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segunda-feira, 14 de março de 2011

TV BLOGO - KERS E ASA MÓVEL

Para quem quiser entender um pouco mais sobre o funcionamento do KERS e o das asas móveis, vale a pena assistir este vídeo explicativo feito pela Red Bull. Só é uma pena que tenha tanta coisa a explicar. Regras mais simples fariam um bem danado ao esporte!

A LÓGICA DECISÃO

Para acalmar o frenesi de criativos setores da imprensa italiana que arrumam interpretações interessantes para as costumeiras brincadeiras de Sebastian Vettel, a Red Bull anunciou há pouco a extensão do contrato do alemão até o final de 2014. Algo que era claro desde o início da pré-temporada, quando o RB7 deu demonstrações de ser o carro melhor preparado para as primeiras corridas do ano. O acordo de Sebastian Vettel com a Red Bull vem desde os tempos de kart do garoto, em 1998. E a base é simples: o patrocinador banca um equipamento bom, o moleque retribui com vitórias e títulos. Tem funcionado desde então e não vai mudar enquanto cada parte continuar a cumprir sua palavra.

(Foto Red Bull)

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O VALOR DO TEMPO DE VETTEL

No final do dia, o piloto do carro de número 1 colocou 1s111 de vantagem sobre o segundo colocado. A marca de Sebastian Vettel em 1min24s374 veio no início de uma série de voltas relativamente curta, cujos tempos subiram muito nas passagens finais - um indício de que ele poderia estar usando o composto super-macio da Pirelli. Confira os tempos aqui.

Em todo o caso, o resultado de hoje mostra o potencial do RB7 para uma volta rápida - o que era a especialidade de seu antecessor. Mas nada garante que largar na frente seja uma vantagem tão grande como era antes. Afinal, se você for parar nos boxes com menos de dez voltas de corrida - e marcando tempos ruins antes de entrar no pitlane -, será uma presa fácil para pilotos equipados com pneus mais constantes, KERS e asa móvel.

Conversei com Robert Sattler, engenheiro de dados do carro de Adrian Sutil na Force Índia, e ficou claro que os técnicos da categoria estão quebrando a cabeça mais do que nunca em cima dos dados coletados nestes testes de pré-temporadas. Em algumas simulações no computador (não em todas), uma estratégia de quatro (!) paradas se mostrou a mais eficiente. Mas, dependendo do tempo perdido nos boxes em cada pista, quem aliar o máximo de constância com o mínimo de paradas termina na frente. Até porque, a partir do sábado de manhã, os times terão apenas sete jogos de pneus à disposição. Assim, quem optar por ir na classificação com um composto mais duro e largar mais no meio do pelotão pode colher bons frutos na hora da bandeira quadriculada.

A destacar no dia de hoje estão a boa forma da Ferrari, que vem aliando velocidade com resistência; e os problemas de várias equipes com o KERS, incluindo Renault, Williams (que não usou o sistema e teve de trocar o motor depois de um problema), Mercedes e McLaren. Na busca por diminuir o peso do dispositivo, muitos engenheiros estão enfrentando problemas para fazê-lo funcionar a contento. O tempo urge e, para eles, um possível adiamento da corrida no Bahrein lhes daria duas semanas a mais para buscar soluções.

(Foto Red Bull)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

RED BULL: MEIO SEGUNDO À FRENTE

Sebastian Vettel procurou medir bem as palavras otimistas depois do teste em Valência. Considerou que foi a melhor primeira semana da atividades nestes seus três anos na Red Bull, mas sempre afirmou que era muito cedo para uma conclusão definitiva. Só traiu seu bom humor ao responder se o título o havia mudado como pessoa. “De jeito nenhum, continuo ouvindo as mesmas músicas. Até porque faz tempo que os Beatles não lançam um disco novo”, riu o alemão.

Já o conselheiro da equipe, Helmut Marko, foi bem menos contido em seu entusiasmo com as primeiras voltas do RB7, afirmando que o time venceria os concorrentes “com uma volta de vantagem” caso a primeira corrida do ano fosse hoje. Exagerado, mas não muito.

Conversando com quem entende bem do que viu na pista de Valência e nos dados da telemetria, a conclusão é que o carro da Red Bull começou o ano com pelo menos meio segundo de vantagem para a concorrência. A boa tração na saída das curvas foi o que mais chamou a atenção, especialmente numa semana em que os times sofreram bastante com o desgaste elevado dos compostos macios da Pirelli. Algo até esperado para um modelo que traz consigo uma filosofia aerodinâmica introduzida há três anos e que foi sendo aperfeiçoada aos poucos.

É claro que estamos falando apenas em uma tendência, pois muita coisa vai acontecer até a abertura da temporada, no dia 13 de março no Bahrein. Todas as equipes vão introduzir novidades em seus carros nos próximos testes - e as sessões desta semana em Jerez de la Frontera trarão a primeira comparação do RB7 com o inovador modelo da McLaren, o MP4-26.

Mas o resto dos concorrentes já se preocupa. A Ferrari confia na sua capacidade de desenvolvimento, mas já teme iniciar o ano correndo atrás do prejuízo. E o time italiano se assustou ao ver o salto que a Renault Lotus conseguiu com o carro novo, conseguindo uma performance muito parecida à do F150. O time do carro preto e dourado demonstrou claros sinais de que pode incomodar as equipes grandes, embora a inesperada perda de Robert Kubica para a temporada pode ter sido um golpe duro demais para atingir estas pretensões.

É o risco de um time que sonha em ser grande mas abre uma de suas vagas para um piloto pagante. Quando acontece algo inesperado com o “de verdade”, se vêem num beco sem saída. Não há um substituto à altura de Kubica disponível no mercado. Pensando alto e longe, eu sei que é impossível disso acontecer, mas acho que substituir o polonês seria uma ótima para Felipe Massa: um carro promissor nas mãos e a chance de liderar uma equipe longe do ambiente cheio de intrigas da Ferrari de Fernando Alonso.

Deixando a maionese de lado, vale reforçar: olho no avanço da Red Bull nestas semanas de pré-temporada. O carro novo nasceu confiável, estável e veloz. E Adrian Newey já deixou claro que prepara para o Bahrein uma grande atualização no pacote aerodinâmico do carro que vimos em Valência. “Ainda não terminamos nosso desenvolvimento nessa área para a primeira corrida”, avisou.

Não é por menos que Christian Horner se divertiu quando lhe perguntei em Valência se colocar uma folha em papel em branco na frente de Newey compensava o prejuízo de ter muitas mudanças no regulamento para o time que tinha o melhor carro. “Veremos. O que eu posso dizer é que eu confio nas ideias que temos para extrair o máximo do equipamento dentro destas novas regras”, garantiu. Não é prá menos. Ano passado deu certo. Veremos agora um repeteco da dominação dos carros azuis?

(Foto Luis Fernando Ramos)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

POSTAIS DE VALÊNCIA - DIA 1

Foi um dia que começou antes mesmo de clarear e está encerrando agora muito depois que o sol - que afinal, apareceu - se foi. Foi um dia de encontrar velhos amigos, carros novos, de voltar a ouvir o barulhinho bom do motor de um Fórmula 1 e de conversar bastante para ver e entender os rumos que a categoria está tomando na temporada que está nascendo. Os tempos estão aqui. E tem bastante coisa apurada para irmos degustando aos poucos nos próximos dias. E vale terminar com alguns instantâneos, acompanhadas do ronco das máquinas. Aperte o play e clique nas imagens para ampliar!


O novo carro da Mercedes... quer dizer...

Agora sim!

Fazendo biquinho ou mandando beijinho?

Sam Michael se misturou aos jornalistas para bisbilhotar os carros dos outros

"Papai me empresta o carro" pedia Buemi enquanto Alguersuari se divertia na pista

Gary Paffett andou pela McLaren, com o carro de 2010

O RB7 de Sebastian Vettel começou o ano na frente

Fernando Alonso ficou satisfeito com o dia da Ferrari

Nico Rosberg ficou pelo caminho

Alguma equipe esqueceu de fazer a "faxina de final de ano" nos caminhões

(Fotos Luis Fernando Ramos)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

OS ÍMPARES

A partir do final dessa semana vamos conhecer os carros desta temporada e, como sempre, eles serão decisivos para apontar as chances de cada piloto em 2011. Mas se for uma temporada equilibrada como a do ano passado, o fator psicológico será tão decisivo quanto. Então vale uma pequena análise da forma com que os nomes das principais equipes começam o ano. Hoje com os ímpares delas e, amanhã, com seus companheiros, os pares.

1 - SEBASTIAN VETTEL
Parece óbvio dizer que o atual campeão é o que começa o ano com mais força que o resto, mas no caso de Vettel sua forma aponta isto. Depois de cometer alguns erros desastrosos, com os quais até o seu cachorro devia olhá-lo com desconfiança, o alemão encontrou forças para ressurgir e, eventualmente, triunfar no último campeonato. A maneira com que superou Mark Webber nos últimos seis GPs da temporada é uma prova irrefutável disso. Seu desempenho perfeito nas quatro provas finais também. O título vai ajudá-lo a ganhar ainda mais autoconfiança. Carros fora, para mim é o favorito deste ano.

3 - LEWIS HAMILTON
Teve uma variação de forma interessante em 2010. Começou o ano errático e vendo o companheiro Jenson Button ganhar corridas, mas soube virar o jogo e em muitos momentos lembrou o melhor Hamilton que foi campeão em 2008. Mas cometeu um erro muito bobo em Monza e, depois, sucumbiu na escorregada da McLaren no desenvolvimento do carro. Seu espírito de luta incansável é sua melhor arma e a expectativa é que a experiência adquirida o faça dosar melhor isso para não passar da conta e se prejudicar.

5 - FERNANDO ALONSO

Apesar de italianos e espanhóis terem comprado a história de que foi a Ferrari quem perdeu o título pela derrapada estratégica em Abu Dhabi, a verdade é que o espanhol jogou fora pontos importantes com alguns erros, como os de China e Mônaco. Em seu primeiro ano de Ferrari, ele pareceu disposto a ganhar o título “na marra”, repetindo o comportamento da sua passagem pela McLaren em 2007. Mas terminou a temporada numa clara ascendente e pelo menos o ano serviu para conquistar os membros-chave da Ferrari. Se for um pouco mais calmo agora, tem tudo para ser o principal adversário de Vettel numa guerra psicológica.

7 - MICHAEL SCHUMACHER
A velha raposa das pistas penou no seu retorno na Fórmula 1 e sofreu para acompanhar o ritmo do talentoso Nico Rosberg na maior parte do tempo. Mas terminou o ano mostrando uma curva ascendente e tem bons motivos para começar 2011 com ânimo renovado. O comportamento dos pneus Pirelli parece solucionar o problema de quem sofreu com a falta de aderência na dianteira em 2010. E a ideia dos italianos em criar compostos que gastam mais rápido deve jogar a seu favor. Assim como o excesso de botões para controlar no volante, algo em que sempre se destacou. Não acho que vá ganhar algo neste ano mas, como bem frisou Alonso, também não tem nada a perder. Um dos únicos nas equipes de ponta nesta situação, aliás.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

TV BLOGO - F1 60 ANOS e F1 2010

Arrepiante o vídeo que a FIA exibiu na cerimônia de encerramento da temporada em Mônaco. Com o momento pessoal histórico em que eu apareço na mesma imagem que Mick Jagger, hehehe. Aperte o play e deleite-se! Grande dica do Julio Cezar Kronbauer.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

CORRIDA DOS CAMPEÕES - DIA 1

A sexta-feira foi de treino na pista, um dia importante para os pilotos se acostumarem a carros que não conhecem e, o fundamental, entender as reações e os pontos de freadas distintos de cada modelo. Dos 16 participantes, apenas dois não treinaram: Michael Schumacher apareceu apenas para a coletiva e Sebastian Loeb nem deu as caras. Curiosamente, dois que estão na lista dos favoritos. Confira abaixo o que houve de mais relevante hoje aqui em Düsseldorf.

Vettel e Schumacher
Sebastien Vettel e Michael Schumacher apareceram bem humorados em uma concorrida entrevista coletiva em Düsseldorf, parte dos preparativos para a Corrida dos Campeões neste final de semana. A dupla defenderá no sábado o tricampeonato na Copa das Nações e vão se enfrentar no domingo na disputa individual.

“Estou animado para os dois dias. Amanhã, correremos juntos mas, no dia seguinte, me desculpe Sebastian mas estou aqui para ganhar”, brincou Schumacher, destacando a alegria de participar pela primeira vez do evento diante do público de seu país. “Vai ser especial”, afirmou.

Vettel, que se prepara também para se exibir com o Red Bull RB6 amanhã em Berlim e domingo no próprio estádio da “Corrida dos Campeões”, também acha a competição especial. Pedi a ele uma comparação e o piloto admitiu que gosta do clima relaxado, da chance de se divertir com os rivais na pista quando se está fora dela. Mas faz uma ressalva: nada se iguala à emoção de pilotar um carro de F-1.

“A Fórmula 1 é uma paixão. O carro é algo muito especial. Poderia até tentar explicar qual a sensação de pilotá-lo, mas não dá para transmitir a emoção. É um outro mundo. O desafio inacreditável poder desafiar a si mesmo, em primeiro lugar, e depois aos melhores pilotos em corridas por todo o planeta”, afirmou.

“Aqui, o desafio é enfrentar pilotos de diferentes categorias e países com carros que nenhum de nós está acostumado a pilotar. A base é completamente diversa, uma grande mistura, mas ainda assim o objetivo é ser o melhor e derrotar todo mundo. Por outro lado, o ambiente é muito mais relaxado, temos tempo de desfrutar juntos o tempo fora das pistas”, analisou o alemão.

Alain Prost
O tetracampeão mundial Alain Prost não economizou elogios ao piloto vencedor do título em 2010. Falando na entrevista coletiva da Corrida dos Campeões, em Düsseldorf, o francês destacou que a conquista de Sebastian Vettel foi merecida.

“Vimos dois Sebastian Vettel neste ano. Um até setembro, depois um novo homem. O que ele fez na parte final do campeonato foi excepcional”, destacou. “Pelo q ele aprendeu este ano, tem tudo para ganhar mais títulos no futuro”.

Prost também avaliou a temporada de Michael Schumacher, que classificou como “excepcional”. “Eu disse antes do início do ano, o quanto seria difícil voltar depois de três anos parado. Em cima disso, acho que ele fez um campeonato excepcional”, falou.

“O problema é que criaram expectativas altas demais. Ele jamais poderia atingí-las, tanto pelo carro como pela pausa das corridas. Vamos ver no ano que vem. Mas ainda assim acho difícil. Eu parei por sete meses entre 92 e 93, não é fácil voltar a ter o mesmo nível de concentração e todo o resto necessário para prevalecer num meio competitivo como é a F-1”.

Neste final de semana, o piloto participa pela primeira vez da Corrida dos Campeões, que será disputada na cidade alemã de Düsseldorf. “Sou um novato aqui, mas também acho que sou o mais velho, o que é engraçado. O problema é que desde 2003 eu só piloto no gelo. Estou com pouca experiência de asfalto”, divertiu-se o tetracampeão.

Heikki Kovalainen
O finlandês Heikki Kovalainen procurou não entrar na polêmica quanto ao futuro da equipe Lotus. No momento, seu time luta na justiça para correr na próxima temporada com o nome e o logotipo do lendário time de Colin Chapman, uma marca que é protestada pelos chefes da montadora Lotus Cars. Perguntei sua opinião sobre o tema e o piloto disse não há nada que ele possa fazer a respeito.

“Sinceramente, não me importo qual o nome a equipe terá no ano que vem. Só me interessa saber qual será o nível de downforce do carro. É por isso que eu mantenho um contato constante com a fábrica”, afirmou Kovalainen.

“Quanto a questão do nome, quem decide isso são os chefes. Meu trabalho é apenas o de estar em forma quando os testes da pré-temporada chegarem”.

O piloto está na cidade alemã de Düsseldorf para disputar a Corrida dos Campeões, evento do qual saiu vencedor da edição de 2004. “São boas memórias. É bom estar de volta. Temos pilotos de extrema qualidade, vai ser difícil repetir o título. Mas o formato da disputa é muito interessante, com vários carros à disposição. Gosto de todos, mas o Porsche 911 é o mais divertido”, afirmou.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A ERA DOS CAMPEÕES DE BERÇO

O título de Sebastian Vettel neste ano e do Lewis Hamilton em 2008 têm mais em comum além do fato de terem feito dos dois talentos os mais jovens campeões na história da Fórmula 1. Eles apontam que o caminho a ser seguido para os aspirantes ao sucesso é fazer parte de um programa de jovens pilotos.

Afinal Hamilton e Vettel são apoiados por McLaren e Red Bull, respectivamente, desde os tempos do kart. De certa forma, é um cenário que se repete no futebol. Lionel Messi foi parar no Barcelona aos 13 anos de idade, onde teve seu físico e talento lapidado num dos clubes de maior estrutura do planeta. Quando estreou no time profissional, já era um craque num time de craques.

Mas é ilusório pensar que a ajuda desde o berço torna as coisas mais fáceis para os jovens volantes. Se dinheiro não falta, a pressão para corresponder nas pistas ao investimento é muito maior. Hamilton e Vettel tiveram de enfileirar uma série de títulos para irem galgando a escada rumo à Fórmula 1. Um ano ruim bastaria para que eles voltassem ao anonimato de milhares de aspirantes ao sucesso.

O caso do alemão, aliás, é o primeiro de sucesso do programa de jovens pilotos da Red Bull, o mais antigo que se tem notícia. Antes dele, a marca levou Enrique Bernoldi, Vitantonio Liuzzi, Christian Klien e Scott Speed para a categoria. Nenhum chegou perto de se estabelecer como piloto de ponta.

O que fez a diferença, no caso de Vettel, foi puramente o piloto, não as oportunidades que lhe foram dadas. É o que disse o homem que comanda o projeto da Red Bull, o austríaco Helmut Marko, em uma entrevista para o semanário alemão “Motorsport Aktuell”:

- Estes jovens valores precisam apenas de um pouco de orientação. Sebastian é um alemão disciplinado que sabe exatamente o que fazer para ter sucesso. Com pilotos de outros países, tive experiências bem diferentes - falou Marko, se recusando a citar nomes.

É uma verdade tão forte que chega a ser um clichê: sem trabalho, não há talento que resolva.

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O trabalho metódico de Sebastian Vettel não transparece na pilotagem, mas nos detalhes. Na decisão em Abu Dhabi, o procurou um engenheiro da Bridgestone para debater sobre o uso dos pneus na pista. No domingo, já no grid, recebeu do mesmo a recomendação de poupar a borracha no início. Foi o que fez a diferença para prolongar seu stint e voltar da parada na liderança.

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O ciclo não pára. A Red Bull já tem outro nome na mão para apostar no futuro. O australiano Daniel Ricciardo dominou os testes dos novatos em Abu Dhabi. Tudo bem que estava no melhor carro, mas os tempos obtidos empolgaram a direção da equipe. Já surge até mesmo a discussão se ele não seria colocado na F-1 já em 2011. A dupla da Toro Rosso, Sebastien Buemi e Jaime Alguersuari, deve estar perdendo o sono. Mesmo que iniciem o ano, terão de mostrar serviço para terminá-lo.

(Coluna publicada na edição de hoje do Diário Lance! - Foto Reprodução Internet)

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

FÓRMULA 1 2010 - POR MIKE VLCEK*

As participações especiais continuam hoje com a contribuição do Mike Vlcek, colocando a grandiosidade desta temporada numa interessante perspectiva. Confira:

O REI ESTÁ MORTO, VIVA O REI
Olá, meus bons amigos do Blog do Ico. Foi com muito prazer que recebi o convite para escrever algumas linhas neste espaço, e é desnecessário dizer que me sinto muito honrado com a brecha. Sem mais delongas, vamos lá.

Como vocês já devem saber, o tema em debate é “F-1 2010 - Por que uma temporada histórica?”. Bem, é fácil apontar razões para elegermos essa uma temporada especial, daquelas que daqui a vinte, trinta anos ainda iremos nos recordar com nostalgia. Difícil é cravar se esta é, como muitos já estão alardeando no calor da emoção, a melhor temporada de todos os tempos.

Pois bem, vamos aos fatos. Em 2010 assistimos ao retorno do maior (eu disse maior, não melhor, antes que me joguem pedras) piloto que já correu na F-1, um tal queixudo chamado Michael Schumacher. Em 2010 assistimos ao primeiro título de Sebastian Ffféééttel, a afirmação definitiva de que o alemãozinho chegou para ficar. Em 2010 vimos Fernando Alonso no auge de sua forma, tanto física quanto polêmica. Em 2010 ouvimos, talvez, a frase mais emblemática da história da F-1 - Fernando is faster than you, com sua inapelável contundência, que jogou por terra a estima de alguns milhões de brasileiros, afetados por tabela. Mas, além de tudo isso, em 2010 tivemos cinco pilotos brigando ponto a ponto pelo título, um recorde, este sim, histórico.

Resumindo, vimos um pouco de tudo neste Mundial que se encerrou. Tivemos polêmicas nos bastidores, tivemos brigas dentro e fora das pistas, tivemos trocas de farpas públicas entre companheiros e chefes de equipes, tivemos ultrapassagens espetaculares (thanx Koba-San), tivemos corridas memoráveis (alô Turquia) e tivemos, no fim, a coroação de um novo campeão, um que promete ser grande, muito grande. Não é pouca coisa.

Mas a beleza, diz o ditado, reside mais em quem a enxerga do que no objeto admirado. Eu, particularmente, guardo com muito carinho outros Mundiais recentes. Em 2009, a espetacular ascensão da Ross Racing (aka Brawn GP) e a coroação de um cara do bem como Jenson Button me levou às lágrimas. Um ano antes, também não pude conter os olhos marejados com a derrocada de Felipe Massa já no apagar das luzes. E o que dizer de 2007, campeonato polêmico mas que acabou decidido por um mísero ponto? Histórico também, oras.

Há beleza até em supremacias. Faço parte de uma minoria que considera as conquistas “monótonas” de Michael Schumacher verdadeiras obras de arte, ou o título inapelável de Nigel Mansell em 1992, massacrando os rivais sem dó a bordo de uma jóia mecânica de rara equivalência, aquele Williams-Renault FW14B. E me respondam com honestidade: quantos aqui, fãs verdadeiros da F1, não dão um suspiro escondido quando lembram dos carros especiais (McLaren de 1988, Williams de 1992 e 1993, Ferrari de 2002 e 2004), bólidos responsáveis diretamente por tirar a emoção da competição, tamanha a superioridade técnica?

A F-1 é um esporte diferente. A excelência técnica, aos olhos dos que sabem admirá-la, empolga tanto quanto uma disputa roda a roda até o último segundo. O Mundial de 2004, por exemplo, aquele em que tivemos os carros mais velozes de todos os tempos, foi um ano especial. Para os que não se lembram, assistam a um vídeo onboard qualquer daquela temporada - recomendo Schumacher em Monte Carlo e Monza, para começar. Vejam a diferença de se domar aqueles V10 nas ruas do Principado em comparação aos motores de fusquinha que hoje repousam atrás dos pilotos. Há beleza nisso.

Sou, portanto, levado a concluir que sim, tiramos a sorte grande em 2010, mas ela já vinha nos sorrindo. E talvez, analisando friamente, seja mais fácil contar os campeonatos sem graça do que os eletrizantes. … ou não é?


O rei morreu, meus bons. Viva o próximo rei.


(* Mike Vlcek comanda um dos blogs de F-1 mais movimentados da web, o excelente FormulaUK. O bom humor habitual mantém a discussão leve, mas nem por isso rasa. Pelo contrário, curti demais ao longo do ano a perspicácia com que ele analisou cada aspecto da temporada. Um blog obrigatório, pelo conteúdo e pelo ambiente. E para quem curte boa música, afinal ele também manda muito bem nessa área)

terça-feira, 23 de novembro de 2010

FÓRMULA 1 2010 - POR JULIANNE CERASOLI*

Foi uma temporada marcante, essa de 2010. Drama, polêmica, comédia e muita disputa dentro das pistas fizeram dela a mais emocionante que eu me lembre desde 1986. Mas esse é um tipo de conclusão pessoal, então tomei a iniciativa de fazer algo que há muito tempo pensava fazer: pedir e trazer a colaboração de outros blogueiros. Escolhi três nomes, optei por pessoas que eu não conheça pessoalmente mas autores de trabalhos que eu admiro muito - todos em blogs mantidos de forma independente. O tema que coloquei à eles foi: F1 2010 - Por que uma temporada histórica? O mais legal é que as respostas vieram com a cara de cada um. Começamos hoje, com o trabalho da Julianne:

BONS ERAM OS TEMPOS DE ALONSO, HAMILTON, VETTEL...
Seis líderes diferentes durante o ano. Uma equipe que, ao mesmo tempo em que consegue fazer 15 das 19 poles possíveis no ano, entra em ebulição por uma simples asa dianteira. Quatro pilotos divididos pelo equivalente a menos de um 2º lugar após 19 etapas. Um piloto 47 pontos atrás, depois de dois péssimos resultados, promete que lutará pelo título – e cumpre. Seja olhando pelo prisma dos números, seja valorizando mais as histórias, 2010 é daquelas temporadas que nos farão, daqui a 20, 30 anos, olhar para os tempos de Vettel, Hamilton, Alonso e companhia com ares de nostalgia.

A pressão
Não coincidentemente, a marca de um campeonato tão apertado foram os erros cometidos sob pressão. Erros de estratégia, de pilotagem, inexplicáveis. Quem diria que veríamos as grandes McLaren e Ferrari serem barradas na primeira parte da classificação na Malásia por pura soberba frente à tempestade? Ou que assistiríamos a um bicampeão mundial queimar a largada, como nem os principiantes fazem hoje em dia?

A lição que fica é que, mesmo que os pontos tenham igual valor em qualquer momento da temporada, um gol aos 45' do 2º tempo faz diferença. E foram Vettel e Alonso, os que deixaram os tropeços para trás antes dos outros e afrontaram os momentos decisivos com precisão cirúrgica, que acabaram levando vantagem.

As atuações
Mas este esteve longe de ser um ano de, quem menos erra, leva. Tivemos performances inacreditáveis. Como Button, duelando décimo a décimo com as bem mais rápidas Ferrari mesmo ostentando a maior asa traseira que Monza já viu. Ou Alonso, resistindo à pressão de um Vettel que havia comandado todos os treinos no calor da noite de Cingapura ou mesmo guiando uma corrida inteira com a embreagem pedindo água na Malásia. E o que dizer das poles de Sebastian, tirando aquele décimo de segundo que enlouquecia Webber?

O mesmo Webber que, ao construir uma vantagem de 22s fazendo durar por 43 voltas os pneus macios para fazer seu pitstop e ainda voltar na frente na Hungria, e vencer com ares de gênio em Mônaco, também deu show. Assim como Hamilton, passando por cima de um erro de estratégia da equipe, fazendo 13 ultrapassagens, por dentro, por fora, de qualquer jeito, para ser segundo na China. E, por que não, o que foi aquela pole quase milagrosa de Hulkenberg, lendo uma Interlagos nem seca, nem molhada, como um veterano?

O difusor, a asa e o jogo descarado
Claro que qualquer temporada que se preze tem suas polêmicas. No campo técnico, tentaram de tudo para desmascarar o domínio da Red Bull, que aparecia de uma hora para a outra nos momentos finais da classificação. Primeiro, acreditava-se que havia um sistema ilegal que regulava a altura de acordo com a quantidade de combustível a bordo. Ninguém provou. Depois, o segredo era a configuração do escapamento, cujos gases eram direcionados ao difusor. Todos copiaram, e não chegaram muito perto.

Por fim, a briga mal resolvida das asas dianteiras. Mesmo que a FIA fosse mais e mais rigorosa nos testes, não conseguia colocar o dedo na ferida. Elas continuaram flexionando, a Red Bul seguiu voando nas curvas de alta, e ninguém sabe como.

Mas nada se comparou ao estardalhaço provocado pelas ordens de equipe da Ferrari. Enquanto tudo acontecia por baixo do pano, sem conversas mais que comprometedoras pelo rádio ou pilotos praticamente estacionando pela pista, a Fórmula 1 convivia bem com uma regra à qual ninguém dava muita atenção. Depois de tanto desgaste, quem sabe não encontrem um meio termo entre os interesses de uns e o faz-de-conta de outros.

Aos números

Sebastian Vettel é o campeão mais jovem da história da F-1, reforçando uma tendência de queda na idade dos que chegam ao título. Ele é o terceiro desde 2005 a bater uma marca que durou 33 anos nas mãos de Emerson Fittipaldi – Alonso venceu com 25 anos; Hamilton estava perto de completar 24 e, hoje, o alemão tem 23.

Mas a conquista é marcada por estatísticas ainda mais interessantes, que mostram o atual equilíbrio da categoria: Vettel jamais havia chegado à liderança do campeonato antes da última etapa da última prova, sendo apenas o terceiro na história a vencer chegando na corrida final em terceiro na tabela, numa temporada que terminou, mesmo com a pontuação mais farta, com apenas 16 pontos de diferença entre o 1º e o 4º colocados.

Continuando a “maldição” do líder do campeonato, desde o GP da Turquia de 2009 o melhor colocado na tabela não vence a prova. E, pelo terceiro ano seguido, o atual campeão do mundo só venceu duas vezes na temporada em que defendia o título e não chegou à última etapa podendo chegar ao bi: foi assim com Raikkonen em 2008, Hamilton em 2009 e Button em 2010.

Por fim, talvez não na quantidade que gostaríamos – e a má impressão de Abu Dhabi ainda é muito forte –, mas, sim, as ultrapassagens voltaram. Em 2010 tivemos a melhor média – 28,8 por prova – desde 1991. Foram 547 no total, contra 244 de 2009. Ainda não é comparável às médias do início dos anos 1980, acima de 40 por GP, mas um alento para quem já viu temporadas com apenas perto de 10 ultrapassagens por etapa há muito pouco tempo, em 2005, e convivia, nos últimos anos, com pouco mais de 14 manobras a cada final de semana.

(*Julianne Cerasoli compartilha suas idéias sobre Fórmula 1 no seu blog Faster F1, com análises inteligentes e ponderadas, sustentadas por números e por uma visão bem realista de como funciona a categoria. Leitura obrigatória para os que querem ir além da notícia)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

ESPECIAL 2010 - OS DEZ MELHORES

Diversos pilotos, alguns em momentos específicos. O melhor de 2010 da minha lista teve acima de tudo uma admiração pelo trabalho individual. Mas o topo da lista ficou reservado à uma festa e uma equipe. Porque um evento tão complexo como a Fórmula 1 é feito de um trabalho em conjunto. Especialmente quando ele mantém o esporte em primeiro plano. Confira abaixo a lista e discorde à vontade nos comentários:

10 - KAMUI KOBAYASHI
As arquibancadas do circuito de Suzuka tremiam a cada manobra. O epicentro do terremoto era o carro branco de número 23 de Kamui Kobayashi. O japonês aproveitou-se de uma estratégia distinta da maioria do grid, fazendo um stint longo com os pneus duros antes de calçar os moles e partir para uma série de ultrapassagens decididas - como já havia feito em Valência quando deixou para trás até mesmo o herói local Fernando Alonso. Embora a segunda parte do trabalho seja a mais espetacular, o fato é que seu ritmo de corrida nestas duas provas com os duros foi o que mais impressionou os técnicos da categoria. Ultrapassar, como ele constatou na entrevista que fizemos em Interlagos, “é o normal”. Em 2011, mesmo sem trazer dinheiro, Kobayashi faz mais uma temporada na Sauber. E terá a chance de continuar impressionando equipes maiores para ambicionar um cockpit de ponta no futuro. Fãs espalhados no mundo inteiro torcerão por isso.

9 - JENSON BUTTON
Ele surpreendeu o stablishment quando decidiu sair da campeã Brawn e levar o número 1 para a McLaren. Era um passeio “na cova do leão”, como Jackie Stewart descreveu a equipe que é berço e lar do excepcional talento de Lewis Hamilton. Mas Jenson Button não deu bola para o que diziam e provou toda sua qualidade com duas vitórias em condições difíceis no início do ano, o suficiente para colocá-lo na liderança do mundial. Depois, foi um dos que sucumbiram com os pneus em treinos classificatórios e arruinou suas possibilidades. Mesmo assim, uma incrível regularidade nas corridas o manteve vivo na briga por muito tempo. Não fosse abalroado por Vettel em Spa, teria chegado à decisão com chances.

8 - KUBICA EM CINGAPURA
“Quem é o próximo, quem é o próximo?” Os engenheiros da Renault não esconderam um riso de admiração quando Robert Kubica entrou no rádio. Numa das pistas mais apertadas do ano, o polonês não desperdiçou o uso dos pneus macios na parte final da corrida (por conta de um furo no pneu, acabou na mesma configuração de Kobayashi em Valência e Suzuka) e foi dobrando quem estivesse pela frente. Um piloto em ponto de ebulição, deixando claro aos rivais que não estava para brincadeiras só pela maneira de atacar. Foi o ponto alto de um grande ano para um piloto que tem tudo para voar alto quando estiver em uma equipe de ponta. É mera questão de tempo para que isso aconteça.

7 - MARK WEBBER

Depois da temporada de 2009, ninguém esperava de Mark Webber nada além do que um papel secundário na Red Bull, ajudando a equipe a somar pontos e angariando vitórias quando Sebastian Vettel tivesse algum problema. Mas o australiano fez a temporada da sua vida e, durante muito tempo, apareceu como o mais forte candidato ao título. Em especial suas performances nos técnicos circuitos de Barcelona e Mônaco foram verdadeiras aulas de ritmo de corrida. O piloto também soube ser matreiro ao capitalizar a seu favor as confusões do comando da equipe na Turquia e na Inglaterra para colocar pressão sobre o companheiro de equipe. Pena que sucumbiu diante da resposta deste no momento decisivo do campeonato, deixando o título escapar com um erro bobo na Coreia e uma classificação ruim na prova decisiva.

6 - POLE DE HÜLKENBERG
Numa temporada completamente dominada por três equipes, foi quase um milagre ver o carro azul e branco da Williams ocupando o primeiro lugar de um grid. Tudo bem que houve a interferência de São Pedro e o imprevisível clima paulistano. Mas Nico Hülkenberg fez um trabalho perfeito quando as condições favoráveis apareceram: pista úmida, asfalto frio, um carro e um estilo pilotagem agressivo com os pneus. Mesmo com o futuro ameaçado, encaixou três voltas perfeitas em sequência e colocou mais de um segundo de vantagem sobre a excelente combinação RB6-Vettel-Chuva. Não salvou seu emprego, mas encerra o ano com boas perspectivas depois de mostrar à equipe que é dono de um talento que o dinheiro não compra.

5 - HAMILTON E O DUTO DE AR
O espírito combativo de Lewis Hamilton ganhou uma arma letal com uma das mais inteligentes criações na história da Fórmula 1. Um canal de vento dentro do monocoque que permitia a asa traseira “estolar” nas retas, fazendo um efeito parecido ao de uma asa móvel, mas sem ferir o regulamento. Especialmente no início do ano, a velocidade maior no final das retas permitiu ao inglês realizar um show de ultrapassagens. Mas mesmo no final do ano, quando os rivais já haviam desenvolvido suas versões da novidade, Hamilton continuou a demonstrar seu instinto e pressionar ao máximo quem tivesse à sua frente, como aconteceu com Robert Kubica em Abu Dhabi. As chances de título sucumbiram diante de erros pontuais seus e, principalmente, pela falta de desenvolvimento do carro da McLaren na reta final. Mas o inglês termina 2010 como o grande artista do ano. Os fãs do esporte agradecem.

4 - ALONSO EM CINGAPURA

O caráter fora-de-série de Fernando Alonso ficou claro em uma série de ocasiões ao longo do ano. Não foram poucas as provas em que ele conseguiu resultados além do que seu carro permitia, simplesmente empregando ao máximo sua qualidade. Em que pese os erros cometidos na primeira parte do campeonato (largada queimada na China, acidente no treino livre em Mônaco que o deixou fora da classificação), esta capacidade cativou de vez a equipe Ferrari. E teve seu ápice em Cingapura. Numa pista travada e ondulada, na medida para toda a eficiência do RB6, o espanhol conquistou no braço a pole position num circuito em que realmente excede. Na corrida mais longa e fisicamente desgastante do ano, não se incomodou um instante com a sombra azul do carro de Sebastian Vettel e conquistou a mais bela de suas vitórias em 2010. Um momento de puro brilho para se contrapor com as polêmicas que volta e meia se envolve.

3 - SEBASTIAN VETTEL
O mundo caiu de pau em cima de Sebastian Vettel ao final daquele domingo chuvoso em Spa-Francorchamps. Sua mal-sucedida ultrapassagem sobre Jenson Button despertou as lembranças do acidente com o companheiro de equipe Mark Webber na Turquia. O “drive-through” e o apelido de “crash kid” que recebeu em consequência disso foram os outros pregos de sua cruz. Moleque, estabanado, imaturo: as etiquetas estavam coladas por todo o corpo. Não devem ter sido dias fáceis, mas o alemão foi buscar uma confiança inabalável dentro de si. A partir de então, marchou impávido sobre o companheiro Mark Webber em todas as provas. E rumo ao título, apenas uma imprevista quebra de motor nas voltas finais da Coreia o impediu de vencer as quatro últimas corridas do ano. Coroado campeão, preferiu sorrir ao invés de esfregar o sucesso nos que o atacaram. Moleques são os outros.

2 - FESTA DOS 60 ANOS
Foi uma chuva de estrelas naquele domingo ensolarado no meio do deserto. John Surtees, Jackie Stewart, Emerson Fittipaldi, Mario Andretti, Jody Scheckter, Keke Rosberg, Damon Hill, todos conduzindo os carros nos quais ganharam títulos mundiais. Mika Hakkinen e Nigel Mansell em modelos campeões dos anos 50. Na platéia? Niki Lauda, Alain Prost, Alan Jones e até mesmo Jack Brabham. Ao final das voltas de exibição (mas que não nos enganemos, a turma ia afundando o pé um pouco mais a cada passagem), todos se encontraram e se confraternizaram numa comunhão de grandes pilotos com grandes máquinas. O sorriso infantil nos rostos cheios de rugas foi a maior prova de que o amor pela velocidade é maior que o tempo. Uma festa à altura da própria Fórmula 1.

1 - RED BULL
De um lado, um panteão de história e com rígida hierarquia chamado Ferrari. Do outro, uma equipe de enorme excelência técnica e com dois campeões mundiais que são o sonho de qualquer patrocinador chamada McLaren. No meio, uma equipe com um orçamento menor e toda enrolada na hora de administrar os anseios individuais de seus pilotos. Mas justamente por isso mais palpável, humana. De sobre-humano na Red Bull, só mesmo o bólido desenhado pelo gênio da prancheta Adrian Newey, praticamente imbatível nas classificações, embora de resistência por vezes imprevisível nas corridas - mesmo assim, o pilar sólido de todo o sucesso alcançado. Mesmo tropeçando diversas vezes no próprio cadarço, a Red Bull resolveu respeitar o bom trabalho de sua dupla de pilotos e não se intrometeu neste duelo interno na reta final, contrariando o senso comum de muitos especialistas e fãs. E foi por ter dois cavalos no páreo decisivo que conseguiu o segundo (e mais suado) título da temporada em Abu Dhabi, deixando os adversários sem saber para qual carro olhar. O ano de 2010 foi o ano do triunfo de uma equipe jovem, que consegue ser eficiente mesmo batendo cabeças. Uma que tem os ingredientes na mão para se firmar como uma das grandes do esporte ao longo dos próximos anos. Se não tiver sido fogo de palha, um dia saberemos que o futuro da F-1 começou aqui.


(Fotos Luis Fernando Ramos)

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

ESPECIAL 2010 - OS DEZ PIORES

Foi um dos melhores anos na história da Fórmula 1, mas ainda assim a temporada trouxe seus pontos negativos. Seja num momento específico ou no panorama geral de um piloto, equipe ou corrida. Como sempre, uma lista pessoal e despretensiosa. Para ler e discordar à vontade. Amanhã a gente volta com a lista dos dez melhores de 2010.

10 - A FOTO DOS CAMPEÕES

O trabalho de Jean Todt na presidência da FIA não é uma unanimidade, mas sem dúvida está sendo bem melhor visto na Fórmula 1 que o de seu antecessor, principalmente por sua postura discreta. Ainda assim, ele conseguiu marcar um belo gol contra ao levar a namorada Michelle Yeoh para a foto oficial dos 60 anos da F-1, ao lado de todos os campeões mundiais ainda vivos. Qual a justificativa? Estaria ela representando os ausentes Nelson Piquet e Kimi Raikkonen???

9 - O VÔO DO CANGURU
Todo mundo prendeu a respiração naqueles segundos. Na tentativa de recuperar terreno e fazer sua nova estratégia funcionar, Mark Webber foi para cima de Heikki Kovalainen como um touro desgovernado - e acabou surpreendido pelo fato da Lotus ter uma zona de freada bem mais longa que a sua. Um mal-entendido que poderia ter terminado mal, mas acabou representando apenas mais algumas milhas para o programa de vôos do australiano no cockpit de um carro de corrida.

8 - O MAU PERDEDOR
Ver um título mundial que parecia ganho escapar pelas mãos deve ser mesmo algo frustrante, especialmente se a derrota veio fundamentalmente por um erro estratégico da equipe. Mas Fernando Alonso perdeu pontos até mesmo com seus seguidores mais fanáticos ao sair reclamando do russo Vitaly Petrov em Abu Dhabi. Deveria era parabenizá-lo por não cometer nenhum erro num momento de pressão para o futuro de sua carreira. O “chega-prá-lá” que o espanhol levou foi uma bela resposta. Um grande piloto mostra sua estatura também no momento da derrota.

7 - BUEMI NA CHINA
Foi até cômico: na freada após uma das retas mais longas da temporada, a suspensão da Toro Rosso do suíço Sebastian Buemi simplesmente cedeu e as rodas saíram voando. Um baita de um susto sem maiores consequências para o piloto e para quem estava na beira da pista. Divertido mesmo foi ver Buemi virando o volante para tentar amenizar o impacto da batida.

6 - HISPÂNIA
Está certo que sobreviver até o final do ano era o único objetivo e isso a equipe Hispânia conseguiu. Mas a custo de algumas bizarrices. O carrossel imprevisível de pilotos até que foi pouco diante de um carro sem atualizações e que usou o mesmo pacote aerodinâmico em pistas tão opostas como Mônaco e Monza. Sorte que seus pilotos saíram ilesos de situações ingratas, como a quebra da suspensão em uma curva de alta velocidade em Spa-Francorchamps. O time fica na história desde já como um dos piores que já passaram pela categoria.

5 - CHOQUE DE TOUROS
O time campeão meteu algumas vezes os pés pelas mãos e envenenou completamente o ambiente entre seus dois pilotos. Na Turquia, acossados na corrida por uma valente McLaren, o comando passou a Vettel a informação de que Mark precisaria economizar combustível o que ele poderia ultrapassá-lo, enquanto o engenheiro do australiano falou o contrário e orientou seu piloto a se defender. Uma confusão dos boxes que resultou num desastre na pista. Pior foi na Inglaterra, quando a asa do alemão quebrou e Horner orientou que o modelo que estava no carro de Webber fosse transferido. Era uma questão de centésimos de segundo, mas algo que fatalmente causaria um mal estar interno. Esperto, Webber capitalizou em cima do incidente e jogou a opinião pública contra o time e seu companheiro. Foi o suficiente para lhe garantir tratamento igual até o final do ano, mas não para receber a ajuda de Vettel na reta final, algo que tanto ambicionava.

4 - FELIPE MASSA
O brasileiro sempre alternou numa temporada corridas brilhantes com atuações mais contidas, mas o brilhantismo ficou de lado em 2010. Com exceção do GP da Alemanha, ele jamais se colocou em posição de vencer - mesmo com um carro capaz disso em algumas ocasiões. Com problemas de aquecimento de pneus, classificou-se quase sempre em posições discretas. Pior, viu seu novo companheiro tomar as rédeas da equipe e liderá-la na disputa pelo título, o que parece ter encerrado sua motivação. Ele reconhece a temporada ruim, o que é um ótimo começo. Mas vai precisar de um 2011 radicalmente diferente, dentro e fora das pistas, para que não tenha sua vaga especulada via imprensa semana sim, semana não. Afinal, são dois anos de contrato pela frente.


3 - GP DO BAHREIN
Foi uma odisséia do sono. Em meio às expectativas de uma temporada sensacional, a prova de abertura foi uma das mais chatas para se assistir. Em especial, o novo trecho do circuito que os organizadores agregaram não funcionou - era apenas uma série de curvas muito lentas que só prolongaram a agonia. A coisa foi tão feia que a imprensa mundial até iniciou uma discussão sobre a qualidade das corridas e do regulamento. Felizmente, o tempo provou que era uma discussão precipitada.

2 - “THAT WAS HORRIBLE”
Pelas desproporcionais expectativas criadas, a temporada de Michael Schumacher já começou comprometida. Mas ninguém esperava que o vareio que ele tomou de um companheiro de equipe jovem e eficiente durasse quase o ano todo. Foi inevitável que seu desempenho em 2010 colocasse uma série de interrogações sobre sua história. E o ponto alto disso foi a manobra que fez sobre Rubens Barrichello em Hungaroring, quando ultrapassou de longe os limites do bom senso numa defesa de posição. Faltou pouco para uma batida feia demais. Aquilo foi horrível. Pelo menos ele pediu desculpas. Duas semanas depois. Por SMS.

1 - FERRARI EM HOCKENHEIM
Tudo bem que a Ferrari queira fazer prevalecer seus interesses. Mas a farsa que promoveram em Hockenheim foi exagerada. O chororô de Fernando Alonso pelo rádio rendeu uma ordem de equipe explícita que lhe rendeu a vitória e, ao time, a antipatia da maioria dos torcedores - afinal, o campeonato mal passara da metade. Passaram por cima do regulamento com a habitual arrogância, mas receberam uma multa pequena por isto. No final das contas, o episódio não surtiu o efeito desejado. Apenas serviu para matar a motivação de Felipe Massa. Dali para frente, o brasileiro só foi tirar pontos dos adversários de Alonso em Monza. Um tiro no pé involuntário que, na prática, acabou mais atrapalhando do que ajudando a campanha do espanhol.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

CREDENCIAL - GP DE ABU DHABI

A festa sem fim da Red Bull, que começou em Abu Dhabi, passou por Salzburg e terminou em Milton Keynes, deu o tom desse “Credencial” de encerramento da temporada. O título para Sebastian Vettel não apenas premiou o que considero o melhor piloto do ano, mas castigou os que correram a final do campeonato jogando para empatar. O programa ficou longo e dividido em três partes, discute também o mercado de pilotos e as possibilidades para 2011. Mas calma que dá tempo de sobra para ouvir até o GP do Bahrein no mês de março... Aperte o play (ou baixe pelo link), escute, comente, divulgue!


PARTE 1


PARTE 2


PARTE 3

(Foto Red Bull)

domingo, 14 de novembro de 2010

OBRIGADO POR ESTE SORRISO

O melhor piloto do ano é o campeão do mundo. Apesar do ímpeto por vezes estabanado que resulta em acidentes ter-lhe outorgado o apelido de “crash kid”. Apesar de uma inacreditável série de infortúnios mecânicos que lhe roubou quase uma centena de pontos, incluindo uma perversa quebra de motor na Coreia, quando liderava com menos de dez voltas para o final. Apesar das críticas recebidas pela Red Bull por não praticar o odioso jogo de equipe a favor de Mark Webber e permitir que seus pilotos brigassem na pista livremente. Se tivesse feito isso em Interlagos, aliás, teriam perdido o título. Apesar da Ferrari fazer o contrário.

Quem lavou a alma no pódio em Abu Dhabi foi a própria Fórmula 1. O campeonato mais emocionante dos últimos quinze anos teve um fecho de ouro com o sorriso aberto do mais jovem campeão de todos os tempos. O nome dele é Sebastian Vettel. Um garoto de 23 anos da pequena cidade de Heppenheim, na Alemanha. Um sujeito bem-humorado, afável, pés-no-chão, sempre afeito a brincadeiras. Quando dá entrevistas, sempre solta uma risadinha antes de dizer uma coisa engraçada.

Quando coloca a balaclava, o capacete e a viseira, porém, Vettel se transforma. Que é diabolicamente rápido, suas dez pole positions e as doze vezes que largou na frente do companheiro em 19 corridas são um belo atestado. A corrida de ontem voltou a mostrar sua qualidade. A McLaren era uma sombra prateada ameaçadora em Abu Dhabi. E Lewis Hamilton já havia avisado que não tinha nada a perder na briga pelo título e que atacaria na largada.

Qual o que, Vettel manteve a ponta com autoridade e foi apenas controlando a vantagem para o piloto inglês. Este parou primeiro nos boxes e acabou perdendo tempo na volta com dois pilotos que estavam numa estratégia diferente, Kamui Kobayashi e Robert Kubica. O alemão aproveitou para sentar a bota para encontrar pista livre quando trocou os pneus de seu carro. Sua parte no dia estava feita.

Restava torcer para que Fernando Alonso não ficasse entre os quatro primeiros colocados. A Ferrari ajudou, naufragando justamente no dia da decisão. O time italiano se perdeu completamente depois que o companheiro de Vettel, o australiano Mark Webber, foi aos boxes na volta 11 com os pneus traseiros desgastados. A reação da turma de Maranello foi a de também mandar Felipe Massa e Alonso para trocar pneus nas voltas seguintes. Ficaram todos presos atrás de carros mais lentos, mas na mesma estratégia, e espanhol foi apenas o sétimo. Mau perdedor, reclamou com o russo Vitaly Petrov e se recusou a saudar o campeão no parque fechado. Foi feio.

Não poderia ser mais emblemática a presença do consultor da Red Bull Helmut Marko no pódio em Abu Dhabi. O austríaco recebeu muitas críticas ao longo do ano ao deixar transparecer uma suposta preferência por Sebastien Vettel em detrimento a Mark Webber dentro da equipe. O título mundial para o alemão provou que ele tinha razão.

A empatia entre chefe e piloto não é por causa de língua ou qualquer coisa do tipo. Marko foi o homem que viu num imberbe Sebastian Vettel o potencial para se tornar um campeão do mundo. Quando o alemão estreou na Fórmula BMW, a Red Bull já o apoiava. Dentro de dezenas de pilotos em diversas categorias, o consultor (que atuava na época como chefe do programa de jovens pilotos da marca) identificou as qualidades do alemão e foi lhe oferecendo cada vez mais espaço.

O sentimento de que Vettel era o nome a conduzir a Red Bull ao título prevaleceu mesmo nesta temporada em que houve muita pressão para que a equipe apoiasse a Webber, o piloto mais bem colocado na tabela. Mas o alemão parece ter conquistado a pequena dose de maturidade que faltava depois do GP da Bélgica, quando bateu na McLaren de Jenson Button e foi soterrado em uma avalanche de críticas. Desde então, jamais voltou a terminar uma corrida atrás do australiano.

O agora mais jovem campeão do mundo da história parece ter dado apenas o passo inicial para uma sucessão de títulos. Se a Red Bull tiver nos próximos anos um carro tão dominador quanto o que teve neste, pode ser o início de uma supremacia similar a de Michael Schumacher no início da década. De novo, um alemão. Mas um que esbanja humildade e simpatia. Obrigado por este sorriso, Sebastian!

Use o espaço dos comentários para participar do Crendencial!

(Foto Red Bull)

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

MORA NA FILOSOFIA

Mark Webber e Sebastian Vettel estão muito próximos. Basta colocar os dados de telemetria de um sobre os do outro. Nesta curva um leva vantagem, o outro está mais veloz em outra mas, no final de uma volta rápida, escassos centésimos de segundo estão os separando. Uma nuance de tempo e espaço.

Mas os dois pilotos da Red Bull não são amigos - em que pese a foto produzida após o acidente entre ambos no GP da Turquia, quando um olha o outro sorridente, com os braços abertos e a palma da mão virada para cima, como quem aceita que contratempos acontecem. A verdade é que o paradoxo de um esporte que é, ao mesmo tempo, individual e de equipe os torna inimigos mortais. Melhor perder o título para qualquer um que não seja o seu companheiro.

Para o bem desse mesmo esporte, o time permitiu que seus pilotos lutassem entre si o tempo todo. O problema é que a corrida deste final de semana em Abu Dhabi pode ser a arena em que dois touros caiam mortos depois de um duelo de chifres, com um toureiro espanhol surgindo triunfante, sem precisar arrastar sua capa vermelha no chão cheio de areia.

Christian Horner, o chefe da Red Bull, já disse que deixará nas mãos de Vettel a decisão de eventualmente ceder a posição para Webber ser campeão, caso uma boa colocação de Alonso no desenrolar da prova elimine suas chances. Pode parecer ousado, mas Horner sabe que o alemão sabe da importância do título de pilotos para a marca. No final, talvez mesmo na última volta, os dois touros podem se unir para exterminar as chances de Fernando Alonso.

Na Ferrari, o mundo animal é outro. Como numa matilha de cães, Alonso chegou e clamou para si o direito de liderá-la. A Felipe Massa, vencido numa briga travada nas pistas e nos bastidores, restou o direito de aceitar a ordem das coisas, ainda que saísse rosnando da luta que definiu isso, no GP da Alemanha.

Mais que um título, o que estará em jogo em Abu Dhabi é uma filosofia: a do time que trabalha em torno de um cachorro-alfa contra aquele que deixa a briga comer solta. De um lado ou de outro, não há espaço para amizades.

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Alonso deixou Interlagos bradando estar “100% confiante” no título. Não convenceu a alguns preocupados jornalistas espanhóis que anteviam um possível jogo de equipe. O piloto os confortou. “Eles não fizeram dobradinha em provas seguidas nenhuma vez neste ano. Não será agora”.

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Já na Red Bull, Webber não escondeu que não entende, mas aceita, a filosofia da equipe em deixar Vettel vivo na briga ao invés de colocar todas as fichas nele. Talvez, a chance de perder o título o preocupe tanto quanto a possibilidade de ganhá-lo no final de mão beijada. Para sua imagem, ficaria mais feio do que uma inversão de posições feita antes.

(Coluna publicada na edição de quinta-feira do Diário Lance! Foto: montagem da Internet sobre original da Red Bull)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

OS QUATRO CAVALEIROS

Dezoito corridas realizadas, chegamos nesta última com o ineditismo de termos quatro pilotos com chances matemáticas de ser campeão. Confira abaixo umas linhas sobre o ano de cada um deles, opine na enquete ao lado e, porque não, justifique seu voto nos comentários.

FERNANDO ALONSO - 246 pontos
Polêmico, egoísta, político. E diabolicamente rápido. Os predicados de Fernando Alonso em muito lembram os do multi-campeão Michael Schumacher em seus anos de Ferrari. Não é à toa que ele não precisou mais que meia temporada para atrair para si todos os esforços da equipe. Dentro da pista, aproveitou os problemas de Felipe Massa com a temperamental borracha dos pneus Bridgestone de 2010 para o superar com certa tranquilidade nas classificações. E não hesitou em deixar claro seu desejo de liderar o time quando surgiam as oportunidades nas corridas. A arriscada ultrapassagem na entrada dos boxes na China foi apenas o prenúncio do que estava por vir. Na prova da Alemanha, quando Massa deixou claro que lutaria pela vitória, Alonso pressionou a equipe pelo rádio para que uma ordem de equipe fosse dada. Desejo atendido, ele correspondeu depois enfileirando uma série de ótimos resultados. O triunfo em Cingapura, superando as Red Bull com um carro bem inferior, foi um bom exemplo da sua determinação neste ano.

MARK WEBBER - 238 pontos
A fisionomia de Mark Webber lembra um pouco a do Super-Homem e o australiano teve seus dias de homem de aço neste campeonato. O piloto que até então era tido como um “leão de treino” revelou sua identidade secreta com uma consistência em corridas que o deixou durante muito tempo como o mais bem colocado na disputa pelo título. Depois de um início de ano um tanto claudicante, Webber foi o grande nome da chamada “temporada européia”. Em Barcelona e em Mônaco, respondeu às tentativas de aproximação de Sebastian Vettel com um ritmo de corrida alucinante. Nas pistas de Silverstone e Hungaroring, capitalizou como nunca em cima dos erros do alemão. O australiano mostrou também sabedoria ao capitalizar na mídia a imagem de um Dom Quixote que luta errante contra o queridinho da Red Bull. Ganhou com isso a simpatia de muitos torcedores, mas o fato é que, com exceção de Silverstone, lutou sempre com as mesmas armas de Vettel.

SEBASTIAN VETTEL - 231 pontos
Banho de sal grosso, alfazema, linha de passe. Sebastian Vettel bem que poderia apelar para táticas pouco ortodoxas para se livrar da zica que o assombrou em 2010. O alemão cometeu seus erros, é verdade. Os acidentes com o companheiro Mark Webber na Turquia e com a McLaren de Jenson Button em Spa-Francorchamps lhe renderam o incômodo apelido de “Crash Kid”. Mas a verdade é que a maioria dos pontos desperdiçados pelo “garoto-enxaqueca” da Fórmula 1 foram por problemas que fogem a seu controle: uma vela que falhou no motor do Bahrein, um cubo da roda que não se prendeu na Austrália, um motor estourado quando liderava a prova da Coreia. Ainda assim, Vettel deixou sua marca: quase metade das pole-positions do ano foram suas, mais uma vez comprovando que é um dos melhores do grid em termos de velocidade pura. E suas vitórias foram conquistadas de maneira incontestável, o triunfo de um piloto que dominou as ações o tempo todo ao longo do final de semana.

LEWIS HAMILTON - 222 pontos
A McLaren trouxe uma das grandes inovações tecnológicas da temporada: um duto de ar que garantia uma melhor velocidade final de reta sem atrapalhar a estabilidade do carro nas curvas. Uma idéia brilhante e complexa, que exigia dos pilotos que tapassem um orifício no cockpit - com as pernas ou as mãos, dependendo da equipe - para que ela funcionasse. Ninguém soube aproveitar melhor a novidade do que Lewis Hamilton. Com um carro não tão eficiente em classificações, o piloto aproveitava para ir ganhando posições nas corridas aliando seu estilo naturalmente agressivo com a vantagem que o dispositivo lhe permitia. O resultado foi um show de ultrapassagens que se tornou uma das boas coisas da temporada. Pena para ele que suas chances no campeonato acabaram prejudicadas por algumas ocasiões onde a agressividade foi mal aplicada, resultando em abandonos por acidentes como em Monza e Cingapura. Ainda assim, tudo parece parte do processo de amadurecimento de um piloto que ainda perambula entre o genial e o genioso.

(Fotos Luis Fernando Ramos)