terça-feira, 18 de novembro de 2008

FALARAM ONTEM BRUNO E LUCAS

Não comigo, que estou no Brasil, mas com jornalistas que estão lá em Barcelona. Um colega me passou as entrevistas de ontem, que transcrevo abaixo. Lembrando que os dois ainda terão mais chances. Lucas anda hoje e pela manhã já fez um tempo muito mais competitivo. Bruno tem o dia inteiro amanhã para mostrar o que pode fazer. Qualquer comparação baseada na folha de tempos final, todos sabemos, é inócua: condições de clima e de pista distintos, carros com acertos/pneus/volume de combustível que só o time sabe. E a Honda não está só avaliando velocidade, mas também conhecimento e feedback técnico, contato com os engenheiros, etc. A equipe encara o teste com absoluta seriedade e, depois da ambientação dos dois ontem, hoje Ross Brawn foi pessoalmente ao circuito para avaliar o desempenho dos brasileiros.

Vamos começar com Lucas di Grassi, que ficou curta porque o colega perdeu o início do papo. Do que não estava no áudio recebido, vale destacar Lucas dizendo que foi um dia positivo e que ele estava mais rápido que Alexander Wurz, também de Honda, quando os dois estavam na pista. Depois, falou:

- Como você encara essa situação de vestibular?
Eu vim fazer o meu trabalho, fazer o melhor que eu posso e ficar satisfeito comigo. Se for o suficiente para ficar com a vaga, fico feliz. Se não, paciência eu vou procurar outra coisa. É esse o meu foco deste testes e também de todos os outros testes da minha vida, então não deixa de ser um a mais.

- O carro está bem diferente do que o da Renault?
Muito diferente, até por trazer muitas coisas do ano que vem. O downforce reduziu muito, ficou mais parecido com o GP2. Mudou bastante o equilíbrio e também o jeito de pilotar. Foi praticamente como começar do zero. Preciso aprender, preciso evoluir, amanhã vou andar o dia todo, vai ser bom.

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Agora, Bruno Senna:

- Como foi essa sua primeira experiência com um Fórmula 1?
Foi um dia especial, um presente mesmo. Faz quatro anos que estou correndo e é um privilégio poder sentar num carro de F-1 tão rápido, fruto também de resultado e esforço. Cheguei bem tranqüilo, entrei no carro, vi que tinha muitas funções novas. A primeira saída foi mais cautelosa, mas tudo fica natural depois de algumas voltas. Me diverti muito, muito hoje. Foi uma oportunidade incrível?

- Algum nervosismo?
Quando sentei no carro pela primeira vez, pensei “bom, agora tem que ir”, fiquei um pouco ansioso, não nervoso, para sair logo e dar umas voltas.

- Qual foi o momento de maior prazer?
Nesta última série que eu dei, o carro estava mais equilibrado e eu estava mais à vontade também. Quando eu estava mais rápido e consistente, comecei a sentir mais prazer para puxar mais, explorar os limites.

- Como foi o programa do teste?
A equipe foi cautelosa, o nosso programa é mais light, para aprender o carro e a lidar com a equipe. Ao mesmo tempo, eles colhiam informações para o próximo ano. Principalmente agora à tarde, com a pista mais emborrachada, consegui fazer um trabalho um pouco melhor de acerto de carro e de consistência dos pneus. Foi um trabalho intenso.

- Como está sua expectativa com esses testes?
Qualquer piloto, quando se senta no carro quer andar mais rápido que todo mundo. Mas hoje eu coloquei na cabeça que sentaria no carro para aprender. O pulo da GP2 para a F1 é muito grande, não porque o carro é muito mais rápido, mas porque o carro é dinamicamente diferente, com reações diferentes. Até você conseguir superar as barreiras mentais que você mesmo faz, demora um pouquinho. Tive de ir aprendendo devagarzinho, puxando o carro um pouquinho mais forte, aqui e ali, ao mesmo tempo em que conversava pelo rádio e executava as funções que eles pediam. Esse foi meu grande trunfo no final do dia: andar rápido com uma parte da cabeça, mas executar as funções que eles pediam com o outro lado da cabeça sem demorar.

- E a espera por uma decisão?
Vai depender da minha performance. Quarta-feira pode ser um dia definitivo, ou não. Eles têm a consciência que eu sou um piloto inexperiente e estão me dando a oportunidade de provar se eu tenho potencial ou não. Vou fazer o melhor trabalho que puder. Se for bom o suficiente para que eles me dêem um “sim” rápido, ótimo. Se não for, paciência, eu espero e quando vier a resposta, verei se faço um teste a mais ou se faço alguma outra coisa ou se fecho o contrato.

- O que significa para você o nome Senna voltar a pilotar um Fórmula 1?
Existe uma responsabilidade com o nome da minha parte, não posso brincar com a imagem que o nome tem, isso é algo que é muito sério para mim. Ao mesmo tempo, eu faço isto porque eu amo o automobilismo e não porque eu quero viver a imagem do Ayrton ou à sombra do Ayrton. Minha intenção é fazer minha carreira, estou aqui porque obtive resultados bons o suficiente para que pessoas do meio me olhem como um prospecto sério para a F-1.

3 comentários:

Luiz G disse...

Olá Ico.
Com toda essa atenção do Bruno Senna na Honda, como ficam as possibilidades dele com o Berger na Toro Rosso?

Ainda é possível vê-lo lá?

Ico (Luis Fernando Ramos) disse...

Luiz, o Bruno mirou a Honda por ver uma chance de começar como titular lá. Se não vingar, acho que ele tenta a Toro Rosso sim. Mas os japoneses são a prioridade.

Ajzas disse...

Percebo que a Honda deixou seu paralítico RA 108 ir até o fim, como se pretendesse 'cremá-lo' oportunamente com a saída de Barrichello. Quanto a Button não sei exatamente qual será o plano, parece que o Inglês está sendo poupado dissimuladamente desse ritual.
O fato é que o novo Honda para 2009foi reservado para os novos talentos, notadamente para Bruno Senna, cujo nome deverá proporcionar uma nova associação de imagens mais lucrativa.
De qualquer forma, espero que seja eleito como titular o melhor. E que ele tenha muito boa sorte, pois vai precisar.