quinta-feira, 8 de julho de 2010

AGONIA ANUNCIADA

A principal notícia da semana não foi a esperada renovação de Robert Kubica com a Renault por dois anos – o que mata por tabela a maluca teoria que Michael Schumacher sairia da Mercedes. Mas sim o anúncio feito pela equipe ART, que desistiu de concorrer à 13ª vaga na Fórmula 1 de 2011. A equipe considera que as condições econômicas não são as mais adeqüadas para entrar na categoria. E, pelo que se comenta nos bastidores, a Epsilon Euskadi também teria desistido da disputa, ainda que não tenha se pronunciado oficialmente. Restariam as entradas obscuras e/ou não sérias de Durango, Stefan GP e o grupo americano Cypher (que remete imediatamente ao ótimo filme “Coração Satânico”, em que Robert De Niro brilha no papel do misterioso Louis Cypher).

O fato é que a Fórmula 1 não conseguiu diminuir os gastos da maneira que se desejava. E isso tem afetado também as equipes estreantes. A feroz disputa entre Lotus, Virgin e Hispânia pelo décimo lugar no Mundial de Construtores não é por acaso, já que esta colocação é a última que abocanha uma fatia do bolo de Bernie Ecclestone. Quem ficar em 11º e 12º teria de bancar inteiramente os gastos do ano que vem e muitos apontam que isto seria a sentença de morte destes times. Na Virgin, há quem aponte que Sir Richard Branson já pensa em abandonar o barco no fim do ano. E a Hispânia também luta para conseguir o orçamento necessário para garantir o seu futuro. Na Sauber não é muito diferente, embora ali o dinheiro da FOM chegará com certeza. 

Problemas de patrocinadores são comuns hoje em dia. Tanto no esporte como em todas as outras áreas que vivem anunciantes. Há um quadro de recessão mundial, o Euro continua balançando e as empresas estão com as carteiras bem fechadas. Mas não há como colocar a responsabilidade desse quadro de incerteza das novatas da F-1 em Max Mosley. Afinal, foi ele quem propagou a idéia de um teto orçamentário que tornou a entrada na categoria atrativa para um monte de gente. Foi prepotente ao não imaginar que perderia a queda-de-braço contra a FOTA. Depois disso, o pacote entregue às estreantes era bem diferente – e muito mais caro. 

No final, elas acabaram vendendo a alma ao diabo. E uma hora ele sempre volta para cobrar o pagamento.

5 comentários:

Natal Antonini disse...

Ico,

Desde quando existe essa regra que as equipes tem que ser convidadas para entra na F1, antigamente a coisa parecia mais livre, nos anos 1980 tinha mais de 26 inscritos e carros sobravam nos treinos. Não acha que seria o caso de acabar com essa exigência de ser convidado e ter apenas as regras de número máximo de carros no grid e limite de desempenho, a famosa regra dos 107%?

Atte.
Natal.

JCCJCC disse...

O limite de equipas surgiu no pacto da concordia de 1997 ou 1998

Concordo que o método antigo era bem melhor, devia ser a pista a determinar quem estava preparado para estar na F1, e quem não estava.

Decidir qual é a equipa mais capaz com base em reuniões e visitas à fábrica não me parece justo.

Lucas Lemos disse...

Poxa, eu apoiaria as novatas a continuarem. Vejo a Lotus com boas chances para o ano que vem, e não tiro a Virgin deste patamar também não. Já a Hispania me preocupa, sempre lá trás, sem upgrades no carro, e principalmente sem um tostão furado para investir...

Mas aposto que com o teto orçamentário, que apoiaria, desde que beneficiasse a todos, seria bastante interessante para os times pequenos.

marconi disse...

A única forma da F1 se manter competitiva é nivelando as equipes. E a única forma de fazer isso, é através do teto orçamentário. Mas isso parece uma coisa impossível de ser feita na F1.

Luiz G disse...

Incrível!!...Quando eu vi o nome da Cypher, pensei no mesmo filme....e olha que ele estão em busca dos Piquets...