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terça-feira, 12 de outubro de 2010

CREDENCIAL - GP DO JAPÃO

Uma edição enxuta, afinal cada segundo no Japão vale ouro e a conexão para subir o arquivo nem sempre é a ideal. Mas trazendo como sempre uma visão equilibrada de quem viveu de perto este intenso final de semana de Fórmula 1 em Suzuka. A força da liderança de Webber, o bom momento de Vettel, a tática de Alonso, a chance das McLaren, tudo está discutido no programa. Apertem o play (ou baixem pelo link), escutem, divulguem, comentem!

PARTE 1



PARTE 2




(Foto Luis Fernando Ramos)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

POSTAIS DE SUZUKA

Já virou um ritual anual ir passear no meio dos torcedores durante o GP do Japão. É uma turma das mais fanáticas, cuja paixão pela categoria só pode ser comparada a que é vista em Silverstone, Monza e Interlagos. Os traços locais estão presentes na maneira organizada com que fazem filas nos estandes de comida e de artigos para compra, na inacreditável limpeza do lugar e nos tipos divertidíssimos que surgem, muitas vezes apelando para fantasias que esbanjam criatividade.

Fica de memória esta pequena galeria de imagens que eu colhi. O dia hoje foi corrido, mas a edição do “Credencial” vai ao ar amanhã. Se quiser participar, o faça no post abaixo. Até lá!

domingo, 10 de outubro de 2010

O SORRISO VOLTOU

A Fórmula 1 teve que fazer uma dupla jornada neste domingo no Japão, com um treino classificatório pela manhã e a corrida na parte da tarde. Foram duas oportunidades de ver o largo sorriso de menino no rosto do alemão Sebastian Vettel. O de largar na frente tem sido uma constante neste ano, mas o pela vitória não aparecia desde o GP da Europa, no longínquo mês de junho.

- Melhorei um pouco as estatísticas de que minhas corridas largando da pole não são muito boas - brincou. - Estou muito feliz. Já era hora, estive esperando por muito tempo. Foi um ótimo domingo, com uma pole e uma vitória no mesmo dia.

O ponto crucial do triunfo de Vettel foi mesmo a classificação. Saindo do lado limpo da pista, ele não teve problemas em manter a liderança depois de uma largada cheia de confusões e que eliminou quatro competidores, um deles o brasileiro Felipe Massa. Depois, bastou controlar qualquer aproximação do seu companheiro de equipe Mark Webber, uma tarefa que ficou facilitada pela maneira com que o australiano correu, pensando exclusivamente no campeonato.

- Foi um resultado bom para o Mundial de Pilotos. Sebastian mereceu a vitória, fez um ótimo trabalho. Mas quero reverter isso no futuro e voltar a vencer. Tenho total confiança de que posso fazer isso - falou Webber, que foi superado por Vettel nas últimas três corridas.

Fernando Alonso conquistou o melhor resultado possível com o carro da Ferrari e garantiu um pódio que o manteve bem vivo na disputa pelo título. Mas demonstrou uma certa resignação:

- Em todos os circuitos que restam, a Red Bull é favorita. Como nos outros do ano. Mas só ganharam sete corridas das 16. Hoje deu tudo certo para eles, mas isso não é comum. Uma hora eles errarão ou terão um problema mecânico. Em condições normais, eles venceriam todas. Mas as condições normais não se dão normalmente - filosofou.

Já a dupla da McLaren viu o título ficar mais distante. Lewis Hamilton trabalhou feito um louco para revertar a punição de cinco posições no grid. Vinha bem para lutar por um lugar no pódio quando perdeu a terceira marcha - e, com ela, a quarta posição para Jenson Button.

- Minha situação no campeonato não é muito promissora, mas vou continuar lutando - prometeu o campeão de 2008.

Se a briga pelo título pega fogo, os brasileiros tiveram um dia para se esquecer. Apenas Rubens Barrichello ainda salvou uns pontos, mas a Williams não confirmou na prova o potencial exibido na classificação. O resto saiu de Suzuka apenas com o desejo que o GP da Coréia chegue logo.

O dia foi corrido demais. Mas, como sempre, pretendo ampliar a discussão sobre todos os elementos deste GP do Japão no "Credencial". Participe com suas opiniões e perguntas. O espaço nos comentários é de vocês. Até mais!

(Foto Red Bull)

sábado, 9 de outubro de 2010

VERGONHA

Teremos de esperar mais algumas horas para saber o grid de largada do Grande Prêmio do Japão. Mas o que aconteceu neste sábado em Suzuka foi uma absurda farsa. O dia amanheceu com uma garoa fina, que virou uma chuva forte pouco antes do treino livre. O esforço dos pilotos que se aventuraram a enfrentar o dilúvio deixou claro que não haveria a menor condição de uma disputa esportiva. Pelas características de Suzuka e pela forte água que caia, isso era evidente.


“É óbvio que não há a menor condição dos carros irem para a pista. Eu pessoalmente nunca pilotei em Suzuka num dia como esse”, adiantou João Paulo de Oliveira, piloto estabelecido há sete anos no competitivo e excelente automobilismo local.

Mas era preciso atender a sanha dos contratos televisivos. Ao invés de simplesmente se olhar para os mapas meteorológicos que apontavam uma chuva cada vez mais intensa ao longo da tarde japonesa na região do circuito, a opção se concentrou em iniciar a transmissão e adiar a ação em doses homeopáticas até a óbvia decisão definitiva, enquanto a dupla Bernd Mayländer e Alexander Wurz partia para voltas de averiguação sem sentido (mas potencialmente muito divertidas) em meio aos rios de enxurrada que cruzavam o traçado criado há anos por um inspirado John Hugenholtz (Tilke, este é o nome a se espelhar).

A verdade é que hoje o telespectador foi feito de bobo por conta de um par de rentáveis contratos comerciais. O melhor é virar a página e pensar na intensa ação que o domingo nos reserva, com classificação e corrida separadas por um par de horas. Este sábado, a gente esquece. Ainda bem que foi em Suzuka.

(Foto Red Bull)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

TONDEIRU OUSHI

Assombrosa a vantagem da Red Bull nas duas sessões de treinos livres desta sexta-feira. Sebastian Vettel colocou mais de sete décimos de segundo de vantagem para o perseguidor mais próximo de uma outra equipe, um eficiente mas leve Robert Kubica. É uma eternidade para os padrões da Fórmula 1. “A Red Bull parece imbatível aqui”, admite o vice-líder do Mundial Fernando Alonso, antes de buscar palavras de esperança.

E esta reside na possibilidade de chuva na classificação amanhã e, segundo a previsão da Williams de Rubens Barrichello, também para o início da corrida no domingo. Agora, noite de sexta-feira, a chuva já deu as caras em Suzuka.


No fundo, o asfalto molhado traz aos outros pilotos do grid um desejo do imponderável. Vale lembrar que, em Suzuka, os pneus sofrem um desgaste muito grande. “Mesmo os mais duros”, pondera Felipe Massa. Quem não tiver um carro equilibrado sofrerá um bocado. E, ouvindo o povo aqui no paddock, só a dupla da Red Bull está inteiramente satisfeita com o acerto.

No seco, vai ser um passeio azul, salvo um desastre completo na classificação. No duelo interno, Vettel se mostra bem mais à vontade que Mark Webber. O alemão ganhou no ano passado em Suzuka e tem um caso de amor com a pista. “A combinação de curvas é incrível e há um sobe-e-desce incessante. Às vezes eu me pergunto porque todas as outras não podem ser assim”, falou. Na montanha-russa nipônica, tudo aponta para que o “tondeiru oushi”, o touro voador, seja ele.

(Foto Luis Fernando Ramos)

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

WEBBER: LIDER SEM LIDERANÇA?

A coluna de hoje do Lance! fala sobre o trabalho de Mark Webber e a relutância da equipe em aceitar sua liderança. Confira e comente:

Mark Webber é o homem do momento na Fórmula 1. Em Cingapura, teve méritos de converter em um pódio um final de semana em que esteve apagado a maior parte do tempo. Mas também contou com a ajuda dos deuses da noite para conseguir levar seu carro até o final com o pneu dianteiro direito completamente deformado depois do toque com Lewis Hamilton. Faltou muito pouco para a borracha estourar. Pode ser a famosa “sorte dos campeões”.

O resultado o manteve na liderança do mundial, mas sua principal preocupação no momento é com outro tipo de liderança: a interna dentro da equipe Red Bull. A maneira com que foi a público desafiar o status de segundo piloto após vencer o GP da Inglaterra foi mais do que jogar a opinião pública contra o comando do time. Foi bater no peito e dizer: “deixem comigo, rapazes, eu resolvo essa parada”. Isto fica claro também na sua fala em uma entrevista recente ao semanário suíço “Speedweek”.


- Quando se tem um carro fabuloso como eu tenho agora - e como nunca tive antes -, é preciso mostrar resultados. E quando se faz isso, você fica mais forte mentalmente e fortalece sua posição dentro da equipe - afirmou.


O discurso é bonito, mas a verdade é que o australiano não fez por justificar a confiança total da equipe. Nos treinos classificatórios, Webber toma tempo do companheiro de equipe Sebastian Vettel na maioria das vezes. E apresenta uma discrepância de desempenhos que pode ser fatal nesta reta final, alternando exibições impecáveis (como nos GPs da Inglaterra ou da Hungria) com corridas apagadas (como na Alemanha e na Itália).


O mesmo não se pode dizer do vice-líder do Mundial. Fernando Alonso também bateu no peito e exigiu o apoio total da equipe com seu chororô em Hockenheim, o que gerou um episódio lamentável para o esporte, mas muito bom para ele. A partir dali, justificou completamente a decisão do time, iniciando uma arrancada que o colocou numa ótima posição para brigar pelo título. Assim se faz um líder de verdade.


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O circuito de Suzuka tem um histórico de dramas em decisões de títulos mundiais, mas restando ainda três corridas depois deste GP do Japão, a prova deste ano terá um peso menor. Mesmo assim, é a pista mais desafiadora da temporada, uma que coloca os pilotos à prova. E, desde sua reforma mais recente, é um dos autódromos mais modernos do calendário. Um palco perfeito para um país fanático por F-1.

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Boa parte desse fanatismo deve aflorar no domingo antes da corrida, quando Bruno Senna fizer umas voltas de exibição com a Lotus que deu a primeira vitória a seu tio Ayrton, e que pertence a um colecionador japonês. Uma festa para os torcedores que tem verdadeira devoção pelo tricampeão brasileiro. E para Bruno, que vai viver um grande momento num ano cheio de complicações.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

DA JANELA DO TREM

Foi um dia bem longo. Chegar em Suzuka não é mole se você vem de Narita e é chegado numa aventura como eu. Depois de doze horas de voo desde a Europa, o fuso faz com que você ande grogue o tempo todo. O resultado disso foi que esqueci um protetor do laptop no trem que liga o aeroporto a Tóquio. E também o livro que eu estava lendo no trem entre Tóquio e Nagoya. Pelo menos deu para sacar a câmera e fazer umas imagens da paisagem e das estações pelas quais eu passei. Com vocês, o Japão visto da janela de um trem.

sábado, 28 de agosto de 2010

AS PREFERIDAS DO TIO BERGER

É impossível não citar a Eau Rouge quando se fala de Spa-Francorchamps. Mesmo diante do fato da temível curva não apresentar os mesmo desafios do passado, como eu coloquei neste post feita na última edição do GP da Bélgica. Por isso mesmo, acho que vale a pena reproduzir aqui esse depoimento que Gerhard Berger deu ao jornalista austríaco Heinz Prüller sobre as dez curvas mais desafiadoras de sua época. Como reza o dito popular, de uma época onde ainda se amarrava cachorro com lingüiça. Confira:

1 – Eau Rouge (Spa-Francorchamps)
A rainha de todas as curvas. Agora tiraram um pouco de sua pimenta, mas ainda é o grande mito, o Everest da Fórmula 1. Porque o piloto precisa de tudo: coragem e sabedoria. Você precisa se decidir ainda na inclinada descida: ‘farei ela de pé embaixo ou não?’ O cérebro diz não, mas o coração fala sim. Depois da quebra esquerda-direita na base, tem uma subida inclinada. É como se jogar contra uma parede. Você se sente um piloto de caça. Com certeza, a curva mais desafiadora da F-1!

2 – Jochen-Rindt-Kurve (Zeltweg)
Não é por motivos sentimentais – mas uma chicane seria um insulto para Jochen. Uma ondulação na entrada, a inclinação da curva te joga para fora e você está a mais de 200 km/h na saída dela

3 – Bosch-Gösser-Kurve (Zeltweg)
Mais uma curva típica de Österreichring. Você jogar o carro tranqüilamente na entrada da curva e ainda assim ganha velocidade

4 – R-130 (Suzuka)
Eu a coloco acima de outras curvas de Suzuka como a ‘Degner’ ou a ‘Spoon’. Difícil de prever a saída, tem ondulações, o carro fica nervoso... e é rápida, chegamos a uns 260 km/h. Às vezes, a pista acaba na saída...

5 – Parabólica (Estoril)
É como se não terminasse nunca, cheia de ondulações e bem difícil a mais de 250 km/h. (Jacques) Villeneuve apostou uma vez com seus mecânicos que conseguia fazer ela por fora com o pé embaixo. Eles o desaconselharam, mas ele ganhou a aposta...

6 – Copse (Silverstone)
É a primeira curva depois da largada. E tem de ser feita às cegas, porque você não tem como ver a entrada e nem o apex, fica quase pendurado para fora do carro e é brutalmente rápida – quase de pé embaixo a 270 km/h

7 – Lesmos (Monza)
A primeira perna a 220 km/h, a segunda a 240 km/h. Extremamente complicada, porque você anda praticamente sem asa em Monza por causa das retas – e precisa desesperadamente de pressão aerodinâmica para fazer as Lesmos

8 – Casino (Mônaco)
Quem quiser saber de verdade o que é a Fórmula 1 só precisa ficar olhando os carros na saída dela, na parte de fora – mas atrás de uma proteção bem grande! A Massenet é feita à esquerda a 260 km/h, em cima do morro tem estômago sai prá fora, mesmo assim você tem de diminuir a marcha, virar numa fração de segundo mesmo com a ondulação te atrapalhando e descer com a maior velocidade possível para a Mirabeau

9 – Tamburello (Ímola)
Feita de pé embaixo no seco, um pouco mais difícil no molhado. Foi a curva em que morreu Ayrton Senna. Eu também tive uma batida forte por lá. Dissem que uma batida na Tamburello te deixa um segundo mais lento. Então eu deveria ser um piloto absurdamente rápido...

10 – Blanchimont (Spa-Francorchamps)
Curva cega, feita de pé embaixo a mais de 300 km/h – e você passa a centímetros do guard-rail. Na parte interna tem uma zebra muito alta, que exige muito cuidado. Quase tão difícil quanto, as duas últimas curvas de uma volta em Barcelona, feitas a mais de 250 km/h

quinta-feira, 29 de abril de 2010

CORRIDAS NO EXTERIOR

A reabertura de Silverstone hoje me deixou pensando numa pergunta que volta e meia me fazem: qual é a melhor corrida para se assistir fora do Brasil? Muitos fãs da Fórmula 1 gostam de combinar eventuais férias no Exterior com a data de alguma corrida, o que é uma boa pedida – cada GP tem uma cara própria, definida pelo charme do lugar, pelas facilidades e, principalmente, pela torcida.

Em cima disso, fiz uma lista das cinco corridas que acho as melhores para o torcedor. É uma lista diferente da do jornalista. Spa-Francorchamps, por exemplo, é minha prova européia favorita pela beleza da região e a tranqüilidade de cidades como Malmedy, mas costuma ser um final de semana um tanto morto em termos de público. Confira abaixo os eventos que, se eu fosse você, me programaria para um dia visitar:

1º LUGAR – SILVERSTONE
Coloque a capa de chuva na mala e prepare-se. Você vai ficar impregnado de tradição e do cheiro de fritura. O GP da Inglaterra em Silverstone é uma festa sem fim para os fãs de Fórmula 1. Em primeiro lugar, pelo contato uma torcida completamente apaixonada pela categoria (só perde para a brasileira), sempre pronta para uma boa conversa sobre este piloto ou aquela equipe. Mas há também carros históricos expostos para se chegar perto, observar e tirar muitas fotos; uma programação extensa nas rádios locais e nos altos falantes do autódromo cobrindo tudo o que acontece no final de semana; e um circuito que exala o passado de quem sediou a primeira corrida de F-1 da história. Geograficamente, não é dos melhores lugares já que as opções de hospedagem se restringem à cidades pequenas e sem muito apelo como Towcester, Milton Keynes ou Brackley. Mas os fãs mais hardcore podem sempre optar por acampar nas cercanias do circuito, se entupir de fish and chips e lidar com as intempéries de quatro estações num dia só, algo tão comum por lá. É como se fosse a “Woodstock” do calendário, quando lama e multidão se traduzem em diversão.

2º LUGAR – MONTREAL
É a melhor opção para a turma mais urbana. Até porque nenhuma cidade abraça tanto a Fórmula 1 como Montreal. O circuito Gilles Villeneuve é facilmente acessível por metrô e, como as imagens da tevê demonstram, tem o grande charme de ocupar uma ilha na confluência dos rios Ottawa e Saint Laurence. Mas a diversão continua mesmo ao deixar a pista. No centro da cidade (Rue Saint Jacques), as ruas são decoradas com motivos que lembram a corrida. O público corresponde, lotando bares e calçadas, promovendo encontro de proprietários de carros-esporte e fazendo paradas com muita música. Bons restaurantes, o charme da arquitetura da Montreal histórica e o complexo olímpico completam as opções de passeio. Sem falar que as corridas lá costumam ser sempre agitadas.

3º LUGAR – MONZA
No meio de uma região cheia de indústrias nas cercanías de Milão, Monza não é dos lugares mais bonitos que a Fórmula 1 visita. Mas o enorme parque com um autódromo no meio ganha um charme exclusivo no final da primavera européia. Os tifosi são barulhentos, inúmeros e divertidos. E, entre uma sessão e outra de treinos, sempre há tempo para ir ver de perto a histórica “Sopraelevatta”, a curva (muito) inclinada no traçado oval de Monza que não é usado há anos, mas cujo destruição planejada pelos políticos nunca se realizou devido ao apelo popular. Não deixe de visitar também a “Libreria dell’Autodromo”,
possivelmente a melhor loja de livros de automobilismo que existe.

4º LUGAR - SUZUKA
É uma corrida que valeria a pena pelo simples fato de ser no Japão, um país com tantas peculiaridades interessantes e cuja visita eu recomendo para qualquer pessoa de outra cultura. A prova em Suzuka transporta isso para o universo da Fórmula 1. O torcedor japonês também tem uma idolatria sem limites pelo esporte, mas faz isso da maneira tipicamente oriental deles, uma multidão paciente, educada, que faz tudo funcionar muito bem. Sugiro fazer como eles: chegue cedo, leve seus comes e bebes e, depois, vá jantar no hotel que fica dentro da área do circuito. Com sorte, você vai encontrar algum piloto
passando por lá.

5º LUGAR – MELBOURNE
Adentre um dos portões do Albert Park e o lugar está a seus pés. Nenhum circuito permite uma mobilidade tão grande aos torcedores como este, e é algo que deve ser aproveitado. Uma visita ao paddock onde ficam os carros históricos e os (também históricos) da Fórmula 5000 é programa obrigatório. Há também boas opções para ver a ação na pista, graças a alguns morros naturais que ficam em torno dela. O clima é de festa e o público é cheio de figuras, como esta dupla de cangurus da foto acima. A cidade não fica tão agitada quanto Montreal, mas mesmo assim tem seus atrativos. Uma visita noturna ao complexo do Crown Casino e ao calçadão cheio de bares e restaurantes na frente dele é sempre uma boa opção.

(Fotos Luis Fernando Ramos)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

ESPECIAL 2009 – OS DEZ MELHORES

Nada como um especial para celebrar um final de temporada, não é? Preparei um em três partes, começando com os dez melhores da temporada na minha opinião. Discorda de algum ponto? Faltou alguma coisa imprescindível? Dê a sua opinião! E amanhã tem mais especial, aguarde!

10° lugar – Kamui Kobayashi

Em duas corridas, o japonês da Toyota trouxe uma (enorme) lufada de ar fresco para a Fórmula 1, mostrando agressividade, executando ultrapassagens e deixando marcas no conceito de muitos novatos (e veteranos, e mesmo do campeão do mundo).


9° lugar – Pole de Button em Mônaco

Seu desempenho nos treinos livres tinha sido bom, mas não excepcional. No Q2, Button ficara apenas em oitavo lugar e, no Q3, estava estacionado em posições intermediárias quando foi para sua última volta rápida. Um giro determinado, no limite e perfeito, que lhe garantiu uma pole position da qual jamais pareceu candidato.


8° lugar – Lewis Hamilton

Depois do chamado “escândalo da mentira” e de uma atuação triste na sua casa em Silverstone, o ano de Lewis Hamilton parecia fadado ao fracasso. Mas a McLaren soube lhe desenvolver um carro competitivo e o inglês retribuiu com duas vitórias e mais um par de grandes atuações. Acima de tudo, mostrou que o mais menino dos campeões mundiais está mais maduro do que nunca.


7° lugar – Circuito de Suzuka

O pessoal do Mobility Land gastou um bom dinheiro na reforma de Suzuka e mostrou que mesmo uma pista tradicional pode atender aos padrões da Fórmula 1 moderna, com um paddock e boxes amplos e instalações confortáveis. E o traçado de John Hugenholtz provou mais uma vez ser um dos mais desafiadores do mundo. A nova geração da categoria que o diga.


6° lugar – Mark Webber

“Webbo” passou o ano de cama e a pré-temporada submetido a uma intensa fisioterapia, incluindo sofridas sessões em câmaras criogênicas (sim, aqueles ambientes gelados usados em bancos de esperma, por exemplo). O esforço foi recompensado com duas vitórias e um ritmo mais próximo de Sebastian Vettel do que muita gente imaginava, configurando sua melhor temporada na Fórmula 1.


5° lugar – GP do Brasil

Interlagos estabeleceu-se como palco de decisões, mas o Grande Prêmio do Brasil foi além disso. Seu traçado garantiu ótimas disputas, a dose habitual de confusão (o drama do sábado, Trulli e Sutil, Kobayashi e Nakajima) e a tradicional e inigualável paixão da torcida pela categoria, que faz do evento o favorito da maioria de seus personagens (pilotos, membros das equipes, jornalistas, etc).


4° lugar – Adrian Newey

Em sua quarta temporada na equipe Red Bull, o “engênieiro” inglês justificou cada centavo de seu amplo salário projetando o melhor carro da temporada. A mudança radical nas regras permitiu que ele exercesse sua criatividade; a confusão com a regra dos difusores impediu que sua criação dominasse o ano todo. Mesmo assim, Newey correu atrás do prejuízo e realizou com maestria as adaptações necessárias ao difusor duplo. As três vitórias no final do ano ficam como prova.


3° lugar – Giancarlo Fisichella em Spa

O mundo parecia girar ao contrário naquele final de semana de setembro. Giancarlo Fisichella colocou o carro na nanica Force Índia na pole position e só não venceu a prova porque havia um inspiradíssimo Kimi Raikkonen em uma Ferrari com KERS para resistir à sua diabólica pressão durante umas 40 voltas. Com o melhor carro daquele final de semana, o italiano exibiu a melhor faceta do esporte, antes de fazer um dos “worst career moves” da história.


2° lugar – Sebastian Vettel

Está certo, ele cometeu a sua dose de erros, como a desnecessária e desastrada defesa de posição contra Kubica na Austrália, a batida oriunda de pura frustração em Mônaco ou o erro na primeira volta na Turquia. Mas como tudo na trajetória de Vettel é natural, ele aprendeu rapidinho e fez uma tremenda segunda metade da temporada. E deixou a impressão que, apesar das falhas, o título se perdeu mesmo nos problemas de motor que teve. E vê-lo como futuro campeão do mundo já deixou de ser impressão. Virou certeza faz tempo.


1° lugar – Brawn GP

Um inverno de absoluta incerteza – a única certeza que tinham é que o carro projetado era excepcional – criou uma unidade poucas vezes vista em uma equipe de Fórmula 1. E foi esta união o principal segredo do sucesso da Brawn GP em 2009. Se Jenson Button deu o tom e praticamente garantiu o título na primeira metade do ano, Rubens Barrichello mostrou o caminho para a equipe manter a trajetória diante do crescimento dos adversários. E para a turma que sofreu como poucas nas duas temporadas de fracasso que culminaram com a saída da Honda, a dupla conquista de 2009 foi ainda mais saborosa. Numa temporada em que a “insurreição das pequenas” foi o principal fato, o sucesso da trupe mais fraterna e cúmplice, por tudo o que passaram, foi merecidíssima.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

OS MOTORES QUE MIAM

Enquanto os motores não roncam em Interlagos, eu queria trazer uma curiosidade tipicamente nipônica para vocês. Na sala de imprensa de Suzuka, eu não conseguia deixar de ficar espantado com o “miar” dos motores de Fórmula 1. Claro que não havia nada de errado com eles: ao ar livre, o ronco era o mesmo do que em qualquer outro circuito. Mas a acústica da sala, com uma nova arquibancada em frente e com os vidros do prédio em que ficávamos, fazia com que os motores soassem com uma compressão curiosa ao rasgarem a reta. Confira abaixo o registro sonoro:


LINK

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

HAMILTON FALA

O mais jovem campeão do mundo viveu um ano de amadurecimento, tendo de superar um episódio polêmico e um carro pouco competitivo. Numa entrevista comigo e três colegas europeus em Suzuka, deu sinais de que as lições foram assimiladas e demonstrou uma autoconfiança fora da pista que eu só tinha me acostumado a ver dentro dela. Hamilton falou também sobre as lembranças do final dramático do Mundial do ano passado. Confira o melhor da entrevista em duas partes, aqui e aqui.

CREDENCIAL – GP DO JAPÃO

E aqui está o “Credencial” da antepenúltima etapa do Mundial 2009, falando sobre o caos da classificação, a vitória de Vettel, a situação na briga pelo título e o mercado de pilotos (tudo isso na Parte 1), além de responder às opinões e dúvidas de vocês na parte 2. Encomendem o Sushi e apertem o play (ou baixem os arquivos no link), boa audição!

PARTE 1:

LINK

PARTE 2:

LINK

domingo, 4 de outubro de 2009

DECISÕES ADIADAS

É até engraçado, mas o GP do Japão deixou ainda em aberto tanto a briga pelo Mundial de Pilotos – e com três participantes – como a do título das equipes. Mas a vantagem de Jenson Button e da Brawn GP, respectivamente, aponta que é enorme a chance de ambos os títulos serem confirmados em Interlagos. O final de semana em Suzuka foi dos mais malucos que eu já vivi na Fórmula 1: sexta com chuva, o treino surreal do sábado, o acidente forte com Timo Glock, os erros dos novatos, o show de Vettel, outro pódio de um demitido da Toyota, a combatividade de Hamilton, a polêmica com Nico Rosberg e o Safety Car, o duelo interno da Brawn.


Enfim, assuntos para três edições do “Credencial”, mas teremos só uma mesmo. Use o espaço dos comentários para comentar, perguntar, vibrar, espinafrar, o que seja. O blog e o programa chegam depois que eu chegar em casa. Como o Japão não fica na esquina, isso só deve acontecer na terça-feira. Até lá!