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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

ESPECIAL 2010 - OS DEZ MELHORES

Diversos pilotos, alguns em momentos específicos. O melhor de 2010 da minha lista teve acima de tudo uma admiração pelo trabalho individual. Mas o topo da lista ficou reservado à uma festa e uma equipe. Porque um evento tão complexo como a Fórmula 1 é feito de um trabalho em conjunto. Especialmente quando ele mantém o esporte em primeiro plano. Confira abaixo a lista e discorde à vontade nos comentários:

10 - KAMUI KOBAYASHI
As arquibancadas do circuito de Suzuka tremiam a cada manobra. O epicentro do terremoto era o carro branco de número 23 de Kamui Kobayashi. O japonês aproveitou-se de uma estratégia distinta da maioria do grid, fazendo um stint longo com os pneus duros antes de calçar os moles e partir para uma série de ultrapassagens decididas - como já havia feito em Valência quando deixou para trás até mesmo o herói local Fernando Alonso. Embora a segunda parte do trabalho seja a mais espetacular, o fato é que seu ritmo de corrida nestas duas provas com os duros foi o que mais impressionou os técnicos da categoria. Ultrapassar, como ele constatou na entrevista que fizemos em Interlagos, “é o normal”. Em 2011, mesmo sem trazer dinheiro, Kobayashi faz mais uma temporada na Sauber. E terá a chance de continuar impressionando equipes maiores para ambicionar um cockpit de ponta no futuro. Fãs espalhados no mundo inteiro torcerão por isso.

9 - JENSON BUTTON
Ele surpreendeu o stablishment quando decidiu sair da campeã Brawn e levar o número 1 para a McLaren. Era um passeio “na cova do leão”, como Jackie Stewart descreveu a equipe que é berço e lar do excepcional talento de Lewis Hamilton. Mas Jenson Button não deu bola para o que diziam e provou toda sua qualidade com duas vitórias em condições difíceis no início do ano, o suficiente para colocá-lo na liderança do mundial. Depois, foi um dos que sucumbiram com os pneus em treinos classificatórios e arruinou suas possibilidades. Mesmo assim, uma incrível regularidade nas corridas o manteve vivo na briga por muito tempo. Não fosse abalroado por Vettel em Spa, teria chegado à decisão com chances.

8 - KUBICA EM CINGAPURA
“Quem é o próximo, quem é o próximo?” Os engenheiros da Renault não esconderam um riso de admiração quando Robert Kubica entrou no rádio. Numa das pistas mais apertadas do ano, o polonês não desperdiçou o uso dos pneus macios na parte final da corrida (por conta de um furo no pneu, acabou na mesma configuração de Kobayashi em Valência e Suzuka) e foi dobrando quem estivesse pela frente. Um piloto em ponto de ebulição, deixando claro aos rivais que não estava para brincadeiras só pela maneira de atacar. Foi o ponto alto de um grande ano para um piloto que tem tudo para voar alto quando estiver em uma equipe de ponta. É mera questão de tempo para que isso aconteça.

7 - MARK WEBBER

Depois da temporada de 2009, ninguém esperava de Mark Webber nada além do que um papel secundário na Red Bull, ajudando a equipe a somar pontos e angariando vitórias quando Sebastian Vettel tivesse algum problema. Mas o australiano fez a temporada da sua vida e, durante muito tempo, apareceu como o mais forte candidato ao título. Em especial suas performances nos técnicos circuitos de Barcelona e Mônaco foram verdadeiras aulas de ritmo de corrida. O piloto também soube ser matreiro ao capitalizar a seu favor as confusões do comando da equipe na Turquia e na Inglaterra para colocar pressão sobre o companheiro de equipe. Pena que sucumbiu diante da resposta deste no momento decisivo do campeonato, deixando o título escapar com um erro bobo na Coreia e uma classificação ruim na prova decisiva.

6 - POLE DE HÜLKENBERG
Numa temporada completamente dominada por três equipes, foi quase um milagre ver o carro azul e branco da Williams ocupando o primeiro lugar de um grid. Tudo bem que houve a interferência de São Pedro e o imprevisível clima paulistano. Mas Nico Hülkenberg fez um trabalho perfeito quando as condições favoráveis apareceram: pista úmida, asfalto frio, um carro e um estilo pilotagem agressivo com os pneus. Mesmo com o futuro ameaçado, encaixou três voltas perfeitas em sequência e colocou mais de um segundo de vantagem sobre a excelente combinação RB6-Vettel-Chuva. Não salvou seu emprego, mas encerra o ano com boas perspectivas depois de mostrar à equipe que é dono de um talento que o dinheiro não compra.

5 - HAMILTON E O DUTO DE AR
O espírito combativo de Lewis Hamilton ganhou uma arma letal com uma das mais inteligentes criações na história da Fórmula 1. Um canal de vento dentro do monocoque que permitia a asa traseira “estolar” nas retas, fazendo um efeito parecido ao de uma asa móvel, mas sem ferir o regulamento. Especialmente no início do ano, a velocidade maior no final das retas permitiu ao inglês realizar um show de ultrapassagens. Mas mesmo no final do ano, quando os rivais já haviam desenvolvido suas versões da novidade, Hamilton continuou a demonstrar seu instinto e pressionar ao máximo quem tivesse à sua frente, como aconteceu com Robert Kubica em Abu Dhabi. As chances de título sucumbiram diante de erros pontuais seus e, principalmente, pela falta de desenvolvimento do carro da McLaren na reta final. Mas o inglês termina 2010 como o grande artista do ano. Os fãs do esporte agradecem.

4 - ALONSO EM CINGAPURA

O caráter fora-de-série de Fernando Alonso ficou claro em uma série de ocasiões ao longo do ano. Não foram poucas as provas em que ele conseguiu resultados além do que seu carro permitia, simplesmente empregando ao máximo sua qualidade. Em que pese os erros cometidos na primeira parte do campeonato (largada queimada na China, acidente no treino livre em Mônaco que o deixou fora da classificação), esta capacidade cativou de vez a equipe Ferrari. E teve seu ápice em Cingapura. Numa pista travada e ondulada, na medida para toda a eficiência do RB6, o espanhol conquistou no braço a pole position num circuito em que realmente excede. Na corrida mais longa e fisicamente desgastante do ano, não se incomodou um instante com a sombra azul do carro de Sebastian Vettel e conquistou a mais bela de suas vitórias em 2010. Um momento de puro brilho para se contrapor com as polêmicas que volta e meia se envolve.

3 - SEBASTIAN VETTEL
O mundo caiu de pau em cima de Sebastian Vettel ao final daquele domingo chuvoso em Spa-Francorchamps. Sua mal-sucedida ultrapassagem sobre Jenson Button despertou as lembranças do acidente com o companheiro de equipe Mark Webber na Turquia. O “drive-through” e o apelido de “crash kid” que recebeu em consequência disso foram os outros pregos de sua cruz. Moleque, estabanado, imaturo: as etiquetas estavam coladas por todo o corpo. Não devem ter sido dias fáceis, mas o alemão foi buscar uma confiança inabalável dentro de si. A partir de então, marchou impávido sobre o companheiro Mark Webber em todas as provas. E rumo ao título, apenas uma imprevista quebra de motor nas voltas finais da Coreia o impediu de vencer as quatro últimas corridas do ano. Coroado campeão, preferiu sorrir ao invés de esfregar o sucesso nos que o atacaram. Moleques são os outros.

2 - FESTA DOS 60 ANOS
Foi uma chuva de estrelas naquele domingo ensolarado no meio do deserto. John Surtees, Jackie Stewart, Emerson Fittipaldi, Mario Andretti, Jody Scheckter, Keke Rosberg, Damon Hill, todos conduzindo os carros nos quais ganharam títulos mundiais. Mika Hakkinen e Nigel Mansell em modelos campeões dos anos 50. Na platéia? Niki Lauda, Alain Prost, Alan Jones e até mesmo Jack Brabham. Ao final das voltas de exibição (mas que não nos enganemos, a turma ia afundando o pé um pouco mais a cada passagem), todos se encontraram e se confraternizaram numa comunhão de grandes pilotos com grandes máquinas. O sorriso infantil nos rostos cheios de rugas foi a maior prova de que o amor pela velocidade é maior que o tempo. Uma festa à altura da própria Fórmula 1.

1 - RED BULL
De um lado, um panteão de história e com rígida hierarquia chamado Ferrari. Do outro, uma equipe de enorme excelência técnica e com dois campeões mundiais que são o sonho de qualquer patrocinador chamada McLaren. No meio, uma equipe com um orçamento menor e toda enrolada na hora de administrar os anseios individuais de seus pilotos. Mas justamente por isso mais palpável, humana. De sobre-humano na Red Bull, só mesmo o bólido desenhado pelo gênio da prancheta Adrian Newey, praticamente imbatível nas classificações, embora de resistência por vezes imprevisível nas corridas - mesmo assim, o pilar sólido de todo o sucesso alcançado. Mesmo tropeçando diversas vezes no próprio cadarço, a Red Bull resolveu respeitar o bom trabalho de sua dupla de pilotos e não se intrometeu neste duelo interno na reta final, contrariando o senso comum de muitos especialistas e fãs. E foi por ter dois cavalos no páreo decisivo que conseguiu o segundo (e mais suado) título da temporada em Abu Dhabi, deixando os adversários sem saber para qual carro olhar. O ano de 2010 foi o ano do triunfo de uma equipe jovem, que consegue ser eficiente mesmo batendo cabeças. Uma que tem os ingredientes na mão para se firmar como uma das grandes do esporte ao longo dos próximos anos. Se não tiver sido fogo de palha, um dia saberemos que o futuro da F-1 começou aqui.


(Fotos Luis Fernando Ramos)

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

FORRÓ DE CABO A RABO

“Era poeira subindo/era aquele poeirão/e os cabras não deixavam o Zé aguar o chão/ele chamou um soldado/e o soldado chamou um cabo/e o forró continuou/e foi forró de cabo a rabo”. A letra da música do inesquecível Luiz Gonzaga (feita em parceria com João Silva) trouxe muitos dos elementos desde início de atividade do GP da Coreia: a poeira na pista, os soldados que trabalham duro para aprontar as arquibancadas. É uma F-1 forrozeira no lugar mais improvável.
A situação é curiosa em especial na chicane que antecede a reta, a sujeira impera, uma vez que os pilotos “cortam” levemente a zebra com a parte externa das rodas esquerdas para ganhar velocidade na reta. Foi ali que me postei para fazer imagens do primeiro treino e ilustrar um quadro que não tem como solucionar até domingo.No fundo, acho bacana. Os melhores pilotos do mundo vão enfrentar um desafio a mais e acho que todo mundo vai ganhar com o espetáculo. Pelo menos dá para fazer umas fotos diferentes - a da McLaren, focando nas pedrinhas, ficou especialmente bacana. Clique nas imagens para ampliar!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O JAPONÊS QUE DEU CERTO

Como esperado, a Sauber anunciou a manutenção do japonês Kamui Kobayashi para a próxima temporada. Uma notícia que confirma a qualidade desse piloto que chegou na Fórmula 1 encantando os torcedores com seu estilo aguerrido – e continuou fazendo isto neste ano assim que o carro da Sauber ganhou em velocidade e resistência.

É importante notar que Kobayashi ganhou a confiança de Peter Sauber por seus resultados. Ao contrário de compatriotas contemporâneos como Kazuki Nakajima ou Sakon Yamamoto, ele não traz consigo um caminhão cheio de motores ou uma carteira cheia de dinheiro. Ainda é cedo para avaliar o conjunto de sua obra na Fórmula 1, mas ele caminha a passos firmes para ser o melhor piloto japonês que passou pela categoria. E isso é muito.


Bacana, sua presença vai enriquecer o grid. A segunda vaga no time ainda está em aberto, mas se as conversas com Carlos Slim evoluírem, ela será preenchida por Sérgio Perez. A propósito, tanto a renovação de Kobayashi como esse possível acordo com a Telmex foram informações presentes na última edição do “Credencial”. Se você ainda não está na turma que escuta regularmente o programa, está aí mais um argumento para fazê-lo.

(Foto Sauber)

sábado, 29 de maio de 2010

ELEMENTO ÁGUA

Já adiantando material para as próximas semanas, tentei abordar o maior número possível de pilotos cujos países jogarão a Copa do Mundo para ouvir seus prognósticos e opiniões sobre o torneio. Seguindo o tom da maioria, Kamui Kobayashi disse que não curte e nem entende muito sobre futebol, mas que assistiria ao evento. Fiquei curioso para saber que tipo de esporte ele gostava, achando que seria o beisebol, popularíssimo no Japão. Nada disso. “Gosto de esportes marinhos, como o iatismo. Não sou do tipo que gosta de correr ou andar de bicicleta. Meu negócio é estar na água, com um veleiro ou com um jet ski”, respondeu. Filho de sushiman, aquamanzinho é.

(Foto Luis Fernando Ramos)

terça-feira, 2 de março de 2010

TV BLOGO – PROPAGANDAS DO GP DO BRASIL 2010

Idéias simples, execuções excelentes. Pegar a turma da Fórmula 1 para murmurar o ronco dos motores (acima) ficou impagável. E colocar os gringos falando uma expressão em português ficou também divertido de se ver (abaixo). O alto astral que eles estão dá o charme final para as peças. A agência mandou muito bem aqui, parabéns!


Dicas do Kico Stone e do Bruno Americano.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

ESPECIAL 2009 – IMAGENS OBTUSAS

Na tarefa de reportar tudo o que acontece num final de semana da Fórmula 1, a máquina fotográfica aparece como um instrumento importante para captar o ambiente do paddock. Claro que na correria pela informação, o uso dela costuma ficar em último plano, já que não sou fotógrafo. Mas a brincadeira de captar imagens às vezes rende algo interessante. Confira abaixo alguns momentos do Mundial de 2009 contados pela desfocada lente da minha câmera digital.

AUSTRÁLIA
É quinta-feira e o clima nos boxes ainda é de incerteza e expectativa para a temporada que vai começar. Nos boxes da equipe que faz sua estréia na Fórmula 1, Ross Brawn e o diretor da equipe Ron Meadows ficaram cerca de meia hora repassando uma série de pontos. Podia ser sobre a questão dos difusores, que bombava nos bastidores antes mesmo da primeira sessão oficial do ano. Ou anteviam uma temporada de sucesso, enquanto apreciavam o vencedor BGP001 nos boxes.

MALÁSIA
Foi assim ao longo de toda a semana: por volta das 5 da tarde, um dilúvio caía sobre o circuito de Sepang, deixando o paddock deserto assim que o último incauto encontrasse um abrigo. Poças d’água enormes se formavam em todos os lugares, inclusive na pista, onde bólidos de corrida construídos rente ao chão deveriam rasgar o asfalto. A interrupção do GP da Malásia pela metade foi um fracasso anunciado e explicado por uma ambição por audiência tão grande que quis ignorar o ciclo da natureza.

CHINA
A risada das mocinhas chinesas parece zombar do campeão mundial e de seu colega. Depois do “escândalo da mentira”, foi em Xangai que a McLaren anunciou o afastamento completo de Ron Dennis da equipe de Fórmula 1, a justificativa corporativa escondendo o cadáver da briga política com Max Mosley. O desempenho na pista não ajudava e a temporada prateada se anunciava um desastre. O tempo mostraria que não foi.

BAHREIN
Sábado de classificação e o calor extremo do deserto pede por uma sombra. Mas a ocupação do espaço reservado aos torcedores para o ócio denuncia o que foi a tônica não só daquele final de semana, mas de praticamente toda a temporada. O ano de 2009 foi marcado também pelos enormes vazios nas arquibancadas. Culpa de todas as crises: a econômica, a política e a esportiva.

ESPANHA
A segunda dobradinha da Brawn GP na temporada não teve o componente festivo da abertura do Mundial na Austrália. Depois de superar Jenson Button após uma largada sensacional, Barrichello acabou surpreendido pela mudança na estratégia do companheiro de equipe. Desceu do carro visivelmente contrariado, principalmente pelo fato de seu engenheiro não ter sido avisado dos planos para ter a chance de contra-atacar. O brasileiro precisaria esperar mais algumas corridas para celebrar sua primeira vitória no ano.

MÔNACO
Para quem faz a cobertura da Fórmula 1, o que torna Mônaco especial é a possibilidade de ficar a poucos metros da ação, com visão privilegiada de como os pilotos lidam com um dos traçados mais difíceis do calendário, onde não há margem para erros. Foi o que fiz na quinta-feira, admirando cada vez mais o talento de gente como Kimi Raikkonen, que conquistaria em Monte Carlo o primeiro pódio de um ano difícil, para ele e para a Ferrari.

TURQUIA
Seis vitórias em sete corridas. Jenson Button continuou sua marcha colossal na Turquia, abrindo caminho na primeira volta como se fosse Moisés e a Red Bull de Sebastian Vettel, o mar. Deixei o autódromo de Istambul convencido que o Mundial de 2009 já estava decidido e seria um dos mais chatos de todos os tempos. Tremendo erro de julgamento. Muita coisa ainda estava por vir, na pista e nos bastidores.

INGLATERRA
Nelsinho Piquet interrompeu suas atividades na quinta-feira para um sessão de fotos, que acabaram utilizadas para os menus do novo game oficial da Fórmula 1. Com ou sem capacete, sua expressão era um tanto séria, mesmo nos momentos de pausa. Fruto da pressão por resultados que vinha do seu chefe e de uma cláusula do seu contrato. O clima na equipe era dos piores e a novela que culminaria na decisão de trazer o escândalo de Cingapura à tona já estava em marcha.

ALEMANHA
Foi o final de semana mais frio do ano, com temperaturas invernais em pleno verão europeu. Condições que permitiram o domínio completo da equipe Red Bull, mas com um protagonista inesperado. Não foi Sebastian Vettel, mas Mark Webber quem dominou na Alemanha, fazendo a pole-position e vencendo pela primeira vez na carreira, mesmo após receber uma punição por uma agressiva defesa de posição na largada.

HUNGRIA
Havia uma corrida para ser disputada, mas o clima no domingo em Hungaroring era realmente estranho. Em meio as incertezas quanto a recuperação de Felipe Massa, a única coisa que parecia fazer sentido era mesmo a homenagem do grupo da Ferrari que trabalha em seu carro. O acidente do piloto brasileiro, sério e bizarro ao mesmo tempo, marcou um final de semana e deixou completamente em segundo plano a volta da McLaren e de Lewis Hamilton às vitórias.

EUROPA
Depois de quatro semanas de pausa, a Fórmula 1 viu confirmado o renascimento esportivo de Rubens Barrichello depois de um inverno de incertezas e um início de campeonato com alguns contratempos. Em Valência, o brasileiro fez uma corrida perfeita para superar as duas McLarens quando parou nos boxes, num final de semana em que o companheiro Jenson Button jamais se encontrou. O grito solto na hora de comemorar foi mais que merecido.

BÉLGICA
Quando ocorreu o treino livre de sábado em Spa, quase ninguém sabia que uma investigação oficial sobre o episódio de Cingapura-2008 estava em curso. Mas tanto Flavio Briatore quando Pat Symonds já haviam sido interrogados pelos investigadores da FIA e podiam prever os dias tempestuosos que enfrentariam pela frente. Assim, a foto que eu fiz meramente para ilustrar o trabalho no pitwall da Renault ganhou uma nova cor à luz das evidências. As costas curvas e os braços cruzados são só indícios do turbilhão de pensamentos que deviam ocupar a mente do italiano naquele momento. Sua hora estava chegando.

ITÁLIA
Jaime Alguersuari parece desanimado nos boxes de Monza. Último colocado do grid de largada a sete décimos de segundo do piloto à sua frente, seu companheiro de Toro Rosso Sebastien Buemi, o espanhol foi um exemplo de uma geração de novos nomes que chegaram à Fórmula 1 em 2009 sem trazer nenhum tipo de empolgação ou frescor. Com uma única e gloriosa exceção, que chegaria mais adiante (nos sentidos temporal e espacial).

CINGAPURA
Depois de uma première controversa, o GP de Cingapura fez a segunda corrida noturna da história sem contar com o impacto da novidade. Foi uma das corridas mais aborrecidas do ano, dominada com facilidade por um inspirado Lewis Hamilton. Nem o espetáculo de luzes dos carros e dos moderníssimos prédios do centro nos salvou do marasmo proporcionado pelo traçado de Marina Bay.

JAPÃO
Foi como em uma longa novela na qual os atores principais passam toda a trama se cortejando à distância para, depois de algumas reviravoltas, consumar o casamento no último capítulo. E o último capítulo aconteceu numa sexta-feira chuvosa em Suzuka, quando o espanhol Fernando Alonso foi confirmado como piloto da Ferrari para 2010. E, mesmo com o título da temporada ainda em jogo, a imprensa mundial passou o dia olhando com ansiedade para o ano que vem.

BRASIL
Acontece de vez em quando de um piloto estrear na Fórmula 1 com uma performance arrebatadora. Para pegar exemplos recentes: Nico Rosberg pontuou e fez a melhor volta da prova no Bahrein em 2006. E Lewis Hamilton subiu ao pódio e ultrapassou Fernando Alonso por fora na primeira curva de Melbourne, no ano seguinte. Em Interlagos foi a vez de Kamui Kobayashi, que endureceu o trabalho do campeão mundo Jenson Button e fez uma linda ultrapassagem no final sobre Giancarlo Fisichella. O show continuou em Abu Dhabi, mas pode ter tido um fim abrupto com a saída de cena da Toyota. Tomara que não.

ABU DHABI
E a temporada terminou num autódromo limpo e polido como um novo shopping center, cenário para imagens plásticas como essa de Kimi Raikkonen. Um GP um tanto asséptico e sem brilho, marcado por uma série de despedidas. Muitas anunciadas, como a da BMW. Outras silenciosas, como a da Toyota. E algumas ainda apenas “possíveis”, como a do próprio Raikkonen, prenúncio de um período de muitas incertezas até que o Mundial de 2010 tenha início.

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Para quem ainda não viu, confira as outras partes do Especial sobre o Mundial de 2009:

- Parte 1: Os dez melhores
- Parte 2: Os dez piores

terça-feira, 3 de novembro de 2009

ESPECIAL 2009 – OS DEZ MELHORES

Nada como um especial para celebrar um final de temporada, não é? Preparei um em três partes, começando com os dez melhores da temporada na minha opinião. Discorda de algum ponto? Faltou alguma coisa imprescindível? Dê a sua opinião! E amanhã tem mais especial, aguarde!

10° lugar – Kamui Kobayashi

Em duas corridas, o japonês da Toyota trouxe uma (enorme) lufada de ar fresco para a Fórmula 1, mostrando agressividade, executando ultrapassagens e deixando marcas no conceito de muitos novatos (e veteranos, e mesmo do campeão do mundo).


9° lugar – Pole de Button em Mônaco

Seu desempenho nos treinos livres tinha sido bom, mas não excepcional. No Q2, Button ficara apenas em oitavo lugar e, no Q3, estava estacionado em posições intermediárias quando foi para sua última volta rápida. Um giro determinado, no limite e perfeito, que lhe garantiu uma pole position da qual jamais pareceu candidato.


8° lugar – Lewis Hamilton

Depois do chamado “escândalo da mentira” e de uma atuação triste na sua casa em Silverstone, o ano de Lewis Hamilton parecia fadado ao fracasso. Mas a McLaren soube lhe desenvolver um carro competitivo e o inglês retribuiu com duas vitórias e mais um par de grandes atuações. Acima de tudo, mostrou que o mais menino dos campeões mundiais está mais maduro do que nunca.


7° lugar – Circuito de Suzuka

O pessoal do Mobility Land gastou um bom dinheiro na reforma de Suzuka e mostrou que mesmo uma pista tradicional pode atender aos padrões da Fórmula 1 moderna, com um paddock e boxes amplos e instalações confortáveis. E o traçado de John Hugenholtz provou mais uma vez ser um dos mais desafiadores do mundo. A nova geração da categoria que o diga.


6° lugar – Mark Webber

“Webbo” passou o ano de cama e a pré-temporada submetido a uma intensa fisioterapia, incluindo sofridas sessões em câmaras criogênicas (sim, aqueles ambientes gelados usados em bancos de esperma, por exemplo). O esforço foi recompensado com duas vitórias e um ritmo mais próximo de Sebastian Vettel do que muita gente imaginava, configurando sua melhor temporada na Fórmula 1.


5° lugar – GP do Brasil

Interlagos estabeleceu-se como palco de decisões, mas o Grande Prêmio do Brasil foi além disso. Seu traçado garantiu ótimas disputas, a dose habitual de confusão (o drama do sábado, Trulli e Sutil, Kobayashi e Nakajima) e a tradicional e inigualável paixão da torcida pela categoria, que faz do evento o favorito da maioria de seus personagens (pilotos, membros das equipes, jornalistas, etc).


4° lugar – Adrian Newey

Em sua quarta temporada na equipe Red Bull, o “engênieiro” inglês justificou cada centavo de seu amplo salário projetando o melhor carro da temporada. A mudança radical nas regras permitiu que ele exercesse sua criatividade; a confusão com a regra dos difusores impediu que sua criação dominasse o ano todo. Mesmo assim, Newey correu atrás do prejuízo e realizou com maestria as adaptações necessárias ao difusor duplo. As três vitórias no final do ano ficam como prova.


3° lugar – Giancarlo Fisichella em Spa

O mundo parecia girar ao contrário naquele final de semana de setembro. Giancarlo Fisichella colocou o carro na nanica Force Índia na pole position e só não venceu a prova porque havia um inspiradíssimo Kimi Raikkonen em uma Ferrari com KERS para resistir à sua diabólica pressão durante umas 40 voltas. Com o melhor carro daquele final de semana, o italiano exibiu a melhor faceta do esporte, antes de fazer um dos “worst career moves” da história.


2° lugar – Sebastian Vettel

Está certo, ele cometeu a sua dose de erros, como a desnecessária e desastrada defesa de posição contra Kubica na Austrália, a batida oriunda de pura frustração em Mônaco ou o erro na primeira volta na Turquia. Mas como tudo na trajetória de Vettel é natural, ele aprendeu rapidinho e fez uma tremenda segunda metade da temporada. E deixou a impressão que, apesar das falhas, o título se perdeu mesmo nos problemas de motor que teve. E vê-lo como futuro campeão do mundo já deixou de ser impressão. Virou certeza faz tempo.


1° lugar – Brawn GP

Um inverno de absoluta incerteza – a única certeza que tinham é que o carro projetado era excepcional – criou uma unidade poucas vezes vista em uma equipe de Fórmula 1. E foi esta união o principal segredo do sucesso da Brawn GP em 2009. Se Jenson Button deu o tom e praticamente garantiu o título na primeira metade do ano, Rubens Barrichello mostrou o caminho para a equipe manter a trajetória diante do crescimento dos adversários. E para a turma que sofreu como poucas nas duas temporadas de fracasso que culminaram com a saída da Honda, a dupla conquista de 2009 foi ainda mais saborosa. Numa temporada em que a “insurreição das pequenas” foi o principal fato, o sucesso da trupe mais fraterna e cúmplice, por tudo o que passaram, foi merecidíssima.