quarta-feira, 31 de março de 2010

NO OLHO DO FURACÃO

Um dos momentos que mais me chamou a atenção em Melbourne foi a entrevista de Michael Schumacher na quinta-feira. Ele passou por uma verdadeira sabatina para explicar como havia sido dominado por Nico Rosberg durante todo o final de semana no Bahrein. Como se aquilo não fosse aceitável ou normalcomo de fato é.

O heptacampeão manteve a
expressão de um jogador de pôquer e disse estar mais preocupado com uma série de outras coisas do que com isso, a começar pelo desempenho apenas mediano do Mercedes W01. O desempenho nos treinos livres foi até promissor, superando o companheiro de equipe em duas ocasiões. Mas Schumacher voltou a ficar atrás no duelo interno em cada um dos três trechos do treino classificatório. Que terminou indo tirar satisfação com Fernando Alonso por um problema de tráfegopara mim, um sinal claro de frustração, que a pista cheia e os bloqueios foram uma constante para todos os pilotos no Albert Park, não uma exclusividade dele.

Na
corrida, ele acabou sendo uma vítima involuntária do toque entre Jenson Button e Alonso na primeira curva. E depois ficou preso a maior parte do tempo atrás de Jaime Alguersuari, algo não muito abonador em uma corrida cheia de ultrapassagens. Se o mundo começou a cair em cima de Schumacher depois do Bahrein, é de se imaginar que o nível de pressão seja ainda maior agora.

O
piloto em si não ajudou muito ao afirmar que “tirou vários aspectos positivos depois da corrida em Melbourne. Pode ser um discurso politicamente correto. Mas não condizente com a cobrança geral que está recebendo. A mídia internacional, especialmente a inglesa e a italiana, bate nele sem . E mesmo na Alemanha seu interesse vai sendo colocado em xeque: a audiência da prova foi a mesma da de 2009 – ok, vale lembrar que aquela era a abertura da temporada.

Talvez
no meio de todo o furacão, este ponto é o que mais preocupa. Para a Mercedes, os resultados de Schumacher na pista são secundários enquanto seu nome bastar para ser um ímã de interesse do público. Se essa tendência de queda na audiência se acentuar, o piloto pode começar a se preocupar com a possibilidade da sua volta ser um fracasso.

Mas
, vocês me conhecem, não sou de disparar o alarme baseado em apenas duas corridas. Pelos sinais apresentados em Melbourne e pelo seu passado, imagino que Michael Schumacher estará em breve equilibrando a disputa interna e ajudando no desenvolvimento do time da Mercedes. Tem torcedor afirmando que os resultados atuais provam” que ele nunca foi um piloto excepcional. Besteira. Mesmo os mais críticos deveriam ser justos e esperar até o GP da Espanha para avaliar os efeitos deste retorno com clareza. Mas a pressão só tende a aumentar até lá. Será que ele vai manter a calma?

(Foto Mercedes-Benz)

15 comentários:

Henrique disse...

bom, sou um dos q nao é fã do schumacher, q acho q grande parte do q ele consquistou nao teria acontecido sem ross brawn e sem tratamento diferenciado dentro da equipe.

Tambem sou daqueles que acho, que ano passado, aquele historia de dor no pescoço impedir ele de voltar, foi conversa pra evitar um vexame dentro daquele complicada F60.

Mas temos que levar em conta, que ele ficou 3 anos parado, está com 41 anos, e precisa de um tempo para recuperar.

Niki Lauda, um gênio, quando voltou, precisou tomar pau do companheiro de equipe por 2 anos, antes de superar e ser campeão.
Claro, a F1 de hoje é muito mais profissional e exigente fisicamente (nao tecnicamente) do que na década de 80. Mas schumacher precisa de tempo.

E na minha opniao, schumacher é muito influente, e assim q o carro da mercedes tiver condições de disputar alguma coisa, Ross Brawn pode estalar os dedos e arrumar um jeito dele andar na frente do companheiro.

Leandro disse...

Tá tomando um pau do Rosberg,só para efeito de comparação o De La Rosa ficou 7 anos sem ser titular e está batendo o Kamui Kobayashi, que deu "xis" no Button, no Brasil e em Adu Dhabi,em suas primeiras corridas de F1, acho que vai ser o ano todo assim, a Mercedes atrás das Ferrari,Red Bull e Mclaren,desconfio muito do capacidade do Schumacher desenvolver o carro que seja melhor em algum momento do ano,vale só lembra que em 2005 a Ferrari teve 200,000 mil quilometros de teste e só ganhou uma corrida porque todos de pneus michelin sairam fora do grid na corrida de Indianapolis,mas vamos esperar pra ver.

JackSpeed disse...

Leandro,com aqueles pneus que a bridgestone tinha em 2005 nem "eu" venceria,as regras foram mudadas para derrubar o alemão,alias eu nunca tinha visto na F1 as regras mudarem tanto em virtude de um piloto como a FIA fez em relaçao ao schumacher,era pneus,poel,pontos,fizeram de tudo para o cara parar de ganhar,eu acho que ele se aposentou cedo,tinha ficado e papado os titulos de 2007/2008 e xau.e nõa deveria ter voltado,so tinha a parder mas se faz por desafio,nada contra.

Tuta Santos disse...

Pra mim é o contrário, esses resultados provam que ele é um gigante, mas que para ser vencedor tem que trabalhar vários detalhes. Ele chega lá, é certo. Os Mercs não são o seu tipo de carro. E o regulamento, com os pneus de bici na frente não ajuda.

Tuta Santos disse...

Rosberg bate palma pra tudo isso

Eduardo Malheiros disse...

O mundo da F1 sofre com um problema seríssimo de "memória curta", seja para o "bem" ou para o "mal". Infinitos são os exemplos aqui, como aconteceu com o Massa em 2008.

Os mesmos jornais que vendem exemplares e websites que aumentam seus acessos com o fracasso de hoje são os que o fazem, da mesma forma, com o trunfo de amanhã. Fico me questionando até que ponto isso é meramente "acidental".

Abraços!

Anônimo disse...

No Bahrein MS ficou a 0,4s de NR na classificação. Em Melbourne ficou a 0,2s. Estava há 3 anos parado, enquanto seu companheiro, reconhecidamente rápido, está no auge da carreira. O carro, é fato, não está ajustado ao seu estilo de pilotagem, o que imagino que muito em breve estará. Alguém faria melhor? Schumacher é um vencedor nato e esperar que este reinício fosse diferente é como acreditar no coelhinho da páscoa. F1 é F1. Um pouco mais de tempo e daí sim poderemos tirar conclusões mais precisas a respeito do seu retorno sem, no entanto, diminuir seus feitos passados em caso de insucesso.
Leduard

Daniel Médici disse...

Apenas um dado objetivo para sair da roda de boteco que se instala em discussões semelhantes.

A RTL, emissora que transmite a F1 na Alemanha, registrou uma audiência de 10,5 milhões de espectadores no último GP do Bahrein, sendo que em 2009 o mesmo GP foi visto por 5,39 milhões de pessoas naquele país.

Também entra a questão de que o Bahrein não foi o GP inaugural de 2009, mas complementam, de certa forma, os dados deste GP da Austrália.

Eu retirei esses dados do blog do Joe Saward, que não se aprofundou nos métodos de medição de adiência utilizados na Alemanha.

Pezzolo disse...

Tão simples: que não voltasse. Ou nào foi cogitado que isto podia acontecer?

Renato disse...

E o X que ele tomou do Di Grassi ninguém comenta?

Leandro disse...

Jackspeed,eu acho que mudaram as regras por causa da Ferrari,que tinha o melhor carro disparado,prova disso e que Rubens e Schumacher possuem o maior numero de dobladinhas das historias de companheiros de equipe.
Essa tempoarada de 2005 a Ferrari não tinha o melhor carro,certo,mais ai que você vê quem faz diferença,e ele não fez essa diferença não.

Anselmo Coyote disse...

Ico,

Quem ganhar 3 ou 4 corridas leva esse mundial, tamanha é a quantidade de pilotos com chances reais. Sem citar os 02 da Mercedes, vou citar cinco: Nada Sei, Massa, Hamilton, Button e Vettel.

Considerando-se que faltam 17 provas, é mto cedo para considerar o Queixudo fora do páreo. Competência ninguém duvida que ele tem. A questão é o carro. E só.

Abs.

Ron Groo disse...

Pressão injustificada, mas por outro lado se ela vem mais forte da imprensa inglesa e italiana não se deve levar em conta.
Os ingleses desconstroem um idolo para criar outro toda semana no campo da musica, imagino que no resto sejam iguais.
E os italianos, bem... dor de corno.

Vandilson disse...

Imaginem vcs, os maiores nomes da F1, só os gênios... coloquem eles no carro da Hispania (carro do bruno senna), será que eles estariam na pole, na frente, no topo?

É por aí que estão combrando do Schumacher, que ele sentária em qualquer carro e daria show, não lembram que o carro de hojé não é mais o do ano passado quando era um dos melhores e o mais confiável;

O desempenho dele hoje é fato, mas, nada que desabone sua carreira e titulos; Tem muita coisa sendo lançada à mídia para vender e fazer notícia;

Tales disse...

Vandilson, eu não cobraria o Schumacher de andar na pole com uma Hispania. Só o cobraria de andar na frente do seu companheiro, só isso.

Schumacher é ótimo, é excelente, mas o q a competitividade desta temporada promete mostrar é que, em condições de anos 70, 80 e 90, ele não seria heptacampeão mundial. Quem sabe tri como o Senna ou tetra como o Prost. Assim haveria menos babação em cima dele.

Ele é ótimo, vai andar muito bem neste ano, mas se ñ tiver carro superior como em 2000-2004, não vencerá corridas. Simples assim. Não pq ele não seja tão bom qt o Alonso, mas simplesmente pq ele é um piloto de ponta como qualquer outro (ñ q existam muitos outros, mas -existem outros-) e como tal, é extremamente dependente do carro.