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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

POSTAIS DE VALÊNCIA - DIA 1

Foi um dia que começou antes mesmo de clarear e está encerrando agora muito depois que o sol - que afinal, apareceu - se foi. Foi um dia de encontrar velhos amigos, carros novos, de voltar a ouvir o barulhinho bom do motor de um Fórmula 1 e de conversar bastante para ver e entender os rumos que a categoria está tomando na temporada que está nascendo. Os tempos estão aqui. E tem bastante coisa apurada para irmos degustando aos poucos nos próximos dias. E vale terminar com alguns instantâneos, acompanhadas do ronco das máquinas. Aperte o play e clique nas imagens para ampliar!


O novo carro da Mercedes... quer dizer...

Agora sim!

Fazendo biquinho ou mandando beijinho?

Sam Michael se misturou aos jornalistas para bisbilhotar os carros dos outros

"Papai me empresta o carro" pedia Buemi enquanto Alguersuari se divertia na pista

Gary Paffett andou pela McLaren, com o carro de 2010

O RB7 de Sebastian Vettel começou o ano na frente

Fernando Alonso ficou satisfeito com o dia da Ferrari

Nico Rosberg ficou pelo caminho

Alguma equipe esqueceu de fazer a "faxina de final de ano" nos caminhões

(Fotos Luis Fernando Ramos)

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

OS PARES

Seguindo com nossa análise da forma dos pilotos para esta temporada - lembrando que tudo depende dos carros que cada equipe aprontar - vamos olhar agora para os parceiros dos “ímpares”, que terão como principal tarefa batê-los, para depois tentar superar o resto do grid rumo ao título. A batalha começa contra o outro lado da garagem.

2 - MARK WEBBER
Fez uma temporada muito acima do que se inicialmente esperava em 2010, mas mostrou uma preocupante curva descendente no final do ano, com um erro custoso na Coreia e uma classificação apagada na decisão em Abu Dhabi. Muitos apostam no paddock que este será seu último ano na F-1 e eu me surpreenderia em vê-lo com o mesmo fogo depois da chance desperdiçada no ano passado. Para piorar, a ideia da Pirelli em trazer compostos mais aderentes na frente e com durabilidade menor jogam a favor de Sebastian Vettel.

4 - JENSON BUTTON
Apesar de ser o primeiros dos cinco postulantes ao título a sair fora, Jenson Button deixou uma boa impressão em 2010 - teve a menor taxa de erros entre eles e fez corridas muito sólidas. Mas pagou nas classificações o preço de ter um estilo suave de pilotagem, com o qual não conseguia uma boa temporada para os “pneus de madeira” que a Bridgestone tinha. Pode ser uma surpresa da temporada se conseguir melhores posições no grid. Por outro lado, perde sua melhor arma se a intenção da Pirelli em promover duas paradas por corrida vingar. No esquema de economizar borracha do ano passado, ele era imbatível - vide o longuíssimo stint com pneus moles que promoveu em Abu Dhabi.

6 - FELIPE MASSA
Depois da temporada ruim que teve no ano passado, difícil imaginar que sua curva não vá melhorar em 2011. Em Madonna di Campiglio, estava animado e parecia ter feito uma aposta consigo mesmo para provar que era capaz de voltar a andar na frente. Seu aliado nessa intenção são os pneus Pirelli, que parecem combinar mais com seu estilo de pilotagem. Contra, a presença cada vez mais maior de Fernando Alonso na família Ferrari. A impressão que passa é que o brasileiro está blindado quanto a isso no que tange os bastidores. Agora vem a parte mais difícil, que é dar a resposta na pista. Mesmo que não supere o espanhol no campeonato, deve mirar batê-lo pelo menos em torno de 40% das classificações e das corridas. Para isto, terá de mostrar a garra de 2008, e que ficou escondida no ano passado.

8 - NICO ROSBERG
O principal adversário de Nico Rosberg em 2011 será ele mesmo. Afinal, não deve ser fácil ser o primeiro companheiro de equipe a dar um banho em Michael Schumacher e se ver na posição de não promover isto ou qualquer outro tipo de jogo psicológico, já que o heptacampeão tem o apoio total da equipe. Com um carro mais ajustado a seu bel prazer, Schumacher será neste ano um leão ainda maior a ser executado por Rosberg. Se repetir o que fez no ano passado e, quem sabe, conquistar a primeira vitória neste retorno da equipe Mercedes, dará o salto que falta para assegurar um futuro brilhante na Fórmula 1.

terça-feira, 2 de março de 2010

TV BLOGO – PROPAGANDAS DO GP DO BRASIL 2010

Idéias simples, execuções excelentes. Pegar a turma da Fórmula 1 para murmurar o ronco dos motores (acima) ficou impagável. E colocar os gringos falando uma expressão em português ficou também divertido de se ver (abaixo). O alto astral que eles estão dá o charme final para as peças. A agência mandou muito bem aqui, parabéns!


Dicas do Kico Stone e do Bruno Americano.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

MERCEDES SURPREENDE

Enquanto sete das treze equipes da Fórmula 1 trabalham no circuito Ricardo Tormo em Valência, temos tempo para estudar os três carros que foram a público no dia de hoje. O que mais chamou a atenção foi o Mercedes GP W01 – W se refere à palavra “Wagen”, ou “carro”, em alemão, um prefixo usado pela marca já na década de 30, como no fabuloso W125.

Mercedes GP W01
O
novo modelo surpreendeu na asa dianteira, ao juntar as filosofias da Brawn e da Red Bull de 2009 na mesma peça. Assim, o W01 tem um nariz com uma curva acentuada para baixo e uma superfície côncava perto do cockpit. O espelho retrovisor ficou mais trabalhado que o do seu antecessor, o BGP 001, mas ainda é montado na lateral do chassi, contrariando a moda de colocá-lo no topo dos apêndices aerodinâmicos externos às entradas de ar laterais. A entrada de ar superior ficou triangular e o projeto incorpora dois orifícios laterais na altura do motor.

O
escapamento foi colocado o mais próximo da traseira possível, seguindo a filosofia da McLaren e ao contrário da Ferrari. Mas, como os italianos, a Mercedes abriu mão da “barbatana de tubarão” e colocou apenas uma lâmina perpendicular que desce progressivamente a partir da entrada de ar superior, terminando próximo à caixa de câmbio. Como fica claro, é um desenvolvimento do carro campeão do ano passado que incorpora algumas idéias dos concorrentes, mas o conjunto apresentado é compacto e harmônico, o que denota que as soluções foram trabalhadas e melhoradas ao máximo no moderno túnel de vento de Brackley.

Williams FW32
O carro de Rubens Barrichello chama a atenção pelo bico alto e de espessura muito fina. O trabalho ali foi concentrado em direcionar melhor o ar para a parte debaixo do carro, buscando otimizar o ganho na saída dele pelo novo difusor da equipe. Infelizmente, a única foto que deu para ver dessa peça não permite muitas conclusões, mas a impressão que dá é que os projetistas buscaram incorporar uma lâmina em cima da estrutura de impacto posterior para aumentar ainda mais o efeito do difusor. O canal de entrada de ar superior possui uma segunda secção logo atrás de onde fica colocada a câmera onboard, uma solução diferente daquela feita pela Mercedes. Já o desenho da carenagem superior é similar nos dois carros. Não parece um projeto agressivo, o que não é necessariamente uma desvantagem. A aerodinâmica parece mais refinada que a do carro anterior e a Williams costuma fazer bons chassis que garantem uma boa aderência mecânica também. Se o motor Cosworth chegar a bons valores na tríade potência-consumo-torque, o time chega com um bom conjunto para a temporada.

Toro Rosso STR5
Aqui
sim temos um carro que é quase uma cópia do modelo da Red Bull do ano passado. Um caminho lógico, afinal ele teve de ser todo desenhado em Faenza e os projetistas tinham em mãos todos os detalhes do projeto vencedor de Adrian Newey. A principal diferença está na entrada de ar superior, que inicia em uma boca circular e termina numa saída de ar única logo acima da estrutura de impacto posterior. Isso permitiu que o difusor ficasse mais largo, o que pode representar um ganho em curvas de alta. No resumo, um projeto mais conservador que parte de uma boa base, mas longe ainda de ser uma evolução das filosofias do RB5 (ou do STR4).

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

ENCONTROS EXPLOSIVOS

Foi uma das cenas mais marcantes que eu já presenciei na Fórmula 1. Na movimentação frenética do grid em Abu Dhabi, Jenson Button cruzou a reta até onde estava o carro de seu companheiro de equipe. Deu um abraço sincero em Rubens Barrichello e trocou algumas palavras afáveis com ele. Era a despedida de uma dupla de pilotos que, apesar da rivalidade inerente à relação, conseguiu atravessar quatro temporadas e uma disputa de título mantendo o respeito e a amizade.

Difícil imaginar o mesmo acontecendo nas combinações que temos nas principais equipes deste ano. O potencial de faíscas nas disputas internas é óbvio e conhecido, mas vale a pena olharmos com uma lupa para os motivos que sugerem isso. Vamos lá?

McLAREN

Na minha opinião, é a equipe na qual as dificuldades de relacionamentos ficarão mais óbvias, principalmente pelo trabalho que será feito pela turma da Fleet Street (os tablóides sensacionalistas). Jenson Button e Lewis Hamilton disputam o mesmo mercado (de fãs e patrocinadores) e andam batendo cabeças em público desde 2008. Tudo começou num evento promocional da Reebok, na qual Hamilton se dizia “mais em forma que Jenson”. Na semana seguinte, na coletiva de imprensa do GP da Inglaterra, Button contra-atacou desafiando o compatriota para uma disputa pessoal em um triatlo, sua especialidade. Hamilton saiu pela tangente e jamais encarou o desafio.

No ano passado, a maré virou e o piloto da Brawn virou o queridinho dos jornalistas. Enquanto isso, o motorhome da McLaren vivia às moscas – principalmente no início do ano, ainda sob o efeito do escândalo da mentira e da escandalosa mordaça que a assessoria de imprensa da equipe colocou sobre Hamilton. Button jamais admitiu isso “on record”, mas visivelmente apreciou a situação. Sua lua-de-mel com a imprensa britânica foi selada com um convite para jantar numa churrascaria paulistana às vésperas da corrida em que sacramentou o título da temporada.

Mas a simpatia dos jornalistas e da opinião pública acontece na mesma proporção do sucesso na pista. Hamilton sabe e confia nisso para reverter sua imagem controversa. E já tratou de marcar seu território na equipe declarando no início desse ano que “detonou” Fernando Alonso em 2007, quando também tinha um campeão do mundo como companheiro de equipe.

Hamilton é mais piloto que Button, mas o atual campeão do mundo costuma potencializar ao máximo sua pilotagem quando sente que tem um bom equipamento em mãos (vide 2004 e, principalmente, 2009). Se a McLaren vier com um bom carro – e tudo indica que virá – a expectativa é de que a disputa será muito mais apertada do que se imagina. E, sendo assim, ela tem tudo para extrapolar o argumento do cronômetro e descambar para intrigas e politicagens.

MERCEDES

Nico Rosberg vive um pesadelo acordado. Quando assinou com a Mercedes-Benz no ano passado, era a aposta alemã da montadora dentro do projeto de criação de uma equipe própria. Seria companheiro do afável Jenson Button e teria o apoio incondicional de Norbert Haug e Dieter Zetsche nos entremeios políticos que o duelo interno poderia causar.

Mas tudo mudou em dezembro e seu presente de Natal foi a chegada de Michael Schumacher na equipe. Enquanto Ross Brawn e Haug davam saltos de alegria, Nico se dava conta da enrascada em que tinha se metido. Ele sabe muito bem que ser derrotado pelo pensionista Schumacher seria o fim de sua carreira. Sua imagem diante das pessoas influentes da F-1 estaria irremediavelmente manchada. E já percebeu que não terá muito suporte da cúpula do time na tarefa de enfrentá-lo – o episódio de hoje da troca dos números, dando o número 3 para Schumacher, é uma amostra simbólica disso.

Resta fazer o trabalho de provocar o adversário nas entrevistas. Nesta semana, disse a um jornal francês que Schumacher é o número 1 de todos os tempos. “Seguido de Senna e Fangio, Dos três, Senna é meu piloto predileto. E gosto muito também de Mika Hakkinen”, afirmou. Ou, numa tradução clara: “respeito você, mas me espelho nos seus maiores rivais”.

O detalhe picante: Rosberg terá Jock Clear como engenheiro de pista – o mesmo que conduziu Jacques Villeneuve ao título de 1997 contra Michael Schumacher. Desde a polêmica decisão de Jerez, Clear nunca escondeu de ninguém o que pensa do alemão. E sabe muito bem a receita para derrotá-lo: pressão, o tempo todo. Fora das pistas, seu pupilo já anda praticando. Mas o fundamental é encarar Schumacher dentro delas. A aposta de Nico Rosberg é que Schumacher demore um pouco para se readaptar - e que ele consiga nesse meio tempo abrir uma vantagem na tabela que impeça o trabalho de equipe a favor do heptacampeão mais para frente. São muitas as variantes para que ele suceda na disputa e o favoritismo no duelo é todo de Schumacher. Mas, com sua reputação em jogo, a briga será quente.

RED BULL

Em comparação com as rivais, a sensação é que a paz vai imperar na Red Bull. Afinal, Sebastian Vettel e Mark Webber já trazem a experiência de um ano de convivência na mesma garagem e superaram a tensão da disputa com bravura. O australiano é do tipo que não hesita em aplicar jogos psicológicos para tentar desestabilizar seus companheiros, mas percebeu rapidinho que Vettel é inteligente o suficiente para não entrar na sua onda. Além de responder no cronômetro, o alemão alfineta seu adversário com sutileza e simpatia em outras ocasiões, como na mensagem de Natal da equipe (“I hope mine was much funnier than Mark”, diz ele, sendo que foi mesmo muito mais engraçado). A disputa interna da equipe será uma que não vai transparecer. E que, por isso mesmo, pode fazer a diferença no resultado final do campeonato.

FERRARI

Na semana do “Wrooom” em Madonna di Campiglio, Felipe Massa e Fernando Alonso sorriram juntos para fotos enquanto Stefano Domenicali garantia que ambos sabiam como funcionam as coisas na Ferrari. Tudo muito belo na teoria, mas a prática pode trazer uma história diferente.

A verdade é que a relação entre o brasileiro e o espanhol já começa cheia de cicatrizes. Numa entrevista que fiz com Massa no final de 2008, ele contou que a discussão com Alonso em Nürburgring-07 era um dos episódios que mais o magoara na F-1, porque foi “totalmente injustificável a acusação que ele fez”. Mas o espanhol pediu desculpas depois e Massa afirma que deu a história por encerrada.

Será mesmo? Não podemos esquecer que há também a questão de Cingapura. Na última semana, Alonso afirmou estar feliz pela “absolvição” de Flavio Briatore. Minutos depois, no mesmo auditório, Massa deixou claro sua aversão pelo episódio e a torcida para que algo do gênero nunca mais acontecesse “pelo bem do esporte”. Falou também ter questionado Briatore e Nelsinho sobre a armação antes mesmo dela ir à tona. Mas não citou se conversou com Alonso sobre o fato. Sabemos, porém, que ele (e muita gente) pensa que o espanhol sabia do plano antes mesmo da corrida acontecer.

Além das opiniões diversas, temos o exemplo da passagem de Alonso pela McLaren em 2007, uma das raras ocasiões em que teve um companheiro de equipe veloz. Por mais que o time tivesse uma quedinha por Hamilton, fazer chantagem com o chefe da equipe mostra do que o espanhol é capaz quando a pressão do duelo interno chega às alturas.

Juntando as diferenças pessoais dos pilotos, a necessidade de resultados e a tradicional pressão feita pela imprensa italiana, Stefano Domenicali pode se preparar para um ano de muito trabalho.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

PRONTO PARA O DUELO

Esqueçam Massa versus Alonso ou Button versus Hamilton. A combinação mais imbuída de nitroglicerina no paddock estará nos boxes da Mercedes, com Michael Schumacher e Nico Rosberg. O heptacampeão, cujo retorno às pistas é certo e só falta ser oficializado (pode ser daqui a pouquinho), que não espere encontrar um “irmãozinho” como o Felipe Massa da Ferrari de 2006. O duelo interno será intenso.

Basta
pensarmos o quanto estará em jogo. De um lado, o conceito de Schumacher – que sairá chamuscado se sofrer nas mãos de um novato. Do outro, a carreira de Rosberg – que irá para o lixo se apanhar de um pensionista nesta que é sua primeira e decisiva chance em uma equipe de ponta. Pode procurar: são valores muito mais altos que os postos à mesa na Ferrari ou na McLaren.

E tem
mais: não é preciso ser versado em alemão para antever um grande choque de personalidades lá dentro. Michael é a estrela da província, um gênio de origem simples que curte uma boa pelada, torce pro FC Köln, se veste mal e pode às vezes ser um tanto ranheta quanto sente invadida sua esfera privada. Já Nico é o cidadão do mundo, criado em Mônaco, versado em um punhado de idiomas e apreciador de moda e culinária.

Água
e óleo, enfim.

“
Canalha”, foi como o pai Keke Rosberg descreveu Schumacher depois do episódio de Mônaco em 2006. “Foi ele quem inventou isso aí”, foi como Nico se referiu ao heptacampeão no meio deste ano, ao reclamar de um piloto que ficou fazendo zigue-zague a sua frente para impedir uma ultrapassagem.

Numa
entrevista publicada nesta semana na Alemanha, Nico disse que seria “cool” ter Schumacher como companheiro de equipe. E emendou: “não tenho absolutamente medo nenhum de me comparar a ele”.

Podemos ficar aqui até março especulando sobre quem levará vantagem nessa briga, mas a constelação é tão surreal (Schumacher voltando depois de três anos, numa F-1 sem testes, contra um jovem ascendente) que realmente não dá para ter certeza de nada. A não ser que Ross Brawn passará 2010 fumando um cachimbo dentro de um paiol recheado de explosivos.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

BLÖDE SAISON

Seria essa a tradução de “Silly Season” em alemão. E o idioma de Goethe foi escolhido porque todos os indícios apontam para uma dupla de pilotos completamente germânica para a Mercedes GP em 2010. E ela está aí, na foto acima. Nico Rosberg está certo, todo mundo sabe. Mas a inesperada vaga aberta pela saída de Jenson Button abriu novas perspectivas. Algumas que parecem um sonho, outras mais reais.

Nick Heidfeld é
quem está mesmo mais perto da vaga. Recebeu elogios públicos de Norbert Haug em Interlagos e é, dos pilotos disponíveis no mercado, a melhor opção do ponto de vista pragmático dos alemães: barato, experiente, vai somar pontos com regularidade e ajudar nos ajustes do carro ao longo do final de semana. Se Rosberg é a aposta para o sucesso, Heidfeld cairia como uma luva no papel de segundo violino, dando o suporte necessário para o solista. A negociação com seu empresário está em curso, mas há outros nomes na pauta, como é praxe na Fórmula 1.

O
de Michael Schumacher seria inevitavelmente ventilado numa situação como essa, e foi o que aconteceu hoje na Europa, em diversos meios. As assessorias do piloto e da Mercedes desmentiram. “É natural que isso aconteça enquanto houverem cockpits vagos. Mas algumas especulações são sonhos que jamais se tornarão realidade”, foi o que disse o pessoal de Stuttgart.

Mas
minha bem-informada colega Karin Sturm informa que gente ligada a Willi Webber admite a existência de uma, ainda, sondagem. Dinheiro não seria problema, pois as duas partes estão cientes do retorno publicitário que a associação traria. As semanas seguintes ao anúncio da volta que não aconteceu, no meio do ano, mostraram muito bem isso. Mas há uma série de implicações que complicam o “sonho”: Schumacher prolongou seu contrato de conselheiro da Ferrari por mais três anos e os italianos não teriam muitos motivos para fazer um “favor” ao rival e liberá-lo. E sua própria saúde ainda gera dúvidas. No Race of Champions, o alemão não dirigiu todos os modelos disponíveis, possivelmente pelo pescoço ser ainda incapaz de suportar algumas forças. Talvez o sonho não vire realidade por uma questão que vai além da inconsistência da especulação.

Ah!
Ainda tem Ralf Schumacher na foto. Pois é: ele é piloto da Mercedes-Benz na DTM e tem uma ótima relação com Norbert Haug, mas carece tanto do apelo publicitário quanto do talento do irmão. A questão é que Ralf, assim como Jacques Villeneuve, botou na cabeça que quer voltar para a Fórmula 1. Suas chances na Mercedes são zero, mas ele já esteve em Hinwil e mantém conversas para uma eventual vaga na Sauber. Para melhorar suas chances, torce pela escolha de Nick Heidfeld pela equipe prateada.

Quanto
a Kimi Raikkonen, o discurso de Steve Robertson à Autosport indica o que é óbvio: se pagarem o que eles pedem, é só pegá-lo. Mas Norbert Haug nunca foi o maior fã de Raikkonen, ele é tido como um piloto caro de motivação duvidosa. E não se encaixa de jeito nenhum no tipo de marketing que a Mercedes gosta de aplicar, na imagem que a empresa gosta de vender. Difícil imaginar que vão mudar de idéia de uma hora para a outra, só porque Button foi embora.