segunda-feira, 22 de novembro de 2010

ESPECIAL 2010 - OS DEZ MELHORES

Diversos pilotos, alguns em momentos específicos. O melhor de 2010 da minha lista teve acima de tudo uma admiração pelo trabalho individual. Mas o topo da lista ficou reservado à uma festa e uma equipe. Porque um evento tão complexo como a Fórmula 1 é feito de um trabalho em conjunto. Especialmente quando ele mantém o esporte em primeiro plano. Confira abaixo a lista e discorde à vontade nos comentários:

10 - KAMUI KOBAYASHI
As arquibancadas do circuito de Suzuka tremiam a cada manobra. O epicentro do terremoto era o carro branco de número 23 de Kamui Kobayashi. O japonês aproveitou-se de uma estratégia distinta da maioria do grid, fazendo um stint longo com os pneus duros antes de calçar os moles e partir para uma série de ultrapassagens decididas - como já havia feito em Valência quando deixou para trás até mesmo o herói local Fernando Alonso. Embora a segunda parte do trabalho seja a mais espetacular, o fato é que seu ritmo de corrida nestas duas provas com os duros foi o que mais impressionou os técnicos da categoria. Ultrapassar, como ele constatou na entrevista que fizemos em Interlagos, “é o normal”. Em 2011, mesmo sem trazer dinheiro, Kobayashi faz mais uma temporada na Sauber. E terá a chance de continuar impressionando equipes maiores para ambicionar um cockpit de ponta no futuro. Fãs espalhados no mundo inteiro torcerão por isso.

9 - JENSON BUTTON
Ele surpreendeu o stablishment quando decidiu sair da campeã Brawn e levar o número 1 para a McLaren. Era um passeio “na cova do leão”, como Jackie Stewart descreveu a equipe que é berço e lar do excepcional talento de Lewis Hamilton. Mas Jenson Button não deu bola para o que diziam e provou toda sua qualidade com duas vitórias em condições difíceis no início do ano, o suficiente para colocá-lo na liderança do mundial. Depois, foi um dos que sucumbiram com os pneus em treinos classificatórios e arruinou suas possibilidades. Mesmo assim, uma incrível regularidade nas corridas o manteve vivo na briga por muito tempo. Não fosse abalroado por Vettel em Spa, teria chegado à decisão com chances.

8 - KUBICA EM CINGAPURA
“Quem é o próximo, quem é o próximo?” Os engenheiros da Renault não esconderam um riso de admiração quando Robert Kubica entrou no rádio. Numa das pistas mais apertadas do ano, o polonês não desperdiçou o uso dos pneus macios na parte final da corrida (por conta de um furo no pneu, acabou na mesma configuração de Kobayashi em Valência e Suzuka) e foi dobrando quem estivesse pela frente. Um piloto em ponto de ebulição, deixando claro aos rivais que não estava para brincadeiras só pela maneira de atacar. Foi o ponto alto de um grande ano para um piloto que tem tudo para voar alto quando estiver em uma equipe de ponta. É mera questão de tempo para que isso aconteça.

7 - MARK WEBBER

Depois da temporada de 2009, ninguém esperava de Mark Webber nada além do que um papel secundário na Red Bull, ajudando a equipe a somar pontos e angariando vitórias quando Sebastian Vettel tivesse algum problema. Mas o australiano fez a temporada da sua vida e, durante muito tempo, apareceu como o mais forte candidato ao título. Em especial suas performances nos técnicos circuitos de Barcelona e Mônaco foram verdadeiras aulas de ritmo de corrida. O piloto também soube ser matreiro ao capitalizar a seu favor as confusões do comando da equipe na Turquia e na Inglaterra para colocar pressão sobre o companheiro de equipe. Pena que sucumbiu diante da resposta deste no momento decisivo do campeonato, deixando o título escapar com um erro bobo na Coreia e uma classificação ruim na prova decisiva.

6 - POLE DE HÜLKENBERG
Numa temporada completamente dominada por três equipes, foi quase um milagre ver o carro azul e branco da Williams ocupando o primeiro lugar de um grid. Tudo bem que houve a interferência de São Pedro e o imprevisível clima paulistano. Mas Nico Hülkenberg fez um trabalho perfeito quando as condições favoráveis apareceram: pista úmida, asfalto frio, um carro e um estilo pilotagem agressivo com os pneus. Mesmo com o futuro ameaçado, encaixou três voltas perfeitas em sequência e colocou mais de um segundo de vantagem sobre a excelente combinação RB6-Vettel-Chuva. Não salvou seu emprego, mas encerra o ano com boas perspectivas depois de mostrar à equipe que é dono de um talento que o dinheiro não compra.

5 - HAMILTON E O DUTO DE AR
O espírito combativo de Lewis Hamilton ganhou uma arma letal com uma das mais inteligentes criações na história da Fórmula 1. Um canal de vento dentro do monocoque que permitia a asa traseira “estolar” nas retas, fazendo um efeito parecido ao de uma asa móvel, mas sem ferir o regulamento. Especialmente no início do ano, a velocidade maior no final das retas permitiu ao inglês realizar um show de ultrapassagens. Mas mesmo no final do ano, quando os rivais já haviam desenvolvido suas versões da novidade, Hamilton continuou a demonstrar seu instinto e pressionar ao máximo quem tivesse à sua frente, como aconteceu com Robert Kubica em Abu Dhabi. As chances de título sucumbiram diante de erros pontuais seus e, principalmente, pela falta de desenvolvimento do carro da McLaren na reta final. Mas o inglês termina 2010 como o grande artista do ano. Os fãs do esporte agradecem.

4 - ALONSO EM CINGAPURA

O caráter fora-de-série de Fernando Alonso ficou claro em uma série de ocasiões ao longo do ano. Não foram poucas as provas em que ele conseguiu resultados além do que seu carro permitia, simplesmente empregando ao máximo sua qualidade. Em que pese os erros cometidos na primeira parte do campeonato (largada queimada na China, acidente no treino livre em Mônaco que o deixou fora da classificação), esta capacidade cativou de vez a equipe Ferrari. E teve seu ápice em Cingapura. Numa pista travada e ondulada, na medida para toda a eficiência do RB6, o espanhol conquistou no braço a pole position num circuito em que realmente excede. Na corrida mais longa e fisicamente desgastante do ano, não se incomodou um instante com a sombra azul do carro de Sebastian Vettel e conquistou a mais bela de suas vitórias em 2010. Um momento de puro brilho para se contrapor com as polêmicas que volta e meia se envolve.

3 - SEBASTIAN VETTEL
O mundo caiu de pau em cima de Sebastian Vettel ao final daquele domingo chuvoso em Spa-Francorchamps. Sua mal-sucedida ultrapassagem sobre Jenson Button despertou as lembranças do acidente com o companheiro de equipe Mark Webber na Turquia. O “drive-through” e o apelido de “crash kid” que recebeu em consequência disso foram os outros pregos de sua cruz. Moleque, estabanado, imaturo: as etiquetas estavam coladas por todo o corpo. Não devem ter sido dias fáceis, mas o alemão foi buscar uma confiança inabalável dentro de si. A partir de então, marchou impávido sobre o companheiro Mark Webber em todas as provas. E rumo ao título, apenas uma imprevista quebra de motor nas voltas finais da Coreia o impediu de vencer as quatro últimas corridas do ano. Coroado campeão, preferiu sorrir ao invés de esfregar o sucesso nos que o atacaram. Moleques são os outros.

2 - FESTA DOS 60 ANOS
Foi uma chuva de estrelas naquele domingo ensolarado no meio do deserto. John Surtees, Jackie Stewart, Emerson Fittipaldi, Mario Andretti, Jody Scheckter, Keke Rosberg, Damon Hill, todos conduzindo os carros nos quais ganharam títulos mundiais. Mika Hakkinen e Nigel Mansell em modelos campeões dos anos 50. Na platéia? Niki Lauda, Alain Prost, Alan Jones e até mesmo Jack Brabham. Ao final das voltas de exibição (mas que não nos enganemos, a turma ia afundando o pé um pouco mais a cada passagem), todos se encontraram e se confraternizaram numa comunhão de grandes pilotos com grandes máquinas. O sorriso infantil nos rostos cheios de rugas foi a maior prova de que o amor pela velocidade é maior que o tempo. Uma festa à altura da própria Fórmula 1.

1 - RED BULL
De um lado, um panteão de história e com rígida hierarquia chamado Ferrari. Do outro, uma equipe de enorme excelência técnica e com dois campeões mundiais que são o sonho de qualquer patrocinador chamada McLaren. No meio, uma equipe com um orçamento menor e toda enrolada na hora de administrar os anseios individuais de seus pilotos. Mas justamente por isso mais palpável, humana. De sobre-humano na Red Bull, só mesmo o bólido desenhado pelo gênio da prancheta Adrian Newey, praticamente imbatível nas classificações, embora de resistência por vezes imprevisível nas corridas - mesmo assim, o pilar sólido de todo o sucesso alcançado. Mesmo tropeçando diversas vezes no próprio cadarço, a Red Bull resolveu respeitar o bom trabalho de sua dupla de pilotos e não se intrometeu neste duelo interno na reta final, contrariando o senso comum de muitos especialistas e fãs. E foi por ter dois cavalos no páreo decisivo que conseguiu o segundo (e mais suado) título da temporada em Abu Dhabi, deixando os adversários sem saber para qual carro olhar. O ano de 2010 foi o ano do triunfo de uma equipe jovem, que consegue ser eficiente mesmo batendo cabeças. Uma que tem os ingredientes na mão para se firmar como uma das grandes do esporte ao longo dos próximos anos. Se não tiver sido fogo de palha, um dia saberemos que o futuro da F-1 começou aqui.


(Fotos Luis Fernando Ramos)

12 comentários:

Leo disse...

Muito boa a lista. Na minha lista tambem tem O Blog do Ico! E viva KubiKobi!

Dé Palmeira disse...

Excelente Ico. Nada a acrescentar.

Érico disse...

Acho que falta um lugar para o Barrichello na lista. Sua temporada foi muito boa e seu trabalho desenvolvendo o Williams foi nítido. 300+ GPs and counting, ao longo do ano ele mostrou velocidade e determinação supreendentes para um veterano, apesar de alternar uns finais de semana apagados. Aquela ultrapassagem sobre o Schumacher foi a cereja do bolo, vide o raro, mas sincero, sorriso que Frank Williams deu. Depois de tantos anos, parece que Barrichello finalmente encontrou seu verdadeiro lar na F1.

PS: em alguma realidade alternativa, Barrichello foi para a Williams ao invés da Ferrari em 2000, e o futuro casamento Barrichello + Williams + motores BMW entrou para os corações dos brasileiros.

L-A. Pandini disse...

Bela lista, Ico. Eu apenas inverteria a ordem dos dois primeiros colocados. Essa comemoração dos 60 anos deve ter sido a coisa mais próxima do possível para quem sonhou com algo como o conto "Dragster for Paradise", escrito por Johnny Rives na década de 1970. Abraços! (LAP)

Flávia Tricolor disse...

E o Rubinho, o super trabalho que ele fez na Williams!

Celso AM disse...

Ico,

Gostei desta lista, ótimo texto!

Tava dando uma olhada no twitter do Petrov.. meio pretensioso, não?

"По итогам дебютного сезона Петров стал лучшим новичком чемпионата мира Формулы 1, заняв 13-е место в общей классификации пилотов!"

Concorda com o russo?

As vezes, os números podem enganar muita gente...


Abraço!

alexcifarelli disse...

Fiz uma lista de dez pilotos antes de ver a sua! Sendo que vc relacionau fatos! Bom la vai minha lista: Veja que se refere a melhores pilotos: 1- Alonso 2- Hamilton 3- Vettel 4- Barrichello(sensacional peformance, com motores Cosworth e não BMW como escreveu nosso colega acima) 5-Schumacher: explico - O cara tava parado um tempão, voltou e encarou criticas jocosas e todas as dificuldades que os anos nos trazem, com passar dos tempos! E não duvido nada que no próximo ano sera mais combativo, visto seu final de temporada! 6 - Kubica 7- Weber 8-Button 9- Kobayashi 10- Rosberg ! Estes são os meus 10 melhores pilotos da F1 atual! Ficoua decepção com o Massa! Mas pra 2011, quem sabe?

Celso AM disse...

Aliás,

"По итогам дебютного сезона Петров стал лучшим новичком чемпионата мира Формулы 1, заняв 13-е место в общей классификации пилотов!"

"Como resultado de sua temporada de estréia, Petrov foi o melhor estreante do Campeonato Mundial de Fórmula 1, terminando em 13 º lugar na classificação geral dos pilotos!"

Discordo, e apesar dos números da tabela, foi o pior novato em relação ao companheiro de equipe.
O russo teve em mãos o melhor carro entre os estreantes..

Abraço!

Gustavo disse...

Pra mim o Koba é o melhor do ano disparado. O resto não fez mais que a obrigação...

Ron Groo disse...

Perfeito.
Kamui vai se fixando como uma realidade, muito bom.

Mas para mim, o melhor do ano, mesmo, foi a pole do Hulke. Ah! Quanto tempo eu esperei para rir de novo.

Marcel disse...

Realmente, a Red Bull é a grande campeã, o melhor do campeonato que houve. Aliás, a disputa chegou até a última corrida por conta dos problemas da Reb Bull que das virtudes dos outros. Ou seja, não foram os outros que cresceram, a RB deixou isso acontecer. Talvez até de propósito, para dar mais emoção. hehehe

Sidinei disse...

Ico,

Um momento que pra mim, foi o ponto alto da temporada, foi a disputa (psicologica) entre Button e Hamilton na China: de um lado o Button estrategista que todos nós conhecemos. De outro, Hamilton largando em 15º e chegando ao segundo lugar. Quando Hamilton começa descontar a Vantagem do companheiro, Button começa a andar num ritmo tão forte quanto o de Hamilton. Penso que tenham sido duas aulas de estilos diferentes de pilotagem. Foi um excelente Gp.

Abraço

Sidinei Gadelha