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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

OS PARES

Seguindo com nossa análise da forma dos pilotos para esta temporada - lembrando que tudo depende dos carros que cada equipe aprontar - vamos olhar agora para os parceiros dos “ímpares”, que terão como principal tarefa batê-los, para depois tentar superar o resto do grid rumo ao título. A batalha começa contra o outro lado da garagem.

2 - MARK WEBBER
Fez uma temporada muito acima do que se inicialmente esperava em 2010, mas mostrou uma preocupante curva descendente no final do ano, com um erro custoso na Coreia e uma classificação apagada na decisão em Abu Dhabi. Muitos apostam no paddock que este será seu último ano na F-1 e eu me surpreenderia em vê-lo com o mesmo fogo depois da chance desperdiçada no ano passado. Para piorar, a ideia da Pirelli em trazer compostos mais aderentes na frente e com durabilidade menor jogam a favor de Sebastian Vettel.

4 - JENSON BUTTON
Apesar de ser o primeiros dos cinco postulantes ao título a sair fora, Jenson Button deixou uma boa impressão em 2010 - teve a menor taxa de erros entre eles e fez corridas muito sólidas. Mas pagou nas classificações o preço de ter um estilo suave de pilotagem, com o qual não conseguia uma boa temporada para os “pneus de madeira” que a Bridgestone tinha. Pode ser uma surpresa da temporada se conseguir melhores posições no grid. Por outro lado, perde sua melhor arma se a intenção da Pirelli em promover duas paradas por corrida vingar. No esquema de economizar borracha do ano passado, ele era imbatível - vide o longuíssimo stint com pneus moles que promoveu em Abu Dhabi.

6 - FELIPE MASSA
Depois da temporada ruim que teve no ano passado, difícil imaginar que sua curva não vá melhorar em 2011. Em Madonna di Campiglio, estava animado e parecia ter feito uma aposta consigo mesmo para provar que era capaz de voltar a andar na frente. Seu aliado nessa intenção são os pneus Pirelli, que parecem combinar mais com seu estilo de pilotagem. Contra, a presença cada vez mais maior de Fernando Alonso na família Ferrari. A impressão que passa é que o brasileiro está blindado quanto a isso no que tange os bastidores. Agora vem a parte mais difícil, que é dar a resposta na pista. Mesmo que não supere o espanhol no campeonato, deve mirar batê-lo pelo menos em torno de 40% das classificações e das corridas. Para isto, terá de mostrar a garra de 2008, e que ficou escondida no ano passado.

8 - NICO ROSBERG
O principal adversário de Nico Rosberg em 2011 será ele mesmo. Afinal, não deve ser fácil ser o primeiro companheiro de equipe a dar um banho em Michael Schumacher e se ver na posição de não promover isto ou qualquer outro tipo de jogo psicológico, já que o heptacampeão tem o apoio total da equipe. Com um carro mais ajustado a seu bel prazer, Schumacher será neste ano um leão ainda maior a ser executado por Rosberg. Se repetir o que fez no ano passado e, quem sabe, conquistar a primeira vitória neste retorno da equipe Mercedes, dará o salto que falta para assegurar um futuro brilhante na Fórmula 1.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

TV BLOGO - F1 60 ANOS e F1 2010

Arrepiante o vídeo que a FIA exibiu na cerimônia de encerramento da temporada em Mônaco. Com o momento pessoal histórico em que eu apareço na mesma imagem que Mick Jagger, hehehe. Aperte o play e deleite-se! Grande dica do Julio Cezar Kronbauer.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

EXAGERO

O fato de Mark Webber ter passado ao largo da fratura de ombro que sofreu numa queda de bicicleta, tendo apenas a citado de passagem em seu livro de memórias da temporada (cujo final desejado certamente era outro) mostra que o fato foi, realmente, irrelevante. É claro que num período magro de notícias, a imprensa em geral vai assoprar o fato como se fosse um balão. Mas o conteúdo é vazio. Explico.

Em primeiro lugar, as pessoas se esquecem que Mark Webber iniciou o Mundial de 2009 com vários pinos na perna e fraturas sérias ainda em fase final de recuperação. Ele caminhava com dificuldades e entrar no carro era um processo complicado e visivelmente doloroso - eu vi isso nas primeiras corridas daquela temporada. Mesmo assim, o piloto fez um trabalho decente e subiu ao pódio já na terceira corrida. Aquilo sim, amigos, é correr com dores.

Depois: uma fratura de ombro sem deslocamento - aliás, Webber viajou na maionese quando disse que foi uma “fratura de esquiador”, esta é conhecida no mundo todo como uma fratura nos ossos do polegar - exige sim um período de imobilização de uma a quatro semanas, sendo que o cálculo sempre vai para menos quando se trata de um atleta no auge de sua forma. Se o australiano correu no Japão com dores, teve tempo de sobra para se recuperar (integralmente ou quase) já para a prova da Coreia, que ocorreu duas semanas depois.

Adicionando um detalhe importante: na coletiva de imprensa escrita após o GP do Japão, o protocolo foi quebrado para que Webber falasse antes do vencedor pois ele “tinha de sair correndo para pegar um avião para a Austrália”. Certamente ele tinha algum compromisso médico em seu país (que foi onde ocorreu o acidente e foi diagnosticado o dano) para iniciar o tratamento o mais rápido possível. Portanto deixem de lado a imagem de que ele estava na pior nas três últimas etapas do ano.

(E só abrindo parênteses sobre um piloto de F-1 correr sem estar nas condições ideais: me lembro do GP do Canadá de 2008, quando Rubens Barrichello sofreu uma infecção que o deixou com febre alta e visivelmente baleado. Mesmo assim, pegou a carroça que era o Honda RA108, passou para o Q3 e terminou a corrida em sétimo. Para mim, pelo contexto, um de seus desempenhos mais impressionantes na categoria)

Mas o ponto fundamental para ver como as reações estão sendo exageradas está no seu próprio desempenho na pista. No Japão, onde a fratura atrapalhava mais, ele ficou a apenas 68 milésimos do tempo de Vettel no grid! Na Coreia, perdeu a batalha por 74 milésimos e, no Brasil, por 118 milésimos. Sempre diferenças marginais entre a dupla da Red Bull, repetindo o padrão que vimos ao longo da temporada. Está claro que o efeito da fratura no seu desempenho foi zero.

Volto aqui à abertura do texto: o ocorrido com Mark Webber foi absolutamente irrelevante. A única discussão que cabe é se ele deveria ter avisado ou não ao time sobre o ocorrido. Seria elegante e profissional, mas não podemos deixar de lado o clima de extrema competição interna que existiu na Red Bull Racing ao longo do ano. Talvez ele não quisesse dar munição para o inimigo. Talvez ele realmente não desse importância para algo que não influenciava seu desempenho na pista, perante ao cronômetro. Eu também teria ficado na minha e me concentrado no trabalho.

(Foto Red Bull Racing)

terça-feira, 23 de novembro de 2010

FÓRMULA 1 2010 - POR JULIANNE CERASOLI*

Foi uma temporada marcante, essa de 2010. Drama, polêmica, comédia e muita disputa dentro das pistas fizeram dela a mais emocionante que eu me lembre desde 1986. Mas esse é um tipo de conclusão pessoal, então tomei a iniciativa de fazer algo que há muito tempo pensava fazer: pedir e trazer a colaboração de outros blogueiros. Escolhi três nomes, optei por pessoas que eu não conheça pessoalmente mas autores de trabalhos que eu admiro muito - todos em blogs mantidos de forma independente. O tema que coloquei à eles foi: F1 2010 - Por que uma temporada histórica? O mais legal é que as respostas vieram com a cara de cada um. Começamos hoje, com o trabalho da Julianne:

BONS ERAM OS TEMPOS DE ALONSO, HAMILTON, VETTEL...
Seis líderes diferentes durante o ano. Uma equipe que, ao mesmo tempo em que consegue fazer 15 das 19 poles possíveis no ano, entra em ebulição por uma simples asa dianteira. Quatro pilotos divididos pelo equivalente a menos de um 2º lugar após 19 etapas. Um piloto 47 pontos atrás, depois de dois péssimos resultados, promete que lutará pelo título – e cumpre. Seja olhando pelo prisma dos números, seja valorizando mais as histórias, 2010 é daquelas temporadas que nos farão, daqui a 20, 30 anos, olhar para os tempos de Vettel, Hamilton, Alonso e companhia com ares de nostalgia.

A pressão
Não coincidentemente, a marca de um campeonato tão apertado foram os erros cometidos sob pressão. Erros de estratégia, de pilotagem, inexplicáveis. Quem diria que veríamos as grandes McLaren e Ferrari serem barradas na primeira parte da classificação na Malásia por pura soberba frente à tempestade? Ou que assistiríamos a um bicampeão mundial queimar a largada, como nem os principiantes fazem hoje em dia?

A lição que fica é que, mesmo que os pontos tenham igual valor em qualquer momento da temporada, um gol aos 45' do 2º tempo faz diferença. E foram Vettel e Alonso, os que deixaram os tropeços para trás antes dos outros e afrontaram os momentos decisivos com precisão cirúrgica, que acabaram levando vantagem.

As atuações
Mas este esteve longe de ser um ano de, quem menos erra, leva. Tivemos performances inacreditáveis. Como Button, duelando décimo a décimo com as bem mais rápidas Ferrari mesmo ostentando a maior asa traseira que Monza já viu. Ou Alonso, resistindo à pressão de um Vettel que havia comandado todos os treinos no calor da noite de Cingapura ou mesmo guiando uma corrida inteira com a embreagem pedindo água na Malásia. E o que dizer das poles de Sebastian, tirando aquele décimo de segundo que enlouquecia Webber?

O mesmo Webber que, ao construir uma vantagem de 22s fazendo durar por 43 voltas os pneus macios para fazer seu pitstop e ainda voltar na frente na Hungria, e vencer com ares de gênio em Mônaco, também deu show. Assim como Hamilton, passando por cima de um erro de estratégia da equipe, fazendo 13 ultrapassagens, por dentro, por fora, de qualquer jeito, para ser segundo na China. E, por que não, o que foi aquela pole quase milagrosa de Hulkenberg, lendo uma Interlagos nem seca, nem molhada, como um veterano?

O difusor, a asa e o jogo descarado
Claro que qualquer temporada que se preze tem suas polêmicas. No campo técnico, tentaram de tudo para desmascarar o domínio da Red Bull, que aparecia de uma hora para a outra nos momentos finais da classificação. Primeiro, acreditava-se que havia um sistema ilegal que regulava a altura de acordo com a quantidade de combustível a bordo. Ninguém provou. Depois, o segredo era a configuração do escapamento, cujos gases eram direcionados ao difusor. Todos copiaram, e não chegaram muito perto.

Por fim, a briga mal resolvida das asas dianteiras. Mesmo que a FIA fosse mais e mais rigorosa nos testes, não conseguia colocar o dedo na ferida. Elas continuaram flexionando, a Red Bul seguiu voando nas curvas de alta, e ninguém sabe como.

Mas nada se comparou ao estardalhaço provocado pelas ordens de equipe da Ferrari. Enquanto tudo acontecia por baixo do pano, sem conversas mais que comprometedoras pelo rádio ou pilotos praticamente estacionando pela pista, a Fórmula 1 convivia bem com uma regra à qual ninguém dava muita atenção. Depois de tanto desgaste, quem sabe não encontrem um meio termo entre os interesses de uns e o faz-de-conta de outros.

Aos números

Sebastian Vettel é o campeão mais jovem da história da F-1, reforçando uma tendência de queda na idade dos que chegam ao título. Ele é o terceiro desde 2005 a bater uma marca que durou 33 anos nas mãos de Emerson Fittipaldi – Alonso venceu com 25 anos; Hamilton estava perto de completar 24 e, hoje, o alemão tem 23.

Mas a conquista é marcada por estatísticas ainda mais interessantes, que mostram o atual equilíbrio da categoria: Vettel jamais havia chegado à liderança do campeonato antes da última etapa da última prova, sendo apenas o terceiro na história a vencer chegando na corrida final em terceiro na tabela, numa temporada que terminou, mesmo com a pontuação mais farta, com apenas 16 pontos de diferença entre o 1º e o 4º colocados.

Continuando a “maldição” do líder do campeonato, desde o GP da Turquia de 2009 o melhor colocado na tabela não vence a prova. E, pelo terceiro ano seguido, o atual campeão do mundo só venceu duas vezes na temporada em que defendia o título e não chegou à última etapa podendo chegar ao bi: foi assim com Raikkonen em 2008, Hamilton em 2009 e Button em 2010.

Por fim, talvez não na quantidade que gostaríamos – e a má impressão de Abu Dhabi ainda é muito forte –, mas, sim, as ultrapassagens voltaram. Em 2010 tivemos a melhor média – 28,8 por prova – desde 1991. Foram 547 no total, contra 244 de 2009. Ainda não é comparável às médias do início dos anos 1980, acima de 40 por GP, mas um alento para quem já viu temporadas com apenas perto de 10 ultrapassagens por etapa há muito pouco tempo, em 2005, e convivia, nos últimos anos, com pouco mais de 14 manobras a cada final de semana.

(*Julianne Cerasoli compartilha suas idéias sobre Fórmula 1 no seu blog Faster F1, com análises inteligentes e ponderadas, sustentadas por números e por uma visão bem realista de como funciona a categoria. Leitura obrigatória para os que querem ir além da notícia)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

ESPECIAL 2010 - OS DEZ MELHORES

Diversos pilotos, alguns em momentos específicos. O melhor de 2010 da minha lista teve acima de tudo uma admiração pelo trabalho individual. Mas o topo da lista ficou reservado à uma festa e uma equipe. Porque um evento tão complexo como a Fórmula 1 é feito de um trabalho em conjunto. Especialmente quando ele mantém o esporte em primeiro plano. Confira abaixo a lista e discorde à vontade nos comentários:

10 - KAMUI KOBAYASHI
As arquibancadas do circuito de Suzuka tremiam a cada manobra. O epicentro do terremoto era o carro branco de número 23 de Kamui Kobayashi. O japonês aproveitou-se de uma estratégia distinta da maioria do grid, fazendo um stint longo com os pneus duros antes de calçar os moles e partir para uma série de ultrapassagens decididas - como já havia feito em Valência quando deixou para trás até mesmo o herói local Fernando Alonso. Embora a segunda parte do trabalho seja a mais espetacular, o fato é que seu ritmo de corrida nestas duas provas com os duros foi o que mais impressionou os técnicos da categoria. Ultrapassar, como ele constatou na entrevista que fizemos em Interlagos, “é o normal”. Em 2011, mesmo sem trazer dinheiro, Kobayashi faz mais uma temporada na Sauber. E terá a chance de continuar impressionando equipes maiores para ambicionar um cockpit de ponta no futuro. Fãs espalhados no mundo inteiro torcerão por isso.

9 - JENSON BUTTON
Ele surpreendeu o stablishment quando decidiu sair da campeã Brawn e levar o número 1 para a McLaren. Era um passeio “na cova do leão”, como Jackie Stewart descreveu a equipe que é berço e lar do excepcional talento de Lewis Hamilton. Mas Jenson Button não deu bola para o que diziam e provou toda sua qualidade com duas vitórias em condições difíceis no início do ano, o suficiente para colocá-lo na liderança do mundial. Depois, foi um dos que sucumbiram com os pneus em treinos classificatórios e arruinou suas possibilidades. Mesmo assim, uma incrível regularidade nas corridas o manteve vivo na briga por muito tempo. Não fosse abalroado por Vettel em Spa, teria chegado à decisão com chances.

8 - KUBICA EM CINGAPURA
“Quem é o próximo, quem é o próximo?” Os engenheiros da Renault não esconderam um riso de admiração quando Robert Kubica entrou no rádio. Numa das pistas mais apertadas do ano, o polonês não desperdiçou o uso dos pneus macios na parte final da corrida (por conta de um furo no pneu, acabou na mesma configuração de Kobayashi em Valência e Suzuka) e foi dobrando quem estivesse pela frente. Um piloto em ponto de ebulição, deixando claro aos rivais que não estava para brincadeiras só pela maneira de atacar. Foi o ponto alto de um grande ano para um piloto que tem tudo para voar alto quando estiver em uma equipe de ponta. É mera questão de tempo para que isso aconteça.

7 - MARK WEBBER

Depois da temporada de 2009, ninguém esperava de Mark Webber nada além do que um papel secundário na Red Bull, ajudando a equipe a somar pontos e angariando vitórias quando Sebastian Vettel tivesse algum problema. Mas o australiano fez a temporada da sua vida e, durante muito tempo, apareceu como o mais forte candidato ao título. Em especial suas performances nos técnicos circuitos de Barcelona e Mônaco foram verdadeiras aulas de ritmo de corrida. O piloto também soube ser matreiro ao capitalizar a seu favor as confusões do comando da equipe na Turquia e na Inglaterra para colocar pressão sobre o companheiro de equipe. Pena que sucumbiu diante da resposta deste no momento decisivo do campeonato, deixando o título escapar com um erro bobo na Coreia e uma classificação ruim na prova decisiva.

6 - POLE DE HÜLKENBERG
Numa temporada completamente dominada por três equipes, foi quase um milagre ver o carro azul e branco da Williams ocupando o primeiro lugar de um grid. Tudo bem que houve a interferência de São Pedro e o imprevisível clima paulistano. Mas Nico Hülkenberg fez um trabalho perfeito quando as condições favoráveis apareceram: pista úmida, asfalto frio, um carro e um estilo pilotagem agressivo com os pneus. Mesmo com o futuro ameaçado, encaixou três voltas perfeitas em sequência e colocou mais de um segundo de vantagem sobre a excelente combinação RB6-Vettel-Chuva. Não salvou seu emprego, mas encerra o ano com boas perspectivas depois de mostrar à equipe que é dono de um talento que o dinheiro não compra.

5 - HAMILTON E O DUTO DE AR
O espírito combativo de Lewis Hamilton ganhou uma arma letal com uma das mais inteligentes criações na história da Fórmula 1. Um canal de vento dentro do monocoque que permitia a asa traseira “estolar” nas retas, fazendo um efeito parecido ao de uma asa móvel, mas sem ferir o regulamento. Especialmente no início do ano, a velocidade maior no final das retas permitiu ao inglês realizar um show de ultrapassagens. Mas mesmo no final do ano, quando os rivais já haviam desenvolvido suas versões da novidade, Hamilton continuou a demonstrar seu instinto e pressionar ao máximo quem tivesse à sua frente, como aconteceu com Robert Kubica em Abu Dhabi. As chances de título sucumbiram diante de erros pontuais seus e, principalmente, pela falta de desenvolvimento do carro da McLaren na reta final. Mas o inglês termina 2010 como o grande artista do ano. Os fãs do esporte agradecem.

4 - ALONSO EM CINGAPURA

O caráter fora-de-série de Fernando Alonso ficou claro em uma série de ocasiões ao longo do ano. Não foram poucas as provas em que ele conseguiu resultados além do que seu carro permitia, simplesmente empregando ao máximo sua qualidade. Em que pese os erros cometidos na primeira parte do campeonato (largada queimada na China, acidente no treino livre em Mônaco que o deixou fora da classificação), esta capacidade cativou de vez a equipe Ferrari. E teve seu ápice em Cingapura. Numa pista travada e ondulada, na medida para toda a eficiência do RB6, o espanhol conquistou no braço a pole position num circuito em que realmente excede. Na corrida mais longa e fisicamente desgastante do ano, não se incomodou um instante com a sombra azul do carro de Sebastian Vettel e conquistou a mais bela de suas vitórias em 2010. Um momento de puro brilho para se contrapor com as polêmicas que volta e meia se envolve.

3 - SEBASTIAN VETTEL
O mundo caiu de pau em cima de Sebastian Vettel ao final daquele domingo chuvoso em Spa-Francorchamps. Sua mal-sucedida ultrapassagem sobre Jenson Button despertou as lembranças do acidente com o companheiro de equipe Mark Webber na Turquia. O “drive-through” e o apelido de “crash kid” que recebeu em consequência disso foram os outros pregos de sua cruz. Moleque, estabanado, imaturo: as etiquetas estavam coladas por todo o corpo. Não devem ter sido dias fáceis, mas o alemão foi buscar uma confiança inabalável dentro de si. A partir de então, marchou impávido sobre o companheiro Mark Webber em todas as provas. E rumo ao título, apenas uma imprevista quebra de motor nas voltas finais da Coreia o impediu de vencer as quatro últimas corridas do ano. Coroado campeão, preferiu sorrir ao invés de esfregar o sucesso nos que o atacaram. Moleques são os outros.

2 - FESTA DOS 60 ANOS
Foi uma chuva de estrelas naquele domingo ensolarado no meio do deserto. John Surtees, Jackie Stewart, Emerson Fittipaldi, Mario Andretti, Jody Scheckter, Keke Rosberg, Damon Hill, todos conduzindo os carros nos quais ganharam títulos mundiais. Mika Hakkinen e Nigel Mansell em modelos campeões dos anos 50. Na platéia? Niki Lauda, Alain Prost, Alan Jones e até mesmo Jack Brabham. Ao final das voltas de exibição (mas que não nos enganemos, a turma ia afundando o pé um pouco mais a cada passagem), todos se encontraram e se confraternizaram numa comunhão de grandes pilotos com grandes máquinas. O sorriso infantil nos rostos cheios de rugas foi a maior prova de que o amor pela velocidade é maior que o tempo. Uma festa à altura da própria Fórmula 1.

1 - RED BULL
De um lado, um panteão de história e com rígida hierarquia chamado Ferrari. Do outro, uma equipe de enorme excelência técnica e com dois campeões mundiais que são o sonho de qualquer patrocinador chamada McLaren. No meio, uma equipe com um orçamento menor e toda enrolada na hora de administrar os anseios individuais de seus pilotos. Mas justamente por isso mais palpável, humana. De sobre-humano na Red Bull, só mesmo o bólido desenhado pelo gênio da prancheta Adrian Newey, praticamente imbatível nas classificações, embora de resistência por vezes imprevisível nas corridas - mesmo assim, o pilar sólido de todo o sucesso alcançado. Mesmo tropeçando diversas vezes no próprio cadarço, a Red Bull resolveu respeitar o bom trabalho de sua dupla de pilotos e não se intrometeu neste duelo interno na reta final, contrariando o senso comum de muitos especialistas e fãs. E foi por ter dois cavalos no páreo decisivo que conseguiu o segundo (e mais suado) título da temporada em Abu Dhabi, deixando os adversários sem saber para qual carro olhar. O ano de 2010 foi o ano do triunfo de uma equipe jovem, que consegue ser eficiente mesmo batendo cabeças. Uma que tem os ingredientes na mão para se firmar como uma das grandes do esporte ao longo dos próximos anos. Se não tiver sido fogo de palha, um dia saberemos que o futuro da F-1 começou aqui.


(Fotos Luis Fernando Ramos)

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

ESPECIAL 2010 - OS DEZ PIORES

Foi um dos melhores anos na história da Fórmula 1, mas ainda assim a temporada trouxe seus pontos negativos. Seja num momento específico ou no panorama geral de um piloto, equipe ou corrida. Como sempre, uma lista pessoal e despretensiosa. Para ler e discordar à vontade. Amanhã a gente volta com a lista dos dez melhores de 2010.

10 - A FOTO DOS CAMPEÕES

O trabalho de Jean Todt na presidência da FIA não é uma unanimidade, mas sem dúvida está sendo bem melhor visto na Fórmula 1 que o de seu antecessor, principalmente por sua postura discreta. Ainda assim, ele conseguiu marcar um belo gol contra ao levar a namorada Michelle Yeoh para a foto oficial dos 60 anos da F-1, ao lado de todos os campeões mundiais ainda vivos. Qual a justificativa? Estaria ela representando os ausentes Nelson Piquet e Kimi Raikkonen???

9 - O VÔO DO CANGURU
Todo mundo prendeu a respiração naqueles segundos. Na tentativa de recuperar terreno e fazer sua nova estratégia funcionar, Mark Webber foi para cima de Heikki Kovalainen como um touro desgovernado - e acabou surpreendido pelo fato da Lotus ter uma zona de freada bem mais longa que a sua. Um mal-entendido que poderia ter terminado mal, mas acabou representando apenas mais algumas milhas para o programa de vôos do australiano no cockpit de um carro de corrida.


8 - O MAU PERDEDOR
Ver um título mundial que parecia ganho escapar pelas mãos deve ser mesmo algo frustrante, especialmente se a derrota veio fundamentalmente por um erro estratégico da equipe. Mas Fernando Alonso perdeu pontos até mesmo com seus seguidores mais fanáticos ao sair reclamando do russo Vitaly Petrov em Abu Dhabi. Deveria era parabenizá-lo por não cometer nenhum erro num momento de pressão para o futuro de sua carreira. O “chega-prá-lá” que o espanhol levou foi uma bela resposta. Um grande piloto mostra sua estatura também no momento da derrota.

7 - BUEMI NA CHINA
Foi até cômico: na freada após uma das retas mais longas da temporada, a suspensão da Toro Rosso do suíço Sebastian Buemi simplesmente cedeu e as rodas saíram voando. Um baita de um susto sem maiores consequências para o piloto e para quem estava na beira da pista. Divertido mesmo foi ver Buemi virando o volante para tentar amenizar o impacto da batida.

6 - HISPÂNIA
Está certo que sobreviver até o final do ano era o único objetivo e isso a equipe Hispânia conseguiu. Mas a custo de algumas bizarrices. O carrossel imprevisível de pilotos até que foi pouco diante de um carro sem atualizações e que usou o mesmo pacote aerodinâmico em pistas tão opostas como Mônaco e Monza. Sorte que seus pilotos saíram ilesos de situações ingratas, como a quebra da suspensão em uma curva de alta velocidade em Spa-Francorchamps. O time fica na história desde já como um dos piores que já passaram pela categoria.

5 - CHOQUE DE TOUROS
O time campeão meteu algumas vezes os pés pelas mãos e envenenou completamente o ambiente entre seus dois pilotos. Na Turquia, acossados na corrida por uma valente McLaren, o comando passou a Vettel a informação de que Mark precisaria economizar combustível o que ele poderia ultrapassá-lo, enquanto o engenheiro do australiano falou o contrário e orientou seu piloto a se defender. Uma confusão dos boxes que resultou num desastre na pista. Pior foi na Inglaterra, quando a asa do alemão quebrou e Horner orientou que o modelo que estava no carro de Webber fosse transferido. Era uma questão de centésimos de segundo, mas algo que fatalmente causaria um mal estar interno. Esperto, Webber capitalizou em cima do incidente e jogou a opinião pública contra o time e seu companheiro. Foi o suficiente para lhe garantir tratamento igual até o final do ano, mas não para receber a ajuda de Vettel na reta final, algo que tanto ambicionava.

4 - FELIPE MASSA
O brasileiro sempre alternou numa temporada corridas brilhantes com atuações mais contidas, mas o brilhantismo ficou de lado em 2010. Com exceção do GP da Alemanha, ele jamais se colocou em posição de vencer - mesmo com um carro capaz disso em algumas ocasiões. Com problemas de aquecimento de pneus, classificou-se quase sempre em posições discretas. Pior, viu seu novo companheiro tomar as rédeas da equipe e liderá-la na disputa pelo título, o que parece ter encerrado sua motivação. Ele reconhece a temporada ruim, o que é um ótimo começo. Mas vai precisar de um 2011 radicalmente diferente, dentro e fora das pistas, para que não tenha sua vaga especulada via imprensa semana sim, semana não. Afinal, são dois anos de contrato pela frente.


3 - GP DO BAHREIN
Foi uma odisséia do sono. Em meio às expectativas de uma temporada sensacional, a prova de abertura foi uma das mais chatas para se assistir. Em especial, o novo trecho do circuito que os organizadores agregaram não funcionou - era apenas uma série de curvas muito lentas que só prolongaram a agonia. A coisa foi tão feia que a imprensa mundial até iniciou uma discussão sobre a qualidade das corridas e do regulamento. Felizmente, o tempo provou que era uma discussão precipitada.

2 - “THAT WAS HORRIBLE”
Pelas desproporcionais expectativas criadas, a temporada de Michael Schumacher já começou comprometida. Mas ninguém esperava que o vareio que ele tomou de um companheiro de equipe jovem e eficiente durasse quase o ano todo. Foi inevitável que seu desempenho em 2010 colocasse uma série de interrogações sobre sua história. E o ponto alto disso foi a manobra que fez sobre Rubens Barrichello em Hungaroring, quando ultrapassou de longe os limites do bom senso numa defesa de posição. Faltou pouco para uma batida feia demais. Aquilo foi horrível. Pelo menos ele pediu desculpas. Duas semanas depois. Por SMS.

1 - FERRARI EM HOCKENHEIM
Tudo bem que a Ferrari queira fazer prevalecer seus interesses. Mas a farsa que promoveram em Hockenheim foi exagerada. O chororô de Fernando Alonso pelo rádio rendeu uma ordem de equipe explícita que lhe rendeu a vitória e, ao time, a antipatia da maioria dos torcedores - afinal, o campeonato mal passara da metade. Passaram por cima do regulamento com a habitual arrogância, mas receberam uma multa pequena por isto. No final das contas, o episódio não surtiu o efeito desejado. Apenas serviu para matar a motivação de Felipe Massa. Dali para frente, o brasileiro só foi tirar pontos dos adversários de Alonso em Monza. Um tiro no pé involuntário que, na prática, acabou mais atrapalhando do que ajudando a campanha do espanhol.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

MORA NA FILOSOFIA

Mark Webber e Sebastian Vettel estão muito próximos. Basta colocar os dados de telemetria de um sobre os do outro. Nesta curva um leva vantagem, o outro está mais veloz em outra mas, no final de uma volta rápida, escassos centésimos de segundo estão os separando. Uma nuance de tempo e espaço.

Mas os dois pilotos da Red Bull não são amigos - em que pese a foto produzida após o acidente entre ambos no GP da Turquia, quando um olha o outro sorridente, com os braços abertos e a palma da mão virada para cima, como quem aceita que contratempos acontecem. A verdade é que o paradoxo de um esporte que é, ao mesmo tempo, individual e de equipe os torna inimigos mortais. Melhor perder o título para qualquer um que não seja o seu companheiro.

Para o bem desse mesmo esporte, o time permitiu que seus pilotos lutassem entre si o tempo todo. O problema é que a corrida deste final de semana em Abu Dhabi pode ser a arena em que dois touros caiam mortos depois de um duelo de chifres, com um toureiro espanhol surgindo triunfante, sem precisar arrastar sua capa vermelha no chão cheio de areia.

Christian Horner, o chefe da Red Bull, já disse que deixará nas mãos de Vettel a decisão de eventualmente ceder a posição para Webber ser campeão, caso uma boa colocação de Alonso no desenrolar da prova elimine suas chances. Pode parecer ousado, mas Horner sabe que o alemão sabe da importância do título de pilotos para a marca. No final, talvez mesmo na última volta, os dois touros podem se unir para exterminar as chances de Fernando Alonso.

Na Ferrari, o mundo animal é outro. Como numa matilha de cães, Alonso chegou e clamou para si o direito de liderá-la. A Felipe Massa, vencido numa briga travada nas pistas e nos bastidores, restou o direito de aceitar a ordem das coisas, ainda que saísse rosnando da luta que definiu isso, no GP da Alemanha.

Mais que um título, o que estará em jogo em Abu Dhabi é uma filosofia: a do time que trabalha em torno de um cachorro-alfa contra aquele que deixa a briga comer solta. De um lado ou de outro, não há espaço para amizades.

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Alonso deixou Interlagos bradando estar “100% confiante” no título. Não convenceu a alguns preocupados jornalistas espanhóis que anteviam um possível jogo de equipe. O piloto os confortou. “Eles não fizeram dobradinha em provas seguidas nenhuma vez neste ano. Não será agora”.

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Já na Red Bull, Webber não escondeu que não entende, mas aceita, a filosofia da equipe em deixar Vettel vivo na briga ao invés de colocar todas as fichas nele. Talvez, a chance de perder o título o preocupe tanto quanto a possibilidade de ganhá-lo no final de mão beijada. Para sua imagem, ficaria mais feio do que uma inversão de posições feita antes.

(Coluna publicada na edição de quinta-feira do Diário Lance! Foto: montagem da Internet sobre original da Red Bull)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

OS QUATRO CAVALEIROS

Dezoito corridas realizadas, chegamos nesta última com o ineditismo de termos quatro pilotos com chances matemáticas de ser campeão. Confira abaixo umas linhas sobre o ano de cada um deles, opine na enquete ao lado e, porque não, justifique seu voto nos comentários.

FERNANDO ALONSO - 246 pontos
Polêmico, egoísta, político. E diabolicamente rápido. Os predicados de Fernando Alonso em muito lembram os do multi-campeão Michael Schumacher em seus anos de Ferrari. Não é à toa que ele não precisou mais que meia temporada para atrair para si todos os esforços da equipe. Dentro da pista, aproveitou os problemas de Felipe Massa com a temperamental borracha dos pneus Bridgestone de 2010 para o superar com certa tranquilidade nas classificações. E não hesitou em deixar claro seu desejo de liderar o time quando surgiam as oportunidades nas corridas. A arriscada ultrapassagem na entrada dos boxes na China foi apenas o prenúncio do que estava por vir. Na prova da Alemanha, quando Massa deixou claro que lutaria pela vitória, Alonso pressionou a equipe pelo rádio para que uma ordem de equipe fosse dada. Desejo atendido, ele correspondeu depois enfileirando uma série de ótimos resultados. O triunfo em Cingapura, superando as Red Bull com um carro bem inferior, foi um bom exemplo da sua determinação neste ano.

MARK WEBBER - 238 pontos
A fisionomia de Mark Webber lembra um pouco a do Super-Homem e o australiano teve seus dias de homem de aço neste campeonato. O piloto que até então era tido como um “leão de treino” revelou sua identidade secreta com uma consistência em corridas que o deixou durante muito tempo como o mais bem colocado na disputa pelo título. Depois de um início de ano um tanto claudicante, Webber foi o grande nome da chamada “temporada européia”. Em Barcelona e em Mônaco, respondeu às tentativas de aproximação de Sebastian Vettel com um ritmo de corrida alucinante. Nas pistas de Silverstone e Hungaroring, capitalizou como nunca em cima dos erros do alemão. O australiano mostrou também sabedoria ao capitalizar na mídia a imagem de um Dom Quixote que luta errante contra o queridinho da Red Bull. Ganhou com isso a simpatia de muitos torcedores, mas o fato é que, com exceção de Silverstone, lutou sempre com as mesmas armas de Vettel.

SEBASTIAN VETTEL - 231 pontos
Banho de sal grosso, alfazema, linha de passe. Sebastian Vettel bem que poderia apelar para táticas pouco ortodoxas para se livrar da zica que o assombrou em 2010. O alemão cometeu seus erros, é verdade. Os acidentes com o companheiro Mark Webber na Turquia e com a McLaren de Jenson Button em Spa-Francorchamps lhe renderam o incômodo apelido de “Crash Kid”. Mas a verdade é que a maioria dos pontos desperdiçados pelo “garoto-enxaqueca” da Fórmula 1 foram por problemas que fogem a seu controle: uma vela que falhou no motor do Bahrein, um cubo da roda que não se prendeu na Austrália, um motor estourado quando liderava a prova da Coreia. Ainda assim, Vettel deixou sua marca: quase metade das pole-positions do ano foram suas, mais uma vez comprovando que é um dos melhores do grid em termos de velocidade pura. E suas vitórias foram conquistadas de maneira incontestável, o triunfo de um piloto que dominou as ações o tempo todo ao longo do final de semana.

LEWIS HAMILTON - 222 pontos
A McLaren trouxe uma das grandes inovações tecnológicas da temporada: um duto de ar que garantia uma melhor velocidade final de reta sem atrapalhar a estabilidade do carro nas curvas. Uma idéia brilhante e complexa, que exigia dos pilotos que tapassem um orifício no cockpit - com as pernas ou as mãos, dependendo da equipe - para que ela funcionasse. Ninguém soube aproveitar melhor a novidade do que Lewis Hamilton. Com um carro não tão eficiente em classificações, o piloto aproveitava para ir ganhando posições nas corridas aliando seu estilo naturalmente agressivo com a vantagem que o dispositivo lhe permitia. O resultado foi um show de ultrapassagens que se tornou uma das boas coisas da temporada. Pena para ele que suas chances no campeonato acabaram prejudicadas por algumas ocasiões onde a agressividade foi mal aplicada, resultando em abandonos por acidentes como em Monza e Cingapura. Ainda assim, tudo parece parte do processo de amadurecimento de um piloto que ainda perambula entre o genial e o genioso.

(Fotos Luis Fernando Ramos)

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

UM LÍDER DETERMINADO

O líder do Mundial começou o final da semana da Coreia na frente, com o melhor tempo do dia. Foi uma sessão de difícil leitura, com a pista melhorando radicalmente a cada volta. Quem andou no final com pneus novos e o carro leve, apareceu bem no cronômetro - o que significa que quem se classificou mal na folha de tempos não está necessariamente mal.

Mas Mark Webber saiu hoje do circuito com a moral em alta. E vai para o restante do final de semana de motor novo, um sinal claro de que como está vendo aqui uma boa oportunidade para pavimentar bem seu caminho para o título. Os sinais dessa determinação já eram claros desde a coletiva oficial da FIA com os cinco candidatos ao título. Sebastian Vettel fez as brincadeiras de sempre, Fernando Alonso esbanjou a tranquilidade de quem já foi campeão duas vezes, Lewis Hamilton demonstou espírito de luta, Jenson Button sorriu o tempo todo.

Só Mark Webber estava sério. Muito sério. Quando não era a sua vez de falar, ficava olhando o vazio como um piloto mira a primeira curva na hora da largada. E quando chegava a sua vez de falar, o discurso adotado era direto, centrado, incisivo.

“Ninguém nessa sala sabe o que vai acontecer nas próximas três corridas. Poderíamos ficar horas discutindo se acontecesse isso ou aquilo, mas só o que vale é ir para a pista e correr. O resto não é importante. Não importa se disputarei posição com Vettel, Alonso, Hamilton ou Button. Cada um de nós sabe que é importante terminar as corridas, mas nem por isso abrirei mão das disputas. É sempre uma questão de se encontrar um meio termo”, analisou.

A vantagem de 14 pontos para Alonso e Vettel (que estão empatados na vice-liderança) parece confortável. Mas o australiano da Red Bull se recusa a correr fazendo contas. “Seria ridículo, porque muita coisa ainda pode e vai acontecer. Se eu ganhar as próximas duas, a coisa acaba. Mas cada corrida traz sua história e tenho apenas de continuar a fazer o que tenho feito. Nas últimas provas, minha diferença para o segundo colocado só tem aumentado. Preciso apenas que essa tendência continue”.

No cercadinho de rádio e tevê, perguntei ao australiano se não seria um incômodo todas as incertezas que envolvem a distribuição de forças no novo circuito da Coreia para quem se senta no melhor carro do grid. “De jeito nenhum. Ninguém tem mais informações que a gente, estamos bem preparados. Somos um grupo de pessoas muito fortes em entender uma nova pista e explorar o máximo dela. Estamos prontos para a briga”, garantiu. O resultado de hoje mostra que é realmente o caso, ainda que Ferrari e, principalmente, a McLaren deram sinais claros de que vão endurecer essa batalha.

Webber esteve na Austrália entre o GP do Japão e esse. O quanto foi necessário essa espairecida antes de encarar a reta final? “Na verdade, essa viagem estava programada desde março”, revelou. “Mas no meio dela me dei conta o quanto ela veio em boa hora. Vamos ter muitos vôos daqui para frente, corridas sempre em fusos diferentes, então foi bom dar uma escapada”.

Mesmo pensando na vitória, Webber se recusa a imaginar que bastaria apenas um triunfo (seja aqui, no Brasil ou em Abu Dhabi) para liquidar os adversários. “Antes de mais nada, preciso terminar todas elas. Uma vitória e dois abandonos não vão adiantar. E para conseguir isso precisamos de um esforço coletivo: o meu, o dos meus mecânicos e dos meus engenheiros. O resto vai ser consequência de fazer o melhor trabalho possível”.

Sábado é dia de definir o grid e, no duelo interno da Red Bull, ele viu o companheiro andar melhor nas últimas corridas. Será que o título poderia ser perdido nesse quesito? Webber se mostra tranquilo. “A classificação é importante sim e pode ser decisiva nesse final. Mas não tivemos ao longo do ano nenhum piloto vencendo três corridas consecutivas, os triunfos ficaram sempre espalhados. Acho difícil que isso mude agora, mas se alguém ganhar as três corridas que faltam, terá sido porque mereceu o título”, reconheceu.

A batalha para a pole traz dados interessantes: uma pista cuja sujeira fora da linha ideal vai punir o menor erro; todas as incertezas quanto ao acerto do carro e, principalmente, o funcionamento dos pneus; um asfalto que deve estar relativamente frio; e até mesmo uma minúscula possibilidade de chuva (ligeiramente maior para a corrida no domingo). Vai se dar bem quem tiver os nervos no lugar. Pelo que mostrou até aqui, Webber tem cuidado muito bem dos seus.

(Fotos Luis Fernando Ramos)

FORRÓ DE CABO A RABO

“Era poeira subindo/era aquele poeirão/e os cabras não deixavam o Zé aguar o chão/ele chamou um soldado/e o soldado chamou um cabo/e o forró continuou/e foi forró de cabo a rabo”. A letra da música do inesquecível Luiz Gonzaga (feita em parceria com João Silva) trouxe muitos dos elementos desde início de atividade do GP da Coreia: a poeira na pista, os soldados que trabalham duro para aprontar as arquibancadas. É uma F-1 forrozeira no lugar mais improvável.
A situação é curiosa em especial na chicane que antecede a reta, a sujeira impera, uma vez que os pilotos “cortam” levemente a zebra com a parte externa das rodas esquerdas para ganhar velocidade na reta. Foi ali que me postei para fazer imagens do primeiro treino e ilustrar um quadro que não tem como solucionar até domingo.No fundo, acho bacana. Os melhores pilotos do mundo vão enfrentar um desafio a mais e acho que todo mundo vai ganhar com o espetáculo. Pelo menos dá para fazer umas fotos diferentes - a da McLaren, focando nas pedrinhas, ficou especialmente bacana. Clique nas imagens para ampliar!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

THE FAB FIVE

O novo circuito da Coreia serviu de palco nesta quinta-feira para a tradicional foto reunindo os candidatos ao título. Desta vez eram cinco os pilotos sentados na mureta do pitlane. As incertezas envolvendo uma pista que ainda recebe os últimos retoques e que ninguém conhece deixam todos com uma tensão a mais. Depois da coletiva de imprensa oficial de hoje, cada um buscou mostrar otimismo. Começando pelo líder do Mundial, o autraliano Mark Webber.

“Ninguém tem mais informações que a gente, estamos bem preparados. Somos um grupo de pessoas muito fortes em entender uma nova pista e explorar o máximo dela. Estamos prontos para a briga”, garantiu.

Mas a performance da Red Bull nesta pista é uma incógnita. O primeiro setor da volta na Coreia é composto por três longas retas. Uma combinação que parece ser o calcanhar de Aquiles do RB6 - ou pelo menos uma vantagem a favor de Ferrari e McLaren. Sebastian Vettel buscou minimizar o fato bem a seu estilo brincalhão. “Não é nossa pior pista na temporada, acho que Monza era pior para nós. Estaremos bem nas curvas e nas retas, bem, você pode colocar um macaco ao volante que o resultado será o mesmo”.

A disputa já começa com os treinos livres, a primeira sessão a partir das onze da noite desta quinta-feira em Brasília, dez da manhã de sexta no horário local. Cada piloto traçou sua estratégia para o primeiro dia da batalha. Fernando Alonso vai começar o trabalho com calma. “As condições de aderência no asfalto devem mudar muito de sexta para sábado, por isso esse primeiro dia vai ser mais para conhecer a pista”.

Já Lewis Hamilton da McLaren tem opinião oposta. “A chave é maximizar os treinos livres e mexer no carro o mais rápido possível. Todos tentarão aprender a pista rapidamente para conseguir um bom acerto logo de cara”, apostou.

O certo mesmo é que o final de semana promete muito drama e deve se encerrar com uma corrida que promete emoção. É o que identifica o último dos postulantes ao título, o inglês Jenson Button da McLaren. “É uma pista que vai permitir um bom show com muitas ultrapassagens”, apostou.

Neste momento, em quem você aposta para o título? Por qual motivo?

(Foto Luis Fernando Ramos)

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

WEBBER: LIDER SEM LIDERANÇA?

A coluna de hoje do Lance! fala sobre o trabalho de Mark Webber e a relutância da equipe em aceitar sua liderança. Confira e comente:

Mark Webber é o homem do momento na Fórmula 1. Em Cingapura, teve méritos de converter em um pódio um final de semana em que esteve apagado a maior parte do tempo. Mas também contou com a ajuda dos deuses da noite para conseguir levar seu carro até o final com o pneu dianteiro direito completamente deformado depois do toque com Lewis Hamilton. Faltou muito pouco para a borracha estourar. Pode ser a famosa “sorte dos campeões”.

O resultado o manteve na liderança do mundial, mas sua principal preocupação no momento é com outro tipo de liderança: a interna dentro da equipe Red Bull. A maneira com que foi a público desafiar o status de segundo piloto após vencer o GP da Inglaterra foi mais do que jogar a opinião pública contra o comando do time. Foi bater no peito e dizer: “deixem comigo, rapazes, eu resolvo essa parada”. Isto fica claro também na sua fala em uma entrevista recente ao semanário suíço “Speedweek”.


- Quando se tem um carro fabuloso como eu tenho agora - e como nunca tive antes -, é preciso mostrar resultados. E quando se faz isso, você fica mais forte mentalmente e fortalece sua posição dentro da equipe - afirmou.


O discurso é bonito, mas a verdade é que o australiano não fez por justificar a confiança total da equipe. Nos treinos classificatórios, Webber toma tempo do companheiro de equipe Sebastian Vettel na maioria das vezes. E apresenta uma discrepância de desempenhos que pode ser fatal nesta reta final, alternando exibições impecáveis (como nos GPs da Inglaterra ou da Hungria) com corridas apagadas (como na Alemanha e na Itália).


O mesmo não se pode dizer do vice-líder do Mundial. Fernando Alonso também bateu no peito e exigiu o apoio total da equipe com seu chororô em Hockenheim, o que gerou um episódio lamentável para o esporte, mas muito bom para ele. A partir dali, justificou completamente a decisão do time, iniciando uma arrancada que o colocou numa ótima posição para brigar pelo título. Assim se faz um líder de verdade.


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O circuito de Suzuka tem um histórico de dramas em decisões de títulos mundiais, mas restando ainda três corridas depois deste GP do Japão, a prova deste ano terá um peso menor. Mesmo assim, é a pista mais desafiadora da temporada, uma que coloca os pilotos à prova. E, desde sua reforma mais recente, é um dos autódromos mais modernos do calendário. Um palco perfeito para um país fanático por F-1.

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Boa parte desse fanatismo deve aflorar no domingo antes da corrida, quando Bruno Senna fizer umas voltas de exibição com a Lotus que deu a primeira vitória a seu tio Ayrton, e que pertence a um colecionador japonês. Uma festa para os torcedores que tem verdadeira devoção pelo tricampeão brasileiro. E para Bruno, que vai viver um grande momento num ano cheio de complicações.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

AZUIS FAVORITOS

O circuito de rua de Marina Bay, em Cingapura, tem as características típicas das pistas que trouxeram uma dominância da Red Bull nesta temporada: um traçado muito travado – com a pole ficando numa média em torno de 170 km/h – que exige o máximo de pressão aerodinâmica e um asfalto cheio de ondulações. Algo entre Mônaco e Hungria, duas pistas em que o time correu praticamente sozinho.

Resta saber se as mudanças efetuadas no assoalho do carro por conta dos novos padrões de testes da FIA influenciaram muito na sua eficiência. O que se comenta é que o time terá de acertar o carro numa altura um pouco maior da que usava em relação ao solo já que a peça ganhou rigidez. Isso deve atrapalhar um pouco o equilíbrio aerodinâmico do RB6 mas, acreditam os engenheiros do time, não ao ponto de afetar sensivelmente sua competitividade.


As 23 curvas ao longo de pouco mais de cinco quilômetros significam também que a McLaren tem pouco a aproveitar da sua vantagem em reta. Se o time sofreu bastante na Hungria, a tendência é que o mesmo ocorra aqui. Assim, a grande rival dos azuis será a Ferrari. A boa tração do F10 ajuda aos pilotos de Maranello. Mas a falta de longas retas impossibilitam que eles explorem ao máximo essa característica do carro. Mesmo assim, o time chega com um novo assoalho e uma nova asa dianteira na expectativa de achar uns dois ou três décimos de segundo por volta. Pode ser o suficiente para endurecer a briga.


Mesmo assim, em mais um round dessa emocionante disputa de título, é a Red Bull que chega como clara favorita.

(Foto Red Bull)

sábado, 28 de agosto de 2010

QUATRO ESTAÇÕES NUM SÓ DIA

Pneus para pista seca no molhado, pneus de chuva com o sol brilhando. Benvindos à Spa-Francorchamps, onde ser um bom meteorologista é quase tão importante quanto ser um bom piloto. Ao longo de todo o final de semana, da ampla vista que tenho da sala de imprensa, vi o tempo mudar incontáveis vezes. Nuvens que passam, deixam uma quantidade considerável de água e se vão para dar lugar a um forte facho de luz do verão.

Foi assim durante toda a classificação hoje. Apesar da Red Bull ter conseguido sua 12ª pole position do ano em treze etapas, Mark Webber admite que teve de contar com uma boa dose de sorte para ficar em primeiro.

“Foi um desses dias em que tudo pode dar errado e você fica com a cara de tacho no final. Mas, com exceção de Fernando Alonso, todos os outros pilotos que estão na disputa pelo título tiveram um dia normal”, falou o australiano.

Lewis Hamilton, que larga na corrida de hoje da primeira fila, explicou o drama que os pilotos vivem dentro do cockpit com um asfalto que muda de condições o tempo inteiro:

“É difícil entender o que são os caminhos mais claros e mais escuros. É uma característica do asfalto ou ali está mesmo muito molhado? E só dá para descobrir quando você passa por cima. Estamos andando no fio da navalha aqui”.

Rubens Barrichello conseguiu o 7º lugar do grid, uma posição atrás de Felipe Massa, e prevê muitas alternativas para o GP da Bélgica. Para ele, esta instabilidade do clima deixam o piloto numa posição muito mais importante que o acerto do carro.

“Se a corrida for como na classificação, quando choveu e parou umas três vezes em uma hora, vai ser muito emocionante. Em relação ao acerto do carro, todos estão com uma configuração parecida, com pouca asa. Quando comecei na F-1, a diferença de um acerto de seco para o de chuva era de 20%. Hoje muda 1 ou 2%. Nós aprendemos a andar na chuva com acerto para seco. E os carros também melhoraram muito nesse sentido. Se chover, vai ser bons para uns e ruim para outros. Depende da habilidade de cada um em se segurar nestas condições”, avaliou o brasileiro.

Clima instável, cenário incerto, tudo em aberto. Só uma certeza: vai ser um corridão.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O ELEITO

Não precisou nem de segundo turno. Pela enquete, Mark Webber é com sobras o favorito de vocês para vencer a temporada. Com 51% dos votos, o australiano impressionou não só pelas quatro vitórias, mas pela capacidade de cavar seu espaço numa equipe que tinha um claro e jovial líder e de se aproveitar impiedosamente de cada deslize feito por este.

Na seqüência, as opiniões se dividem e se equilibram entre Sebastian Vettel (15%), Lewis Hamilton (14%) e Fernando Alonso (13%). Com apenas 5%, Jenson Button parece uma carta descartada por quase todo mundo.

Eu continuo acreditando que o título deste ano ficará com Sebastian Vettel, apesar dos erros que o alemão insiste em cometer. Em primeiro lugar, não vejo a Red Bull perdendo o campeonato com um carro que faz a pole em qualquer tipo de circuito. Ultrapassar na pista ainda é um acontecimento raro e a lógica aponta que eles devem vencer a maioria das sete provas que restam (eu aposto em pelo menos mais cinco triunfo para os azuis). E, apesar da fama de pouca confiabilidade, o fato é que o RB6 só completou menos voltas neste ano que o impressionante F10 – mas é em contrapartida muito mais veloz que este.

Restringindo a briga entre Vettel e Webber, não tenho como deixar de apostar no alemão, por alguns motivos. Em classificação, o alemão é fracionalmente melhor; e em algum momento ele vai passar a converter as suas poles em vitórias. Acredito também na sua melhor regularidade. Vettel só termina fora do pódio quando quebra ou quando erra. E mesmo assim costuma salvar pontos importantes nestas situações. Já Webber costuma ter, do nada, um final de semana apagado no meio de muitos outros bons. E só isso basta para Vettel descontar a atual diferença entre os dois.

Acima de tudo, ao contrário do que o histórico deste ano indica, Vettel tem tudo para passar pela pressão da disputa do título com mais tranqüilidade que Webber. Afinal, ele sabe que terá ao longo da carreira muitas outras oportunidades para ser campeão do mundo.

Já o australiano se agarra a uma oportunidade única. Existe uma explicação técnica para o fato de Webber ter equilibrado a disputa na Red Bull. O fato dos pneus dianteiros terem ficado mais estreitos e os compostos de pneus serem muito duros tirou muito da aderência na parte da frente do carro. Isto atingiu, em graus diferentes, muitos pilotos que prezavam um carro com estas características. E Vettel é um deles.

No ano que vem, com um novo composto de pneus, o equilíbrio natural dentro da equipe pode pender de volta para o lado do alemão, como foi o caso de 2009. Assim, Webber sabe que tem a chance de sua vida nas mãos. E isto deve lhe trazer uma pressão extra incômoda para a hora da decisão. Até porque, Webber nunca foi campeão de nada na vida. E a última vez que disputou um título foi na FIA GT, em 1998. No quesito experiência da disputa de títulos, ao contrário do que sugerem as idades, a vantagem é toda de Vettel. Resta ver se isso fará diferença no final.

(Foto Luis Fernando Ramos)

terça-feira, 3 de agosto de 2010

CREDENCIAL – GP DA HUNGRIA

O comentário de um dos leitores resumiu bem: até que o GP da Hungria conseguiu trazer um bom nível de interesse para uma prova que se anunciava um aborrecimento só. A “mágica” do vencedor Mark Webber, o erro de Sebastian Vettel, a confusão nos boxes, o polêmico comportamento de Michael Schumacher na ultrapassagem sobre Rubens Barrichello são alguns dos assuntos abordados neste “Credencial”. Como sempre, com uma ampla gama de informações com tudo o que circulou em mais uma etapa do Mundial de Fórmula 1 e o diferencial de quem viveu isso de perto. Aperte o play (ou baixe o arquivo no link) e boa audição!

PARTE 1



PARTE 2



(Foto Luis Fernando Ramos)

domingo, 11 de julho de 2010

CRÍTICAS CALCULADAS


Normalmente, a comunicação via rádio entre o piloto vencedor e o comando de sua equipe é um mero espetáculo, uma rasgação de seda pública que tenta vender a idéia de que cada lado faz um trabalho maravilhoso. Não foi o que aconteceu em Silverstone. Depois de parabenizar o vencedor da Mark Webber, o chefe da Red Bull, Christian Horner, afirmou que queria ver um sorriso no rosto do australiano. Este não perdoou: “Nada mau para um segundo piloto”!

O clima carregado dos que triunfaram no domingo teve origem no sábado, quando o novo modelo da asa dianteira do carro de Sebastian Vettel se quebrou no treino da manhã. Só havia outra peça igual e ela estava no carro de Webber. A direção do time decidiu então repassá-la ao alemão, o que causou todo o mal estar. O australiano engoliu seco no dia, mas falou grosso depois da vitória:

“Sinceramente eu não teria renovado o contrato para o ano que vem se eu soubesse que seria assim. É óbvio que eu fiquei decepcionado, mas vamos ver como vai ser no futuro. Vou continuar fazendo o meu trabalho e espero que isto seja o suficiente”.

A atitude de Mark Webber em ir à publico contra o comando do time é muito mais calculada do que parece. Desde o início do ano que a Red Bull tem um carro superior ao da concorrência. Ainda que o líder do Mundial seja Lewis Hamilton, os pilotos do time anglo-austríaco temem mais o companheiro de equipe. E o australiano sabe que bagunçar o coreto vai trazer impossibilidade para o jovem Vettel, que costuma errar quando pressionado.

Ainda que não tenha sido exatamente esse o problema do alemão na prova: ele teve um pneu furado pelo carro de Hamilton na confusão que se formou nas primeiras curvas. Vettel fez uma prova de recuperação e ainda conseguiu salvar seis pontos com um sétimo lugar. Depois, tratou de minimizar a confusão semeada por Webber. “Não vou colocar sal na ferida. O mais importante é manter um bom clima na equipe. Temos um ótimo carro e só podemos perder para nós mesmos”, contemporizou.

O certo mesmo é que haverá uma grande reunião na sede da equipe em Milton Keynes, a pouco mais de quinze quilômetros de Silverstone. Webber já adiantou na coletiva que pedirá um tratamento igual até o final do ano. Mas deve tomar um puxão de orelha por seu comportamento pós-corrida.

“Ele é o rei das manchetes. Mas não acho que houve malícia no comentário. Eu imagino que ele ficou chateado por não ter ficado com a tal da asa, mas eu também não posso cortá-la ao meio”, argumentou o chefe do time Christian Horner.

Enquanto a Red Bull se debate, Lewis Hamilton curte a liderança do Mundial. O inglês sabe que construiu uma base sólida somando dois segundos lugares consecutivos em corridas nas quais seu carro poderia muito menos. Mas também sabe que se a McLaren não continuar se desenvolvendo, suas chances de título são mínimas: o carro da Red Bull está bem à frente. E ainda está otimizando o seu próprio duto de ar.

Mas o GP da Inglaterra teve outros destaques: a Ferrari se afundando, Nico Rosberg no pódio, uma grande recuperação de Jenson Button, outra grande prova de Rubens Barrichello e toda a confusão entre a equipe Hispânia e Bruno Senna. Coloque nos comentários suas opiniões e dúvidas para esta edição do “Credencial”. Até!

(Foto Luis Fernando Ramos)

domingo, 27 de junho de 2010

BOI VOADOR NÃO PODE

Quando se diz que um carro de Fórmula 1 voa na pista, é no sentido figurado. Afinal, a categoria é o expoente maior da filosofia aerodinâmica da asa invertida, aplicada justamente para “agarrar” ao máximo os carros no chão. Mas a dinâmica foi invertida neste GP da Europa. Na nona volta da corrida, Mark Webber calculou mal uma ultrapassagem sobre Heikki Kovalainen, ansioso que estava em recuperar terreno depois de uma péssima largada e um pitstop que veio cedo demais. Seu carro acabou decolando na traseira da Lotus do finlandês. O vôo aconteceu a cerca de 300 km/h e não durou mais do que três segundos. Uma eternidade na mente do australiano.

“Naquela velocidade, não é onde um carro de corrida tem que estar. É uma sensação horrível para um piloto! Mas é algo que pode acontecer às vezes”, disse Webber, com conhecimento de causa. Em 1999, ele também sofreu uma decolagem espetacular com um protótipo da Mercedes-Benz.

Os dois pilotos se encontraram durante os exames de rotina no centro médico do circuito. Conversaram e saíram com suas diferenças resolvidas. Kovalainen argumenta que defendia sua posição e foi atingido por trás. Webber pensa parecido, mas acha que a disputa não deveria ter acontecido.


“É preciso atuar com um pouco de bom senso.A briga por posição deve existir. Mas há um ponto em que se está cinco segundos mais lento que alguém por volta e não há sentido em lutar”, ponderou.

Webber saiu ileso do acidente que, ironicamente, aconteceu na freada da chamada “Curva do Cemitério”, já que atrás do muro da área de escape há um pequeno cemitério. Reconheceu que terá algumas dores no corpo nos próximos dias, mas garantiu que será o mesmo na próxima etapa da F-1, em Silverstone.


O que mudou completamente depois do acidente foi o desenrolar do GP da Europa. Com a batida, o Safety Car foi chamado à pista, exatamente depois que os quatro primeiros haviam passado da entrada dos boxes. Quase todos que vinham atrás entraram imediatamente. E se deram bem: Jenson Button terminou em terceiro, Rubens Barrichello num ótimo quarto e assim por diante.


A polêmica ficou na frente: Sebastian Vettel conseguiu passar na saída dos boxes antes do Safety Car e voltou em primeiro depois de sua primeira parada. Lewis Hamilton e a dupla da Ferrari, não. Mas o inglês foi malandro, ultrapassou o carro-madrinha mesmo assim e não perdeu nenhuma posição nos boxes. Quando a punição de drive-through foi aplicada, já tinha aberto vantagem o suficiente para voltar em segundo. Foi uma pena sem pena para o líder do Mundial que, ao lado de Vettel, deixa Valência como quem mais ganhou no domingo.


A prova teve outros destaques: Kamui Kobayashi foi brilhante, Rubens Barrichello também, teve garrafa na pista e muita briga de foice ao longo de todo o grid. Fico no aguardo da participação de vocês no Credencial. Até mais!

(Foto Red Bull)