sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

UM POUCO MAIS SOBRE O KERS

Os testes realizados no mês de janeiro mostraram que o maior candidato a ser o principal assunto da temporada é o KERS. Principal novidade do regulamento técnico da Fórmula 1, o dispositivo tem provado ser um verdadeiro desafio aos engenheiros das equipes. As dificuldades no seu desenvolvimento levaram inclusive a consultas para cancelar a proibição de testes durante a temporada. Para que ele funcione de forma satisfatória, os principais times chegaram à conclusão que mais tempo de pista é imprescindível.

Mas o que é o KERS, afinal? Seu nome é a sigla em inglês de “Sistema de Recuperação de Energia Cinética” e seu princípio é explicado pelas leis da física. Um carro precisa consumir energia para movimentar sua massa. Nas freadas, uma parte dessa energia é recuperada. Sem o KERS, ela é transformada em calor nos discos de freio. Quando eles esfriam, esta energia recuperada se dissipa.

O que a técnica por trás do dispositivo faz é canalizar essa energia através dos eixos até um gerador que vai armazená-la. Depois, um piloto pode acionar um botão no volante que libera essa energia. Com isso, o motor ganha cerca de 70 cavalos por um período estimado de 6,6 segundos em uma volta, potência máxima permitida pelo regulamento da FIA. Para recarregar esse gerador, são necessários cerca de sete segundos de freada. Ou seja, os pilotos têm tempo de sobra em uma volta para recarregar o dispositivo e utilizá-lo, repetindo o processo nas outras passagens da corrida ou do treino de classificação.

Existem dois tipos de gerador. A maioria das equipes optou por uma solução elétrica, com uma bateria para armazenar a energia. A exceção é a equipe Williams, que trabalha com um sistema completamente mecânico. No momento, todas lutam com problemas de superaquecimento e também com o peso do dispositivo e seu efeito no comportamento do carro. Problemas que, pelo jeito, não serão resolvidos até a abertura da temporada em Melbourne. Por isso o movimento pela liberação de alguns testes ao longo do ano. Porque, todos já perceberam, um KERS funcionando bem será um diferencial importante na briga pelo título da temporada.


AS EQUIPES E O KERS

McLAREN-MERCEDES
Solução eletrônica desenvolvida com a ajuda de know-how externo; já testou o KERS em pista e deve utilizá-lo desde o GP da Austrália, na abertura da temporada.

FERRARI
Avançou muito nos testes de janeiro, experimentando as baterias na parte de trás e também nas asas dianteiras, para melhor distribuir o peso. Pode utilizá-lo já em Melbourne.

BMW SAUBER
Seu sistema é tido nos bastidores como o mais leve de todos, uma vantagem importante. Mas a confiabilidade e estabilidade nas freadas deixam a desejar. Uso na Austrália é quase certo.

RENAULT
O KERS foi desenvolvido pela fornecedora Magnetti Marelli, mas ainda não chegou a ser testado na pista. Por isso, o uso dele desde a primeira corrida é improvável.

WILLIAMS-TOYOTA
Única equipe a utilizar uma solução mecânica, cujos testes no banco de provas foram bem-sucedidos. Planeja utilizá-lo em todos os GPs da temporada.

RED BULL-RENAULT
Vai utilizar o sistema de sua fornecedora de motores, a Renault. Assim, não deve ter o KERS pronto para a utilização nas primeiras corridas do ano.

TOYOTA
Não está tão avançada no desenvolvimento e já questiona se vale a pena utilizá-lo por conta do peso extra. Dificilmente terá o KERS no carro na abertura da temporada.

TORO ROSSO-FERRARI
Deve ser uma das últimas equipes a apresentar o carro para 2009 e a falta de testes vai dificultar a utilização já em Melbourne do KERS desenvolvido pela Ferrari.

FORCE INDIA-MERCEDES
Só recebeu as primeiras unidades dos motores e do KERS da Mercedes no final de janeiro – e o carro só deve ficar pronto em março. Se os testes derem certo, pode usá-lo já em Melbourne.

EX-HONDA
Se a equipe continuar a existir, vai precisar encontrar um fornecedor de motores. E levarão algumas corridas até ajustarem o carro ao KERS desenvolvido por este.

9 comentários:

João Marcelo disse...

Ficaria muito feliz se o sistema mecânico da Williams se mostrasse o melhor. Apesar de meio estranho, será que o KERS não tem como dar chance para as equipes menores surpreenderem?

Luis Orsolon disse...

Falando bem da verdade, sorte que sugriu o KERS, se não ia ser difícil achar assunto nesta pré-temporada hahaha

Brilhante análise...

Abraços

Marcos Antônio Filho disse...

ótima análise Ico,e eu tb estou torcendo pra que o KERS mecânico da Williams dê certo,já são cinco anos sem vitórias...

Anônimo disse...

também torço para que o sistema da williams resulte melhor que o dos outros times.

continuo imaginando o perigo de uma falha do isolamento provocar uma explosão durante o reabastecimento.

fernando amaral

Ylan Marcel disse...

Acho que o KERS deveria ser aplicado só em 2010. Aposto em problemas neste ano. Não havia motivos para tanta pressa.
www.motorizado.wordpress.com

Sobre o Futebol Carioca disse...

Bom dia.
o seu blog é muito bom.
esta afim de fazer parceria, trocar de links?

Anônimo disse...

Como funciona esse sistema mecânico da Williams?

Há alguma diferença entre ele e o "tradicional" no q diz respeito a durabilidade da bateria, a recarga e coisas assim?

José A. Matelli disse...

Ico, legal a análise das equipes, mas há alguns conceitos equivocados em seu artigo. Se me permite:

"Nas freadas, uma parte dessa energia é recuperada. Sem o KERS, ela é transformada em calor nos discos de freio. Quando eles esfriam, esta energia recuperada se dissipa."

Em freadas, a energia cinética não é recuperada, é diretamente dissipada na forma de calor nos freios.

"O que a técnica por trás do dispositivo faz é canalizar essa energia através dos eixos até um gerador que vai armazená-la."

Geradores não armazenam energia, eles a convertem. No caso do "KERS elétrico", energia cinética é convertida em energia elétrica durante a frenagem. A energia elétrica é então armazenada em baterias, ficando á disposição do piloto.

No caso do KERS mecânico, o princípio é semelhante, mas a energia cinética é convertida em energia potencial, podendo ser armazenada em molas, volantes de inércia ou até mesmo em um reservatório com fluido pressurizado. O que a Willians inventou, só eles sabem.

Abraços e parabéns pelo trabalho (e pelo bom gosto musical).

José A. Matelli

Ico (Luis Fernando Ramos) disse...

José Matelli, obrigado pelo esclarecimento dos conceitos, escrever sobre essa parte é difícil para mim e toda a ajuda é muito bem-vinda!

Sobre o KERS mecânico da Williams, o sistema utilizado é justamente o do volante de inércia (flywheel) - ou seja, nao há gerador ou bateria.

Abs!