quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A VOLTA DO INCONFIDENTE

O contra-ataque jurídico de Flavio Briatore era óbvio desde a publicação do veredicto dado pela FIA em cima do odioso “Crashgate”. Embora ninguém são duvide de seu conhecimento e envolvimento no episódio, os argumentos inconsistentes da decisão deixaram mesmo a impressão de que o seboso italiano precisaria apenas de um bom advogado para tentar revogar a controversa pena.

faz algum tempo que o paddock recebe ventos que sopram um possível retorno de Briatore. Certo mesmo é que ele não ficou parado desde que foi banido do esporte. No último mês, um investidor de Luxemburgo chamado Gerard Lopez apareceu como um candidato a comprador da Renault, mas a conversa não foi adiante. Ao que parece, porque houve a desconfiança que por trás dele estaria justamente Briatore. Ou seja: no nebuloso núcleo de negócios e poder que rege a Fórmula 1, ninguém o dá como vencido.

Quanto
ao retorno de Nelsinho Piquet à categoria, a situação parece mais complicada. Embora a maioria das novas inscritas ainda possuam vagas, o interesse se concentra em pilotos muito experientes ou em quem tenha muito dinheiro para trazer. E o brasileiro não se encaixa em nenhum destes perfis. Uma temporada nos Estados Unidos aparece como variante mais provável para ele.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

TV BLOGO – MUTANTES

Estou com visitas de Londres nesta semana, o que inevitavelmente me recorda da última vez que estive na cidade: em maio de 2006, para ver a volta dos Mutantes. Contando com seu núcleo principal, foi um grande show. E o sentimento nostálgico me fez passar o dia de hoje escutando a banda, algo que, confesso, não fazia faz algum tempo. Tempo perdido, aliás, constato ao ouvir clássicos como “Fuga N°II”. E sempre é bom ver meu amigo Dinho Leme mandando ver na bateria, seja nesse vídeo feito há 40 anos ou hoje em dia.

BIBERLE EM INTERLAGOS

As 17 pistas do calendário de 2009 da Fórmula 1 receberam com espanto aquele personagem. Sentado num bólido vermelho com desenho parecido aos charutinhos do final dos anos 60, Biberle passou por toda a rotina dos outros 20 pilotos da categoria: fez um pit-stop na Malásia, trocou pneus em Cingapura, encarou a Eau Rouge com respeito e acabou rodando numa zebra em Monza.

O
diminuto piloto num carrinho de brinquedo pertence ao alemão Achim Hofstädter, uma das figuras mais legais do paddock. O sempre bem-humorado fisioterapeuta de Rubens Barrichello na Brawn GP tem a fotografia como hobby, e usou “Biberle” como tema para criar imagens de bela plasticidade a cada circuito visitado. Ficaram tão boas que foram aproveitadas num feature no site oficial da equipe.

Eu sou um dos muitos que ficaram impressionados com o resultado. E faço questão de divulgá-lo. A partir de dezembro, Biberle terá endereço próprio na Internet: www.rennfahrer-biberle.com. Vale guardar o link para visitas futuras. Um preview do que estará lá aparece na imagem acima, uma première mundial que o Achim gentilmente ofereceu a este blog: Biberle em Interlagos (clique para ampliar)!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

TV BLOGO – THE DIRTY MAC

Não me entendam mal: eu adoro os Beatles acima de tudo, minha paixão pela música se deve em enorme parte por causa deles. Mas a melhor versão de “Yer Blues” é esta do vídeo acima, gravada para o especial “Rock n’ Roll Circus” que os Rolling Stones fizeram para a tevê em 1968. Flanqueado por Eric Clapton na guitarra, Keith Richards no baixo e Mitch Mitchell na bateria, John Lennon executa uma apresentação com a fúria que a música sugere. Pena que a história do "The Dirty Mac" (o nome que Lennon deu ao grupo) tenha ficado só nisso. Aperte o play e boa audição!

FOTO DO DIA – GP DA FRANÇA DE 1953

Ainda parece mais um desejo do que um rumor fundamentado. Em seu blog, o jornalista inglês Joe Saward pegou o fato da Renault estar relançando o nome Gordini para sua linha de carros esportivos para questionar se o programa de F-1 da empresa faria parte desse plano de reviver a marca. “Pode ser que a Gordini aparecerá nos planos de F-1 que serão anunciados por Carlos Ghosn dentro de algumas semanas”, escreveu.

Eu
me surpreenderia se isso acontecesse, mas aplaudiria de a decisão. Embora a Renault seja a marca francesa sinônimo de sucesso, o nome acabou muito atrelado ao infeliz episódio da batida premeditada em Cingapura. Resgatar o significado histórico da Gordini, a pioneira das marcas francesas na Fórmula 1 (não no automobilismo, que fique bem claro) daria uma bela mensagem de um novo começo para a organização. E, pintando o carro de azul (como o Gordini 16 de Maurice Trintignant da foto), daria a identidade francesa que os torcedores e a imprensa de lá tanto anseiam.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

ESPECIAL 2009 – IMAGENS OBTUSAS

Na tarefa de reportar tudo o que acontece num final de semana da Fórmula 1, a máquina fotográfica aparece como um instrumento importante para captar o ambiente do paddock. Claro que na correria pela informação, o uso dela costuma ficar em último plano, já que não sou fotógrafo. Mas a brincadeira de captar imagens às vezes rende algo interessante. Confira abaixo alguns momentos do Mundial de 2009 contados pela desfocada lente da minha câmera digital.

AUSTRÁLIA
É quinta-feira e o clima nos boxes ainda é de incerteza e expectativa para a temporada que vai começar. Nos boxes da equipe que faz sua estréia na Fórmula 1, Ross Brawn e o diretor da equipe Ron Meadows ficaram cerca de meia hora repassando uma série de pontos. Podia ser sobre a questão dos difusores, que bombava nos bastidores antes mesmo da primeira sessão oficial do ano. Ou anteviam uma temporada de sucesso, enquanto apreciavam o vencedor BGP001 nos boxes.

MALÁSIA
Foi assim ao longo de toda a semana: por volta das 5 da tarde, um dilúvio caía sobre o circuito de Sepang, deixando o paddock deserto assim que o último incauto encontrasse um abrigo. Poças d’água enormes se formavam em todos os lugares, inclusive na pista, onde bólidos de corrida construídos rente ao chão deveriam rasgar o asfalto. A interrupção do GP da Malásia pela metade foi um fracasso anunciado e explicado por uma ambição por audiência tão grande que quis ignorar o ciclo da natureza.

CHINA
A risada das mocinhas chinesas parece zombar do campeão mundial e de seu colega. Depois do “escândalo da mentira”, foi em Xangai que a McLaren anunciou o afastamento completo de Ron Dennis da equipe de Fórmula 1, a justificativa corporativa escondendo o cadáver da briga política com Max Mosley. O desempenho na pista não ajudava e a temporada prateada se anunciava um desastre. O tempo mostraria que não foi.

BAHREIN
Sábado de classificação e o calor extremo do deserto pede por uma sombra. Mas a ocupação do espaço reservado aos torcedores para o ócio denuncia o que foi a tônica não só daquele final de semana, mas de praticamente toda a temporada. O ano de 2009 foi marcado também pelos enormes vazios nas arquibancadas. Culpa de todas as crises: a econômica, a política e a esportiva.

ESPANHA
A segunda dobradinha da Brawn GP na temporada não teve o componente festivo da abertura do Mundial na Austrália. Depois de superar Jenson Button após uma largada sensacional, Barrichello acabou surpreendido pela mudança na estratégia do companheiro de equipe. Desceu do carro visivelmente contrariado, principalmente pelo fato de seu engenheiro não ter sido avisado dos planos para ter a chance de contra-atacar. O brasileiro precisaria esperar mais algumas corridas para celebrar sua primeira vitória no ano.

MÔNACO
Para quem faz a cobertura da Fórmula 1, o que torna Mônaco especial é a possibilidade de ficar a poucos metros da ação, com visão privilegiada de como os pilotos lidam com um dos traçados mais difíceis do calendário, onde não há margem para erros. Foi o que fiz na quinta-feira, admirando cada vez mais o talento de gente como Kimi Raikkonen, que conquistaria em Monte Carlo o primeiro pódio de um ano difícil, para ele e para a Ferrari.

TURQUIA
Seis vitórias em sete corridas. Jenson Button continuou sua marcha colossal na Turquia, abrindo caminho na primeira volta como se fosse Moisés e a Red Bull de Sebastian Vettel, o mar. Deixei o autódromo de Istambul convencido que o Mundial de 2009 já estava decidido e seria um dos mais chatos de todos os tempos. Tremendo erro de julgamento. Muita coisa ainda estava por vir, na pista e nos bastidores.

INGLATERRA
Nelsinho Piquet interrompeu suas atividades na quinta-feira para um sessão de fotos, que acabaram utilizadas para os menus do novo game oficial da Fórmula 1. Com ou sem capacete, sua expressão era um tanto séria, mesmo nos momentos de pausa. Fruto da pressão por resultados que vinha do seu chefe e de uma cláusula do seu contrato. O clima na equipe era dos piores e a novela que culminaria na decisão de trazer o escândalo de Cingapura à tona já estava em marcha.

ALEMANHA
Foi o final de semana mais frio do ano, com temperaturas invernais em pleno verão europeu. Condições que permitiram o domínio completo da equipe Red Bull, mas com um protagonista inesperado. Não foi Sebastian Vettel, mas Mark Webber quem dominou na Alemanha, fazendo a pole-position e vencendo pela primeira vez na carreira, mesmo após receber uma punição por uma agressiva defesa de posição na largada.

HUNGRIA
Havia uma corrida para ser disputada, mas o clima no domingo em Hungaroring era realmente estranho. Em meio as incertezas quanto a recuperação de Felipe Massa, a única coisa que parecia fazer sentido era mesmo a homenagem do grupo da Ferrari que trabalha em seu carro. O acidente do piloto brasileiro, sério e bizarro ao mesmo tempo, marcou um final de semana e deixou completamente em segundo plano a volta da McLaren e de Lewis Hamilton às vitórias.

EUROPA
Depois de quatro semanas de pausa, a Fórmula 1 viu confirmado o renascimento esportivo de Rubens Barrichello depois de um inverno de incertezas e um início de campeonato com alguns contratempos. Em Valência, o brasileiro fez uma corrida perfeita para superar as duas McLarens quando parou nos boxes, num final de semana em que o companheiro Jenson Button jamais se encontrou. O grito solto na hora de comemorar foi mais que merecido.

BÉLGICA
Quando ocorreu o treino livre de sábado em Spa, quase ninguém sabia que uma investigação oficial sobre o episódio de Cingapura-2008 estava em curso. Mas tanto Flavio Briatore quando Pat Symonds já haviam sido interrogados pelos investigadores da FIA e podiam prever os dias tempestuosos que enfrentariam pela frente. Assim, a foto que eu fiz meramente para ilustrar o trabalho no pitwall da Renault ganhou uma nova cor à luz das evidências. As costas curvas e os braços cruzados são só indícios do turbilhão de pensamentos que deviam ocupar a mente do italiano naquele momento. Sua hora estava chegando.

ITÁLIA
Jaime Alguersuari parece desanimado nos boxes de Monza. Último colocado do grid de largada a sete décimos de segundo do piloto à sua frente, seu companheiro de Toro Rosso Sebastien Buemi, o espanhol foi um exemplo de uma geração de novos nomes que chegaram à Fórmula 1 em 2009 sem trazer nenhum tipo de empolgação ou frescor. Com uma única e gloriosa exceção, que chegaria mais adiante (nos sentidos temporal e espacial).

CINGAPURA
Depois de uma première controversa, o GP de Cingapura fez a segunda corrida noturna da história sem contar com o impacto da novidade. Foi uma das corridas mais aborrecidas do ano, dominada com facilidade por um inspirado Lewis Hamilton. Nem o espetáculo de luzes dos carros e dos moderníssimos prédios do centro nos salvou do marasmo proporcionado pelo traçado de Marina Bay.

JAPÃO
Foi como em uma longa novela na qual os atores principais passam toda a trama se cortejando à distância para, depois de algumas reviravoltas, consumar o casamento no último capítulo. E o último capítulo aconteceu numa sexta-feira chuvosa em Suzuka, quando o espanhol Fernando Alonso foi confirmado como piloto da Ferrari para 2010. E, mesmo com o título da temporada ainda em jogo, a imprensa mundial passou o dia olhando com ansiedade para o ano que vem.

BRASIL
Acontece de vez em quando de um piloto estrear na Fórmula 1 com uma performance arrebatadora. Para pegar exemplos recentes: Nico Rosberg pontuou e fez a melhor volta da prova no Bahrein em 2006. E Lewis Hamilton subiu ao pódio e ultrapassou Fernando Alonso por fora na primeira curva de Melbourne, no ano seguinte. Em Interlagos foi a vez de Kamui Kobayashi, que endureceu o trabalho do campeão mundo Jenson Button e fez uma linda ultrapassagem no final sobre Giancarlo Fisichella. O show continuou em Abu Dhabi, mas pode ter tido um fim abrupto com a saída de cena da Toyota. Tomara que não.

ABU DHABI
E a temporada terminou num autódromo limpo e polido como um novo shopping center, cenário para imagens plásticas como essa de Kimi Raikkonen. Um GP um tanto asséptico e sem brilho, marcado por uma série de despedidas. Muitas anunciadas, como a da BMW. Outras silenciosas, como a da Toyota. E algumas ainda apenas “possíveis”, como a do próprio Raikkonen, prenúncio de um período de muitas incertezas até que o Mundial de 2010 tenha início.

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Para quem ainda não viu, confira as outras partes do Especial sobre o Mundial de 2009:

- Parte 1: Os dez melhores
- Parte 2: Os dez piores

domingo, 8 de novembro de 2009

TV BLOGO – GILBERTO GIL: EXTRA

Depois do vídeo do Jaco Pastorius de sexta-feira, dois nomes de baixista surgiram no contato com vocês. Um foi o de Arthur Maia, numa conversa com o Joniel no twitter. Outro foi Ron Carter, citado pelo Ron Groo nos comentários.


Numa nota (inútil e) pessoal, o vídeo acima une estes dois artistas. Arthur Maia porque, claro, está tocando na banda de Gilberto Gil e abre o número com um bonito solo. E Ron Carter porque fui vê-lo tocar na única vez que estive em Nova York – no MoMA, ao meio-dia e de graça. E no meio de uma música o percussionista da banda resolveu “zoar” e emendou o “ô-iô-iô-iô” de “Extradurante um groove que eles estavam fazendo.


É impressionante como os grandes músicos fora apreciam a (boa) música brasileira. Façamos o mesmo, pois. Aperte o play e boa audição!

sábado, 7 de novembro de 2009

CAMPOS EM MARCHA

Foram mais de 30 minutos de conversa com Bruno Senna durante o programa pole-position, tempo para ele falar da sua chegada na Fórmula 1 pela equipe Campos, do peso do sobrenome, das expectativas do time e da situação da saída das montadoras da categoria. Deu até mesmo para descobrir um patrocinador em potencial, coisas que só acontecem em rádio!

Vale conferir a íntegra da conversa aqui, mas um dos pontos que chamaram minha atenção foi seu relato sobre a evolução do carro que está sendo feito pela Dallara. Bruno revelou que o modelo já passou nos “crash tests” frontal e lateral, um sinal positivo, de que o modelo está em dia. Nos últimos meses, as informações vindas de colegas espanhóis davam conta que Adrian Campos chegou até a investir seu patrimônio pessoal para que o cronograma não atrasasse. Meta cumprida.

Sobre o companheiro de equipe, o brasileiro afirmou que acha mais atraente a possibilidade de contar com um piloto experiente, como Pedro de la Rosa. Mas o próprio cenário da Fórmula 1 indica que se chegar alguém com um bom aporte financeiro, garantirá uma segurança na hora de desenvolver o equipamento. Para um chassi “virgem”, um trabalho essencial. Assim, crescem as chances de Vitaly Petrov e Pastor Maldonado pela vaga.

Fico curioso para ver qual dessas equipes novas que terá o melhor carro. Todas têm seus pontos positivos e negativos, mas a experiência de décadas da Dallara pode fazer a diferença. Depois de anos de sucesso na Fórmula 3, GP2 e Indy, o passo para a Fórmula 1 era natural.

Acredito que o início será difícil para todas, principalmente pela limitação de testes. E vejo com maiores chances de ser bem-sucedida, já no primeiro ano, a equipe que tiver montado a melhor estrutura visando uma evolução a longo prazo. Mais do que nunca, a base vai ser a chave do sucesso. A Campos aparece com expertise e estrutura; a Manor/Virgin com a maior segurança financeira; e a Lotus com um projeto (surrupiado?) adiantado e um diretor-técnico experiente. A USF1 terá de fazer milagre para correr e a Sauber/Qadbak não pode ser considerada uma estreante.

Vai ser uma briga boa.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

TV BLOGO – JACO PASTORIUS


Porque o saudoso John Francis sempre nos lembra de que a paixão é a base para se fazer algo muito bem.

ESPECIAL 2009 – OS DEZ PIORES

A turbulenta temporada da Fórmula 1 teve pontos negativos de sobra. Aqui a minha compilação do que mais chamou a atenção nesse quesito. Infelizmente, os escândalos estiveram no topo de tudo e sobraram opções para uns quinze itens. Espero no ano que vem ter mais dificuldades para essa seleção.



10 – Adrian Sutil em Cingapura

cansei de ver esse tipo de manobra no Grand Prix Legends, mas não esperava isso na Fórmula 1. Depois de bater rodas com o errático Jaime Alguersuari e rodar, Adrian Sutil resolveu dar um cavalo-de-pau para voltar para a pistabem no meio do tráfego. Arrebentou o carro de Nick Heidfeld e o respeito que os colegas tinham por ele. Foi o “Momento Paul Tracy” do ano. Da década, melhor dizendo.


9 – Coletiva de Lewis Hamilton na Malásia

Com a cara de um filhote expulso da ninhada e a voz hesitante, Lewis Hamilton encarou os jornalistas da Fórmula 1 para pedir desculpas públicas pelo chamado “escândalo da mentira”. Um momento constrangedor de tentar explicar o inexplicável. A mídia inglesa, para quem a maneira de se comportar de um campeão do mundo e tão ou mais importante que o feito, caiu de pau. Teria sido melhor ficar quieto. Michael Schumacher nunca teve que explicar porque transformou a Rascasse num estacionamento.


8 – Kazuki Nakajima

Se a Williams perdeu o sexto lugar no Mundial de Construtores para a BMW Sauber na última corrida, a culpa foi de Kazuki Nakajima. Afinal, os 34 pontos e meio conquistados pela equipe em 2009 vieram do outro lado da garagem, o do alemão Nico Rosberg. Como um autêntico zero à esquerda, o japonês chegou ao fim do ano sem ter seu nome ligado a nenhuma equipe, mesmo o pessoal na finada Toyota havia perdido as esperanças nele. E, o pior, ninguém no ambiente sempre cínico da Fórmula 1 perdeu tempo falando mal dele. Vai embora e ninguém vai perceber sua ausência.


7 – Giancarlo Fisichella na Ferrari

Claro, Luca Badoer foi a catástrofe do ano: irremediavelmente lento, completamente fora do ritmo e sem confiança no equipamento. Trágico, sim, mas a posterior participação de Giancarlo Fisichella com a equipe de Maranello salvou a imagem do pobre Luca. Afinal, além de limitado, Badoer não disputava uma corridamais de dez anos e não teve contato com um F-1 nesta configuração aerodinâmica e com pneus slicks antes da estréia em Valência. Era um naufrágio anunciado. Fisichella é um piloto mais competente e chegou na Ferrari depois de um resultado impressionante com a Force Índia. Sua missão era ajudar a Ferrari a se manter emlugar entre as equipes, somando alguns pontinhos. Falhou fragorosamente. Seu sonho de pilotar pela equipe virou um pesadelo – e uma das maiores decepções da temporada.


6 – Romain Grosjean

Não precisa nem levar em conta a confusão que a decisão gerou: estava na cara que a chegada de Romain Grosjean na Renault era a troca de seis por demi-douzaine. Foi até pior, pois o desempenho do francês nas provas que disputou lembrou o Nelsinho Piquet do início de 2008: afoito, inseguro, com muitos erros, acidentes e nenhuma produtividade. Além de queimar seu nome para a categoria, as sete corridas que fez serviram para confirmar que as apostas de Flavio Briatore, na maioria das vezes, são furadas.


5 – BMW Sauber

Em 2008, a equipe bávaro-suíça abdicou do desenvolvimento de seu carro – e por tabela de brigar pelo título da temporadapara se concentrar no modelo deste ano. Também foi o time que mais insistiu no uso do KERS, apostando que seria a arma secreta para dominar o ano. Dois tiros n’água. O F1.09 foi um carro natimorto: o dispositivo não funcionou a contento e foi logo descartado, depois do projeto todo ter sido feito em torno dele. Depois do fracasso esportivo, veio o inesperado anúncio de que a marca estava deixando a categoria depois de apenas quatro temporadas como equipe própria. Com o rabo entre as pernas.


4 – Heikki Kovalainen

A McLaren começou o ano com um dos piores carros do grid, mas conseguiu virar o jogo a partir do meio da temporada e venceu duas corridas com Lewis Hamilton. Heikki Kovalainen? Bem, não subiu nenhuma vez ao pódio, um feito particularmente incrível em Valência, uma pista onde nãopontos de ultrapassagem, quando largou da segunda posição e terminou em quarto lugar. O finlandês não é nenhum novato e teve a partir da Alemanha um equipamento competitivo em mãos. Mesmo assim, terminou com o mesmo número de pontos que Felipe Massa, que pôde disputar nove corridas no ano. Um desastre total.


3 – FIA versus FOTA

A briga pelo poder na Fórmula 1 neste ano lembrou a de tempos remotos, quando algumas letras eram diferentes: Fisa versus Foca. E foi o motor de todos os outros escândalos do ano, tudo manobras políticas no complexo tabuleiro da categoria, onde o bem-estar da mesma não preocupou ninguém. O duelo não ocupa o topo dessa lista porque (infelizmente) ainda não acabou. E a impressão que fica é que “casualidades de guerracomo Max Mosley e Flavio Briatore farão de tudo para voltar aos holofotes assim que possível. Embrulha o estômago de imaginar...


2 – Falta de ultrapassagens

Novo pacote aerodinâmico, asas móveis, KERS. As novidades no regulamento técnico da Fórmula 1 visavam apenas um objetivo: melhorar as chances de ultrapassagem. Mas as corridas de 2009 foram, com raras exceções, uma procissão de monotonia com apelo reservado para os que se interessam em entender questões de estratégia. Se os difusores duplos foram o instrumento para o fracasso da idéia, a (proposital) indecisão da FIA na hora de esclarecer a regra manchou o início do campeonato e o trabalho de muita gente. Novas idéias para 2010, principalmente o fim do reabastecimento, podem causar algum impacto no problema. Resta ficarmos na torcida para que, desta vez, seja um impacto positivo.


1 – Cingapura 2008

É mesmo muito grave a conspiração de causar um acidente para favorecer um outro piloto da equipe e conseguir um resultado que salvasse a pele de todos? É óbvio que sim. A Fórmula 1 viveu suas histórias de espionagem industrial e a flutuação de informações que acompanha as transferências de engenheiros é inevitável e mais ou menos aceita. Assim como pilotos que recebem ordens para ceder posição ao companheiro de equipe. Mas naquela noite de setembro os já frágeis alicerces do esporte foram completamente ignorados, assim como a segurança do executor, de seus colegas e também do público. Foi um golpe muito baixo, de gente sem escrúpulos e/ou força moral. E a motivação vingativa com que a história veio à tona mostra mesmo que se trata de um conto de desclassificados, ainda que o efeito colateral do episódio – a saída de Briatore do esporte – tenha sido positivo.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O 2009 DE RUBENS BARRICHELLO

Fazer listas de final de ano é sempre um risco, pois cada um tem suas próprias opiniõesainda bem. Mas muitos de vocês questionaram a ausência de Rubens Barrichello entre os meusdez melhores”, quando, na verdade, ele está , em primeiro lugar. Ok, está junto do início de temporada excepcional de Jenson Button, da enorme competência de Ross Brawn em gerir uma equipe, de um grupo de profissionais dedicados, alegres e companheiros. O primeiro lugar da Brawn GP é, assim por dizer, uma colocação disparada à frente das outras, e juntei tudo porque me pareceu injusto destacar uma de suas partes acima do todo. Não seria correto com o espírito de união que foi a chave para o sucesso do time.

Para
deixar claro: achei excepcional a trajetória de Barrichello neste ano. Pelas duas vitórias cujas performances foram grandes demais até para uma nota 10; pela autoconfiança demonstrada na parte inicial do ano, afirmando sempre que “uma hora a coisa vai virarquando Button estava ganhando tudo; por trabalhar como sempre e fazer “a coisa virar” a partir do GP da Inglaterra; por encontrar e abrir um canal de comunicação direto com o torcedor através do twitter, mostrando com clareza o seu espírito e conseguindo reverter o (pré-)conceito que a maioria tinha dele; por amanhecer em 2009 sem saber se correria e encerrar a temporada com uma série de equipes vitoriosas interessadas nos seus serviços.

Fiquei pensando em qual imagem poderia resumir o que foi essa incrível história do brasileiro nesse ano. Uma boa escolha seria no seu retorno aos boxes depois da vitória em Valência, quando todas as equipes foram à beira do pitlane para aplaudi-lo em sua passagem. Como se a vitória dele fosse coletiva, sublinhando o enorme carinho que desfruta num ambiente tão hostil como o paddock.

Mas
fico com um momento particular: no domingo em Abu Dhabi, perguntei da sensação que ficava ao olhar para trás e ver o ano que teve. Rubens fez sua análise e, no meio dela, afirmou: “vou sentir falta dele”. No instante seguinte, ele engoliu em seco, os olhos marejaram e a voz quebrou levemente. Não durou mais que um segundo para ele retomar o controle e continuar a conversa. Mas deu para imaginar claramente a descarga de todas as imagens significativas da temporada passando em sua mente. Era a emoção de quem sabe ter tido um ano vencedor, a dor pela perda do título à parte.

A IDA DOS QUE NÃO VIERAM?

Na última edição da F1 Racing (edição Oriente Médio – li em Abu Dhabi), Peter Windsor escreve um texto relatando as dificuldades de se montar uma equipe do zero, mas desafia os céticos e lista uma série de equipamentos que foram comprados e estão, aos poucos, ocupando o espaço das instalações da USF1 na Carolina do Norte.

Tudo
muito bonito, mas parece cada vez mais improvável que a equipe americana saia do papel. Alexander Wurz, por exemplo, ficou perto de acertar com o time, mas encerrou as negociações. Ao que parece, por perder a no projeto. O fato da equipe ainda não ter promovido nenhum crash-test com as partes é outro indício preocupante. Ross Brawn disse ao “AutoMotor und Sportque faz esse tipo de provadois meses e que uma equipe estreante deveria estar no mesmo cronograma para passar nos testes oficiais da FIA no início do ano que vem.

A
pouco mais de quatro meses do GP do Bahrein, temos também uma equipe Lotus sem estrutura fixa, um grupo de investidores árabes na Sauber cuja seriedade é questionada por muita gente (a Qadbak deixou uma péssima impressão no futebol inglês) e incertezas financeiras nas outras duas estreantesembora, nelas, os indícios apontam para uma solução do problema.

Vale
lembrar que no processo de seleção da FIA, duas candidaturas que possuíam uma estrutura adequada para construir um Fórmula 1 ficaram de fora, Prodrive e Epsilon Euskadi.

Alguém
mais com a impressão que faltou lisura no processo?

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

FOI A CRISE OU O BOLO?

E mais uma se vai. Os sinais disso em Abu Dhabi eram muitos: o “feeling” dos que trabalhavam no time, a homenagem dos diretores nipônicos ao casal de velhinhos que formavam os torcedores-símbolo da equipe. Assim, a Toyota se junta a Honda, BMW e Bridgestone como a quarta grande companhia a deixar a Fórmula 1 (ou anunciar que fará isso em breve). É claro que a conjuntura econômica teve um peso enorme na decisão. Mas será que é isso? É justo adotar o discurso de que “Mosley tinha razão e esses safados não temem em deixar o esporte quando lhes convém”? É claro que não, é mais além.


Antes de elevar o indicador ao nariz do outro, a Fórmula 1 deveria olhar para o próprio umbigo. Para uma grande empresa automotiva, o investimento na categoria mira dois objetivos: promoção e desenvolvimento de tecnologias, combinadas com um investimento que faça sentido.


No primeiro quesito, o ano de 2009 foi uma flechada no coração. A série sucessiva de escândalos e manchetes negativas, culminando no vexatório episódio de Cingapura-2008 e seu veredicto muito mais político que jurídico, atacou seriamente a percepção do que restava de esporte no evento. Mais: com raríssimas exceções, o espetáculo oferecido foi de uma monotonia sem igual, irritando até mesmo seus seguidores mais fanáticos.


A questão tecnológica também perdeu muito de seu apelo com uma série de restrições técnicas adotadas no regulamento. Isso ajuda a economizar dinheiro em tempos bicudos, bem, obrigado. Mas também diminui o aspecto de “laboratórioque cerca a categoria. E a confusão dos homens que fazem o regulamento derrota o argumento econômico. Como justificar para um alto executivo o investimento de milhões em uma tecnologia chamada KERS (por pressão da FIA), que foi pouco ou nada usada, apenas para ser descartada doze meses depois?


A verdade é que, quando a Toyota entrou na Fórmula 1 em 2002, além de gastar rios de dinheiro com a equipe, ele gastou outro tanto em promoção (indireta para a categoria) e ajudou a encher autódromos com convidados e fãs – tudo traduzindo em dinheiro que foi parar nos bolsos de Bernie Ecclestone e sua turma.


Agora que os cintos estão sendo apertados, é natural que as montadoras iniciassem um movimento para receber uma porcentagem maior do bolo dos lucros. Isto desencadeou uma guerra pelo poder que deixou muitos mortos e feridos. Que foi selada num Pacto de Concórdia com a duração ridícula de três anosum claro sinal de uma trégua, que nenhum denominador comum foi encontrado. Diante de tantas incertezas e nenhum sinal de mudança, acho que não devemos ficar espantados se algumas empresas resolverem puxar o carro (no caso, literalmente).


A Toyota teria dinheiro para ficar na categoria. Cortaria orçamento, mas ficaria. Na verdade, se a Fórmula 1 fosse interessante como plataforma de investimento, ficariam todas. Precisa mudar muita coisa. Bola com você, Jean.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

ESPECIAL 2009 – OS DEZ MELHORES

Nada como um especial para celebrar um final de temporada, não é? Preparei um em três partes, começando com os dez melhores da temporada na minha opinião. Discorda de algum ponto? Faltou alguma coisa imprescindível? Dê a sua opinião! E amanhã tem mais especial, aguarde!

10° lugar – Kamui Kobayashi

Em duas corridas, o japonês da Toyota trouxe uma (enorme) lufada de ar fresco para a Fórmula 1, mostrando agressividade, executando ultrapassagens e deixando marcas no conceito de muitos novatos (e veteranos, e mesmo do campeão do mundo).


lugar – Pole de Button em Mônaco

Seu desempenho nos treinos livres tinha sido bom, mas não excepcional. No Q2, Button ficara apenas em oitavo lugar e, no Q3, estava estacionado em posições intermediárias quando foi para sua última volta rápida. Um giro determinado, no limite e perfeito, que lhe garantiu uma pole position da qual jamais pareceu candidato.


lugar – Lewis Hamilton

Depois do chamado “escândalo da mentira” e de uma atuação triste na sua casa em Silverstone, o ano de Lewis Hamilton parecia fadado ao fracasso. Mas a McLaren soube lhe desenvolver um carro competitivo e o inglês retribuiu com duas vitórias e mais um par de grandes atuações. Acima de tudo, mostrou que o mais menino dos campeões mundiais está mais maduro do que nunca.


lugarCircuito de Suzuka

O pessoal do Mobility Land gastou um bom dinheiro na reforma de Suzuka e mostrou que mesmo uma pista tradicional pode atender aos padrões da Fórmula 1 moderna, com um paddock e boxes amplos e instalações confortáveis. E o traçado de John Hugenholtz provou mais uma vez ser um dos mais desafiadores do mundo. A nova geração da categoria que o diga.


lugar – Mark Webber

“Webbo” passou o ano de cama e a pré-temporada submetido a uma intensa fisioterapia, incluindo sofridas sessões em câmaras criogênicas (sim, aqueles ambientes gelados usados em bancos de esperma, por exemplo). O esforço foi recompensado com duas vitórias e um ritmo mais próximo de Sebastian Vettel do que muita gente imaginava, configurando sua melhor temporada na Fórmula 1.


lugar – GP do Brasil

Interlagos estabeleceu-se como palco de decisões, mas o Grande Prêmio do Brasil foi além disso. Seu traçado garantiu ótimas disputas, a dose habitual de confusão (o drama do sábado, Trulli e Sutil, Kobayashi e Nakajima) e a tradicional e inigualável paixão da torcida pela categoria, que faz do evento o favorito da maioria de seus personagens (pilotos, membros das equipes, jornalistas, etc).


lugar – Adrian Newey

Em sua quarta temporada na equipe Red Bull, o “engênieiro” inglês justificou cada centavo de seu amplo salário projetando o melhor carro da temporada. A mudança radical nas regras permitiu que ele exercesse sua criatividade; a confusão com a regra dos difusores impediu que sua criação dominasse o ano todo. Mesmo assim, Newey correu atrás do prejuízo e realizou com maestria as adaptações necessárias ao difusor duplo. As três vitórias no final do ano ficam como prova.


lugar – Giancarlo Fisichella em Spa

O mundo parecia girar ao contrário naquele final de semana de setembro. Giancarlo Fisichella colocou o carro na nanica Force Índia na pole position e não venceu a prova porque havia um inspiradíssimo Kimi Raikkonen em uma Ferrari com KERS para resistir à sua diabólica pressão durante umas 40 voltas. Com o melhor carro daquele final de semana, o italiano exibiu a melhor faceta do esporte, antes de fazer um dos “worst career moves” da história.


lugar – Sebastian Vettel

Está certo, ele cometeu a sua dose de erros, como a desnecessária e desastrada defesa de posição contra Kubica na Austrália, a batida oriunda de pura frustração em Mônaco ou o erro na primeira volta na Turquia. Mas como tudo na trajetória de Vettel é natural, ele aprendeu rapidinho e fez uma tremenda segunda metade da temporada. E deixou a impressão que, apesar das falhas, o título se perdeu mesmo nos problemas de motor que teve. E vê-lo como futuro campeão do mundo deixou de ser impressão. Virou certeza faz tempo.


lugar – Brawn GP

Um inverno de absoluta incerteza – a única certeza que tinham é que o carro projetado era excepcional – criou uma unidade poucas vezes vista em uma equipe de Fórmula 1. E foi esta união o principal segredo do sucesso da Brawn GP em 2009. Se Jenson Button deu o tom e praticamente garantiu o título na primeira metade do ano, Rubens Barrichello mostrou o caminho para a equipe manter a trajetória diante do crescimento dos adversários. E para a turma que sofreu como poucas nas duas temporadas de fracasso que culminaram com a saída da Honda, a dupla conquista de 2009 foi ainda mais saborosa. Numa temporada em que a “insurreição das pequenas” foi o principal fato, o sucesso da trupe mais fraterna e cúmplice, por tudo o que passaram, foi merecidíssima.

CREDENCIAL – ABU DHABI

Bem-vindos ao paddock de Abu Dhabi para o último Credencial do ano! Como sempre, muitas informações sobre os bastidores da corrida, esta a que encerrou a temporada. Completamos assim o ciclo das 17 provas de um ano em que o blog levou vocês à todas elas. Para saber o que está por trás da ida da F-1 para Abu Dhabi, para ver um “boletim” de final dos pilotos, para falar do mercado dos pilotos e projetar para 2010: está tudo aí, é só apertar play e boa audição!

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