No verão europeu de 1998 visitei Viena pela primeira vez, para ver minha então namoradinha e conhecer a cidade que eu adotei e me adotou também. Mas para dar um toque meu no mês em conjunto do casal, organizei uns dias em Portugal, na casa de uma amiga da família no Algarve. Sei que muitos dos leitores do blog são lusitanos, então eu declaro em alto e bom som: adoro vosso país e vossa cultura! Foram dias curtindo a hospitalidade portuguesa e a deliciosa tradição de se sentar à mesa para uma celebração que vai durar horas: churrasco de sardinha, especialidades locais e muito vinho. Querer mais o quê?
Um bom show de música local, claro! Quase fiquei louco quando fiquei sabendo que o Madredeus faria uma apresentação no Algarve. Já faziam alguns anos que eu tinha me encantando com a mistura de violão clássico com a voz angelical da cantora e mergulhado na discografia do grupo. Mesmo assim, não estava preparado para o que viria a seguir.
O show foi na praça central de uma pequena cidade chamada Vila Real de Santo António (sim, brasileiros, com acento agudo no “o”) . Uma deliciosa noite de verão, com uma lua cheia abençoando o lugar. Então as luzes se apagaram para cerca de duas horas de um delicioso vôo sobre um tapete voador criado pela sonoridade da banda. O som era cristalino e a voz de Teresa Salgueiro soava ainda mais etérea do que nos discos, o que eu não imaginava ser possível. Como a letra sugere, ela parecia apontar o caminho do paraíso.
Eu fiquei o tempo todo em pé, encostado numa árvore e abraçado à minha gatinha. Fechava os olhos para viajar junto da música e os abria de vez em quando para olhar a lua cheia sob aquela charmosa praça numa vila ao sul de Portugal. Acho que a maior riqueza que um ser humano pode acumular na vida são grandes momentos – e aquele, para mim, foi dos maiores.