Convencer um piloto a não entrar num carro de corrida para uma disputa é uma tarefa praticamente impossível para uma turma que preza velocidade e adrenalina acima de tudo. Assim, o fato dos pilotos da GP2 terem feito um abaixo-assinado pedindo o cancelamento da etapa barenita deste final de semana é um sinal contundente do clima no país.
Falei há pouco com Luiz Razia que descreveu a situação que viu nas ruas e o ambiente na cidade. Posso adicionar que é difícil imaginar que os protestos diminuam depois que quatro manifestantes morreram na noite de ontem - pelo contrário, é de se esperar mais revolta de uma população que é maioria no país, os xiitas. Razia aponta que não dá para imaginar uma corrida de F-1 por lá. Confira a entrevista abaixo nesse material exclusivo.
Romain Grosjean venceu hoje a principalatividade de pistahojeem Mônaco, a primeiracorrida da GP2 no final de semana. Foi tãofácilquanto a pole conquistada ontem. Na classificação, três de suasquatrovoltas lançadas foram maisvelozesque a melhor do segundo colocado. É muito, principalmente numa categoriacomigualdade de equipamento e compilotos de bomnível. Não é à toaque o suíço-francês (ele nasceu emGenebra, mas corre comnacionalidade francesa) tem feitopose de super-heróiparacomemorarsuasvitóriasatéagora. No campeonato, tem 31 pontosem 33 possíveis. E teve o seucompanheiro Vitaly Petrov completando duas dobradinhas: a de hoje e a da abertura do campeonato na Espanha. Uminíciorealmenteimpressionante da equipe Barwa.
Tãoimpressionanteque o clima no paddock da GP2 é o de uma revolta resignada. Chefes de equipes, pilotos, mesmojornalistasestrangeiros na sala de imprensa afirmam que se trata de umjogo de cartas marcadas. Mas sabem que é impossívelprovarqualquercoisa.
Segundoeles, a idéia seria garantir o títulopara o francês de qualquermaneira, o que garantiria suapromoçãopara a Fórmula 1. Grosjean tem suacarreira gerenciada por Flavio Briatore e Bruno Michel, os homens-fortes no comando da GP2. E o interessequeele desperta na França é muitogrande.
Estemesmodescontentamento dos adversáriosemrelação a umpossíveltratamento diferenciado já havia sido registrado quando o piloto levou o título da GP2 Asiáticaem 2008. E há quem diga queelesó perdeu a sérieprincipal do anopassadoporpuraincompetência, porquetambém teria umcarro “com super-poderes” à disposição.
Olhando de fora, fica realmentedifícil de julgar. Maseuconfessoque, no treino de classificação ontem, realmente fiquei com a pulgaatrás da orelhacom a molezaque foi para Grosjean. Ele passou a maiorparte da sessãocomumsegundo de vantagempara o resto. Fez tudoparecerfácildemais.
Masnão dá para uma suspeitavirar uma verdadeabsoluta e acho queninguémnunca saberá se o francêsrealmente teve suavida facilitada. Melhor esperarmos suaentrada na Fórmula 1 paraavaliarmelhorsuareal qualidade. Que ele vai entrar, eu tenho certeza.
Daqui a nove finais de semana se encerra o campeonato da Fórmula 1, serão seis corridas até lá. Lewis Hamilton (70 pontos), Felipe Massa (64), Kimi Raikkonen (57) e, vá lá, Robert Kubica (55), farão agora uma espécie de mini-campeonato rumo ao título. Embora a vantagem de Hamilton especialmente sobre os dois últimos nomes seja relativamente confortável, minha aposta é a de que o piloto que mais somar pontos nestas seis últimas provas leva o caneco.
Já na GP2, o campeão sai em no máximo dez dias, com duas rodadas duplas no programa. Giorgio Pantano lidera com 71 pontos, mas Bruno Senna (58) e Lucas Di Grassi (51) ainda têm chances. Eu conversei com os dois sobre a expectativa deles antes da decisão e também sobre o futuro, o que vocês poderão ler na edição de amanhã do Lance!
É hora também de apostar. Fórmula 1, GP2: para você, quem ganha?
Para quem não viu: o final da corrida da GP2 foi muito bizarro.Giorgio Pantano, que largou na pole e comandou a corrida toda, ficou sem gasolina antes da última curva. Álvaro Parente, Bruno Senna e Karun Chandok, também – o brasileiro ainda conseguiu se arrastar até a linha de chegada para terminar em nono lugar.
Fontes diferentes do paddock apontam que um curto período de Safety Car no início da prova livrou a categoria de um vexame histórico. Sem ele, quase a totalidade dos pilotos não teria completado as 34 voltas previstas. Com a queda de temperatura hoje em Valência, o consumo aumentou muito em relação ao registrado ontem e os cálculos foram pro espaço. Quem terminou, foi no limite. Surpresas que uma pista nova no calendário pode provocar. Por mim, podiam colocar duas ou três a cada ano – desde que, claro, tirassem duas ou três também. Excesso de provas, aliás, levou a FIA a criar um sistema de rotação no Mundial de Rali, o que está dando muito pano pra manga. Mas isto é assunto pra outro dia.
Em tempo, dificilmente o mesmo quadro se repetiria com a F-1 amanhã. A prova deve ser com temperaturas em torno de 30°C e tempo seco. Foi o que o Berger me garantiu hoje. Mesmo assim, a corrida promete ser interessante, especialmente na largada. Não percam. Até lá!
Na pauta desse blog, discussõessobre a Fórmula 1 emtodos os seusaspectos: histórias do passado, análises do presente, bastidores da cobertura e curiosidades. E muitamúsicaparatemperar essa mistura de razão com a paixãoque o automobilismo desperta.
Repórter de Fórmula 1 do Grupo Bandeirantes de Rádio, do diário Lance e da revista Racing. Apreciador de boa música, viagens e velocidade. Guitarrista amador, corredor de rua e piloto virtual.