quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

SEM TEMER AS PIRANHAS DO RIO

Nem o cansaço da viagem transatlântica em um vôo mal dormido turvou o raciocínio de Alex Tai, o chefe da equipe Virgin Racing que veio acompanhar Lucas di Grassi na coletiva realizada ontem em São Paulo. Nessa conversa exclusiva, ele demonstrou um discurso de conciliação positiva nesse período de transição da Fórmula 1. E afirmou acreditar que a categoria esteja voltando ao espírito do passado. “No estilo Steve McQueen”. Confira!

Alguém veio lhe dar as boas-vindas ao “Piranha Club”?
Sim
! (Risos) Mas... acho que é um nome um pouco enganador. Falaram que seria um oceano infestado por tubarões, mas as equipes do paddock nos receberam de braços abertos. A FOTA é um braço coletivo e ela busca receber o apoio de todas as equipes para atender ao interesse de todos. E estão nos ajudando muito. Nós nos enfrentaremos nas pistas, vamos todos brigar dentro das regras. Quando existiam pessoas que querem burlar as regras, era um sinal de um caráter diferente que tinha no paddock. Nós somos uma equipe nova para uma era nova. Somos abertos, honestos e estamos aqui apenas para correr.

Você
conhece tudo sobre a Virgin, mas não possui experiência com o automobilismo. Como pretende superar isso?
Nós
também não tínhamos experiência com viagens especiais, mas aprendemos rápido, fazemos direitinho nossa lição de casa. Nossa filosofia é a de empregar pessoas inteligentes e fazer muita análise antes de entrar em uma nova área de atuação. Acho que pegamos os melhores parceiros com a Manor e Nick Wirth. Não vou fingir que sei pilotar um carro, construir um motor ou simular um programa. Mas espero escolher as pessoas certas para fazer o melhor trabalho e criar o ambiente ideal com os recursos necessários para extrair o máximo disso. Uma equipe é algo coletivo, não apenas um cara que seja um gênio. Claro quediferentes níveis de performance. Ross Brawn é brilhante, Frank Williams é brilhante, são verdadeiros pilares nesse trabalho e eu ficaria encantado se conseguisse um dia ser minimamente parecido com eles. Mas o que os torna brilhantes é a capacidade de identificar talentos à sua volta. Espero lapidar os John Booths e Nick Wirths que estão por , lhes dando os recursos e o suporte necessário para competir.

O
momento da Fórmula 1 é realmente propício para os investidores que estão chegando com o objetivo de gerar lucro?
Com
certeza. Acho que as franquias valerão muito dinheiro em pouco tempo. Especialmente se as restrições de recursos entrarem em vigor da maneira correta. Vou concentrar meus esforços para isso, gostaria de ver esse processo acelerado e melhor regulado. Mas é preciso levar em conta os sacrifícios que as grandes equipes estão fazendo. A Fórmula 1 não seria o que é sem a tradição de marcas como Ferrari, McLaren e Williams. São equipes com uma herança fantástica no esporte. Precisamos fazer isso juntos. Você citou o clube das piranhas. Para mim, o melhor seria exigir que todos trabalhassem no ano que vem com 30 milhões de libras. Times como esses ficariam perdidos. Mas não é algo bom a longo prazo. Eu até teria mais chances de sucesso, mas estaria competindo sozinho em poucos anos. Precisamos pensar juntos numa solução, poisum caminho de duas mãos. Algumas equipes terão de cortar até 400 funcionários e passar por um processo doloroso. Ao mesmo, nós somos equipes novas, ainda criando uma estrutura de operação e enfrentando todas as dificuldades inerentes a isso. Respeitando os dois lados, chegaremos à meta dos recursos restritos em 40 milhões em 2012.

A
imagem mostrada no vídeo de apresentação da Virgin Racing une velocidade, música e aventura. Você a equipe formando uma nova geração de fãs de Fórmula 1?
Não
, eu acho que era assim no passado, na época de James Hunt, de Villeneuve... No passado, havia muito mais esporte, diversão, sexo, drogas e rock and roll. Era esse o apelo para as pessoas, corridas no estilo Steve McQueen. Sem politicagem, sem os engravatados das corporações, sem grandes montadoras, apenas corridas. Nós somos apenas uma equipe, buscando o melhor desempenho possível dentro de um orçamento limitado, através da criatividade de pessoas competentes. O vencedor não deve ser necessariamente aquele que gasta mais dinheiro. E o grupo Virgin tem recursos gigantescos, mas não acho que isso tenha apelo junto ao público. Eles querem ver quem tem habilidade na pilotagem e na criação de um bom carro, não em quem é bom de gastar. Sempre foi assim, não é algo novo. A F-1 é assistida por um bilhão de pessoas. queremos mostrar um caráter diferente, novo, mas estamos apenas somando a algo que existe, não apontar a maneira com que deve ser feito.

Em cima disso, a Virgin Music pretende se associar ao F1 Rocks de alguma forma?
Claro. Temos muitas vantagens em ter uma vasta gama de atuação. Os festivais de Virgin juntam mais de meio milhão de pessoas anualmente no mundo todo. Poderíamos levar essa cultura ao esporte. Algumas pessoas querem ir ao autódromo e ver a corrida. Mas há outras que podem ver a corrida, um show e uma festa enorme feita pela Virgin e acharão o dia fantástico. Queremos dar essa chance de escolha, ter pessoas que venham com a gente e que curtam a viagem.

4 comentários:

orlando disse...

Gostei, claro sincero e objetivo. Lógico tirando os erros de tradução e/ou pronúncia entre viagens especiais, ou Espaciais?
Espero que não seja só investimento financeiro, e torne-se um equipe de F1, e goste de automobilismo.

ba disse...

Acho que o Ico traduziu direitinho, sim, Orlando: a Virgin entrou, por increça que parível, no ramo de viagens espaciais. Tanto que Lauda e Barrichello (agora nem sei mais, já que foi pra Williams) serão os primeiros a desfrutar de circuito comercial do serviço.

E impressionante a lucidez do homem: ele tem consciência de que a redução seria a melhor medida para beneficiar as novatas, mas, ao mesmo tempo, um golpe duro na categoria a longo prazo.

Bom, mas também pode ser que ele ainda esteja em cima do muro...

Eduardo Benvenuti disse...

O Orlando está correto, o Ico digitou "especiais" ao invés de "espaciais". Acontece... eu mesmo, quando estava lendo aqui, não percebi!!!

A entrevista foi bem legal mesmo, gostei da postura!!!

Parabéns pelo post, Ico!

gpedroso disse...

cada fez mais me simpatizo com essa equipe, das novatas vou torcer pra ela... Virgin Rocks Racing Show!!! grande sorte ao Di Grassi!!!

"espero escolher as pessoas certas para fazer o melhor trabalho e criar o ambiente ideal com os recursos necessários para extrair o máximo disso. Uma equipe é algo coletivo, não apenas um só cara que seja um gênio... Espero lapidar os John Booths e Nick Wirths que estão por aí, lhes dando os recursos e o suporte necessário para competir"

Muito bom, é uma das principais chaves de sucesso: Localizar as pessoas certas, colocar no lugar certo e dar condicoes de executarem o trabalho.

Grande abraço Ico, o melhor blog de formula 1