segunda-feira, 3 de agosto de 2009

"AQUI Ó. ENTENDEU?"

Carrasco, algoz, carnífice, martirizador, tirano, torturador, verdugo. São sinônimos do que é Flavio Briatore para Nelsinho Piquet. A nota fortíssima, direta e clara divulgando sua saída da equipe Renault seguiu o tom das conversas que nós da imprensa brasileira tivemos na Hungria com os dois personagens dessa (des-)união. Você se lembra, estava no perfil do italiano esmiuçado nesse post.


Chega até a ser curioso que o ciclo do piloto brasileiro na Renault termine depois do GP nas cercanias de Budapeste. Lembro-me muito bem de um inédito domingo chuvoso em Hungaroring. Era em 2006, Nelsinho tinha acabado de vencer a prova da GP2 debaixo de um dilúvio, fechando um final de semana perfeito (duas vitórias, duas voltas mais rápidas, a pontuação máxima). Estávamos falando com ele, quando seu pai o puxou. “Vamos pro motorhome que o Flavio quer conversar”. Ali nascia a parceria entre o empresário e o piloto. “Foi que o período negro da minha carreira começou”, assinalou o piloto, hoje, em nota oficial.


Dizer quem tem razão nos argumentos é uma tarefa inócua. Briatore tem razão ao afirmar que os resultados do brasileiro foram decepcionantes para justificar a troca. E Nelsinho tem razão a apontar a falta de palavra no que deveria receber da equipe em equipamentos e atenção para justificar os resultados. Não é um caso inédito. Conheço pelo menos dois pilotos que deixaram um time dirigido por Briatore com a certeza de que haviam sido prejudicados propositalmente, Jarno Trulli e Alexander Wurz, embora eles jamais ousassem um testemunho tão claro e direto como o que vimos hoje.


Tenho comigo que Nelsinho é um piloto muito melhor que seus resultados sugerem. Sempre demonstrou um ritmo de corrida sólido e teve humildade para admitir suas dificuldades nos treinos de classificação – um ponto em que, realmente, deixou a desejar, mesmo com o handicap no equipamento. Quem acompanha o trabalho que fazemos a cada corrida sabe que suas entrevistas sempre rendiam assuntos interessantes, confesso que vou sentir falta delas.


Tomara que Nelsinho tenha a chance de recomeçar sua trajetória na Fórmula 1 como gostaria, até para conferirmos se seu potencial realmente acabou abafado pelo modus operandi de Briatore. A história mostra que reerguer-se é muito difícil. Continuo achando improvável (mas não impossível) que o pai assuma a estrutura da BMW para criar sua própria equipe na categoria. Seria o caminho mais fácil pelo lado humano, mas um desafio colossal do ponto de vista financeiro/administrativo. Assim, vejo o piloto com mais chances de assumir uma vaga em um dos times que assinou o Pacto da Concórdia. Acordo que deve restringir ainda mais os testes, aumentando as chances de pilotos que já conhecem a rotina da F-1, como ele.

10 comentários:

Luiz G disse...

Já é o segundo Piquet que Briatore dispensa.

Acho que ele vai pra Williams no lugar do Rosberg, que já está de saída para McLaren.

ebiscaia disse...

Mais alguns fatos:

- 1991: dispensa Roberto Pupo Moreno, alegando que este tinha problemas mentais,
- 1992: dispensa Brundle, porque não acompanhou o ritmo do Schumacher (dizem que o Briatore até hoje se arrepende do feito),
- 2007: quase acaba com a carreira do Kovalainen, taxando sua estréia de "lixo".

Acho que o Nelsinho saiu é ganhando. Boa sorte a ele.

Lucas disse...

É Ico...da pra ver q o Briatore é daquele tipo de patrão que, embora competente, ninguém quer ter. É só ver a quantidade de pilotos que passaram por ele:

Na Benetton, onde trabalhou de 90 a 97, foram 11 pilotos titulares diferentes(sem contar o Wurz) e 3 demissões em meio de temporada.

Na Benetton-Renault, de 2001 até agora, já foram 7 pilotos diferentes, e com a saída do Piquet, 2 demissões em meio de temporada.

Ou seja, 18 pilotos titulares diferentes (19 com Grosjean) em 16 temporadas que o cara trabalhou na F1. Além de 5 demissões durante o ano.

Agora outras equipes nas ultimas 16 temporadas (94-2009):

Williams: 16 pilotos titulares (incluindo Senna)e 2 demissões intratemporada.

McLaren: 12 pilotos tit. e 2 trocas intratemporada.

Ferrari: 7 pilotos tit. diferentes e nenhuma troca durante temporada.

Depois dessa, tomara que o Nelsinho tenha mais uma chance. E que seja boa!

Fernando Kesnault disse...

Cara não é prá te desanimar mas, a volta do Nelson Jr. à f-1 por alguma equipe só se for por dois motivos: 1- Papai paga pesado prá ter o filhão em um cockpit ou então monta um equipe ( o que demonstra o termo "filhinho de papai" que ele é - não sou contra que tendo dinheiro faça tudo o que puder pelo filhote, mas...), pois por análise técnica e psicologica e de postura de piloto nem mesmo as novas equipes se interessam por ele.

Arthur disse...

Ico,
Galvão falou na última corrida que nós poderiamos apostar,pois era grande a possibiliadde do Nelsinho fechar com a Williams.
Vejo fundamento nisso.Nakajima nãoé dos meçlhores pilotos,masé japones(o único do grid) e é a Toyota que empurra os carros de Frank.A Toyota sempre apoiou a carreira do Kazuki...
Rosberg tem grandes chances de ir para uma equipe melhor.
Isso abre uma vaga.Seria essa de Nelsinho????

Juliano Lima disse...

e essa façanha da Piquet/Sauber/Ferrari???

Emílio disse...

Sobrenome forte + Briatore + Alonso + carro ruim, deu no que deu. Ele tem talento sim mas precisa aliar isto a boas condições e, claro, corrigir erros. Torcendo!

Williams Gonçalves de Farias disse...

Ué Ico, o Briatore é o mestre na arte da troca de pilotos no meio da temporada, é o ninja supremo em querer afundar um piloto em comparação ao outro. Ele é bom naquilo que faz? certamente, mas só o primeiro piloto deve gostar de trabalhar com ele. Basta ver como o Kovalein foi tratado na Renault e na McLarem. Em ambas equipes ele não correspondeu ao esperado. Na Renault foi taxado de "lixo" por esse velho louco. Na McLarem não houve nada disso. Certamente há pressão, e certamente o Kovalein irá sair também da McLaren, mas com tratamento totalmente diferente. Enfim. Espero que o Piquet tenha uma nova chance. E que não seja numa equipe montada pelo pai. Isso chega a soar ridículo. Espero que ele seja contratado pela Williams ou uma dessas novatas, e que demonstre ano que vem sua "verdadeira" capacidade. Acho que ele não correspondeu em vários momentos - principalmente pelas inúmeros erros de pilotagem e pela falta total de tempo na classificação - mas torço por ele. Gostaría de ve-lo em outro carro para ver seu comportamento tmb! abs

Eduardo Malheiros disse...

Gostei do comentário Ico. Como você não sou extremista ao tomar partido para um ou outro lado. Entendo o que move ambos (Briatore e Nelson) a fazer o que fizeram e falar o que falaram. Quero salientar no entanto que fiquei muito satisfeito com os relatos do Nelsinho para com essa saída. Acho que de forma dura, porém direta, ele falou o que muitos fãs, inúmeros pilotos e, ainda melhor, ele mesmo, queriam dizer e/ou ouvir a muito tempo. Acho que todos nós já estivemos alguma vez em uma situação de pressão extrema e sabemos como isso pode afetar de fato nossa performance, tanto física quanto psicológicamente. O mais importante para mim, no entanto, é que ele sai de cabeça erguida e pronto para se redimir se lhe forem dadas as condições.

Abraço!

Anselmo Coyote disse...

Ico e amigos,

Que belo post. Informativo, sereno e com opinião conclusiva sobre o assunto tratado, calcada em fatos presentes e passados, na personalidade e conduta de seus protagonistas e, sobretudo, nas experiências vividas pelo blogueiro em anos cobrindo esse esporte como jornalista, com seriedade e isenção, o que traz mais legitimidade ao relato. Excelente para nós, comentaristas, foristas, pitaqueiros (como eu) ou seja lá qual nome tiver isso.

Eu gostaria de não tomar partido nesse imbróglio, conforme orientação/filosofia do colega Eduardo Malheiros em seu comentário, onde, inequivocamente, mostra estar torcendo para que andem bem para o Nelsinho.

São suspeitas todas as minhas análises sobre esse assunto, independentemente de serem ou não justas, pois, por ser fã do Nelsinho, já escolhi o lado no qual pretendo ficar.

Mas, mesmo as pessoas não isentas têm opinião e podem acertar.

O Nelson Piquet nunca foi isento em relação ao Nelsinho. Ao contrário, tomou o partido do filho em várias situações proporcionando-lhe equipes e condições favoráveis para competir, sempre visando os melhores resultados. Os resultados foram os melhores, comprovando que o “tomar partido” não é errado e que as pessoas “não isentas” podem acertar.

Se o blogueiro montar uma agência de notícias e tiver um filho jornalista, certamente trabalharão juntos e produzirão bons frutos, o que será motivo de orgulho para ambos. Nenhum “empregado” será mais dedicado e terá maior interesse no sucesso do meu negócio do que o meu filho, que é também dono dele. Essa é a regra em todas as áreas e não vejo motivo para ser diferente no esporte.

Todo esse nariz de cera foi para opinar que, ao contrário do colega William Gonçalves, acho natural que em uma eventual equipe que o Nelsão comprar ou montar, o Nelsinho seja um dos pilotos. Sempre foi assim e sempre deu certo. Na verdade torço muito para que isso aconteça.

Ufa.

Abs.