Mostrando postagens com marcador Barcelona. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Barcelona. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

MODELO ULTRAPASSADO


Se você virar o presidente das Ilhas Vanuatu e quiser organizar uma corrida de Fórmula 1 para mostrar as belezas do seu país e colocá-lo no mapa mundial, é simples: procure o senhor Bernie Ecclestone. Ele vai ouví-lo com atenção e recomendar que, em primeiro lugar, você construa uma pista de corrida no padrão máximo atingido pela FIA. E vai deixar claro que sua única chance de ser aceito no fechado clube que ele promove é se esta pista for planejada e executada por um escritório de arquitetura na cidade alemã de Aachen, onde trabalha o senhor Herrmann Tilke.

A brincadeira vai sair, pechinchando o preço e não querendo fazer nada muito exótico, 500 milhões de Euros. Mas tudo bem, você quer mostrar ao mundo o que é que Vanuatu tem e abre os cofres do governo. Feito isso, você procura Ecclestone, que vai lhe propor um contrato de cinco anos. No primeiro você deve pagar, vá lá, uns 30 milhões. Mas há sempre uma cláusula prevendo um aumento de 15% a cada ano, sendo que no final do contrato você terá de desembolsar mais de 50 milhões.

Isso só pelo direito de fazer a corrida. Os custos para organizá-la, claro, são seus. Teimoso, você fecha o acordo e aparece todo sorridente no grid na prova de estréia. As grandes estrelas do esporte estão lá, o público até que compareceu, curioso com a novidade. Foi um prejuízo enorme, mas valeu a pena, você vai pensar.

No segundo ano, porém, as arquibancadas estão às moscas. O preço dos ingressos, sua única maneira de recuperar um pouco do dinheiro gasto, são irreais para a população local. E o fator da novidade desapareceu. No final do dia, você pega a calculadora e percebe que o país vai quebrar. Desesperado, liga para o chefão para negociar o cancelamento das provas seguintes. Ele vai te lembrar da assombrosa multa que você vai pagar se desrespeitar o contrato. Sem alternativas, você manda toda a população de barco para Papua-Nova Guiné e implode seu país, declarando falência da Nação e riscando-a do mapa.

A fábula acima é um exemplo extremo da realidade que vem assombrando muitos GPs de Fórmula 1. Nesta segunda-feira, um político do estado australiano de Victoria solicitou que Melbourne deixe de sediar sua prova num futuro próximo. E o governador da Catalunha deixou claro que não dá para garantir a realização do GP da Espanha além de 2012. Ambos citam o enorme prejuízo como motivo principal.

São declarações de extrema relevância, já que se tratam de duas corridas que sempre atraem um bom público. Todos sabem que organizar uma prova é perder dinheiro, mas há um ganho embutido no impacto econômico que um evento destes traz para sua cidade e também na imagem que ela ganha perante o cenário internacional.

Se ainda assim não está valendo a pena organizar um GP, está mais do que claro que chegou a hora de Bernie Ecclestone rever o seu modelo, que se tornou absolutamente incompatível com a realidade econômica mundial. Enquanto as equipes fazem um trabalho em conjunto com a FIA para buscar diminuir os custos delas, adaptando-se a um novo cenário surgido depois da crise do final de 2008, Ecclestone continua querendo impor seu mundinho particular. Os países mais tradicionais em termos de F-1 estão jogando a toalha. E o povo dos novos “exóticos” estão percebendo que seus governantes estão jogando uma fortuna pelo ralo, vide as recentes declarações de demonstrantes sobre a corrida do Bahrein.

Se continuar assim, voltaremos num piscar de olhos a ter apenas 16 corridas no calendário. Ou dez. Ou cinco.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

AINDA OS PNEUS


Mais um dia de testes e um pouco mais de elementos para entender onde as equipes estão nesta temporada. Sebastian Vettel foi o mais rápido do dia (todos os tempos aqui) com 1min23s315, apenas dois décimos de segundo à frente da Toro Rosso de Jaime Alguersuari. As marcas de ambos foram registradas em uma simulação de classificação, com apenas duas voltas voadoras antes do retorno aos boxes.

É de se imaginar que a Red Bull tenha colocado Vettel longe ainda do limite mínimo de combustível. Esconder o jogo é parte destes testes de pré-temporada e mesmo o pessoal das outras equipes deixaram a sensação de que o alemão foi com alguns quilos a mais de gasosa para esta volta voadora. Para um vago termo de comparação, a pole no GP da Espanha do ano passado foi de Mark Webber em 1min19s995.

Mas os dados mais interessantes vieram à tarde, quando algumas equipes fizeram simulações de corrida. Sebastian Vettel completou 35 de 66 voltas programadas antes que uma bandeira vermelha interrompesse sua diversão. Neste curso, ele parou nos boxes para troca de pneus nas voltas 11 e 27 - um indício de que pararia quatro vezes nos boxes, uma variante possível como antecipamos no post abaixo. Nico Rosberg completou a sua simulação com cinco paradas nos boxes, embora pelo menos uma delas foi apenas para checar alguma coisa no carro. Ontem, Michael Schumacher havia feito três paradas em 66 voltas.

É óbvio que a chave da temporada de 2011 está nesta questão. Mais do que um carro veloz, é preciso ter um carro rápido mas que seja econômico com os pneus. Afinal, não haverá jogos de pneus suficientes para que não cuidar deles. Fernando Alonso falou sobre isso:

“Novamente vimos aqui uma degradação parecida à que tivemos em Valência e em Jerez. Se a corrida em Barcelona fosse amanhã, teríamos três ou quatro paradas para terminar a prova. E não seria o caso de mudar apenas a abordagem na corrida, mas em todo o final de semana, desde os treinos livres até a classificação”, apontou.

O espanhol foi além e aponto que, no fundo, é a borracha quem vai garantir muita ação na pista - e não apenas nas velozes paradas para troca nos boxes. “O gasto dos pneus é que vai criar as melhores oportunidades de ultrapassagem. Basta encontrar um piloto que esteja no início ou no fim de seu stint para que a diferença de performance seja muito grande. Isso trará mais ultrapassagens, mais que pelo uso do KERS ou da asa móvel”.

Para mim, a opinião de Alonso confirma o que eu digo faz tempo: a chave para trazer mais ultrapassagens está na aderência mecânica. Os gênios do Technical Working Group buscaram durante tanto tempo soluções no pacote aerodinâmico para incrementar as corridas, sem sucesso. Bastou um pneu diferente - pura aderência mecânica - para termos um cenário como esse descrito pelo piloto espanhol. Precisamos ver como vai ser na prática, mas tudo aponta para corridas com muitas variáveis. Acho isto ótimo.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O VALOR DO TEMPO DE VETTEL

No final do dia, o piloto do carro de número 1 colocou 1s111 de vantagem sobre o segundo colocado. A marca de Sebastian Vettel em 1min24s374 veio no início de uma série de voltas relativamente curta, cujos tempos subiram muito nas passagens finais - um indício de que ele poderia estar usando o composto super-macio da Pirelli. Confira os tempos aqui.

Em todo o caso, o resultado de hoje mostra o potencial do RB7 para uma volta rápida - o que era a especialidade de seu antecessor. Mas nada garante que largar na frente seja uma vantagem tão grande como era antes. Afinal, se você for parar nos boxes com menos de dez voltas de corrida - e marcando tempos ruins antes de entrar no pitlane -, será uma presa fácil para pilotos equipados com pneus mais constantes, KERS e asa móvel.

Conversei com Robert Sattler, engenheiro de dados do carro de Adrian Sutil na Force Índia, e ficou claro que os técnicos da categoria estão quebrando a cabeça mais do que nunca em cima dos dados coletados nestes testes de pré-temporadas. Em algumas simulações no computador (não em todas), uma estratégia de quatro (!) paradas se mostrou a mais eficiente. Mas, dependendo do tempo perdido nos boxes em cada pista, quem aliar o máximo de constância com o mínimo de paradas termina na frente. Até porque, a partir do sábado de manhã, os times terão apenas sete jogos de pneus à disposição. Assim, quem optar por ir na classificação com um composto mais duro e largar mais no meio do pelotão pode colher bons frutos na hora da bandeira quadriculada.

A destacar no dia de hoje estão a boa forma da Ferrari, que vem aliando velocidade com resistência; e os problemas de várias equipes com o KERS, incluindo Renault, Williams (que não usou o sistema e teve de trocar o motor depois de um problema), Mercedes e McLaren. Na busca por diminuir o peso do dispositivo, muitos engenheiros estão enfrentando problemas para fazê-lo funcionar a contento. O tempo urge e, para eles, um possível adiamento da corrida no Bahrein lhes daria duas semanas a mais para buscar soluções.

(Foto Red Bull)

segunda-feira, 10 de maio de 2010

CREDENCIAL – GP DA ESPANHA

Mais tarde do que nunca, aqui está o Credencial do GP da Espanha. O olhar de Fernando Alonso para a minha câmera fica como síntese tanto de um final de semana em que o paddock da Fórmula 1 ficou buscando antídotos para o veneno da velocidade da Red Bull, como para o desempenho de um piloto que conseguiu extrair um resultado excepcional com um carro com o qual jamais se sentiu à vontade no Circuito da Catalunya. Mas o programa ficou bem completo, falando também de todas as equipes de ponta, os outros destaques da prova e mesmo da abertura das temporadas da GP2 e GP3. Como sempre, divido em duas partes, a da análise e da pergunta. Só peço perdão aos que deixaram o comentário por último: eu gravei o programa na tarde barceloneta, mas só consegui subir agora para não perder a chance de sair e dar umas bandas numa cidade que eu amo. Em Mônaco a gente compensa. Aperte o play e boa audição!

PARTE 1



PARTE 2


(Foto Luis Fernando Ramos)

domingo, 9 de maio de 2010

FESTA PARA A TORCIDA

Encerrada a corrida de ontem e feita a pesagem obrigatória da FIA, Mark Webber atravessou correndo a reta principal do Circuito da Catalunya e jogou seu capacete para a torcida. Era a hora de extravasar uma vitória que estava atravessada na garganta. Seu primeiro triunfo na temporada o recolocou em uma posição no campeonato – o australiano pulou para a quarta colocação na tabela – e foi comemorada de maneira especial.

“Fiquei satisfeito de como consegui controlar a corrida depois de ter largado na pole. Estão são vitórias especiais, as coisas nem sempre saem desse jeito. Eu havia prometido para algumas pessoas que, quando vencesse, faria uma coisa diferente. Por isso resolvi dar este presente ao público, porque nem sempre eles recebem o melhor tratamento na Fórmula 1”, falou o piloto.

Foi uma boa maneira de tirar a zica que ele teve no início do ano, quando mesmo o pódio da Malásia teve sabor de derrota, já que lá ele também havia largado da pole-position. Além de celebrar o grande esforço dos membros da equipe em preparar um carro cheio de atualizações, o australiano aproveitou o dia das mães para dedicar o triunfo à sua. “Eu sou péssimo para lembrar dessas coisas. Mas ela me disse no telefone que uma vitória aqui seria um presente perfeito para o dia das mães”.

Além dos torcedores e de Diane Webber, quem também foi presentado no domingo em Barcelona foi Fernando Alonso. Correndo em casa, o espanhol se aproveitou do problema com os freios de Sebastian Vettel e do abandono de Lewis Hamilton a duas voltas do final para terminar a prova em segundo lugar.

“Foi quase como uma vitória. Depois da primeira curva imaginei que terminaria a prova em quarto lugar, assim foi excelente terminar em segundo. Um bom resultado, em um final de semana que sofremos muito com o carro, na classificação e na corrida”, analisou o vice-líder do Mundial. A festa dos quase cem mil torcedores no circuito foi intensa.

Vettel ainda conseguiu salvar um terceiro lugar, pilotando quase sem freios nas voltas finais. A equipe chegou a orientá-lo a recolher o carro aos boxes, mas ele insistiu em tentar permanecer na pista e foi premiado com um pódio. Com um carro muito à frente dos demais em termos de performance, a Red Bull paga um alto preço por esta falta de confiabilidade dos seus carros. Mesmo após um final de semana discreto, Jenson Button e a McLaren lideram os Mundiais de Pilotos e Equipes. O equilíbrio permanece, pelo menos na tabela.

Tudo indica que o já citado problema de Lewis Hamilton foi causado mesmo pela pilotagem agressiva do piloto. O piloto havia relatado pelo rádio problemas de aderência perto do final da corrida, um sintoma típico de um pneu muito desgastado. E, no release oficial após a prova, a Bridgestone elegantemente se eximiu de culpa de um possível defeito de fabricação. “Estamos trabalhando com a McLaren para entender o que aconteceu com Lewis Hamilton. Mas as impressões iniciais foram que isto não foi causado por um problema de pneu”, ponderou o diretor-técnico Hirohide Hamashima.

Destaque da prova também para Michael Schumacher, tendo um primeiro final de semana com desempenho de primeiro piloto dentro da Mercedes. Mas, realista até a alma, o alemão não se deixou levar por qualquer traço de empolgação. “Feliz de verdade não dá para ficar. Hoje só poderíamos nos defender e torcer por abandonos ou problemas dos pilotos à nossa frente. Foi o que aconteceu. Mas não dá para ficar satisfeito, a nossa diferença para os times de ponta ainda é muito grande”.

Felipe Massa conseguiu minimizar o prejuízo de um final de semana ruim. Ganhou as posições de Robert Kubica e Nico Rosberg na largada e mais a de Hamilton no final para terminar em sexto. Sua distância para o líder Jenson Button permaneceu praticamente inalterada. Mas Alonso disparou na tabela do duelo interno da Ferrari e isso é péssimo para ele. O brasileiro reconheceu abertamente que não conseguiu acertar o carro com o composto mais resistente da Bridgestone mas disse que o time tem algumas idéias para solucionar isso. Um pequeno alento é o fato do próximo GP de Mônaco usar as mesmas especificações do Bahrein, um final de semana em que ele andou bem.

Já a corrida de Rubens Barrichello foi muito boa e sua ultrapassagem sobre Nico Rosberg, na metade da primeira volta, uma bela manobra. Mais positivo ainda foi sua alegria no final do dia ao sair de uma reunião com a cúpula da Williams, o que até atrasou o horário da sua entrevista com os jornalistas. “Desculpem, mas foi muito bom. A reunião foi longa, mas foi um sinal claro de uma equipe que está crescendo”, disse animado.

Deixem seus comentários e perguntas para o “Credencial”, onde vamos falar de tudo isso, dos outros brasileiros e de todos os assuntos de bastidores (pneus, novas equipes, etc). Até lá!

(Foto Circuit de Catalunya)

sábado, 8 de maio de 2010

CHOQUE!

Foi pior que o esperado para os adversários. A McLaren não estava escondendo o jogo, a Ferrari não melhorou tanto assim e Mercedes, idem. No primeiro capítulo das novidades nos carros, parece que foi justamente a Red Bull quem deu o maior salto. Justamente porque era ela a dona do carro mais veloz do grid. Um segundo na frente do resto é uma vantagem monstruosa. Ainda que as características de Barcelona premiem um carro de eficiência aerodinâmica perfeita, só isso não explica o massacre que testemunhamos hoje.

E olha que eles nem introduziram ainda o tal do duto de ar no carro...


O treino de hoje indica ainda que só a McLaren parece capaz de fazer frente, a longo prazo, ao domínio dos carros azuis. Pelo menos as flechas cromadas normalmente perdiam da Ferrari e da Mercedes de Nico Rosberg em classificações. Hoje, deixaram essa turma para trás. Na verdade, Fernando Alonso conseguiu se intrometer entre Hamilton e Button. Mas o próprio espanhol admitiu que aquela volta foi a melhor que ele fez em todo ano. Mesmo assim, suficiente para colocá-lo apenas em quarto no grid.


O time italiano anda tropeçando na própria sede em termos de desenvolvimento e chegou para Barcelona com um carro que não satisfez nenhum de seus pilotos. Alonso ainda está se virando, mas Felipe Massa vive um drama de duas vias: não consegue um carro que se adapte a seu estilo de pilotagem e nem adaptar seu estilo ao comportamento do carro.


Antes de tirarem conclusões precipitadas sobre a qualidade do brasileiro, o problema dele não é Alonso e nem qualquer suposta conseqüência do acidente. A realidade é que o carro de 2010 é muito diferente daquele do ano passado, com os pneus dianteiros mais estreitos e uma variação grande de peso por conta do fim do reabastecimento. Muitos pilotos sofreram ou estão sofrendo com isso. De qualquer jeito, se o problema de Massa não é técnico, é preocupante para suas pretensões de título o tempo que ele e sua equipe estão levando para resolver isso.


Mas pode ser o caso de nem se lamentar muito por isso. Se a forma de hoje for o início de uma tendência em qualquer tipo de circuito, o título de 2010 já tem dono: um dos pilotos da Red Bull.

(Foto Luis Fernando Ramos)

sexta-feira, 7 de maio de 2010

TEMOR FUNDAMENTADO?

Foi Jenson Button o primeiro a soar alarme. “Acho que a Red Bull será inalcançável nesse final de semana”, falou depois do resultado do segundo treino livre, com cara de preocupado. É inegável que os quase oito décimos de segundo de vantagem de Sebastian Vettel para a concorrência – ou os mais de cinco de Mark Webber – justificam qualquer preocupação. Mas eles próprios invertem a jogada e dizem achar, no release oficial do time, que a McLaren escondeu o jogo na segunda sessão.

Diante da importância deste que foi o primeiro dia de um novo mundial cheio de novidades, resolvi passar a correria da cobertura diária para ouvir com calma todo o material coletado e ir atrás da resposta mais importante da sexta-feira: qual a verdade dos tempos da segunda sessão de treinos livres?


Vamos direto ao ponto com a análise irretocável do “melhor do resto”, um Michael Schumacher que manteve a mesma calma dos tempos recentes em que quase foi incinerado numa inquisição esportiva diante da mesma mídia alemã que hoje queria jogá-lo aos céus.


“Fiquei a oito décimos da Red Bull. Acho que eles andaram aqui com menos gasolina do que costumam andar às sextas-feiras. Mas andaram com menos do que a gente tinha? Eu duvido. Então, é uma diferença significativa, mesmo levando em conta que, aqui em Barcelona, a importância de um pacote aerodinâmico eficiente é enorme. E isto lhes dá naturalmente uma vantagem. Mas sempre dissemos que não traríamos uma ‘versão B’ do carro, mas apenas atualizações que nos permitiriam dar um passo à frente. E foi o que conseguimos, o resultado de hoje mostra isso claramente”, falou o heptacampeão, que minizou sua vantagem de meio segundo para o companheiro de equipe Nico Rosberg com um “ele deve ter tido algum problema porque foi uma vantagem grande demais para ser realista em termos de performance pura”.


Então depreendemos da fala de Schumacher que a Mercedes cresceu, mas ainda continua um bom caminho atrás da Red Bull, como no início da temporada. Importante: pelo que eu apurei, os carros azuis realmente não estavam tão leves assim como a concorrência gostaria. Schumacher acertou na análise disso também.


Mas e o resto? A Ferrari teve um dia difícil, trabalhando muito no desenvolvimento do duto de ar – a tevê espanhola fez uma boa matéria sobre isso num vídeo que o José Inácio publicou no espaço dele. Fernando Alonso foi realista na sua análise. “Quem esperava que tiraríamos a diferença e ultrapassaríamos a Red Bull aqui estava enganado desde o início. Na Fórmula 1 não existem milagres de uma corrida para a outra, mas ao longo de um campeonato todo”, apontou. Mas a diferença de nove décimos que o separou da Red Bull no treino da tarde também não é real. Na conta de gente próxima ao espanhol, a Ferrari estaria de dois a três décimos de segundo atrás da Red Bull. Aqui também: como no início da temporada.


Resta saber da McLaren. A cara de preocupação de Vettel depois de colocar oito décimos no resto do grid denota que sua crença numa McLaren dissimuladora é real. O tempo de Lewis Hamilton de manhã, com a pista ainda muito escorregadia, foi praticamente idêntico ao que ele marcou à tarde, quando a temperatura era maior e havia muito mais aderência. Ele citou algo sobre tráfego mas se disse “surpreso pela nossa distância para a Red Bull”. Aqui também, a McLaren definitivamente está mais perto da Red Bull que o cronômetro sugere (1s2 à tarde) – mais ainda assim, atrás. Como no início da temporada.


A possibilidade de chuva amanhã e no domingo joga uma expectativa de variáveis na disputa. Mas, caso o asfalto fique seco, é enorme a probabilidade de uma primeira fila da Red Bull, pavimentado o potencial de uma dobradinha na prova. No fundo, o RB6 nasceu e permanece mais veloz que todos os outros carros. E três décimos de segundo de vantagem, na Fórmula 1, é muito.


No fundo, esse enorme quadro de equilíbrio na tabela ilude muito quanto à realidade das pistas. São Pedro terá de continuar trabalhando muito para manter as coisas assim. De qualquer jeito, temos em Barcelona uma pista onde a aerodinâmica é fundamental e, depois, Mônaco, onde o que conta é uma boa aderência mecânica. Uma análise mais apurada para verificar se a vantagem da Red Bull é essa mesmo só sera possível na Turquia, um circuito mais “normal”. Até lá, é paciência e torcer para que nenhum piloto dispare na ponta com um bons resultados neste e no próximo domingo.

(Foto Luis Fernando Ramos)

quinta-feira, 6 de maio de 2010

PAIXÃO SEM LIMITES

Já faz tempo que o mundo da Fórmula 1 se acostumou com uma dose cavalar de “Alonsomania” durante o final de semana do Grande Prêmio da Espanha. As arquibancadas do circuito da Catalunya ficam completamente lotadas, superando os cem mil espectadores no dia da corrida. As entradas ficam entupidas e o acesso ao autódromo se transforma num pesadelo. Para fugir disso, essa é uma corrida em que eu realmente madrugo para ir à pista.

Mas é uma festa muito bonita, comparável apenas à feita pelos torcedores ingleses (em Silverstone), italianos (em Monza) e brasileiros (em Interlgos). E que deve ganhar proporções ainda maiores neste ano. Porque a paixão ilimitada dos espanhóis por Fernando Alonso ganha o apelo extra dele pilotar agora por uma equipe que também é sinônimo de torcida fervorosa. O vermelho da Ferrari deve se multiplicar nas inúmeras faixas espalhadas ao longo da pista, contrastando com o azul da bandeira das Astúrias, região onde nasceu o bicampeão mundial.


Alonso, que não se vê como uma lenda das pistas e costuma ser um tanto fechado quanto ao assédio à sua vida privada, se transforma na semana da corrida em Barcelona. No ano passado, durante uma sessão de autógrafos, um fotógrafo acabou atropelando uma criança em cadeira de rodas. Alonso saiu de lá fulo da vida e atacou duramente a imprensa local. Perdeu alguns pontos com ela, ganhou centenas de outros com os fãs.


Agora, até por conta da presença de um grande patrocinador espanhol da Ferrari, sua presença vestida em vermelho está espalhada por todos os cantos da cidade. Começando pelo aeroporto, quando aparece numa confraternização amistosa com Felipe Massa, um momento registrado depois da dobradinha no Bahrein. É uma cena de celebração que os torcedores torcem para que aconteça domingo. Se Alonso vencer, podemos apostar na turba invadindo a pista para comemorar em frente ao pódio. Barcelona vai virar Monza, definitivamente.


+++

A escolha do austríaco Christian Klien para andar nos treinos livres de sexta-feira com um dos carros da Hispânia certamente desagradou a dupla de pilotos titular. Mas pode ser um belo teste para Bruno Senna e Karun Chandhok. Além de um carro ruim, ganharam uma “sombra” que faz pressão. Quem superar tudo isso bem, merece ter um longo futuro na F-1.

+++

Os desafios de Lucas di Grassi na Virgin também não são pequenos. A equipe só conseguiu aprontar um chassi revisado para o GP da Espanha. Que, compreensivelmente, ficará à disposição de Timo Glock, um piloto com mais experiência na Fórmula 1. Contratempos que não tiram a tranqüilidade do brasileiro, nem o foco em prevalecer em breve nesse duelo interno do time.

(Coluna de hoje publicada no Lance! Foto: Luis Fernando Ramos)

CASA E CONSTRUÇÃO

Já virou tradição do blog trazer as imagens dos motorhomes das equipes de Fórmula 1 nesta abertura da temporada européia na Espanha. Confesso que esperava algumas surpresas suntuosas, especialmente da Mercedes. Mas parece que a consciência da contenção de custos tomou mesmo conta do paddock. O que eu acho ótimo, pois se existe uma maneira supérflua de gastar dinheiro é nestes palácios de vidro. Curioso também ver que há uma troca entre as equipes. Como se fossem pilotos, há também um mercado de motorhomes. Aproveite e vote na enquete para escolher o seu favorito!

MERCEDESUm motorhome inteiramente novo. Para mim, tem cara de quiosque praiano. Mas bacana: simples, moderno e convidativo. Gostei.

RED BULL/TORO ROSSOFoi um verdadeiro choque entrar no paddock e não ver o enorme Energy Station. Mas há uma explicação: pela proximidade de datas, o “titular” está sendo montado em Mônaco. Aqui, Red Bull e Toro Rosso utilizam a combinação “reserva”, normalmente em ação durante os testes de pré-temporada.

McLAREN
A volta da “Estrela da Morte”: o motorhome mais imponente, mas o menos convidativo. Entre lá e seja recebido com olhares atravessados.

FERRARIChegou com o modelo estreado no ano passado, dois “prédios” de três andares bem funcionais e espaçosos. Importante para receber a imprensa espanhola que está em peso para acompanhar o final de semana de Fernando Alonso. Ele e Massa ao lado de um cacto com cara de “Los Três Amigos” ficou engraçado.
SAUBERHerdou o bonito “Guggenheim” da BMW, o que cria um contraste engraçado com o estado paupérrimo do time atualmente. Um verdadeiro elefante branco.

WILLIAMS
Nada de novo no front: o mesmo modelo dos últimos anos. Uma clássica arquitetura “dois em um”. Entrada só na hora das entrevistas ou com convite.

RENAULTOpa! Eu conheço este motorhome. Até o ano passado, estava pintado de vermelho e branco e pertencia à Toyota. Agora ganhou um novo proprietário. Uma boa compra da Renault.

FORCE INDIA
Trouxe o mesmo modelo que utilizou no GP da Bélgica do ano passado, porque o principal está sendo montado em Mônaco – o mesmo problema logístico da Red Bull. Se trouxer agora a sorte que trouxe em 2009, está ótimo.

HISPANIAOpa, eu também conheço este motorhome. Era o utilizado pela Renault para receber convidados e mídia no ano passado. Agora, recebe a equipe Hispania toda. Coincidência boba: vamos entrevistar Bruno Senna onde sempre falávamos com Nelsinho Piquet.

LOTUS
Me parece o motorhome utilizado pela Super Aguri, mas não tenho certeza. De qualquer jeito, é o típico modelo dos anos 90: um caminhão com um puxadinho.

VIRGIN
É no fim do paddock a maior novidade. A Virgin chegou com um visual moderno e um motorhome compacto, mas de dois andares. Tem um clima legal e certamente vai se tornar um ponto de encontro do espaço. Ponto para eles.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

UM DIA EM BARCELONA

Das cidades que recebem a Fórmula 1, poucas significam tanto para mim quanto Barcelona. Já vi aqui um show do Pink Floyd e foi num bar perto das Ramblas que conheci minha esposa. O GP da Espanha acontece numa área industrial fora da cidade e, para agilizar a cobertura e evitar os enormes engarrafamentos causados pela “Alonsomania”, eu costumo ficar hospedado perto do circuito. Assim, já se tornou uma tradição pessoal aproveitar a quarta-feira para passear pelo centro da cidade. Sempre um roteiro parecido, no qual não pode faltar a movimentação da Plaza Catalunya e nem os tapas do Cuitat Comtal, lugar que eu sempre ia com minha gatinha para comer uns “montaditos”. Nada melhor para recarregar as baterias antes de um final de semana que promete muita ação e assuntos para a gente explorar por aqui. É como diz a música: Barcelona é poderosa!

Plaza Catalunya

Um típico habitante do centro de Barcelona
Tapas 1: montaditos
Tapas 2: azeitonas e anchovas
Tapas 3: camarões e sardinhas

Barcelona – Giulia Y los Tellarini

domingo, 2 de maio de 2010

FOTO DO DIA – GP DA ESPANHA DE 2007

Além de prevalecer numa verdadeira dividida com Fernando Alonso na primeira curva do GP da Espanha de 2007, Felipe Massa também passou ileso por este momento de tensão durante a prova, num reabastecimento que poderia ter dado muito errado. Uma imagem espetacular de um procedimento que não existe mais. E que serve como pano de fundo para a nossa enquete: depois de quatro corridas, você prefere essa F-1 sem reabastecimento? Vote ao lado e dê sua opinião nos comentários!

quinta-feira, 11 de março de 2010

O MUNDIAL DA DEMOCRACIA

O Tazio já colocou no ar o especial da temporada preparado por nossa equipe, com textos meus e do Bruno Vicaria, Natali Chicone e Hugo Becker, além de fotos feitas nos testes pelo Luca Bassani. Minha peça de hoje fala sobre o Mundial mais democrático de todos os tempos. Confira o material e deixe seus comentários, enquanto eu continuo circulando pelo paddock do Sakhir para colher depoimentos e informações.

quinta-feira, 4 de março de 2010

FAZENDO O CARTAZ – MARÇO

Como anunciado no “Credencial”, esta é a segunda brincadeira do blog para este ano. Se no “A História da Imagem” os bons escribas aparecem com as maiores chances, no “Fazendo o Cartaz”, é a vez dos desenhistas, photoshopeiros e afins. A imagem acima mostra a identidade visual da F-1 no ano passado. Há anos que a categoria uniformizou os cartazes, o que eu acho uma besteira. E também não gosto desse conceito global, era legal quando os cartazes de cada corrida traziam elementos que combinavam com ela. O que a imagem acima tem a ver com a Espanha ou Barcelona, é difícil de saber.

Em
cima disso, a brincadeira é que vocês criem um cartaz. Enviem para o blogdoico@gmx.net uma imagem até o dia 31 de março com sua criação para o GP DA MALÁSIA. Criem livremente, atentem apenas a três pontos: não usem o logo oficial da Fórmula 1 na imagem; não mandem uma imagem gigante (cerca 1600 pixels de altura por 1000 de largura está ótimo); e coloquem “Fazendo o Cartaz” como título da mensagem na hora de mandar o arquivo.

Encerrado o
mês, eu escolho a imagem vencedora e publico aqui. O autor dela vai ganhar um boné do “Wrooom”, o evento da Ferrari em Madonna di Campiglio.

Boa
sorte e mãos (e mouses) à obra!

terça-feira, 2 de março de 2010

TUDO EMBOLADO. OU NÃO?

A pré-temporada encerrou em Barcelona com um quadro de equilíbrio muito grande. E não só entre as quatro favoritas, mas com Force Índia, Williams e Sauber prontas para pregarem uma peça nelas. Minha coluna de hoje no Tazio fala sobre isso, mas muitas das pessoas com quem eu conversei, incluindo Rubens Barrichello, acham que tem time com algumas cartas na manga ainda. Vale lembrar também que as características de Barcelona e Sakhir são completamente diferentes e que muitas novidades ainda serão aplicadas nos carros. Confira a matéria lá, a tabela aqui embaixo e coloque suas impressões.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

EL TIBURÓN

Ainda pretendo me aprofundar nos resultados de Barcelona ao final dos quatro dias, mas estes dois primeiros já mostraram como as equipes já avançaram do estágio básico e simulam agora o trabalho de classificação e, também, de corrida. O melhor tempo de Nico Hülkenberg hoje foi certamente com o carro leve, mas joga uma boa luz sobre o potencial do carro da luz e dos motores Cosworth.

E quem continua impressionando é a Ferrari. O ritmo de corrida é muito bom e o trabalho de Alonso hoje mostra como o carro pode ser muito veloz também numa volta rápida. O time ainda mostrou pela primeira vez o F10 com a “barbatana de tubarão”, uma solução importante para pistas com muitas curvas de alta como é o caso de Barcelona. Mas o que mais impressiona é o otimismo quase exagerado de Fernando Alonso. Pelo jeito, a Ferrari vai chegar em Bahrein como favorita. E a disputa interna entre Alonso e Felipe Massa começaria numa pista onde o brasileiro costuma se dar muito bem. Vai ser bem legal poder acompanhar isso de perto!

domingo, 17 de maio de 2009

DÚVIDAS, DÚVIDAS...

Muito já foi dito sobre o trabalho da Brawn GP na estratégia de seus pilotos em Barcelona. Como muitos de vocês, eu também acho que não houve nenhuma manobra para prejudicar Rubens Barrichello. Mas também não entendi muito o momento da sua segunda e da terceira parada, pelas minhas contas, daria para completar algumas voltas a mais com o combustível que aparentemente o carro tinha. Para mim, o único ponto discutível em toda a história.

Nessa ótima entrevista dada hoje aos colegas Fred Sabino, Paulo Roberto Conde e Rafael Valesi do Lancenet, o brasileiro se abre como de costume. E deixa transparecer que ficou sem entender isso também, embora mantenha a mesma tranqüilidade que mostrou conosco no final do último domingo em relação ao campeonato. Concordando ao não com seu ponto de vista, vale a pena ler todo o material, porque ficou muito bom!

segunda-feira, 11 de maio de 2009

CREDENCIAL – EDIÇÃO EXTRAORDINÁRIA

Por conta do problema técnico com o áudio de ontem, que ficou inaudível, produzi agorinha uma nova versão do programa. E para não ficar igualzinha aos ouvidos de quem conseguiu ouvir a primeira, fiz esta só em cima dos comentários de vocês.


Agora sim, vale este, boa audição!


Ah! Quer fazer o download do arquivo em MP3? Clique no ícone da corrente no player!

domingo, 10 de maio de 2009

CREDENCIAL – GP DA ESPANHA

Aqui está o credencial de hoje, pessoal, com um pedido duplo de desculpas: pela qualidade do áudio (tive problemas com o gravador “titular” neste final de semana) e por não ter conseguido ler e responder aos comentários de vocês, já que o tempo urge, preciso fechar os olhos algumas horas antes de madrugar e encarar a viagem de volta. Mas fiquem tranqüilos, nos dois casos, trata-se da exceção, não da regra.

Boa audição!

+++

EDIT - Vi pelos comentários que o áudio está com problemas, ao longo da segunda-feira, vou resolver isto ou mesmo colocar uma nova versão do programa, combinado? Obrigado, pessoal, até já!

sábado, 9 de maio de 2009

SOBRE O MERCADO DE PILOTOS

O 12° lugar de hoje é a melhor colocação de Nelsinho Piquet em um grid de largada neste ano. Pode parecer pouco, mas o fato é que o carro da Renault está sofrendo uma barbaridade para atingir uma boa performance neste final de semana. Prova disso é o desempenho de Fernando Alonso no Q3: oitavo colocado, mesmo tendo o carro mais leve dentre os dez que participaram da sessão.

O brasileiro destacou que não possui todas as peças novas que estão no carro do espanhol. Sem, claro, questionar a decisão da equipe em colocar as únicas unidades fabricadas à disposição do piloto mais experiente. Mas se mostrou feliz em ficar a apenas um décimo do tempo de Alonso no Q2.

Mais importante que isso, falou sobre seu futuro na conversa que teve conosco hoje aqui no circuito. Foi muito claro quando perguntado sobre a possibilidade de ser dispensado pelo time antes do final da temporada. Confira o que ele disse, direto da fonte:

- Isso nunca vai acontecer. Para começar, eles não têm piloto. Quem eles iriam colocar? Quem tem experiência? Só se pegassem um piloto de outra equipe para me substituir. Pegar um novato e colocar na F-1 hoje em dia, sem treinos, não adianta nada. Mas o importante é que eu tenho um contrato com eles e não podem me tirar antes do final do ano. Quanto a isso eu não me preocupo. Meu foco é em fazer uma boa temporada para satisfazer a mim mesmo. O que eu amo fazer, a minha vida, é isso. Então eu quero fazer bem feito, não vou aceitar um trabalho que não seja 100%.

Também conversei com Lucas di Grassi sobre a sua corrida para um lugar na F-1, ele que é apontado ao lado de Romain Grosjean como um potencial candidato à vaga do compatriota:

- Entrar na F-1 nesse ano vai depender da performance dos outros pilotos. Se algum desses pilotos tiver uma performance muito abaixo do esperado e eu fizer um bom início do campeonato, pode até haver uma chance. Se não, meu foco é o de tentar ganhar o campeonato da GP2 e tentar um lugar conforme abrirem vagas para o ano que vem, seja por término de contratos ou pelo fato de novas equipes terem performances melhores que as antigas. Em cima disso, o cenário deve mudar bastante.

Na leitura que eu fiz, os discursos convergem num ponto em comum: as mudanças na Renault devem ficar para o ano que vem. Mas em cima de Lucas Di Grassi usar o termo “outros pilotos”, chego à conclusão que a vaga de Sébastien Bourdais está bem ameaçada. Se existe alguém capaz de não terminar o ano na F-1 é o francês.

E o Kovalainen, hein?

TERMINATOR OU SALVATION?

Como de costume, eu vivi os instantes finais do treino de classificação ao vivo na rádio, e chamei a atenção que Jenson Button havia aberto sua última tentativa quando faltavam apenas dois segundos para a bandeira quadriculada. Tempo apertado e que volta! Misturando a competência do exterminador com o milagre da salvação, o inglês realizou mais um excelente trabalho para conseguir a pole position. Foi sua terceira do ano e um passo importante na busca pela vitória.


Mas não imagino que será fácil. O grid está particularmente explosivo: logo atrás estão Vettel e Barrichello, que devem parar nos boxes uma volta depois – o alemão pensando muito no campeonato e o brasileiro feliz da vida com o carro. E Felipe Massa numa renovada Ferrari largando em quarto, mais pesado e com um Kers capaz de empurrá-lo até mesmo para a liderança antes da primeira curva, já que a reta aqui é bastante longa.


Para jogar mais um elemento que os ajudará na hora de acompanhar a corrida (naturalmente na nossa transmissão do grupo Bandeirantes de rádio): os pneus duros aqui não estão funcionando, chegam a ser três segundos mais lentos que os macios. Esperem períodos curtos de utilização destes compostos. Mais do que nunca, uma estratégia bem aplicada pode embaralhar completamente o grid que vimos hoje.


Em cima de tudo isso, quem você acha que vai vencer amanhã?