sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

HABLA, ADRIÁN

Adrián Campos Suñer se juntou a um clube exclusivíssimo. Ele é um dos poucos pilotos de Fórmula 1 que vieram a ter uma equipe com seu próprio nome. Como fizeram Jack Brabham, Bruce McLaren, Chris Amon, Graham Hill, John Surtees, Emerson e Wilson Fittipaldi, Arturo Merzario, Jackie Stewart, Alain Prost e, ufa, Aguri Suzuki.

Aos 49
anos, o espanhol baixinho e de voz rouca está no Brasil para negociar com potenciais patrocinadores da Campos Meta. E se mostrou um chefe de equipe diferente dos atuais: aberto e franco. “Perguntem-me o que quiser que eu respondo”, provoca. O que vai ser da Renault? “Acho que o (David) Richards vai comprar o time”. Alonso e Massa terão uma convivência pacífica na Ferrari? “Olha, os dois são muito inteligentes e vão trabalhar em primeira linha para ajudar o time. Mas se a competição entre eles apertar, fica difícil prever”.

Campos sabe o que fala. Afinal, foi ele quem descobriu um garotinho bochechudo e de sobrancelhas grossas. “Foi em um evento no Palau de Saint Jordi, em Barcelona. Era a ‘noite dos veteranos’, uma corrida de kart que eu corria com outros nomes do esporte a motor espanhol. Tinha um garoto, campeão de kart, que não competiria. Mas teria uma câmera presa no capacete para nos filmar. E ele passava todo mundo, deixava todo mundo passar e depois passava de volta. Era Fernando”.

O passado de piloto também foi tema das conversas. O espanhol arregalou os olhos quando soube da destruição do autódromo de Jacarepaguá, onde estreou na F-1, no GP do Brasil de 1987. “Que lástima! Era uma pista fantástica, umas das melhores que eu corri”, opinou. Sua participação na prova rendeu uma história divertida. “Acabei desclassificado. Eu largava em 11° (n.R: memória o traiu aqui, ele largou em 16°) e, faltando um minuto para a volta de apresentação, percebi que não tinha colocado os protetores de ouvido. Tirei o capacete, coloquei os protetores, fechei o capacete. No processo, deu a luz verde e dois carros me passaram. Eu os ultrapassei em seguida e larguei do meu lugar mesmo, mas me desclassificaram. Disseram que eu deveria ter deixado todos me passarem e largar em último. Argumentei que era menos perigoso eu recuperar a posição de dois do que deixar mais que dez me ultrapassarem. Me deram razão, tanto que a regra mudou na corrida seguinte”.

Todas as corridas que Adrián Campos disputou na Fórmula 1 (17, em 21 participações) foram pela equipe Minardi. Mas ele não quer traçar um paralelo entre ela e a Meta Campos. “Eu adoro o Giancarlo Minardi. Mas ele ficou anos e anos na categoria sem avançar. E eu espero crescer rapidamente a partir do terceiro ano. O Giancarlo sempre me disse que o problema dele era não falar inglês e não se dar bem com Bernie Ecclestone. Esses problemas eu não tenho”, sorri o espanhol, que o manda-chuva da F-1 como “uma espécie de pai”.

Para alcançar o sucesso, Campos aposta em Bruno Senna, um piloto que o impressionou na GP2. “Não é normal um piloto ser vice-campeão da categoria com apenas quatro anos de experiência, sem ter passado pela escola do kart. Ele tem um talento enorme e acho que atingirá todo seu potencial daqui a dois anos”, opinou.

O companheiro do brasileiro deve ser decididoantes do Natal” e ele cita Pastor Maldonado, Pedro de la Rosa e Vitaly Petrov como candidatos. O nome de Álvaro Parente também surgiu nessa semana na imprensa européia, mas não chegou a ser mencionado por Campos. Mas o mais interessante está na sua no motor Cosworth. O espanhol revelou que as equipes que vão utilizá-lo são contra a idéia do reajuste na potência dos motores pedido pela Renault. “Pelos testes, o Cosworth é mais potente que o Ferrari. Ainda precisa melhorar o torque. Mas, de potência, estamos bem”, adianta.

10 comentários:

Fabehr disse...

ótima reportagem Ico! A qualidade de sempre. E gostei da foto, essa Minardi era bonitinha... Será q Rianov ja viu o post?

Ron Groo disse...

Então ele é o cupado por Fernando Alonso? Vixe...

Até onde podemos acreditar que os cosworth estão melhores que os Ferrari? Ou mais pontente como diz Adrian?

Eu ainda tenho sérias duvidas quanto a este propulsor...

marconi disse...

Espero que os carros da Campos sejam razoavelmente bons para que o B. Senna possa ter a chance de mostrar o seu potencial. Gostaria de saber que patrocinadores brasileiros são esses. A Petrobras é um deles? Ah... e esse carro da Minardi é maravilhoso!

Marcos Antônio Filho disse...

isso do motor cosworth me deixou confiante pra Williams no ano que vem! Tomara mesmo que o Cosworth esteja bom!

tibone disse...

O melhor do post é foto.
Essa época do mid-late 80's foi a que mais produziu carros bonitos de corrida, grandes, pomposos e pretenciosos, como todo carro de corrida deve ser.

Aderson disse...

Minardi M187, esse carro é lindão.
Motori Moderni V6 turbo de 800cv.

Bons tempos da F1.

Fleetmaster disse...

Se ele vai ter sucesso eu nao sei. Mas a Minardi que ele pilotou é bem bacana !

Tohmé disse...

Sempre gostei das Minardi. E essa em especial era linda de morrer.

Anônimo disse...

Cara, como é mesmo o nome do patrocinador q está na asa traseira do carro da foto q ilustra o post?

Fernando Mayer disse...

Caramba! Mais potentes do que os motores Ferrari! Será que são tão bons estes propulsores? Sei não...mas tomara que sim e isso é bom pra todos aqueles que o usarão, principalmente a dupla Williams-Barrichello (acho que o Groo vai me xingar...) que podem usar a Grande experiência de ambos pra tirar o máximo do carro.