sábado, 26 de setembro de 2009

A GUERRA CONTINUA

Depois da tempestade… vêm as próximas! O veredicto da semana passada e o conseqüente banimento de um segundo inimigo (quase) público de Max Mosley não colocou fim na extensa e intensa briga pelo poder na categoria. Pelo contrário, deve servir para intensificá-la. Estamos a menos de um mês da eleição da FIA. Há muito em jogo na decisão do dia 23 de outubro.

O clima no paddock sugere que as próximas semanas podem marcar o início de uma série de ataques políticos ou mesmo pessoais entre os dois candidatos ao cargo de presidente da entidade. Sem nenhuma surpresa, o candidato situacionista Jean Todt recebeu essa semana o apoio público de Max Mosley e Bernie Ecclestone. Seu gabinete é composto praticamente pelos mesmos nomes do atual presidente.

Ainda que o discurso do francês seja de reestruturação e compromisso, muita gente acredita que uma eventual gestão sua seria a continuidade da política de confronto praticada por Max Mosley. Como os homens da FOTA. Você leu aqui no blog no início de junho, antes que em qualquer lugar do planeta: o candidato que eles preparam para assumir a FIA é Ari Vatanen. E ontem, de maneira não-aberta, Domenicali reforçou isso com um discurso pedindo uma “mudança de atitude” na categoria.

Quem terá um papel central nos acontecimentos da próxima semana é justamente Flavio Briatore. Na quinta-feira, Bernie Ecclestone fez um discurso dizendo que a “pena foi dura demais” ao italiano, mas o aconselhou a apelar da decisão na FIA, não na justiça comum. Lendo nas entrelinhas como deve ser feito, ele fez um afago público na fera ferida, porque sabe que ela é capaz de causar um estrago ainda maior se tentar vingar sua derrota. Talvez, mirando não em Mosley, mas em seu candidato à sucessão.

De um jeito ou de outro, a impressão que dá é que é cedo demais para comemorar o fim de Flavio Briatore. Por mais que eu ache que a F-1 ganha muito sem ele, qualquer um que leu todos os documentos publicados pela FIA viu que a tanto a investigação dela ou da Renault chegaram à conclusão que Pat Symonds e Nelsinho Piquet sabiam da conspiração e Briatore, possivelmente, também. E o “possível” criminoso foi o que recebeu a pena mais pesada. Um bom advogado – e ele possui dinheiro para pagar os melhores – pode convencer qualquer corte competente para julgar o caso a interferir na decisão.

Não vamos esquecer que esta guerra a portas fechadas é o principal motivo de todos os escândalos que tivemos este ano. Vale uma retrospectiva:
- A maneira indecisa da FIA agir para definir a regra sobre os difusores foi uma maneira de ver o circo pegar fogo e ver se a FOTA rachava. Não rachou. Vitória para a organização.
- O escândalo da mentira serviu para afastar Ron Dennis do esporte, já que Mosley ameaçou excluir a McLaren do Mundial se não recebesse esse “pagamento”. Vitória dele.
- A guerra entre a FIA e a FOTA se intensifica em Mônaco (no iate de Briatore) e chega ao auge em Silverstone, quando as equipes anunciam sua separação da Fórmula 1 (depois de uma reunião na fábrica da Renault). Mosley muda o discurso na seqüência e admite deixar o cargo em outubro. Vitória da FOTA.
- A BMW anuncia no final de julho que está deixando a Fórmula 1, deixando a FOTA sem um parceiro de peso. Vitória de Mosley.
- Escândalo de Cingapura vem à tona (com um “vazamento” de documentos perfeitamente calculado para preparar a opinião pública para o veredicto) e Flavio Briatore acaba banido do esporte. A equipe Renault sai chamuscada, perde patrocinadores em pleno final de semana de corrida e busca tentar se recompor. Vitória (de goleada) de Mosley.

No meio desse destrutivo furacão de intrigas, Rubens Barrichello foi quem fez a melhor análise, no final da entrevista que deu aqui na quinta-feira. “É muita gente querendo ser chefe, brigando pelo mesmo espaço. É um mundo de muita vaidade. A competição pode ser sadia desde que ocorra de forma positiva. Se for preciso passar por uma fase negativa muito grande no meio para chegar a uma positiva no final, fica apelativo”.

No ponto, Rubens.

7 comentários:

Roney disse...

Excelente análise, Ico.

Jean disse...

Com um pouco de recuo, acho que foi uma grande presidência a do Max Mosley. Ele é o cara que tem que defender o esporte, e, conter os apetites dos tubarões, que são dos maiores nessas águas. O episódio ‘nazista’ fala finalmente a seu favor, já é o chavão ao qual a Fota (dominada pelos italianos mais ou menos trambiqueiros) recorrem para jogar sujo e por a opinião pública contra os responsáveis pelo sucesso que é a F1. A Formula 1 é um esporte de engenheiros, é isso que faz seu maior atrativo, na busca da perfeição técnica. Os que querem fazer dela um circo, Briatore pelo seu ego, e Di Mmontezemolo numa medida menor, para fazer da F1 a propaganda da Ferrari, querem que os resultados sejam definidos por outros critérios. Há, bem evidentemente, a questão do dinheiro, mas há ainda fatores éticos, e a limpeza que esta acontecendo é salutar. Nesse ponto a atitude do Nelson Piquet (tri) è exemplar, reencontramos o Piquezão nessa! O cara que defende as coisas certas, contra ventos e trovoadas, e tem uma vontade de aço inox. Ele merece ter uma equipe dele, faz muito tempo que um piloto, não monta uma equipe, e estamos precisando disso: Sangue novo também nas equipes.

Ron Groo disse...

O que me choca, ou ao menos me deixa meio cabreiro é o fato dos maiores interessados nisto tudo não terem voz, não se manifestarem de forma mais contundente.

Ok, ganhe a briga a situação ou a oposição, sem os pilotos vai haver espetáculo?

Será que em mais de cinquenta anos de categoria a classe não percebeu quem realmente tem o poder?
Isto me faz crer que os maiores nomes da gategoria atualmente (Kimi é um deles mas sua atitude blasé o afasta um tanto do perfil) são grandes pelegos a serviço não do esporte, mas de seus dirigentes.

É triste.
No fim o score da guerra marca um zero bem grande para o esporte e seus fãs.

Anônimo disse...

Ico, quanto a foto acima só tem gente feia!!!!!!!!!!!
Pelo menos pessoas foram punidas por aqui MENSALÃO, ALOPRADOS, SENADO nada acontece os bandidos cada vez mais ricos.
PAIS BANANEIRO.

Anônimo disse...

Master Ico,

Semana passada um jornal belga fez uma enquete nas ruas. Pergunta: quem poderia presidir a Fia, e gerir a F1? Resposta esmagadora: os organizadores de Spa! Ico, explique aos seus leitores quem são êles, e porquê funciona tão bem, durante quase o mesmo tempo q existe a F1. Sou muito parcial p dar a resposta, portanto vc, jornalista, saberá tratar as palavras. Estarei em BUE amanhã (sou tripulante da ítalo-suiça Volare Air) e gostaria de ouvir sua transmissão pela BandFM, ela pega lá?
Saudações belgo-manarquistas
carlo paolucci

Torquemada disse...

Estava ouvindo você o Odinei e o Celso há pouco na Band, e gostei da contundência do Odinei. Querendo ou não, o Nelsinhogate ainda vai render por mais um tempo e eles deviam, sim, aparecer numa coletiva (e isso de falar só para a Globo tem bem a cara do Piquezão, de achar que falou para o líder de audência deu satisfação para o mundo todo) e abrirem o jogo. Pior do que está não dá pra ficar. Existem coisas que não fecham nesse imbroglio.

Num comentário de passagem feito ao Galvão Bueno ele teria dito que tinha um filho pequeno aqui no Brasil e que não tinha nada para estar presente lá no circo, dando a entender que realmente não sabia de nada, que o Nelsinho agiu por própria conta e risco, e parece-me que é essa a posição que ele vai passar na entrevista ao Reginaldo Leme.

Oras, se é assim, por que ele, e não o Nelsinho diretamente, fez a denuncia da tramóia ao Conselho da FIA ?! Para alguém que estaria sugerindo, agora, que não sabia de nada, que é contra a falcatruas do tipo, que preferia perder uma corrida, mas jamais entrar numa dessas, não seria mais coerente dizer para o NAP: Você pariu Matheus, portanto agora o agüente???

Ahhh! Mas pai é pai, vai ver ficou com dó e resolveu limpar a cagada do filho! Talvez, quem sabe? Mas então que venha a público, senão para dar satisfação, mas ao menos em respeito a milhares de torcedores que o respeitam, como eu, pelos três espetaculares títulos que conquistou na F1.

Finalmente, duas perguntinhas indiscretas:

Quem teve primeiro a idéia de ser comentarista de automobilismo e DJ ou roqueiro ao mesmo tempo. Você ou o Celso?

Quem ganha mais, quem fica o ano inteiro ao lado da família, na retaguarda, transmitindo os eventos, ou quem vai a campo, conhecendo gente, mundos e paisagens diferentes, mas montando acampamento daqui e dali feito cigano??? ;-)

Um abraço

Fernando Mayer disse...

Ahh que assunto chato, não é gente???