quarta-feira, 13 de maio de 2009

ROSS EXPLICA

A assessoria da Brawn GP acaba de distribuir um “debriefing” com Ross Brawn em cima do que aconteceu no GP da Espanha. Selecionei abaixo os trechos mais relevantes sobre a polêmica envolvendo as estratégias de seus pilotos:


Q: What was your strategy for the Spanish Grand Prix?

A: Our strategy in Spain was for both drivers to have three pit stops. That was clearly the quickest strategy from our calculations and it gave us the advantage of a light fuel load for qualifying which paid off with Jenson on pole and Rubens in third position. Rubens had a fantastic start to the race to overtake Sebastian Vettel and Jenson before turn one and to be leading the race when the safety car came out. As the race developed and we approached the window for the first pit stops, it became clear that Jenson, who was stopping earlier than Rubens, would come out directly behind Nico Rosberg if we went with his planned three-stop strategy. That meant our strategy would have failed and therefore we changed him to two stops, as a conservative approach, to ensure that he could run in clean air. Rubens was going extremely quickly at the front at that time and his three-stop strategy was clearly the quickest option for him. Unfortunately his tyres did not perform well after his second stop which compromised his pace and ultimately cost him the race.


Q: How did Rubens feel immediately after the race?

A: Straight after the race, when the adrenaline is still pumping like mad and they are immediately into the press conference and speaking to the media, the drivers often don’t know the full perspective of what happened during the race. They are in a little cocoon, effectively a goldfish bowl, during the race. All they see is what they are staring at through their visor. They don’t see all of the perspective of the race, they don’t know where the other cars are and they don’t know where they are going to come out after the pit stops. Rubens was naturally very angry and frustrated that he didn’t win the race. And in a way, I’m pleased that he’s angry and frustrated, as I don’t want drivers who are happy to concede. When Rubens got back and we had a full debrief, he was absolutely fine. Rubens has a Latin temperament and he wears his heart on his sleeve. That’s what led to his comments after the race and once he understood what had happened, those feelings disappeared completely.


Q: The team has always maintained that it does not have a number one driver. Is that the case?

A: Yes. We do not have a number one driver and we do not intend to have one. Jenson and Rubens are on equal terms and conditions and they both get exactly the same equipment as best as we can.


+++


Quase tudo o que foi dito acima nós discutimos nas duas edições do Credencial: a mudança dos planos de Button por conta de Rosberg, a influência dos pneus ruins do terceiro stint de Barrichello no resultado, a questão de não haver um trabalho em cima de um piloto. É a versão oficial? Sim, é. Mas é o chefe da equipe falando com clareza para a imprensa do mundo todo, sem dar margens para interpretações errôneas.


Especialmente quando Ross cita a tranqüilidade de Rubens depois de conversar com a equipe. No papo que teve com Felipe Motta, Tatiana Cunha e, mais tarde, comigo, depois da reunião, ele estava realmente calmo, centrado, colocando os pontos que achava serem errados no procedimento do time naquele dia, mas sem jamais fazer qualquer acusação ou mesmo insinuação de ter sido prejudicado. Nisso ele foi muito claro. Como vocês, eu ainda tenho minhas dúvidas sobre um ou outro ponto do desenrolar da corrida e pretendo questionar Rubens assim que possível. Mas também não acredito em nenhuma conspiração contra o Brasileiro. Além do papooficial”, Brawn também teve uma boa conversa com o colega do Estado de S. Paulo, Livio Oricchio, onde foi claro: “Não há nenhuma conspiração contra Rubens. Tenho certeza de que ele vencerá várias corridas este ano”.

11 comentários:

speed.king.thrasher disse...

Olha Ico...
Ter mudado a estratégia do Button foi muito certo na minha opinião... afinal ficaram todos 6 voltas atrás do Safety Car, ou seja Jenson perdeu a oportunidade de abrir dos demais concorrêntes.

O que não dá pra entender é por que ñ mudaram a do Rubinho também... na minha opinião essa história do Rosberg é meio fajuta... ele pararia logo em seguida, e não seria um fator determinante no desenrolar da corrida dos 2 mesmo que segurasse Rubens por algumas voltas. Ai é que está o problema...

independentemente de o 3 stint do Barrichello ter sido péssimo(com boa parcela da culpa por Rubens ter voltado atrás de Vettel e Massa) ou Brawn errou na estratégia ou então fez aquela maracutaia.

De uma coisa eu tenho ctz, se Rubens fosse de outra equipe todos estariam falando q o time é q tinha errado, e ñ Rubens ter tido falta de performance...

Essa é minha opinião, mas claro, o assunto é polêmico.

abs!!

Ron Groo disse...

E por acaso Ross teve acesso ao ataque de pelanca do Rubens dizendo entre outras coisas que abandona a F1 se Ross der preferencia a Button?
E aquela declaração de Rubens dizendo que não vai mais acatar as ordens da equipe?
O problema de Rubens nunca foi pilotagem, mas boca aberta.
Perdi totalmente a paciência com ele. Começo a torcer pro Button ganhar todos os gps possiveis até o fim do campeonato.
Até porque nunca fui de torcer pra alguém só porque ele é compatriota mesmo. Eu gosto é de competência.

Hugo Becker disse...

"Tenho certeza de que ele vencerá várias corridas este ano"... pouco confiante no potencial da equipe o Ross Brawn, hein? Nada mal...

Daniel Médici disse...

Interessantes as declarações, não sou inclinado a acreditar em incompetência inata do Barrichello nem em teoria da conspiração.

O problema é que a estratégia de três pit stops (toda a questão do desgaste dos pneus duros) só foi usada por Barrichello e Nakajima. Webber fez apenas uma parada e surpreendeu a todos. É estranho pensar que os cálculos iniciais da Brawn estivessem certos.

Eduardo Cruz disse...

Não me lembro em qual blog disse isso, mas aí vai: pra mim, a estratégia do Brawn estava montada em 3 paradas, e, para funcionar, os 2 pilotos teriam que fazer voltas de classificação por, pelo menos, 80% da corrida.
Quando sentiu que não daria pra fazer o programado, Button imediatamente falou com seu engenheiro, e mudaram para o plano B.
Barrichello, embora tenha sido avisado da mudança do Button somente depois de parar, dava pinta, após a primeira parada, de que poderia abrir a vantagem necessária para chegar em primeiro.
Somente após a segunda parada, quando voltou atrás de Vettel e Massa é que a performance caiu. E na terceira desandou de vez.
Não acho que isso seja por incompetência ou sacanagem da equipe. Já aconteceu inúmeras vezes, com diversos pilotos, de qualquer nacionalidade. Às vezes, um jogo de pneus realmente não rende o esperado. Às vezes, o carro volta do pit stop mais lento do que estava antes de parar.
E aí, faz-se o que? Tenta-se encontrar um bom ritmo de corrida, e chegar na melhor posição possível.
Chegou em segundo. Tá ótimo. Devia ter comemorado. Lamentar, é claro, ter perdido a chance de ganhar a corrida. Mas valorizar que, apesar dos problemas que aconteceram, ainda deu pra chegar em segundo e garantir pontos importantes. Tivesse o Bocudo feito isso, ninguém estaria gastando uma linha para discutir. Mas, não, tem que sempre existir uma teoria da conspiração. Sempre tem que ter alguém contra um brasileirinho.
Queria sinceramente que o Barrichello conseguisse sair da F1 consagrada, uma das maiores volta por cima da história. Seria sua redenção, algo para alguém, emotivo como ele, se lembrar e se debulhar em lágrimas pro resto da vida, quando estivesse contando a história pros netos.
Depois de tanta "perseguição", já tou começando a pensar parecido com o Groo...

michaelschumacher disse...

Eu sempre achei um pouco injusto e difícil analisar estratégia de corrida após a mesma ter acabado. Ainda mais quando a estratégia é alterada no meio da prova, pois as decisões são tomadas na hora.

A decisão tem que ser rápida e baseada em dados e não em achismos. Não dá para prever a reação do adversário, por exemplo. E Ross tinha certeza que Vettel numa parada nos boxes se livraria de Massa e seria ameaça a Brawn. O que passou por sua cabeça foi bem simples, Button iria perder o segundo lugar.

Minha conclusão: faltou um Brawn na Red Bull.

Larissa

Hector Rebaque disse...

O Ross ainda não está interferindo...a gritaria do Barriquelo foi porque ele sentiu que já escafedeu pro lado dele (resolveu se garantir); a situação dele na equipe só muda se ele acordar e ganhar umas 3 seguidas...

Anônimo disse...

Olá Ico,
Todos as matérias e comentários publicados focam a mudança de estratégia do Button e não mencionam que houve mudança de estratégia para o Rubens também, somente 12 voltas com o segundo jogo de pneus macios, ele havia abastecido para 18 voltas e longas 16 voltas com os pneus duros. O trafego que alegam que ele iria pegar o Button teve que ultrapassar.

Ney Faustini disse...

O que mais pegou pra mim seria a possivel mancada com a pressão do 3o jogo de pneus, assunto comentado na ocasião pelo Brundle. Mas daí não deve sair nada e acho que o assunto ja rendeu o que tinha que render. E bola pra frente, afinal Monaco é uma pista que o Rubinho tem totais condições de vencer.

celso disse...

Ico, já comentei sobre isso no blog do Felipe Motta, mas queria que você me esclarecesse uma coisa: a maior dúvida é se o Rubens tinha combustivel para mais 10 voltas no seu 3º stint. Se tivesse, isso explicaria os seus tempos um pouco mais altos nesse 3º trecho (1.23 altos) mas não explicaria por que chamaram ele tão cedo para o box para a troca por pneus duros. Poderia responder a essa minha dúvida? Abraço e parabéns pelo excelente trabalho!

Jonathan Lucena disse...

Olá Ico, olá pessoal, essa é minha primeira participação no blog que comecei a visitar semana passada. Acho que não só eu, mas muitas pessoas têm desconfiança quanto a essa mudança de estratégia do Button. Por causa do Rosberg??? Gostaria que alguém me explicasse, se possível, esse argumento do Brawn porque pra mim isso foi conversa pra boi dormir. Já tentei mas não consigo entender de forma alguma. Eu penso que a decisão por duas ou três paradas deve ser analisada em todos os âmbitos, tráfego na pista, rendimento do carro, rendimento dos pneus etc. e acho que dadas as circunstâncias, após a largada e entrada do safety car, as 3 paradas não seriam mais viáveis para vencer a prova. Pra mim foi uma armação pesada, não consigo entender de outra forma. Talvez se não tivessem lhe chamado para o 3º pit stop antes do tempo ele saísse mais colado no Button. Não acho que o Rubens tenha chegado em segundo por incompetência, como já disse, minha opinião é que foi armação da braba. Acho que essa história que estão falando de equipe inglesa, piloto inglês, patrocinador inglês, todo mundo inglês tá pesando pro lado do Button. Posso até estar falando muita besteira, mas...
E não esqueçam de responder, se alguém que não o Ross Brawn ou mesmo se for possível, como o Nico Rosberg que tava lá atrás, bem atrás, ia interferir na corrida do Button????