Mostrando postagens com marcador Lewis Hamilton. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lewis Hamilton. Mostrar todas as postagens

domingo, 6 de março de 2011

TV BLOGO - HAMILTON NA CHUVA

Mais um show de Lewis Hamilton em piso molhado. Mas este aqui da época do berço. Vale a pena conferir o óbvio talento do inglês contra kartistas um pouco mais velhos. Grande dica do amigo vienense Markus Von Eichenbaum.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

OS ÍMPARES

A partir do final dessa semana vamos conhecer os carros desta temporada e, como sempre, eles serão decisivos para apontar as chances de cada piloto em 2011. Mas se for uma temporada equilibrada como a do ano passado, o fator psicológico será tão decisivo quanto. Então vale uma pequena análise da forma com que os nomes das principais equipes começam o ano. Hoje com os ímpares delas e, amanhã, com seus companheiros, os pares.

1 - SEBASTIAN VETTEL
Parece óbvio dizer que o atual campeão é o que começa o ano com mais força que o resto, mas no caso de Vettel sua forma aponta isto. Depois de cometer alguns erros desastrosos, com os quais até o seu cachorro devia olhá-lo com desconfiança, o alemão encontrou forças para ressurgir e, eventualmente, triunfar no último campeonato. A maneira com que superou Mark Webber nos últimos seis GPs da temporada é uma prova irrefutável disso. Seu desempenho perfeito nas quatro provas finais também. O título vai ajudá-lo a ganhar ainda mais autoconfiança. Carros fora, para mim é o favorito deste ano.

3 - LEWIS HAMILTON
Teve uma variação de forma interessante em 2010. Começou o ano errático e vendo o companheiro Jenson Button ganhar corridas, mas soube virar o jogo e em muitos momentos lembrou o melhor Hamilton que foi campeão em 2008. Mas cometeu um erro muito bobo em Monza e, depois, sucumbiu na escorregada da McLaren no desenvolvimento do carro. Seu espírito de luta incansável é sua melhor arma e a expectativa é que a experiência adquirida o faça dosar melhor isso para não passar da conta e se prejudicar.

5 - FERNANDO ALONSO

Apesar de italianos e espanhóis terem comprado a história de que foi a Ferrari quem perdeu o título pela derrapada estratégica em Abu Dhabi, a verdade é que o espanhol jogou fora pontos importantes com alguns erros, como os de China e Mônaco. Em seu primeiro ano de Ferrari, ele pareceu disposto a ganhar o título “na marra”, repetindo o comportamento da sua passagem pela McLaren em 2007. Mas terminou a temporada numa clara ascendente e pelo menos o ano serviu para conquistar os membros-chave da Ferrari. Se for um pouco mais calmo agora, tem tudo para ser o principal adversário de Vettel numa guerra psicológica.

7 - MICHAEL SCHUMACHER
A velha raposa das pistas penou no seu retorno na Fórmula 1 e sofreu para acompanhar o ritmo do talentoso Nico Rosberg na maior parte do tempo. Mas terminou o ano mostrando uma curva ascendente e tem bons motivos para começar 2011 com ânimo renovado. O comportamento dos pneus Pirelli parece solucionar o problema de quem sofreu com a falta de aderência na dianteira em 2010. E a ideia dos italianos em criar compostos que gastam mais rápido deve jogar a seu favor. Assim como o excesso de botões para controlar no volante, algo em que sempre se destacou. Não acho que vá ganhar algo neste ano mas, como bem frisou Alonso, também não tem nada a perder. Um dos únicos nas equipes de ponta nesta situação, aliás.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

TV BLOGO - F1 60 ANOS e F1 2010

Arrepiante o vídeo que a FIA exibiu na cerimônia de encerramento da temporada em Mônaco. Com o momento pessoal histórico em que eu apareço na mesma imagem que Mick Jagger, hehehe. Aperte o play e deleite-se! Grande dica do Julio Cezar Kronbauer.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

FÓRMULA 1 2010 - POR JULIANNE CERASOLI*

Foi uma temporada marcante, essa de 2010. Drama, polêmica, comédia e muita disputa dentro das pistas fizeram dela a mais emocionante que eu me lembre desde 1986. Mas esse é um tipo de conclusão pessoal, então tomei a iniciativa de fazer algo que há muito tempo pensava fazer: pedir e trazer a colaboração de outros blogueiros. Escolhi três nomes, optei por pessoas que eu não conheça pessoalmente mas autores de trabalhos que eu admiro muito - todos em blogs mantidos de forma independente. O tema que coloquei à eles foi: F1 2010 - Por que uma temporada histórica? O mais legal é que as respostas vieram com a cara de cada um. Começamos hoje, com o trabalho da Julianne:

BONS ERAM OS TEMPOS DE ALONSO, HAMILTON, VETTEL...
Seis líderes diferentes durante o ano. Uma equipe que, ao mesmo tempo em que consegue fazer 15 das 19 poles possíveis no ano, entra em ebulição por uma simples asa dianteira. Quatro pilotos divididos pelo equivalente a menos de um 2º lugar após 19 etapas. Um piloto 47 pontos atrás, depois de dois péssimos resultados, promete que lutará pelo título – e cumpre. Seja olhando pelo prisma dos números, seja valorizando mais as histórias, 2010 é daquelas temporadas que nos farão, daqui a 20, 30 anos, olhar para os tempos de Vettel, Hamilton, Alonso e companhia com ares de nostalgia.

A pressão
Não coincidentemente, a marca de um campeonato tão apertado foram os erros cometidos sob pressão. Erros de estratégia, de pilotagem, inexplicáveis. Quem diria que veríamos as grandes McLaren e Ferrari serem barradas na primeira parte da classificação na Malásia por pura soberba frente à tempestade? Ou que assistiríamos a um bicampeão mundial queimar a largada, como nem os principiantes fazem hoje em dia?

A lição que fica é que, mesmo que os pontos tenham igual valor em qualquer momento da temporada, um gol aos 45' do 2º tempo faz diferença. E foram Vettel e Alonso, os que deixaram os tropeços para trás antes dos outros e afrontaram os momentos decisivos com precisão cirúrgica, que acabaram levando vantagem.

As atuações
Mas este esteve longe de ser um ano de, quem menos erra, leva. Tivemos performances inacreditáveis. Como Button, duelando décimo a décimo com as bem mais rápidas Ferrari mesmo ostentando a maior asa traseira que Monza já viu. Ou Alonso, resistindo à pressão de um Vettel que havia comandado todos os treinos no calor da noite de Cingapura ou mesmo guiando uma corrida inteira com a embreagem pedindo água na Malásia. E o que dizer das poles de Sebastian, tirando aquele décimo de segundo que enlouquecia Webber?

O mesmo Webber que, ao construir uma vantagem de 22s fazendo durar por 43 voltas os pneus macios para fazer seu pitstop e ainda voltar na frente na Hungria, e vencer com ares de gênio em Mônaco, também deu show. Assim como Hamilton, passando por cima de um erro de estratégia da equipe, fazendo 13 ultrapassagens, por dentro, por fora, de qualquer jeito, para ser segundo na China. E, por que não, o que foi aquela pole quase milagrosa de Hulkenberg, lendo uma Interlagos nem seca, nem molhada, como um veterano?

O difusor, a asa e o jogo descarado
Claro que qualquer temporada que se preze tem suas polêmicas. No campo técnico, tentaram de tudo para desmascarar o domínio da Red Bull, que aparecia de uma hora para a outra nos momentos finais da classificação. Primeiro, acreditava-se que havia um sistema ilegal que regulava a altura de acordo com a quantidade de combustível a bordo. Ninguém provou. Depois, o segredo era a configuração do escapamento, cujos gases eram direcionados ao difusor. Todos copiaram, e não chegaram muito perto.

Por fim, a briga mal resolvida das asas dianteiras. Mesmo que a FIA fosse mais e mais rigorosa nos testes, não conseguia colocar o dedo na ferida. Elas continuaram flexionando, a Red Bul seguiu voando nas curvas de alta, e ninguém sabe como.

Mas nada se comparou ao estardalhaço provocado pelas ordens de equipe da Ferrari. Enquanto tudo acontecia por baixo do pano, sem conversas mais que comprometedoras pelo rádio ou pilotos praticamente estacionando pela pista, a Fórmula 1 convivia bem com uma regra à qual ninguém dava muita atenção. Depois de tanto desgaste, quem sabe não encontrem um meio termo entre os interesses de uns e o faz-de-conta de outros.

Aos números

Sebastian Vettel é o campeão mais jovem da história da F-1, reforçando uma tendência de queda na idade dos que chegam ao título. Ele é o terceiro desde 2005 a bater uma marca que durou 33 anos nas mãos de Emerson Fittipaldi – Alonso venceu com 25 anos; Hamilton estava perto de completar 24 e, hoje, o alemão tem 23.

Mas a conquista é marcada por estatísticas ainda mais interessantes, que mostram o atual equilíbrio da categoria: Vettel jamais havia chegado à liderança do campeonato antes da última etapa da última prova, sendo apenas o terceiro na história a vencer chegando na corrida final em terceiro na tabela, numa temporada que terminou, mesmo com a pontuação mais farta, com apenas 16 pontos de diferença entre o 1º e o 4º colocados.

Continuando a “maldição” do líder do campeonato, desde o GP da Turquia de 2009 o melhor colocado na tabela não vence a prova. E, pelo terceiro ano seguido, o atual campeão do mundo só venceu duas vezes na temporada em que defendia o título e não chegou à última etapa podendo chegar ao bi: foi assim com Raikkonen em 2008, Hamilton em 2009 e Button em 2010.

Por fim, talvez não na quantidade que gostaríamos – e a má impressão de Abu Dhabi ainda é muito forte –, mas, sim, as ultrapassagens voltaram. Em 2010 tivemos a melhor média – 28,8 por prova – desde 1991. Foram 547 no total, contra 244 de 2009. Ainda não é comparável às médias do início dos anos 1980, acima de 40 por GP, mas um alento para quem já viu temporadas com apenas perto de 10 ultrapassagens por etapa há muito pouco tempo, em 2005, e convivia, nos últimos anos, com pouco mais de 14 manobras a cada final de semana.

(*Julianne Cerasoli compartilha suas idéias sobre Fórmula 1 no seu blog Faster F1, com análises inteligentes e ponderadas, sustentadas por números e por uma visão bem realista de como funciona a categoria. Leitura obrigatória para os que querem ir além da notícia)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

ESPECIAL 2010 - OS DEZ MELHORES

Diversos pilotos, alguns em momentos específicos. O melhor de 2010 da minha lista teve acima de tudo uma admiração pelo trabalho individual. Mas o topo da lista ficou reservado à uma festa e uma equipe. Porque um evento tão complexo como a Fórmula 1 é feito de um trabalho em conjunto. Especialmente quando ele mantém o esporte em primeiro plano. Confira abaixo a lista e discorde à vontade nos comentários:

10 - KAMUI KOBAYASHI
As arquibancadas do circuito de Suzuka tremiam a cada manobra. O epicentro do terremoto era o carro branco de número 23 de Kamui Kobayashi. O japonês aproveitou-se de uma estratégia distinta da maioria do grid, fazendo um stint longo com os pneus duros antes de calçar os moles e partir para uma série de ultrapassagens decididas - como já havia feito em Valência quando deixou para trás até mesmo o herói local Fernando Alonso. Embora a segunda parte do trabalho seja a mais espetacular, o fato é que seu ritmo de corrida nestas duas provas com os duros foi o que mais impressionou os técnicos da categoria. Ultrapassar, como ele constatou na entrevista que fizemos em Interlagos, “é o normal”. Em 2011, mesmo sem trazer dinheiro, Kobayashi faz mais uma temporada na Sauber. E terá a chance de continuar impressionando equipes maiores para ambicionar um cockpit de ponta no futuro. Fãs espalhados no mundo inteiro torcerão por isso.

9 - JENSON BUTTON
Ele surpreendeu o stablishment quando decidiu sair da campeã Brawn e levar o número 1 para a McLaren. Era um passeio “na cova do leão”, como Jackie Stewart descreveu a equipe que é berço e lar do excepcional talento de Lewis Hamilton. Mas Jenson Button não deu bola para o que diziam e provou toda sua qualidade com duas vitórias em condições difíceis no início do ano, o suficiente para colocá-lo na liderança do mundial. Depois, foi um dos que sucumbiram com os pneus em treinos classificatórios e arruinou suas possibilidades. Mesmo assim, uma incrível regularidade nas corridas o manteve vivo na briga por muito tempo. Não fosse abalroado por Vettel em Spa, teria chegado à decisão com chances.

8 - KUBICA EM CINGAPURA
“Quem é o próximo, quem é o próximo?” Os engenheiros da Renault não esconderam um riso de admiração quando Robert Kubica entrou no rádio. Numa das pistas mais apertadas do ano, o polonês não desperdiçou o uso dos pneus macios na parte final da corrida (por conta de um furo no pneu, acabou na mesma configuração de Kobayashi em Valência e Suzuka) e foi dobrando quem estivesse pela frente. Um piloto em ponto de ebulição, deixando claro aos rivais que não estava para brincadeiras só pela maneira de atacar. Foi o ponto alto de um grande ano para um piloto que tem tudo para voar alto quando estiver em uma equipe de ponta. É mera questão de tempo para que isso aconteça.

7 - MARK WEBBER

Depois da temporada de 2009, ninguém esperava de Mark Webber nada além do que um papel secundário na Red Bull, ajudando a equipe a somar pontos e angariando vitórias quando Sebastian Vettel tivesse algum problema. Mas o australiano fez a temporada da sua vida e, durante muito tempo, apareceu como o mais forte candidato ao título. Em especial suas performances nos técnicos circuitos de Barcelona e Mônaco foram verdadeiras aulas de ritmo de corrida. O piloto também soube ser matreiro ao capitalizar a seu favor as confusões do comando da equipe na Turquia e na Inglaterra para colocar pressão sobre o companheiro de equipe. Pena que sucumbiu diante da resposta deste no momento decisivo do campeonato, deixando o título escapar com um erro bobo na Coreia e uma classificação ruim na prova decisiva.

6 - POLE DE HÜLKENBERG
Numa temporada completamente dominada por três equipes, foi quase um milagre ver o carro azul e branco da Williams ocupando o primeiro lugar de um grid. Tudo bem que houve a interferência de São Pedro e o imprevisível clima paulistano. Mas Nico Hülkenberg fez um trabalho perfeito quando as condições favoráveis apareceram: pista úmida, asfalto frio, um carro e um estilo pilotagem agressivo com os pneus. Mesmo com o futuro ameaçado, encaixou três voltas perfeitas em sequência e colocou mais de um segundo de vantagem sobre a excelente combinação RB6-Vettel-Chuva. Não salvou seu emprego, mas encerra o ano com boas perspectivas depois de mostrar à equipe que é dono de um talento que o dinheiro não compra.

5 - HAMILTON E O DUTO DE AR
O espírito combativo de Lewis Hamilton ganhou uma arma letal com uma das mais inteligentes criações na história da Fórmula 1. Um canal de vento dentro do monocoque que permitia a asa traseira “estolar” nas retas, fazendo um efeito parecido ao de uma asa móvel, mas sem ferir o regulamento. Especialmente no início do ano, a velocidade maior no final das retas permitiu ao inglês realizar um show de ultrapassagens. Mas mesmo no final do ano, quando os rivais já haviam desenvolvido suas versões da novidade, Hamilton continuou a demonstrar seu instinto e pressionar ao máximo quem tivesse à sua frente, como aconteceu com Robert Kubica em Abu Dhabi. As chances de título sucumbiram diante de erros pontuais seus e, principalmente, pela falta de desenvolvimento do carro da McLaren na reta final. Mas o inglês termina 2010 como o grande artista do ano. Os fãs do esporte agradecem.

4 - ALONSO EM CINGAPURA

O caráter fora-de-série de Fernando Alonso ficou claro em uma série de ocasiões ao longo do ano. Não foram poucas as provas em que ele conseguiu resultados além do que seu carro permitia, simplesmente empregando ao máximo sua qualidade. Em que pese os erros cometidos na primeira parte do campeonato (largada queimada na China, acidente no treino livre em Mônaco que o deixou fora da classificação), esta capacidade cativou de vez a equipe Ferrari. E teve seu ápice em Cingapura. Numa pista travada e ondulada, na medida para toda a eficiência do RB6, o espanhol conquistou no braço a pole position num circuito em que realmente excede. Na corrida mais longa e fisicamente desgastante do ano, não se incomodou um instante com a sombra azul do carro de Sebastian Vettel e conquistou a mais bela de suas vitórias em 2010. Um momento de puro brilho para se contrapor com as polêmicas que volta e meia se envolve.

3 - SEBASTIAN VETTEL
O mundo caiu de pau em cima de Sebastian Vettel ao final daquele domingo chuvoso em Spa-Francorchamps. Sua mal-sucedida ultrapassagem sobre Jenson Button despertou as lembranças do acidente com o companheiro de equipe Mark Webber na Turquia. O “drive-through” e o apelido de “crash kid” que recebeu em consequência disso foram os outros pregos de sua cruz. Moleque, estabanado, imaturo: as etiquetas estavam coladas por todo o corpo. Não devem ter sido dias fáceis, mas o alemão foi buscar uma confiança inabalável dentro de si. A partir de então, marchou impávido sobre o companheiro Mark Webber em todas as provas. E rumo ao título, apenas uma imprevista quebra de motor nas voltas finais da Coreia o impediu de vencer as quatro últimas corridas do ano. Coroado campeão, preferiu sorrir ao invés de esfregar o sucesso nos que o atacaram. Moleques são os outros.

2 - FESTA DOS 60 ANOS
Foi uma chuva de estrelas naquele domingo ensolarado no meio do deserto. John Surtees, Jackie Stewart, Emerson Fittipaldi, Mario Andretti, Jody Scheckter, Keke Rosberg, Damon Hill, todos conduzindo os carros nos quais ganharam títulos mundiais. Mika Hakkinen e Nigel Mansell em modelos campeões dos anos 50. Na platéia? Niki Lauda, Alain Prost, Alan Jones e até mesmo Jack Brabham. Ao final das voltas de exibição (mas que não nos enganemos, a turma ia afundando o pé um pouco mais a cada passagem), todos se encontraram e se confraternizaram numa comunhão de grandes pilotos com grandes máquinas. O sorriso infantil nos rostos cheios de rugas foi a maior prova de que o amor pela velocidade é maior que o tempo. Uma festa à altura da própria Fórmula 1.

1 - RED BULL
De um lado, um panteão de história e com rígida hierarquia chamado Ferrari. Do outro, uma equipe de enorme excelência técnica e com dois campeões mundiais que são o sonho de qualquer patrocinador chamada McLaren. No meio, uma equipe com um orçamento menor e toda enrolada na hora de administrar os anseios individuais de seus pilotos. Mas justamente por isso mais palpável, humana. De sobre-humano na Red Bull, só mesmo o bólido desenhado pelo gênio da prancheta Adrian Newey, praticamente imbatível nas classificações, embora de resistência por vezes imprevisível nas corridas - mesmo assim, o pilar sólido de todo o sucesso alcançado. Mesmo tropeçando diversas vezes no próprio cadarço, a Red Bull resolveu respeitar o bom trabalho de sua dupla de pilotos e não se intrometeu neste duelo interno na reta final, contrariando o senso comum de muitos especialistas e fãs. E foi por ter dois cavalos no páreo decisivo que conseguiu o segundo (e mais suado) título da temporada em Abu Dhabi, deixando os adversários sem saber para qual carro olhar. O ano de 2010 foi o ano do triunfo de uma equipe jovem, que consegue ser eficiente mesmo batendo cabeças. Uma que tem os ingredientes na mão para se firmar como uma das grandes do esporte ao longo dos próximos anos. Se não tiver sido fogo de palha, um dia saberemos que o futuro da F-1 começou aqui.


(Fotos Luis Fernando Ramos)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

OS QUATRO CAVALEIROS

Dezoito corridas realizadas, chegamos nesta última com o ineditismo de termos quatro pilotos com chances matemáticas de ser campeão. Confira abaixo umas linhas sobre o ano de cada um deles, opine na enquete ao lado e, porque não, justifique seu voto nos comentários.

FERNANDO ALONSO - 246 pontos
Polêmico, egoísta, político. E diabolicamente rápido. Os predicados de Fernando Alonso em muito lembram os do multi-campeão Michael Schumacher em seus anos de Ferrari. Não é à toa que ele não precisou mais que meia temporada para atrair para si todos os esforços da equipe. Dentro da pista, aproveitou os problemas de Felipe Massa com a temperamental borracha dos pneus Bridgestone de 2010 para o superar com certa tranquilidade nas classificações. E não hesitou em deixar claro seu desejo de liderar o time quando surgiam as oportunidades nas corridas. A arriscada ultrapassagem na entrada dos boxes na China foi apenas o prenúncio do que estava por vir. Na prova da Alemanha, quando Massa deixou claro que lutaria pela vitória, Alonso pressionou a equipe pelo rádio para que uma ordem de equipe fosse dada. Desejo atendido, ele correspondeu depois enfileirando uma série de ótimos resultados. O triunfo em Cingapura, superando as Red Bull com um carro bem inferior, foi um bom exemplo da sua determinação neste ano.

MARK WEBBER - 238 pontos
A fisionomia de Mark Webber lembra um pouco a do Super-Homem e o australiano teve seus dias de homem de aço neste campeonato. O piloto que até então era tido como um “leão de treino” revelou sua identidade secreta com uma consistência em corridas que o deixou durante muito tempo como o mais bem colocado na disputa pelo título. Depois de um início de ano um tanto claudicante, Webber foi o grande nome da chamada “temporada européia”. Em Barcelona e em Mônaco, respondeu às tentativas de aproximação de Sebastian Vettel com um ritmo de corrida alucinante. Nas pistas de Silverstone e Hungaroring, capitalizou como nunca em cima dos erros do alemão. O australiano mostrou também sabedoria ao capitalizar na mídia a imagem de um Dom Quixote que luta errante contra o queridinho da Red Bull. Ganhou com isso a simpatia de muitos torcedores, mas o fato é que, com exceção de Silverstone, lutou sempre com as mesmas armas de Vettel.

SEBASTIAN VETTEL - 231 pontos
Banho de sal grosso, alfazema, linha de passe. Sebastian Vettel bem que poderia apelar para táticas pouco ortodoxas para se livrar da zica que o assombrou em 2010. O alemão cometeu seus erros, é verdade. Os acidentes com o companheiro Mark Webber na Turquia e com a McLaren de Jenson Button em Spa-Francorchamps lhe renderam o incômodo apelido de “Crash Kid”. Mas a verdade é que a maioria dos pontos desperdiçados pelo “garoto-enxaqueca” da Fórmula 1 foram por problemas que fogem a seu controle: uma vela que falhou no motor do Bahrein, um cubo da roda que não se prendeu na Austrália, um motor estourado quando liderava a prova da Coreia. Ainda assim, Vettel deixou sua marca: quase metade das pole-positions do ano foram suas, mais uma vez comprovando que é um dos melhores do grid em termos de velocidade pura. E suas vitórias foram conquistadas de maneira incontestável, o triunfo de um piloto que dominou as ações o tempo todo ao longo do final de semana.

LEWIS HAMILTON - 222 pontos
A McLaren trouxe uma das grandes inovações tecnológicas da temporada: um duto de ar que garantia uma melhor velocidade final de reta sem atrapalhar a estabilidade do carro nas curvas. Uma idéia brilhante e complexa, que exigia dos pilotos que tapassem um orifício no cockpit - com as pernas ou as mãos, dependendo da equipe - para que ela funcionasse. Ninguém soube aproveitar melhor a novidade do que Lewis Hamilton. Com um carro não tão eficiente em classificações, o piloto aproveitava para ir ganhando posições nas corridas aliando seu estilo naturalmente agressivo com a vantagem que o dispositivo lhe permitia. O resultado foi um show de ultrapassagens que se tornou uma das boas coisas da temporada. Pena para ele que suas chances no campeonato acabaram prejudicadas por algumas ocasiões onde a agressividade foi mal aplicada, resultando em abandonos por acidentes como em Monza e Cingapura. Ainda assim, tudo parece parte do processo de amadurecimento de um piloto que ainda perambula entre o genial e o genioso.

(Fotos Luis Fernando Ramos)

domingo, 24 de outubro de 2010

DE CORPO FECHADO

A risada vibrante de Fernando Alonso no rádio da Ferrari ao final do GP da Coreia era a de um homem que não podia acreditar na sua própria sorte. Veio após uma vitória que o colocou de volta na liderança do Mundial depois de quase sete meses. Justamente antes de penúltima etapa do ano. Assim, ele vai para Interlagos como o único piloto com chances de ser campeão no GP do Brasil. Justamente o palco das suas últimas conquistas.

Foi um triunfo de sobrevivência. Como se tivesse o corpo fechado, Alonso foi passando incólume pelos problemas de seus adversários na briga pelo título. A primeira vítima das condições dramáticas de um domingo molhado em Yeongam foi justamente Mark Webber, o líder na tabela até então. Um erro de pilotagem bobo num momento em que todos andavam com cautela o fez estampar o muro (e, de quebra, levar junto a Mercedes de Nico Rosberg, que fazia um inspirado início de prova).

A sorte pareceu ter abandonado o espanhol no momento de sua parada nos boxes quando um erro da Ferrari (cuja responsabilidade ele assumiu após o triunfo) na mudança da roda dianteira direita o jogou para o terceiro lugar na prova atrás de Lewis Hamilton. Mas o inglês da McLaren cometeu um raro erro na chuva durante a relargada e Alonso prontamente recuperou o segundo lugar.

Um impecável Sebastian Vettel se mantinha na liderança, cuidando do desgaste dos pneus intermediários e da aproximação do piloto da Ferrari. Mas o destino resolveu sorrir para este quando o motor Renault do carro da Red Bull explodiu sem o menor aviso a onze voltas do final, tirando o alemão da prova e diminuindo drasticamente suas chances no campeonato.

Alonso agradeceu e partiu para sua quarta vitória em sete corridas, consumando uma virada no Mundial iniciada com a polêmica vitória de Hockenheim. Restou reconhecer que, para ter sucesso, é preciso mais do que apenas competência.

- Acho que desde Silverstone temos um carro para ir ao pódio, mas o fator sorte nos fez sofrer. Agora estamos vencendo também por causa disso. Hoje eu era terceiro, uma Red Bull bateu e outra teve o motor estourado. Como eu sempre disso, a sorte se equilibra ao longo de uma temporada.

Apesar do tricampeonato mundial e de um título em seu primeiro ano de Ferrari estar ao alcance da mão, Alonso prefere minimizar suas chances.

- Se todos perdessem o avião para o Brasil seria mais fácil. Mas as Red Bull foram melhores que nós aqui, fazendo a primeira fila no sábado. Se fizerem duas dobradinhas, será um problema para mim - raciocinou.

Do lado da Red Bull, calma. Nem parecia que Sebastian Vettel tinha sido vítima da face mais amarga do automobilismo. Nove voltas o separavam de uma vitória que o deixaria numa condição excelente para o primeiro título de sua carreira. Num instante, o sonho se evaporou numa espessa nuvem de fumaça.

- Não houve o menor aviso. Quando entrei na reta dos boxes, os quatro cilindros de um lado falharam e era questão de segundos que os quatro outros se fossem também. Até ali, estava bastante orgulhoso da corrida que vinha fazendo. Tinha tudo sob controle, mesmo naquelas condições dificílimas.

Apesar da pouca idade, o alemão da Red Bull mostrou personalidade de veterano no que deve ter sido o pior dia da sua carreira esportiva.

- Às vezes é preciso ter sorte também. Muitas vezes nesse ano tivemos altos e baixos e não daria para mudar isso agora. A vida é assim e temos que aceitar isso. Mas sou sempre o último a desistir e a chance de ser campeão existe.

O pesadelo da Red Bull foi completado pelo erro de Mark Webber logo no início da prova.

- Errei, a responsabilidade é toda minha. Mas ainda temos duas corridas pela frente e já estou pensando no Brasil - disse o australiano.

Cabisbaixo, o chefe do time Christian Horner acusou o golpe, mas garantiu que a Red Bull não fará jogo de equipe a favor de Webber, o piloto melhor colocado na tabela.

- Acho que o título será decidido na última curva em Abu Dhabi. Mark é o segundo na tabela, Sebastian o quarto, mas só uma vitória o separa de Alonso. Quantas vezes vimos a maré virar rapidamente neste ano? Não dá para pegar uma bola de cristal e ver o que acontecerá no Brasil e em Abu Dhabi - justificou.

Além da situação da briga pelo título, não faltam assuntos para o “Credencial”: a questão da demora no início (real) da prova, as inúmeras confusões na pista, as impressões de uma pista nova e de um país novo, as perspectivas para Interlagos. Enfim, como sempre, o espaço dos comentários é de vocês!

(Foto Ferrari)

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

THE FAB FIVE

O novo circuito da Coreia serviu de palco nesta quinta-feira para a tradicional foto reunindo os candidatos ao título. Desta vez eram cinco os pilotos sentados na mureta do pitlane. As incertezas envolvendo uma pista que ainda recebe os últimos retoques e que ninguém conhece deixam todos com uma tensão a mais. Depois da coletiva de imprensa oficial de hoje, cada um buscou mostrar otimismo. Começando pelo líder do Mundial, o autraliano Mark Webber.

“Ninguém tem mais informações que a gente, estamos bem preparados. Somos um grupo de pessoas muito fortes em entender uma nova pista e explorar o máximo dela. Estamos prontos para a briga”, garantiu.

Mas a performance da Red Bull nesta pista é uma incógnita. O primeiro setor da volta na Coreia é composto por três longas retas. Uma combinação que parece ser o calcanhar de Aquiles do RB6 - ou pelo menos uma vantagem a favor de Ferrari e McLaren. Sebastian Vettel buscou minimizar o fato bem a seu estilo brincalhão. “Não é nossa pior pista na temporada, acho que Monza era pior para nós. Estaremos bem nas curvas e nas retas, bem, você pode colocar um macaco ao volante que o resultado será o mesmo”.

A disputa já começa com os treinos livres, a primeira sessão a partir das onze da noite desta quinta-feira em Brasília, dez da manhã de sexta no horário local. Cada piloto traçou sua estratégia para o primeiro dia da batalha. Fernando Alonso vai começar o trabalho com calma. “As condições de aderência no asfalto devem mudar muito de sexta para sábado, por isso esse primeiro dia vai ser mais para conhecer a pista”.

Já Lewis Hamilton da McLaren tem opinião oposta. “A chave é maximizar os treinos livres e mexer no carro o mais rápido possível. Todos tentarão aprender a pista rapidamente para conseguir um bom acerto logo de cara”, apostou.

O certo mesmo é que o final de semana promete muito drama e deve se encerrar com uma corrida que promete emoção. É o que identifica o último dos postulantes ao título, o inglês Jenson Button da McLaren. “É uma pista que vai permitir um bom show com muitas ultrapassagens”, apostou.

Neste momento, em quem você aposta para o título? Por qual motivo?

(Foto Luis Fernando Ramos)

terça-feira, 14 de setembro de 2010

CREDENCIAL – GP DA ITÁLIA

O “Credencial” do fim da temporada européia traz um amplo apanhado da etapa de Monza, trazendo na primeira parte um belo retrato da performance de pilotos e equipes que estão na briga pelo título mais disputado em muitos anos: tanto do que fizeram neste final de semana como do que esperar deles nas etapas que restam. Na segunda parte, a gente abre ainda mais o foco e aborda também uma série de outros assuntos relevantes também nas perguntas de vocês. Aperte o play (ou baixe pelo link) e boa audição!

PARTE 1


PARTE 2


(Foto xpb.cc)

domingo, 29 de agosto de 2010

FÉ EM DEUS E PÉ NA TÁBUA

Um circuito divino, um clima diabólico: pela qualidade e dramaticidade das corridas, os GPs da Bélgica costumam ser sempre quase uma experiência religiosa. E ontem não foi diferente. Uma pancada de chuva leve no início e outra mais forte na parte final das 44 voltas disputadas garantiram uma boa dose de problemas para os pilotos da Fórmula 1. Não foi à toa que o vencedor terminou a a prova falando que foi guiado pela mão de Deus quando quase pôs tudo a perder num momento em que escapou da pista.

“Que condições traiçoeiras... incrível! Spa sempre nos traz a corrida mais desafiadora do campeonato. E eu estou no paraíso por tê-la terminado em primeiro”, exultou Lewis Hamilton.

O piloto da McLaren tinha mesmo uma conta em aberto com o circuito. Em 2008, ele cruzou a linha de chegada na frente, mas recebeu uma punição de tempo por ter cortado a chicane numa ultrapassagem e ficou classificado em terceiro. Alívio duplo para o inglês:
“Eu amo as corridas, está no meu sangue. Chegando aqui, fiquei surpreso como éramos competitivos, possivelmente com o melhor carro. Mas foi difícil transformar isso em vitória nessas condições tão instáveis. De qualquer jeito, é um prazer agora poder colocar essa pista na lista dos lugares em que já venci”, falou o piloto, que conquistou sua 14ª vitória na F-1.

E Hamilton tem mesmo razão: no templo de Spa, o jeito foi rezar para sobreviver até o final da prova, não importando a que preço. Mark Webber fez uma péssima largada, caiu pro meio do pelotão mas acertou depois a oração e foi premiado com um segundo lugar importante para suas pretensões no campeonato.


Outros naufragaram num dilúvio de erros. Jenson Button foi vítima involuntário de um erro calamitoso de Sebastian Vettel. O alemão tinha mais velocidade, mas meteu os pés pelas mãos na hora de tentar a ultrapassagem, perdeu o controle do seu carro e rodou, atingindo em cheio a McLaren do atual campeão do mundo.


O calvário de Vettel seguiu com uma punição, um pneu furado e decisões estratégicas equivocadas. Terminou o dia crucificado pelo chefe de Button, Martin Whitmarsh.
“Não foi algo que você espera ver na Fórmula 1, tinha mais cara de categoria de base. Uma punição de Drive-Through foi leve demais”, reclamou o comandante da McLaren.

A Ferrari também afundou com o abandono de Fernando Alonso, que bateu sozinho perto do final depois de ter a prova comprometida logo na primeira volta, quando seu carro serviu de freio para a desgovernada Williams de Rubens Barrichello. A escuderia apostou alto no espanhol em Hockenheim e pagou um certo preço num dia em que foi Massa quem salvou pontos para ela. Jogo de azar é pecado, deveriam saber.


A discussão teológica está lançada: faça seus comentários e perguntas para o “Credencial”, que deve ir ao ar na terça-feira.

terça-feira, 13 de julho de 2010

CREDENCIAL – GP DA INGLATERRA

Este Mundial de 2010 não pára de ficar emocionante! O GP da Inglaterra teve uma boa dose de ação e terminou cheio de assuntos, principalmente o clima explosivo da “Red Boom” que pode fazer Lewis Hamilton rir por último neste campeonato. Mas a prova de Silverstone trouxe ainda um princípio de crise na Ferrari, o brilho de Barrichello e Kobayashi, a confusão da equipe Hispânia. Ficou uma edição bem completa, graças também à maciça participação de vocês. Confira o programa em duas partes, como de costume:

PARTE 1


PARTE 2


(Foto Luis Fernando Ramos)

domingo, 13 de junho de 2010

A VOLTA DO SORRISO

Ultrapassagens, acidentes, polêmicas e variantes estratégicas. O Grande Prêmio do Canadá provou que, com os ingredientes certos, uma corrida não precisa de chuva ou de períodos de Safety Car para ser excepcional. Basta juntar um bando de pilotos com mentalidade agressiva numa pista apertada e com consumo de pneus crítico. A postura ofensiva que tanto faz falta nos primeiros jogos da Copa do Mundo de futebol sobrou no circuito Gilles Villeneuve.

E quem mostrou faro de artilheiro foi o inglês Lewis Hamilton. Depois de uma pole-position excepcional no sábado, o piloto quase viu seu trabalho ir por água abaixo depois de sua primeira parada nos boxes, quando a McLaren trabalhou mal e ele foi superado pela Ferrari de Fernando Alonso na saída do pitlane. Mas mostrou o oportunismo dos craques para recuperar a posição depois que o espanhol se complicou numa disputa com o suíço Sebastien Buemi. E depois admitiu que ganhar de virada é sempre muito mais gostoso.

- É um momento emocional, afinal foi aqui em Montreal que tive minha primeira vitória na Fórmula 1. Mas a de hoje foi melhor, porque tive de lutar muito mais por ela – contou o novo líder do Mundial ao final da corrida.

Alonso ainda perderia no decorrer da corrida a segunda posição para Jenson Button, numa bobeada tremenda quando foi colocar uma volta na Hispânia de Karun Chandhok. Mas acompanhou o ritmo das McLaren a corrida inteira e viu nisso um fator muito positivo.

- Poderia ter vencido mas houves problemas com o tráfego, mas isso faz parte da corrida. O que importa é que estamos de volta na briga pelo título – avaliou o espanhol.

A Red Bull, favorita de plantão, decepcionou ao terminar com seus dois pilotos longe do pódio. No papel, a estratégia da equipe parecia eficiente. Mas não funcionou a contento. Para piorar, a questão da falta de confiabilidade voltou a aparecer, com Vettel atrapalhado por um problema no câmbio. O discurso foi o de não entrar em pânico.

- Não vamos ficar decepcionados com o resultado. Conseguimos bons pontos num circuito em que sabíamos que enfrentaríamos dificuldades – apaziguou o chefe de equipe Christian Horner.

Ruim mesmo foi a corrida para os brasileiros em geral. Bruno Senna abandonou cedo e Lucas di Grassi fazia uma boa corrida antes de sofrer com problemas mecânicos. Já Rubens Barrichello e Felipe Massa sofreram com toques dos adversários e ficaram longe da zona de pontos. O brasileiro da Ferrari está distante do topo da tabela e, mesmo com onze corridas pela frente, terá muito trabalho para descontar a diferença.

Tenho certeza que uma corrida trouxe o sorriso de volta não só ao vencedor Hamiltom, mas a todo fã de Fórmula 1. Certamente, ela vai render muitos comentários e perguntas de vocês para a edição do “Credencial”. Fico no aguardo então, até lá!

(Foto Luis Fernando Ramos)

sábado, 12 de junho de 2010

AS APOSTAS DE HAMILTON


 
Precisou mesmo de uma boa dose de drama para um piloto conseguir quebrar a hegemonia da Red Bull nos treinos classificatórios. Lewis Hamilton conseguiu hoje, ao abrir uma volta rápida quase no limite do treino e encaixar os setores da pista de forma perfeita. O combustível no seu carro também esteve no limite e a equipe o orientou a parar o carro no meio da pista, para restar o mínimo necessário para a coleta e análise oficiais. Por este motivo, o piloto levou uma reprimenda e uma multa de dez mil dólares dos comissários de prova.

Mas a alegria pelo feito foi maior que tudo. Com o carro já em ponto morto e parando, o inglês tirou o cinto de segurança, sentou-se na beira do cockpit e acenou para as arquibancadas, fazendo a festa do ótimo público presente no circuito Gilles Villeneuve. Queria aproveitar o momento, até porque sabe que a tarefa de vencer na corrida de hoje será difícil, por uma questão estratégica. 

Hamilton foi um dos muitos pilotos que fizeram a parte final do treino de classificação com um jogo de pneus mais macios. Assim, é obrigado pelo regulamento a largar com eles. Mas a maioria das equipes aponta uma vida curta e uma perda rápida de performance para o composto. A tendência é que o inglês da McLaren pare depois de poucas voltas, abrindo caminho para os pilotos da Red Bull, que estão logo atrás no grid e com os pneus mais resistentes. A não ser que um Safety Car entre na pista em poucas voltas, tornando uma parada nos boxes praticamente obrigatória para todos.  

Uma aposta arriscada, mas que num circuito como o Canadá, pode render bons dividendos para o inglês. Que fechou o dia sem triunfar em outra aposta, a da vitória da Inglaterra . 

- Apostei com um amigo americano na vitória do meu país, valendo um jantar hoje à noite – falou. No final, cada um vai pagar a própria conta.

domingo, 6 de junho de 2010

A RAIVA DE HAMILTON

O punho não se levantou em júbilo pelo primeiro triunfo no ano. As felicitações do engenheiro pelo rádio foram recebidas com frieza. Ao descer do carro, nenhuma vibração com os mecânicos que se amontoavam na grade, apenas um abraço gelado no companheiro de equipe.

Era
óbvio que Lewis Hamilton estava de mal com o mundo ao final do GP da Turquia. Já na última edição do “Credencial” eu apostava que ele via no ataque de Jenson Button na 48ª volta a quebra de um acordo. Não que não concordasse com a disputa com um companheiro de equipe em si. Era mais um caso de ter recebido garantias que ela não aconteceria. O vídeo oficial no site da Fórmula 1 mostra que foi justamente este o caso. A tradução do diálogo via rádio é aproximada:

Engenheiro
: Lewis, we need you to save fuel; both cars doing the same (“Lewis, precisamos que você economize combustível, os dois carros estão na mesma situação”)

Lewis Hamilton: Jenson is closing in on
me guys (“Jenson está chegando perto, gente”)

E: Understood, Lewis (“
Entendido, Lewis”)

LH: If I back
off, is Jenson gonna past me or not? (“Se eu diminuir o ritmo, Jenson vai me passar ou não?”)

E: No, Lewis... No (“
Nem a pau, Juvenal”)

O
vídeo só não explica se Button tinha uma orientação explícita de não atacar o companheiro – como Hamilton teve a de que não seria atacado. Button sabia que tinha de economizar combustível, mas talvez não tenha interpretado isso (ou não quis interpretar) como um sinal para se satisfazer com o segundo lugar. O fato é que, apesar da bonita disputa na pista que não resultou em acidente, a McLaren saiu de Istambul tão dividida quanto a Red Bull.

(Foto McLaren)

terça-feira, 1 de junho de 2010

CREDENCIAL – TURQUIA

Por que Lewis Hamilton desceu de cara amarrada depois de sua primeira vitória do ano? Por que a Red Bull queria que Vettel ultrapassasse Webber naquele momento da prova? Ficou um programa longo esse “Credencial” do GP da Turquia, mas vai ajudar a entender muitas questões do final de semana – me ajudou também, deu para consolidar algumas conclusões enquanto eu analisava em cima das perguntas de vocês. E tem também informações quentíssimas sobre tudo o que circula no paddock, incluindo os detalhes sobre o projeto de continuidade na Red Bull, mesmo com o que aconteceu em Istambul. Aperte o play para ouvir as duas partes do programa. E ajude a divulgá-lo por aí, em fóruns, blogs, no twitter. Conto com o apoio de todo mundo que gosta do “Credencial”!

PARTE 1



PARTE 2

sexta-feira, 28 de maio de 2010

SONS E IMAGENS DA SEXTA

No ano passado, o GP da Turquia foi o primeiro que tirei um tempo para ir à beira da pista e fotografar durante os treinos livres. Hoje, deu gosto constatar que deu para aprender e evoluir bastante desde então. E levei até o gravador. Aperte o play para ouvir o ambiente na freada da curva 12 enquanto você curte as imagens abaixo :

Hamilton entre cores e linhas

O touro do carro de Buemi chegando com velocidade dobrada

Zebra já virou pista faz tempo, demonstra Glock

Liuzzi na freada

Fiquei esperando o Petrov um tempão nessa posição, mas ele não apareceu. Mas a imagem com o Kubica também ficou legal

Massa e a pintura especial da Ferrari

Organização é tudo

Casa Maluca: cadê o fotógrafo?

Todo o brilho de Jenson Button

(Fotos Luis Fernando Ramos)

terça-feira, 2 de março de 2010

TV BLOGO – PROPAGANDAS DO GP DO BRASIL 2010

Idéias simples, execuções excelentes. Pegar a turma da Fórmula 1 para murmurar o ronco dos motores (acima) ficou impagável. E colocar os gringos falando uma expressão em português ficou também divertido de se ver (abaixo). O alto astral que eles estão dá o charme final para as peças. A agência mandou muito bem aqui, parabéns!


Dicas do Kico Stone e do Bruno Americano.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

ENCONTROS EXPLOSIVOS

Foi uma das cenas mais marcantes que eu já presenciei na Fórmula 1. Na movimentação frenética do grid em Abu Dhabi, Jenson Button cruzou a reta até onde estava o carro de seu companheiro de equipe. Deu um abraço sincero em Rubens Barrichello e trocou algumas palavras afáveis com ele. Era a despedida de uma dupla de pilotos que, apesar da rivalidade inerente à relação, conseguiu atravessar quatro temporadas e uma disputa de título mantendo o respeito e a amizade.

Difícil imaginar o mesmo acontecendo nas combinações que temos nas principais equipes deste ano. O potencial de faíscas nas disputas internas é óbvio e conhecido, mas vale a pena olharmos com uma lupa para os motivos que sugerem isso. Vamos lá?

McLAREN

Na minha opinião, é a equipe na qual as dificuldades de relacionamentos ficarão mais óbvias, principalmente pelo trabalho que será feito pela turma da Fleet Street (os tablóides sensacionalistas). Jenson Button e Lewis Hamilton disputam o mesmo mercado (de fãs e patrocinadores) e andam batendo cabeças em público desde 2008. Tudo começou num evento promocional da Reebok, na qual Hamilton se dizia “mais em forma que Jenson”. Na semana seguinte, na coletiva de imprensa do GP da Inglaterra, Button contra-atacou desafiando o compatriota para uma disputa pessoal em um triatlo, sua especialidade. Hamilton saiu pela tangente e jamais encarou o desafio.

No ano passado, a maré virou e o piloto da Brawn virou o queridinho dos jornalistas. Enquanto isso, o motorhome da McLaren vivia às moscas – principalmente no início do ano, ainda sob o efeito do escândalo da mentira e da escandalosa mordaça que a assessoria de imprensa da equipe colocou sobre Hamilton. Button jamais admitiu isso “on record”, mas visivelmente apreciou a situação. Sua lua-de-mel com a imprensa britânica foi selada com um convite para jantar numa churrascaria paulistana às vésperas da corrida em que sacramentou o título da temporada.

Mas a simpatia dos jornalistas e da opinião pública acontece na mesma proporção do sucesso na pista. Hamilton sabe e confia nisso para reverter sua imagem controversa. E já tratou de marcar seu território na equipe declarando no início desse ano que “detonou” Fernando Alonso em 2007, quando também tinha um campeão do mundo como companheiro de equipe.

Hamilton é mais piloto que Button, mas o atual campeão do mundo costuma potencializar ao máximo sua pilotagem quando sente que tem um bom equipamento em mãos (vide 2004 e, principalmente, 2009). Se a McLaren vier com um bom carro – e tudo indica que virá – a expectativa é de que a disputa será muito mais apertada do que se imagina. E, sendo assim, ela tem tudo para extrapolar o argumento do cronômetro e descambar para intrigas e politicagens.

MERCEDES

Nico Rosberg vive um pesadelo acordado. Quando assinou com a Mercedes-Benz no ano passado, era a aposta alemã da montadora dentro do projeto de criação de uma equipe própria. Seria companheiro do afável Jenson Button e teria o apoio incondicional de Norbert Haug e Dieter Zetsche nos entremeios políticos que o duelo interno poderia causar.

Mas tudo mudou em dezembro e seu presente de Natal foi a chegada de Michael Schumacher na equipe. Enquanto Ross Brawn e Haug davam saltos de alegria, Nico se dava conta da enrascada em que tinha se metido. Ele sabe muito bem que ser derrotado pelo pensionista Schumacher seria o fim de sua carreira. Sua imagem diante das pessoas influentes da F-1 estaria irremediavelmente manchada. E já percebeu que não terá muito suporte da cúpula do time na tarefa de enfrentá-lo – o episódio de hoje da troca dos números, dando o número 3 para Schumacher, é uma amostra simbólica disso.

Resta fazer o trabalho de provocar o adversário nas entrevistas. Nesta semana, disse a um jornal francês que Schumacher é o número 1 de todos os tempos. “Seguido de Senna e Fangio, Dos três, Senna é meu piloto predileto. E gosto muito também de Mika Hakkinen”, afirmou. Ou, numa tradução clara: “respeito você, mas me espelho nos seus maiores rivais”.

O detalhe picante: Rosberg terá Jock Clear como engenheiro de pista – o mesmo que conduziu Jacques Villeneuve ao título de 1997 contra Michael Schumacher. Desde a polêmica decisão de Jerez, Clear nunca escondeu de ninguém o que pensa do alemão. E sabe muito bem a receita para derrotá-lo: pressão, o tempo todo. Fora das pistas, seu pupilo já anda praticando. Mas o fundamental é encarar Schumacher dentro delas. A aposta de Nico Rosberg é que Schumacher demore um pouco para se readaptar - e que ele consiga nesse meio tempo abrir uma vantagem na tabela que impeça o trabalho de equipe a favor do heptacampeão mais para frente. São muitas as variantes para que ele suceda na disputa e o favoritismo no duelo é todo de Schumacher. Mas, com sua reputação em jogo, a briga será quente.

RED BULL

Em comparação com as rivais, a sensação é que a paz vai imperar na Red Bull. Afinal, Sebastian Vettel e Mark Webber já trazem a experiência de um ano de convivência na mesma garagem e superaram a tensão da disputa com bravura. O australiano é do tipo que não hesita em aplicar jogos psicológicos para tentar desestabilizar seus companheiros, mas percebeu rapidinho que Vettel é inteligente o suficiente para não entrar na sua onda. Além de responder no cronômetro, o alemão alfineta seu adversário com sutileza e simpatia em outras ocasiões, como na mensagem de Natal da equipe (“I hope mine was much funnier than Mark”, diz ele, sendo que foi mesmo muito mais engraçado). A disputa interna da equipe será uma que não vai transparecer. E que, por isso mesmo, pode fazer a diferença no resultado final do campeonato.

FERRARI

Na semana do “Wrooom” em Madonna di Campiglio, Felipe Massa e Fernando Alonso sorriram juntos para fotos enquanto Stefano Domenicali garantia que ambos sabiam como funcionam as coisas na Ferrari. Tudo muito belo na teoria, mas a prática pode trazer uma história diferente.

A verdade é que a relação entre o brasileiro e o espanhol já começa cheia de cicatrizes. Numa entrevista que fiz com Massa no final de 2008, ele contou que a discussão com Alonso em Nürburgring-07 era um dos episódios que mais o magoara na F-1, porque foi “totalmente injustificável a acusação que ele fez”. Mas o espanhol pediu desculpas depois e Massa afirma que deu a história por encerrada.

Será mesmo? Não podemos esquecer que há também a questão de Cingapura. Na última semana, Alonso afirmou estar feliz pela “absolvição” de Flavio Briatore. Minutos depois, no mesmo auditório, Massa deixou claro sua aversão pelo episódio e a torcida para que algo do gênero nunca mais acontecesse “pelo bem do esporte”. Falou também ter questionado Briatore e Nelsinho sobre a armação antes mesmo dela ir à tona. Mas não citou se conversou com Alonso sobre o fato. Sabemos, porém, que ele (e muita gente) pensa que o espanhol sabia do plano antes mesmo da corrida acontecer.

Além das opiniões diversas, temos o exemplo da passagem de Alonso pela McLaren em 2007, uma das raras ocasiões em que teve um companheiro de equipe veloz. Por mais que o time tivesse uma quedinha por Hamilton, fazer chantagem com o chefe da equipe mostra do que o espanhol é capaz quando a pressão do duelo interno chega às alturas.

Juntando as diferenças pessoais dos pilotos, a necessidade de resultados e a tradicional pressão feita pela imprensa italiana, Stefano Domenicali pode se preparar para um ano de muito trabalho.