosa. Grana de equipe média mesmo, o que reflete na posição do time na tabela e no desenvolvimento vagaroso do W01.

Mas os indícios do mercado apontam que a marca vai ter um lucro muito maior que o esperado em 2010. Além do fim das medidas drásticas tomadas nas fábricas da Mercedes para combater a recessão, a notícia significa sinal verde para o time trabalhar em 2011 com uma liberdade financeira com a qual jamais pôde sonhar nesta temporada.

É por isso que todos os esforços em Brackley miram faz tempo no W02, um carro que vai diferir e muito do atual, buscando incorporar características que se encaixem melhor com o estilo de pilotagem de Michael Schumacher. Afinal, todos no planeta sabem, 2011 será a última chance do alemão para justificar a confiança demonstrada pela Mercedes em apostar no seu retorno às pistas.


(Foto The Cahier Archive)

sexta-feira, 23 de julho de 2010

BALANÇO DE MEIA TEMPORADA IV

McLAREN
É injusto afirmar que a McLaren está na ponta do Mundial apenas pelos dramas da Red Bull. Afinal, a idéia do duto de ar veio de Woking e, antes que os outros times a copiassem, seus pilotos construíram resultados importantes. Além do mais, o MP4-25 tem uma boa capacidade de desenvolvimento. E o time não tem errado nas suas escolhas. Não tem o melhor carro, mas é a melhor equipe da primeira metade do ano. Com sobras.


Lewis Hamilton
demorou só um pouquinho para pegar a mão desta nova Fórmula 1, na qual cuidar do desgaste dos pneus e do consumo de combustível é importante. E está mostrando uma maturidade surpreendente ao saber exatamente a hora de atacar e a hora de correr apenas pelo resultado possível. Os pilotos já entenderam que a chave do título é colecionar pódios. E o inglês está fazendo isto melhor que o resto do grid.

Jenson Button
calou todos os céticos em pouco tempo na McLaren. Trabalhou duro para uma adaptação rápida ao time e colheu os frutos disso com duas lindas vitórias em condições confusos, uma área em que costuma brilhar. Chega ao meio do ano em ótima posição para defender seu título. Mas precisa melhorar seu desempenho em classificações com urgência para se manter vivo na briga até o final.

RED BULL

A Fórmula 1 traz alguns exemplos em 60 anos de história de equipes que perdem um título para elas mesmas. É o filme que pode estar sendo exibido neste ano. Adrian Newey conseguiu com o RB6 um carro superior em qualquer tipo de pista. Mas o time já jogou fora um caminhão de pontos por falhas mecânicas e pela má administração dos seus pilotos. Ficou uma situação em que só o título salva.


Sebastian Vettel
continua um piloto velocíssimo, colecionando poles e vencendo eventualmente com autoridade. Mas já passou da hora de mostrar que é capaz de triunfar em situações adversas, conseguindo aquele algo a mais numa corrida com problemas. Não tem culpa nos rachas internos da equipe, mas parece que é o mais afetado por elas.

Mark Webber
está fazendo a temporada de sua vida, andando o tempo todo no mesmo nível do companheiro Vettel – algo que só acontecia de vez em quando no ano passado. E age também com astúcia fora da pista para desestabilizar o alemão. Sabe que pode ser sua última chance de título e a está agarrando com uma determinação que pode fazer a diferença no final. Olho nele!

FERRARI

Ainda não é aquela Ferrari bagunçada dos anos de fila, mas está longe de ser o sinônimo de eficiência dos anos de Jean Todt. Não vejo nada de grave na parte técnica: o carro é mais confiável do grid e não é nenhum drama estar correndo atrás da performance excepcional do modelo da Red Bull. Mas as decisões de comando são mais erradas do que certas (classificação na Malásia, episódio Alonso em Silverstone).


Fernando Alonso
parece uma criança frustrada. Seu sonho de chegar na Ferrari com um título começou com tudo na vitória do Bahrein. Mas o espanhol começou a errar muito depois que a superioridade do conjunto da Red Bull ficou claro. Isso atrapalhou muito suas chances no campeonato. Está pilotando muito bem, mas está sendo mais prejudicado por si mesmo do que pela própria competitividade do carro ou eventuais erros do comando da equipe.

Felipe Massa
não está fazendo uma boa temporada e é o primeiro a reconhecer isto. O problema de falta aderência dos pneus na classificação não é desculpa, mas um fato que está atingindo em graus diferentes muitos pilotos do grid. Quando ele não ocorre, o brasileiro até consegue resultados condizentes com o potencial do carro. Mas precisa urgente de uma grande performance, de preferência uma vitória, para salvar um ano que, até aqui, está sendo para se esquecer.

sábado, 17 de julho de 2010

TV BLOGO – EMERSON FITTIPALDI EM MÔNACO


Não é uma volta voadora. Mas um passeio em Mônaco tendo Emerson Fittipaldi como chofer de uma McLaren M23 sempre vale a pena. Três ícones que ajudaram a fazer da Fórmula 1 um dos grandes espetéculos esportivos do planeta. Aperte o play (e os cintos) e bom passeio!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

MINIATURAS – McLAREN MP4-22

Minha visita à Inglaterra rendeu uma garimpada nos modelos em promoção de uma loja em Milton Keynes. E não foi surpreendente ver um baita de um desconto no mais famoso dos casamentos fracassados da Fórmula 1. Fernando Alonso até mudou a pintura de seu capacete, mas saiu correndo da fábrica de Woking depois de tropeçar na qualidade de Lewis Hamilton e no amor que brotou dentro da equipe pelo talentoso piloto inglês.

O que deixa uma pergunta no ar: na hipótese da performance da Ferrari ir ladeira abaixo nos próximos dois anos, vocês imaginam o espanhol esquecendo todas as juras apaixonadas feitas ao time italiano e sair jogando charme, digamos, para a Red Bull? Lembrem-se que, no início do ano, ele afirmou que esta seria sua última equipe na categoria. O que acham?

A miniatura acima é da Minichamps, feita na escala 1:43. Clique na imagem para ampliar!

terça-feira, 13 de julho de 2010

CREDENCIAL – GP DA INGLATERRA

Este Mundial de 2010 não pára de ficar emocionante! O GP da Inglaterra teve uma boa dose de ação e terminou cheio de assuntos, principalmente o clima explosivo da “Red Boom” que pode fazer Lewis Hamilton rir por último neste campeonato. Mas a prova de Silverstone trouxe ainda um princípio de crise na Ferrari, o brilho de Barrichello e Kobayashi, a confusão da equipe Hispânia. Ficou uma edição bem completa, graças também à maciça participação de vocês. Confira o programa em duas partes, como de costume:

PARTE 1


PARTE 2


(Foto Luis Fernando Ramos)

sábado, 12 de junho de 2010

AS APOSTAS DE HAMILTON


 
Precisou mesmo de uma boa dose de drama para um piloto conseguir quebrar a hegemonia da Red Bull nos treinos classificatórios. Lewis Hamilton conseguiu hoje, ao abrir uma volta rápida quase no limite do treino e encaixar os setores da pista de forma perfeita. O combustível no seu carro também esteve no limite e a equipe o orientou a parar o carro no meio da pista, para restar o mínimo necessário para a coleta e análise oficiais. Por este motivo, o piloto levou uma reprimenda e uma multa de dez mil dólares dos comissários de prova.

Mas a alegria pelo feito foi maior que tudo. Com o carro já em ponto morto e parando, o inglês tirou o cinto de segurança, sentou-se na beira do cockpit e acenou para as arquibancadas, fazendo a festa do ótimo público presente no circuito Gilles Villeneuve. Queria aproveitar o momento, até porque sabe que a tarefa de vencer na corrida de hoje será difícil, por uma questão estratégica. 

Hamilton foi um dos muitos pilotos que fizeram a parte final do treino de classificação com um jogo de pneus mais macios. Assim, é obrigado pelo regulamento a largar com eles. Mas a maioria das equipes aponta uma vida curta e uma perda rápida de performance para o composto. A tendência é que o inglês da McLaren pare depois de poucas voltas, abrindo caminho para os pilotos da Red Bull, que estão logo atrás no grid e com os pneus mais resistentes. A não ser que um Safety Car entre na pista em poucas voltas, tornando uma parada nos boxes praticamente obrigatória para todos.  

Uma aposta arriscada, mas que num circuito como o Canadá, pode render bons dividendos para o inglês. Que fechou o dia sem triunfar em outra aposta, a da vitória da Inglaterra . 

- Apostei com um amigo americano na vitória do meu país, valendo um jantar hoje à noite – falou. No final, cada um vai pagar a própria conta.

domingo, 6 de junho de 2010

A RAIVA DE HAMILTON

O punho não se levantou em júbilo pelo primeiro triunfo no ano. As felicitações do engenheiro pelo rádio foram recebidas com frieza. Ao descer do carro, nenhuma vibração com os mecânicos que se amontoavam na grade, apenas um abraço gelado no companheiro de equipe.

Era
óbvio que Lewis Hamilton estava de mal com o mundo ao final do GP da Turquia. na última edição do “Credencialeu apostava que ele via no ataque de Jenson Button na 48ª volta a quebra de um acordo. Não que não concordasse com a disputa com um companheiro de equipe em si. Era mais um caso de ter recebido garantias que ela não aconteceria. O vídeo oficial no site da Fórmula 1 mostra que foi justamente este o caso. A tradução do diálogo via rádio é aproximada:

Engenheiro
: Lewis, we need you to save fuel; both cars doing the same (“Lewis, precisamos que você economize combustível, os dois carros estão na mesma situação”)

Lewis Hamilton: Jenson is closing in on
me guys (“Jenson está chegando perto, gente”)

E: Understood, Lewis (“
Entendido, Lewis”)

LH: If I back
off, is Jenson gonna past me or not? (“Se eu diminuir o ritmo, Jenson vai me passar ou não?”)

E: No, Lewis... No (“
Nem a pau, Juvenal”)

O
vídeo não explica se Button tinha uma orientação explícita de não atacar o companheirocomo Hamilton teve a de que não seria atacado. Button sabia que tinha de economizar combustível, mas talvez não tenha interpretado isso (ou não quis interpretar) como um sinal para se satisfazer com o segundo lugar. O fato é que, apesar da bonita disputa na pista que não resultou em acidente, a McLaren saiu de Istambul tão dividida quanto a Red Bull.

(Foto McLaren)

quarta-feira, 2 de junho de 2010

FOTO DO DIA – GP DA BÉLGICA DE 1968

A primeira das quatro vitórias de Bruce McLaren na Fórmula 1 dá uma dimensão do seu talento. O neo-zelandês venceu o GP dos EUA de 1959 aos 22 anos e 104 dias de idade, numa época em que a experiência contava muito na Fórmula 1. Um recorde que perdurou por mais de 40 anos, até ser batido por Fernando Alonso no GP da Hungria de 2003 – esta, uma marca de vida curta, já superada por Sebastian Vettel na vitória de Monza em 2008.

Mas foi o último de seus triunfos o que deve ter lhe dado mais satisfação. No desafiador traçado antigo de Spa-Francorchamps, Bruce consolidou o triunfo em cima dos infortúnios de outros líderes, assumindo a liderança na última volta quando Jackie Stewart ficou sem gasolina (o pessoal que joga o GPL já viveu isso). Foi a primeira vitória da McLaren na Fórmula 1, numa corrida que trouxe outros feitos históricos: a primeira vez que um carro foi equipado com aerofólios e o recorde de participações na categoria para Jack Brabham, com cem provas disputadas.


A morte de Bruce McLaren, num acidente em Goodwood durante um teste com um modelo de Can-Am, completa 40 anos hoje. Entrem no site da equipe e curtam as justas homenagens feitas ao fundador de um time que entrou para a história.

terça-feira, 1 de junho de 2010

CREDENCIAL – TURQUIA

Por que Lewis Hamilton desceu de cara amarrada depois de sua primeira vitória do ano? Por que a Red Bull queria que Vettel ultrapassasse Webber naquele momento da prova? Ficou um programa longo esse “Credencial” do GP da Turquia, mas vai ajudar a entender muitas questões do final de semana – me ajudou também, deu para consolidar algumas conclusões enquanto eu analisava em cima das perguntas de vocês. E tem também informações quentíssimas sobre tudo o que circula no paddock, incluindo os detalhes sobre o projeto de continuidade na Red Bull, mesmo com o que aconteceu em Istambul. Aperte o play para ouvir as duas partes do programa. E ajude a divulgá-lo por aí, em fóruns, blogs, no twitter. Conto com o apoio de todo mundo que gosta do “Credencial”!

PARTE 1



PARTE 2

sexta-feira, 28 de maio de 2010

SONS E IMAGENS DA SEXTA

No ano passado, o GP da Turquia foi o primeiro que tirei um tempo para ir à beira da pista e fotografar durante os treinos livres. Hoje, deu gosto constatar que deu para aprender e evoluir bastante desde então. E levei até o gravador. Aperte o play para ouvir o ambiente na freada da curva 12 enquanto você curte as imagens abaixo :

Hamilton entre cores e linhas

O touro do carro de Buemi chegando com velocidade dobrada

Zebra já virou pista faz tempo, demonstra Glock

Liuzzi na freada

Fiquei esperando o Petrov um tempão nessa posição, mas ele não apareceu. Mas a imagem com o Kubica também ficou legal

Massa e a pintura especial da Ferrari

Organização é tudo

Casa Maluca: cadê o fotógrafo?

Todo o brilho de Jenson Button

(Fotos Luis Fernando Ramos)