segunda-feira, 19 de julho de 2010

PALAVRAS AO VENTO

Se você anda ouriçado com as ameaças de Bernie Ecclestone em retirar o GP de Mônaco do calendário da Fórmula 1, relaxe: isso não vai acontecer. Além da tradição de 56 anos na categoria, o evento tem o crucial valor de ser o local onde a grande maioria dos negócios são fechados. Todos os anos diretores de empresas e das equipes se reúnem em iates ou hotéis luxuosos e fecham os contratos de patrocínio.

As ameaças públicas que ele anda fazendo precisam ser lidas nas entrelinhas. Precisamos ter em mente que um novo Pacto da Concórdia – o documento que define as diretrizes comerciais da categoria – será negociado no ano que vem. E ele sabe que terá muita dificuldade para prevalecer na queda-de-braço contra o desejo das equipes em morder uma fatia maior do bolo.


A FOTA foi criada e se mantém firme com esse único objetivo em mente. E, comenta-se nos bastidores, tem o apoio da FIA de Jean Todt nesta cruzada. É uma guerra aparentemente perdida mas, ao atacar Mônaco, o todo-poderoso atira em duas direções. Por um lado, deixa claro que pretende aumentar o valor cobrado dos organizadores (em geral) para diminuir a perda que possivelmente sofrerá. Por outro, aterroriza as equipes com a ameaça de tirar do calendário este “balcão de negócios” à beira do Mediterrâneo tão vital para a saúde financeira delas.


Mas Bernie não é bobo e sabe que o fim do tradicional evento seria um golpe do qual a F-1 dificilmente se recuperaria. E uma F-1 enfraquecida murcharia inevitavelmente o bolo do qual ele e seus sócios também se alimentam.

(Foto Luis Fernando Ramos)

9 comentários:

José Inácio Pilar disse...

Não está na hora de Bernie passar o bastão? Hoje em dia, quem seria o sucessor dele? Caso ele faleça ou saia, quais as consequências para a F-1 a curto e longo prazo?

Ron Groo disse...

Eis aí uma analise em que confio.
Também acho que uma F1 sem Mônaco seria comercialmente mais fraca. E tudo que o Bernie não quer é enfraquecer a parte comercial.
A esportiva ele tá nem ai, mas a comercial...

Verde disse...

Mônaco não cairá fora. Pena.

Muitos dizem "oh, o automobilismo de verdade está aqui". Automobilismo de verdade, para mim, está em um "racing day" em Thruxton ou mesmo em uma corrida em um minúsculo oval em Idaho ou Delaware. O que temos em Mônaco é a síntese daquilo que caracterizou a Fórmula 1 dos 20 anos: luxúria, ostentação, negociatas, fofoquinhas, demonstrações vis de poder, competições de egos e pouco esporte. Deve ser o único evento esportivo no qual se presta mais atenção no estádio do que no jogo. O que, me perdoem os fãs, é inaceitável.

E Mônaco, como pista de corrida, não é aquela coca-cola toda. Se Bernie quiser arrancar a corrida do principado e colocar uma no famoso Circuito da Guia, por exemplo, seria o primeiro a apoiar.

PS: eu sei que é muito chato pedir, mas teria como colocar meu blog em seu blogroll? Fa-lo-ei o mesmo no meu.

Rodrigo disse...

Minha humilde opinião: Que tire Mônaco! Corridinha chata...

Marcos Antônio disse...

monaco é tradição,e assim como Monza e Spa, nunca devem ser mexidas, logo depois, Interlagos e Silverstone estão quase semi canonizadas, silversonte desceu de posto pela mudança de traçado, mas até que não ficou ruim como ficou em Hockenheim...

e mais uma palavra sobre seu post: Ufa!

Anônimo disse...

Mônaco pode ser o circuito mais chato de se ver, ou como na opinião de nosso amigo, na qual concordo, uma corrida onde se olha o estádio e não o jogo, com tanta riqueza etc.

Mas é de fato clássico, e prefiro Mônaco a Singapura, ou a Abu Dhabi, e principalmente a Valência.

Parece que se depender de Bernie, teremos uma Fórmula Beleza, com circuitos de rua belos e corridas a noite...Ou como meu sábio pai me disse, Fórmula $$$,o que Bernie entende muito bem..

www.topspeedf1.blogspot.com

Ron Groo disse...

E tem mais...
É preferível uma corrida chata de verdade em Mônaco que uma animada artificialmente no Bahrein por exemplo.

Rodrigo disse...

Pode ser um pouco de humor negro da minha parte, mas... as corridas de F1 eram melhores quando os pilotos corriam sérios riscos de vida, falo isso em relação aos circuitos de antigamente, agora que os carros de hoje devem tão resistentes quanto um tanque de guerra, por que não voltar a ter circuitos de alto perigo?

Anônimo disse...

Por mim tirava fora todas essas tranqueiras: Valência, Abu Dhabi, Singapura e Mônaco... não valem de nada pro "esporte". Ah sim... mas F1 não é esporte né... então fazer o que?