segunda-feira, 14 de março de 2011

“SÓ” COM O PÉ EMBAIXO

Falta pouco para o início da temporada. Em dez dias a comunidade da Fórmula 1 estará reunida no agradável paddock do circuito de Albert Park para as entrevistas de uma quinta-feira pré-GP - no final das contas, o legítimo protesto dos desfavorecidos no Bahrein acabou tendo o pouco significativo efeito de colocar a abertura da temporada num lugar que a merece. E um tema recorrente será a questão do uso das asas móveis.

A FIA deve ratificar neste semana de forma oficial aquela regra dos 600 metros delimitados para o uso do dispositivo. Em Melbourne, o trecho liberado será toda a extensão da reta dos boxes, com o ponto que mede se a distância entre competidores é menor que um segundo sendo colocado três (!) curvas antes dela. Na Malásia (reta dos boxes) e na China (reta mais longa, entre curvas 13 e 14), a medição será feita na curva imediatamente anterior à reta.

Nos treinos livres e na classificação, os pilotos poderão usar a asa móvel a bel prazer. O que deixa um certo ar de preocupação em relação à segurança. Na sua participação no “Pole Position” do último sábado, Luiz Razia explicou que a asa móvel só pode ser acionada com o pé embaixo - ou seja, com o curso do acelerador 100% acionado.

Bom, pelo menos nenhum sem noção vai tentar fazer a Mirabeau, em Mônaco, sem o apoio aerodinâmico necessário. Mas o risco persiste. Na busca por décimos de segundo, a turma com certeza vai acionar a asa móvel em trechos como a curva 3 de Barcelona, a 8 de Istambul, a nova Abbey ou a Eau Rouge. E se a lâmina paralela ao solo retirar uma fundamental carga aerodinâmica que mantinha o carro na pista? Justo em pontos de altíssimas velocidades?

Pelo jeito, só saberemos na prática. Torcendo para que ninguém se machuque.

(Foto Williams)

9 comentários:

Bruno disse...

Então vai ficar mesmo esse papo de 600m...
Bom, na minha humilde opinião, terminaram de estragar um treco que já nasceu errado.

Érico disse...

Não será mais perigoso que o F-Duct, mas o problema continua em sua terrível aplicação durante as corridas. Mais um cagada da FIA.

Marcelonso disse...

Ico,

Essa regulamentação é ridicula, esse troço não vai funcionar.
O piloto a mais de 300 km/h com trezentos e trinta e dois botoes para apertar, ainda ter que respeitar zona de ultrapassagem...

Verdadeiramente a F1 tá virando uma zona!

abs

Paulo disse...

Meu Deus....querem complicar um negócio tão óbvio!! Credo....

Luiz Carlos Silva disse...

Do alto da minha ignorância eu pergunto: se os pilotos já sabem de antemão o local onde pode ser usada a asa, o que está na frente pode muito bem acionar o dispositivo e impedir a ultrapassagem (suposta) do que vem atrás todo matreiro, não????!!!!

Ico (Luis Fernando Ramos) disse...

Na verdade, Luiz, a regra estipula que o uso só será permitido para quem está atrás. Precisa só ver numa eventual situação que tenha três ou mais carros num grupo compacto separado por menos de um segundo entre cada um deles.

Abs

Billy disse...

A regra para a tal asa-móvel é a coisa mais confusa que já vi na F-1. A FIA é engraçada: inventa o dispositivo para proporcionar mais ultrapassagens e, ao mesmo tempo, limita seu uso a uma única parte do circuito. De certa forma, imagino que eles tenham percebido a repercussão negativa do aparato e, para não admitir que fizeram uma besteira incrível e eliminam a coisa de vez, dão uma justificativa para provar que ela ainda é útil.

fernando disse...

chega a ser grotesca a relação de 'condições de uso' do artifício.

é, na mirabeau dificilmente se atreverão, mas talvez na st. devote ou na massenet. só quero ver...

Bushwacker disse...

If the pilots already know beforehand where the wing can be used, what is ahead may well trigger the device and prevent the excess of what is all behind cunning?


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