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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

OS PALCOS QUE QUEREMOS

Em cima do cancelamento do GP do Bahrein, perguntei aos meus seguidores no twitter que lugar eles gostariam de ver no calendário da F-1, numa escolha livre e informal. Foram várias sugestões e deu para ver que o pessoal tem uma nostalgia por muitos traçados que já passaram pela categoria. Mesmo assim, o primeiríssimo lugar é inédito na categoria. Vamos conferir o top 5 escolhido por vocês:

PORTIMÃO (10 citações)
O circuito no sul de Portugal é a primeira escolha da maioria. Não é para menos: a pista atende aos padrões exigidos pela FIA para a F-1, é moderna e tem um traçado muito interessante, com mudanças de nível, freadas em descida e, aparentemente, alguns pontos de ultrapassagens que sugerem uma corrida movimentada por lá. Sem falar que fica numa região maravilhosa. Um GP ali tinha tudo para ser um sucesso, desde que não se cobrasse uma taxa absurda para sua realização, permitindo ingressos a preços realistas. Quem sabe um dia, num futuro não muito distante...

ZELTWEG (6 citações)
Tá bom, eu “roubei” aqui, juntando quem citou o traçado antigo com os que falaram A1-Ring. Não importa. A pista que fica numa montanha sempre ofereceu corridas boas em qualquer variante, tem um elemento fantástico de “GP Rural” e um clima sempre imprevisível, com a chuva podendo chegar a qualquer momento por trás do cume dela. Tenho uma ligação sentimental com o lugar, obviamente, mas não por isso dá para dizer que é o lugar com mais chance de estar na (ou, voltar para) F-1 dentre o nosso top 5. Afinal, Zeltweg volta à ativa neste ano com o nome de Red Bull Ring. E se as latinhas do senhor Mateschitz continuarem a vender desse jeito, basta ele querer fazer “o seu GP” que ele faz.

ELKHART LAKE (5 citações)
É também uma pista que nunca esteve na Fórmula 1, mas com um traçado que não fica nada a dever para muitos dos circuitos “clássicos” da categoria: longo, seguindo naturalmente o curso de um terreno variável e com curvas de vários tipos. Enfim, um verdadeiro driver’s track que, com pequenas reformas em estrutura e áreas de escape, estaria apta para receber a categoria. Uma pena que jamais tenha sido considerada para a volta dela aos Estados Unidos.

ESTORIL (5 citações)
Vale citar que, além de Portimão e Estoril, duas pessoas colocaram apenas “Portugal”. O desejo da volta do país ao calendário é claro, uma pena que a realidade econômica de lá seja completamente incompatível com a irrealidade econômica da organização de um GP. Estoril foi palco de grandes momentos, como a primeira vitória de Ayrton Senna e uma ultrapassagem por fora de Jacques Villeneuve sobre Michael Schumacher. Certamente, um lugar que equipes e pilotos adorariam visitar de novo.

PAUL RICARD (5 citações)
O GP da França com sol a pino, abarrotado de gente nas arquibancadas e aquela interminável reta Mistral. Boas lembranças de um dia em que “La Grand Nation” ainda tinha seu evento e um punhado de pilotos e equipes no grid. Desapareceram todos, o que é uma pena. Paul Ricard foi comprada por Bernie Ecclestone e transformada num grande centro de testes, mas sem a estrutura ideal para receber uma corrida de GP. Nada que uma reforma não resolvesse, basta querer. Bernie não quer.

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Eu gostei das escolhas, e vocês? Mais sugestões?

(Fotos Williams e reprodução Internet)

sábado, 28 de agosto de 2010

AS PREFERIDAS DO TIO BERGER

É impossível não citar a Eau Rouge quando se fala de Spa-Francorchamps. Mesmo diante do fato da temível curva não apresentar os mesmo desafios do passado, como eu coloquei neste post feita na última edição do GP da Bélgica. Por isso mesmo, acho que vale a pena reproduzir aqui esse depoimento que Gerhard Berger deu ao jornalista austríaco Heinz Prüller sobre as dez curvas mais desafiadoras de sua época. Como reza o dito popular, de uma época onde ainda se amarrava cachorro com lingüiça. Confira:

1 – Eau Rouge (Spa-Francorchamps)
A rainha de todas as curvas. Agora tiraram um pouco de sua pimenta, mas ainda é o grande mito, o Everest da Fórmula 1. Porque o piloto precisa de tudo: coragem e sabedoria. Você precisa se decidir ainda na inclinada descida: ‘farei ela de pé embaixo ou não?’ O cérebro diz não, mas o coração fala sim. Depois da quebra esquerda-direita na base, tem uma subida inclinada. É como se jogar contra uma parede. Você se sente um piloto de caça. Com certeza, a curva mais desafiadora da F-1!

2 – Jochen-Rindt-Kurve (Zeltweg)
Não é por motivos sentimentais – mas uma chicane seria um insulto para Jochen. Uma ondulação na entrada, a inclinação da curva te joga para fora e você está a mais de 200 km/h na saída dela

3 – Bosch-Gösser-Kurve (Zeltweg)
Mais uma curva típica de Österreichring. Você jogar o carro tranqüilamente na entrada da curva e ainda assim ganha velocidade

4 – R-130 (Suzuka)
Eu a coloco acima de outras curvas de Suzuka como a ‘Degner’ ou a ‘Spoon’. Difícil de prever a saída, tem ondulações, o carro fica nervoso... e é rápida, chegamos a uns 260 km/h. Às vezes, a pista acaba na saída...

5 – Parabólica (Estoril)
É como se não terminasse nunca, cheia de ondulações e bem difícil a mais de 250 km/h. (Jacques) Villeneuve apostou uma vez com seus mecânicos que conseguia fazer ela por fora com o pé embaixo. Eles o desaconselharam, mas ele ganhou a aposta...

6 – Copse (Silverstone)
É a primeira curva depois da largada. E tem de ser feita às cegas, porque você não tem como ver a entrada e nem o apex, fica quase pendurado para fora do carro e é brutalmente rápida – quase de pé embaixo a 270 km/h

7 – Lesmos (Monza)
A primeira perna a 220 km/h, a segunda a 240 km/h. Extremamente complicada, porque você anda praticamente sem asa em Monza por causa das retas – e precisa desesperadamente de pressão aerodinâmica para fazer as Lesmos

8 – Casino (Mônaco)
Quem quiser saber de verdade o que é a Fórmula 1 só precisa ficar olhando os carros na saída dela, na parte de fora – mas atrás de uma proteção bem grande! A Massenet é feita à esquerda a 260 km/h, em cima do morro tem estômago sai prá fora, mesmo assim você tem de diminuir a marcha, virar numa fração de segundo mesmo com a ondulação te atrapalhando e descer com a maior velocidade possível para a Mirabeau

9 – Tamburello (Ímola)
Feita de pé embaixo no seco, um pouco mais difícil no molhado. Foi a curva em que morreu Ayrton Senna. Eu também tive uma batida forte por lá. Dissem que uma batida na Tamburello te deixa um segundo mais lento. Então eu deveria ser um piloto absurdamente rápido...

10 – Blanchimont (Spa-Francorchamps)
Curva cega, feita de pé embaixo a mais de 300 km/h – e você passa a centímetros do guard-rail. Na parte interna tem uma zebra muito alta, que exige muito cuidado. Quase tão difícil quanto, as duas últimas curvas de uma volta em Barcelona, feitas a mais de 250 km/h