“Salvem o planeta”, bradou a Honda em 2007. No primeiroanoapós a saída da British American Tobacco, os japoneses abriram mão de qualquertipo de patrocínio e se engajaram numa campanhaecológica. A pintura do carroeralinda (eu, pelomenos, adorei), mas o planetinha azul pesou e o RA107 não andava nada. E se não fosse a boa corrida de Jenson Button na China, penúltimaprova do ano, o time passaria a vergonha de terminar a temporadaatrás da rival Super Aguri. De quem chegou a apanhar nas primeiras corridas. E Rubens Barrichello passou o anoembranco.
Em pouco tempo, o que precisaria ser salvo era o que restou da própria equipe.
Além das puniçõesincompreensíveis distribuídas na corrida de ontem – e muitobem analisadas porvocês no post abaixo – o grandeassunto no paddock do circuito de Fuji foi o destempero de Lewis Hamilton na largada. Acho quecomo a maioria de vocês, minhaopinião ao final da provaera a de queeletinha sido estúpido ao nãopensar no campeonato, especialmente depois de passar a semana jurando que o faria. O próprioinglês falou depois estar “arrependido” da tentativaestabanada de superar Kimi na primeiracurva.
Fui colherdepoimentospelopaddock e me impressionei com uma coisa: não foi só Hamilton quem errou naquela freada. Na verdade, a maioria dos pilotos acabou surpreendida pelacombinação da gana de ganharposições, da temperaturaamena do asfalto (bemmenoremrelação a sexta e sábado) e dos pneusmédios da Bridgestone – os maisduros do final de semana – quetodos estava usando.
Vejam, porexemplo, o que disse o vencedor da prova, Fernando Alonso (que, aliás, vive ummomentofantástico). “Eumesmo bloqueei os pneusdianteiros e escapei um pouquinho. Estava muitofrio e quasetodostinha os pneusmaisduros. Dei sorte de sair daquela curvajáemsegundo lugar”.
Mas a conversaquemaisme fez refletir foi feitacom Alexander Wurz, piloto de testes da Honda e uma das opiniõesmaissagazesdentro da Fórmula 1. “Existem 30 centímetrosentre o coração e a mente e parece que é no coraçãoqueeletrabalha. Nós, que estamos de fora, temos minutosparaver a cena e analisá-la. Jáele tem de tomar a decisãoem uma fração de segundo. É inevitávelque vá agir de formainstintiva”.
É uma opiniãoimportante, por se tratar de alguémque é e sabe comopensaumpiloto. Euainda acho que Hamilton foi afoito e que deveria ter abordado a situaçãocom o campeonatoemmente. Mas vejo agoracommaisclarezacomo é complicado paraumpilototerestetipo de disciplinamental no momento da adrenalina de uma disputa.
No final das contas, acho o erro de Hamilton perdoável. Imperdoável foi apenas a suaatitude de classificarcomo “deliberada” a ação de Felipe Massa na curva 10. No calor da batalha, o brasileiro viu seurival e decidiu quenão iria aliviar. Num átimo de segundo, instintivamente. Como Hamilton havia feitopoucoantes na largada.
Ainda muito trabalho pela frente mas, antes de analisar uma corrida cheia de histórias, queria ouvi-los: das três punições, quais você aplicaria, quais consideraria lances normais?
Para lembrar (em negrito o punido): a) Hamilton versus Raikkonen na Largada b) Massa versus Hamilton na curva 10 c) Bourdais versus Massa na curva 1
Algumas das F1 Girls puderam visitar os estúdios da RádioBandeirantes na corridapassada, matando uma curiosidadequeeuainda tenho: como trabalham meuscolegas de transmissão do outrolado da linha. Neste meuprimeiroano na rádio, só conheço a minharotina de repórterin loco. Minhaconexão é feitaatravés do aparelho da fotoacima, que funciona basicamente comoumtelefone, mas utiliza uma linhaespecial. Isto garante a excelentequalidade do áudio, não importa onde seja a prova.
Depois de feita a conexãocomummodemtambémespecial, no estúdioemSão Paulo, posso ouvir a transmissão e fico com os microfonesabertos, oueventualmente fechados enquanto converso alguma coisacom a turmaque cuida da partetécnica, uma zagasólidaque garante toda a retaguarda do quevocêescuta no seu dial. Sãoelesque colocam no ar as sonoras pré-selecionadas e enviadas pormimpara os minutosque antecedem a largada, onde o objetivo é deixar o ouvinte a par de tudo o que for relevanteparaacompanhar a corrida.
Dada a largada, é hora de se multiplicar: é precisoficaratento ao monitor de imagens, ao de tempos de volta, à movimentação das equipes no pitlane (quando a sala de imprensa está colocada de forma a permitirisso, comoaquiem Fuji), ao meucomputadorparatrocarmensagenscom os colegas de transmissão, às minhas anotações e, principalmente, ligado no que está sendo falado no estúdio, que tem o Odinei Édson comandando a transmissãocom agilidade e sempre acionando alguém do grupo, formado aindapelaordemalfabética de Alessandra Alves, Cacá Bueno, Fábio Seixas e Jan Balder. É precisoestarprontoquando for a minhavez, paratrazerumlance da corridaque muitas vezes pode estar passando desapercebidopeloouvintequenosescuta ao mesmotempoemque acompanha as imagens na tevê (o que, presumo, deve ser o caso na maiorparte da nossaaudiência). É tanta coisa junta que, às vezes, sai erro mesmo, não tem jeito. Mas é uma adrenalina gostosa de fazer ao vivo. A impressão que eu tinha dos narradores quando via a prova no aconchego do sofá da sala mudou completamente. Não é mole.
Umamigomeuque ouve a nossatransmissão diz que parece uma banda, ondecadaum tem a suahoraparasolar. E diz eleque o conjunto está entrosadíssimo. Se vocênunca ouviu, nãoperca a chance de fazê-lo nas provasque restam, começando na de hoje, a partir de uma da manhã. É sóligarcolocar o dial na rádioBandeirantesou na Band News FM. Ou escute diretopelaInternet, no site de uma ou de outra. E conte depoisaqui o quevocê achou!
Em corridas, tudo é possível, mas não será fácil para Felipe Massa minimizar na corrida o prejuízo que teve na classificação. Foi um resultado estranho e o piloto também não conseguiu achar a explicação certa para o quinto lugar no grid, apontando uma falta de aderência dos pneus no momento decisivo. No Q2, com pouca gasolina, Massa voou e registrou o melhor tempo, um indício de que o carro estava bom. A impressão que fica é a de que o piloto está com muito combustível, mais do que Raikkonen e Hamilton, mas isso é algo que só vamos conferir na prova.
O que mais me chamou a atenção foi a expressão de Massa nas entrevistas depois do treino, como alguém que vê a chance de realizar um sonho ir desaparecendo. E, curioso, quem pareceu tranqüilo foi Barrichello. Pelo jeito, a Honda vai esperar até o final da temporada antes de decidir sua dupla de pilotos e parece que a conversa que ele teve com a direção da equipe tenha lhe deixado a situação mais clara – e ele um pouco mais confiante na sua chance de ficar.
Sempre me falaram da eficiência como uma característica do povo japonês. Curiosamente, onde eu mais senti isso foi no programa oficial da corrida aqui de Fuji. É obvio que eu não entendo nada do idioma, mas através da diagramação feita e das fotos, deu para ver que a revista é muito mais informativa que suas similares das corridas européias, mais quadradas e abusando do tamanho das fotos em detrimento aos dados. E o que mais gostei de tudo foi este quadrinho sobre o formato do treino de classificação. Para quem não entende de F-1, é sempre uma tarefa difícil explicar o funcionamento dele. Com o gráfico acima, fica mole.
De acordocomrumoresque circulam pelopaddock, a Honda pode fazerumanúnciosobre os planos da equipepara o anoque vem ainda neste final de semana do GP do Japão, hojeouamanhã. No final da tarde de ontem, Rubens Barrichello entrou numa reuniãocom a chefia da equipe. Seusemblantehoje no paddockera de intranqüilidade, aliás, como esteve emtodo o final de semana. Muitos apontam quesuasaída da equipe é praticamente certa, maspoucos arriscam a dizerquem entraria emseulugar. O nome de Bruno Senna é muito cogitado, mas o de Nelsinho Piquet começa a ganharforça.
Paraquemnão sabe, há umpetição onlinepara a Honda renovarcom Barrichello, contando commais de 4 milassinaturasatéagora. Vai assinar essa também?
E equilíbrio nãosóentreMassa e Hamilton, que terminaram as duas sessões de hojecomtemposmuitopróximos. Mastambémentre o gridtodo. À tarde, os dezessete primeiros colocados ficaram separados pormenos de um segundo.
Deve chover no sábadoem Fuji e deve ficarseco no domingo. Na classificação, vai todomundoparapistamolhadacom o carro acertado para o seco. Vai serumtreinobembacana, nãoperca!
As quintas-feiras costumam rendermuitomaterial. Hojeaquiem Fuji foi umdiaespecialmenterico, com a conversacom Lewis Hamilton e o desabafo de Rubens Barrichello. Agora é hora de recarregar as baterias e sonharcomimagenscomo esta, proporcionado pelocircuitomaisbelo da temporada (emseu entorno, emseuambiente, emseuastral), ao lado de Spa-Francorchamps. Uma ótimasurpresa, esta pista de Fuji!
Na pauta desse blog, discussõessobre a Fórmula 1 emtodos os seusaspectos: histórias do passado, análises do presente, bastidores da cobertura e curiosidades. E muitamúsicaparatemperar essa mistura de razão com a paixãoque o automobilismo desperta.
Repórter de Fórmula 1 do Grupo Bandeirantes de Rádio, do diário Lance e da revista Racing. Apreciador de boa música, viagens e velocidade. Guitarrista amador, corredor de rua e piloto virtual.