quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

F-1 EM VALÊNCIA: UMA HISTÓRIA DE ERROS

Numa entrevista publicada pelo jornal “La Repubblica”, Bernie Ecclestone deixou claro que não há mais um espaço para um país abrigar dois GPs numa temporada da Fórmula 1. O recado foi claro: uma das corridas espanholas deve sair em breve do calendário. E vai ser o GP da Europa, realizado nas ruas do porto em Valência. Motivos para isso não faltam.

Em primeiro lugar, há que se levar em conta que há anos o circuito de Barcelona fica completamente lotado por conta do GP da Espanha. O evento ali é um sucesso para os organizadores, tem tradição e não faria sentido que ele deixasse a F-1. O mesmo não ocorre em Valência.

Quando a cidade formalizou sua intenção em realizar uma corrida, no auge da “Alonsomania” no país, seus dirigentes contactaram Bernie Ecclestone. Ele visitou o circuito Ricardo Tormo numa etapa da GP2 e gostou muito do que viu. Mas não queria mais um evento numa pista “normal”. Botou na cabeça que deveria ser um circuito de rua. E sugeriu o porto da cidade quando foi visitar as instalações que eram utilizadas na America’s Cup.

Sedento por realizar uma grande ação de marketing político, o governador da região Francisco Camps comprou a ideia - e a pagou com o dinheiro do contribuinte. Acabou marcando um enorme gol contra, já que a insegura economia espanhola não permite que o cidadão comum valenciano compre os caros ingressos para a prova. E o evento, realizado no verão, ainda perturba o trânsito local e complica a ida dos habitantes à principal praia da cidade. A grande maioria detesta o GP. Não é de se admirar que, em três anos, a prova nunca teve lotação esgotada.

Por conta do desejo de Ecclestone, a Fórmula 1 perdeu a chance de ocupar um autódromo que seria uma festa para os torcedores. O Circuito Ricardo Tormo, que fica apenas a 20 minutos do centro da cidade, possui arquibancadas fixas para 65 mil pessoas, todas permitindo uma visão quase integral do traçado. É praticamente um estádio de futebol dedicado à velocidade. Uma grande pena.

Claro que a questão do preço dos ingressos dificultaria uma eventual lotação máxima por lá também. Mas os organizadores teriam pelo menos uma alternativa. Na corrida da MotoGP, eles vendem ingressos a preços muito baixos nos morros que ficam no entorno da pista, chegando a incrível marca de 115 mil torcedores para ver a prova. Todo ano lota.

7 comentários:

Celso Vedovato disse...

Não sabia que outras pistas além de Interlagos, proporcionam visão privilegiada de quase toda a pista. Grata surpresa essa informação sobre o autódromo de Valência.
Voce apontaria outros com estas características, Ico!?

Érico disse...

Ico, a pista do circuito é lenta, travada e estreita. Sequer a Moto GP realiza provas emocionantes por lá. Para a F1, seria algo como uma coletânea do pior e mais chato que todas as corrias sem ultrapassagens já proporcionaram.

Um GP lá jamais daria certo.

Ron Groo disse...

Por mim podiam sair as duas pistas que estão na F1 agora. Não curto nenhuma.

Barata disse...

Ron Groo, somos dois então. As duas corridas não fariam a menor falta. Se sai o piloto espanhol mal caráter envolvido em todos os escândalos da fórmula 1 nos últimos anos então...seria melhor ainda.

De disse...

Pois é, Valencia nem deveria ter sido inaugurada! ;-)
Ô pista chatinha!

Rafael Dias Santos disse...

Pode sair que não fará falta. Diferente de Estoril e Kyalami, que eu gostava.

JCCJCC disse...

Valencia é apenas um circuito bom para testes. Mesmo nas Formulas de promoção (World Series, F3, etc.) se vêm poucas ultrapassagens. Na F1 ia ser uma corrida ainda mais aborrecida que a da catalunya. E como tem poucas rectas grandes, se calhar nem com a nova asa flexível veríamos ultrapassagens.