Mais compacto pela urgência de ir ao aeroporto e o desejo de estar em casa, mas não menos informativo, apaixonado e musical: aqui está o Credencial que fala da vitória de Sebastian Vettel, da boa fase da Red Bull, da liderança de Felipe Massa e de tudo mais que teve de relevante em Sepang. Como de praxe, com meus comentários gerais na parte 1 e as perguntas de vocês na parte 2. Aperte o play (ou baixe pelo link) e boa audição!
Sebastian Vettel chegou para a entrevista coletiva depois da cerimônia de pódio do GP da Malásia rindo à toa. Não apenas por uma vitória que exorcizou os fantasmas que o assombravam desde as duas primeiras corridas do ano, quando liderou boa parte da disputa mas foi prejudicado com problemas no carro. Mas também pelo doce sabor da champanhe que sorveu depois de ver a bandeira quadriculada na 110ª volta que completou na primeira posição nesta temporada.
- É um grande alívio. Me desculpe, estou um pouco tonto por causa da bebida, acho que tomei um pouco demais – sorriu, para deleite dos jornalistas à sua frente. Qualquer porre seria justificado. A Red Bull chegou à Malásia sob muitas críticas pelas falhas das provas iniciais. E calou a todos com uma dobradinha avassaladora na corrida do domingo. Mais do que se recuperar na tabela com um estalar de dados, o time deu um recado claro aos rivais: “quando não tivermos problemas, seremos imparáveis”.
O vencedor foi decidido na largada. Vettel tracionou melhor, aproveitou o vácuo e colocou por dentro na curva 1 para ganhar a posição de Mark Webber. Depois da prova, os dois falaram em “respeito mútuo” e “espírito incrível dentro da equipe”. Tudo muito bonito no discurso paz e amor, mas é algo que vai virar cinzas caso a dupla dispare na tabela.
E é essa perspectiva que explica a cautela realista do piloto que está no topo dela. Depois de uma boa corrida para minimizar o prejuízo sofrido no sábado, Felipe Massa sai da terceira prova do campeonato como líder da tabela. Mas sabe que, acima de tudo, perdeu uma boa chance de somar um número maior de pontos por ter largado tão atrás. E que a regularidade em chegar ao pódio, ou muito perto dele, vai determinar quem será o campeão da temporada.
Talvez por isso seu companheiro de equipe não lamentou tanto o que classificou como a “corrida mais difícil de sua vida”. Fernando Alonso teve um problema no câmbio e pilotou sem embreagem a corrida inteira. Foi o prenúncio de um problema no motor a duas voltas do fim, quando lutava pela oitava posição. Restou-lhe o consolo de não ter sido durante uma briga pela liderança.
Curioso notar que os percalços iniciais da Red Bull criaram um quadro de equilíbrio total no campeonato, com os sete primeiros colocados da tabela separados por apenas nove pontos. Mas é um quadro ilusório. No momento, e isto não vai mudar até a próxima corrida na China, o time inglês do hino austríaco está um nível acima do resto.
Na próxima edição do “Credencial”, vamos analisar esta dualidade entre equilíbrio nos pontos e desequilíbrio na pista. Mas o GP da Malásia, mesmo sem a chuva, foi movimentado e trouxe assuntos para todos os gostos. Como de praxe, deixe suas opiniões e perguntas para o programa nos comentários!
A esperada chuva veio, mas não no formato que muitos imaginavam. Pontualmente por volta das 16 horas, como ensaiado ao longo da semana, algumas gotas despencaram sobre o circuito de Sepang. A maioria das equipes já fizeram fila na saída dos boxes para se precaver, mas Mercedes, McLaren e Ferrari tropeçaram na arrogância e se deram mal – a dupla do time anglo-germânico, pelo menos, conseguiu se salvar. Tudo bem que elas tinham a informação que o tempo melhoraria, mas poderiam se precaver como fez a Red Bull.
Por outro lado, esse grid misturado é a garantia de uma corrida emocionante. Carros mais velozes largando atrás sempre proporcionam muitas ultrapassagens, com chuva ou sol. E o clima que se desenha para a prova de amanhã é muito parecido ao do treino de hoje: chuvas com diferentes intensidades, pontuadas por períodos de pausa.
Resta torcermos então para que não caia nenhum dilúvio que corte pela metade uma corrida que se anuncia grandiosa – mas com a largada antecipada em uma hora, é possível repetir o que houve hoje, uma pausa relativamente curta em bandeira vermelha para que as condições melhorem, criando uma corrida em duas fases.
Acima de tudo, o cenário sugere que o vencedor pode ser qualquer um dos 24 pilotos do grid. Sem exageros, se o clima for como hoje, ganha quem tomar o maior número de decisões corretas – ou mesmo o menor de escolhas erradas. A pole de Mark Webber, que usou os intermediários para navegar com tranqüilidade rumo ao melhor tempo no Q3. Foi 1s3 mais rápido que o segundo colocado. Deu para entender a diferença que faz uma opção certa?
Nesse cenário, coloque na enquete ao lado o seu palpite para o vencedor. E comente suas impressões sobre o treino de hoje.
Num dos treinos livres de hoje resolvi atravessarum escondido túnelsubterrâneoqueliga a área do paddock às arquibancadasprincipais do circuito de Sepang – aquelas cujaarquitetura dá a marca registrada do circuito. Pormaisquenós, telespectadores, tenhamos mil ressalvas ao trabalho do senhor Tilke na Fórmula 1, é precisodarvivas ao alemãoaqui. O espaçoreservado aos torcedoresquevão à pista é extremamentefuncional e dá a garantia de uma visãoexcepcionalparaváriospontos do circuito . algo no nível de Interlagos pré-hospitality centers. Não é à toaque é o ponto preferido para a ação dos fotógrafosprofissionais – e também o de muitosamadorescomoeu. Hoje me juntei a uma centena que se divertia com suas lentes por lá. Confira abaixoumpouco do resultado obtido. Clique na imagem para ampliar!
Treinos livrescomsol e calor nesta sexta-feiraem Sepang, a temperatura do asfalto chegando até a 47°C na sessãovespertina. Mesmoassim, algunspilotos reclamaram de dificuldadesparalevar o compostomaisduro de pneus à temperaturaideal. Depois de trêscorridas, começo a ter a impressãoque a Bridgestone superestimou os efeitos dos carroscom o tanque pesado e fez uma misturaque exige umatritoaltodemaispararender. Talvez seria o caso de se começar a pensarem mudanças neles.
No mais, a sexta-feira trouxe umclaroindício da força da McLaren, maseuainda apontaria a Red Bull comofavoritapara a pole-position. Dos brasileiros, Massa e Barrichello saíram do circuitoumpouco insatisfeitos, enquanto Lucas e Bruno ficaram felizescom a confiabilidade apresentada peloscarros, cadaum beirando 60 voltas.
Ah! E as 16h05 minutos, caiu uma chuvaleveem Sepang. Isso pode mudartudopara o treino classificatório. Vamos acompanhar!
As últimas entrevistas do diaainda estavam emandamentoquando o céu escureceu sobre o circuito de Sepang. Às 17h20, as nuvens começaram a despejarumvolumeabsurdo de água. Jenson Button olhou paracima, depoispara o repórter, e sentenciou: “Se choverassim na corrida, é bandeiravermelha. Não tem nem o quepensar”. Lewis Hamilton, ao lado, complementou. “E o céu fica muitoescuro. Não tem a menorcondição de correr”.
As monções malaias desta semana estão caindo sempre no final da tarde, entre quatro (horário previsto para a largada) e seis da tarde. Dependendo da hora e da intensidade, não dá para descartar da corrida ser realizada, mais uma vez, pela metade, mostrando que um raio pode sim cair duas vezes num mesmo lugar. Vai depender da boa vontade de São Pedro.
Não foi fácileleger o ganhador da primeiraedição do “Fazendo o Cartaz”. Foram vários os participantes, que executaram idéiasmuito boas. Parameajudar, até recorri a meuamigoRicaRamos, ilustrador da “Istoé” e autor dos banners que adornam este blog. Depois de deliberarporumtempo, a escolha recaiu no trabalho do Celso Akiyoshi. Aos outros participantes, não desanimem: todos entenderam bem o espírito de dar uma identidadelocal ao cartaz e muitos ficaram pertinho da vitória. Na semanaque vem, a gente inicia mais uma nova rodada, com uma novachancepara os quejá participaram e os queaindanão se aventuraram. Aguardem!
Eu vi esta cena no grid de largada na reta principal do circuito de Sepang. Faltavam cerca de vinte minutos para a largada do Grande Prêmio da Malásia e o ritmo era frenético em todos os cantos. Uma formação intensa de nuvens carregadas se aproximava da pista e os meteorologistas das equipes tentavam decifrar quando a água cairia. Alguns pilotos, como Rubens Barrichello, cuidavam pessoalmente de trocar a viseira do capacete para uma que se adaptasse melhor ao cenário apocalíptico predito pelo céu malaio. Enquanto isso, Felipe Massa se reunia numa conversa séria com seu engenheiro de corrida Rob Smedley, na qual a estratégia inicial de corrida foi repassada, incluindo o planejamento de ajustes de emergência dependendo dos caprichos da natureza.
No olho do furacão caminhava um homem com a expressão calma e pensativa. Adrian Newey, projetista da equipe Red Bull e tido como um dos gênios da engenharia da Fórmula 1, parou em frente do BGP001 de Rubens Barrichello, o oitavo colocado do grid. Ficou ali cerca de um minuto e meio, medindo com os olhos todos os detalhes da suspensão dianteira do carro que está imprimindo um domínio impressionante neste início do Mundial de 2009. Um mestre admirando a obra-prima de um colega.
O fato de Newey se ater ao estudo da suspensão dianteira é um testemunho contundente de que a vantagem do carro não se restringe ao polêmico difusor de nível duplo. Corroborando isso está a comparação da performance do BGP001 com os modelos de Toyota e Williams, equipados com uma peça de similar filosofia. Na Malásia durante o Q2, o trecho intermediário do treino de classificação, Button ficou dois décimos de segundo à frente de Jarno Trulli, uma distância relativamente pequena.
Era para ser um sinal positivo de competitividade. Mas os rivais apontam que eles estão escondendo o jogo. “Eles vão um carro um pouco pesado já para o Q2. Assim, as outras equipes não conseguem calcular o combustível que precisam no Q3 para se classificar na frente dos carros da Brawn GP”, foi o que disse o diretor-técnico da BMW Sauber, Willy Rampf. Para ficar claro: Button foi o mais veloz na segunda parte do treino de classificação mesmo com uma quantidade de combustível relevante dentro do tanque.
Se o alemão estiver certo, as palavras de Felipe Massa no domingo depois da corrida ganham um peso ainda maior. “Se tudo continuar como está, o campeonato acabou, o título já é da Brawn”, profetizou, antecipando o julgamento da próxima terça-feira quanto aos difusores. E se a disputa pelo título ficar mesmo restrita entre a dupla do novo time, Rubens Barrichello vai ter que trabalhar duro para quebrar um antigo tabu. Apenas em quatro ocasiões um piloto que tenha vencido as duas primeiras corridas do ano não terminou campeão: 1973 (Emerson Fittipaldi perdeu o título para Jackie Stewart), 1976 (Niki Lauda perdeu para James Hunt), 1979 (Jacques Lafitte perdeu para Jody Scheckter) e 1982 (Alain Prost perdeu para Keke Rosberg).
Vale lembrar também que a próxima corrida é o GP da China em Xangai. Uma pista que, acima de tudo, premia um carro bem equilibrado. Pelo jeito, o conto-de-fadas da Brawn parece que terá uma duração ainda maior do que se imaginava.
O trânsito pode ser confuso e caóticocomo o paulistano, mas a capitalmalaia é sempreumdestino ansiado emqualquertemporada. Porque tem suasatrações: as torres da Petronas, a antena Kuala Lumpur, o metrômontadoemmonotrilhos, boas lojas e shoppings paracompras. Tudoacompanhado, claro, de umcalorsufocante e de tempestades rápidas e intensas. É umcenário de muitocharme, queeugostomais a cadaanoquepassa.
Skyline: a antena Kuala Lumpur à esquerda, a torres da Petronas ao centro.
De perto.
À meia-distância.
De longe.
Ônibusescolar, que contrasta comar de moderna da capitalmalaia.
Depois da calmaria de Melbourne, umcenário de trânsitomaisfamiliar.
Surpresa: uma florestatropical no meio da cidade, comdireito a uma trilha suspensa.
O nosso programa de hoje ficou (um pouco) mais curto em relação ao primeiro, e eu confesso que foi por puro cansaço. Essas coberturas de “dobradinha” são as mais puxadas e, ao final da segunda prova, tudo o que você quer ao final da jornada é voltar logo para casa. E por conta da correria da viagem, não deu para incorporar as muitas sugestões que vocês deram ao final do primeiro programa, mas pretendo trazer um formato um pouco diferente já na próxima. E como ainda temos tempo, o espaço nos comentários está aberto para suas opiniões, críticas e principalmente sugestões para deixar o “credencial” um programa com ainda mais informações, e também mais dinâmico e leve. Juntos, vamos chegar lá!
A chuva deu umbaile nas equipes da Fórmula 1 e deixou o GP da Malásiaeletrizante, antesqueumdilúvio decretasse o final da prova. A demora da FIAemtomar uma decisãoqueeraóbvia e única mostrou o estágio de totalturbulênciaque a categoria entrou. Foi tosco, pequeno e desrespeitosocomtodos.
Agora é hora de comentartodos os detalhes da corrida: uma largada sensacional, uma Williams liderando, disputasemtodos os setores, erros de estratégia, dilúvio, o picolé do Kimi, os pontospelametade. E podem colocartambém as suasdúvidas. Assim que o trabalho encerrar, teremos mais uma edição do “Credencial”. Não percam!
Sim, choveu muito forte por volta das 13h15 locais. No momento, há três horas da largada da F-1 e com os carros da GP2 na pista, o asfalto está completamente molhado. Mas parou de cair água e a temperatura é de 25°C. O céu permanece com muitas nuvens, mas perdeu a cara de chuva. Se isso se confirmar, a largada às 17 horas deverá acontecer com um asfalto quase seco, mas com alguns pontos de umidade. “Tricky”, como diriam os ingleses.
Diante disso, ainda dá tempo de apontar nos comentários quem você acha que ganhará o GP da Malásia. A dupla da Brawn teve um empate técnico na nossa enquete, mas você pode mudar de opinião se quiser. Eu mantenho a minha. Dá Vettel.
Muitobem, a poeirafinalmente baixou, vamos a algumas impressões rápidas do queeu pude acompanhar de pertohoje no circuito.
- O treino trouxe uma impressão de umgrande (e bem-vindo) equilíbrio na F-1, principalmente no Q2, com Trulli ficando a doisdécimos de Button. Mas uma ressalva é importante: o BGP001 sobressai emcurvas de baixavelocidadepelaexcepcional aderência mecânicaque tem. E estetipo de curva, aquiem Sepang, é exceção. Mesmo assim, foi o carro mais rápido da classificação. Ou seja, a equipe ainda está bem à frente do resto.
- Da turma do difusorsimples, a Red Bull está sobrando. Eu acho que é porconta do gênio de Adrian Newey, mas Felipe Massa apontou paranósque Ferrari e McLaren estão pagando pelabriga do título de 2008. “Eles começaram a trabalharcom o projetomuitoantesporque congelaram logo o desenvolvimento do carro do anopassado. Só no trabalho no túnel de vento, dá para se ganhar uns quatrodécimos. E nós, como a McLaren, aindanão tivemos tempoparaisso”. É uma opiniãomuitorelevante.
- O torcedor pró- ou anti-Barrichello precisaterpaciência. Sim, Jenson Button está fazendo umótimotrabalho e o brasileiro admitiu queaindanão está 100% à vontadecom o carromais pesado. Mas Barrichello está literalmente “pilhado” para essa disputainterna. E confiantequesuaperformance vai crescerlogo. Não é o começoidealmas, com a vantagemque o BGP001 está demonstrando emrelação ao resto, Rubens sabe que tem uma “gordurinha paraqueimar” nesse início de ano. Comproblemascomo a puniçãopelatroca de câmbio, ele planeja seguir marcando Buttonnospontos, paratentar superá-lo no decorrer do campeonato. Conseguindo ounão, vai ser uma brigamuito boa de se assistir. Aguardem...
- Como coloquei no post logoapós dos treinos, o erro da Ferrari foi ridículo. Mas gostei da postura de Felipe Massaemadmitirtranqüilamenteque a equipe – eleincluso – se baseou na facilidadecomque passava do Q1 nosúltimosanos, se enganando redondamente. O piloto estava obviamente decepcionado, masmuitosereno na entrevista, o que é umbomsinal. Acho que será bemdifícilumbomresultado aqui, mas o timedefinitivamente acordou para a novarealidade da Fórmula 1. Fica como o ladopositivo do tombo.
- Sobre Nelsinho Piquet, a ansiedadeemmostrarserviço o atrapalhou de novo. Ele estava realmentemuito chateado consigomesmoquando o entrevistei no final do dia. Precisatercabeçaparatrabalharcomtranqüilidade, porque foi justamente essa ânsiaque o atrapalhou no anopassado. E tudo o queelenãoprecisa é repetiraqueleroteiro.
- Às 18h40 de hoje caiu o mundoaquiem Sepang. Uma chuva daquelas capazes de interromperumjogo de futebol. Imagine então se tratando de uma corrida de Fórmula 1. Não haverá a menorcondição dos carros se manterem na pista. Isso pode ser uma ameaçapara a prova. Vamos torcerpara a naturezacolaborar. Jábasta o serhumanoparatrazercaos e confusãoparaestecampeonato.
Na pauta desse blog, discussõessobre a Fórmula 1 emtodos os seusaspectos: histórias do passado, análises do presente, bastidores da cobertura e curiosidades. E muitamúsicaparatemperar essa mistura de razão com a paixãoque o automobilismo desperta.
Repórter de Fórmula 1 do Grupo Bandeirantes de Rádio, do diário Lance e da revista Racing. Apreciador de boa música, viagens e velocidade. Guitarrista amador, corredor de rua e piloto virtual.