domingo, 21 de março de 2010

AYRTON SENNA, 50

Não conheci Ayrton Senna pessoalmente. A primeira corrida que eu cobri na Fórmula 1 foi justamente o primeiro GP do Brasil depois da sua morte. Mas até hoje me impressiona como ele sempre esteve presente de alguma forma na categoria durante todo esse período, um tema recorrente na memória de todos, um parâmetro de compromisso total com o trabalho. Tive a chance de conversar com várias pessoas que conviveram com o piloto brasileiro para saber o que vem na mente quando pensam nele hoje. O resultado foi um mosaico interessante que nos ajuda a entender o tamanho do legado que ele deixou na categoria.

O
RIVAL
- É uma
pergunta muito difícil. São tantas coisas que vêm à cabeça. Pensando hoje, é claro que seria muito bom tê-lo aqui, nessa festa especial dos 60 anos da F-1. O que une todos os que estão aqui? Todos nós tivemos sucesso, porque fomos campeões, e temos amigos que se machucaram ou morreram. Quando olhamos nos olhos uns dos outros, pensamos como é bom estar aqui para lembrar de tudo o que aconteceu. Hoje, penso no Ayrton dessa forma, ele é parte do esporte e parte destes pilotos que tiveram azar neste esporte.
(Alain Prost, 55 anos, francês, enfrentou Ayrton Senna nas pistas em nove temporadas entre 1984 e 93, divindo com ele a equipe McLaren em 1988 e 89)

O AMIGO

- Quando
penso no Ayrton hoje? Penso no melhor piloto de todos os tempos. Acho que isso diz tudo.
(Gerhard Berger, 50
anos, austríaco, foi companheiro de Senna na McLaren de 1990 a 92 e um dos maiores amigos do brasileiro na F-1)

O
COMPANHEIRO DE EQUIPE
- Ayrton
era um indivíduo único. Tinha um comprometimento enorme com a competição e a pilotagem. Era por si um homem especial. Quando eu penso nele, penso na sua perda, no sentido da tragédia de não tê-lo visto continuar. E também no seu legado, no seu enorme espírito, não o da competição, mas o de assuntos além da Fórmula 1.
(Damon Hill, 49
anos, inglês, companheiro de equipe de Senna nas três provas que o brasileiro disputou no Mundial de 1994 pela Williams)

O
PUPILO
- O Ayrton
era uma pessoa jovem, eu não consigo imaginar o Ayrton como seria hoje, se estaria careca... Eu vejo de um lado pessoal, sempre lembro dele sorrindo e é essa imagem que permanece para mim. Provavelmente ele não estaria pilotando mais, mas com certeza teria conseguido mais títulos para o Brasil.
(Rubens Barrichello, 37
anos, brasileiro, conquistou seu primeiro pódio na F-1 uma corrida antes do GP de San Marino de 1994 e está na categoria até hoje)

O
SOBRINHO
-
Eu penso nele como meu tio. Mas é claro também que o vejo como uma inspiração e uma referência. Sempre me inspirei nele desde pequeno e aprendi muito com a maneira que ele tinha de encarar o automobilismo. Mas não tive que mudar o jeito que eu sou para isso, a família tem muito dessa natureza e acho que isto está funcionando bem para mim.
(Bruno Senna, 26
anos, brasileiro, começou no kart por influência e com o suporte do tio Ayrton Senna. Fez sua estréia na F-1 no último final de semana)

O FISIOTERAPEUTA

-
Ainda me sinto muito ligado à família Senna. Ainda que não nos encontremos muito, mas isso não importa. Gostaria de voltar a encontrar Dona Neide, Milton. É algo difícil de explicar, mas você pode imaginar. Foi um período tão positivo que passei com ele, com aquele caráter, isso foi uma parte muito importante da minha vida. Sobre o que vem à cabeça quando penso no Ayrton... É uma energia muito grande, não há uma única característica que se possa destacar nele. Há um todo. Ele não pilotava para si ou pelo dinheiro, mas queria vencer para o país, dar alegrias para as pessoas do país. Era uma paixão muito profunda nele, que não era de maneira nenhuma fingida. Era verdadeira e os torcedores sentiam isto. Acho que cada brasileiro conseguia sentir isso e se identificar com uma pessoa que era especial, mas era um igual a eles, não importando se era um jovem ou um velho, um rico ou um pobre. Era algo especial. Estou há tanto tempo na categoria, vivi tanta coisa mas, quanto mais os anos passam mais eu percebo como ele era uma personalidade especial e eu até sinto uma ponta de orgulho por ter participado um pouco dessa história.
(Joseph Leberer, 52
anos, austríaco, foi o fisioterapeuta de Ayrton Senna de 1988 a 1994 e era a pessoa no paddock da F-1 em quem o brasileiro mais tinha confiança)

O
MECÂNICO
- A
primeira coisa que eu penso é que é uma pena não tê-lo mais com a gente, especialmente agora que temos a volta de Schumacher, um piloto que quebrou tantos recordes e estabeleceu marcas que nunca serão superadas. Acho que todos estes recordes não teriam acontecido se Ayrton ainda estivesse correndo. Schumacher teve um pouco mais de facilidade porque em sua época não havia rivais tão fortes como na época do Ayrton - não porque ele quis assim, mas porque as coisas aconteceram dessa maneira. Nos tempos de Senna havia pilotos de muita qualidade, como Prost, Mansell e Piquet, em carros bons também. Mas, antes de tudo, todos perdemos essas disputas incríveis que aconteceriam entre Senna e Schumacher. Sim, é uma pena. O que Ayrton faria agora? Não sei, seria um chefe do esporte no Brasil... Estaria de alguma forma ajudando ao Brasil, era muito patriota, tinha muito orgulho de seu país e, como todos sabemos, vocês brasileiros perderam muito com a morte dele. Ele se foi jovem demais.
(Jo Ramirez, 68
anos, mexicano, era coordenador da equipe McLaren na passagem de Ayrton Senna pela equipe e um de seus grandes amigos na categoria)

22 comentários:

Anônimo disse...

Hoje 50 anos do maior atleta do Brasil e do mundo, ele continua no meu coração para sempre...
Sofri muito no dia que ele se foi, saudades de sua fã Rosiléia Rangel.

Fleetmaster disse...

Ico,

Belo post ! Parabens pela coletânea de textos.

Ron Groo disse...

Um post pertinente, afinal são palavras de quem o conheceu e conviveu com ele. Isto dá a credibilidade que falta quando fãs falam de alguém. já que temos o habito de santificar nossos ídolos após a morte.
Parabéns Ico.
Fiz lá minha homenagem, em forma de conto ficcional, e te citei nominalmente.

Anônimo disse...

Certamente o maior ídolo que o país já teve. Os verdadeiros heróis conseguem continuar fazendo o bem, mexendo com o coração de todos, mesmo que já não mais presentes fisicamente. Senna é assim. Ainda continua a fazer com que todos nós sintamos um gosto especial ao falarmos que somos brasileiros.

Thiago disse...

De arrepiar essas declarações. Principalmente a do Jo Ramirez. Parebéns por mais um excelente post

Marcos B. disse...

Quanta choradeira hein! Ico! Só faltou falar que as manhãs de domingo nunca mais foram as mesmas sem ele. Custa lembrar somente do piloto. Era só um piloto de carros, dos bons, e mais nada.

Rangel disse...

@Marcos B.

Você é o pseudônimo do Flavio Gomes? Porque ele escreveu exatamente isso no blog dele ontem. E, pelo menos na minha opinião (disse isso lá), falar uma coisa dessas é só um jeito fácil de gerar uma polêmica besta e conseguir pageviews ainda mais bestas (a famosa lógica Milton Neves).

@Ico

Ótima coletânea de textos: é a fala dos caras, sem pieguice ou besteirol pra atrair audiência fácil. Só comprova que você é o melhor jornalista de automobilismo do Brasil atualmente.

UnlockBR - Sergio de Lima disse...

Ico, como todos disseram, bela coletânea.

Sou suspeito, sempre gostei do Senna pilotando. Era algo que tinha emoção, garra, coisa que o excepcional Prost não transmitia. Schummy para mim também foi excelente, mas a imagem de Dick Vigarista, ao meu ver, arranhou o esportista.

Aos que dizem que o Brasil idolatra o Senna devido às narrações ao berros do Galvão e do tema da Vitória deixo apenas uma pergunta: E como explicar o sucesso e admiração que ele tem de europeus, japoneses, etc? Sinceramente acredito que seja simplista demais explicar apenas que a mídia era enorme (o que concordo que era mesmo, mas não bastaria).

Grande abraço,

Sergio Dantas

Gil disse...

Muito bom ler de quem está presente nos autódromos que Ayrton continua presente na categoria. Esta fã agradece.

Williams disse...

Boas entrevistas Ico. Marcos B. Deixa de ser idiota

Anônimo disse...

airton senna ainda continua fazendo muita falta para o nosso brasil saudades!

Gustavo disse...

Belo post, gostei bastante das palavras do mecânico, com certeza na epoca de ayrton a categoria era mais competitiva já na do schumacher nem tanto por isso todos esses titulos dele. esse post mostra que não só o brasil perdeu um herói mas todos os que o rodiavam até a F1.

andreh disse...

Ainda não li o post, mas na hora q vi a foto, foi o q eu pensei: Que foto linda!!! obrigado por compartilhar!

Caíque Pereira. disse...

Fiquei triste na época porque o Senna, além de ter falecido, nos deixou um bom tempo sem vitórias e sem por quem torcer, mas não o vejo como um Deus ou algo parecido, apenas como um excepcional piloto. Tenho a certeza de que se ele tivesse corrido mais uns 3 anos (se vivo fosse, não teria corrido mais que isso, pois seu tesão já não era o mesmo de uns anos antes), poderia ter vencido mais um ou dois campeonatos e, por não ter morrido na frente de milhões de pessoas, não seria o que é hoje...muito do mito e fiugura do Ayrton se deve a sua morte ao vivo.

Anônimo disse...

O Ayrton completou 50 anos! É o mais charmoso dos cinquentões que vivem por aí. Não falo dele no passado, pois, ele está vivo e presente o tempo todo em nossos corações sedentos para ouvir e ver exemplos como o dele. Valeu campeão! Seja feliz em seu novo plano e torça pelo Brasil, para que Ele ainda revele novos campeõs: nas pistas da vida e siga os passos do nosso Ayrton Senna do Brasil, pois, ele é nosso. Parabéns !!! ...

Wagner Almeida disse...

Simplesmente mito. Quem é Pelé perto do chefe Ayrton. Na minha opinião não chega nem aos pés. Perdemos o maior duelo de todos os tempos na F1. Foi muito trite e angustiante tudo o que aconteceu, mas temos sempre que relembrar os feitos do tri-campeão para nos inspirar e vencer nossos desafios.

Fabio disse...

Emocionante...

Luiz G disse...

São belas declarações. A
yrton faz falta mesmo.

Mas eu acho cruel quando personalidades como Jo Ramirez, dizem que, para Schumacher, foi "fácil" conquistar seus títulos por não ter rivais a altura.

Deve ser chato ser um heptacampeão e todo mundo dizer que o trabalho foi "fácil". Schumacher se esforçou muito para chegar onde chegou e não deve ter sido nada fácil.

Deve ser mais chato ainda, ser um campeão como Hakkinen ou Hill, que bateram Schumacher para conseguir seus títulos e ouvir que não é um piloto de tanta qualidade.

Ou seja:
Se Schumacher vence, é porque os rivais não tinham qualidade.

Se Schumacher perde, é porque seu carro não era bom o bastante.

Então Schumacher também era um piloto sem qualidade?

Se Senna fosse pentaCampeão também teria sido "fácil"?

Acho que os críticos são muito mal resolvidos com os pilotos pós-Senna.

Speeder_76 disse...

Gostei do que escreveu. Valeu a pena!

Caíque Pereira. disse...

Perfeito Luis G!!

O Alemão quando começou a incomodar e a VENCER corridas com uma Benetton Verde e Amarela (B192) encontrou pela pista Nelson Piquet, Alain Prost, Senna , Mansell... e em 94 estava soberano, aí aparecerão os cometários bobos de que no reabastecimento ele ganhava 1/1,2 segundos...é mas e na pista ele ganhava mais de 10...O Senna, Piquet, Lauda, Pros foram EXCEPCIONAIS, mas há de se reconhecer que o Schumacher não fica nadaa dever a nenhum deles..é uma pena não ser um Brasileiro.

Mari Almeida disse...

Postem a sua homenagem ao tricampeão no maior cartão de aniversário do mundo: www.senna50.com.br ou pelo twitter com #senna50
E parabéns pelo blog! Super bem feito!
Mari

priiih disse...

Á FAMILIA LIMA DESEJA UM FELIZ ANIVERSÁRIO Á AYRTON SENNA DO BRASIL NESSES 50 ANOS QUE ELE COMPLETARIA NO DIA 21 DE ABRIL
QUE DEUS O ILUMINE COM 50 ESTRELAS BRILHANTE PELAS ALEGRIAS QUE ELE NOS PROPORCIONOL DURANTE SUA VIDA
NA FORMULA 1 NUNCA O ESQUECEREMOS
ABRAÇOS .LIMA