sábado, 17 de julho de 2010

BALANÇO DE MEIA TEMPORADA I

O Grande Prêmio da Inglaterra foi a décima de 19 etapas do Mundial 2010. Essa pausa agora é ideal para a gente fazer uma análise do que cada equipe e seus pilotos alcançaram até agora – e o que podem aspirar até o final do ano. É o que farei de hoje até terça-feira, sempre com três times por dia. Começando pelas novatas.

LOTUS
Se estabeleceu como a melhor das estreantes na primeira metade do ano, graças a um carro confiável e ao equilíbrio e experiência de sua dupla de pilotos. O futuro do time parece bem assegurado, especialmente depois da contratação de bons nomes como o engenheiro inglês Mark Smith, oriundo da Force Índia.

Heikki Kovalainen parece renascido depois de duas temporadas vivendo à sombra de Lewis Hamilton na McLaren. Está motivado, anda alegre pelo paddock e tem dado tudo de si nas corridas – o que acabou gerando inclusive o espetacular acidente com Mark Webber em Valência, para mim um incidente de corrida. Faz um bom ano até aqui.

Jarno Trulli continua o mesmo, sem carisma e sem muito brilho. Continua se classificando bem, o que sempre foi seu ponto forte, embora tenha sido superado por Kovalainen o mesmo número de vezes que o superou aos sábados. Renovar por mais um ano seria uma vitória para ele. Sua sorte é que sua principal ameaça, o malaio Fairuz Fauzy, é ruim de dar dó.

VIRGIN
Sofreu além da conta no início da temporada com problemas de confiabilidade do VR-01. O carro permanece como o principal problema: vai bem em alguns finais de semana, mal em outros e ninguém parece entender as razões disso. Mas o diretor-técnico Nick Wirth trabalha feito um obcecado para melhorar o quadro, o que é positivo. E é uma organização que passa a sensação de um time unido.

Timo Glock foi a aposta do time para desenvolver o carro – o que me parece um erro de cálculo. O alemão parece ter se desmotivado diante da falta de competitividade do modelo e passou algumas semanas olhando por alternativas no mercado. É um bom piloto, mas não do tipo ideal para liderar uma equipe que tem uma tarefa gigantesca diante de si.

Lucas di Grassi pouco pôde mostrar com um carro problemático e acima do peso, o que o deixa com uma desvantagem natural diante do companheiro de equipe. Equalizando no cronômetro a diferença dos quilos, tem andado muito perto de Glock. Nas corridas está indo muito bem quando o carro não quebra, mas ainda trabalha para acertar a mão nos treinos de classificação.

HISPÂNIA
Ter aprontado o time para correr no Bahrein foi um feito notável, mas os pontos positivos da Hispânia não vão muito além disso. O carro é ruim demais, falta dinheiro para desenvolvê-lo e a maneira autoritária de Colin Kolles no comando não ajudam em nada a trazer estabilidade para a equipe. A aposta dele é que o dinheiro de Sakon Yamamoto faça isto. Sobreviver parece ser a única meta sensível.

Bruno Senna encontrou um péssimo cenário para sua estréia na Fórmula 1. Teve alguma dificuldade no início do ano para se readaptar aos monopostos, algo que reconheceu, mas depois passou a superar o companheiro de equipe com certa facilidade. Só que mostrar seu valor ao mercado é difícil num carro como este. E as confusões com o comando da equipe só atrapalham seu trabalho ainda mais.

Karun Chandhok é uma pessoa bacana, muito expansiva e bem-humorada. Mas não mostrou credenciais o suficiente para se estabelecer na Fórmula 1. Problemas de patrocínio e os bolsos cheios de Sakon Yamamoto podem abreviar sua passagem por ela. Mas é um nome que agrada a Bernie Ecclestone pela perspectiva do chefão em abrir o mercado indiano para a categoria. É triste, mas esta é sua maior qualidade.

(Foto Luis Fernando Ramos)

8 comentários:

Daniel Médici disse...

Achei a entrada das novatas, mesmo que no papel de figurantes, bastante benéfica à categoria. Mas não sinto muita empatia em relação à Lotus, apesar do profissionalismo, e à Hispania, um projeto definitivamente fracassado. A Virgin é, de longe, a que eu mais torço para vingar e permanecer no grid nos próximos anos.

Marcelonso disse...

Ico,

Lotus e Virgin apesar de toda defasagem merecem um certo crédito.

Já a Hispania merece um belo pé na bunda.
A categoria não pode aceitar um time que fique rifando o assento,isso ainda pode não acabar bem.


abraço

Anônimo disse...

Nunca vi ninguém criticar a Minardi pelo mesmo expediente de ficar rifando o assento da equipe. Mas como atinge o amado Bruno Senna, o intocado sobrinho do tricampeão mau-carater, todo mundo quer defender com unhas, dentes e bundas.

Aderson disse...

Já era esperado que a Lotus fosse a melhor estreante.
É a unica das 3 que tem um projetista com bastante experiençia em F1.
Mike Gascoyne é incompetente mas sabe como desenhar um carro.
Nick Wirth tem alguma experiençia com F1 mas em projetos bem já defasados. Seu ultimo projeto foi com a Sintek em 1994. Já se vão 16 anos que ele não projeta um F1. Gascoyne projetou o VMJ01 de 2008. Não está tão defasado.
E pra piorar as coisas pro Wirth, desenhou um carro todo no CFD. Nada de tunel de vento.
Resumindo: tentou dar um tiro no escuro!

E a Hispania é uma piada. Achavam que a Dallara poderia fazer algo competente pra F1 quando nunca fez mesmo quando era uma equipe oficial da F1.
No dia que um outro fabricante de chassis entrar na GP2 ou na F-Indy, vai aparecer a mesma incompetencia da Dallara pelas aquelas bandas.

Esteban disse...

A Virgin teve muitas problemas em confiabilidade no início da temporada.

Só agora, nas dois últimos GPs, eles tiveram upgrades visando performance. Antes, devido aos problemas conhecidos por todos, apenas a questão da confiabilidade era trabalhada.

Foi por isso que a Lotus chegou a ter um carro 1.5s mais rápido.
Já no último GP vimos que essa diferença foi reduzida para cerca de 0.4s.

E a Lotus já anunciou que abandonou o desenvolvimento do carro de 2010 e já trabalha no modelo do ano que vem.
A Virgin tem tudo para terminar a temporada com o melhor carro, comprovando que é possível fazer umbom trabalho (considerando que é uma novata) sem utilizar o túnel-de-vento.

Apesar disso, a Lotus deve ser a campeã entre elas, pois quem quiser tirar esse título dos malaios precisará de um 12º lugar, o que fica mais difícil a cada corrida.

Vale lembrar que os melhores resultados dessas equipes foram obtidos no início da temporada:
A Lotus com um 13º lugar de Kovalainen na Austrália. A HRT tem um 14º lugar de Chandhok no mesmo GP e a Virgin um 14º do Di Grassi na Malásia. Di Grassi que sem dúvida é o melhor entre os pilotos estreantes.
No início da temporada os carros dessas equipes eram cerca de 3s mais lentos que agora, mas contavam com abandonos das equipes já estabelecidas, o que na medida em que o campeonato avança vai ficando mais raro.

Para conseguir um 12º lugar em uma prova atualmente seria preciso vencer a briga das novatas (o que garantiria apenas um 19º lugar), além de contar com abandonos de no mínimo mais 7 carros das médias e grandes.
É por isso que o título entre os estreantes está na mão da Lotus, mesmo que a Virgin vença todas as disputas entre elas daqui pra frente.

Arthur disse...

Nada disso "anônimo".

A formula da Minardi era a de sempre contratar um piloto jovem que se destacou em categorias de base e um outro experiente.

Durante muito tempo o piloto experiente foi o Martini.
Mas também fizeram esse papel o Andrea de Cesaris,Katayama,Tarso Marques,Fabrizio Babarzza,Marc Gene,Jos Verstappen...

E também sempre apostou em jovens pilotos:Nannini,Perez-Sala,Morbidelli,Paolo Barilla,Zanardi,Badoer,Alonso,Sarrazin,Webber,Justin Wilson...

Nos ultimos anos,por falta de dinheiro para investir pesado,começaram a pegar pilotos jovens mas que não eram tão bons assim.
Gimmi Bruni tinha feito algum sucesso na Italia.Para correr ao seu lado,um piloto com mais experiencia e que,de quebra,levasse algum dinheiro:Baumgartner.

O carro era ruim e não deu certo.

No último ano,mesma coisa.
Christijan Albers tinha feito algum sucesso no automobilismo alemão e ainda agradaria os patrocinadores holandeses.
Friesacher era bem novo,tinha feito bom campeonato na F3000 e ainda tinha bos patrocinios.
A Minardi era pobre,não teria como pegar o Liuzzi.Então pegou o Friesacher,que também correu bem nesse campeonato...

É diferente da Hispania,que está trocando apenas pela questão financeira.
E o pior,está colocando um pilotos que só tem dinheiro e que NÃO ESTAVA CORRENDO EM NENHUMA CATEGORIA!

Quando a Minardi tirou o Friesacher e colocou o Doornbos,o holandes já era piloto de testes da Jordan e tinha feito uma ótima F3000.

Olha a diferença.

É covardia comparar a Hispania com a Minardi.

MINARDI FOREVER!

Ron Groo disse...

Eu gostei das novatas, equipe lenta sempre existiu, por isto não entendo a gritaria contra elas agora, mas...

Está sendo um temporada muito boa, para quem reclamou tanto em anos anteriores este é um campeonato que mostrou melhoras significativas e relevantes.

Ico (Luis Fernando Ramos) disse...

Concordo com o Arthur - com exceção dos últimos anos, a Minardi sempre estruturou seus pilotos sem depender de dinheiro.

Abs!