sexta-feira, 7 de maio de 2010

TEMOR FUNDAMENTADO?

Foi Jenson Button o primeiro a soar alarme. “Acho que a Red Bull será inalcançável nesse final de semana”, falou depois do resultado do segundo treino livre, com cara de preocupado. É inegável que os quase oito décimos de segundo de vantagem de Sebastian Vettel para a concorrência – ou os mais de cinco de Mark Webber – justificam qualquer preocupação. Mas eles próprios invertem a jogada e dizem achar, no release oficial do time, que a McLaren escondeu o jogo na segunda sessão.

Diante da importância deste que foi o primeiro dia de um novo mundial cheio de novidades, resolvi passar a correria da cobertura diária para ouvir com calma todo o material coletado e ir atrás da resposta mais importante da sexta-feira: qual a verdade dos tempos da segunda sessão de treinos livres?


Vamos direto ao ponto com a análise irretocável do “melhor do resto”, um Michael Schumacher que manteve a mesma calma dos tempos recentes em que quase foi incinerado numa inquisição esportiva diante da mesma mídia alemã que hoje queria jogá-lo aos céus.


Fiquei a oito décimos da Red Bull. Acho que eles andaram aqui com menos gasolina do que costumam andar às sextas-feiras. Mas andaram com menos do que a gente tinha? Eu duvido. Então, é uma diferença significativa, mesmo levando em conta que, aqui em Barcelona, a importância de um pacote aerodinâmico eficiente é enorme. E isto lhes dá naturalmente uma vantagem. Mas sempre dissemos que não traríamos uma ‘versão B’ do carro, mas apenas atualizações que nos permitiriam dar um passo à frente. E foi o que conseguimos, o resultado de hoje mostra isso claramente”, falou o heptacampeão, que minizou sua vantagem de meio segundo para o companheiro de equipe Nico Rosberg com um “ele deve ter tido algum problema porque foi uma vantagem grande demais para ser realista em termos de performance pura”.


Então depreendemos da fala de Schumacher que a Mercedes cresceu, mas ainda continua um bom caminho atrás da Red Bull, como no início da temporada. Importante: pelo que eu apurei, os carros azuis realmente não estavam tão leves assim como a concorrência gostaria. Schumacher acertou na análise disso também.


Mas e o resto? A Ferrari teve um dia difícil, trabalhando muito no desenvolvimento do duto de ar – a tevê espanhola fez uma boa matéria sobre isso num vídeo que o José Inácio publicou no espaço dele. Fernando Alonso foi realista na sua análise. “Quem esperava que tiraríamos a diferença e ultrapassaríamos a Red Bull aqui estava enganado desde o início. Na Fórmula 1 não existem milagres de uma corrida para a outra, mas ao longo de um campeonato todo”, apontou. Mas a diferença de nove décimos que o separou da Red Bull no treino da tarde também não é real. Na conta de gente próxima ao espanhol, a Ferrari estaria de dois a três décimos de segundo atrás da Red Bull. Aqui também: como no início da temporada.


Resta saber da McLaren. A cara de preocupação de Vettel depois de colocar oito décimos no resto do grid denota que sua crença numa McLaren dissimuladora é real. O tempo de Lewis Hamilton de manhã, com a pista ainda muito escorregadia, foi praticamente idêntico ao que ele marcou à tarde, quando a temperatura era maior e havia muito mais aderência. Ele citou algo sobre tráfego mas se disse “surpreso pela nossa distância para a Red Bull”. Aqui também, a McLaren definitivamente está mais perto da Red Bull que o cronômetro sugere (1s2 à tarde) – mais ainda assim, atrás. Como no início da temporada.


A possibilidade de chuva amanhã e no domingo joga uma expectativa de variáveis na disputa. Mas, caso o asfalto fique seco, é enorme a probabilidade de uma primeira fila da Red Bull, pavimentado o potencial de uma dobradinha na prova. No fundo, o RB6 nasceu e permanece mais veloz que todos os outros carros. E três décimos de segundo de vantagem, na Fórmula 1, é muito.


No fundo, esse enorme quadro de equilíbrio na tabela ilude muito quanto à realidade das pistas. São Pedro terá de continuar trabalhando muito para manter as coisas assim. De qualquer jeito, temos em Barcelona uma pista onde a aerodinâmica é fundamental e, depois, Mônaco, onde o que conta é uma boa aderência mecânica. Uma análise mais apurada para verificar se a vantagem da Red Bull é essa mesmo só sera possível na Turquia, um circuito mais “normal”. Até lá, é paciência e torcer para que nenhum piloto dispare na ponta com um bons resultados neste e no próximo domingo.

(Foto Luis Fernando Ramos)

5 comentários:

Spectreman disse...

Faço votos para que estes fundamentos do temor não sejam tão consistentes de fato. A F1 agradeceria.

Fábio disse...

Ico,
Parabéns pela seleção do Vitrola. De respeito.
Abs,
Fábio

Talita disse...

Bom dia

É piadinha infame ou Massa bem que podia tomar um Redbull??
.

Sei não, as Ferraris ficaram muito longe uma da outra. E o Schumacher? Leão de treino?Agora vai?
.
rsrsrs

:>)

José Inácio Pilar disse...

Gracias por la referência Ico!

Muchas y intensas gracias!

Érico disse...

E agora, resta dúvida? A Red Bull só perde amanhã (e o resto do ano) para ela mesma.